Um amor maior
42 Capitulo 41 - Fraquezas
Notas iniciais
Desde que tinha começado a fazer exercício, Maura não mais tinha parado, continuava a ir correr todos os dias no parque e a fazer o plano de treinos por inteiro, mesmo que nesta altura fosse um esforço violentíssimo para ela.
Cada vez mais ela notava os resultados dos exercícios no seu corpo, embora a barriguinha permanecesse intacta. Maura cada vez se esforçava mais para dar cabo dela, fazia mais abdominais e desde que a dieta liquida tinha acabado, passou praticamente a comer só saladas, inclusive ela e Jane já tinham tido alguns desentendimentos por causa disso, a morena não entendia a obsessão de Maura por perder a barriga, que na visão da morena nem era assim tão grande, podendo para isso prejudicar a sua recuperação que até agora estava a ser um sucesso. Maura já se tinha sentido mal algumas vezes pela falta de alimentação.
— Vais continuar a fazer isto Maur? Sabes que isto não te alimenta, precisas de mais— falou a morena num estado completamente alterado.
— Jane, mas eu preciso…— rebateu a loira – Vê como eu estou… Horrível.
— Precisas Maura?— falou Jane em protesto – Precisas de dar cabo da tua saúde pela minima barriga que tens? Não podes esperar até te recuperares totalmente, e depois ai fazes o que for preciso?
— Mas… — tentou falar a loira
— Não há mas Maura— interpelou Jane — Se queres dar cabo de ti, dá sozinha, eu não quero ver — falou Jane a esbracejar dirigindo-se à porta de casa.
— Jane onde vais?— questionou a loira – Amanha temos a viagem!
— Preciso de estar sozinha – falou batendo a porta de casa.
Ao ver a porta bater de forma estrondosa Maura enfraqueceu, as suas pernas começaram a tremer e a loira caiu no chão, as lágrimas escorriam pela cara. Maura ficou ali parada, sem forças para mover um músculo durante alguns minutos, quando as lágrimas cessaram Maura reergueu-se do chão e sem forças sentou-se no sofá, tinha comido tão pouco durante o dia que mal tinha forças para se manter de pé
Ali sentada no sofá, onde iria esperar o regresso de Jane Maura acabou por adormecer.
Jane saiu de casa muito nervosa, pegou no carro e saiu andando, não prestava atenção em nada, mal via as ruas por onde passava, os sinais de transito podia jurar que passava por todos, mesmo os vermelhos, dirigiu praticamente por uma hora, até que parou o carro junto a um parque e por minutos ficou a fitar o horizonte.
As lágrimas rolavam insistentemente pela cara e na cabeça mil e um pensamentos fervilhavam em alta tensão.
Jane passou a mão pelo rosto e pelo cabelo, colocando os seus cachos rebeldes que caiam sobre o rosto no lugar, colocou a cabeça sobre o volante e chorou de raiva, de medo, de revolta…
(POV. JANE)
Depois de tudo o que passamos como é que ela pode por em risco a sua saúde, como ficaremos eu e o Fred se lhe acontecer alguma coisa de ruim, se a perdêssemos?!
Ela não pode só pensar nela, nós a amamos e ficar sem ela é ficar sem chão é perder o nosso porto seguro, o nosso alicerce maior. Não podemos! Não posso deixar!
Não é justo para o Fred perder outra vez uma das pessoas que mais ama, a mãe pela segunda vez, ele já perdeu tanto na vida, agora que tem estabilidade, amor, uma família e uma casa não seria justo com ele, é tão pequenino para ter passado por tanto já.
Quando construímos uma família e aceitamos criar um filho deixamos de pertencer só a nós e passamos a pertencer a eles também, passamos a ser responsáveis por nós mas também por eles, como é que ela pode fazer isso sem pensar em nós, nós também sofremos.
“Quem ama sofre, quem sofre sente, quem sente luta, quem luta vence."
Eu conheço a Maura, sei o quão vaidosa ela é, sei que não está a ser fácil para ela ter de lidar com tantas coisas novas todos os dias, em primeiro o nodulo, depois a operação, depois os tratamentos, a queda do cabelo, os enjoos, as náuseas, agora a forma física, que ela sempre procurou preservar através de uma alimentação saudável e regrada… Verde.
Eu juro que eu compreendo…. Oh e como gostaria de poder ajuda-la, mas não desta forma, não seguindo exageros, ultrapassando os limites que neste momento estão tão em baixo. Não é como era antes da doença, frágil mas forte, sensível mas implacável, simpática mas solitária, calma mas determinada, meiga mas fria, insegura mas corajosa, ingénua mas inteligente, dócil mas teimosa, ponderada mas decidida. Nenhuma de nós é mais a mesma, esta doença mudou-nos a todos!
Mas não consigo vê-la a auto-destruir-se desta forma, sem comer ela ficará fraca, não conseguirá aguentar o resto dos tratamentos e neste momento isso deveria ser a sua prioridade, esta não é a Maura que eu conheço, que sempre se preocupou com ela, com a sua saúde, que tem explicação para tudo.
Nós precisamos dela, na mesma intensidade que ela precisa de nós!
Algum tempo depois, depois de meter as ideias em ordem e conseguir acalmar-se Jane voltou para casa. Abriu a porta com o coração nas mãos, odiava brigar com Maura, mas vê-la a enfraquecer a olhos visto por causa de umas simples gordurinhas fazia com que perdesse o pouco discernimento que tinha.
Jane aproximou-se do sofá, onde estava Maura e sentou-se no chão, colocando uma mão sobre o ombro de Maura e chacoalhando-a para desperta-la do sono.
Maura abriu os olhos calmamente, e olhou para a morena que estava sentada ao seu lado.
— Jane— murmurou Maura
—Eu— começou a falar Jane com uma voz baixa – Eu não tou zangada contigo Maura, só tenho medo – A voz de Jane era baixa e calma e nela podiam se sentir todas as inseguranças que sentia.
— Desculpa— Maura sussurrou com a voz trémula.
Jane ergueu-se do chão, sentou-se no sofá e puxou Maura para um abraço, Maura abraçou-a de volta. Depois de muito tempo abraçadas Maura quebrou o abraço e no rosto de ambas ainda estavam presentes as lágrimas que haviam deitado.
Eu posso ir preparar algum coisa para nós comermos— falou Jane dando um beijinhos nos lábios de Maura – Tu queres?— outro beijinho.
Maura colocou os braços a envolver o pescoço de Jane e deu-lhe um beijinho e respondeu:
— Por ti Jane
— Não tem de ser por mim Maur, tem de ser por ti, com o tempo tu voltas a ser como eras antes, mas não podes estragar a tua saúde – respondeu a morena num tom compreensivo – Eu não aceitarei perder-te Maura.
— Eu estou a ser egoísta – murmurou Maura.
— Vou preparar alguma coisa para comermos e depois vamos dormir, amanhã temos um avião para apanhar e uma viagem para aproveitar.
— Tudo bem Jane.
Jane preparou uma sopa e umas sanduiches para as duas, colocou numa bandeja, e levou até ao sofá onde Maura permanecia sentada.
Depois de comerem foram deitar, acabaram por adormecer de puro cansaço e só voltaram a acordar quando o despertador tocou eram seis horas da madrugada.
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