Um anjo e um Winchester

13 Capítulo 13 - A origem de Katrina


Notas iniciais
Uhuuuu e no dia certo acho eu! Espero que gostem, e lembrem-se que adoro ler a opinião de vcs então deixem um comentário se quiserem e até

KATRINA

– Existe apenas você e mais um no mundo – Ele continuou – No entanto, a outra que existe é uma mistura de anjo com humano, não é, nem de perto, tão perigosa.

Olhei para o chão, não sabia o que pensar, se anjos eram irreais a mistura deles com outros seres, era ainda mais inacreditável, no entanto, as palavras dele eram sinceras. Não tinha porquê ele mentir, ele estava ali para me ajudar, se não estivesse já teria me matado, afinal foi a primeira coisa que ele disse, que havia alguém querendo minha vida. E essa era minha maior preocupação.

– Não vou te contar sua história – Disse ele – Espero que se lembre disso logo...

– Eu devia me lembrar agora? – Perguntei – Depois de você me dizer o que sou?

– Eu não sei – Ele falou se recostando no carro – Nem sei como você perdeu sua memória...Castiel não me contou isso.

– Quem é esse Castiel? – Perguntei recordando da minha lembrança – Eu o vi em uma visão, quando li um livro da bruxa.

– É um anjo protetor – Balthazar explicou – Deus o mandou para te ajudar, segundo Metatron, então ele estava te acompanhando em seu passeio até o reino do divino.

Apesar de ser um anjo, Balthazar não parecia concordar muito com o que eles faziam, muito menos com o que comandavam. Ele estava completamente inerte a situação, parecia querer me ajudar por amizade e não por obrigação, não soube dizer se estava bem ou não por isso.

– O que faremos agora? – Perguntei.

– Estamos esperando algumas pessoas – Ele disse, estava apreensivo agora, bem mais do que quando chegamos – Só eles podem realmente te ajudar.

Ficamos esperando algumas horas, eu já tinha noção que Bobby iria sentir minha falta logo que acordasse, mas no momento eu precisava mais destas respostas do que dele, e como Balthazar havia dito, eu não poderia trazes ninguém, ainda mais um caçador. Não houve menção de aparecer qualquer outra pessoa ali até o amanhecer e Balthazar por sua vez não falava nada, parecia estar pensando em um mundo muito distante dali e foi quando eu pensei em falar com ele que me senti cair e de repente estava em um quarto completamente branco e extremamente iluminado.

Eu me segurei por impulso na cadeira que cai em cima, era uma cadeira giratória branca como a sala e bem confortável na verdade. Mesmo estando meio tonta consegui olhar para frente e focar em uma mulher que estava ali, ela usava um terno cinza e o cabelo preso com força, tinha um jeito meio assustador. Ela me olhava com curiosidade e parecia não gostar muito da minha presença ali, então apenas a encarei esperando que ela se pronunciasse. E ela o fez.

– Olá – Ela falou dando um largo sorriso que ao invés de me acalmar, me assustou ainda mais e por isso apenas acenei e não disse nada – Me chamo Naomi.

– Katrina – Disse educadamente.

– Sei quem você é Nephilim – Ela falou, tentando ser educada, mas me deixando um pouco incomodada com a conversa – Apenas estarei te avisando que não tenho como fazer sua memória voltar completamente, então apenas avisarei algumas coisas.

Naomi estalou os dedos e senti o cenário mudar, com a queda novamente, me assustei, mas desse vez não fora com tanta força. O lugar em que caímos me trouxe dor de cabeça, eu já tinha estado ali. Era um jardim florido, tão belo quanto o dia mais perfeito da primavera, o céu límpido e as flores maravilhosas, um homem olhava para o céu contente e por isso soube que ali era seu paraíso, essa concepção de paraíso e inferno estava retornando lentamente a minha mente, talvez devida a vinda para este lugar. Isso significava que a mulher, Naomi era um dos anjos.

– Como você sabe, é uma mistura de demônio e anjo – Ela começou e andou naquele lugar – Havia algumas pessoas atrás de você, já foram tomadas as providências para que esse busca assassina seja parada imediatamente, a ordem do Senhor é de que você seja protegida, como você viveu no inferno até agora é obvio que o lado demoníaco já está bem acostumado com a sua proteção, e nós teremos que nos adaptar. Você tem várias missões a cumprir e aos poucos se lembrará delas e as fará.

Enquanto andávamos percebi que algumas pessoas vestidas de ternos pretos e camisas brancas apareciam em meio as folhagens para me observar, outros anjos que estavam curiosos com a minha presença. Aquilo me deixou constrangida, abracei meu corpo e olhei para o chão, prestando atenção apenas na voz de Naomi.

– Sendo assim, terá de ir até seu quarto para pegar as coisas que precisar, ok? – Ela falou, e eu apenas sacudi a cabeça assentindo –Ótimo! Então pode ir?

Ela abriu uma porta no meio do nada, que dava para um buraco escuro, ela olhou para mim, sorrindo e apontou para que eu pulasse ali.

– E Balthazar? – Perguntei preocupada.

– Ele foi embora – Ela disse irritada – Ele é um anjo caído, não tem nada conosco...

Sem perguntar mais nada me joguei na escuridão, era mais confortável que ficar do lado daquela mulher.

***

Quando senti meus pés tocarem no chão consegui olhar claramente o que havia em volta, estava em um quarto com parede vermelho vivo e uma janela com cortina preta fechada, sem vista para o que havia do outro lado. Uma cama branca ao meu lado direito e um espelho ao lado esquerdo, na minha frente um piano de cauda bem aleatório. Andei lentamente para frente, em direção a cortina, ali havia um candelabro de três velas acessas e não era o único do quarto, atrás de mim, havia uma porta preta que eu não tinha percebido, pois não tinha entrado por ali, mas a cada lado dela havia um candelabro com algumas velinhas, estas estavam apagadas.

Apaguei as velas com um sopro e retirei o candelabro e o coloquei no chão, empurrei o móvel que o acomodava e segurei a cortina na intenção de abri-la, mas hesitei por um momento, com medo de algo que não sabia definir. Engoli em seco e abri a janela, no mesmo momento me arrependi, era a imagem do inferno, literalmente, pessoas sofriam atormentadas em seus próprios pensamentos se machucavam por vontade própria e gritavam com toda a força que tinham em suas cordas vocais que ao incomodar o torturador eram cortadas. Um deles sentiu minha presença ali e olhou diretamente para meus olhos.

– Alastair...- Disse sabendo que era seu nome. Quando ele veio em minha direção fechei a cortina rapidamente e me agachei na parede da janela.

Senti o ar acabar dos meus pulmões e um palpitação incômoda no coração, comecei a respirar com dificuldade, e coloquei a mão no peito esperando que qualquer coisa melhorasse, quando tudo começou a ficar preto senti uma mão nas minhas costas e uma voz falando para que eu tivesse calma. Apesar de seu pedido o toque dele me fez gelar, mais pela situação do que pelo ato em si, por isso corri para longe daquilo e me encolhi em um canto da parede olhando fixamente para o que tinha falado comigo. Ali havia um homem baixinho, não parecia perigoso, tinha cabelo castanho e vestia uma roupa clássica inteira preta. Olhou para mim espantado por eu ter fugido e simplesmente jogou os braços para cima inconformado, e do nada, começou a arrumar o quarto.

– Eu mereço isso – Ele disse – Você some por dois anos no inferno, e quando eu te vejo parece frágil como vidro. Fiz 25 pactos hoje! Tenha pena de mim Katrina – Ele organizava o candelabro que eu tinha acabado de colocar no chão.

Fiquei o encarando por algum tempo sem reação alguma quando ele percebeu que eu realmente não sabia o que dizer e começou a me encarar também. Até que eu falei:

– Quem é você?

Ele soltou uma longa gargalhada, jogando a cabeça atrás e só parando quando viu minha seriedade.

– Não está falando sério, está? – Ele perguntou incomodado.

– Estou – Respondi curta e grossamente.

–Trina – Ele disse, fiquei espantado ao ouvir ele dizer meu apelido, apesar de ele já ter dito meu nome antes – Sou eu, Crowley...

– Não sei que é você – Insisti me levantando – Aparentemente eu perdi toda a minha memória.

– Foram aqueles Anjos malditos, não?! – Crowley gritou indo na minha direção e meio que analisando tudo em mim, checando se eu estava bem.

– OH! Pera aí! – Falei me afastando dele – Eu realmente quero saber quem é você e o que é você, porque obviamente não é humano, nem um anjo...

– Ah – Ele falou, era um cara extremamente — Sou um demônio, chefe das encruzilhadas... blá blá blá...

– Demônio – Falei lembrando do emprego de John — Tá...

– Andou com caçadores? – Ele perguntou me surpreendendo.

– É problema seu? – Respondi grossamente.

– Querida – Ele falou se aproximando de mim – Eu sou mais próximo de você do que você imagina.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa ele colocou a mão na minha testa e me senti caindo, como foi quando minhas memórias voltaram, e foi exatamente isso que aconteceu. Tudo veio como uma bala as imagens do meu passado, a visão que eu já tivera completava-se e toda a memória perdida voltava rápido demais, e era coisa demais, coisas de séculos e séculos, tempos passados e figuras inacreditáveis.

“- Lúcifer! Deixei-a sair – Gritava Gabriel.

– Ela não é parte de seu mundo e sim do meu! – Respondeu ele.”

Eram as frases mais marcantes, mas cada vez mais memórias vinham, a maior parte envolvia o quarto que eu estava. Meu quarto, localizado em uma cúpula no inferno, onde eu vivia trancada devida a minha situação de origem. Quando tudo voltou, eu demorei para abrir os olhos novamente, estava ofegante e tensa, mas Crowley me observava. Era incrível como ele se preocupava, mesmo sendo o demônio das encruzilhadas.

– Uou – Exclamei tonta e me sentando.

– Voltou? – Crowley perguntou – Ou continua imbecil.

– Vai se fuder – Eu respondi levantando.

Crowley e eu éramos amigos, há milhares de anos, ele me ajudava a sair do inferno quando eu queria e estava furioso por que eu tinha tentado fugir.

– Vai continuar na sua tosca tentativa de ir embora? – Ele perguntou.

– Eu não aguento mais esse lugar e você sabe – Falei o ignorando e pegando algumas coisas no quarto – Preciso ver meu pai.

– Por que? – Ele perguntou não acreditando – Você não vê Lúcifer há séculos.

– Exatamente – Respondi e apenas o observei.

Eu era filha do Rei do Inferno, o maldito anjo caído de Deus