Um esperado inesperado amor.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
PoV. Mariana
Chego no quarto e não encontro Brigite, ouço o chuveiro ligado e imagino que ela esteja tomando banho, vou esperar que ela saia para conversar, ela deve estar se sentido péssima. Noto que ela está demorando muito e a água não para de cair.
— Brigite, tá tudo bem aí? — bato na porta esperando alguma resposta. Nada ainda. Bato novamente. — Brigite?? — ela não responde e eu começo a me preocupar. Se ela trancou essa porta, eu não sei arrombar e terei que chamar alguém, vai ser um caos. — Se não responder, eu vou entrar. — nada. Puxo a maçaneta, que por sorte está aberta, e uma baforada de ar quente vem na minha cara e espanto com a mão, olho em direção ao chuveiro e vejo Brigite de olhos fechados e imóvel, enquanto a água cai sobre seu corpo. Me aproximo dela e a toco, Deuses! A água está queimando, desligo o chuveiro com pressa e a chacoalho, ela abre os olhos e posso notar que estava chorando.
— Brigite, acorda! Vem comigo! — ela resiste, mas no fim aceita ir. Pego uma toalha e a envolvo, posso notar sua pele ainda muito quente e seu rosto bem vermelho. Só os deuses sabem o que poderia ter acontecido se ela tivesse ficado mais tempo embaixo daquele chuveiro. Ela senta na cama junto comigo ainda chorando, mas permanece calada. Pego seu vestido folgado que ela sempre usa para dormir e a ajudo a se vestir.
— Mari, já era! Se meus pais estão vendo isso, eles nem vão querer mais conta comigo! Minha vida acabou, eu não vou conseguir mais nada na minha vida! Eu sou uma vadia, e pior, uma vadia burra! — ela se descontrola e fala sem parar e eu seguro suas mãos.
— Brigite, calma! Nada disso é verdade, você não foi burra ou vadia, tá bom? Se acalma, temos que ser racionais agora. Prometo que vou ajudar você e não vou te julgar, mas precisa me contar o que houve, pode ser? — ela respira fundo e balança a cabeça afirmando, passa as mãos pelo rosto e inicia.
— Lembra do Edgar? Nós estávamos namorando e tudo estava indo bem, apesar de fazer só um mês, ele me pediu e foi lindo, eu aceitei. Eu mandei aquelas fotos pra ele, ele me pediu e eu tinha medo, mas eu estava empolgada, então mandei as fotos de lingerie — eu sabia que isso era coisa dele! — Eu acabei esquecendo delas, mas aí uns dias atrás, ele brigou comigo porque abracei o Johnny, aquele da nossa sala — ela me explica — Eu não entendi aquele descontrole dele, eu nunca achei que viveria uma situação como aquela — ela respira fundo e continua — Aí ele me chamou de vadia, e nesse momento eu acordei, terminei tudo com ele e vim embora. Ele ficava me ligando mas eu não atendia, aí ele me mandou uma mensagem no Whatsapp dizendo que se eu não voltasse para ele, iria divulgar minhas fotos. Eu achei que fosse blefe! — ela chora — Eu deveria ter acreditado! Hoje quando chego, o inferno já estava feito!
— Merda, o Edgar falou comigo quando cheguei aqui mas ele não foi muito legal aí deixei pra lá, eu deveria ter te avisado que ele não era um príncipe, mas não queria me intrometer, ou sei lá, desculpa. — digo e ela me olha.
— Tudo bem, agora já era mesmo, e a culpa de tudo foi minha. — ela continua se achando culpada.
— Brigite você não teve culpa de nada, entende isso? Lembra que não podemos culpar a vítima. E o que você sofreu, foi um crime, entende isso? Você confiou numa pessoa que demonstrava confiança para você. Em hipótese alguma, a culpa foi sua. — tento explicar enquanto ela me olha atenta. — Entende isso?
— Eu entendo Mari, mas se eu fosse mais esperta, pode... — a interrompo.
— Não! Para de se culpar de outras formas, você não teve culpa. Ele que não vale nada! — ela assente e se acalma mais.
— Mas ninguém vai pensar isso Mari! As pessoas vão me jugar, você sabe como é, vão me xingar de todas as formas — ela fala.
— Eu sei. E vai mesmo, mas tem gente com você para aguentar tudo isso, tudo bem? Vamos e voltamos juntas para a faculdade amanhã, só para te dar mais força. — finalizo.
— Não, amanhã já?
— Você sabe que se demorar muito, quando voltar, vai ser pior. Ainda temos que denunciar o Edgar. Você ainda tem a conversa? — ela arregala os olhos.
— Não, ele apagou e apagou para mim também — droga! — Tem certeza que precisa de tanto?
— Amiga, olha seu estado, olha como você estava! Ele pode fazer isso e coisa pior com outras garotas, quer que elas sintam o mesmo? Ele cometeu um crime! — elevo meu tom de voz um pouco. Ela suspira e não me responde de imediato.
— Odeio você e sua sensatez — ela me sorri um pouco, já é um começo — Vamos fazer isso, mas pode ser amanhã? Só quero assistir um filme e comer porcaria hoje, tá bom? — sorrimos juntas e a deixo deitar, entrego o controle a ela e vou recolher as coisas pelo chão enquanto penso em tudo isso. Por que isso sempre acontece? Homens e sua masculinidade extremamente frágil, reviro os olhos. Brigite agora vai passar pro muita coisa e vai ser bem complicado, preciso avisar a Bia a situação aqui. E ao Andrew, que não vou poder almoçar com ele esses dias. As aulas acabam em uma semana e ainda tem as premiações, muito tempo para rolar muita coisa ainda.
— Bri, vou comprar nosso almoço viu? — ela acena, está assistindo desenho, nada melhor para acalmar — Vai querer o que? — ela parece pensar e responde.
— McDonald's.
—Tá bom, qualquer coisa me liga — pego meu celular, o dinheiro e desço. Quando ganho as ruas, resolvo ligar para Andrew. Ele atende no terceiro toque.
— Oi garota perdida! Tudo bem?
— Oi gatinho, tudo. Mas te liguei para avisar que não vou poder almoçar contigo.
— Sério? Por que?
— Aconteceu um problema com uma amiga, estou a ajudando. Mas assim que a gente se encontrar eu te explico tudinho — explico enquanto atravesso a rua.
— Tudo bem linda, houve algo aqui no trabalho também, nos encontramos na quarta? Jantar?
— Sim, por favor! Guarda sua pureza pra mim! — posso ouvir ele rindo do outro lado.
— Claro!
— Vou desligar aqui, vou comer, beijo! — ele devolve e desligo. Entro na lanchonete, compro e volto para o hotel. Mas antes, compro um pote de brigadeiro pronto, sempre bom. Quando chego no hotel ela está assistindo a outro desenho. Entrego o pacote e me sento ao seu lado na cama, depois de muito escolher, optamos por Mulan, ô filme bom.
Já passa das 15h da tarde quando Bianca me envia uma mensagem, avisando que todos na faculdade estão julgando Brigite das piores formas. Sabia que iria ser assim, melhor que ela nem pegue no celular hoje. Escurece e Bianca chega, ficamos as três assistindo filme, comendo porcarias e antes de dormir, prometemos encarar isso juntas.
O despertador toca anunciando um novo dia, levantamos as três e rimos ao constatar que dormimos na mesma cama. Nos arrumamos e eu e Bia notamos o nervosismo de Brigite, mas tentamos distraí-la fazendo a se arrumar. Estamos as três de vestidos, casaco e botas. Estamos prontas. Pegamos um táxi ao invés de ir de ônibus, e chegamos na faculdade, todos nos olham, especificamente, olham para Brigite, mas ela nos orgulha mantendo a cabeça erguida a todo momento. As aulas passam dessa forma, cochichos aqui e ali, mas Bri se mantém plena, até darmos de cara com Edgar no corredor, e o descarado ainda vem rindo.
— Semana boa, Brigite? — ele para na nossa frente ainda com seu sorriso. A vontade que tenho é de socar a cara dele e colocá-lo no seu lugar, mas Bri precisa assumir uma postura.
— Você foi ridículo Edgar, acabou com a minha vida! — vejo ela fraquejar um pouco, olho para Bianca e ela dá um passo para a frente, se ela socar ele antes de mim, eu soco ela depois. — Mas isso não vai ficar assim, se é o que pensa. Você vai ter o que merece, seu idiota. — ela fala e se afasta, passamos por ele e eu o empurro, ele quase cai no chão. Paramos no banheiro e Bri está quase chorando, está muito nervosa mas sorri. — Viram? Consegui falar com ele. Preciso denunciar ele pra tirar aquele sorrisinho ridículo. — ela diz e nós assentimos. Nos viramos e vemos uma frase escrita a batom na porta do banheiro.
" Brigite vadia"
— Não liga pra isso, sempre tem alguns desertores da causa que são contra eles mesmos. — a arrasto para fora do banheiro. Saímos da faculdade e vamos em direção a delegacia, nem sabemos como as coisas acontecem aqui em Nova Iorque, seria ótimo se fosse como CSI, mas a realidade nos pegou desprevenidas. A delegacia estava vazia, para nossa sorte, mas nos fizeram esperar por 2 horas.
Brigite é chamada, mas pede para entrarmos com ela e vamos. O delegado é um homem alto, negro e aparenta ter uns 40 anos, ele é bem interessante na verdade. Mas Andrew é mais, muito mais, queria tanto estar com ele agora, será que está bem? Me pergunto enquanto sentamos em frente ao homem.
— Então, com qual propósito vieram até aqui? — ele indaga e não gosto da forma que nos olha.
— Viemos fazer uma denúncia. Divulgaram fotos minhas na internet e sei quem foi. — o delegado olha para ela cético e depois para nós.
— E o que acha que nós podemos fazer, exatamente? Não foi obrigada a enviar fotos inadequadas, foi? — ele se aproxima com as mãos em cima da mesa. Esquece o que eu disse sobre ele.
— Ele divulgou a minha privacidade sem autorização! Isso é crime! O senhor como agente da lei, deve saber disso. — ele suspira fundo e assente com a cabeça.
— Tudo bem senhorita, quem divulgou suas fotos?
— O meu ex namorado, Edgar Albuquerque. — ela fala impassível.
— Típico, como sabe que foi ele? Por que não basta só acusar, temos que ter provas, sabe disso? — questiona e eu sei que agora deu merda. Ele é um babaca e ela não tem prova alguma.
— Ele me ameaçou no aplicativo de mensagens, mas ele conseguiu apagar antes. — ela diz já mexida com a situação.
— Então, agora ficou bem complicado. Faz o seguinte? Vou deixar o seu caso aqui e quando conseguir alguma prova ou conversar com o cara, você volta para acertarmos. Pode ser? Agora, podem ir, tenho que resolver muitos problemas hoje. — ele nos aponta a porta e estamos chocadas. Saímos da delegacia ainda no mesmo estado.
— O que faremos agora? Vocês viram isso? Que absurdo! — Bianca se exalta.
— E se eu publicar na internet? Já estou exposta mesmo — Brigite dá de ombros.
— Você também pode fazer isso, mas ele precisa responder com a lei. Vamos em outra. — determino.
— Podemos ir amanhã? Bom que falo com um amigo meu do Brasil pra tentar recuperar essa mensagem. — Bri fala e nós concordamos. Decido ir na loja pela qual passamos pra comprar meu fone e elas seguem para o hotel.
Comprei e estou caminhando pensando em tudo o que aconteceu e só querendo me encontrar com o Andrew, quando ouço meu nome sendo chamado, me viro e vejo Felipe.
— Mariana, tudo bem? — ele me abraça e eu retribuo.
— Oi Felipe! Tudo...indo e contigo? — paramos no meio da rua.
— Estou bem, está livre agora? Não quer tomar um suco comigo? Você parece um tanto estressada — confesso que um suco iria fazer bem agora, e uma conversa com alguém aleatório a tudo, melhor ainda. Fui.
Sentamos numa lanchonete ali perto e tomamos um suco enquanto conversamos coisas aleatórias. Cara, eu devo tá muito dominada, em todo esse tempo que estou conversando com o Felipe, só consigo pensar no meu deus grego, só consigo fazer comparações e claro, o Andrew está ganhando em disparada. Tô lascada.
Vejo que aquilo não vai dar em nada e resolvo ir para casa, ele tenta me impedir mas mesmo assim, não adianta. Me levanto e ele também, logo após pagarmos a conta, ele pega o celular.
— Vamos tirar uma foto Mari! Estamos em New York! — ele diz animado e eu sorrio. Posamos lado a lado e ele coloca o celular no modo 5 em 1, aquela que ela dispara 5 vezes seguidas, e aperta o botão. Sem que eu perceba, ele se vira e me beija, claro que foi um selinho rápido porque eu desviei, mas ainda assim foi um beijo. Eu o empurro.
— Felipe, as coisas não são desse jeito! Nunca foram!
— Por que não Mari? Sempre fizemos isso.
— Não assim, e além do mais, eu conheci uma pessoa. Sempre fui sincera com você e é isso. — digo para ele que me olha espantado, mas disfarça.
— Então se apaixonou? — ele questiona.
— Sim.
— Nossa! Achei que nunca fosse ver isso! Desculpa Mari, eu não fazia ideia! Prometo não fazer mais isso! — aceno com a cabeça e aviso que tenho que ir. Ele entende e se afasta pelo outro lado. Caminho até o hotel e no caminho, Andrew me liga.
— Oi linda! Está ocupada? — ele pergunta do outro lado da linha e eu sorrio.
— Não, estou indo para o hotel e você?
— Tive um dia complicado hoje no trabalho, mas agora estou livre. Vamos jantar amanhã? Quero te ver — só com esse comentário, eu já estou no chão derretida.
— Claro, eu também quero te ver!
— Ótimo, estava aqu... — ele para de falar e logo depois volta — Desculpa , o Markus tá me ligando, é algo do trabalho. Espera que eu te retorno, tá bom? Como eu disse, hoje está sendo bem complicado. — entendo.
— Tudo bem, estou chegando no hotel agora, nos falamos depois. Beijo!
— Beijo garota perdida! — e desliga. Entro no hotel e estou exausta. As meninas já estão dormindo e quer saber? Vou fazer o mesmo.
Chegamos na faculdade no outro dia e está acontecendo uma confusão no pátio. Nos olhamos e eu reviro os olhos, o que aconteceu agora? Penso ser algo com Brigite, mas as pessoas estão ignorando ela. O reitor manda todos para as suas aulas e promete explicar tudo. Nos sentamos na nossa e ele entra.
— Alunos do InterPsi, nós lamentamos o ocorrido, mas a empresa de marketing que os patrocinava, Forthshire, cancelou o contrato com o projeto devido aos últimos acontecimentos envolvendo alguns alunos. — O que? Há uma grande movimentação entre as turmas e muitos olham e xingam Brigite, esse povo tá louco? — Gente, se acalmem! Estamos tentando arranjar uma solução para vocês. Mas vocês precisam controlar os ânimos! — Brigite me olha e aperto sua mão, as coisas estão se complicando.
— Então as premiações estão cortadas? E os outros anos? — alguém do outro lado pergunta.
— Eles cancelaram todo o contrato. Parece que não querem a imagem deles associada a algo tão... negativo — vejo que ele tenta não encarar Brigite. A sala se movimenta novamente e estão desesperados.
— Será que não podemos falar com eles? Podemos escolher uma pessoa aqui para tentar uma reconciliação, tudo se resolve na conversa gente! — uma garota pergunta.
— Acho que não vai dar certo! Ouvi dizer que um dos responsáveis que trabalha naquele prédio enorme, só quer saber de dinheiro! — outra rebate.
— Mas não custa tentar. — Bia fala.
— Gente, se forem fazer isso, tem que definir essa pessoa hoje. — o reitor se pronuncia e inicia outro burburinho.
— Por que não mandamos a Mari? — Oi? Quem me indicou?
— Verdade, ela fala bem. Ótima ideia! — outro rapaz se pronuncia e logo depois todos estão concordando. Ai Deuses! Até Bia e Bri concordaram.
— Vai amiga! Você fala bem! — Bri fala ao meu lado segurando minha mão.
— E então Mariana? — o reitor me olha suplicante. Olho ao redor e todos esperam minha resposta.
— Tudo bem, posso ir. — me pronuncio e todos aplaudem. Seja o que Deus quiser.
— Ótimo, vou marcar para amanhã o mais cedo possível. Tenham uma boa aula alunos!
Ele se vai e a conversa aumenta. Eu nunca nem ouvi falar da empresa, só que um dos responsáveis que fica no prédio maior parece ser um idiota que só pensa no lucro, e é burro, já que não sabe como aproveitar isso. Levanto e saio da sala para pensar melhor no que fazer.
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