Notas iniciais
Boa leitura!!

PoV. Mariana

Caramba! Andrew está jogado na cama do seu flat, todo sujo e machucado e eu não faço a mínima ideia do que aconteceu com ele. Se não fosse pela ajuda do motorista, nunca que eu conseguiria subir com ele para cá, penso enquanto pego um pano qualquer e molho na pia do banheiro. Passo pelo rosto dele que se mantém desacordado, limpando aquela sujeira de sangue seco. Ele é tão bonito, e agora parece que está apenas dormindo. Passo o antisséptico, que tinha no armário do banheiro, nos arranhões, é o máximo que consigo fazer. Tiro minhas roupas e visto um moletom seu.

Vou para a cozinha em busca de café, meu dia foi muito cheio hoje e eu nem consegui tomar uma xícara. Logo de manhã, recebo uma notícia de que fui demitida, na verdade, irei ser. O engraçado é que isso era uma das coisas principais que me prendia lá no Brasil, não sei mais o que vou fazer, mesmo conversando com Luna, Clara e Luíza, não achei uma alternativa cabível para isso. Um sussurro de Andrew me desperta e vou até a cama carregando minha xícara de café, chego e ele está encolhido, o cubro e apago as luzes. Sento no sofá da sala ainda pensando em como as coisas mudaram desde que vim para cá. Sorrio com a lembrança do que ele me disse no carro antes de apagar por inteiro, sei que ele estava bêbado e que eu não devia levar o que ele falou em consideração, mas porra! Não dizem que nessas situações dizemos as maiores verdades? Nunca me senti daquele jeito, fiquei tão.. apavorada! Não porque eu não quero, mas porque eu sinto o mesmo. Eu estou apaixonada pelo Andrew e não sei o que fazer com toda essa confusão, quer dizer, vou voltar em dois meses para o Brasil. Ou não.

— Ai! — desperto com o barulho de Andrew se levantando da cama. Peguei no sono no sofá. Ele parece não me notar ali, pois se senta na cama meio tonto e passando as mãos pelo cabelo.

— Bom dia Bela Adormecida! — ele se assusta com a minha voz e levanta a cabeça assustado, sorrio e aceno.

— O que... Eu... — ele gagueja mas para de falar, acho que se recordando do que houve — Me trouxe para cá? — ele pergunta com a cabeça e voz baixos. É, não se lembra. Confirmo com a cabeça e ele cora com vergonha, passa as mãos pelo cabelo e suspira pesado — Vou.. — aponta o banheiro — Vou tomar banho, me espera? — apenas confirmo com a cabeça novamente. Ele se levanta e vai, ele precisa me falar o que aconteceu ontem. Quando sai, está com mais cara de vivo. Veste uma calça de moletom, a mesma da blusa que estou usando, passo por ele e vou ao banheiro fazer a higiene matinal. Ele está sentado na cama quando saio e vou até ele.

— Vai me falar o que houve? — dou início. Estou sentada de frente para ele, que está de lado para mim. Me olha e sorri, passa a mão pelos meus cabelos e me puxa para um beijo, um verdadeiro beijo.

— Bom dia garota perdida! Apesar de achar que eu quem estava perdido ontem — ele ri e eu também — Ontem tentei te ligar o dia todo, me deixou preocupado quando saiu daquele jeito.

— É — tento escolher as palavras mas não tenho muita paciência — Fui demitida — ele me olha espantado — É, minha amiga me ligou para me avisar e eu precisava resolver isso, por esse motivo, saí correndo. Liguei para a minha chefe e ela falou que precisava conversar comigo, que tinham ocorrido algumas mudanças. Entendi o recado. — ele pega em minha mão e me beija a testa.

— O que pensa em fazer agora? — indaga.

— Não sei bem Andrew. Era uma das coisas que me prendiam lá, agora não sei bem. Estou pensando em todas as possibilidades, até ficar aqui.

— O que quer dizer com "ficar aqui"? Aqui em Nova Iorque? — ele sorri largamente — Faria isso? Abandonaria tudo lá? — sorrio e reviro os olhos.

— Não é como se eu fosse abandonar a minha família e tudo isso, é apenas uma mudança — ele confirma com a cabeça — Mas foi só uma ideia. Para isso teria que transferir de vez a minha faculdade para cá, e o prazo é até hoje.

— Então tem que tomar a decisão hoje. Como vai fazer isso?

— Fazendo o que faço de melhor. — pisco para ele.

— Não vai transar com o diretor da faculdade, vai? — ele pergunta com um falso horror. Gargalho e dou um tapa em sua testa.

— Claro que não idiota! Vou fazer listas com prós e contras, e ai, eu decido o que fazer! É uma ótima ideia. — ele ri e me olha.

— É o que eu faria, uma forma bem racional de resolver as coisas — ele pontua e me encara sério. — Está pensando mesmo em fazer isso?

— Gosto de mudanças mas essa não tem garantia nenhuma, de nada. Viu? Já tenho um pró e um contra. — sorrio e ele faz o mesmo. — E você? Quer dizer, vi as ligações depois e ia te ligar quando chegasse no hotel, mas te encontro daquele jeito. — ele suspira e passa as mãos pelos cabelos. Se vira pra mim e me olha.

— Descobri umas coisas sobre minha mãe ontem. — o olho atenta, minha curiosidade atiça já que ele nunca me contou sobre ela, mas tento não transparecer tamanha vontade de saber da vida dos outros. — Meu pai não é meu pai biológico e minha mãe era totalmente instável. — ele me fala com pesar. Passa um minuto e eu espero ele continuar, mas parece que não vai sair nada.

— E o que mais? — indago e ele me encara com a testa franzida.

— Precisa de mais? Meu pai não me contou sobre isso e minha tia também sabia. O Jack que descobriu revirando umas coisas antigas e achou anotações dele, eu só fiz ler e estava tudo lá. — ainda não vejo nada tão absurdo, mas não comento ainda.

— Mexendo nas coisas do seu pai? Que feio — comento e ele se levanta, não está mais tão calmo.

— Discutimos e eu nem lembro de alguma vez ter discutido com meu pai Mari! Ele me contou a verdade e eu saí de casa sem ao menos olhar para trás ou dar atenção aos gritos da minha tia! Acho que com essa história eu fiquei um pouco transtornado e exagerei. — ele fala a última parte um pouco mais baixo.

— Eu também acho — digo e ele me observa — Mas continue.

— Depois disso, vim correndo pro seu hotel, já que não conseguia falar com você e quando cheguei, disseram que o seu quarto estava vazio. Resolvi te esperar, mas precisava de um lugar para ficar e fui até aquele bar da esquina, você já deve ter visto — na verdade não faço ideia, mas confirmo — Lá, acabei bebendo demais, nem vi as ligações perdidas da minha tia, do meu pai e do Jack. Acabei me metendo numa briga na saída e fui posto para fora do lugar, por isso me encontrou daquele jeito ontem. — escuto toda a história sem falar nada. Ele termina e está distante de mim, me olhando encostado na janela, enquanto eu, estou sentada na cama.

— Acabou? — pergunto e ele confirma com a cabeça. Ótimo — Andrew, quem é seu pai?

— O Edward. — ele responde um pouco desconfiado, mas de imediato.

— Você o ama e é recíproco? — questiono mais uma vez.

— Sim para as duas questões.

— Então, o que mudou? — ele me encara sério — Quer dizer, descobriu que não é biologicamente filho dele, mas isso é tão importante assim? Se parar pra pensar, não muda em nada, a menos que ele tenha dito algo. Ele disse?

— Não, não disse. — ainda sério demais.

— Então. Pode reclamar da confiança e tal, mas ele não tinha obrigação nenhuma de te contar. Sabe porque? Porque não faz diferença alguma para ele, se ele tivesse ao menos medo de você saber ou mágoa, ele teria te contado. Mas não o fez. O que acha? — finalizo com ele ainda me encarando sério.

— Acho que tem razão — demora um tempo calado, mas responde — Acho que agi como um adolescente revoltado ontem — ele sorri um pouco, mas sem nenhuma graça, repito seu gesto — e só piorou quando fui beber para afogar as mágoas.

— Achei que tinha ido lá por não ter para onde ir.

— Mais ou menos, fui lá para te esperar mas a minha ideia era realmente beber, mas fugiu do controle quando cacei briga só para descontar a raiva. — espera, o que? Me levanto e vou até ele.

— Foi lá só pra arranjar briga? Que ideia estupida foi essa? Lógico que sabia o perigo que estava se metendo, sabe como as coisas estão hoje em dia e mesmo assim foi lá pra isso? Ao menos lembra de alguma coisa? — falo sem conseguir me controlar e ele fica sem fala — Agora o gato comeu a sua língua?

— Eu sei que agi mal, tá bom? Fui estupido e imaturo, satisfeita? — reviro os olhos e me afasto.

— Claro que não, você tá com o rosto todo ferrado. Preocupou a sua família e me preocupou, isso não se faz — digo e ele vem até mim e me puxa para um beijo, claro que eu vou. — Agora liga para seu pai, ele merece saber de você, deve estar bastante preocupado. Anda!

Andrew se afasta e vai ligar para seu pai, posso ouvir que eles não brigam e relaxo mais. Prometem se encontrar no domingo, ótimo. Enquanto isso peço uma pizza, estou morta de fome, ainda preciso resolver o meu problema e preciso ir para o hotel, não vou conseguir raciocinar com o Andrew aqui do meu lado andando sem camisa para lá e para cá. Mas antes, acho que posso aproveitar, o puxo para mim e ele vem sem reclamar. Não demora e estamos ofegantes e felizes na cama. Olho o relógio e já são 18hs, decido ir para o hotel e o Andrew me leva. Nos despedimos na porta com um beijo, ele entende que preciso decidir sozinha o que fazer.

— Boa noite meninas! — chego no quarto.

— Oi! — respondem as duas — Tudo bem?

— Tudo, só preciso planejar umas coisas aqui. — Noto Brigite um pouco distante — E você Brigite, tudo bem? — ela desperta e me acena com a cabeça.

Sento na cama e abro o notebook, começando a digitar sobre a possibilidade de ficar. Aqui não é tão ruim de arranjar emprego como lá no Brasil e minha faculdade, posso fazer a transferência e continuar aqui. Posso ficar com Luíza esse último mês e depois que ela for embora eu alugo o mesmo apartamento que ela está agora, já que é super barato e uma graça. Precisaria conseguir emprego logo para me manter, não seria tão fácil, mas seria mudança. Tudo que eu quero. Não posso dizer que o Andrew não me influenciou nessa decisão, afinal, quero tentar com ele mas não vou me basear nisso. Não posso.

É, vou tentar a transferência. Faço minha inscrição antes da meia noite e resolvo ir dormir. Quando receber a carta de aprovação, se eu receber, eu conto a todos com certeza. Durmo do mesmo jeito que cheguei e não tenho vontade nenhuma de levantar. Só quero ficar dormindo e é desse jeito mesmo que passo meu domingo. Troco algumas mensagens com Clara e Andrew, mas não levanto pra nada, mesmo em Nova Iorque, domingo ainda é um porre.

Segunda chega, para a minha tristeza, e vou para a faculdade sozinha, já que as meninas já foram. Resolvo pôr um vestido longo e botas baixas, deixo meus cabelos soltos. Quando chego ouço umas conversas aqui e ali, uns cochichos e estranho essas ações. No pátio do campus, a coisa fica mais exposta, pessoas rindo, outras com olhar de pena, mas os mesmos cochichos, preciso saber o que está acontecendo! Vejo Bianca de longe que está pálida e com uma cara assustada, me aproximo dela.

— Bia, o que houve hoje? Que cochichos são esses? Tem algo que eu não sei? — ela me olha e me puxa para um canto.

— Você ainda não viu? — ela sussurra.

— Vi o que? — começo a me apavorar.

— Vazaram fotos íntimas da Brigite em todos os lugares — arregalo os olhos, ai merda! — Alguém hackeou o portal da faculdade e publicou lá para todos os alunos! — ela finaliza e eu não sei o que fazer.

— Onde está a Brigite? — pergunto.

— Quando viu a situação ela foi embora chorando. Liguei e me disse que está no hotel. Estou tão triste, a vida dela acabou! — Bia diz querendo chorar.

— Alguém sabe quem fez isso? A Brigite sabe quem fez isso?

— Não, a Brigite eu não sei, mas acho que não! Quem poderia fazer algo assim? Nem mais com o Edgar, ela está! Parece que terminaram antes de ontem! — eu não sabia disso.

— Bia, estou indo para o hotel falar com ela, tá bom? Me cobre aí — ela confirma e me afasto. A Bianca pode ser mais inocente e não saber, mas tenho certeza que a Brigite imagina, e eu também.

Notas finais
Muito obrigada e espero mesmo que estejam gostando! Bjoks!