Um esperado inesperado amor.
24 Capítulo 24
Notas iniciais
PoV. Mariana
Acordo novamente com a enfermeira bonita observando meus exames e os aparelhinhos que me cercam. Que mulher bonita! Ela não me nota acordada e permaneço assim, mas uma vontade de tossir me tira do sério e a minha chance de acordar discretamente vai por água abaixo. Ela se assusta com minha tosse descontrolada e barulhente.
— Ai! — exclamo quando termino o show e ela está me apoiando as costas. Meu corpo inteiro dói com tanta movimentação.
— Está tudo bem querida? — indaga sorrindo. Por que ela está sempre tão feliz?
— Estou sim, obrigada. Só preciso de um pouco de água por favor. — sorrio igual e ela confirma saindo do quarto. Espero lá e quero saber que hora são. Será que eu dormi muito?
— Aqui está — ela retorna — Bem, pelos seus exames, posso ver que tudo está bem e se o doutor concordar, amanhã de manhã você já estará liberada! — ela diz animada e sorrindo, como sempre — Mas agora, eu vou te deixar porque já tem gente querendo te ver. — ela está quase saindo do quarto.
— Espera! — ela se vira — Que horas são?
— Está anoitecendo querida, quase 17hs. — responde e se vai. Se passam dois minutos em média e Nicole entra no quarto. Linda, loira e de saltos, para variar. Ela sorri e se aproxima da cama.
— Oi Mari! Acho que posso te chamar assim né? Já passamos por algumas coisinhas.. — ela pergunta animada e eu confirmo sorrindo.
— Claro Nicole! Você foi uma peça importantíssima na minha quase morte.
— Nem fala isso! Mas precisa saber que a polícia vem hoje pegar o seu depoimento. — confirmo — Ele está muito ferrado. Na gravação, ele grita que foi ele quem publicou as fotos da Brigite, além de te dar um tapa e quase fazer você morrer te empurrando. Ele é ridículo!
— Também acho. Vou fazer questão de chorar no depoimento e mostrar como fiquei extremamente abalada — faço cara de choro, simulando o momento e ela ri.
— Apoio a ideia! Deixa ele lá preso até criar juízo — ela resmunga.
— Desde quando prisão dá juízo menina? — eu comento.
— Pior que sei que não. Mas ele merece pagar pelo que fez de qualquer forma. — ela sorri prestes a me contar algo. — Convenci Markus e Andrew a aceitar que a ajuda deles no caso seja divulgada. Edgar vai ficar famoso mundialmente. — fico chocada com a ideia dela.
— Aprenda a acabar com a vida de um cara com Nicole, galera! E com razão, que fique bem claro. — dito e nós rimos. — Mas me conta, e você e o Markus? Sabia que vocês tinham alguma coisa. — ela cora e revira os olhos.
— Não tínhamos nada, na verdade. Mas o Markus é irritante e sempre tentou me desafiar, sabe? Mas com o tempo isso foi ficando.. — ela suspira — excitante.
— Bem cara de comédia romântica — ela faz careta — Relaxa, esses romances de filmes não acabam e são maravilhosos!
— Espero que sim. Nem sei aonde isso está nos levando.
— Normal. Ninguém nunca sabe. Eu e o Andrew também não sabemos, o importante é viver o momento — comento e nesse momento, entra um homem com comida para mim. Bato palminhas feliz, estava morrendo de fome. Nicole levanta, já que ela estava sentada na ponta da minha cama, e dá espaço para o rapaz colocar a bandeja no local certo, ele sorri e se retira.
— Isso aqui não tem gosto de nada mas faz falta! — comento e ela senta novamente — Odeio melão. Quer? — ofereço e ela aceita lanchar comigo.
— Um dia estávamos terminando de resolver a campanha da revista no meu apartamento — dou um sorriso para ela, que faz careta — Sempre fazíamos isso, tá? Mas enfim, estava tarde, chovendo, daí misturamos com vinho... Quando vi, já era — ela sorri quando conclui.
— Humm — paro de comer o mingau — E foi bom? Digo, valeu a pena?
— Não preciso nem falar né? Até porque eu não estaria com ele se não tivesse sido bom — ela diz com o nariz empinado.
— Porra mulher! Arrasou demais. E vocês estão o que exatamente? — indago tomando meu suquinho. Ela joga os cabelos para trás.
— Ele passa a maior parte do tempo lá no apartamento. Mas não colocamos um nome nessa relação. — ela dá de ombros — E o Andrew? Cadê?
— Não sei — digo e ela me olha — Tá no flat, mandei ele ir para casa dormir um pouco, estava precisando.
— Ah, isso é verdade. Ele ficou desesperado com tudo que aconteceu, e não saiu daqui nem por um minuto. Chorou que nem um bebê.
— Ele chorou mesmo? Que lindo, esse homem me ama mesmo — comento afastando a bandeja.
— Você ainda tem dúvidas? — ela me pergunta sorrindo e somos interrompidas por uma batida na porta, paramos olhamos para a porta.
— Boa noite, Senhorita Mariana? — Um homem sério está na porta, na verdade, dois.
— Sim — respondo e eles fazem menção de entrar, eu confirmo com a cabeça — Somos policiais e gostaríamos de tomar o seu depoimento. Pode ser? — eles me perguntam e olham para Nicole, que a esse momento, já está em pé — Tudo bem, senhorita? — ela assente.
— Tudo bem, posso falar agora. — concordo e eles se aproximam. Nicole me olha.
— Eu vou para casa. Boa sorte — diz e pisca para mim, me deixando a sós com os policiais. Eles começam me perguntando o que me levou a armar contra o Edgar, e conto toda a história, desde a cantada que ele me deu até a cama onde estou sentada. Eles não demonstraram nenhuma emoção a todo momento, mas anotaram tudo o que eu disse, com direito a pontos e vírgulas. Até chorei, para fazer um drama, mas na verdade, eu estava sentindo dor na perna mesmo. Logo depois, eles foram embora e eu fiquei sozinha. A enfermeira entrou e aplicou o medicamento no soro, ainda bem.
— Boa noite Senhorita Mariana. Como se sente hoje? — o médico pergunta, entrando no meu quarto.
— Estou com um pouco de dor agora, mas é só. Vou ser liberada amanhã?
— Quanta ansiedade! Mas sim, amanhã de manhã você já pode ir para casa. — ele confirma — Não vou nem perguntar se alguém vem te buscar, o menino Andrew já está fazendo mais plantão que eu nesse hospital — ele sorri e eu estranho a forma de chamar, ele nota. — O senhor Forthshire é um conhecido meu de longa data.
— Ah, entendi. — sorrio e ele se afasta com a enfermeira sorridente. Passa um minuto e meu deus grego entra. — Olha só quem está aqui!
— Como passou essas horas? Tudo bem aqui? — pergunta ele se aproximando da cama e me dando um beijo.
— Tudo sim. Já vou ser liberada amanhã!
— É, o seu médico me informou. Eu já sei a resposta mas não custa nada perguntar. Para onde quer ir?
— Para o apartamento — dou de ombros sorrindo e ele afirma com a cabeça. — Os policias vieram aqui — ele se preocupa um pouco.
— E você contou o que?
— Tudo. Desde o início, achei melhor assim — ele afirma e sorri — Ah, a Luíza mandou te avisar que chegou uma carta no apartamento de vocês hoje.
— Carta? Como assim, carta? Quem envia carta hoje em dia, gente? — questiono mexendo nos cabelos.
— Achei que estivesse esperando uma carta. — ele para de me olhar.
— Não estou esperando nenhum... — me recordo da universidade.
— Ai deuses! A carta da faculdade! Acha que foram eles? Será que aceitaram? — tento me levantar na cama rapidamente e algumas partes doem.
— Calma garota perdida, parece que aceitaram! — ele me fala rindo. — mas a Luíza não abriu.
— E onde ela está agora? — indago.
— Saiu com alguém, não sei. — com certeza com o indiano. Sorrio com a ideia.
— Como foi lá? Tomou banho né, posso sentir o cheirinho daqui — brinco e ele faz careta — Dormiu? — ele assente. — Ótimo.
Andrew passa a noite comigo como acompanhante e conversamos bastante sobre assuntos aleatórios. Mas claro, que eu durmo e acordo o tempo todo, esse remédio é bem forte. Amanhece e vejo meu deus grego encolhido na poltrona minúscula, logo estou liberada para ir e a enfermeira me ajuda a trocar de roupa enquanto Andrew vai acertar as coisas com o médico. Me trouxeram um vestido e botas. Quando estou pronta, Andrew surge no quarto com uma cadeira de rodas.
— É sério isso? — o olho enfezada e ele sorri.
— Senhorita, por favor. — faz uma reverência para mim e se aproxima, me apoiando. Sento na cadeira a contragosto e ele me leva até o carro. Me ajuda a entrar e logo o mesmo está em movimento.
— Você pagou a despesa do hospital? — pergunto de uma vez, já que isso está rodeando minha cabeça.
— Sim. — ele responde sem me olhar.
— Você nem me falou nada. — comento.
— Precisava? Desculpe, mas é que você é sempre tão independente que se falasse você iria querer pagar. — ele me olha pela primeira vez, parando num sinal vermelho.
— Tá louco Andrew? Claro que eu não iria querer pagar! Não tenho dinheiro para isso. Que bom que tenho um namorado rico. — digo rindo para ele que faz careta mas logo desata a rir também. — Meu dinheiro já está acabando, por sinal. Preciso arrumar um trabalho. — ele me olha novamente mas não diz nada, apenas acelera o carro e estamos indo para casa.
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