Um amor maior
46 Capitulo 45 - Positivo
Notas iniciais
Às vinte horas o avião que trazia Jane e Maura aterrou em Boston, as duas pegaram as malas na passadeira rolante, fizeram check out, apanharam um táxi que estava parado à frente do aeroporto e dirigiram-se a casa.
O táxi parou à porta de casa, descarregou as malas e as duas subiram os pequenos degraus que davam acesso à casa. Jane colocou a chave na porta e abriu-a, entrando pela casa a dentro carregando a sua mala. Maura seguia a morena, entrou e aspirou fundo, sentindo o aroma bom que a casa tinha.
— É tão bom voltar a casa. Já tinha saudades— murmurou a loira
— É… É bom viajar, mas não há nada melhor do que chegarmos a nossa casa, ao nosso cantinho…— respondeu a morena dando um sorriso na direção de Maura
Maura colocou as malas no chão e Jane repetiu o gesto, seguindo para o sofá para descansar durante uns segundos.
— Finalmente— murmurou a loira ao sentar-se no sofá permitindo-se relaxar.
Maura olhou para a morena e mesmo sabendo que a morena estava cansada da viagem e que o que mais queria era tomar um duche e descansar, tal como ela, não conseguiu conter-se, morria de saudades de Fred, do seu abraço, do seu cheiro, do seu riso, das suas brincadeiras…
— Jane podemos ir buscar o Fred a casa da Ângela? Tenho tantas saudades dele.
— Sim — a morena abanou a cabeça em afirmativo – Mas em primeiro vamos colocar as malas no quarto e comer qualquer coisa.
— Ok… Leva as malas para o quarto que eu vou ver o que há para comer – falou a loira indo em direcção a cozinha.
Jane pegou as duas malas e subiu para o quarto, enquanto isso Maura vasculhou todos os armários e a única coisa que encontrou foi pão de forma, tomates, alface, carne assada que deduziu ter sido cozinhada por Ângela mais cedo e algumas frutas mais resistentes, melão, melancia e abacate.
Maura pegou quatro fatias de pão, colocou duas sobre dois pratos, laminou o tomate, colocando-o sobre as fatias de mão, pegou a carne assada e sobrepôs ao tomate, depois colocou alface e por cima colocou outra fatia de pão. Com o melão e com o abacate fez um sumo de frutas.
Quando Jane desceu Maura estava a sua espera sentada num banco junto à banca da cozinha.
— Humm, já temos o que comer — falou a morena sentando-se sobre o banco
— Aproveitei o que havia… Amanha temos de ir ás compras— concluiu a loira.
— Sim… e amanhã vais ligar para o médico Maura…
— Jane não é...— a loira foi interrompida por Jane
— É preciso sim Maur — a morena conhecia tão bem a loira que era capaz de antecipar os seus pensamentos e as suas palavras— Nós combinamos. Vamos ter de nos chatear por causa disso Maura?
— Mas… Tudo bem, mas eu tenho a certeza que foi circunstancial – mesmo contrariada a loira acabou por ceder, sabia como Jane era teimosa e não queria discutir com ela por causa disso.
— Assim está bem… agora come!
As duas acabaram de comer e foram de carro até casa de Ângela, quando chegaram ao apartamento foram recebidas por Fred que praticamente fez um festa quando as viu, correu em direcção a elas, saltou para o colo de Jane e puxou as duas para um abraço apertado.
— Tive muitas saudades vossas— falou o menino, enquanto envolvia o pescoço das duas.
— Fred não apertes tanto o nosso pescoço filho, assim vamos…— tossiu Jane em brincadeira como que a dizer que estava a ser sufocada pelos braços do menino no seu pescoço.
— Jane – a loira resmungou em desaprovação, mas Fred gargalhava com as caretas que a morena fazia— Nós também tivemos muitas saudades tuas Fred – falou a loira afagando as costas do menino.
—Trouxeram um presente para mim?
— O que é que achas?— falou a loira num tom carinhoso como que a dizer “achas que nos esquecíamos de trazer?” mas foi interrompida por Jane.
— Só se te portaste bem?
— Eu portei, eu portei, eu portei… — falou repetidamente o menino balançando o corpo no colo de Jane – O que é, o que é?— questionou de forma empolgada
— Está em casa, depois vez— respondeu a loira
— Agora vai brincar mais um pouquinho – falou a morena colocando o menino no chão e dando-lhe uma palmadinha no rabo — Que eu e a mamã Maura vamos falar um pouquinho com a vó Ângela.
O menino correu em direcção ao centro da sala e pegou alguns carrinhos— bruummm brummmm piii piiiiii – imitava ele conduzindo com a mão a miniatura.
Jane e Maura dirigiram-se a Ângela que já as esperava de braços abertos. As duas fitaram a mulher e num abraço único envolveram a mulher mais velha por alguns segundos e depois depositaram cada um beijo na face da mulher.
— Também senti a vossa falta meninas— falou a mulher mais velha quando se soltaram do abraço.
— Ohhh, Angela, nós tambem sentimos a sua falta – murmurou a loira dando um sorriso à mulher à sua frente
— Como correu a viagem? Gostaram do meu país?
— Muito bem ma Itália é linda, mas aqui a doutora Isles pregou-me um tremendo susto.
— Como assim? O que aconteceu meninas? — questionou a mulher mais velha erguendo a sobrancelha num sinal de preocupação.
— Não foi nada Ângela… – falou a loira lançando um olhar feroz sobre Jane
— Como nada Maur? Tu desmaiaste, tiveste febre… — falou a morena como reprimenda.
—Ok, mas já passou, eu já estou bem Jane, não precisas preocupar a tua mãe.
— Querida já paraste de fazer aquela dieta não já? – questionou a mulher mais velha. – Talvez o desmaio se deva a isso… — deu como sugestão a mulher.
— Sim Ângela já parei… Também não obtive o resultado que queria – falou a loira— Olhe aqui continuo na mesma – continuou pondo-se de perfil e pulsionando o vestido sobre a barriga.
— Realmente querida, estás tão magrinha mas a barriguita está ai!
— Pois é Ângela, estou farta de fazer exercícios, não como quase nada…Mas nada resulta – concluiu a loira dando um suspiro pesado de desilusão.
— Tens de ter paciencia querida, no fim do tratamento voltará tudo ao normal — falou a mulher dando um sorriso sincero para Maura
—É…Os tratamentos estão a deixaram-me mesmo derreada e ainda nem acabaram no fim...
— Qual é Maur, tu estás otima – falou a morena aproximando-se de Maura prendendo-a com um braço sobre a sua cintura e depositando-lhe um beijo estalado na bochecha.
— Obrigada amor – falou a loira olhando para Jane com um sorriso— mas ambas sabemos que não é verdade.
— Eu concordo com a minha filha, Maura
— Alguma vez teríamos de estar de acordo, não é dona Ângela? – falou a morena num tom irónico.
— Quantas meninas de vinte anos, não dariam tudo para ter um corpo como o teu – falou a mulher mais velha. Vendo Jane concordar abanando a cabeça.
— Talvez há um tempo atrás fosse verdade sim… O que me vai valendo é isso aqui – falou levantando a blusa para exibir a cinta que tinha em volta da barriga.
Entretanto Maura havia começado a usar cinta, para tentar alisar a barriga.
Maura sentia vergonha, tão magra, tão definida e depois com aquele pneu, aquela bola. Pior era ver que sempre que se pesava, ao inves de emagrecer devido à dieta e à alimentação regrada que tinha ainda engordava mais.
— Maur, já está tarde vamos andando?— falou a morena
— Por mim sim… — respondeu a loira
— Quando chegar à minha cama, acho que nem tenho tempo de aconchegar os cobertores— falou a morena denotando o cansaço que sentia. – Vamos filhão, está tarde!
Fred levantou-se, pegou nos carrinhos, colocou-os dentro da mochila e veio aos saltinhos em direcção a Jane e Maura que já o esperavam junto à porta da rua.
— Eu ainda posso ver o meu presente hoje, não posso? Vá lá vá lá vá lá — falou o menino de forma insistente.
— Se prometeres que depois vais dormir, se não terás de esperar até amanha— falou a morena
. ohhhh – resmungou o menino
—Amanhã terás todo o tempo para brincar com o novo brinquedo… Hoje a mamã Jane e a mamã estão muito cansadas.
— Tudo bem – o menino deu de ombros.
—Vai despedir-te da vó Ângela – Maura falou.
Rapidamente Fred atravessou a sala, passou os braços em torno da mulher e a apertou forte. Ângela levou as mãos até à face de Fred, uma de cada lado, inclinou a cabeça do menino na sua direcção e depositou um beijo na sua testa.
— Até amanha meu amor.
— Xau vó – falou o menino, voltando a juntar-se a Jane e Maura.
Os três dirigiram-se ao carro, Jane abriu as portas e entrou para o lugar do condutor e Maura colocou Fred na cadeirinha preso pelo cinto de segurança e sentou-se ao lado da morena. Pouco mais de dez minutos depois estavam em casa.
Jane estacionou o carro, Fred desapertou o cinto rapidamente e correu em direcção à porta de casa.
— Vamos mamãs despachem-se— falou o menino enquanto batia levemente na porta.
— Estamos a chegar Fred…
Maura abriu a porta e Fred quase atropelando-a entrou desalvoradamente pela casa a dentro, correndo em direção ao quarto de Jane e Maura, mas quando chegou e viu as malas fechadas ficou desalentado
— ohhhhhh— murmurou tristemente — Ainda estão fechadas.
— Se tivesses esperado, escusavas de ter-te cansado Fred— murmurou Jane ao ver o menino ofegante
— Eu pensava…— falou apontando as malas
— Andem ajudem-me a abrir a mala…
Jane e Fred carregaram a mala, colocaram-na em cima da cama e abriram-na. Maura tirou algumas roupas para o lado, organizadamente e encontrou um pacote fechado…
— Toma — falou estendendo o pacote em direcção a Fred.
— O que é?— questionou o menino com um sorriso em direcção ás duas mulheres.
— Não sei, tens de abrir para ver— respondeu Jane
Fred pegou o embrulho, rasgou o papel que o envolvia e sorriu ao ver o que tinha dentro do embrulho
— É um carro de policia— falou o menino de forma empolgada – Obrigado — falou o menino aproximando-se de Jane para lhe dar um abraço apertado e seguindo para Maura para fazer o mesmo gesto.
— Gostaste Fred?— questionou a morena
— Sim sim sim, eu adorei. – falou o menino com um enorme sorriso no rosto. Fred já se tinha ajoelhado no chão e imitava o som da sirene policia “Weee-oooo, weee-oooo, weee-oooo!" deslizando o carro com a mão de um lado para o outro.
— Foi a mama Maura que escolheu – falou Jane olhando para Maura com um sorriso como que a dizer “acertaste”
— Quando eu for da tua altura eu vou ser policial igual a ti— falou o menino erguendo a cabeça para fitar Jane. Ao ouvir aquelas palavras a morena sorriu, sempre sorria.
— Ainda precisas de crescer um bocadinho— falou
— Mas eu vou, e vou ser o melhor policial, todos os maus vão ter medo de mim.
— Tenho a certeza que vais Fred – falou Jane mexendo nos cabelos do menino que permanecia de joelhos no chão — Agora que já viste o presente… Vai lavar os dentes, fazer xixi e cama— falou Jane
— Mas…— tentou contrapor o menino
— O que é que nós combinamos Fred? – questionou a morena
— Amor, amanhã tens todo o dia pra brincar…— falou Maura de forma carinhosa
— Tudo bem – o menino baixou a cabeça fitando o chão, fechou a cara e saiu do quarto de Maura e Jane de forma emburrada.
Depois de fazerem a sua higiene pessoal e olharem Fred para ver se ele estava correctamente deitado e coberto, Jane e Maura foram deitar. Estavam tão cansadas da viagem que mal caíram na cama adormeceram logo, como sempre envolvidas nos braços uma da outra.
Depois de um domingo que aproveitaram para descansar da viagem, na segunda feira a rotina voltou ao normal, oito dias depois era hora de Jane retornar ao trabalho. A morena tinha de admitir, por mais que amasse passar momentos a sós com Maura, sentia falta do trabalho, falta de prender bandidos, falta de investigar, falta dos companheiros, de Korsak e Frost, kent… menos do doutor Pike, esse ela não se importava nada que viajasse para china só com bilhete de ida…. Sentia falta da correria e da adrenalina que tinha sempre que tinha um caso em mãos.
O relógio despertou fazendo Jane despertar, Jane abriu um olho devagar, tacteou o criado mudo à procura do despertador e desligou-o. Olhou para o lado e viu que Maura ainda dormia, levantou-se calmamente sem fazer barulho, dirigiu-se para o banheiro e tomou um banho, depois preparou-se e foi até ao quarto de Fred acordar o menino, ajudou-o a tomar banho e a vestir-se e desceram para a cozinha para tomar o café da manhã, Jane bebeu o seu café instantâneo e Fred comeu cereais com leite.
Jane colocou a mochila nas costas de Fred e subiu até ao quarto silenciosamente, aproximou-se da cama onda a loira dormia, inclinou-se sobre o corpo da loira e depositou um beijo sobre a sua cabeça.
— Amo-te— Jane sussurrou junto ao ouvido de Maura. Embora a loira estivesse a dormir, Jane poderia jurar que a tinha visto sorrir quando lhe disse aquela palavra junto ao ouvido.
A manhã passou rápido, era segunda-feira á tarde, Jane continuava no departamento embora não tivesse nenhum homicídio para resolver e Maura estava em casa, sentada no sofá a ver um documentário sobre…
Enjoos matinais, tonturas, desmaios, desejos…
A palavra GRAVIDEZ ecoou na sua cabeça como se um martelo estivesse a martelar cada uma das letras que compõe a palavra.
Todos os sintomas que eram descritos no documentário atingiam-na como uma flecha não poderia ser, podia?
Não não podia, concluiu Maura, ela não poderia estar grávida, era casada com uma mulher e por si só relações sexuais entre mulheres inviaviliza por completo a fecundação
— A fecundação é a fusão dos materiais dos núcleos de dois gâmetas, espermatozóide masculino e óvulo feminino, que dá lugar a formação de um zigoto, o embrião — pensou Maura para si.
Por outro lado a única vez que se envolveu num processo de fertilização ele havia dado negativo.
— Nenhum médico poderia enganar-se tanto. Poderia?!— continuou Maura nos seus pensamentos.
Mas todos os sintomas batiam certo, como aquilo nunca lhe havia passado pela cabeça, ela era médica e conhecia na teoria todos os sintomas, as suas possíveis causas e a combinação deles…
— Pode ser menopausa precoce— pensou Maura para si
Em casos como o de Maura é muito comum. Um dos efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia é a mudança no ciclo menstrual. Isso porque quando se impede o crescimento celular, pode-se afectar as células sadias, provocando uma falência prematura dos ovários. Cada pessoa reage de uma jeito! Os efeitos de menopausa, fazem-se sentir devido à queda brusca de hormonas no corpo.
Maura levantou-se do sofá, dirigiu-se ao banheiro que fica no quarto, abriu a gaveta do móvel e pegou num teste de gravidez que tinha guardado desde o tratamento de fertilização, há cinco meses e uma semana atrás.
Maura respirou fundo e fez o teste, esperou os minutos necessários olhou para o resultado
— Vou ter de fazer outro— pensou Maura para si — Este deve estar fora de validade, é obio que não estou grávida. — concluiu
Pegou no telefone e ligou para Ângela, a seguir a Jane, Ângela era a pessoa em quem mais confiava e a única com quem tinha abertura suficiente para pedir e falar sobre este assunto.
— Ângela, está na rua? – questionou a loira
— Sim minha filha precisas de alguma coisa?— questionou a mulher mais velha.
— Pode passar na farmácia e trazer-me um teste de gravidez?
—Tudo bem minha filha. Até já – conhecendo Maura como Ângela conhecia percebeu perfeitamente que não era altura de fazer perguntas. Maura sabia bem o que fazia e tudo o que fazia tinha uma explicação mesmo que para a maioria das pessoas fosse incompreensível para ela não era de certeza.
— Obrigada Ângela, fico à sua espera, até já – falou a loira desligando o telefone.
Alguns minutos depois Ângela chegou trazendo o teste. Maura subiu até ao banheiro, fez o novo teste, esperou os minutos necessários e olhou o resultado.
— Como é que é possível – falou para si — Novamente positivo. Só pode ter algum problema com este teste também…
Maura pegou no telemóvel e ligou para Jane, a quem nem sequer tinha dito nada, tão pouca era a importância que estava a dar ao assunto.
— Amor, quando voltares do trabalho, passas na farmácia e trazes-me um teste de gravidez, por favor? Fiz um à bocadinho e deu erro…
—Para que é que queres fazer um teste de gravidez Maura?— questionou a morena completamente a leste
— Acho que estou na menopausa precoce Jane
— E o que um teste de gravidez tem haver com a menopausa?
— Os sintomas são parecidos nos dois casos – a loira falou
—Tudo bem Maur, até já—falou a loira desligando o telefone de seguida.
A morena não tinha compreendido o pedido de Maura, mas não iria questiona-lo. Sabia como Maura andava frágil.
Eram cinco horas da tarde, o expediente tinha acabado, Jane saiu do departamento e dirigiu-se para casa, no caminho como Maura lhe havia pedido parou na farmácia.
Jane foi na mesma farmácia de sempre, que fica uma rua a baixo da sua casa, quando lá chegou foi atendida pela mesma senhora atenciosa de sempre.
— Boa tarde senhora Rousseau— falou Jane aproximando-se do balão de atendimento.
— Boa tarde Jane. O que vai desejar?— questionou a mulher
— Quero um teste de gravidez, se faz favor
— A Jane está grávida? — questionou a mulher baralhada
— Não não… Porque pergunta isso senhora Rousseau?— questionou a morena
— Esta tarde a senhora Ângela passou aqui e fez o mesmo pedido. — concluiu a mulher
— Ah foi? Não fazia ideia.
A mulher pegou o teste, colocou a embalagem dentro de um saquinho de papel e entregou-o a Jane, que saiu de seguida.
Jane chegou a casa entregou o teste a Maura e a loira subiu novamente ao quarto, fez o teste e esperou uns minutos. Quando olhou o resultado…
— Novamente positivo— concluiu
Naquele instante Jane bateu na porta do banheiro estranhou o facto de Maura estar fechada há largos minutos no banheiro.
— Posso entrar?— falou a morena batendo na porta
— Sim Jane – respondeu a loira
— Não me queres contar o que se passa Maur, eu ajudo-te? – falou a morena de forma carinhosa e compreensiva.
—Eu não sei Jane. Olha…— falou a loira entregando os três testes para as mãos de Jane
— Mas…— a morena não sabia o que dizer
— Eles só podem estar estragados— falou a loira – É impossível eu estar grávida Jane. Impossível. Vou ligar para a farmácia.
Maura foi até ao quarto, sentou-se na poltrona em frente à janela, discou o numero da farmácia e esperou que a atendessem.
— Boa tarde senhora Rousseau, daqui fala Maura Isles.
— Boa tarde doutora Isles poderei ajuda-la em alguma coisa? – questionou a mulher no seu registo habitual
— Esta tarde a minha sogra e a minha esposa, passaram ai e compraram dois testes de gravidez, será possível haver algum problema com o lote destes testes? Porque deram positivo. Ou será que estou a fazer alguma coisa errada?
— Doutora Isles, como sabe quando dá positivo é muito raro o resultado estar errado. – concluiu a farmacêutica.
— Não. Não. E impossível eu não estou gravida. Existe a possibilidade do lote ter algum problema? — insistiu Maura de forma nervosa.
— Acho muito improvável doutora. De certeza que não está grávida? – questionou a mulher
— De certeza. Absoluta!
A farmacêutica respondeu que iria averiguar mas sugeriu a Maura que fizesse uma análise sanguínea, para ficar completamente descansada.
Maura agradeceu e desligou o telefone
— Porque não? Ao menos fico com isto resolvido – pensou para si
— Maura o que é que estás a pensar? O que é que a farmacêutica disse? – questionou a morena que estava sentada sobre a cama fitando Maura atentamente.
— Disse que iria averiguar — respondeu a loira — Mas sugeriu-me que fizesse um teste de sangue.
— E isso que vais fazer não é Maur? Já amanha – falou a morena.
— É, quero ver-me livre disto. Vou marcar uma consulta
— Faz isso…

Maura pegou o telefone e ligou para a doutora Sarah, a administradora da clinica e que também era genecologista. Maura tinha aprendido a confiar em Sarah, e naquele momento não havia ninguem em quem se sentisse mais a vontade para partilhar aquele assunto que Sarah
— Boa noite doutora Sarah, desculpe incomoda-la a esta hora
— Não faz mal Maura. Qual o motivo da sua ligação? — questionou a ginecologista.
—Sera possível marcamos uma consulta e umas análises sanguíneas para amanha?
—Claro que sim… Tenho uma hora livre às onze horas. Passe na clínica amanhã. Posso saber qual é o motivo da análise Maura?
— Quero fazer um despiste de gravidez. Fiz três testes e deram positivos.
— Maura, sabe que não pode engravidar.
— Claro que não posso, a doutora conhece a minha vida… a Jane. E não estou! – respondeu a loira com a voz cheia de certezas.
— Sei – respondeu a doutora – Passa aqui as onze horas. Boa noite Maura, dá boa noite à Jane também.
— Boa noite Sarah.
Maura desligou o telefone, suspirou fundo, e jogou-se para trás no sofá. Jane olhava para a loira e via a expressão que ela tinha: Preocupa, assustada, insegura.
Jane levantou-se calmamente da cama, aproximou-se da poltrona de Maura, sentou-se ao seu lado colocou um braço sobre os ombros de Maura e puxou a loira para um abraço. Maura fechou os olhos e encostou a cabeça sobre o peito da morena.
— Jane— sussurrou a loira – Nunca mais vamos ter paz.
— Vai tudo correr bem Maura, depois logo se vê… Estamos juntas nunca te esqueças. – falou Jane dando um beijo sobre a cabeça da loira.
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