Notas iniciais
Olá, amores e amoras! ♥ Eu juro que me esforcei para postar este capítulo antes, mas fim de ano é uma época complicada para quem está triste. Felizmente eu tive pessoas incríveis que não saíram do meu lado, aqui mesmo, nesse site. Hoje estou esperançosa com este novo ano por conta delas. Meu muito obrigada a você, que me acompanha! Agradeço os favoritos, os reviews e por cada visualização! Te desejo um excelente 2018! ♥ Boa leitura! ♥

— Pense, Camus. – Sussurrou para si mesmo, completamente atordoado.

Sinceramente, o que Milo estava pensando? O ruivo olhava desesperadamente para a porta de vidro que dava acesso aos equipamentos da academia e para a entrada do vestiário, no canto oposto. Ele deveria ser rápido, um momento ideal para agir era inexistente. Não muito convicto, decidiu nadar até a borda direita da piscina, o mais longe possível do objeto de vidro.

Tremia freneticamente devido ao nervosismo. Imaginou uma reunião de docentes em frente a piscina, onde todos os seus colegas de trabalho olhavam para si com desprezo. Quando alcançou a borda oposta, contou até três e flexionou os braços, subindo e expondo sua nudez. Camus sentiu seu corpo inteiro enrubescer, aquilo não poderia estar acontecendo. Correu o mais rápido que pode até alcançar a entrada do vestiário, por onde Milo havia sumido.

Viu os armários do lado direito e os chuveiros do lado esquerdo, separados apenas por uma parede até a altura do peito de um homem adulto. Em uma das duchas estava seu objeto de raiva e desejo, imerso em uma névoa de vapor d’água e sorrindo cinicamente para si.

Em passos pesados e decididos, seguindo a trilha de água deixada pelo grego, Camus andou sem perder o contato visual. Ele o pagaria, não naquele momento, mas o pagaria.

Alcançando a cabine em que Milo estava, o ruivo reparou que este já estava ensaboado e sem sunga. Camus virou o corpo forte do aluno, batendo as costas largas na parede que dividia as duchas.

Surpreso, Milo olhou institivamente para os lábios finos, sem perceber que os seus eram igualmente ansiados.

Camus o prendeu entre seus braços e avançou, beijando-o intensamente. Ao sentir o choque entre os corpos, o contato fez com que seu coração pulsasse mais rápido, como se houvesse um pássaro batendo asas em seu peito. Tão bruscamente quanto começou, ele interrompeu o beijo, virando o loiro de forma a deixá-lo de costas para si. Um rastro de espuma proveniente do loiro se formou na fronte do francês.

Guiou o aluno ainda de costas para si até que este estivesse sob o chuveiro. Resolveu colocar uma das mãos em sua testa, de modo a impedi-lo de bater com a cabeça na parede. Com a outra, retirou os cachos molhados para ter acesso a nuca, distribuindo beijos carinhosos. Escorregou os dedos pelo torso definido, parando ao alcançar o quadril.

Surpreso e ansioso, Milo apoiou as mãos na parede, como se fizesse uma flexão. Seu corpo estava rígido e à mercê do mais velho. Olhou para a parede em expectativa, sem saber o que era planejado para si. Sentiu uma gota escorregar por seu nariz afilado e morrer em seus lábios entreabertos. Arfou e fechou os olhos claros quando dedos longos se fecharam sobre si. Camus usava a espuma para um toque fluido e delicado, indo e voltando, indo e voltando.

A mão em sua testa arrastou-se por seu rosto, pescoço e tronco, torcendo levemente os mamilos rosados, apertando os músculos de seu abdome, deslizando sensualmente por suas nádegas, alcançando as coxas grossas e se emprenhando nelas.

Milo abriu os olhos novamente, encarando o azulejo claro. Ainda não acreditava que aquilo estava acontecendo consigo. Quando imaginaria que, naquele vestiário, seria completamente dominado por Camus? Abriu os lábios carnudos para respirar, somente as narinas não estavam sendo suficientes. Gostaria de vê-lo. Sentia a ereção do professor atrás de si, mas não era o suficiente, gostaria muito de vê-lo.

Camus, por sua vez, agia com plena maestria. Nessa posição, era como se o francês tocasse a si mesmo, o que deixava a tarefa bem simples. Além disso, sua excitação era tamanha que realmente tocar Milo tinha o mesmo efeito de tocar em si mesmo.

O perigo deixava o clima ainda mais denso. A porta do vestiário era opaca, contudo, uma vez dentro dele, era impossível não ver a cena que ali se passava. As paredes que separavam as duchas eram curtas demais e não haviam portas, apenas um banco extenso no meio do corredor e os armários alugados pelos usuários da piscina.

— Camus... – Milo sussurrou enquanto se sentia afundar. Iria desmaiar de prazer? Abaixou a cabeça ao sentir uma nova leva de dedos escorregarem sobre si, acompanhando o movimento. Tanto ele quanto o mais velho estavam com as faces completamente coradas.

O francês apoiou o nariz no vão do pescoço do aluno. Estava difícil manter a sobriedade, ele se sentia terrivelmente embriagado.

Com uma mistura de dez dedos e espuma, Milo se perdia no toque perfeito. Começou a movimentar os quadris, praticamente estocando as mãos de Camus. Ouvir a respiração alterada do francês só deixava as coisas ainda mais insuportáveis, aquilo precisava acabar!

De repente, vozes foram ouvidas. Atento como era, imediatamente Camus soltou o aluno, quase caindo ao correr para a ducha ao lado, ligando-a de qualquer maneira.

A porta do vestiário foi aberta e dois homens entraram no recinto, rindo e conversando, alheios à dupla que ali se banhava. Por sorte, as chaves cedidas pela recepção eram de armários distantes.

— Milo, você precisa agir naturalmente. – Sussurrou ao ver que o grego não saíra do lugar.

Como desperto de um transe, Milo olhou para o próprio corpo abandonado com incredulidade. Cumpriu a ordem dada por Camus, excitado e frustrado.

Com paciência e concentração, o ruivo foi capaz de desfazer sua ereção para poder deixar a ducha. Pegou sua sunga na parede que dividia com Milo, torcendo-a. Atravessou o corredor para abrir seu armário, pegando uma toalha limpa na mochila.

Milo saiu do banho quando Camus terminava de se vestir. O mais velho observou com divertimento a expressão de desamparo que o aluno exibia.

Enfim deixaram o vestiário, caminhando lado a lado até o estacionamento.

— Você deveria ter secado melhor esse cabelo, está frio. – Camus ralhou com o cenho franzido.

— Você está de camiseta e bermuda, além do cabelo molhado. – Seu tom era sério.

— Que mau humor é esse? – Sorriu ironicamente, divertido. Parou ao alcançar o carro, escorando no teto enquanto observava Milo se dirigir ao lado do passageiro.

— Não sei, o que será que pode ser? – Milo o imitou. Ficaram frente a frente.

— Hum... – Segurou o queixo de modo pensativo – Acho que karma, talvez.

— KARMA? – Alterou-se, para um maior divertimento do mais velho – Seu filho da puta, eu te fiz gozar! – Apontou o indicador, acusatório.

— Fale baixo! – Olhou preocupado em sua volta. Por sorte não haviam pessoas no estacionamento – Você me deixou nu na piscina! Mereceu!

Camus entrou no carro, batendo a porta com força em seguida. Completamente indignado, Milo repetiu o gesto. Cruzou os braços enquanto o carro era manobrado para fora da vaga.

Apesar de conservar o silêncio, Camus ligou o aquecedor no máximo antes de deixar a academia.

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Almoçaram no apartamento do francês na companhia de Carlo e Afrodite. Receberam a notícia que Natássia teve que partir urgentemente para a Bélgica, mas que contava em ver ambos no natal em Tóquio.

— Estava pensando em ir ao cinema amanhã e depois dar uma volta por aí... – O sueco deu de ombros – Meio programa de casais, o que acham?

— Eu combinei de passar o fim de semana com os gêmeos, desculpe, Dite. – Ambos os loiros estavam sentados no balcão enquanto Camus e Carlo limpavam a bagunça do almoço.

— Sério? O que vão fazer?

— Ainda não sei, mas eles não costumam parar em casa, devemos visitar alguma cidade nos arredores.

— Deu mesmo para perceber que seus irmãos são verdadeiros aventureiros. – Virou o rosto na direção da pia – E você, Camie, vai com a gente?

Camus teve as divagações interrompidas. Acreditava que Milo passaria o fim de semana consigo. Sentia-se decepcionado e culpado por isso. Quem era ele para esperar algo? Ele mesmo impôs os limites.

— Camus?

— Ah, desculpe. Vou sim. O que vamos ver?

— A gente decide na hora.

O francês revirou os olhos, era sempre assim. Certeza que iriam acabar em um filme ruim por falta de planejamento.

Finalmente terminaram de secar e guardar as louças do almoço.

— Eu e o Carlo vamos indo, então. No final da tarde, o que acham de irmos em um caffé? – Afrodite disse enquanto procurava suas pantufas felpudas.

— Por volta das 18h? – Milo sugeriu.

— Combinado! – Beijou o irmão e o cunhado antes de entrelaçar seus dedos entre os do italiano.

O mais novo olhou para Camus, vendo uma expressão de dúvida.

— Tenho que levantar cedo amanhã. – Explicou-se da pergunta muda.

— Ah sim. – Não esperava que o aluno o abandonasse tão cedo sendo que eles não se veriam no fim de semana.

— Então, estava pensando, o que acha de não estudarmos hoje?

— Hum... e o que você sugere que façamos no lugar dos estudos? – Sorriu, vendo o grego se aproximar felinamente.

— Podemos discutir sobre isso na sua cama? – Passou os braços ao redor da cintura do francês, que fez o mesmo em sua nuca.

— Podemos, senhor Halkias.

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Como sempre, Camus teve a destreza de acordar antes do horário combinado. Ele e Milo se aprontaram juntos e, dessa vez, o grego tinha roupas extras na mochila.

Os quatro se acomodaram no Cadillac, parando em um caffé ao leste da Torre Eiffel, na zona turística.

O sol ainda resistia por um fio, iluminando parcamente os casais sentados em uma mesa delicada na calçada larga.

As luminárias antigas iam acendendo aos poucos, dando um ar romântico ao local. Enquanto todos faziam os respectivos pedidos ao garçom, Milo olhava para o sol se pondo atrás da Torre. Estar ali ainda era um sonho. Virou a cabeça de modo instintivo para mirar o ruivo, sendo surpreendido ao deparar com olhos claros em si.

— Lindo. – O loiro apontou para os vestígios do sol.

— Acho mais bonito de se ver da Grécia. – Camus sorriu gentilmente.

Em uma atitude ousada, Milo repousou sua mão sobre a do professor, sentindo-o retesar. Ao sentir o toque de couro da luva do aluno em seus dedos nus, Camus não soube o que fazer. Descobriu a resposta ao ver a confiança nos olhos cor de mar. Abriu mais sua palma, de modo a acolher os dedos do grego, apertando-os com carinho e medo. Ele estava completamente perdido, tinha plena consciência disso.

Após os doces e cafés, os quatro optaram por um pequeno passeio. Carlo desejava ir até a Catedral de Notre Dame, mas a caminhada se estenderia por uma hora e o grego precisava estar cedo em casa. Desse modo, atravessaram o Sena e caminharam até a Champs-Élysées, jogando conversa fora durante o percurso. Na infinidade de lojas, Afrodite visualizou uma de suas floriculturas favoritas, arrastando o namorado até lá.

Milo e Camus permaneceram do lado de fora, observando a agitação do comércio local.

— Sério, não me lembro de ter conhecido cidade mais iluminada que Paris.

— Você deveria ver essa avenida durante o Mercado de Natal. Ouso a dizer que Paris tem a Feira de Noel mais bonita da Europa.

— Eu adoraria te contradizer e te chamar de porco nacionalista, mas creio que você diz a verdade. Dessa vez. – Pontuou, fazendo o outro rir – Já ouvi bastante sobre o Mercado de Natal Parisiense.

Camus não soube o que dizer a partir dali, deixando que o assunto morresse.

— Hoje eu consegui ver a Torre Eiffel se acender na minha frente, me sinto honrado. – Milo prosseguiu – É ainda mais bonita quando vista de perto.

— Não desvalorize a visão da minha sala. – O ruivo ralhou seriamente, o que arrancou um sorriso do aluno.

— Não foi isso que quis dizer. – Fizeram uma pausa enquanto admiravam a vista – Camus, podemos ir quando os dois retornarem? Eu combinei cedo com os gêmeos.

— Tem certeza que quer ir para a sua casa? Meu apartamento fica bem próximo dos gêmeos e eu posso te levar até lá, costumo acordar cedo.

— Eu estou dormindo direto lá. Melhor ir para casa hoje.

— E qual é o problema? – Olhou de soslaio.

— O problema é que, assim como você, eu também tenho um apartamento, pasme!

Camus esquentou as mãos nos bolsos do jeans que usava. Por que Milo o deixaria esta noite? Primeiro ele quis ficar, conseguiu. Agora ele desejava ir? As palavras teimavam em pingar de sua língua, queria insistir mais, mas não o fez. Como havia se acostumado à presença, agora se acostumaria à falta. Começava a entender que não se tratava de ter a vida de alguém, e sim de compartilhar a vida com alguém.

— Tudo bem, é claro que podemos ir embora.

Milo não conseguiu identificar a expressão do professor. Neste momento, Afrodite e Carlo retornaram com rosas laranjas como o pôr do sol, o que rendeu assunto para toda a viagem de volta, pois o sueco já sabia o tema da obra principal de seu Trabalho de Graduação.

Durante o trajeto, Camus dirigiu em silêncio, observando de soslaio o sorridente aluno ao seu lado, que conversava alegremente com o casal no banco de trás. Milo o deixava imponente, consumia seu autocontrole, mas, ao mesmo tempo, fazia crescer em si um sentimento de desobediência, de rebelião, de liberdade. Oh céus, isso não poderia ser o que as pessoas chamavam de amor, poderia? Era muito mais grave que amor.

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Com pesar, Camus deixou Milo na periferia. Todos lhe desejaram um bom fim de semana e expressaram o desejo de seu retorno.

O francês foi bombardeado por perguntas de seu irmão durante o percurso até o apartamento. Acabou detalhando os acontecimentos dos últimos dias, omitindo a bagunça que reinava dentro de si há semanas.

Sábado e domingo transcorreram tranquilamente. Milo e os gêmeos foram para Laon, uma cidade ao norte de Paris. Partiram de carro pela manhã de sábado, voltando apenas na noite do dia seguinte.

Camus, por sua vez, praticou seu kickboxing e gozou da companhia sempre agradável do casal do andar de cima. Fora isso, ele pensou bastante no aluno. Pensava ao acordar, ao preparar o almoço, ao olhar para a cama em seu quarto e até mesmo quando se sentava para ler em frente a parede de vidro, imerso em almofadas. Teve uma ideia no domingo à noite, quando recebeu uma mensagem de Shion, solicitando uma reunião no dia seguinte. Como já era tarde, decidiu compartilhar seus planos com Afrodite pela manhã.

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A segunda-feira amanheceu terrivelmente fria, mas nada de chuvas.

Afrodite planejava outra exposição em Londres e uma em Glasgow, sendo obrigado a trabalhar duro no atelier da Belas Artes durante a semana. Como o namorado estava estudando para reapresentar a tese do mestrado para uma equipe de historiadores em visita à universidade, o sueco pediu ajuda ao irmão, que prontamente lhe atendeu.

Seguiram caminho para a Sorbonne após encherem o Cadillac de paletas, fotografias, cavaletes e pinceis.

— Dite, preciso de um favor seu. – Intercalava o olhar entre o irmão e as ruas.

— Por você, todos. Só pedir.

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As aulas ocorreram normalmente. Camus havia dado uma aula teórica, logo, sem as costumeiras discussões fervorosas. Combinou com Milo de se encontrarem em sua sala após o segundo horário, pedindo que este não se atrasasse, pois tinham um tópico muito importante a ser discutido antes da reunião com Shion.

Saindo da secretaria do departamento com agilidade, Camus correu para chegar em sua sala antes do grego. Terminou de retirar as coisas que poderiam rolar de sua mesa no exato momento em que Milo entrava pela porta.

— O que houve? Fiz algo errado? – Passou a manhã preocupado. Camus havia feito exatamente o que mais odiava: dizer que precisavam conversar e sumir.

— Sim, fez algo errado que precisamos rever com urgência. Tenho que me encontrar com o Shion em mais ou menos dez minutos e não posso me atrasar, então tenha foco no que vou te falar, entendido?

Completamente assustado, Milo só soube acenar.

O mais velho o guiou pelas mãos até a mesa, até que o aluno se sentasse na ponta da superfície de madeira.

Camus segurou a face dourada com ambas as mãos, abaixando-se para alinhar os olhos.

— Você me fez sexo oral em público, certo? – A voz grave vibrava no ambiente.

— Sim, mas o quê... – Foi cortado.

— O Shion chega em – Verificou o relógio prateado em seu pulso – apenas seis minutos. E você não trancou a porta, trancou? – Viu uma negativa assustada – Isso significa que você tem que terminar em menos de seis minutos se não quiser ser pego e arruinar nossas carreiras.

— Camu... – Teve seus lábios tomados pelo ruivo. Se estava difícil concluir suas sentenças, imagine raciocinar sobre a situação? Só sabia de algo: Shion chegaria em seis minutos.

Com agilidade, Camus abriu e desceu o jeans do mais novo apenas o suficiente. Abandonou os lábios carnudos e se ajoelhou. Pelos deuses, e se alguém abrisse a porta? Nunca mais poderia lecionar, nem para crianças! O grande professor Sivan, ajoelhado em sua sala, fazendo sexo oral em um de seus alunos. Mas algo era engraçado, apesar dos inúmeros “poréns”, nada o faria desistir naquele momento.

E então estava feito, Milo arfava e ele se esforçava para fazer um bom trabalho, mesmo que sua respiração fosse obstruída no ato eufórico e quase violento. Camus sentiu seus fios ruivos serem embrenhados entre os dedos do aluno, ao mesmo tempo em que uma única gota de suor deslizava pela lateral de seu rosto. Seus sentidos nunca estiveram tão aguçados.

Já Milo tremia brutalmente. Cada vez com Camus era única e ele, assim como o professor, não sabia administrar a quantidade de informações que eram despejadas sobre si. Como era possível sentir tanto por uma pessoa?

O grego desviou o olhar da porta, mirando a cabeça ruiva. Via-se sumir na boca quente, repetidamente. Estava quase.

Três batidas na porta.

O mundo parou para Milo. Ele sentiu todos os seus músculos se contraírem, tesos, em seguida vieram as fortíssimas contrações que precediam o orgasmo. Ouvia de longe a tosse intermitente do professor, devia ajudá-lo, mas não conseguia. Seu corpo começou a desfalecer quando sentiu braços o envolverem, mantendo-o firme.

— Camus, a porta... – Curvou-se, apoiando a cabeça no peito forte. Rodeou a cintura do professor com seus braços ainda amolecidos.

— Foi uma brincadeira, eu me encontrei com o Shion antes de ver você. Era só o Dite. – Segurou protetoramente a cabeça loira contra si, acariciando os cachos molhados de suor.

— Seu filho da puta... – Mal conseguia xingar, estava exausto. Sentiu a vibração quando Camus riu.

— Venha, sente-se em minha cadeira. – Afastou-se, oferecendo a mão.

Milo sorriu, aceitando o convite. Quando se sentou, Camus o deixou para trancar a porta.

O ruivo abriu uma das gavetas da estante, buscando por uma caixa de lenços. Usou alguns para se limpar, oferecendo ao grego em seguida.

— E como foi o seu fim de semana? – Sentou-se na mesa, em frente ao aluno.

— Foi bom, visitamos a Old House of Laon e a Ardon door.

— Foram na catedral?

— Sim, lugar maravilhoso. Você conhece toda a França, não é?

— Que besteira.

— Hum, o famoso professor Sivan sendo modesto?

— Eu não conheço apenas a França, conheço o mundo, meu caro. – Sorriu e se esquivou de um lápis atirado pelo aluno.

— Prepotente! – Milo ria.

— Oras, não posso ser modesto nem prepotente? O que devo ser?

— Você tem razão, não há nada de errado em ser prepotente às vezes.

— Sabia que isso é um problema intrínseco à nossa geração?

— Como assim?

— Nós de vinte e poucos anos nascemos em uma geração estranha. Somos proibidos de ter admiração própria e orgulho de nossas ações, porque isso “é errado”. Hoje podemos ver o resultado disso, somos uma geração de inseguros.

O grego levantou-se, ficando entre as pernas do professor e puxando a gravata cinza.

— Suas divagações me excitam. – Beijou-lhe novamente, recomeçando.

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Algumas semanas se passaram, fazendo com que o calendário alcançasse novembro.

— Vai viajar de novo? Que importante.

— Tire os pés da cadeira, por favor? Está difícil mexer com água aqui fora, sabia? – Afrodite reclamou enquanto regava cuidadosamente as novas mudas em seu jardim.

— Eu estou descalço, não vou sujar nada! – Camus reclamou.

O sueco se abaixou para verificar, assustando-se quando o vento ameaçou levar seu chapéu.

— Por que você usa essa roupa de jardinagem no outono? Mês que vem já é inverno, Dite, tem que se aquecer.

— Você está descalço em uma varanda no décimo segundo andar e está reclamando da minha roupa?

Camus rolou os olhos, cruzou os braços e se inclinou ainda mais na cadeira delicada.

— Eu vi isso! – Apontou para o ruivo com uma pequena pá que usava para remexer a terra do jardim.

O sueco vestia um moletom justo ao corpo e se protegia com luvas e avental de jardinagem, além de um chapéu branco enorme.

— Desculpe. – Riu da própria implicância fraternal – Já está acabando?

— Quase. Você não andava descalço por aí. – Voltou ao trabalho.

— Qual o problema? Sua casa está impecavelmente limpa.

— Estou dizendo pelo hábito, não por higiene, seu idiota.

— Ah sim. Acho que é coisa do Milo, ele ignora qualquer tipo de calçado. Me deixava louco no início, mas acabei aderindo. É realmente confortável. – Olhou para a Torre Eiffel ao longe, emoldurada pelas nuvens cinzas. Pensava no grego.

— Casal que troca hábitos é casal sério. – Afrodite sentenciou despretensiosamente.

Houveram alguns segundos de silêncio.

— Dite, daqui a cinco dias é o aniversário do Milo.

— Eu sei, estou planejando uma festa aqui em casa, o que acha?

— Ele já está sabendo?

— Não. Fiquei esperando para ver se os gêmeos fariam algo, se ele faria algo... Como ninguém se pronunciou, pensei em chamar todos os conhecidos aqui na sexta. O que acha de ser surpresa?

— Acho que ele gostaria mais de organizar a própria festa. – Camus mordeu o polegar, sentindo o vendo gelado envolver seus pés e entrar pelo moletom – Dite, preciso de você.

— Acabei, vamos terminar a conversa lá dentro? – Tirou o aparato de jardinagem, depositando as peças em um pequeno armário branco.

— Claro. – Camus se levantou para segui-lo, sentindo a chegada do inverno sob seus pés.

— Do que você precisa? – Indagou quando se sentaram um de frente para o outro nos imensos sofás que o sueco mantinha em sua sala de estar.

— Preciso de ajuda no presente.

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Carlo adentrava no apartamento uma hora e meia depois.

— Cadê o Milo? – Camus franziu o cenho.

— Passou lá em baixo para se trocar. Já já ele sobre. – Inclinou-se para beijar o sueco sentado no sofá antes de se dirigir para o quarto compartilhado por ambos.

— E como foi o congresso? – Afrodite gritou, aninhando-se mais sobre suas próprias pernas e puxando a manga do moletom, sentia frio.

— Foi muito bom. O Milo e a Marin pareceram gostar bastante. – A voz veio abafada, mas os irmãos foram capazes de compreendê-lo.

Nesse instante, o grego entrou vestido com todas as peças de roupa possíveis e chinelos.

— Pelos deuses do Olimpo, que frio. – Foi até o professor com o queixo batendo. O francês deu espaço para que ele se deitasse em sua frente, dividindo o sofá. Quando Milo se acomodou de costas para si, Camus puxou uma manta no encosto, “empacotando” o recém-chegado.

— Você está gelado. – Murmurou mal-humorado.

— Então me esquente, porra. – Prensou o corpo frio contra o do ruivo em busca de calor humano.

Sentiu os braços alvos o envolverem e pernas firmes serem depositadas em cima da manta.

— Oi pra você também, Milo. Sem educação.

— Desculpe, Dite, é que estou com muito frio. Está tudo bem com você?

— Ah, que ótimo. O Dite ganha desculpas e eu ganho patadas, não é? Vou te empurrar daqui. – Apesar de ameaçar, todos sabiam que o francês nada faria.

Milo virou o rosto o máximo que pode, mandando um beijo. Camus bufou em resposta.

Come stai, amore mio?— Carlo retornava à sala com roupas confortáveis de ficar em casa, deitando no colo do namorado.

— Estou muito bem, amor. Milo, eu e o Camus estávamos pensando, sexta agora já é dia nove¹, você tem algo em mente?

— Na verdade não. Tinha pensando em chamar todo mundo para sair, fazer alguma coisa.

— O que acha de uma festa?

— Ah, mas festa é complicado.

— Por qual motivo? – Carlo entrou na conversa.

— Minha casa é meio inviável para festas. – Deu de ombros.

— Não acredito que você não cogitou usar o meu apartamento. – Camus se pronunciou extremamente ofendido.

— É claro que pensei. – Virou o corpo de modo a poder enxergar o professor – Mas, sei lá...

— “Sei lá”, que ótima resposta. – Fechou o cenho. Estava sério e mal-humorado.

— Então... – Afrodite cortou a conversa, não queria brigas – Meu apartamento é maior que o do meu irmão e tem varanda. Eu e o Mask adoraríamos ceder este espaço para você, Miluxo.

— Bom, nesse caso, eu agradeço muito, Dite! – Sorriu para o amigo. Pensava nas economias que tinha feito. Como dormia frequentemente na casa do professor e este não aceitava um centavo de si, havia conseguido juntar dinheiro para poder bancar a festa.

— Bom, há algo mais que eu e o Camus discutimos nessa tarde. – Olhou cumplice para o irmão, passando o cajado.

Todos se viraram para o ruivo, já pressentindo que algo polêmico viria. O francês respirou fundo.

— Como o Dite e o Mask vão ceder a casa, meu presente para você será a festa.

Um silêncio pesado se instaurou entre os casais, até ser empurrado de lado por Milo.

— Não.

— Milo...

— Camus, você já faz demais por mim, ok? Chega disso, eu posso arcar com essa festa.

— Eu sei, olha só. – Virou o corpo do grego para que ficassem frente a frente – Eu não estou fazendo isso por piedade ou por achar que você não consegue, não é nada disso.

— Ah é? Pois parece que está!

— Eu estou fazendo isso porque o semestre letivo já passou da metade.

Ninguém entendeu aonde o ruivo queria chegar. Contudo, Camus inspirou calmamente antes de prosseguir.

— Eu dei a sorte de te conhecer no segundo semestre do ano, isto é, de ter a oportunidade de você compartilhar um dos seus aniversários comigo. – Fez outra pausa – Eu não sei o que acontecerá depois que esse período acabar, mas quero que você olhe para trás e se lembre que teve amigos que te amaram muito, amigos que te deram uma festa de aniversário como agradecimento por você ter divido um pedaço da sua vida conosco.

Afrodite pestanejou, sentindo-se duplamente feliz. Seu irmão e seu melhor amigo estavam felizes, bem ali, em sua casa. Não ousaria atrapalhar aquele momento.

Você me ama?

Milo desejou ardentemente exteriorizar aquela pergunta, mas sabia que não poderia.

— Eu aceito com uma condição. – Sentiu o coração bater descompassadamente. Camus cederia?

— Qual?

— Nós nos gostamos, passamos um tempo incontável juntos, compartilhamos praticamente tudo um com o outro e eu fico metade das minhas semanas na sua casa. Isso é um relacionamento, certo?

Camus mirou no fundo dos orbes azuis do grego. Todos aguardavam aquela resposta.

— Sim, é um relacionamento.

— Então posso dizer para os convidados da minha festa que ela foi dada de presente pelo meu namorado? – Sorriu lindamente.

Camus corou, mas sorriu timidamente de volta. Estava confiante.

— Se elas não forem nos denunciar para a diretoria da Sorbonne, sim, você pode. – Tentou manter a seriedade.

— Então é oficial, estamos namorando?! – Quase gritou de animação, levantando o corpo com uma flexão dos braços musculosos, pairando o rosto acima do de Camus.

— Sim, estamos namorando. – Corou ainda mais, se é que era possível.

Largando-se acima do francês, Milo distribuiu dezenas de beijos pela face alva, rindo de alegria.

Notas finais
[1] A data do aniversário do Milo varia bastante. Como eu não sei onde seria confiável olhar, adotei na história o dia 9/11. Obrigada por ler até aqui! Minha vida ainda está confusa e isso pode refletir nos capítulos, mas prometo me esforçar para melhorar e deixar a história mais agradável. Espero que você goste da festa do Milo ♥ Beijinhos geladinhos na pontinha do seu narizinho! :3