Um esperado inesperado amor.
27 Capítulo 27
Notas iniciais
PoV. Mariana
A ceia de natal foi ótima, depois do pedido, ficou ainda melhor. Foi muito legal ver todos ali conversando tranquilos, ainda mais depois que Nicole finalmente teve sua resposta. Na barca, estávamos conversando sobre a situação dela atual com o Markus, ela ainda não sabia o que ele queria ao certo, tinha medo dele ser o garoto imaturo e inseguro que ela achava no começo, mas depois daquele discurso, ficou claro que ele estava bem decidido. E o que foram aquelas comidas? Que sonho! A tia de Andrew cozinha muito bem e claro que com a nossa ajuda, tudo estava maravilhoso! Quando eram 2hs da manhã, ficamos apenas eu, meu deus grego, Nicole e Markus na lareira e tomando vinho. Conversamos tanto e sobre tanta coisa que nem lembro direito, é como se eu conhecesse os dois há anos, quando na verdade, só fazem 3 meses. No meio disso, minha irmã me liga explicando como foi o natal dela, essa menina ainda está acordada?
Nicole e Markus resolve ir dormir logo depois. Ficamos apenas eu e Andrew, já que Jack se retirou mais cedo para fazer uma ligação de vídeo com o Henry. O tempo passou e logo era de manhã, dormimos ali mesmo, só acreditei quando acordei com a luz do dia. Passamos todo o fim de semana lá, sentimos falta antes mesmo de ir embora. Eles voltam ao trabalho logo na mesma semana e eu vou acertar as coisas no trabalho que eu consegui. O lugar é bonito e um tanto sofisticado, é um curso para quem tem dinheiro, mas isso é ótimo, já que me salário também é algo bastante considerável.
— Eu estava pensando em passar na Times Square mesmo, é tão famoso e acho que faz parte já que estou aqui — explico minha decisão para Luna e Clara, numa ligação a três.
— Você morar em Nova Iorque e não ter passado o reveillon na Times Square é quase um pecado — Clara comenta.
— Não acho, com tanto lugar pra ir, tu vai passar do lado de casa? Mesmo que seja "tradição", e outra, Andrew deve ter alguma ideia melhor, aposto! — Luna opina.
— Não concordo, do lado de casa seria ela passar aí onde tu mora! — Clara alfineta.
— O que é Clara? Por que tu não vai procurar o que fazer? Estou dando minha opinião! — Luna contrapõe.
— Nada disso! Você impôs que ela passasse em outro lugar ao invés de seguir uma linda tradição! — Clara rebate e eu rio. As duas já estão discutindo e estou tão acostumada que estou só ouvindo, enquanto digito um plano de aula.
— Olhe Clara, eu não vou nem falar mais nada para tu! Ela passa onde ela quiser, ela pediu nossa opinião, você que não sabe o que é isso, sua burra! Vai estudar interpretação, porra! — Luna complementa e eu resolvo interferir.
— Não sei o que vai acontecer gente. Não falei com o Andrew ainda sobre isso, ele já deve ter alguma ideia, só quero que tenha bebida, comida e Andrew. Se tiver isso, eu estou feliz — finalizo — Agora vou deixar vocês brigarem em paz porque eu tenho muita coisa pra fazer. Beijo. — desligo antes delas falarem mais alguma coisa. Continuo o que tenho que fazer e quando noto já passei duas horas nisso, desligo o notebook e meu celular toca.
— Alô — atendo enquanto vou até a cozinha.
— Oi garota perdida! O que está fazendo? — só de ouvi sua voz eu me arrepio. Não nos vimos ontem, ele teve que ir a outro lugar para uma reunião e só voltou hoje de manhã.
— Tentando ver o que comer. E você?
— Pensando em você, na verdade, no que iremos fazer no reveillon. — comenta.
— E já tem alguma ideia? — pergunto, pensando e fazer uma lasanha.
— Tenho. — espero sua continuação e ela não vem.
— E não vai contar?
— Não, é surpresa.
— Isso é sério? Me ligou para falar que não vai falar? — ponho o celular em viva voz e vou me virando na cozinha. Ouço sua risada do outro lado da linha.
— Mais ou menos. Vai sair hoje? — questiona.
— Não pretendo, muito frio. Por quê?
— Estou com saudade.
— Eu também, deus grego. Vai vir para cá?
— Sim, chego um pouco mais tarde. Vou desligar, beijo.
— Tudo bem, beijo. — desligo e me empenho na tentativa de fazer uma lasanha com o que tem em casa. Não desço para comprar nada nem se o papa me pedir! Penso em colocar uma música alta e nisso perco quase uma hora tentando escolher. Fico com um rap brasileiro mesmo e vou terminar minha arte. Quando finalmente coloco no forno, resolvo tomar banho, sempre bom né, ainda mais que o deus grego está vindo. Saio e tiro a lasanha do forno, parece estar ótima, mal posso esperar para comer. Me visto rapidamente e vou para cozinha, coloco no prato, pego um suco e vou para a sala. Quando estou prestes a colocar a primeira garfada na boca, a campanhia toca.
— Merda! — largo lá e vou atender. É Andrew, está sorrindo mas se desfaz quando vê minha cara.
— O que houve? — pergunta parado na porta e eu me viro.
— Fecha a porta quando passar. — me dirijo para a cozinha e ele vem atrás de mim — Não podia esperar um minutinho para bater na porta, estava super excitada para dar a primeira garfada na lasanha, mas sou interrompida por você! Olha, não sei se dar para continuar nosso relacionamento desse jeito. — finalizo e ele está chocado me olhando. Mas sorri e se aproxima de mim. — Pode pa... — ele me empurra bruscamente contra o balcão.
— Estou com tanta saudades. — não me dá tempo para falar, me beija ferozmente e amo esse cara. Em poucos minutos as roupas já se foram, sorrimos ao notar como estamos prontos um para o outro. Ali mesmo, nos realizamos. Estamos ofegantes e suados, ele me puxa e vamos para o chuveiro juntos, relaxamos ao tomar banho e novamente matamos a saudades, esse homem vai me deixar louca! Saímos e eu visto minhas roupas, ele também já que mantém algumas delas aqui.
— Olha só, estamos combinando! — comento quando vejo que estamos os dois com calça de moletom cinza e camisa branca. Ele sorri concordando. — Mas ainda quero comer minha lasanha. — sigo para a cozinha com ele atrás de mim. Sentamos e ele pega um prato, coloca e comemos.
— Isso está muito bom! — ele comenta e eu assinto. Está mesmo.
— Brinque com meus dotes culinários — brinco e nós rimos. — Não vai me dizer mesmo sobre o reveillon? — pergunto quando repito o prato.
— Não. — ele nem me olha!
— Tenho medo de surpresas.
— Por que? — ele para.
— Porque eu não sei o que esperar.
— Mas amor, essa é a ideia de uma surpresa. — ele comenta rindo e eu faço careta. Voltamos a comer e ele passa o resto de noite aqui, como de costume. No outro dia levanta cedo e eu fico sozinha, me recusando a sair desse apartamento, neve é lindo mas é horrível! Negocio gelado, ui, que agonia! A semana passa rápido e hoje já é o dia 31, estou aqui pensando no que tenho que vestir quando Andrew me liga.
— Por que você não me disse o que tenho que vestir? — atendo na calma que posso.
— Calma mulher! Veste da forma que você se sentir confortável, está tranquilo amor, do jeito que você quiser! — ele responde tranquilo e eu só quero socar aquela cara linda.
— Eu me sinto confortável de lingerie, vou assim! — ouço sua risada — Tá rindo de mim?
— Não, claro que não — ele cessa — Relaxa, juro que você vai gostar. Passo aí mais tarde, beijo. — não respondo nada e desligo, odeio isso de "vestir o que te faz confortável", fico horas na frente do espelho e como comprei algumas roupas no dia que fui no shopping com meu deus grego, tenho algumas opções. Não sei se isso é bom ou ruim nesse momento. Decido por um vestido branco midi e justo, com um recorte no ombro e mangas longas, pena que não mostrarei ele ao mundo desse jeito. Pego o casaco de pele escuro que nunca achei que usaria e visto. Tá ótimo! Deixo meus cabelos soltos, coloco delineador e batom nude. Nos pés, ponho uma bota de cano baixo de salto. Prontinho. Assim que termino, a campanhia toca e sei que é Andrew. Atendo e ele está de terno bem escuro, está incrível e meu coração salta.
— Você está linda! Perfeita! — sorrio e ele me estende a mão — Vamos? — noto que ele não carrega nada. Aceito sua mão e fecho o apartamento.
— Está com o carro?
— Sim. As coisas estão nele.
— Quais coisas? — pergunto na esperança de saber o local.
— Não adianta. Já estamos chegando, calma. — chegamos no carro e ele logo assume a direção, no meio do caminho tento olhar para trás para ver se acho algo. — Dá para esperar? Você vai saber. — ele ralha e eu me acomodo no banco. Observo as ruas e estão bem lotadas, para onde estamos indo? Nos afastamos um pouco da cidade e acho que ele vai me matar no meio da estrada.
— Você vai me matar e esconder meu corpo aqui? — observo a janela.
— Para com isso — ele ri — Já chegamos. — descemos e acho que estamos em um píer. Um homem grisalho vem em nossa direção sorrindo.
— Boa noite! — estende a mão para Andrew, que aperta. Eu o olho confusa.
— Oi Jeffrey! Está tudo pronto? — pergunta e o homem assente, e só então parece me notar.
— Está sim, tudo como o senhor pediu! Essa é a moça? — Andrew assente com a cabeça e eu sorrio tentando ser educada — Mas é muito linda! Cuide bem dele viu! — eu coro e assinto.
— Sou Mariana — estendo minha mão e ele beija, mas não sinto maldade nenhuma da parte dele. Apenas um carinho. Ele dá espaço para passarmos.
— Feliz ano novo! — devolvemos o desejo e caminhamos. Andrew para em frente a um barco, não sei qual é exatamente, mas é grande.
— Essa é a surpresa! Vamos velejar? — me estende a mão depois de entrar no barco, posso ver que está tímido.
— Isso é sério? — sorrio e ele confirma.
— Já olhou o nome?
— Que nome? — pergunto.
— Do barco.
— Tem um nome? Ah não, eu quero ver, me ajuda aqui. — ele ri e me ajuda a sair, me acompanha e me vira na direção do nome.
" Lost girl"
— Andrew.. isso... eu não sei o que falar! — o abraço e nos beijamos, até ele me puxar para dentro de novo.
— Vamos, temos muito tempo ainda. — ele pilota enquanto assisto a paisagem, nos leva para o meio das águas e conseguimos ver a cidade iluminada de longe. — Aqui está perfeito para assistir os fogos. Quer conhecer lá embaixo? — me pergunta me abraçando e confirmo. Descemos e só tem um quarto todo enfeitado e com uma champagne no gelo.
— Olha só quem pensou em tudo! — comento e ele me beija. Subimos novamente e ficamos lá trocando carinhos até começar os fogos. Estamos conversando quando começa, não vimos quando deu meia noite, assistimos abraçados e até me emociono. Não consigo definir outro sentimento a não ser felicidade.
— Eu te amo Mariana — ele me diz sorrindo e eu o beijo. Ele me puxa para irmos ao quarto e eu nego. Tiro meu casaco de pele ali mesmo e ele se choca, mas sorri presunçosamente logo depois. Porém minha ideia vai por água abaixo, quando sinto o ar gélido da cidade de Nova York e concordo em descermos, claro, com o Andrew rindo de mim.
— Isso foi incrível deus grego. Eu já disse que te amo hoje? — pergunto e ele nega. — Que pena. — me calo e ele ri.
— Não vai dizer?
— Você é tão carente! — reviro os olhos e sorrio — Eu te amo. — ele me da um beijo casto.
— Nossa noite ainda não terminou. — ele se levanta me levando junto.
— Para onde vamos?
— Voltar. Achei que gostaria de ir a uma festa, dançar. A galera do Mojito's Pub está numa festa de rua. Vamos suar garota! — estamos nos vestindo e eu me animo com a ideia.
— Ih, vai começar a putaria! — eu grito e ele se espanta não entendendo.
— O que?
— Nada, deixa quieto. — Seguimos para a festa e eu só consigo pensar na sorte que tive em encontrá-lo. É tão surreal que não consigo imaginar uma forma de tudo isso dar errado.
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