Um caminho de Rosas

1 Capítulo 1 - O Jardim


Notas iniciais
Albafica voltava de sua missão quando encontrou algo que jamais esperava.

Albafica de Peixes, o Alba de seu nome se origina da variação feminina da palavra Albus, do grego antigo Branco e é inspirado em um tipo de Rosa europeia chamada Rosa Alba, cujo cultivo data da época do império romano. Conhecido como o mais belo entre todos os cavaleiros e o mais gentil. Entretanto o jovem Albafica carregava consigo o legado da Casa de Peixes... A solidão. Era tão letal quanto belo, pois carregava em seu sangue um elo que unia ele a seu mestre e por consequência a todos os outros antecessores seus, o Elo Carmesim, que fazia de seu sangue um potente veneno, o privando assim de estar com as pessoas, fazendo de sua vida algo vazio e solitário, tudo isso para lutar pela Deusa que ele tanto venerava e continuar o legado de seu mestre, que havia falecido pelo sangue venenoso do jovem.

Depois disso ele se isolou, seguiu seu caminho solitário por entre as rosas, pois temia que pudesse machucar mais alguém. Até mesmo o toque dos outros cavaleiros ele evitava, deixando apenas ao seu redor aquelas rosas tão venenosas quanto ele. Noites e mais noites enquanto estava no santuário ele se pegava olhando aquele enorme jardim, repleto de rosas vermelhas, rubras como o sangue e se perguntava que destino era esse que ele havia escolhido, mas algo dentro de sua alma era reconfortado pela visão da doce Deusa Athena e então uma vez mais ele seguia para seu solitário caminho como guardião da décima segunda casa do zodíaco. Mas o jovem defensor de Athena não imaginava como sua vida mudaria.

Aquela noite parecia uma como outra qualquer no santuário, a lua estava alta no céu, cheia e imponente. Ela iluminava todo o caminho do belo e solitário cavaleiro que chegava de mais uma missão. Estava trajando vestes comuns e em suas costas trazia a caixa de pandora com sua armadura dentro. Em seu rosto havia pequenos machucados, resultados da ultima batalha. Ele caminhava em direção à casa de peixes como se não tivesse pressa em chegar, contava seus passos e durante a subida ele aproveitava para admirar a beleza do Santuário naqueles tempos de paz banhado pela luz da imponente lua que estava ao céu.

Depois de um tempo de caminhada ele parou a frente da imponente Casa de Peixes, a última barreira para quem quisesse chegar até Athena, ele suspirou, seus cabelos tremulava com o vento, ele passava a mão tentando tirar os fios azulados de seu rosto e pensava em seu mestre que era como um pai para ele, mas que no final de tudo, havia o deixado sozinho e com um fardo grande e pesado. Imerso em sua tristeza ele então optou por ir até o tumulo de seu mestre, fazia algum tempo que não ia lá, seria bom pra ele e talvez reconfortasse um pouco mais a alma do jovem Cavaleiro de Peixes.

Mas para chegar até o túmulo de seu mestre precisava antes passar pelo jardim de rosas demoníacas, ele colocou as mãos no bolso e começou a caminhar da mesma forma de antes, contado os passos e olhando a lua, antes de continuar deu uma última olhada no santuário, de onde estava a vista era linda, observou as casas abaixo da sua e sabia que em algumas delas seus amigos estariam descansando ou conversando com sues discípulos, outros estariam em missão como ele estava, deu sorriso amarelo para si mesmo por tais pensamentos e continuou em seu caminho.

O jovem Albafica parou diante do imponente jardim e lançou seu olhar sereno sobre as rosas, o vento que estava um pouco mais forte naquele momento faziam algumas pétalas voarem e ele ficou por alguns segundos parado, apenas observando a cena, quando seus olhos azuis vibrantes de arregalaram de surpresa, seu olhar havia repousado sobre uma menina caída entre as rosas e provavelmente morta, pois o veneno ali era mortal. Ele rapidamente entrou no jardim e caminhou com pressa para chegar até a garota. Uma menininha pra falar a verdade, não deveria ter mais que 10 anos de idade, sentiu muita tristeza em ver uma jovem vida ceifada daquela forma, mas também se perguntava como ela havia chegado ate ali?

A menina tinha os cabelos loiros, dourados e faziam grandes cachos, eram compridos e estavam espalhados pelo chão como um tapete, sua pele era branca, sua bochechas levemente rosadas, era pequena e magrinha. Parecia uma pequena princesa repousando em uma cama de rosas, ele ficou ali olhando aquela bela criança e pensava como um anjo desses poderia ter sua vida ceifada? A beleza da menina era tanta que prendeu a atenção do cavaleiro, ele ficou ali por instantes apenas observando e admirando a cena, ela ficava tão linda entre as rosas como se tivesse nascido para estar ali.

O cavaleiro de peixes caminhou para mais próximo da menina e lançou seu olhar sobre ela mais uma vez e falando suavemente:

─ Ah pequena... Como veio parar aqui? Essas rosas não poupam ninguém, nem mesmo um anjo como você. A única coisa que posso fazer por você agora é lhe dar um lugar para seu descanso eterno.

Gentilmente ele se abaixou e com todo cuidado e carinho a pegou nos braços, era leve como uma pluma, olhando mais de perto pode notar os machucados que ela tinha que por sinal eram muitos. Parecia que ela havia sofrido muito antes de chegar ali, seus pulsos pareciam ter sido amarrados, além de vários hematomas pelos braços e pernas. Aquilo deixou o jovem um tanto quanto irritado, como alguém poderia machucar uma criança como aquela? Ele a olhou em seus braços admirado por tamanha beleza e serenidade, pois o semblante da menina era de quem apenas descansava.

Ele não entendia, mas alguma coisa prendia seu olhar a figura dela sem parar, no fundo de alguma forma aquela menina tão pequena havia chegado ao coração do jovem cavaleiro. Ele então levou sua delicada mão até o rosto da menina, passando suavemente seus dedos pela face dela, contemplando aquela criança, mas para a surpresa dele a menina suavemente abriu seus olhos, como se tivesse sido despertada em um passe de mágica, ele então pode ver seus olhos verdes como esmeraldas fintando os azuis dele, ela deu um suspiro ao vê-lo e sorriu, logo em seguida fechou seus olhos novamente e voltou ao seu sono.

Albafica ficou sem reação, arqueou a sobrancelha surpreso e ficou ali parado com a menina no colo em meio às rosas, o vento levantava algumas pétalas de rosas que caiam sobre eles, a menina então estava viva e ele não sabia o que fazer com ela. Mas como podia estar viva ali no jardim? Nos braços dele? Ela dormia como um anjo, então em sua mente vieram lembranças de seu mestre, lembranças dele mesmo, afinal seu mestre o havia encontrado no jardim quando ainda era um bebe. Ele olhava a menina em seus braços e tentava achar uma solução, mas seu coração por algum motivo parecia querer estar com ela, cuidar dela, era tão pequena e indefesa, ele levou a mão mais uma vez ao rosto dela e falou baixo para não acorda-la:

─ Eu cuidarei de você essa noite pequena, amanhã decido o que for melhor pra você.

Ele a envolveu com seus braços e a levou para sua casa, durante todo o caminho ele a olhava, estava um tanto quanto confuso e perdido, mas algo dentro dele dizia que ele precisava cuidar dela, mas a duvida tomava conta de sua mente, pois não sabia como fazer isso e além do mais ele era um homem e ela uma menina, como ele cuidaria de uma menina? A solução seria deixa-la sozinha ou em um orfanato? Essa opção pareceu triste demais para o nobre cavaleiro. Ele olhava o céu tentando achar uma solução, mas essa parecia estar bem longe dele.

Ele deixou a menina em sua cama, depois colocou sua armadura ao lado, por algum tempo ficou preso a figura dela dormindo, ele passava a mão pelos cabelos dela e depois manteve seus braços cruzados, sua cabeça estava confusa e distante, o que fazer nessa situação? Ele caminhou até um pequeno armário onde pegou panos limpos, um pouco de água, sentou-se ao lado da menina na cama e aos poucos foi limpando os machucados dela. A pobrezinha parecia ter sofrido muito, pois dormia pesado e mesmo Albafica limpando seus machucados ela não acordava, apenas fazia algumas caretas, abria um poucos os olhos e dormia novamente. Ele era extremamente cuidadoso e suas mãos a tocavam de maneira leve e gentil. Quando terminou continuou da mesma forma absorvido por seus pensamentos.

Porém passos quebraram a meditação de Albafica, rapidamente ele se levantou e foi ver de quem se tratava e se deparou com a figura de Dégel, o Cavaleiro de Aquário. Ele trajava sua armadura e parou a frente de Albafica, o olhou com olhos curiosos e logo falava:

─ Vi quando você chegou Albafica. Está tudo bem?

O aquariano perguntava um tanto quanto curioso. Albafica por sua vez desviou seu olhar do dele e respondeu um tanto breve:

─ Sim. Está tudo bem. Preciso apenas descansar.

Dégel olhou o jovem pisciano e logo percebeu que ele estava estranho, não que Albafica fosse de falar muito, mas sua voz estava um tanto quanto hesitante. O cavaleiro de Aquário voltou a indagar:

─ Que bom... Porém sinto que algo lhe perturba. Não quer me dizer o que é?

Albafica lançou seu olhar a ele, pensou em nada dizer sobre a menina, porém Dégel seria um bom conselheiro e o jovem cavaleiro sabia disso, ele então abaixou a cabeça e depois voltou a fintar o companheiro dizendo:

─ Olhe com seus próprios olhos... Talvez possa me ajudar.

Albafica então abriu a porta atrás dele e se afastou deixando a visão livre para o aquariano que avistou a menina sobre a cama do amigo. Ele ficou espantado e surpreso, ele voltou seu olhar para Albafica e perguntava:

─ Onde você achou essa menina? Ela está viva?

Sem perceber o pisciano sorriu e começou a falar:

─ Quando cheguei fui até o túmulo de meu mestre, quando passei pelo jardim ela estava caída entre as rosas. Pensei que estivesse morta, então iria enterra-la, mas quando a peguei nos braços ela abriu os olhos, só então percebi que estava viva, apesar de machucada.

Dégel sorriu ao notar a forma como Albafica falava, percebeu que seu amigo estava envolvido emocionalmente com a menina. Ele tirou seus óculos, ficou olhando a menina que dormia com um anjo e falou mesmo já sabendo a resposta:

─ Vai manda-la para o orfanato amanhã cedo?

Albafica lançou seu olhar para a menina, as palavras de Dégel por algum motivo o incomodaram, seu coração se apertou ao pensar em mandar a menina para longe, ele abaixou a cabeça e sem olhar o amigo respondeu:

─ Eu ainda não sei. Era o que eu deveria fazer, mas não sei se farei isso. Ela parece ter sofrido muito, talvez manda-la para um orfanato seja pior.

Dégel sabia que na verdade ele não queria se separar da menina, pois de alguma forma ela não era afetada pelo veneno dele. Mais que isso talvez, ele poderia cuidar dela, fazer por ela o que o mestre dele fez por ele. Albafica não queria admitir, mas já havia feito sua escolha, talvez estivesse com medo do que os outros fossem pensar ou se ele era capaz de fazer isso, mas ele sabia dentro de si que ela estava no destino dele, ele olhou para Dégel e depois para a menina. O cavaleiro de aquário por sua vez levantou a mão virando-se em direção a porta, iria dar um tapinha de leve no ombro de Albafica, mas ele recuou, como sempre fazia com os que tentavam toca-lo, Dégel riu e falou colocando o óculos no rosto novamente:

─ Você já tem sua resposta... Talvez ela venha a ser uma boa Amazona.

O Cavaleiro de Aquário saia enquanto Albafica ficou parado por algum instantes olhando a menina em sua cama que agora parecia ter um sono agitado, ele caminhou ate próximo a cama e sentou-se ao lado dela, passou mão pelo seu rosto e aos poucos a menina voltou ao sono tranquilo de antes. Havia pouco tempo que estava com ela, mas algo dentro dele dizia que ele devia cuidar dela e era reconfortante para ele toca-la sem sentir medo, ele continuou a acalentar o sono da menina e sem medo ele passava sua mão pelo rosto dela de uma forma fraternal, quase de um pai para com uma filha. Ele então desceu seus lábios até a bochechas rosadas da menina dando – lhe um suave beijo e depois falou:

─ Dégel tem razão... Você será uma boa amazona minha pequena. Cuidarei de você para que nunca mais fique sozinha, assim como não estarei mais.

Ele puxou uma cadeira e ficou por toda noite velando o sono da menina, enquanto em seus pensamentos agradecia a Athena por tê-la colocado em seu caminho, a sua pequena rosa que ele cuidaria com carinho, como o Rugonis havia cuidado dele.

Notas finais
Bom.. esse foi o primeiro capítulo da minha primeira história, espero que gostem ^^