Um esperado inesperado amor.
28 Capítulo 28
Notas iniciais
PoV. Mariana
Foi o melhor réveillon da minha vida! Quer dizer, até agora. Depois da surpresa maravilhosa no barco, nós realmente fomos para a festa de rua, encontramos Nicole e Markus. Ela nunca havia ido ao Mojito's Pub, mas pareceu que gostou, já que difere do que ela costuma ouvir e dançar. Gastei muito ligando para todos no Brasil, mas valeu a pena, Clara e Luna passaram juntas, Luíza passou com sua família, meu pai preferiu ir dormir e minha mãe saiu com amigos e passou na praia. Não lembro de me divertir tanto, esse clima de ano novo é tão nostálgico, penso em tudo que fiz todo o ano e o que eu quero para esse próximo. E sinceramente, eu só tinha a agradecer, aconteceu muita coisa apenas nesse fim, que eu nunca imaginaria. Aliás, imaginei sim, mas achei que não passaria disso.
— Ai, aonde é que eu tô? — levanto atordoada querendo ir no banheiro, mas não faço a mínima ideia é. Ontem viemos para o apartamento de Nicole, já que era mais perto e estávamos muito cansados. Abro a porta e um cheiro de café me invade. Sério que a Nicole já está acordada? Vou abrindo portas pelo corredor e finalmente encontro. Estou lavando meu rosto quando ouço a voz de Andrew.
— Alguém viu minha namorada por aí?
— Que namorada? Você não tem namorada. — ouço a voz de Markus e paro para escutar melhor.
— Como assim não tenho, palhaço? Estou falando da Mariana!
— Que Mariana, Andrew? Estou achando que você bebeu demais ontem, que eu saiba você estava sozinho ontem a noite — o amigo rebate e se faz um silêncio.
— Para de idiotice, Markus — meu deus grego e eu não acredito que ele parece assustado. Resolvo terminar com a brincadeira e saio do banheiro.
— Você não tem mais o que fazer não? — pergunto a Markus e Andrew me abraça — Fica assustando as pessoas.
— Own que fofo! O bebê ficou assustadinho! — o amigo está vermelho de tanto rir e eu não resisto a acompanhá-lo.
— Para cara, isso é ridículo! — tento recriminá-lo, mas não consigo parar de rir. Andrew ainda me abraça.
— Vocês dois são péssimos! Morro de medo de acordar e descobrir que algo que vivi foi um sonho. — meu deus grego comenta e o olhamos estranhando. — É sério. Nunca pensaram nisso?
— Claro que não, eu sofro demais para achar que é um sonho — Markus dramatiza sua vida, pondo a mão no coração.
— Não dá pra conversar com você — Andrew se afasta e vai pegar água. Eu me encosto na pia.
— Não é isso que você faz a mais de 5 anos? — rebate, indo em direção ao café.
— Achei que você não gostasse de café. Sabia que um dia se renderia ao poder da cafeína! — comento comemorando e ele nega com a cabeça.
— Não é para mim — ele dá de ombros — É para Nicole. — olho ao redor e Andrew está distraído encostado na geladeira. Dou um tapa em seu braço.
— Acorda! — ele se espanta — Por que Nicole ganha café na cama no primeiro dia do ano e eu estou aqui sem saber o que comer ainda? Hein? — indago e Markus se vira. Meu deus grego abre e fecha a boca a algumas vezes mas nada sai.
— Eu já disse para ele aprender comigo como tratar uma garota, Mariana! Mas quem disse que ele me escuta? É um perdido! — o amigo alfineta, passando por Andrew e dando um peteleco na sua testa. Abre a geladeira e recolhe o iogurte.
— Primeiro: Acho que ela vai preferir o light — eu falo e ele retorna a geladeira, trocando o iogurte — Segundo: Eu tenho um barco com o meu nome. Você tem um barco com o nome da Nicole? Tem Markus? Tem? Eu acho que não! — ele me encara entediado e Andrew está rindo dele. — E terceiro: Deixa um copo desse suco aqui, fazendo o favor. — ele deixa de má vontade e segue em direção ao quarto.
— Você acabou com ele — meu deus grego comenta pegando o copo de suco.
— Isso é meu! — dou um tapa em sua mão e ele recua. — Tem o que para comer nessa casa? — reviramos tudo e encontramos a maioria das coisas light. É o que temos para hoje. Depois de nos virarmos na cozinha, eu vou tomar meu banho, o primeiro do ano, emocionante. Saímos da casa de Nicole e deixamos os dois no quarto, não queríamos atrapalhar nada.
Logo depois da euforia de primeira semana do ano, voltamos a rotina normal e finalmente, a campanha vai ao ar. Nas duas semanas seguintes, as fotos de Brigite rodam o mundo e fazem um tremendo sucesso. A maioria das recepção foi positiva, mas claro que houveram problemas também, causados pela parte da sociedade que é hipócrita, machista e se diz conservadora. Toda essa história fez sucesso quase mundial, eu diria e foi bom para reaver os conceitos da sociedade. Eu e Andrew estávamos cada vez mais colados, mesmo depois do meu trabalho no curso ter iniciado, ele ainda ia para o meu apartamento toda noite ou eu fugia para seu flat. Aos fins de semana, geralmente vamos para a casa dos seus pais, fazer maratona de séries e afins.
— Então... esteja pronta quando eu chegar. Assim eu só tomo banho e podemos ir. Tudo bem? — confirmo com a cabeça e ele me dá um beijo — Tchau amor! — ele diz e vai para a empresa. Eu vou voltar a dormir, claro, assim quando acordar estarei pronta para fazer as malas e esperar por ele. Decidimos viajar no meio de março! Ele vai ter que ir para resolver umas coisas e resolvemos alongar a viagem, claro que organizamos tudo, tanto no meu trabalho quanto na faculdade. Mal posso esperar para isso. Adormeço com essa ideia.
Acordo e já são meio dia. Dou um pulo da cama, sabendo que tem mensagens do meu deus grego, mas estranho quando vejo o celular e não tem nenhuma. Ele anda trabalhando demais. Resolvo ir logo arrumar as coisas, vamos para o Canadá e coloco somente roupas de frio, fico umas duas horas na incerteza de sempre e quando termino, olho a mala chocada. É, acho que ficou bom. Me arrumo rapidamente ainda esperando uma mensagem ou ligação de Andrew mas meu celular nem dá sinal de vida. Dá a hora dele chegar e nada, começo a me preocupar. Ligo e deixo inúmeras mensagens, mas nenhuma delas chega a ser respondida, ele passou 40 min. do horário combinado, ou seja, o horário que ele sempre chega aqui. Prometo para mim mesma que esperarei mais meia hora e aí eu ligo para alguém.
— Markus? — ele atende no segundo toque.
— Oi! Já estão a caminho? — ele pergunta e minha esperança de saber se estava com ele foi por água abaixo.
— Na verdade não, te liguei para perguntar do Andrew. — silêncio — Ele não chegou ainda, teve algum imprevisto na empresa que você ficou sabendo? — indago tentando parecer mais tranquila.
— Que eu saiba não, mas acho melhor ligar para a secretária dele. Vai ver ele saiu mais tarde, não sei. — ele responde.
— Tudo bem, vou ver o que faço aqui. Obrigada!
— Me liga quando souber de algo. Até mais! — e desliga. Merda! Se ele estive de gracinha, eu acabo com ele quando chegar aqui. Pego o número da secretária da minha agenda e ligo.
— Oi Jade, tudo bem? Desculpa te ligar, mas sabe dizer se o Andrew ficou na empresa? — pergunto de uma vez.
— Oi querida! Não, o menino Andrew saiu mais cedo hoje, achei que estivesse ido para casa. Está tudo bem? — ela pergunta com sua voz preocupada.
— Está, está sim. Obrigada! Vou desligar agora, até mais! — e desligo. Saiu mais cedo? E cadê esse homem? Não está com o Markus, nem na empresa. Na casa dos pais não deve estar, a tia dele já teria me enviado alguma mensagem com sua foto. Não é possível! Já passam das 20h30 e nada dele, já não sei onde ir ou com quem falar. Decido ir ao seu apartamento. Pego minha bolsa e meu casaco e chamo um táxi, peço para o motorista fazer o mesmo caminho que ele faria, se teve algum acidente ou algo assim eu conseguirei ver. Mas não tem nada, as ruas estão geladas e relativamente calmas. Chego finalmente no endereço e desço. Subo direto para o seu flat, está tudo apagado, mesmo assim, bato na porta repetidas vezes e nenhuma resposta.
— Andrew? Está aí? — questiono para uma porta branca e não ouço resposta. Merda, merda, merda! Estou dando meia volta quando ouço o barulho de algum vidro rolando no chão. Vem do flat e na hora, sinto medo. — Andrew? — retorno e ainda assim sem resposta. Pego meu celular e ligo para o seu novamente, ouço o toque vindo de dentro. — Andrew Forthshire, eu sei que está ai, quer fazer o favor de abrir? Se não aparecer na porta, eu juro que.. — sou interrompida quando ele abre e o que vejo não é uma das melhores coisas. Ele usa a roupa que foi para o trabalho ainda, mas sem a jaqueta, está com os cabelos bagunçados e o cheiro de álcool me invade.
— Jura que o quê? — ele pergunta escorado na porta e sinto escárnio em sua voz — Vai fazer o que Mariana?
— Está bêbado? — ele não responde mas sorri sem humor. Passo por ele e entro, ele fecha a porta. Vai até o sofá e se joga nele. Estou parada no meio da sala o olhando — Andrew, o que está acontecendo? Da última vez que te encontrei assim, você ti... — ele me interrompe.
— Você me salvou! Uau, a salvadora da pátria, aquela que não abandona ninguém, a super heroína, perfeita... Mariana! — ele grita num teatro ridículo.
— Que porra é essa? — tento me aproximar e ele levanta bruscamente. — Por que está me tratando assim? — minha voz a esse ponto já está alterada e eu também. Ele ri.
— Ah, é verdade! Eu sempre te tratei tão bem não é? — ele pergunta com ironia na sua voz.
— Quer saber? Não vou conversar com você assim! Não sei que porra aconteceu e simplesmente eu já estou muito puta por ter me deixado esperando e sem notícia enquanto enchia a cara. Mas vai ter muito o que me explicar, quando voltar ao seu normal. — levanto e vou em direção a ele porta, mas ele se descontrola e grita.
— Eu te devo explicações? Eu, Mariana? Tem certeza disso? — me viro para olhá-lo e não minto que nesse momento reviro minha memória procurando algo que tenha feito de errado, mas não encontro. Balanço a cabeça em negativo e toco na maçaneta. — Isso, foge, vai direto encontrar o Felipe! — ele grita e nesse momento eu estaco de costas. Silêncio.
— Sobre o que está falando? — me viro e o vejo chorando enquanto me olha. — Como o conhece? — isso não faz sentido nenhum.
— Por que fez isso?
— Eu não fiz nada, dá para me explicar? — tento manter a calma. Ele apenas aponta o balcão da cozinha, caminho até lá e pego um envelope. Com mãos trêmulas retiro fotos e encontro a droga da foto que um dia Felipe tirou aqui em Nova Iorque. Fico gelada. — Andrew, isso não é o que está aqui, eu sei que parece clichê, mas não é! Senta aqui para eu explicar o que aconteceu.
— Explicar o que? Tenho foto sua beijando outro cara, você me traiu! — ele parece arruinado e só de vê-lo assim meu coração se aperta.
— Não! Eu não fiz isso! Essas fotos foram antes de namorarmos e ele me beijou de surpresa! — ele me encara — Acha mesmo que eu faria isso? Não confia em mim?
— Eu juro por todos os deuses que estou tentando acreditar! — ele altera um pouco a voz — Mas olha essa foto! Eu lembro quando usou essa roupa! E já estávamos juntos!
— Eu repito roupa, sabia? — a esse momento já estou chorando. Por tudo. A desconfiança dele me magoa, vê-lo assim me magoa, essa situação me magoa — Foi logo no começo, eu já te conhecia mas não namorávamos! Esse beijo ele me deu na hora da foto e eu recuei!
— Então nunca teve nada com ele? — questiona ainda encostado no sofá. Merda!
— Tive — ele sorri abaixando a cabeça — Nada sério, nos encontrávamos no Brasil, estudávamos juntos e era só isso! Acredita em mim, droga! — ele caminha pela sala, passa as mãos pelos cabelos. A situação está terrível, eu choro, ele chora.
— Eu quero acreditar, você sabe que eu te amo mas... Não consigo fingir que nada aconteceu! — ele finalmente fala com a voz rouca e baixa. Foi o estopim.
— Você quer? Quer mesmo Andrew? — esbravejo — Eu entendo que essas fotos dizem muito, mas duvidar de mim?! Em nenhum momento eu disse que isso era montagem ou algo do tipo, mas eu expliquei a situação! Não foi importante e eu não precisava te contar! — ele me olha perto da janela — Aí o que você faz?! Ao invés de agir como um homem, você se esconde em seu apartamento com bebidas! Se quisesse mesmo resolver isso, teria me confrontado, mas não, preferiu agir como um garotinho assustado e medroso! Se me conhecesse de verdade, saberia que haveria uma explicação plausível pra isso! — finalizo e ele está me olhando atordoado.
— Você tem que entender que.. — eu o interrompo.
— Não Andrew, eu não tenho que entender nada. Eu já te expliquei. — ele franze as sobrancelhas — Quer saber? Fica aí com sua bebida, eu vou para o meu apartamento. Não posso imaginar manter um relacionamento com uma pessoa que coloca a prova a minha palavra na primeira oportunidade.
— O que está dizendo? — ele indaga ainda chocado.
— Acabou. Isso, esse sonho — aponto para nós dois — Acabou. — ele não reage. — Eu deveria saber, isso tudo tava bom demais pra ser verdade. Isso foi um erro, você foi um erro. — ele não se mexe mas posso ver o choque em seu olhar. Sei que o que disse foi pesado, mas só queria machucá-lo como ele estava fazendo comigo. Sem me despedir, eu saio e ganho as ruas ainda chorando. Merda!
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