Um amor maior

43 Capitulo 42 - Valigie


Notas iniciais
Buonasera :D Prontos para viajar? Godersi il viaggio Baci ❤

Pi pi pi pi pi pi pi pi pi

O som do despertador ecoou pelo quarto fazendo Jane e Maura despertarem sobressaltadas. Jane tacteou o criado mudo e bateu a mão no despertador com força, fazendo-o desligar-se. As duas levantaram-se da cama rápido e correram para o banheiro, juntas, tomaram um duche, vestiram-se, desceram até à cozinha e comeram um café da manhã rápido, pegaram as malas e dirigiram-se para o aeroporto.

Chegaram ao aeroporto, dirigiram-se até ao balcão onde fizeram o check in e entraram na sala de embarque. Alguns minutos depois o som do altifalante ecoou pelo espaço:

"Passageiros do vôo 1456 com destino a Roma, Itália, façam o favor de se direccionar ao portão 7".

— Espero que gostes…— falou a morena depois do voo ser anunciado

— Jane, nós vamos para italia?— questionou a loira

— Sim, não gostaste?

— Adorei Jane, é perfeito. Tu sabia que…— ia falando até que foi interrompida por Jane

Tenho a certeza que terás muito para me ensinar nesta viagem, mas se não corrermos perderemos o avião Maur.

— Oh desculpa. Vamos Jane

Nas malas levavam roupas leves e frescas, no coração levavam amor e bons sentimentos, na alma levavam leveza e boa disposição e na boca levavam sorrisos, bobos, apaixonados e felizes.

Depois de oito horas de viagem o Airbus A330 da companhia Alitalia 615 aterrou no aeroporto Internacional de Roma — Leonardo da Vinci já passavam das quatorze horas. Pegarem as malas e fizerem o check out e dirigiram-se para o hotel onde durante dois dias iam permanecer, NH Collection Roma Giustiniano, localizado apenas a dez minutos a pé do Vaticano e do Castelo Sant'Angelo. A viagem seria assim, seis dias divididos em cada cidade, começando em Roma, seguido de Florença e terminando em Veneza.

O NH Collection Roma Giustiniano era um hotel elegante, charmoso e extremamente convidativo.

Chegaram ao hotel perto das dezasseis horas, Maura sentia-se extremamente cansada e não era só pelo facto da viagem ser longa, os tratamentos, principalmente a radioterapia tinham-na deitado muito a baixo e os exercícios que vinha a fazer para recuperar o peso também contribuíam para o cansaço que sentia.

Depois de descansarem um bocadinho e de terem pedido uma refeição no quarto saíram para passear pela cidade.

Era verão na Europa, o calor fazia-se notar e mal colocaram os pés fora do hotel puderam-no sentir na pele, não corria uma brisa fresca, a humidade não se sentia, estava um dia abafado, mas a luz emanada do sol era muito chamativa.

Assim como Jane havia avisado ambas tinham levado roupas frescas, Maura vestia um vestido de alças, acima do joelho e umas sandálias rasas e Jane usava um short longo de ganga e uma regata num tom claro e calçava uns ténis.

O primeiro sitio que iriam visitar era o coliseu e ficava mais ou menos a quinze minutos de distancia do hotel onde iriam pernoitar por isso tinham decidido fazer a viagem de taxi.

Chegaram à praça do coliseu e caminharam de mãos dadas, como sempre faziam. O movimento estava calmo, talvez devido ao calor que se sentia os turistas tivessem optado por se resguardar. Olhavam atentamente para tudo e não podiam deixar de reparar na beleza dos prédios antigos e na imensidão de obras de arte que estavam expostas a céu aberto.

— Wow— mermurou Jane enquanto observavam a imensidão do coliseu

— É lindo não é Jane?

— É perfeito, parece que voltamos ao império Romano, consigo imaginar os gladiadores e suas lutas contra animais ferozes— respondeu a morena de forma empolgada.

— Jane sabias que o Gladiador era um escravo lutador na Roma Antiga. O termo utilizado para definir os escravos que eram forçados a lutar pelas suas vidas no antigo Império Romano é proveniente de uma espada que utilizavam em combate, o gládio. – rebateu a loira visivelmente incomodada.

— Era atividade muito atrativa para o grande público — rebateu Jane

— Era sim – concluiu a Loira

Depois de entregarem os bilhetes Jane e Maura desfrutaram da historia de cada canto do imenso anfiteatro Flaviano.

“A sua construção foi iniciada no ano 72 d.C., por ordem do imperador Flávio Vespasiano, que decidiu erguê-lo no local de um antigo palácio de Nero, seu antecessor no comando do império. As obras levaram oito anos para serem concluídas e, quando tudo ficou pronto, Roma já era governada por Tito, filho de Vespasiano. Para homenagear seu pai, Tito baptizou a construção de “Anfiteatro Flaviano”.

Depois de conhecerem as ruínas romanas, seguram pela Via dei Fori Imperiali até chegar à Piazza Venezia, onde se depararam com o monumento a Vittorio Emanuele II e a Coluna de Trajano. Seguiram pela direita do monumento a Vittorio Emanuele II e encontraram os Musei Capitolini.

Tinham passado praticamente toda a tarde a passear, era praticamente hora de jantar, andaram um pouco e entraram no restaurante La Fontana di Venere. O restaurante tinha um ambiente acolhedor e muito amigável, caracteriza-se por uma decoração rústica e elegante, o que dá o ambiente descontraído e confortável.

Escolheram uma mesa bem no fundo e sentaram-se, pegaram na tabela do menu foram escolhendo a comida enquanto, esperavam o garçon vir servi-las.

— É lindo aqui – murmurou a loira ao olhar em volta

Que bom que gostasta amor— respondeu Jane a sorrir – O que é que vamos pedir? — perguntou Jane a olhar para o menu.

— O que quiseres— respondeu Maura – Tu é que és italiana Jane

Jane voltou a olhar para a lista e acabou por escolher Linguine all’ astice. Chamaram o garçon, fizeram o pedido e pediram também um vinho típico de Itália o barbaresco.

Enquanto a comida não foi servida as duas conversaram e trocaram alguns mimos e sorrisos.

— Onde vamos amanhã Jane?— questionou a loira

Pensei que poderiamos ir ao vaticano Maur. O que achas?— questionou a morena

— Otima ideia. Quando acabarmos o nosso jantar podemos caminhar até à fontana di Trevi Jane?

— Não estas cansada Maur?

— Estou otima – falou Maura a sorrir— E ainda tenho planos para a nossa primeira noite em Roma Jane.

— Planos doutora? – questionou Jane com um sorriso desafiador — Não sei se me sinto capaz, sinto-me muito cansada – continuou a morena de fora irónica.

— Jane? – repreendeu Maur — Não viemos para italia para dormir Jane.

— É serio? Não estas cansada nem nada Maur?

— Nem um pouquinho Jane.

— E quais seriam os teus planos?

— Isso terás de esperar para ver amor – respondeu a loira com um sorriso encantador nos lábios.

Passado alguns minutos a comida finalmente chegou. As duas estavam a morrer de fome e encararam aquele prato com o olhar mais gulosa de sempre, o aspeto estava maravilhoso e podiam jurar, pelo cheiro que se sentia que devia estar delicioso.

Após um maravilhoso jantar, a comida estava realmente maravilhosa, ao som dos Il Divo, as duas caminharam até à fonte mais popular do mundo, a Fontana de Trevi, que ficava praticamente atrás do restaurante. Ao fundo o sol começava a por-se e o céu ganhava contornos alaranjados.

As duas aproximaram-se da fonte e fecharam os olhos ao sentir o barulho nostálgico das aguas que caiam de forma calma. Voltaram a abrir os olhos e fitaram o monumento esculpido em pedra, sobre ele várias luzes douradas acesas em pontos estratégicos, dando um toque de mistério e beleza únicos.

— Vamos jogar as nossas moedas Maur? — Perguntou a morena

— Sim sim sim— respondeu Maura de forma empolgada.

Ambas aproximaram-se das aguas da fonte e calmamente jogaram as suas moedas na fonte, Maura foi a primeira e logo de seguida Jane repetiu o gesto.

— Que possamos voltar quando isto tudo passar sussurrou Maura para si fitando de forma compenetrada a fonte.

Por alguns minutos as duas ficaram ali a observar as moedas delas a afundarem-se naquelas aguas cristalinas

— O que é que a doutora está a ver tão atentamente? Imaginando que a doutora já tem o seu amor, terá pedido para voltar, eu estou enganada?– Jane perguntou com um sorriso de menina tentando brincar com Maura.

— Tenho o melhor amor, não precisarei de pedir outro, o destino deu-me o melhor – respondeu Maura aproximando-se de Jane e passando os braços sobre os ombros da morena — Eu amo-te e não te trocaria por nada nem ninguém Jane – sussurrou Maura no ouvido de Jane, começando a dar beijinhos nos lábios de Jane, que abraçou a sua cintura.

— Eu também te amo Maur— murmurou Jane entre um beijinho e outro— É noite vamos para o hotel? Temos de descansar e eu quero ver os teus planos para nós — falou Jane com um sorriso maroto e um novo beijo em Maura

As duas pegaram um taxi e voltaram para o hotel e subiram até ao quarto.

Enquanto Maura abria a porta, Jane aproximou-se do seu corpo, que se mantinha de costas e o apertou contra si, ao sentir as mãos de Jane passear pelo seu corpo a loira sorriu. Jane deslizou uma mão até intimidade da loira e apertou fazendo a loira soltar um gemido.

— Jane— gemeu a loira

A loira virou-se de frente para Jane e sorriu de forma maliciosa.

— Acho que nunca vou cansar-me de te olhar Maur, es tão linda— falou Jane enquanto acariciava a face da loira.

Maura pegou as mãos de Jane

— Jane espera - sussurrou a loira segurando a morena pela nunca e mordiscando o seu pescoço. – Preciso de abrir a porta.

A loira abriu a porta do quarto, entrou e acendeu a luz e Jane a seguiu fechando a porta atrás de si.

Com todo o cuidado Jane aproximou-se de Maura e colocou uma mão sobre o rosto da loira e o acariciou, as duas olhavam-se e sorriam, Jane inclinou-se e tomou os lábios da loira num beijo calmo, as mãos de Maura foram até à cintura de Jane e a apertaram. Jane continuava a fazer carinho na face de Maura e desceu a sua mão até à nuca, puxando a loira mais para si intensificando o beijo. Uma das pernas de Jane foi parar no meio das pernas de Maura e mais uma vez a loira gemeu. O beijo foi aumentando de ritmo e as mãos de Jane desceram até a cintura de Maura apertando-a contra si, uma mão ficou ali a prender a loira e a outra mão continuou a descer parando sobre a bunda de Maura, apertando-a com força. Maura soltou a boca de Jane e suspirou

— Jane fica aqui – falou a loira apontando para a cama – eu já volto— continuou dando um enorme sorriso a Jane.

A morena assentiu com a cabeça, mas enquanto esperava não conseguiu-a parar de acariciar as cicatrizes sobre as suas palmas das mãos, estava ansiosa para saber quais eram os planos de Maura, embora ela já imaginasse quais fossem e já estivesse a pulsar de desejo por sentir o corpo da loira sobre o seu.

Maura foi até ao banheiro e vestiu uma lingerie vermelha de renda com cinta-liga super sexy.

Desde aquela noite de amor, no hotel, Maura nunca mais teve receio de se despir em frente a Jane. Naquela noite percebeu que o amor de Jane por si era maior que aquela pequena cicatriz que agora cobria o seu peito. Mesmo assim aquela barriga que insistia em permanecer ali contra todos os exercícios que fazia a deixava extremamente irritada.

Maura olhou-se ao espelho, colocou um pouco de perfume, abriu a porta do banheiro e voltou a entrar no quarto.

Assim que entrou no quarto Jane a fitou dos pés à cabeça enquanto travava a respiração. A loira conseguiu sentir a tensão sexual que se formou no corpo da morena.

Meu deus Maura – falou Jane de boca aberta, em espanto, ainda tentando recuperar o ar que tinha perdido.

— Gostas do que vês? – falou Maura mordendo os seus próprios lábios e girando sobre o seu próprio corpo expondo cada uma das partes perfeitas do seu corpo.

— Wow, adorei. Estás linda demais — falou Jane enquanto continuava a admirar aquela visão à sua frente.

Maura avançou sobre a morena que estava sentada sobre a cama e com movimentos subtis começou a despir a morena, primeiro empurrou ligeiramente a morena sobre a cama, fazendo-a cair para trás e desapertou o botão do short e o puxou, fazendo-o deslizar sobre as pernas da morena, Maura sentou-se sobre as pernas da morena, colocando uma perna em cada lado do corpo do seu corpo e desapertou a sua regata e a jogou pelo quarto.

Jane estava agora vestida com uma langerie preta, mais desportiva, como gostava de andar para se sentir cómoda.

Jane voltou a erguer-se da cama e colocou as mãos sobre as ancas de Maura apertando-as, Maura inclinou-se e beijou os lábios da morena calmamente, Jane colocou a cabeça na curva do pescoço de Jane e aspirou sentindo seu o cheiro único sorrindo. Maura deslizou as mãos pelas costas da morena e tirou o seu sutiã, expondo os seus seios firmes e perfeitos. Maura sorriu ao ver aquela visão, levou a mãos até eles e começou a massaja-los, fazendo a morena gemer de prazer.

Jane rolou o seu corpo sobre o da loira, fazendo-a cair de costas sobre a cama, Jane olha a loira nos olhos e arranca a sua lingerie deixando-a completamente nua. Jane inclina o seu corpo sobre o da Maura e beija-a ao mesmo tempo que a sua mão desliza sobre o corpo da loira, acariciando cada parte, até chegar ao sexo da loira. As pernas da loira tremeram, ansiando que Jane aprofundasse aquele toque. Ao ver o nível de excitação de Maura, Jane gemeu e continuou a deslizar o dedo indicador sobre o clitóris de Maura. A loira abriu um pouco mais as pernas dando passagem a Jane e a morena começou a fazer movimentos circulares até que penetrou a loira tão calmamente e tão delicadamente que Maura arqueou o corpo em pleno desejo, quase gozando. A morena começou a fazer movimentos vai e vem ao mesmo tempo pressionava o seu corpo sobre o corpo de Maura. A loira rebolava nos dedos de Jane e gemia cada vez mais alto.

— Jane, continua por favor — gemia a loira descontroladamente – isso é tão bom.

Jane sorriu ao ouvir aquelas palavras e continuou a fazer fazer o movimento com os dedos de forma mais intensa enquanto olhava para Maura com um olhar penetrante.

— Gostas Maura?

— Aiiii eu amo Jane…

— Goza para mim Maur – falou Jane com a voz mais rouca do que o normal.

Aquela voz de Jane deixou Maura mais excitada e a loira não aguentou e gozou no mesmo instante soltando um gemido abafado pelos seus lábios.

Vendo o estado de excitação da loira, Jane beijou os lábios da loira e desceu a sua boca até ao centro da loira e lambeu todo o seu liquido, deliciando-se.

Depois de beber todo o liquido, Jane deitou-se ao lado de Maura na cama, a loira estava ofegante, mas mantinha um sorriso safado na cara.

Maura ergueu-se da cama e colocou o seu corpo sobre o de Jane encaixando os seus corpos perfeitamente enquanto beijava todos os cantos do corpo da morena, começou no peito, seguiu os ombros, as clavículas, o pescoço, as clavículas, quando chegou à face de Jane, Maura sorriu e depositou um beijo sobre os seus lábios, um beijo doce, calmo, terno, lento mas que se foi intensificando. Maura voltou a deslizar a sua boca para o pescoço da morena

— Agora é a minha vez!– sussurrou Maura ao ouvido de Jane, dando de seguida um beijo no pescoço da morena.

— Deus do céu assim vais me matar Maur – respondeu a loira com a voz rouca.

Nunca vi ninguem morrer de prazer Jane— respondeu a loira com um sorriso provocante nos lábios

— Bom saber Maur

Enquanto beijava o pescoço de Jane, as mãos de Maura deslizam pelo abdómen da morena, deixando rastos de fogo, subindo em direcção aos seus seios, ficando por ali a massaja-los, primeiro Maura prendeu a sua atenção nos seios todos e depois começou a fazer círculos em volta do mamilo da morena.

A cada toque Jane gemia mais e mais e perdia a noção de tudo à sua volta.

Maura começou a descer o seu corpo sobre o corpo de Jane indo em direcção ao sexo, começando a toca-lo com a língua, Maura lambia e chupava lentamente o sexo de Jane, ao sentir o toque da loira Jane arrepiou-se e as pernas tremeram de excitação e o seu corpo arqueou.

Jane estava a ponto de gozar na boca da loira e então Maura parou os seus movimentos fazendo Jane resmungar

Maur não pares... – gemeu Jane em protesto

Maura voltou a tocar o sexo de Jane mas desta vez com dois dedos, posicionou-os na entrada da morena e a penetrou, começou num ritmo calmo e foi aumentando a velocidade enquanto a morena a acompanhava nos movimentos.

— Ai Maur ... Ahhh – a morena gozou

Maura voltou a colocar-se junto as pernas de Jane e lambeu-a toda.

Maura voltou a subir o seu corpo sobre o de Jane e depositou um beijo terno nos lábios da morena, deitando-se de seguida ao seu lado. A respiração de ambas ainda estava acelerada.

Jane esperou a respiração da loira controlar-se e voltou a colocar o seu corpo em cima do de Maura, deu-lhe um beijo demorado nos lábios.

Jane passou a língua nos lábios de Maura e descendo por todo o corpo da loira, queixo, pescoço, peito, seios, abdómen, baixo-ventre, quando chegou ao sexo da loira passou a língua de leve e fez a loira gemer mais uma vez, Jane começou a chupar Maura devagar e sem pressa, fazendo pressão no seu clitóris, fazendo-a loira arquear o corpo de prazer. Jane continuou a estimular o sexo de Maura com a boca e e percebendo que a loira estava a chegar ao climax penetrou-a com a língua, fazendo movimentos rápidos, a loira gemeu alto e gozou na língua da morena, que a lambeu toda.

O corpo de Maura contraia-se em espasmos musculares, Jane juntou-se a ela e beijou os seus lábios delicadamente. As duas sorriam feito bobas uma para a outra.

Jane deitou-se ao lado de Maura e a puxou para si, abraçando-a forte.

Não tem nada melhor do que ter-te nos meus braços Maur — sussurrou Jane ao ouvido de Maura .

Assim, entrelaçadas as duas adormeceram com sorrisos serenos na cara.

O dia acabará de amanhecer, o sol brilhava do lado de fora da janela do quarto do hotel, ao sentir os primeiros raios de sol batendo em na sua face, Jane abriu os olhos e espreguiçou-se calmamente, virou-se para o lado e sorriu ao ver a loira, que dormia encolhida, com as costas para si, com o lençol sobre si. Jane deslizou sobre a cama, aproximando-se da loira e colocou um braço em volta da sua cintura e com a outra mão começou a acariciar as suas costas, enquanto depositava beijos no seu rosto fazendo-a resmungar algo inaudível.

— Bom dia meu amor— falou enquanto beijava o rosto de Maur

— Ainda é cedo Jane— resmungou Maura

— Não é Maur, daqui a pouco não temos tempo para passear

— Só mais cinco minutos Jane

—Desde quando é que és assim tão preguiçosa? – falou Jane enquanto afastava o lençol das costas da loira, colocando os seus lábios sobre as costas da loira, depositando-lhes vários beijos. — Ainda ontem dizias que não vinhamos para Itália para dormir — Jane falou dando um gargalhada.

Maura rodou o corpo e ficou de costas sobre a cama, colocou os braços a envolver o pescoço da morena e puxou-a para si, fazendo os lábios das duas se encontrarem

Tens a certeza que queres sair daqui Jane?— falou a loira com um sorriso, enquanto dava sucessivos beijos em Jane, nos labios, no nariz, no pescoço.

— Nós temos Mau – Jane não conseguiu concluiu a frase, a lingua da loira roçou sobre os seus lábios pedindo permissão para entrar e aprofundar o beijo. Quando o ar se fez necessário a loira cessou o beijo.

— Vamos tomar um duche Jay? – questionou a loira enquanto se levantava da cama.

— Sim e depois podemos tomar o café no bar do hotel, estou a morrer de fome— concluiu a morena

Enquanto estavam no duche, Jane reparou que o cabelo de Maura tinha crescido um pouquinho, parecia o cabelinho de um bebé e então a Jane sugeriu:

— Ficas tão bonita Maur, porque não andas sem peruca um bocadinho? — falava a morena de forma ternurenta.

— Não sei Jane— respondia a loira insegura

— Experimenta só para veres como te sentes.

— Tudo bem, aqui ninguém me conhece.

Maura foi até ao espelho do banheiro e tirou a peruca, era a primeira vez Maura iria andar sem peruca e por mais insegurança que Maura sentiu-se rapidamente se dissiparam, ela sentiu-se bem e esqueceu-se que seria olhada e que seria alvo de comentarios. A debilidade crónica da quimioterapia por momentos, alguns dias, ficava para trás, Maura começava a recuperar as forças, a ter vontade de sair e sentia-se bem

(POV. MAURA )

Tirei a peruca e senti-me bem!

Eu sabia exatamente que ao sair à rua sem peruca seria olhada por por todos, por mais fugazes que fossem os olhares sabia que seria notada, nas mulheres nota-se sempre, o tamanho do cabelo chama sempre a atenção e eu só tinha ainda uma leve penugem clara que mal se notava e as minhas sobrancelhas ainda não tinham crescido.

Mas também sabia que ao sair à rua muitos dos olhos que se demorassem em mim, um segundo que fosse, também poderiam estar a passar por aquilo, ou já tinham passado há tempos atrás, ou conheciam alguém a quem tinha acontecido um problema semelhante.

É impressionante, mas não existe praticamente ninguém que não tenha lidado com esta doença de uma maneira ou de outra.

Desde que descobri o diagnostico desta doença que muitas pessoas se cruzaram comigo na rua e instintivamente eu sei, eu reparo sempre numa expressão ou num gesto diferente dos restantes, quem está ou já esteve com a mesma doença fica diferente.

Em Itália, Maura sentia-se livre. Para ela era como se andasse normalmente, como se a doença tivesse ficado para trás, alias tinha ficado em Boston pelo menos durante seis dias, depois na próxima semana retomaria a ela, mas por enquanto seria só ela, Jane, Milão, Veneza, Roma, Florença.

As duas prepararam-se e descer até ao bar do hotel onde tomaram o pequeno-almoço e depois caminharam calmamente até ao Vaticano.

Começaram a visita e pela Capela Sistina, não havia mais que do quinze pessoas lá dentro! Contemplar os frescos criados por alguns dos maiores artistas renascentistas, o maravilhoso teto pintado pelo gênio Michelângelo, tudo isso sem ser pertubado por ninguém e em absoluto silêncio, era uma experiencia inesquecivel

Todas as obras da Capela narravam uma história e constroem um complexo argumento teológico que liga o poder de Deus até o Papa.

Era raro irem à missa ou rezarem, não ligavam muito a essas coisas, mas quando se passa por situações delicadas, como a que Maura estava a viver, agarramo-nos a tudo que nos possa trazer esperança.

Maura tem plena confiança na medicina e estava sempre mais focada na ciência do que na espiritualidade, mas à medida que o tratamento foi avançado com ele avançou também a crença de Maura na religião. Nesta alturas toda a confiança é bem vinda, inclusive a daqueles que acreditam no poder da devoção, da crença.

Ficaram na Capela Sistina assim por uns 40 minutos, em êxtase, até que a Capela começou a ficar lotada. E aí começou a parte chata: as pessoas chegavam e esqueciam que, antes de tudo, aquele é um local de orações. Apesar das recomendações expressas na entrada, começaram a falar alto, tirar fotos e filmar, e os seguranças respondiam com insistentes e constantes “ssssshhhhh” e “noooo photo”.

Essa foi a deixa para que seguissem o seu tour, seguiram até aos museus do Vaticano, o problema de visitar os Museus do Vaticano era o verdadeiro mar de gente. A multidão encarregava-se de empurrar as empurrar em direcção ao final do corredor.

A hora do almoço chegou a correr, por isso Jane e Maura dirigiram-se até à praça da alimentação localizada no primeiro andar do edifício e pararam para almoçar, compraram pizza. A parada foi providencial para recarregar as baterias e continuar o tour por algumas alas mais tranquilas do museu. Maura embora estando bem disposta sentia-se cansada o percurso era longo e o dia estava muito quente o que dificultava ainda mais.

Depois de almoçarem e de descansarem um pouco continuaram a andar por um dos corredores do museu, encontrando Laocoonte, uma das esculturas mais famosas da antiguidade. Representa um profeta de Tróia e os seus filhos a ser estrangulados por serpentes enquanto tentavam alertar sobre o perigo que havia no cavalo presenteado pelos gregos.

Continuaram a andar e chegaram à Pinacoteca Vaticana, que possui obras de Da Vinci, Caravaggio, Giotto, Botticelli, entre outros artistas. Mas a obra que mais cativou Maura foi A Transfiguração, de Rafael Sanzio. Esta pintura, que representa Cristo a aparecer para os apóstolos, é considerada uma das mais importantes do pintor italiano. Rafael estava trabalhar nesta obra quando morreu, aos 37 anos, deixando a sua conclusão para os seus aprendizes.

Ainda sob um sol de lascar, foram em direção à Basílica de São Pedro, a maior igreja cristã do mundo. Entraram e sentiram uma sensação indescritível diante da beleza do lugar. A cúpula, projectada por Michelângelo, tem 42 metros de diâmetro e seu ponto mais alto está a 132 metros do chão.

Maura queria muito ir até o domo, de onde é possível ter uma belíssima vista de toda a Cidade do Vaticano e parte de Roma. Uma parte do trajecto é feita de elevador, mas depois são trezentos e trinta degraus por um corredor muito estreito. Devido ao cansaço que sentia e ao calor que se sentia, Jane achou melhor não o fazerem.

O túmulo do Papa João Paulo II estava na lateral direita da Basílica de São Pedro, quando lá chegaram havia imensa gente à sua volta, todos em silêncio, entregues às suas rezas e suas crenças.

— Jane podemos ficar aqui um bocadinho?— sussurrou a loira junto ao ouvido de Jane

A morena olhou para Maura e abanou a cabeça em afirmativo e ali ficaram as duas alguns minutos de olhos fechados.

Embora não fossem religiosas aquela visita parecia uma bênção, aquele lugar as deixava em paz, entregues aos seus pensamentos e elas tiveram uma sensação boa de serenidade.

Ficaram por mais algum tempo a admirar as belas obras da Basílica e, exaustas, depois de um dia super cheio, despediram-se da Cidade do Vaticano e dirigiram-se ao hotel, onde acabariam por jantar, para poderem recuperar para os proximos dias de viagem.

Ambas tinham adorado Roma. Nunca lá tinham estado, é uma cidade maravilhosa, linda, charmosa, romântica.

“Roma é a obra mais bela e útil do destino”

Notas finais
Dado o final de ontem deveria ter escolhido paris ❤ Espero que estejam a gostar. Baci ❤