Um amor perdido
13 Capítulo 14
Notas iniciais
Saio do meu quarto e chego à cozinha, minha mãe fica olhando minha expressão. –E então, resolveu?- Minha mãe pergunta como se já soubesse o que eu tinha feito.
–Por acaso a senhora instalou alguma câmera no meu quarto?
–Não. Por quê?
–Nada. Nada. Enfim, resolvi sim. Decidi esfriar um pouco a cabeça pra resolver melhor o que fazer.
–Sabia que você ia fazer a coisa certa.
–Sim, depois falo com ela. Quando eu tiver pensado melhor, de cabeça fria.
–Esse é meu filho.
–Enquanto isso, eu vou aqui ao lado comprar umas coisas. Já volto.
–Ok. A janta vai demorar pra sair então fique o tempo que precisar. Achei que você só viria amanhã, no sábado.
Saio de casa e vou em direção à loja de materiais para veículos. Aos fins de semana, sempre tem uma corrida de quadriciclos por aqui. E eu sempre participo. Mas na última corrida da qual participei, tive um pequeno acidente e danifiquei um pouco o meu quadriciclo. Então, tenho que consertá-lo logo para poder participar.
Cheguei à loja. Quando entrei não acreditei, até que ela se virou e sorriu pra mim. Ana. A gente cresceu junto. Desde os doze anos eu tenho uma queda por ela, mas, o estranho, é que acabei de perceber que não senti nada. Nem meu coração acelerando, diferente de todas as outras vezes que a via. E nem um pouco de nervosismo.
Ela se aproximou e me abraçou.
–Leo! Que saudades de você! Muito tempo que não vem aqui.
–Escola nova, pessoas novas, mesmo estresse.
–Entendi. Só não faça mais isso. As corridas não são as mesmas sem você.
Desde os 13 anos, Ana e eu corremos em equipes diferentes. Sempre tivemos um espírito competitivo.
–Relaxa. Hoje eu estou aqui. E hoje mesmo já vou participar da corrida.
–Ótimo. Sem você aqui as corridas estavam fáceis demais. Mas, se for como da última vez, não vai mudar muita coisa.
Já peguei tudo o que eu precisava. Cheguei ao caixa e paguei minhas compras.
–Estou sentindo que hoje não vai ser como da última vez.
–Também estou. Você está diferente, Léo.
–Como assim?
–Não sei. Só sinto que algo mudou em você.
–Hm... Estranho... Talvez eu realmente tenha mudado. – Digo isso enquanto saio pela porta da frente.
–Léo?
Parei pouco antes de fechar a porta. – Sim.
–Te vejo na corrida. Ou antes.
...
Saí da loja andando um pouco rápido para casa, pensando no que ela quis dizer com: “Ou antes.”. Tá, eu não deveria estar pirando com isso nem nada, mas o jeito que ela falou foi estranho, sua voz mudou, parecia mais suave, mais doce, como se ela pretendesse algo. Mas não posso ficar me concentrando nisso agora. Preciso me focar no que tenho que fazer.
Chego a casa e ouço uma voz familiar, mas estranhamente não me lembro de ouvir essa voz antes por aqui. Quando adentro a sala, levo um susto muito grande.
–Christina? O que faz aqui?
–Leo, me desculpe. Eu só precisava conversar urgente com você. Mandei mensagem, mas você não respondeu. Falei com seu pai e ele me deu o endereço da casa da sua mãe.
–Desculpa não ter respondido. Não costumo usar meu celular nos fins de semana que estou aqui.
Minha mãe me interrompe. –Filho, acho que você deve subir e ouvir o que ela tem a dizer.
–Tudo bem. – Respondo. – Vamos subir então?
Subimos para o meu quarto. Sentei-me na cama e fiquei observando Christina entrar e fechar a porta. Em outra ocasião, eu estaria muito feliz com essa cena. Acho que me perdi por um tempo pensando nessa certa “ocasião”, por que quando voltei a si, Christina estava acenando na frente do meu rosto e me chamando.
–Desculpa, acabei me distraindo aqui.
–Ah... Tudo bem
–Enfim, o que você queria falar comigo?
–Eu só queria conversar sobre o que aconteceu aquele dia.
Minha mente se fechou na mesma hora. Achei que tinha conseguido esquecer aquilo, até agora.
–Naquele dia eu estava mal, não que eu não quisesse, mas acho que naquela hora eu não estava pronta e veio muito de repente.
Ainda meio distraído lembrei-me do que aconteceu naquele dia.
–Tudo bem. Vamos só esquecer aquele dia.
–Então você me perdoa?
–Claro.
–Eu fiquei sabendo que você vai participar de uma competição. É sério?
–É sim, se quiser ir, vai começar às nove da noite na entrada da trilha no limite da cidade.
–Eu vou estar lá, então.
–Por falar nisso, eu tenho que resolver alguns problemas ainda.
Quando vou me despedir de Christina, ela me prende num beijo, um beijo quente, longo, interminável. Acho que não vou levantar daqui por um tempo.
...
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