Notas iniciais
Ficou um pouco extenso, entretanto, foi feito de coração ♥ Espero que gostem ^^ A playlist das músicas estará nas notas finais ^^

Yuri era segurado por dois guardas, enquanto outros três tentavam conter o garoto exaltado. Não iria desistir. Não iria ceder tão facilmente daquela vez. Estava sem máscara e os cabelos estavam soltos, caindo numa cascata em suas costas.

— Se você pensa em me dominar/Perdeu seu tempo/Nem mesmo se você juntar um regimento — se sacudiu, tentando soltar seus braços. — Mas se não quer se aborrecer/É melhor eu te dizer — Yuri pulou, dando um chute certeiro no homem em sua frente — Não toque em mim/E chega pra lá/Sai fora daqui/Que eu quero passar — caiu no chão, avançando pra cima dos soldados — Me deixa correr/Senão vai ser pior/É bom saber comigo é assim/Não toque em mim.

— YURIO! — sentiu o rosto arder com o tapa. Olhou para cima e Viktor o encara, os olhos faiscando e o rosto vermelho. Havia tirado a máscara e a cartola e seus cabelos milimetricamente penteados estavam um caos. — Eu juro que, se vovô não estivesse vindo, eu o faria aprender da pior forma como deve se respeitar os mais velhos.

O loiro, caído no chão, massageava a bochecha; com alguns fios caídos em seu rosto, não desviou o olhar em nenhuma única vez.

— Yuratchka. — todos os guardas se curvaram junto de Viktor, em respeito ao imperador. — Por favor, deixem-nos às sós. — Yuri se levantou, indo até a cama e prendeu o cabelo com uma fita vermelha de cetim. A marca da mão de Viktor estava estampada em sua bochecha avermelhada e Nikolai não tardou em reparar, entretanto, deixaria para acertar suas contas com Viktor em outra hora.

— Você tem a mínima noção do quão perigoso foi seu ato? Poderiam descobrir sua existência, Yuri. — estava inquieto, andando de um lado para o outro enquanto desfrouxava a gravata impensadamente.

— Nada aconteceu, Viktor. Isso não é prova o suficiente de que eu sei me cuidar?

— Pura sorte. Isso é alguma tentativa de suicídio? SE QUER TANTO MORRER, DEIXE-ME JOGA-LO PELA JANELA. — avançou em cima do garoto, sendo parado pela voz grave de Nikolai.

— Viktor. — encarou o neto mais velho. — Cale essa maldita boca ou então, saia.

Mesmo a contragosto, voltou ao seu lugar, fuzilando o loiro.

— Querido, você tem um ponto ao seu favor. Acho que é algo que devemos levar em conta, certo? Não fuja mais, Yuri. Poderia ter acontecido algo e o vovô nunca se perdoaria se tocassem no Yuratchka dele. — acariciou as madeixas do menino, sorrindo amavelmente.

— Vovô--

— Terá a liberdade que desejas, Yuri--

— Mas, senhor--

— Obrigado vovô, obrigado. — era como se seu coração estivesse a ponto de pular para fora.

— Entretanto, — ressaltou — para sua segurança, estará acompanhado por um guarda 24hrs. Essa é minha exigência, está disposto a aceitá-la? — assentiu, tomado ainda pelo torpor de felicidade que lhe atingiu. Seria livre – liberdade assistida, entretanto, estaria fora daquela torre –, seu corpo parecia formigar com aquilo.

— Eu sou contra isso, senhor. É impossível que Yuri sobreviva lá fora sem que sofra uma tentativa de homicídio há cada minuto estando fora do palácio e--

— Saia. Volte para seus convidados, Viktor. Temos muito o que conversar pela manhã. — falou entredentes e sorriu para Yuri em seus braços. — Irei recolher-me agora, querido. Durma também. Bons sonhos, Yuratchka.

Beijou a testa do garoto e passou por Viktor, descendo as escadas. O príncipe de gelo olhou para o irmão, contrariado. Ele não podia ver que estava o protegendo? Não conseguia ser grato por todos os esforços de Viktor para com ele?

— Irá se arrepender, Yuri. O mundo não é essa maravilha que você sonhou a vida toda conhecer; seres humanos são pútridos e mesquinhos. Você vai aprender da pior forma e desejar nunca ter saído daqui.

Com aquela sentença e um olhar mortal, bateu a porta, vestindo novamente sua máscara e escondendo seus cabelos bagunçados com a cartola, colocando o melhor sorriso no rosto. Não iria perder seu tempo pensando em seu irmão, iria atrás do jovem e, possivelmente ter uma madrugada regada de sexo brutal.

Yuri se jogou na cama, passando a língua pelos lábios. Não sabia como colocar em palavras seus sentimentos sobre finalmente estar livre; parecia algo forjado por sua própria mente traiçoeira, entretanto, era real, iria sair, brincaria na neve, falaria com pessoas desconhecidas, patinaria no lago Cyan e colheria maçãs na estufa pública do sr. Epaminondas, pai de Georgi. Entretanto, aquele olhar, a decepção estampada no rosto de Viktor era o que mais lhe incomodava.

Olhou para a janela, onde a lua despontava no céu, seguida por algumas nuvens. Sentiu Pandora se enrolar em sua perna e suspirou, fechando os olhos.

— Eu quero mais do que você/Imagina que eu vou ter/Dos meus sonhos não vou desistir — suspirou, mordendo o lábio e virando-se para abraçar o travesseiro do irmão. — Eu sou pontos de interrogação/Sem respostas na canção/Só entenda que eu nunca serei o que querem pra mim — sentou-se na cama, segurando-o forte e levantou, caminhando pelo quarto. — Não sou mais menino pra chorar/Sou um homem vou buscar meu destino/Eu vou mais além — olhou a fotografia de Viktor e Nikolai — Será que o mundo vai me dar/Uma chance de lutar/Ninguém sabe que eu estou aqui — a janela parecia o enfeitiçar, guiando-o até ela, vendo as luzes do povoado. — Mas sei tudo que eu quero viver/Dos meus sonhos vou fazer/O caminho traçado por mim/Por que todos querem controlar/Qualquer coisa que eu pensar? /Se pra eles não estou aqui. — sentou-se escorregando as costas na parede fria, abraçando o objeto macio com força. — Você vai um dia perceber/Que eu só quero te entender/E o meu nome você vai guardar/E eu quero ainda te provar/Que é você quem vai ficar do meu lado/Se tudo estiver contra mim — mordeu o lábio, sentindo o coração apertar. Só queria seu irmão de volta. — Todos tentam me dizer/Que eu preciso crescer/Mas se ainda não tenho certeza do que quero ser/Tenho toda certeza daquilo que não vou fazer  — encolheu-se em seu próprio eixo. — Mais sei tudo que eu quero viver/Dos meus sonhos vou fazer/O caminho, traçado por mim/Por que todos querem controlar/Qualquer coisa que eu pensar? /Se pra eles não estou aqui. — Yuri deitou a parte de trás da cabeça na pedra fria. — Sou mais eu, estou aqui/Estou aqui/Estou aqui... — sussurrou, fechando os olhos.

—/-

Após toda a situação problemática envolvendo o irmão do príncipe, Otabek havia sido liberado para voltar pra casa. Seu corpo estava cansado e a privação de sono perturbava-o agora.

Ao sair dos arredores do palácio, montou em seu cavalo e partiu para o único lugar onde gostaria de estar agora: a casa de Jean e Lee.

Conheceu Jean e Seung quando ainda era apenas cadete recém-chegado ao Reino de Gelo. Na época, Lee ainda trabalhava no palácio como jardineiro e logo Otabek se apaixonou por ele.

Aquela lembrança lhe era engraçada, pois agora podia perceber a nitidez dos sentimentos de Seung e Jean; por muito tempo, tentou negar os olhares, os toques e os sorrisos discretos que um dava para o outro, afinal, qual era a probabilidade de aquilo ser um triângulo amoroso unilateral para sua parte? Mas, os anos passaram e logo veio o casamento. Sentiu-se traído apenas por um mês inteiro, contudo, eram seus melhores amigos e sua paixão platônica por Seung nunca seria maior do que seu amor pelos dois.

Dois anos depois, via-se como padrinho de Ailaa Leroy, a primeira filha de Lee e Jean. Sempre que tinha tempo, ia pra vila comprar presentes para mimar a garotinha e seu coração se aquecia com o sorriso que tanto lembrava-o de Seung.

Deu dois toques na porta, após amarrar as rédeas do corcel na madeira da cerca que delimitava o arredor do chalé. Foi recebido com um olhar sonolento, porém, carinhoso.

— Te acordei? — Lee negou, dando passagem para que Otabek entrasse. O mesmo tirou o terno e o pendurou em um dos ganchos do cabide azul que ficava pregado na parede.

— Ailaa está doentinha há três dias e hoje começou a ter febre, nada muito preocupante, só um resfriado, mas, você sabe como ela é manhosa. — sentaram-se no tapete em frente a lareira, onde a pequena estava a ressonar, enrolada em uma manta aquecedora.

— Não pude resgatar Jean, sinto muito por isso. — Seung riu baixo, deitando a cabeça no ombro do amigo.

— Eu já sabia que ele não voltaria hoje. Era bem óbvio, na verdade. — afagou a mão calejada de Otabek. — Ele quase desistiu de ir quando a Ailaa começou a chorar.

— Desculpe... Por não vir mais com tanta frequência. — seu olhar direcionou-se na pequena garotinha, acariciando os fios castanhos de seu cabelo. — Estou em falta com minha pequena Sakura*.

Era algo diferente de seus sentimentos habituais. Otabek nunca havia se sentido daquela forma, amava a garotinha como se seu coração pudesse explodir.

— Você está aqui agora, é o que importa. — Lee apanhou uma garrafa metálica e derramou um líquido branco dentro da caneca que estava ao lado, entregando a Otabek. — Leite morno com mel. Ajuda a relaxar os músculos. Vire de costas e me deixe trabalhar.

O general obedeceu de prontidão, retirando a camisa preta e deixando suas costas largas serem massageadas pelas mãos firmes e ágeis do amigo. As chamas bruxuleantes formavam sombras que se estendiam do assoalho até a parede quase alcançando as vigas do teto, o crepitar era como uma canção de ninar para Otabek e as mãos de Lee deslizando feito plumas por suas omoplatas lhe faziam o convite para deitar-se nos braços de Morfeu, os quais Altin iria de bom grado.

— Você parece mais aéreo que o normal... Algo aconteceu? — por mais que o sono batesse à porta, o general se esforçou a manter-se desperto.

— Apenas o trabalho duro. Estive pensando em pegar o trem até Harumaki* e ir até o templo, passar alguns dias em meditação, relaxar realmente. — Lee assentiu, subindo os dedos pela nuca do moreno, entrando por entre os fios.

Harumaki era uma vila que se localizava na divisa entre o Reino de Gelo e o Reino da Luz. Era famoso por sua variação de clima e pelo festival de Kyoho* que ocorria todos os anos na parte luminosa. O templo de Oniro ficava no topo do monte Seskeko e recebia, anualmente, várias pessoas que buscavam o repouso, a paz de espírito e a meditação.

Otabek sentiu seu corpo pender para frente por alguns segundos e logo foi deitado no tapete, ao lado de Ailaa.

— Descanse. Conversamos mais quando não estiver como um morto vivo, se alimentando apenas de ração e treinando durante as madrugadas como um paranóico. — riu baixinho, um beijo foi plantado em sua têmpora e logo adormeceu sem luta.

—/-

Yuuri esperou por longos minutos naquela estufa até que o homem de cartola aparecesse novamente, desta vez, com sua gravata frouxa e as maçãs do rosto levemente avermelhadas. Levantou-se subitamente da cadeira adornada e torceu os dedos dentro da luva, mastigando a parte interna da bochecha direita. Não queria olhá-lo, sentia-se estranho perto daquele homem, um sentimento duvidoso. Não o conhecia, a incerteza lhe acertava em cheio. O que o mesmo queria consigo era um mistério que lhe enchia de receio.

— É educado olhar nos olhos das pessoas quando conversamos com elas... — corou timidamente, erguendo a cabeça até suas íris encontrarem as deles.

"Parece uma água-marinha, Vitya."

Encarava o homem em sua frente com uma expressão confusa, ele lhe lembrava a algo, uma espécie de vínculo que deixava a desconfiança inicial dissipar-se. O sorriso ladino que estampava os lábios de Viktor lhe dava arrepios, entretanto, longe de serem ruins.

— Como se chamas? — as mãos cruzadas no fim da espinha e a sobrancelha do lado à mostra arqueada lhe davam um ar mais enigmático e bizarramente irônico, visto que não possuía tantas expressões faciais reais.

— Y-Yuuri...

— Como?

— Yuuri... — repetiu em voz alta, sentindo sua voz emanar constrangimento.

— Yuuri? Um bom nome para um bom garoto, certo?

— O-O que quer de mim? — sua gagueira parecia retornar à cada situação que lhe envolvia contato com outro ser humano que não conhecesse a tempo suficiente. O homem chegou perto dele e tocou-lhe a cintura, aproximando os dois corpos. Era estranho, uma sensação nova, até segundos atrás, Katsuki repudiava um simples beijo dado por um desconhecido, entretanto, se o homem em sua frente o tocasse daquela forma novamente, foda-se toda sua boa moral e castidade, deixaria ser tomado com todo o prazer lhe oferecido. Entretanto, a parte ainda "lúcida" de sua mente o alertava como um grande painel em neon sobre as possíveis intenções nada castas de Viktor e que a honra e dignidade deveriam permanecer intactas.

— Depende do que está disposto a me oferecer. — o sussurro em seu ouvido fez todos os pelos de seu corpo eriçarem-se, consequentemente, Yuuri baixou as pálpebras, respirando ofegante, o vapor condensado lhe escapando pelos lábios vermelhos. — Por que não entramos, você me acompanha em uma última taça de vinho e logo podemos ir para um lugar mais... Silencioso?

"E a política do 'não beijar ninguém até que seja seu futuro marido'? E toda sua auto conservação?", que fosse tudo para o inferno. Ter aquela mão forte o apertando, suas costas contra a parede e aquela voz extremamente sexy lhe sussurrando coisas era quase como pedir para ter sua sanidade arrancada. Assentiu, permitindo-se abrir os olhos e fitando atentamente os extremamente familiares de Viktor, sentindo seu rosto pegar fogo. Estava ruborizado e não possuía nem ao menos forças o suficiente para esconder a face com as mãos.

O príncipe riu de forma devassa, levando seu polegar da mão direita até o lábio inferior de Yuuri, acariciando-o e o descolando do superior. Tão inocente e virginal; Viktor estava louco para destruir cada resquício de pureza daquele rapaz e, de forma despudorada, utilizar de sua alma depravada para romper toda a ingenuidade que exalava daquele corpo sexual.

Yuuri foi guiado pela mão forte para o lado de dentro do palácio. Que horas eram? Phichit procurava por ele? Quem era aquele homem e qual era a razão de sentir-se seguro perto dele? A mente de Yuuri possuía a grande façanha de produzir questionamentos por nano segundo, buscando ardentemente uma resposta conclusiva para suas perguntas retóricas. Foi servido com uma taça de vinho bordô e algo que parecia um bombom feito de cassis foi colocado entre seus lábios, incitando-o a provar o doce que reunia diversos sabores e sensações.

Após ter concordado de forma impensada em acompanhar aquele homem, via-se agora em uma confusão interna, sobre qual seria o fim de sua noite; pensou em desistir, entretanto, todas as vezes que tentava pronunciar qualquer coisa para o mesmo, sentia-se levemente embriagado, uma quentura subindo pelo seu corpo. A palma de Viktor ainda permanecia em sua cintura, deixando o local entorpecido.

— Vamos, antes que percebam nossa presença. — Yuuri passou a língua sobre os lábios, assentindo minimamente antes de subir degrau por degrau ao lado do platinado que sorria de forma assustadoramente sexy.

Ao chegarem no corredor de um andar privado com apenas duas portas, Katsuki analisou bem a situação. O homem que estava ao seu lado naquele momento devia ser um nobre com laços fortes de privilégios com a família real, já que, pelo que Chris já havia lhe dito, ninguém possuía autorização de pernoitar no palácio além da monarquia e de seus criados, e o platinado não vestia o uniforme de baile que virá vários usando.

Quando a porta de madeira foi aberta, os olhos de Yuuri quase lhe saltaram do rosto. O quarto era enorme, com uma cama dossel no meio inferior, uma estante que cobria toda a parede de tom escuro, um tapete felpudo que cobria todo o chão, como carpete, um guarda-roupa de madeira embutido na parede e uma cômoda de mogno.

Viktor o sentou na ponta do colchão, atirando sua cartola para o outro extremo do cômodo e empurrando levemente o corpo de Yuuri para os lençóis de seda. Era real, seu coração estava tão acelerado que poderia saltar do peito. Fixou seu olhar nos movimentos lascivos do homem de olhos azuis acinzentados que retirava as luvas brancas com um sorriso de lado nos lábios rosados. Deixou o par cair no chão e logo o fraque desceu por suas omoplatas. Os longos dedos pálidos e esguios removeram as abotoaduras prateadas que fechavam seus punhos e imediatamente abriram botão por botão da camisa branca, deixando exposto aos poucos o tronco firme e sedutor de Viktor, o pano escorregou pelos ombros largos e Yuuri não pôde deixar de notar a cicatriz que tomava um pedaço do ombro direito e subia por sua clavícula. O homem inclinou-se até ele e, com um só puxão, a vestimenta superior de Katsuki foi rasgada, e seu peito desnudo. As mãos fortes do homem desceram pela pele quente do garoto, deixando-o arrepiado, enquanto sua boca aproximou-se do pescoço do mesmo, dando pequenos beijos molhados.

Yuuri não sabia como reagir, seria sua primeira vez? Era assustador não ter controle das reações de seu próprio corpo; deixou a cabeça cair para o lado, expondo ainda mais a pele leitosa. Ofegos baixos saíram por entre seus lábios assim que Viktor capturou seu lóbulo com os dentes.

— Tão entregue... — o sussurro do platinado em seu ouvido lhe fez estremecer, por mais que não o encarasse, tinha certa noção do sorriso mordaz que Viktor ostentava enquanto suas mãos passeavam pelo corpo do menor, provocando sensações que, até então, lhe eram desconhecidas.

— Isso... É tão diferente... Essa sensibilidade... — os olhos de Ônix fitaram os acinzentados. — Meu corpo... Eu nunca senti isso antes...

— Irá conhecer o pecado da luxuria por minhas mãos esta noite, lhe garanto. — Após a voz rouca segredar, Yuuri ergueu lentamente as mãos, desatando o laço que ainda prendia a máscara no rosto do homem, retirando-a lentamente, por completo.

Nem ao menos teve tempo o suficiente para analisar o rosto dele, tendo sua boca tomada pelos lábios finos e voluptuosos que o deixaram dormente. Suas línguas dançavam, explorando os sabores, as sensações. Era bom, na verdade, mais que isso, era sexy como um inferno e quente, tanto quanto andar sobre brasas.

A mão do platinado desceu por suas costas, apalpando suas nádegas, de forma que o corpo de Yuuri inclinasse para cima, indo de encontro com a virilha máscula do mesmo. Arfou, sentindo-se febril. O homem sorriu e separou suas bocas, permitindo que Katsuki contemplasse sua feição regada de perversidade, o qual apenas o prazer da carne lhe poderia proporcionar.

— Qual... Qual é o seu nome? — os olhos azuis acinzentados flamejavam, enviando ondas para o corpo virginal do moreno.

— Chame-me de Lyutsifer*, pois eu irei levá-lo ao mais profundo fosso infernal do prazer terreno, até que sua alma seja corrompida pela lascívia do pecado. — E com o sorriso concupiscente que lhe foi dado, Yuuri deixou-se ser abatido como uma caça.

—/-

Viktor estava laçado pelo desejo, era fato. O olhar inocente manchando-se com a impureza lhe dava a excitação necessária para dopar-se com sensações enquanto explorava aquele corpo nunca tocado.

Tocou lentamente o cinto que prendia as calças de Yuuri, desafivelando-as sem ao menos desgrudar as bocas uma da outra. Era um beijo desejoso. Eram movimentos necessitados pelo corpo alheio. O príncipe retirou lentamente a máscara prateada do rosto de Katsuki, jogando-a para o lado. Apoiou-se na cama para levantar, entretanto, Yuuri o abraçou pelo pescoço, colando seus lábios mais uma vez, descolando as bocas para ele mesmo marcar o pescoço do homem, deixando chupões avermelhados abaixo do lóbulo direito e da garganta, tendo os lábios capturados novamente por Nikiforov. Afoito, Viktor retirou as próprias calças, chutando-as enquanto encaixava-se melhor no meio das coxas roliças do rapaz que parecia determinado em tê-lo. Desceu as de Yuuri junto da cueca firme e que marcava o avantajado traseiro, deixando-o nu e totalmente exposto para ser contemplado pelos olhos famintos do homem de cabelos platinados. Viktor desceu os beijos do queixo até o abdômen, sentindo seus cabelos serem segurados com firmeza, ao mesmo tempo que o rapaz inclinava a cabeça para trás, com os lábios entreabertos, apenas aproveitando tudo o que lhe era oferecido. Nikiforov pôde perceber a hesitação dando lugar a excitação e logo o moreno já não tinha mais noções de castidade, era apenas alguém desejando ser tocado.

Cravou seus dedos nos quadris largos, desejando deixar sua marca ali, sentindo os pelos pubianos quase inexistentes tocarem seu queixo.

Envolveu a parte interna da coxa do menor com a palma, erguendo a perna até que estivesse apoiada em seu ombro e depositou pequenas mordidas ali, sentindo-o estremecer. A carne era firme e a pele leitosa exibia rastros de saliva e vergões vermelhos provenientes dos dentes de Viktor.

— Ah! — Yuuri exclamou, arqueando as costas após a boca quente do príncipe lhe tocar a virilha e, particularmente, Nikiforov nunca havia sentindo seu pau tão duro quanto naquele momento; talvez fosse por estar há muito tempo sem ninguém ou pelo homem que estava deitado sob ele, todavia, pouco importava, iria gozar toda a frustração sexual acumulada para fora de seu corpo. — Lyutsifer... Eu... Oh céus... — choramingou ao sentir seu falo avermelhado ser abocanhado rudemente, a glande inchada tocando o céu da boca de Viktor. Por mais que fosse sua primeira vez, ainda sim Yuuri precisou ser tocado para que pudesse ficar "em pé" totalmente. Os movimentos molhados em um vai-e-vem vagaroso estavam levando o garoto à loucura e o príncipe herdeiro se divertia com toda a inexperiência e pureza, sentindo-se atraído por aquele anjo inocente que descobria o júbilo libertino.

O 'poc' causado pelos lábios de Viktor ao retirar o pênis de sua boca veio acompanhado de um muxoxo por parte do garoto, trazendo um sorriso egocêntrico ao rosto do platinado. O homem de olhos azuis acinzentados se levantou, apanhando o lubrificante escondido na gaveta da cômoda, ajoelhando-se em frente ao rapaz que mostrava os sinais de constrangimento voltando ao seu corpo.

— Relaxe se não quiser sentir dor. — As palavras jorravam indiferença, entretanto, as ações de Viktor tornavam tudo menos desconfortável do que realmente era. Um líquido gelado escorreu pelas bandas fartas, arrepiando-o por inteiro. O indicador de Viktor rodeou a entrada rosada e enrugada, deixando-a melada o bastante para que seu dedo pudesse deslizar para dentro sem muitas complicações. Forçou a ponta e aos poucos foi entrando para que pudesse prepará-lo. O interior de Yuuri era quente e apertado e Viktor ainda nem o havia penetrado totalmente ainda. — Respire fundo e relaxe. Será mais doloroso se não me deixar preparar-te.

O garoto respirou fundo, prendendo o lábio com os dentes e tentando esquecer a sensação incômoda. Quando finalmente o digito de Viktor entrou por inteiro, Yuuri já não sentia mais desconforto, principalmente quando o mesmo o moveu dentro de si, recebendo um gemido baixo do garoto.

— Gosta de quando te toco aqui? — Yuuri apenas assentiu, mordendo o próprio lábio inferior para conter-se. Viktor intensificou o movimento de forma que pudesse acrescentar o segundo dedo sem voltar à estaca inicial de descomodidade. Derramou mais um pouco do lubrificante na segunda dobra de seus dedos, fazendo um vai-e-vem que logo se transformaria em movimentos de tesoura, na clara intenção de dilatar o canal do rapaz o bastante para que seu pênis entrasse. Dobrou as pontas, pressionando um nervo perto do crisântemo rosado de Yuuri, levando ondas elétricas pela coluna espinhal, deixando-o arrepiado.

Um murmúrio prazeroso escapou pelos lábios entreabertos de Katsuki enquanto ele, involuntariamente, abria ainda mais as pernas, deixando Viktor tocá-lo mais a fundo. Todos aqueles efeitos nunca sentidos lhe traziam certo assombro, entretanto, lhe eram apreciados. Até vinte minutos atrás Yuuri guardava seu "primeiro beijo" para o homem de seus sonhos e agora, tinha um desconhecido com os dedos dentro de seu ânus, fazendo-o comportar-se como um homem devasso e, por mais estranho que fosse, Yuuri estava adorando tudo aquilo. Segurou o maxilar de Viktor, colando sua boca na dele, em um beijo desajeitadamente molhado e extremamente quente, onde "Hm's" e "Ah's" se espalharam pelo cômodo como fogo em um pavio.

O príncipe retirou seus dois dedos melecados de dentro do garoto, arranhando a coxa do mesmo enquanto subia suas mãos.

— Tire... Tire a última peça que lhe cobre... — o garoto parecia suplicante ao que tentava descer a cueca de Viktor, não conseguindo raciocinar o suficiente enquanto recebia chupões ardentes e vertiginosos por toda clavícula e tronco. — Não... Não sei o que virá a seguir, mas... Eu quero. Por favor, Lyutsifer... Meu corpo está entrando em combustão... Faça essa quentura ter um fim...

Viktor sorriu, passando a língua do pescoço até o lóbulo do menor, mordiscando-o. — Oh querido, irei cuidar muito bem de você... — o sorriso mordaz era a marca pessoal de Nikiforov, a expressão do próprio demônio.

Segurou os pulsos de Yuuri no alto, descendo sua língua até um dos mamilos eriçados, rodeando-o de forma vagarosa; sugou-o e soltou-o, raspando seus dentes no mesmo antes de seguir para o outro; o corpo abaixo do seu próprio arqueou, absorvendo todo o prazer que lhe era dado, a provocação, a excitação. Viktor queria provar dele inteiramente, cada pedacinho de pureza iria corromper.

Soltou o outro mamilo inchado e voltou a distribuir beijos molhados por todo o maxilar de Yuuri, sentindo seu pênis pulsar à cada gemido contido, à cada ofego, à cada murmúrio desconexo de prazer. Por mais que adorasse causar dor, seu 'eu' sádico também sabia apreciar seu parceiro banhado em deleite.

Viktor ajoelhou-se na cama, virando o corpo de Yuuri de bruços com uma facilidade admirável. Com as nádegas fartas empinadas e o rosto enterrado no travesseiro, o garoto estava totalmente absorto nos toques, em sua própria pele pegando fogo. O príncipe separou as bandas, deixando que a entrada enrugada e nunca rompida estivesse à mostra, para seu bel-prazer. Ainda melado pelo lubrificante, o pequeno crisântemo de Yuuri estava preparado para lhe receber e, há cada segundo, parecia suplicar para tê-lo dentro de si.

Viktor fitou intensamente o tronco do garoto subir e descer por sua respiração descompassada; abriu novamente as partes e deu batidinhas com seu membro no orifício de Katsuki, penetrando apenas a glande, para que não o machucasse. Sentiu-o contrair-se à sua volta, fazendo um gemido rouco escapar pelos lábios finos de Viktor; as pernas de Yuuri estavam separadas de uma forma que o príncipe herdeiro pudesse ficar entre às mesmas, entrando de pouco em pouco no interior quente e apertado de Katsuki. Um murmúrio sôfrego de Yuuri trouxe a hesitação a Viktor, entretanto, um 'm-mais' vindo do garoto lhe fez jogar tudo para o alto, quase perdendo as estribeiras. Apoiou-se no colchão, começando a entrar e sair de forma vagarosa, os gemidos e os sussurros entrecortados de Yuuri começando a preencher o ambiente deixava tudo ainda erótico do que o planejado. Depositou um beijo no ombro do menor, descendo as carícias até a nuca que já começava a grudar os cabelos negros, por conta do suor.

— P-Por favor... Lyutsifer... Eu preciso... Não há mais desconforto... M-Mais forte... — por mais que todo o clima tivesse tomando-o, Yuuri exibia as maçãs coradas, por constrangimento ou por excitação, naquele momento era indecifrável, entretanto, Viktor satisfaria sua súplica.

Pôs suas mãos sobre as de Katsuki, entrelaçando os dedos suados e começando movimentos mais precisos, duros, enterrando seu pau duro na bunda receptiva do garoto. Sabia que Yuuri estava-o aguentando com alguma dificuldade, ao fim das contas, era sua primeira vez e Viktor sabia muito bem o tamanho, a grossura e a potência de seu brinquedo. Mordiscou a cartilagem da orelha do mesmo, os gemidos intensificando a cada golpe firme em seu interior. Arquejos roucos e falhados saiam de sua garganta, despertando cada vez mais o modo primitivo de Viktor, que soltava palavrões e gemidos arrastados sempre que seu pênis era engolido ou pressionado quando Yuuri se contraia. Pele com pele, estava tudo muito quente, escorregadio.

— Abra os olhos, Yuuri... Veja suas expressões enquanto eu lhe corrompo... — sussurrou de forma perversa, fitando a imagem dos dois naquela foda pecaminosa pelo grande espelho encostado na parede. Katsuki gemeu baixo, encarando seu próprio semblante preenchido pelo prazer. Nikiforov mordeu o pescoço do garoto, deixando ali a marca de seus dentes, enquanto estocava repetidas vezes, deixando audível o som de suas bolas acertando as nádegas profusas.

O topete desfeito de Yuuri colava agora em sua testa, "Ah's", "Oh's" e "Hm's" se fundiam com os "Paw's" sempre que Viktor saia e entrava, golpeando as bandas avermelhadas. Após um momento, retirou-se completamente do garoto, ajoelhando-se novamente e ajudando-o a virar de frente, o pênis extremamente duro pingava o líquido pré-ejaculatório em sua barriga; via-se totalmente aberto e à mercê do mal encarnado que o fodia gostosamente. Viktor o penetrou mais uma vez, abraçando Yuuri pelas axilas, sentindo-o enrolar as panturrilhas em sua cintura, envolvendo o meio de seu tronco com os braços, tomando a liberdade recém-descoberta de fincar suas unhas curtas pelas costas largas. As estocadas continuaram certeiras, dessa vez, no ponto de prazer de Yuuri, encontrado enquanto ainda era preparado pelos dedos longos de Viktor. O príncipe fora cruel em errar propositalmente a próstata do outro, recebendo uma arqueada instintiva de Katsuki, arranhando o dorso de Nikiforov, atritando seu próprio membro contra o estomago do outro, em busca de alivio.

— Terei complacência de seu estado atual, querido. Far-lhe-ei alcançar o clímax divino, então, seja um bom menino e, em hipótese alguma toque-se, ouviu bem? — assentiu, sentindo cada vez mais seu baixo-ventre fisgar.

Deixou beijos molhados pelo pescoço marcado, subindo até a boca, onde apoderou-se da língua vermelha de Yuuri, sugando-a, recebendo gemidos sôfregos como recompensa. Yuuri choramingou, pressionando o quadril de Viktor contra o seu. As enterradas eram fortes e a próstata do mesmo era surrada despudoradamente; Katsuki apenas deixou sua cabeça cair para trás, sentindo seu orgasmo bater à porta, jorrando seu sêmen entre os dois. Viktor estocou incessantemente por longos minutos, gozando jatos intensos no interior de Yuuri, pendendo uma cabeça na curvatura do pescoço do moreno. Havia sido intenso de uma forma onde palavras não seriam o bastante para descrever o quão satisfeito estava. Sentia-se mole, o orgasmo tirou-lhe todas as forças, podendo apenas rolar para o lado, fitando o teto, enquanto os dois, ofegantes, deixavam suas mentes voltarem a sanidade novamente. 

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Sakura: Significa "cerejeira" em japonês.

Harumaki: Significa "bolinho de arroz" em japonês.

Kyoho: É uma variedade sazonal de uva originária do Japão.

Lyutsifer: Lúcifer em russo.

MÚSICAS DO CAPÍTULO (em sua respectiva ordem) :

Não toque em mimSpirit

Estou aquiPlaneta do Tesouro

Notas finais
https://www.youtube.com/playlist?list=PLA7dlmsWJdlePiFA105ogLk0MDmlsBSCF