Um amor perdido
12 Capítulo 13
Notas iniciais
Decidi que preciso sair daqui, colocar minha mente no lugar. Liguei pra minha mãe e disse a ela que iria mais cedo para lá. Sexta à noite. Arrumei minha mala e parti rumo à fazenda da minha mãe no interior. O carro estava silencioso, meu pai parecia focado na estrada. Até que ele pergunta — Por que você está indo para sua mãe tão cedo essa semana?
–Por nada, só sinto falta de lá.
–Tudo bem então.
A hora restante de viagem passa se arrastando, um silêncio fantasmagórico dentro do carro, um clima tenso, pesado. Estou começando a me sentir sufocado aqui dentro. Minha claustrofobia não ajuda muito, quando fico nervoso, tudo parece ficar menor e eu começo a ficar sem ar. Basicamente, isso é o que acontece com um claustrofóbico. Peço para meu pai parar o carro um pouco para eu poder respirar. Mas logo, vejo que chegamos à cidade da minha mãe. Aqui me sinto mais bem vindo, todos sempre me cumprimentam e param para conversar comigo. Aqui sempre foi um lugar com pessoas amigáveis e muito bem educadas, sempre foi aconchegante vir para cá.
Chego à casa da minha mãe. Ela me recebe com um beijo e um abraço longo. Finalmente estou em casa.
–Que saudades de você, meu filho. Há muito tempo você não vinha aqui.
–Senti saudades de você também, mãe.
Minha mãe fica me olhando fixamente, parece que ela sabe que tem algo errado.
–O que houve meu filho?- Ela pergunta com uma expressão curiosa.
–Nada não. – Respondo olhando para o nada.
–Quem é ela?
Fico surpreso por eu não ter falado nada e ela já saber o que está acontecendo.
–Sim, eu sei que se trata de uma garota.
–Ah... Ela é uma garota de lá do colégio.
–Qual o nome dela?
–Christina.
–O que ela fez com você?
–Nada não.
–Me diz logo!
–Ela me recusou, em público.
–Como assim?
–A gente já estava meio que juntos há um tempo, então eu decidi que iria pedi-la em namoro. Mas quando eu fiz isso ela disse que precisava de um tempo. E a gente não se fala desde então e eu decidi vir para cá.
Ela ficou em silêncio por algum tempo. Apenas olhando fixamente dentro dos meus olhos.
–Olha filho, ela só está confusa. Ela vai procurar você em breve para tentar falar com você e vai querer consertar tudo. Mas cabe a você aceitar isso ou não. Agora, só aproveita o fim de semana com seus amigos aqui. Nenhum deles quer te ver assim, pra baixo. Acomoda-se no seu quarto e vai chamar seus amigos logo.
Levanto e vou em direção ao meu quarto. Quando chego, coloco minha mala e mochila ao lado da cama e me jogo no colchão, ele nunca pareceu tão confortável.
Pego meu celular pra guardá-lo. Quase não uso meu celular nos fins de semana. Acedo a tela para ver as horas e vejo que tem uma mensagem. Quando abro, leio: “Não precisa me responder se não quiser, não precisa nem mais falar comigo, mas eu realmente queria me encontrar com você para conversar e tentar resolver o que eu te fiz, juro que não foi minha intenção... Beijos, Christina”.
Leio a mensagem várias vezes. Fico pensando se devo responder ou não. Até que me decido. Jogo o celular dentro da gaveta, sem digitar uma palavra sequer.
...
Fale com o autor