Notas iniciais
Boa leitura!!!

PoV. Mariana

Meu corpo dói e sinto um pouco de frio, não sei bem onde estou, mas meus olhos estão irritados através das pálpebras, que luz infernal! Quero abrir mas sinto tanta preguiça e cansaço que só queria dormir mais, antes que possa me decidir, sinto uma mão passando pelo meu rosto. Como não notei que tinha gente aqui?

— Só quero que ela acorde — ouço uma voz masculina — Só assim vou saber que está bem.

— Calma And, o médico disse que ela só está dormindo. E ele já tirou o remédio, daqui a pouco ela acorda — uma voz feminina agora, as posso sentir mais do que duas pessoas no quarto. Abro os olhos incomodada.

— Amor, você acordou! Como se sente? — ele se aproxima do meu rosto e uma de suas mãos passa pelo meu cabelo enquanto a outra segura uma das minhas mãos. Minha vista fica um pouco turva, mas logo volta ao normal e foco meus olhos na pessoa a minha frente. Meu coração bate forte.

— Quem é você? — indago séria. As pessoas no quarto se olham e seus olhares agora estão assustados.

— O que? — ele me questiona e se afasta um pouco. O encaro por uns minutos, mas não resisto e solto uma gargalhada.

— Estou brincando! As caras de vocês estavam ótimas! — paro de rir um pouco para tossir e eles respiram aliviados.

— Se não estivesse aqui, eu te jogaria água na cara. Brincadeira besta, oxe! — Luíza ralha e eu rio novamente. Eles se aproximam demais e eu encaro meu deus grego.

— Estou bem. O que aconteceu de fato comigo? — pergunto enquanto Andrew beija minha testa e eu aperto sua mão.

— Ai amiga, eu fiquei com tanto medo quando vi aquele tanto de sangue! Pensei que tinha acontecido o pior — Bianca fala e me espanto com tantas palavras e expressão em uma frase só.

— Eu sei, ela está assim agora. — Bri entende meu olhar e se aproxima. — Também senti. O plano estava indo tão bem, mas aí ele te empurrou e você caiu em cima da mesa de centro.

— Não podemos fazer nada para impedir. Foi tudo tão rápido — Markus lamenta e Nicole está do seu lado, noto suas mãos dadas.

— Eu estou a quanto tempo aqui? — pergunto para todos — As coisas parecem ter...evoluído — olho para o mais novo casal e Nicole sorri envergonhada, diferente de Markus que sorri abertamente.

— Mari — Luíza começa receosa e não gosto do seu tom — Os médicos tentaram fazer de tudo, mas não conseguiram reverter a situação. — ela finaliza de cabeça baixa enquanto mexe em sua bolsa e eu me espanto.

— Do que está falando? — pergunto desconfiada.

— É melhor você ver com seus próprios olhos — ela me estende um espelho. Deuses! O que houve? Pego o espelho com medo e vejo meu rosto nele, toco no mesmo e não consigo distinguir diferença. Continuo maravilhosa. — É isso mesmo, você continua com a sua cara de pau de sempre! — ela termina e eu sou obrigada a rir, assim como todos.

— Você não vale nada, Luíza. Sai do meu quarto! — aponto a porta ainda rindo e ela me faz uma careta.

— Aprendi com a melhor! — ela rebate.

— Gente, e Edgar? O que houve? — pergunto e eles se olham.

— Melhor conversamos sobre isso mais tarde, visto que não era pra estarmos todos aqui e eu já vi a enfermeira passar duas vezes. Vamos pessoal? — Nicole convoca eles, que se afastam e se despedem brevemente. — Te vejo mais tarde! — ela pisca para mim e sai junto com os outros, deixando apenas Andrew.

— Por que está tão calado? — questiono meu deus grego que está do meu lado em pé. Ele sorri e passa as mãos pelos cabelos, tudo isso sem soltar uma das mãos da minha.

— Eu não sei. — me olha — Te ver aqui de olhos abertos e fazendo o que você faz de melhor, é t... — eu o interrompo.

— Sexo? — ele sorri e se aproxima de mim, me dá um beijo na testa.

— Não. Sendo você mesma, me fazendo me apaixonar cada vez mais por você. — estou no chão com essa declaração, mas apenas sorrio. — Mari, quando te vi desacordada, sangrando, sem saber ao certo o que tinha acontecido com você, percebi que mesmo em um universo paralelo, em outra galáxia... — eu o interrompo novamente.

— Eu estou em um hospital, acabei de acordar e não estou entendendo nada do que você está falando. — olho para ele sorrindo.

— Eu te amo. — Deuses! Apenas o encaro e não sei bem o que responder. Quer dizer, sinto o mesmo? Claro, mas também estou com medo disso. É muita vulnerabilidade. Passa uns minutos e eu ainda estou do mesmo jeito. — Desculpa, não deveria ter dito assim. — ele parece sem graça e sem saber o que fazer, aponta a porta e vai caminhando para a porta — Eu vou te deixar descansar, daqui a pouco... eu volto. — Isso me desperta e quando ele toca na maçaneta abrindo a porta, eu acordo.

— Eu também. — ele para — Quer dizer, eu também... te amo — nossa, isso é um tanto difícil de falar. Eu sinto isso por ele e sei que é real mas agora, é como se assumisse que estou nas mãos deles. É, pensando por esse lado, é uma maravilha. Ele se vira.

— Isso é sério? Não precisa dizer só porque eu disse — ele se aproxima novamente — No seu tempo. Tudo no seu tempo.

— Eu sei, mas é verdade. É só que.. eu nunca tinha dito isso em voz alta. — eu sorrio e ele me acompanha. Toco seu rosto — Tudo bem Andrew. Eu amo você. Só não te beijo agora porque tô no hospital. — ele ri largamente.

— Maluca!

— Estou ficando com sono e acho que minha perna está doendo. Eu a machuquei? — questiono tentando levantar para ver, mas ele me impede.

— Sim, na verdade, você teve uma pequena fratura, foi o que o medico disse — arregalo os olhos — Calma, está tudo bem.

— Nunca havia quebrado nada. Venho para Nova Iorque e tudo acontece! — comento e ele franze as sobrancelhas — Vou dormir, tá? — fecho os olhos e adormeço. Simples assim.

Abro os olhos e vejo que já é dia, quanto tempo eu dormi? Uma enfermeira entra no quarto e sorri quando vê que estou acordada. Ela é bem bonita, parece ter pouco mais de trinta anos, negra, aparentemente magra e cabelos lisos. Andrew já viu essa mulher? Com esse sorriso, ela já deve ter visto o meu deus grego.

— Como se sente? — me pergunta.

— Não sei exatamente. Eu quebrei mesmo a minha perna?

— Sim, mas não se preocupe. Apenas repouso e logo estará de volta. Vou pedir para trazerem seu dejejum, tudo bem? — ela explica mexendo nos aparelhinhos ao meu redor, e no soro no meu braço.

— Vai demorar para eu ter alta?

— Acho que não. Se tudo continuar bem, hoje mais tarde ou amanhã já está liberada. — ela se afasta e sai do quarto. Espero e em menos de 10 minutos, um rapaz entra com um carrinho trazendo meu café.

— Bom dia senhorita. Trouxe o seu café da manhã. Precisa de ajuda? — pergunta quando me vê tentando sentar.

— Sim, por favor. — ele me apoia e coloca a bandeja em minha frente.

— Precisa de algo?- questiona e eu nego. — Se precisar de algo, aperte o botão vermelho ao lado da sua cama. Com licença. — se afasta e olho para o café. Só tem iogurte, frutas e algo que parece um mingau, provo e está sem gosto. Ótimo, ferrada e com essa comida, estou com fome de comida de gente, não disso aqui. Mas como não tenho opção, começo a comer. Quando finalizo, alguém bate na porta.

— Pode entrar. — entra um homem lindo, maravilhoso. Ah é, é o meu namorado que disse ontem que me ama.

— Bom dia! Como se sente? — ele me dá um beijo casto nos lábios.

— Estou bem e você? Aliás, está com a mesma roupa? — noto.

— Sim, só saí agora para buscar algumas roupas para você. Os outros foram para a delegacia. — Oxe.

— Por quê? E o que deu o caso com o Edgar?

— É isso. Entregamos a gravação e só precisamos depor. Ele agora vai encarar mais uma acusação, te agrediu e duas vezes — sinto irritação em sua voz.

— Ótimo! Eu também serei interrogada? — e ele confirma com a cabeça. Estou me sentindo naqueles filmes e séries de suspense e investigação.

— Isso não é uma série das quais você assiste — ele pontua me olhando. Eu pensei alto? — Você não falou nada, imaginei que estava passando isso pela sua cabeça. — eu sorrio.

— Talvez.

— Ah, antes que eu me esqueça, a Luíza avisou a sua família o que houve, de uma forma mais leve, claro. — confirmo com a cabeça. Vou falar com eles. Nesse momento, ouvimos batidas rápidas na porta e ela é aberta.

— Querida! Que bom que está acordada e inteira — o pai de Andrew invade o quarto junto com Jack e sua mãe. Me abraça e eu sorrio.

— É, parece que sim! — levanto os braços sorrindo largamente. A tia do meu deus grego me abraça também.

— Quando ouvi a voz do Andrew, pensei que tinha perdido minha amiga brasileira. Precisava ver como ele estava desolado, deu tanta pena do meu menino, mas aí ligamos para ele e ele já nos trouxe boas notícias! Vai ficar lá em casa quando tiver alta né? O Andrew não vai saber cuidar de você, é muito desajeitado — ela desata a falar nos deixando tontos e rimos com a situação.

— Tia, calma tá bom? Não é assim — ele se explica enquanto Jack vem me abraçar. — Não sabemos ainda, mas do jeito que ela é, vai querer ficar no apartamento, e sozinha. — ele faz careta para mim e eu devolvo.

— Ainda não sei como vai ser. Preciso ver se consigo andar e tal – tenho uma ideia — poderia fazer isso agora, né?

— Não. – Andrew dita.

— Posso sim.

— Mari, não é uma boa ideia. O médico ainda não autorizou. — ele se aproxima de mim.

— Me ajuda aqui Jack. — e claro que ele vem animado. Tiro as cobertas e vejo que está enfaixada, abaixamos o ferro da cama e coloco minhas pernas para fora com dificuldade, tento fixar meus pés no chão com a ajuda do Jack. — Não está tão ruim — digo, mas na verdade dói para uma senhora porra, tento voltar para a cama e o médico abre a porta.

— Quem autorizou a senhorita a sair da cama? — ele indaga de braços cruzados. Olho para Andrew.

— Viu Andrew? Não estou boa ainda. — ele olha para mim chocado e os outros riem da situação. O médico ignora todo o resto e faz alguns testes comigo.

— Eu poderia dizer que amanhã de manhã, a senhorita já poderá ir para casa. Mas sem fazer esforços, certo? — confirmo com a cabeça e ele sai do quarto.

— Andrew, é melhor ir para casa. Toma um banho, come algo. — aconselho.

— Estou bem. — ele responde e sua família não se mete.

— Aposto que nem comeu — ele não nega — Anda, vai, toma banho, come um pouco e dorme um pouco. Estou com meu celular aqui, mais tarde nos falamos.

— Já disse que estou bem, não se preocupe. — ele insiste.

— Ah não — cruzo os braços. — Do que adianta ter um namorado lindo que diz que me ama, mas anda parecendo um zumbi?

— O que? — a tia dele pergunta sorrindo e batendo palmas — Ele finalmente disse? Vou ensaiar a minha performance! — ela comenta e eu olho para Andrew sem entender.

— Tia, não! É sério — meu deus grego adverte e ela dá de ombros.

— Eu te dou super força mãe! Eu te ajudo — Jack rebate e eu ainda não entendi.

— Eu quero saber gente! — eu peço e eles me olham rindo.

— Você vai ver Mariana, vai ser incrível! Vamos Andrew, te dou carona até seu flat — ele assente a contragosto. Todos se despedem de mim e ele fica.

— Prometo que não demoro! — me dá um beijo casto nos lábios.

— Relaxa, vai dormi um pouco! Juro que não fujo com o enfermeiro. — sorrio e ele faz careta, mas acena me deixando ali. É, acho que vou dormir.

Notas finais
Disseram! Como as coisas ficam agora? Obrigada por estarem acompanhando. Bjoks