Notas iniciais
Olá, meus amores! ♥ Conseguindo manter a regularidade quinzenal, aqui vai mais um capítulo! Agradeço à tod@s que escreveram para esta pessoa solitária que vos fala, aos favoritos e a cada visualização! Muito obrigada mesmo! Espero que vocês gostem da festinha do Uxo ♥ Boa leitura! ♥

Os preparativos para a festa de aniversário foram organizados na semana posterior. Carlo e Camus se encarregaram dos alimentos e bebidas, fazendo compras e adiantando tudo que poderia ser congelado. Já Milo e Afrodite ficaram por conta dos convites, decoração e logística, procurando disponibilizar vagas dentro de prédio para todos os convidados, já que a rua onde moravam era bastante movimentada.

Na tarde de terça-feira, os melhores amigos se sentaram no tapete de Camus para preparar manualmente os convites. O sueco levara uma gama de papeis com cores neutras e diferentes tons de marrom, além de muitas tintas. Milo, por sua vez, escreveria a mensagem pessoal para cada convidado em um caderno para que ela fosse transcrita pela caligrafia de Afrodite quando os convites estivessem prontos.

— Não acha meio cafona esse negócio de convites individuais e festa decorada? – O grego indagou.

— Como assim? – Cortava alguns papeis-cartão.

— Parece festa de criança.

— Meu amor, você não viu a minha festa de aniversário. – Riu – Ela é no mínimo temática. A sua está sendo apenas divertida.

— Então minha festa melhor que a sua... jamais?

— Claro que jamais! Eu sempre serei a grande estrela desta família, Miluxo, acostume-se. Não pense que chegar com esses traços fortes e corpo escultural vai ser o suficiente para me derrubar do pódio.

Milo riu alto.

— Mas o que você esperava? – Afrodite prosseguiu, procurando pelo carpete um elástico para as longas e loiríssimas madeixas – Aquelas festinhas nojentas de universitários? Com um monte de bêbados e a casa destruída?

— Tem razão, elas são divertidas apenas na universidade. Ninguém as quer na própria casa.

— Só adolescentes e quando os pais estão viajando.

— Verdade, e isso porque não são eles que pagam pelo estrago ou arrumam a bagunça. – Riram juntos.

— Além do mais, eu sou estudante das Belas Artes, Milo, não alguém cinza e sem criatividade de direito. Você terá o convite de aniversário mais elegante de toda essa capital!

O grego riu da alfinetada e acenou confiante com a cabeça, concordando. Após unir as longas ondas platinadas, Afrodite prosseguiu, levantado ambas as mãos.

— Então, cunhadinho oficial, esse modelo de convite ou esse?

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Kanon piscou ao sentir o celular vibrar no bolso da calça social. Estava há tanto tempo com o rosto colado na tela do computador, procurando por evidências em um vídeo de segurança, que mal percebia o ambiente a sua volta.

Verificou a mensagem de Milo, informando sobre a festa e sobre namoro.

O grego levantou da cadeira sentindo seus ossos estalarem. Espreguiçou-se antes de procurar pelo gêmeo mais velho.

Encontrou-o em sua baia e puxou uma cadeira vaga para sentar-se ao seu lado.

— Saudades procuradoria?

— Saudades procuradoria. – Saga disse ao desviar o olhar da pilha de papeis, mirando o irmão. Com o polegar e o indicador, coçou os olhos anteriormente vidrados em letras minúsculas.

— Eu gosto de trabalhar no meio de todo mundo. Posso até usar suspensórios! – Sorriu, inflando o peito forte e jogando os cachos rebeldes para trás do ombro.

— Eu também gosto, mas prefiro o conforto da minha sala. Além disso, lá eu tenho um secretário para barrar gente inconveniente. – Puxou uma das alças do suspensório de Kanon – Lá você também pode se vestir como um policial dos anos 80.

— Mas não tem ninguém para ver. – Esboçou um sorriso sedutor.

— Afinal, por que está aqui? Encontrou algo no vídeo? – Espreguiçou-se sentado.

— O Milo vai dar uma festa de aniversário.

— Onde?

— Aha! Agora vem a melhor parte: na casa do namorado dele!

– Estamos falando do Camus? – Estava incrédulo.

— Estamos falando do Camus!

— Não consigo compartilhar sua felicidade. – Levou a mão ao queixo, pensativo.

— Por que não? Acha que eles não darão certo?

— Sinceramente? Eu acho. E ainda acho que o Milo vai sofrer bastante com isso.

— Ah, Saga. Tudo nessa vida a gente supera. Deixa ele aproveitar enquanto durar.

— Eu ainda não superei a época em que você esteve com aquele idiota da monocelha. Certamente eu me mataria se vocês ainda estivessem juntos.

— Digo o mesmo sobre a sua fase com o Aiolos. – Olhou feio para o mais velho, suspendendo uma sobrancelha.

Saga cobriu a mão do gêmeo com a sua por uma fração de segundo, suspirando com tranquilidade.

— Bom, o Milo parece gostar do professor como eu gosto de você.

— Mas o tempo de sugestão já acabou, Saga. Todos nós demos conselhos e ele persistiu.

— Eu sei que temos que deixar ele se virar. Mas saber disso não torna a situação mais fácil.

Ambos imergiram em pensamentos e o ambiente foi tomado pelo silêncio por alguns segundos.

— Enfim, temos que encontrar ele hoje à noite para pegarmos nossos convites. Ele sugeriu um lugar chamado Le Chaos.

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Afastou-se da obra para atender a chamada no celular. Bateu com a mão no jeans imundo para retirar o excesso de poeira antes de pegar o smartphone no fundo do bolso frontal. Ficou curioso com o nome na tela, sorrindo antes de deslizar o dedo sobre o círculo verde.

— Oi, Camus, como vai? – Atendeu.

— Vou bem, Mu, e você? – Do outro lado da linha, Camus afastou o aparelho do rosto. Não entendia como o amigo conseguia trabalhar em um ambiente dominado pelo barulho das ferramentas e máquinas. Ainda bem que não havia seguido os passos de Raul, engenharia civil não era para si.

— Está tudo bem!

— E o Shaka, vai bem?

— Vai sim! Com muito trabalho e normalmente cansado, mas eu sei cuidar bem dele.

Camus sorriu antes de prosseguir. Será que um dia teria um casamento tão perfeito quanto o casamento do melhor amigo?

— Gostaria de saber se você estará livre hoje. Tenho algumas coisas para conversar.

— Estou sim. Pode ser às 20h no Le Chaos?

— Não, o Milo estará lá com os irmãos. É segredo.

— Bom, então que tal a gente ir lá em casa? Tem problema o Shaka ficar sabendo?

— Claro que não, isso é ainda melhor. Inclusive, tenho convites para entregar para vocês.

— Convites?

— É, o Milo fará aniversário nessa sexta e daremos uma festa no apartamento do Dite.

— E tem convites físicos?

— A sugestão foi do Dite, eu só farei a comida. – Ouviu risos do outro lado.

— Entendo, entendo. E quando é que vocês assumirão o namoro? Quero dizer, quando é que vocêassumirá o Milo?

— Já o fiz.

— O quê?! Vocês estão namorando mesmo? Assim, usando a palavra namorado?

— Sim, estamos.

— Camus, amigo, acho melhor marcamos às 18h, temos muito o que conversar.

O ruivo riu e concordou. Mesmo que não tivesse um contato frequente com Mu, eles jamais deixariam de ser melhores amigos. Nesse momento, a relação de ambos era ainda melhor, pois precisava de alguém que estivesse fora da relação para ajudá-lo. Além disso, Camus também faria uso de outras habilidades do tibetano para concluir seu plano para o dia nove.

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Durante a semana, os últimos convites foram entregues nas mãos de Marin e Shina, especificando que seus respectivos acompanhantes também estavam convidados. A pedido dos gêmeos, que tiveram ótimos avanços em seu processo de retorno à Grécia, Saori recebeu dois convites. Por Camus, Afrodite e Carlo, a morena estaria incluída em todas as festas, mas esta era do grego e o trio lhe deu liberdade para convidar apenas quem ele quisesse. Apesar do ciúme que jamais o abandonaria, Milo estava disposto a tentar conhecer a moça, afinal, ser a melhor amiga do namorado, cunhado e irmãos não era para qualquer uma.

Camus já havia planejado como acordar o namorado na sexta pela manhã, mas, por mais que tivesse insistido, Milo desejou ir para casa.

Foram se encontrar apenas durante o almoço, onde os quatro combinaram os preparativos finais. Ficou acordado que o apartamento de Camus serviria de “camarim”, onde deixariam os alimentos e bebidas, vindo buscá-los a partir da demanda.

Mu e Marin vieram para ajudar na decoração do apartamento de Afrodite. Os gêmeos, Shaka e Aiolia não puderam abandonar o serviço mais cedo.

No fim da tarde, quando tudo estava pronto e devidamente organizado, cada um seguiu para sua respectiva casa de modo a se aprontar. Mu deu carona à Marin e Camus desceu com Milo.

No apartamento do décimo primeiro andar, o ruivo fechou a porta atrás de si e mirou o grego com esmero. Ainda não havia conseguido por seu plano em ação e isso o deixava frustrado.

— Até que enfim estou sozinho com você.

— Sempre soube que por trás dessa gravata havia um homem fogoso. – Milo disse com seriedade, segurando o queixo em pensamento.

O francês corou imediatamente.

— Não é por isso, seu idiota. – Se aproximou do outro, enlaçando a cintura definida. Depositou um beijo suave nos lábios grossos – Feliz aniversário, Milo.

O grego se surpreendeu com o ato. Deixou-se levar pelas emoções, enlaçando o pescoço alvo e afundando o nariz na clavícula do outro.

— Obrigado. – Era exatamente ali que deveria estar.

Apesar de querer congelar o momento, Camus precisava seguir com o plano. Soltou-se do abraço, puxando o grego pela mão.

— Hum... estamos indo para o quarto, é?

O francês não respondeu, apenas guiou o aluno para seu objetivo. Lembrou-se de assistir ao filme “A noiva cadáver” inúmeras vezes com seu irmão e a música “Segundo o plano” veio em sua cabeça. Ele deveria ter coragem e seguir em frente.

Ao entrar no quarto e mirar a pequena caixinha sobre a poltrona, percebeu que ainda não estava perfeito, ainda não era a hora. Tinha que fazer algo urgente, senão Milo veria seu trabalho inacabado.

Virou-se, segurando o rosto do aluno com ambas as mãos, fazendo com que ele olhasse apenas para si.

— O que acha de tomarmos banho juntos? – Sugeriu escondendo a aflição na voz.

— Mas você não gosta de banhos compartilhados, sempre fica com a chatice de que, ou gastamos água demais, ou não ficamos limpos direito...

— Mas hoje é seu aniversário, foda-se o meio ambiente. – Sorriu nervosamente.

Milo ergueu uma sobrancelha, o que estava acontecendo com Camus? Teve sua boca tomada de súbito, fazendo-o esquecer de qualquer suposição.

Em pouco tempo as roupas estavam acumuladas sobre a caixinha, ocultando-a.

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Pontual como sempre, Camus já estava pronto no horário combinado para subir. Havia forçado o grego a se apressar, mas tudo que ouvira foi “cabelos cacheados demandam mais tempo”. Estava sentado na cama fazendo algo completamente fora do usual: zapeando canais de televisão, enquanto o loiro andava de um lado para o outro terminando de se aprontar.

Bocejou. Estava cogitando seriamente se deitar quando ouviu a voz do grego.

— Pronto, terminei, só falta arrumar essa bagunça.

Aprumando-se imediatamente, Camus negou.

— Não se preocupe, já estamos atrasados.

— Mas você odeia sair e deixar o quarto desarrumado. Olha o tanto de roupa suja acumulada. – Apontou para a poltrona. O namorado estava agindo de modo muito estranho.

— Você sabe que odeio atrasos mais que desordem no meu quarto. Vamos, não vou deixar ninguém me esperando. – Espalmou a mão acima do quadril do loiro, empurrando-o para fora do quarto.

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Subiram com várias travessas de comida. Afrodite, milagrosamente já pronto, ligava para o porteiro para informar sobre os carros que seriam autorizados a entrar no prédio.

Em pouco tempo os gêmeos chegaram. Kanon levantou Milo de tal modo que o caçula quase bateu com a cabeça no teto e Saga se limitou a um abraço bastante apertado. Os gêmeos se entreolharam cúmplices antes de entregarem o presente ao aniversariante.

— Olha, decidimos sobre seu presente com muita cautela. Não nos deixe arrependidos, ok? – Dizendo isso, Saga retirou uma chave do bolso e a entregou ao irmão mais novo.

— O que significa isso? – Milo perguntou, vendo o símbolo conhecido na superfície do objeto.

— É a chave da sua Harley-Davidson. – Respondeu Kanon, todo sorridente.

— Vocês não podem me dar um moto de aniversário! – Olhava incrédulo para o objeto metálico em suas mãos.

— Que estranho Saga, achei que já tínhamos dado.

— Pois é, eu também achei. E agora? Como resolvemos isso?

— Parem de cinismo vocês dois! Eu nem tenho carteira de moto. – Milo bateu o pé, nervoso.

— Bom, acho que você terá que tirar. – Saga deu de ombros.

— Ou então não poderá pilotar. – Kanon completou.

— Por que isso seria fora da lei. – Pontuou Saga, fingindo seriedade.

— Mas, mas...

Ambos abraçaram o caçula, um de cada lado.

— Milo, você sempre sonhou com essa moto. – Disse o mais velho.

— E nós queríamos muito dá-la a você. Apenas agradeça e diga que ficou feliz. – Finalizou Kanon.

— Então seu sonho de criança era ser um motoqueiro fora da lei, Uxo? – Afrodite brincou, acelerando uma moto invisível com as mãos.

Milo apenas sorria, ainda sem acreditar. O celular tremeu e, ao checar, viu que havia uma mensagem de Kanon.

— Essa é a foto dela, está lá no nosso prédio. Amanhã você pode ir ver.

— Obrigado, meninos. Eu amo vocês! – Se virou, abraçando ambos ao mesmo tempo.

Camus aproveitou o momento fraternal e se aproximou sutilmente de Afrodite.

— Dite, preciso de uma fita. – Sussurrou entredentes.

— Como assim? – Disse alto, virando-se para o irmão.

— Fale baixo! – Grunhiu – Eu esqueci de fazer um laço no presente do Milo.

— Nossa, mas você é muito burro com algumas coisas, fico impressionado.

Carlo, que estava logo atrás, riu baixinho, recebendo o olhar recriminatório de Camus.

— Sério, tão inteligente para umas coisas e tão burro para outras... – Foi interrompido pelos dedos do irmão se fechando com delicadeza sobre seu braço.

— Vai me ajudar ou não? – Sussurrou, nervoso.

— Claro que vou. Que seria de você sem mim? – Virou-se para o namorado. – Amore, não deixa ninguém ir lá pra dentro.

O italiano apenas confirmou com um aceno de cabeça.

A campainha tocou novamente. Mu, Shaka, Aiolia e Marin chegavam juntos, sendo recepcionados pelo aniversariante.

Com a bagunça instaurada, Afrodite conseguiu retornar sem ser notado. Fazendo uma atuação malfeita de traficante, passou a fita para as mãos do irmão de modo sorrateiro, olhando para os lados. O francês guardou o objeto no bolso com impaciência, revirando os olhos. Acenou com a cabeça em agradecimento antes de ir cumprimentar os recém-chegados.

Mu acompanhou Carlo e Camus na cozinha enquanto todos dividiam os sofás da sala, conversando animadamente.

Pouco tempo depois, Saori e seu acompanhante apareceram.

— Saori, que bom que você veio! – Milo disse de modo mecânico, sem verdadeira cordialidade.

A japonesa o abraçou fortemente, com genuíno carinho.

— Parabéns, Milo. Não consigo mensurar o quanto estou feliz por você e pelo Camus.

Se Saori atuava, o fazia muito bem. Inclusive, deveria até mesmo trocar de profissão. Ali estavam verdadeiros e intensos votos de felicidade. Sorriu de volta, agora honestamente.

— Muito obrigado por vir. Todos estavam contando com a sua presença.

— Eu jamais recusaria esse convite. Deixe-me apresentá-lo, este é meu namorado, Seiya.

— Muito prazer, Seiya. – Milo estendeu a mão, sendo correspondido por um tímido garoto.

— MENTIRA QUE VOCÊ TÁ MESMO PEGANDO CRIANÇA, SAO! – Gritou o nada discreto Afrodite, fazendo todos rirem.

Seiya, que já estava rubro como os cabelos de Camus, ficou ainda mais. Em pouco tempo se viu entre todos os outros convidados, recebendo uma saraivada de perguntas do sueco loiríssimo.

Saori aproveitou a deixa para ir abraçar o ex-namorado.

— Parabéns para você! Até que enfim assumiu seu amor pelo gregão – Inclinou o salto de modo a ficar ainda mais alta, enlaçando o pescoço do francês com carinho.

— Obrigado, Sao. – Retribuiu, abraçando a cintura fina e delineada pelo vestido preto colado ao corpo. A pequena jovem quase desapareceu no peitoral protetor. – Eu vou te sujar com esse avental.

Imediatamente a morena se afastou, percebendo que o amigo usava o famigerado avental florido por cima da roupa elegante.

— Tem razão, esse vestido foi muito caro para ser destruído desse modo.

Camus riu, buscando uma toalha de cozinha para secar devidamente as mãos.

— Vi que você trouxe o pivete. Pretende criá-lo? – Alfinetou.

— Sim. Na verdade é por isso que estou aqui, preciso pegar umas dicas com você.

— Ouch... – Camus fez cara de dor e ambos riram.

No silêncio instantâneo que se fez, puderam ouvir a voz do sueco vinda da sala.

— ... mas você tem que entender que aquele mulherão precisa de cuidados. Você não é apenas um homem de muita sorte, Seiya. É também um homem de muitas responsabilidades.

A risada geral tomou conta do apartamento.

— Vá, salve o pobre homem! – Camus sinalizou para a saída da cozinha e Saori correu em disparada para protegê-lo de Afrodite.

A bagunça foi cortada pelo barulho do interfone. Shina e seu acompanhante chegavam.

Quando a italiana adentrou no recinto, ninguém entendeu a tensão que se espalhou entre Camus, Mu, Saori, Carlo e Afrodite.

O italiano foi o primeiro a se pronunciar.

— Você convidou para nossa casa o cara que te pediu em casamento?! – Começou baixo e terminou gritando com o namorado.

— Quê? – Shina olhava para todos, sem entender.

Camus se interpôs entre os dois grupos. Percebendo o choque do irmão, resolveu fazer algo.

— Shura, Shina, é um prazer recebê-los. Sejam bem-vindos. – Deixou o corpo na lateral, indicando que entrassem.

O italiano fechou a cara e foi para o bar se servir de álcool enquanto mantinha a carranca.

— Bom, alguém poderia nos explicar o que está acontecendo? – Milo tentou usar um tom brincalhão para descontrair.

Camus rodeou os ombros estreitos do irmão de forma a ampará-lo sentimentalmente

— Eu explico. – Saori se manifestou – Este belíssimo espanhol é ex do Dite. Eles namoraram quando os dois – Apontou para os irmãos abraçados – ainda moravam juntos, nos tempos de faculdade. Ele e o loirão tiveram um relacionamento intenso, que terminou quando o Shura fez o pedido de casamento.

— Meu irmão ainda não estava pronto e recusou. O Shura se mudou depois disso e o relacionamento chegou ao fim. – A voz grave de Camus pode ser ouvida.

— Mas quando o Dite já namorava o Mask, o espanhol veio visitar Paris. Nesse meio tempo o Dite quis vê-lo para se explicar melhor, coisa que ele não conseguiu fazer na época.

— Eu pedi desculpas por ser tão imaturo. Disse que deveria ter agido de maneira mais adulta ao invés de sair chorando e recusar os telefonemas dele. – Afrodite finalmente entrou na conversa.

— E eu entendi que sou mais velho e estava forçando as coisas. Ficamos bem. – Dizendo isso, o espanhol sorriu para o ex-namorado.

— Mas o Mask, cabeça dura do jeito que é, morre de ciúmes desse homão até hoje. – Saori finalizou as explicações, rindo.

Para não ter outro momento de silêncio, Milo convidou ambos para se sentarem junto com os outros convidados. Marin ajudou, perguntando ao casal como eles haviam se conhecido, o que rendeu assunto.

Camus colocou música antes de bater o ombro no italiano, pedindo ajuda para trazer os aperitivos da cozinha.

Quando todos estavam servidos e confortáveis, Carlo se espremeu ao lado do namorado, abraçando-o em um sentimento de posse incompreensível.

Camus visualizou o grego na ponta de um dos sofás e sentou-se no braço da mobília, ao seu lado. Milo o abraçou, puxando uma das mãos alvas para entrelaçar seus dedos. O ruivo se retesou perante a demonstração pública de amor, mas relaxou ao mirar os olhos cor de mar. Apertou os dedos entre os seus e ambos entraram na roda de conversa.

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Após um tempo, grupos de conversas haviam sido formados. Camus percebeu que Milo estava atento ao que Mu lhe contava e aproveitou para descer naturalmente, sem chamar atenção. Chamou Carlo para lhe acompanhar e aproveitar para pegar bebidas do freezer.

No apartamento do andar de baixo, o ruivo respirou fundo. Era hora de seguir com o plano.

— Mask, vai resolvendo aí, vou pegar o presente do Milo. – Correu até o quarto, enfiando o braço sob a pilha de roupas. Uma camisa do grego caiu e Camus levou o tecido até as narinas, não resistindo um suspiro antes de devolvê-la ao pequeno monte. Encontrou a pequena caixa e voltou correndo até o balcão da cozinha, as atitudes contrastando com sua vestimenta impecável.

Com um sorriso no rosto, Carlo observou o cunhado retirar a fita do bolso com uma careta.

— Prata? – Reclamou, ansioso – Eu pedi vermelha, ele gosta de vermelha.

— Eu acho que prata combina mais com o preto da madeira. – O italiano opinou enquanto retirava duas garrafas de refrigerante do freezer.

O ruivo encostou a fita na superfície escura. Mordeu o polegar e decidiu que o irmão, assim como o cunhado, tinha razão. Prata ficava melhor.

Enrolou o pedaço de pano até formar um laço grosso, porém delicado. Cuidou para que seu trabalho não se desfizesse quando guardasse a caixa no bolso.

Subiu as escadas que separavam os dois andares com o coração palpitando freneticamente. Havia chegado a hora.

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— Carlo, vou nessa. Avise o Dite e me dê cobertura.

— Pode deixar, boa sorte! – Piscou sorridente para o cunhado.

Com passos hesitantes, Camus se dirigiu até a varanda, onde Milo conversava com Mu, Shina, Shura, Marin e Kanon. Segurou o antebraço do namorado para lhe chamar atenção.

— O que houve? – Perguntou ao se afastar da roda de amigos.

— Gostaria de te dizer algo, vamos caminhar um pouco? – Perguntou mantendo a seriedade, apesar das bochechas enrubescerem.

— Claro, mas por que caminhar? Não pode ser aqui? – Não que Milo estivesse recusando, apenas estranhava o pedido incomum.

— Você vem? – Camus se permitiu esboçar um pequeno sorriso, estendendo a mão para que o grego a pegasse.

O ruivo parou na porta do apartamento, jogando seu cachecol vermelho sobre os ombros do namorado e dando um nó em seguida, assim como havia feito meses antes no jantar de boas vindas do estrangeiro. Percebendo os olhos cor de mar sobre si, enrubesceu.

— O que foi? – Desviou seus próprios olhos.

— Nada. – O grego lhe sorriu.

— Está frio lá fora. – Completou, finalizando o nó e entregando as luvas negras de couro para que o mais novo as usasse.

Saíram “à francesa”. Já fora do prédio, Milo olhou para os fios ruivos que esvoaçam a sua frente. Mordeu o lábio inferior e deu um passo mais rápido, alcançando a mão de Camus, que parou de andar.

— Milo, estamos andando em público. – Disse com pesar.

— Ninguém da Sorbonne nos verá agora. – Seu semblante era triste, sendo impossível para o francês recusar. Estava sendo inconsequente? Estava. Mas o que poderia fazer?

Quando Milo não teria mais que insistir?

Caminharam lado a lado em silêncio, com os dedos entrelaçados. O vento impiedosamente frio os atingia, mas nada importava naquele momento. As diversas luzes parisienses iluminavam o casal, fazendo com que Camus se sentisse sob holofotes. Algumas pessoas os encaravam ao passar pelo casal na calçada, mas ele se esforçava para ignorar, afinal, seria irônico pensar em esconder o grego depois do que faria em breve.

Camus guiou o mais novo até a margem do Sena, onde havia um espaço para turistas e observadores. Se apoiaram na delicada proteção, observando os barcos enormes deslizando sobre as águas escuras. A noite estava fria e nuvens pesadas desfilavam no céu. A Torre Eiffel a esquerda se destacava, mesmo com toda a iluminação ao redor.

— Então, sobre o que você queria conversar? – O grego não sabia se eles falariam sobre o relacionamento fadado de ambos ou sobre como as coisas estavam indo bem. Não sabia se ficava ansioso ou se deveria cortar suas emoções para sofrer menos.

— Gostaria de te dar seu presente de aniversário. – Camus desviou os olhos do Sena para mirar grego ao seu lado.

— Nem vem! Você já me deu uma festa maravilhosa, Camus. Nós combinamos, sem mais presentes.

— Este é diferente, escute. – Tomou uma das mãos do namorado para si. As luzes refletiam no azul claríssimo, deixando-o ainda mais brilhante.

Camus retirou a pequena caixinha preta com o laço prateado ainda intacto.

O grego não sabia se olhava para o objeto sobre a mão alva, ou para a face salpicada de sardas. Sem conseguir se conter, o francês riu.

— Pegue, é seu. – Ofereceu a caixinha na palma de sua mão.

Com um cuidado absurdo, Milo desfez o laço, jogando a fita prateada sobre o ombro direito. Abriu a pequena tampa com esmero, como se fosse quebrá-la com um olhar.

O objeto prateado e brilhante dentro dela fez seu coração falhar uma batida. Olhou para o francês, que ainda lhe sorria.

— Esta é a chave do apartamento. – Disse pausadamente – Você quer morar comigo, Milo? Você me daria a honra de fazer parte dos seus dias e das suas noites? – Disse com a voz grave.

Mandando para os ares qualquer espectador curioso, o loiro pulou sobre o namorado e o beijou fervorosamente, parando às vezes parar rir de alegria.

Camus o abraçou com intensidade, sendo recíproco em tudo. Havia pensado bastante sobre a decisão de morar com alguém, até se dar conta que nunca suportara ter Milo longe, principalmente sabendo que ele estaria em um ambiente não seguro. Por mais que houvesse considerado o fato do grego não ficar para sempre, não era mais humanamente possível se distanciar. Se iria sofrer no futuro, faria valer esse sofrimento.

Notas finais
Obrigada por acompanhar até aqui, espero que esteja gostando! Prometo que esses momentos doces irão decair nos próximos capítulos, afinal, temos alguns probleminhas pra resolver, né nom? Um beijo e uma mordida, até! :3 ♥