Um amor inesperado
45 Implicâncias
Mais tarde, Giane resolveu ligar para Bento, para saber como ele estava. Estava preocupada com Bento. Como estava sendo a lua de mel? Será que ele e Amora estavam se divertindo no Chile? Ele estava feliz? Ou será que ele e Amora estavam brigando? Para Giane, o que importava era Bento ser feliz, e ela tinha medo que Bento sofresse nas mãos da cobra. Além do mais, ela precisava alertá-lo, mais uma vez. Amora era uma criminosa, que foi capaz de colocar a vida do Bento em risco. Ele não fazia ideia do tipo de pessoa com quem havia se casado. Bento precisava ficar esperto.
Giane ligou para o celular de Bento e esperou ele atender.
— Oi, Amora! Aonde você tá? — perguntou Bento, do outro lado da linha. Estava preocupado com Amora, pois ela havia sumido e ele nem olhou o nome da pessoa ao atender ao celular.
— Não, Bento, é a Giane.
— Oi, Giane! Fala. — disse Bento.
— E aí? Eu liguei pra saber como é que você tá. — disse Giane.
— Você não me ligou por isso. Eu te conheço. — disse Bento. — Se você me ligou, é porque tem alguma coisa importante pra me dizer. Fala.
Giane havia ligado várias vezes para ele. Ele não havia atendido porque estava em lua-de-mel e não queria ser perturbado. Bento continuava furioso e decepcionado com a amiga. Giane andava muito estranha. Ela havia feito o maior escândalo em seu casamento, estragou a festa, e ele tinha certeza de que ela estava escondendo alguém na casa dela. Ultimamente, Giane não estava fazendo outra coisa que não falar mal da Amora. Assim como Malu, Giane estava misturando as coisas, se deixando levar pela raiva que tinha da Amora. Até fazia acusações sem fundamento. Mas se ela ligou várias vezes, se insistiu tanto para falar com ele, era porque tinha alguma coisa importante para falar. Será que havia acontecido alguma coisa com Salma, Gilson ou algum dos vizinhos? Ele esperava que Giane não viesse com más notícias. Já bastava o que ele estava passando.
A lua-de-mel não estava sendo como ele esperava. Havia se dado conta de que ele e Amora não tinham mesmo nada a ver um com o outro. Ele esperava descobrir ter alguma coisa em comum com Amora, ainda que pouca. Mas não tinham nada em comum. Eram diferentes demais. Ele queria conhecer Santiago. Queria conhecer a cultura, a culinária, os hábitos locais. Mas Amora só pensava em fazer compras. E também havia a questão do passado de Amora. Ele insistiu para que procurassem Simone. Afinal, era esse o combinado. Foi Amora quem teve a ideia de passar a lua-de-mel no Chile e aproveitar para procurar a irmã.
Bento achava que Amora devia superar as mágoas e os traumas, para poder seguir em frente. Ela precisava perdoar Simone, se entender com a irmã. Ele sabia que não seria fácil para Amora perdoar a irmã, mas achava necessário. Amora precisava curar a ferida, deixar para trás o ressentimento. Mas foi uma luta para convencer Amora a procurar a irmã. Amora acabou cedendo, e ambos foram procurar a Simone. Porém, descobriram que Simone havia voltado para o Brasil. Amora ficou arrasada. Ela estava tão triste que ele acabou concordando em ir para o Valle Nevado. Fizeram tudo o que Amora queria: tiveram aula de esqui e depois pegaram uma piscina aquecida. Porém, quando voltaram para Santiago, Amora se queixou de enxaqueca e não quis sair com ele. Ficou no hotel. Ele quis ficar com ela, mas Amora insistiu para ele sair. Ao voltar para o hotel, ele não encontrou Amora. Ficou preocupado. Ela havia saído e nem havia ligado para ele, para dizer onde estaria. E o que deixava chateado era que ele havia feito as vontades da Amora, mas ela não foi capaz de ceder e fazer as coisas que ele queria. Ele amava Amora, mas às vezes achava que amar não era o suficiente. Decididamente, ele e Amora não foram feitos um para o outro. Mas não sabia o que Giane queria, por que havia ligado para ele.
A garota percebeu, pelo tom de voz, que Bento não estava feliz.
— Bento, que voz triste é essa? Tá tudo bem? Cadê a Amora? — perguntou Giane.
— Não, tá... Aqui tá tudo ótimo. A Amora deu uma saída, mas já, já ela volta. — disse Bento. — E aí? O que tá pegando?
Ele não queria falar com Giane sobre Amora, muito menos por telefone. Não queria falar que a viagem não estava sendo legal. Giane iria ficar buzinando em seus ouvidos, dizendo que Amora não servia para ele.
Giane resolveu não falar nada sobre suas preocupações, sobre o que havia descoberto a respeito do incêndio da Toca do Saci. Também resolveu nem falar sobre o acidente do Érico. Pensando melhor, não era conversa para se ter por telefone. Era melhor conversar pessoalmente.
— Nada. Eu só liguei pra saber como você estava. — disse Giane. — Mas não devia ter ligado. Desculpa, tá?
Ela desligou o celular. Mais tarde, à noite, Fabinho estava sentado no chão da sala, olhando uma revista. Giane veio mostrar um álbum de figurinhas. Sentou-se no chão ao lado dele.
— Lembra? — perguntou Giane, entregando o álbum a ele.
Ela e Fabinho costumavam trocar figurinhas quando crianças. Ela havia guardado o álbum como lembrança. O álbum estava bastante velho, pois tinha quinze anos. Mas estava ainda em bom estado.
— Mentira! Copa de 98! Está completo? — perguntou Fabinho, folheando o álbum.
— Ah, e eu sou lá de fazer as coisas pela metade? — disse Giane.
— Que bandida! Olha, eu fiquei sem o Taffarel e Rivaldo.
Giane riu, e continuou folheando o álbum.
— Esse Taffarel não era meu, não? — perguntou Fabinho.
— Ah, vai te catar, né? — disse Giane.
— Eu tinha um Taffarel e... — disse Fabinho.
— Oi! Oi! Oi! Oi! — disse Silvério, entrando. — Eu vi a Socorro passando com uma escada. Eu tô achando que ela foi fuçar na casa do Bento.
Pelo visto, Socorro estava querendo descobrir o que Giane, Malu e Madá haviam colocado na casa do Bento. Giane levantou-se do chão.
Silvério disse:
— Vamos lá. Vamos dar uma incerta. Vem comigo, vem.
— Vamos. — disse Giane. Dirigiu-se a Fabinho. — E você, ó, não me aparece pela janela, não, hein? Pelo amor de Deus!
Giane pegou as chaves da casa do Bento e saiu com Silvério. Ela resolveu levar a chave porque, se Socorro pretendia entrar na casa do Bento, devia estar procurando a chave. Foram até a casa de Gilson. Quando chegarem, ao abrirem a porta, ouviram a Socorro falar:
— .... tem a chave da casa do Bento.
— Chave? É essa aqui que você está procurando? — disse Giane, mostrando a chave que havia trazido consigo.
— Por que a chave do Bento está com vocês? — perguntou Socorro.
— Porque ele confia na gente. — disse Silvério. — E você, Socorro, o quê que tá querendo na casa do Bento?
— Ela vai fazer faxina. — disse Douglas, que estava sentado no sofá da sala, ao lado de Jonas, jogando vídeo game.
— Eu estava querendo saber o que você colocou lá dentro. — disse Socorro para Giane, cruzando os braços. — Ou pensa que eu não vi você tirando um monte de coisa da van e colocando dentro da casa do Bento junto com a Malu e com a dona Madá, hein?
— Ué, eles não se casaram? — disse Douglas. — Deve ser os presentes de casamento, né?
Giane achou que Douglas, sem saber, deu uma boa desculpa.
— Era isso, presente de casamento. — disse Giane. — Mas por quê que você não perguntou logo, se era isso que você queria saber, hein, tonta? Ah!
— Malu e Giane fazendo favor pra Amora? Ai, gente, essa eu não engulo, viu? Não engulo mesmo! — disse Socorro.
Socorro achava que Giane, Malu e Madá estavam armando alguma coisa para Amora, só não tinha ideia do que era.
Ouviu-se a porta ser fechada. Era Giane saindo.
— Problema seu! — disse Silvério. — Ah, e toma cuidado com a escada que você pegou na Odila. A última vez que o Nestor usou, levou um tombo feio.
Silvério foi atrás da filha. Voltaram juntos para casa. Quando chegaram, viram que Caio estava na sala, falando com Fabinho.
— ... E isso vai acontecer se descobrirem que você está aqui. — disse Caio.
Giane não gostou nada de ver Caio ameaçar Fabinho.
— Ei, o quê que é isso, Caio? — disse Giane, furiosa. — Você está ameaçando o Fabinho? Você está maluco? — dirigiu-se a Fabinho. — E você, quem mandou abrir a porta pro Caio?
— Ele foi entrando. — disse Fabinho.
— Não, não se preocupa não, Fabinho. O Caio é de casa. — disse Silvério.
— É, é de casa, mas não tem nada que ficar se metendo na minha vida! — disse Giane.
Caio levantou-se do sofá.
— Bom, então, você se prepara que eu vou me meter toda vez que eu achar que você está em perigo, Giane.
Mas Giane não queria ser protegida. Não precisava da proteção, nem do cuidado do Caio. Ela sabia se cuidar, e sabia muito bem o que estava fazendo. Nunca teve medo de Fabinho, não seria agora que teria medo. Fabinho era só um moleque idiota, que nem bom de briga era. Ela já bateu nele várias vezes. Fabinho não podia com ela. Ela conhecia Fabinho desde criança e sabia com quem estava lidando. Ela conhecia o pior e o melhor dele, sabia quando ele mentia. Até porque Fabinho sempre se mostrou para ela, nunca se fez de bonzinho para ela. De tanto vigiá-lo e monitorar os passos dele, para que não prejudicasse o Bento, ela estava cansada de saber como Fabinho era. Até porque para vigiar uma pessoa de perto era preciso decifrá-la e ela estava sempre atenta a cada passo, olhar e gesto de Fabinho. Ele nunca conseguiu manipulá-la. Na opinião de Giane, Caio já estava passando dos limites. Ele ainda se achava no direito de ameaçar o Fabinho? Caio não tinha nada que se meter. Não eram mais namorados, não deviam satisfações um ao outro. Ele que cuidasse da própria vida. Caio estava era mordido de ciúmes, e ela não estava disposta a aturar as crises de ciúmes dele. Ela já estava ficando de saco cheio.
— Olha só, cara, só pra você ficar sabendo, eu não vou ficar aqui muito tempo, não. — disse Fabinho. — Eu estou só esperando a minha mãe fazer a mudança.
— E você vai ficar de bico fechado, hein! — disse Giane, furiosa, para Caio. — Senão acabou a nossa amizade! Tô por aqui!
Giane não deixaria Caio denunciar Fabinho.
— Eu não sabia que esse cara era tão importante pra você. — disse Caio, chateado. — Com licença.
Caio chegou à conclusão de que Fabinho só podia ser importante para Giane. Do contrário, Giane não iria ameaçar romper com ele, acabar com a amizade, caso ele denunciasse Fabinho à polícia.
Caio acreditava que havia tentado fazer o melhor por Giane. E na opinião dele, o melhor para ela era ficar bem longe de Fabinho. Não confiava no caráter de Fabinho, nem acreditava que ele havia mudado. Fabinho já mentiu tanto, armou. Quem podia garantir que a mudança de Fabinho era verdadeira, e não mais uma armação? Caio estava cansado de saber que Giane não era mais sua namorada. Mas ele ainda gostava dela, se preocupava com ela. Queria o bem dela. Faria tudo para protegê-la. Além do mais, ele não se conformava com o fim do namoro. Jamais encontraria alguém como Giane. Não podia se conformar em perder Giane, ainda mais para alguém como Fabinho. Caio percebeu que ela já havia caído na conversa do mau-caráter. Deu para ver que Fabinho já estava de olho nela. Estava olhando as fotos dela todo encantado. E Giane só podia estar gostando do Fabinho. Só isso explicava ela querer protegê-lo, livrá-lo da prisão. Giane podia ainda não ter percebido, mas estava caidinha por ele.
Ela até comprou uma bola para dar de presente a Fabinho. Ela dizia que era para pagar uma dívida de infância. Caio sabia que Giane se sentia responsável por Fabinho, e que se sentia mal por ter destruído a bola dele e o chamado de fresco quando eram crianças. Mas ainda assim, Caio achava que ela estava gostando do Fabinho. Caio não estava gostando de ver Giane se aproximar de Fabinho. No ponto de vista de Caio, Fabinho não prestava e faria Giane sofrer. Caio não estava gostando nada disso.
— Não, não esquenta não. — disse Silvério para Caio, procurando tranquilizá-lo. — Deixa que eu cuido dela, tá?
Silvério saiu com Caio. Fabinho e Giane ficaram a sós na sala.
— Tão bonitinho, né, o cavalheiro defendendo a donzela. — Fabinho zombou, abraçando a almofada.
Giane sentou-se no sofá, ao lado de Fabinho.
— Vai te catar, Fabinho! — disse Giane.
— Eu acho que você tinha que aproveitar. O cara tá apaixonadão por você, não tá? E ele que transformou em modelo, né? — disse Fabinho. — Eu vi aqui, você leva jeito, sabia? — folheou o book, que estava sobre a mesa de centro.
— Não vai tirar uma com a minha cara agora, né? — disse Giane.
— Não, tô falando sério. Ficou bonita mesmo. — disse Fabinho.
Giane percebeu que ele estava sendo sincero. Ficou envergonhada. Um homem lindo como ele, dizendo que ela era bonita.
— Também, com tanta maquiagem. — disse Giane, sem jeito.
— Ah, pra cima de mim? — disse Fabinho, virando-se. — Modesta agora? — riu. — Pega o cara, Giane. — folheou o book, e largou. — Vem cá, ele não é herdeiro lá da... Da Quatre Mondes?
— É, mas ele não tá nem aí pra grana do pai. — disse Giane.
— É, mas daqui a pouco o velho morre. Aí, você une o útil ao agradável. — brincou Fabinho, mordendo a ponta da almofada.
A garota não podia acreditar no que acabou de ouvir. Não era possível. Será que Fabinho só pensava em dinheiro? Ele achava mesmo que ela seria capaz de dar o golpe do baú em alguém? Será que Fabinho achava que todo mundo era interesseiro, como ele?
— Você é um... Caramba! — disse Giane, levantando-se. — Você é um interesseiro, né? Eu achei que você tinha mudado, continua a mesma coisa!
— Não, tô pensando no seu interesse. — disse Fabinho. — Porque tá achando que vai ficar assim, bonita, jovem pra sempre? Não, daqui apouco você tá velha, pobre, azeda, feia... — contou as características nos dedos.
— Ninguém quer não!
Pensando bem, ele mudou mesmo. Antes, só pensava em si mesmo, nos próprios interesses, só olhava para o próprio umbigo. Agora, não era em si mesmo que Fabinho estava pensando quando sugeriu que ela ficasse com Caio, por ser bom partido. Mas ela não queria o Caio.
— Sai daqui! — disse Giane, se fazendo de zangada, pegando uma almofada e batendo nele. — Sai daqui, palhaço! Babaca!
— Pode bater, que vai continuar feia. — provocou Fabinho, levantando-se do sofá. — Vai continuar ficando velha. — largou a almofada no sofá.
Giane sentou-se no sofá.
— Idiota! — xingou, enquanto Fabinho saía da sala.
No dia seguinte, Giane e Silvério acordaram cedo. Silvério avisou que não poderia ficar na loja.
— Não dá, filha. — disse Silvério, colocando açúcar na xícara e mexendo com a colher. — Eu marquei consulta com o doutor Fonseca há mais de 30 dias. Eu sinto muito, mas você vai ter que se virar sozinha.
— Poxa, pai, justo hoje? Eu tenho reunião lá na Crash Mídia. E é folga do Wesley. Quem vai ficar na Acácia Amarela? — perguntou Giane.
— Não sei. — disse Silvério.
— Ué, eu posso ficar lá por você. — disse Fabinho, entrando na cozinha.
Giane sentou-se na cadeira. Ficou surpresa.
— Hã? Você tá se oferecendo pra ficar na Acácia? — disse Giane.
Fabinho sempre falou mal do negócio dela e do Bento. Era inacreditável, ele não podia estar falando sério ao se oferecer para ficar na loja.
— É. — disse Fabinho, sentando-se ao lado de Silvério.
— Tá bom. Agora só falta ele se oferecer pra pegar as flores também. — disse Giane, ainda sem acreditar.
— Ué, qual o problema? Eu fico lá. — disse Fabinho. — Vocês não tão gastando um dinheirão comigo, com remédio, com médico? É o mínimo que eu posso fazer.
Para Giane ainda estava sendo difícil de acreditar. Fabinho nunca gostou de trabalhar, de pegar no pesado. E nunca havia demonstrado gratidão por ninguém. Agora se oferecia para trabalhar na Acácia, para retribuir tudo o que ela e o pai haviam feito por ele. O ser humano era mesmo surpreendente. Nem tudo estava perdido neste mundo.
— Gente, será que a gente deu remédio errado pra ele, pai? — disse Giane, rindo. — O que aconteceu? Vem cá, qual é? Qual é dessa bondade aí, Fabinho?
— Não é bondade, não. — disse Fabinho. — É isso. Eu acho que vocês tão gastando um dinheirão comigo. Tudo bem, eu vou pagar com trabalho.
— É, nesse Fabinho aí, até que eu tô acreditando. — disse Giane, tomando um gole do café.
Silvério e Giane acabaram concordando em contratá-lo.
— Olha... — disse Silvério, dando uns tapinhas no ombro de Fabinho. — Eu acho justo. Mas é melhor você ficar na loja e cuidar das vendas, viu? É. Não acho bom você sair carregando caixa debaixo do sol, não.
— Que isso, pai? Isso aí tá forte feito um touro. — disse Giane.
Fabinho balançou a cabeça, concordando.
— Quer dizer, touro não, que isso aí ele nunca foi, né? — Giane riu. — Feito um bezerro.
Silvério também achou graça e deu uma cotovelada em Fabinho.
— Bora, bezerrão. Bora pra gente pegar no trampo. — disse Giane.
— Mas cuidado que o pessoal da rua ainda tá bravo com ele, hein? — disse Silvério.
Fabinho levantou-se da mesa, e Giane também.
— Não tem problema não, que eu encaro. —disse Fabinho. — Se quiser chamar a polícia não tem problema não, porque eu não vou mais fugir de ninguém. — deu uns tapinhas amigáveis nas costas de Silvério. — Vamos, que o bezerrão vai trabalhar!
— Uh lá, lá! — disse Giane, rindo, andando ao lado de Fabinho.
Ela ficou ainda mais surpresa ao ver que Fabinho não se importava mais em ser preso. Ele morria de medo da prisão, agora não ligava a mínima.
— Como é que faz bezerro? — perguntou Fabinho.
Silvério riu, balançando a cabeça. Giane e Fabinho saíram. Na rua, toda a vizinhança estava colhendo as flores, como sempre.
— A gente vai pegar as flores e levar lá pra Acácia Amarela. — disse Giane.
Deu para ver que Fabinho estava nervoso. Mas ele não precisava ter medo, pois ela estaria ao lado dele para apoiá-lo. Giane cumprimentou a todos:
— Bom dia, gente!
Todos os vizinhos surpreenderam-se ao vê-la com Fabinho. Ninguém sabia que Fabinho estava hospedado na casa dela. Ela e o pai não haviam falado nada para ninguém da rua. Ninguém havia visto ela e o pai trazerem Fabinho para casa, porque estavam todos no casamento de Charlene, ou no de Bento (somente Salma e Gilson haviam ido ao casamento de Bento. A maioria foi para o casamento de Charlene). Com exceção de Malu, Irene, Plínio e Margot, ninguém sabia que Giane estava hospedando Fabinho. E agora os vizinhos olharam torto para Fabinho.
— Ô Giane, o quê que você tá fazendo aí com o Fabinho? — perguntou Lili, carregando uma caixa com flores.
— Bom dia pra você também, tio Lili. — disse Giane, e olhou para Fabinho. — O Fabinho vai me ajudar lá na Acácia Amarela. Ele vai ficar lá hoje.
— Hã? O que esse marginal tá fazendo aqui? — perguntou Socorro.
— Ele vai me ajudar hoje, Socorro. — disse Giane. — Por quê? Vai dedar ele também? Se quiser, aproveita e diz que ele tá lá em casa.
Por ela, podiam chamar a polícia. Fabinho disse que não fugiria mais da prisão. Além do mais, ninguém tinha nenhuma prova concreta contra ele. O caso do incêndio da Toca dava margem a muitas dúvidas, tanto Amora quanto Fabinho podiam ter provocado o incêndio. E ela achava que não foi Fabinho. Malu também acreditava na inocência dele. Além disso, Giane duvidava que os vizinhos tivessem coragem de denunciar a ela e ao pai, por acobertarem um criminoso. Ela e o pai sempre foram figuras muito queridas ali na rua. Eram todos amigos, uma grande família. Ninguém na vizinhança iria querer se indispor com eles, disso Giane tinha certeza.
Giane e Fabinho dirigiram-se à van. Socorro disse:
— Olha aqui, você ainda vai se arrepender de hospedar marginal, hein?
— Vai te catar! Vai trabalhar, Socorro! — disse Giane, pegando a caixa com flores que Jonas trouxe.
— Giane, você tem certeza que vai deixar a loja com o Fabinho? — perguntou Jonas. Ele acreditava que Fabinho havia provocado o incêndio na Toca, e achava que Fabinho era capaz de incendiar a Acácia Amarela também.
Fabinho pegava as caixas que os vizinhos traziam e colocava na van.
— Jonas, você também? Vou, por quê? — disse Giane.
Giane achava natural que todos ainda tivessem um pé atrás com Fabinho, mas deviam ter mais confiança nela. Ela sabia o que estava fazendo. Logo ela e Fabinho estavam cercados pela vizinhança da rua.
— Eu também acho que você vai se arrepender, Giane. — disse Odila.
— Bom, só tirar todas as caixas de fósforo lá de dentro, né? — disse Jonas.
— Aí, mano, se tacar fogo na Acácia Amarela que nem você fez na Toca... — disse Lucindo para Fabinho.
Só que Fabinho já havia perdido a paciência.
— Eu não taquei fogo lá. Você acha que eu ia matar o Bento? — disse Fabinho. Deu para ver que ele estava se segurando para não mandar todos ali para o inferno.
— Mas por que não? Você tentou me matar, esqueceu? — disse Odila.
— Só que foi diferente. — disse Fabinho.
— Ah, tá... — disse Odila.
— Olha, eu sei que vacilei com todos vocês, mas eu queria pedir pra vocês me deixarem em paz, por favor. — disse Fabinho. — Eu tô quieto na minha. Só tô pagando a dívida que eu tenho com a Giane.
— Ah, mas é engraçado isso, né? — disse Lili. — Ele transformou a vida de todos nós num inferno e agora ele quer um pouquinho de paz.
Fabinho sorriu, irônico.
— A sua vida virou um inferno? — disse Fabinho, furioso, impaciente. — Eu tô vendo o inferno que virou a sua vida. Inferno virou a minha vida! Quem se ferrou aqui, fui eu! O que vocês querem mais? Tripudiar?
— Bom, pra começar, você podia fazer um pedido de desculpas pra nós todos, não é? — disse Lili, girando o dedo indicador, apontando para todos.
— Mas tem de ser de coração. Lá do fundo, hein? Senão não vale. — disse Odila.
Todos ficaram esperando Fabinho pedir desculpas, inclusive Giane. Porém, para Fabinho, aquilo era humilhação. Não pediria desculpas. Pelo visto, ele era orgulhoso demais.
— Tô te esperando na van, Giane. — disse o rapaz, afastando-se.
— Não precisa, não. Já tô indo. — disse Giane. — Gente, tchau, tchau. Dá licença. — fechou as portas traseiras da van. — Bom dia.
— Tchau, vai... — disse Lili.
— Bom dia. — disse Giane.
— Tchau, Giane. Vai com Deus. — disse Odila.
— Vai, demônia! Vai se lascar! — disse Lucindo.
— Não acredito que a Giane caiu na conversinha desse cara, viu? — disse Jonas. Giane entrou na van, onde Fabinho a esperava.
Partiram para a Acácia Amarela. Mais tarde, na loja, Giane procurou mostrar a Fabinho como se fazia o arranjo de um vaso de flor.
— Olha, Fabinho, aí, você pega e coloca ele aqui no cantinho. — disse Giane, mostrando a ele como se fazia. — Tá prestando atenção?
— Tô. — disse Fabinho.
— E aí, você vai dando o acabamento, entendeu? Em volta. — disse Giane, colocando a vegetação em volta da planta. — Ok? Vamos lá! Então faz aí, você agora, vai! — tirou todo o material que havia acabado de colocar no vaso.
Colocou um vaso pequeno diante dele. Fabinho hesitou.
— Você sabe que eu não vou conseguir fazer igual, né? — disse o rapaz.
— Só tenta, Fabinho. — disse Giane.
Fabinho tirou a planta do vaso menor e colocou-a no vaso maior, onde estava a orquídea. Porém, Giane notou a má vontade do garoto. Estava com a cara amarrada. Pelo visto, ele não estava de bom humor.
— Fabinho, se é pra fazer desse jeito, com essa cara de bunda, vai pra casa, né, cara? — reclamou a garota.
— Giane, eu prometi trabalho. Eu não prometi nem sorriso, nem simpatia. — Fabinho replicou. — Se você acha que eu vou ficar aqui conversando com flor, você tá enganada. Esse é o Bento e eu não sou o Bento.
— Hum! Nem tinha reparado. — disse Giane, saindo de trás do balcão. — Olha só, Fabinho, você faz do jeito que você quiser. Mas faz esse negócio direito. Se esforça um pouquinho, cara! — deu uns tapinhas nas costas dele.
— Tá bom, tá bom, tá bom. — disse Fabinho.
Giane ficou observando-o fazer o acabamento do vaso. Fabinho era tão lindo. E tão metido, irritante, mal-humorado, grosseiro, irônico, explosivo. Ao mesmo tempo, ele era divertido. E era tão carente. É, não podia mais negar para si mesma que estava encantada com o garoto.
Fabinho, ocupado fazendo o arranjo, nem percebeu que a garota olhava para ele.
Continuaram trabalhando na loja. Giane começou a podar as plantas, e Fabinho começou a borrifar água nas plantas e flores. Ao ver o garoto molhar as flores, Giane ficou admirada. Ele estava fazendo tudo direitinho, apesar de estar sempre com a cara amarrada. Até que levava jeito.
— Hum. — disse Giane, descendo do banco. — Tá virando um belo de um florista.
— Hum. — disse Fabinho, sem jeito.
— Ih, o quê que é? Tá brincando de vaca amarela? Vai ficar sem falar comigo? — brincou Giane.
Ela estava achando Fabinho quieto demais.
— E sobra espaço? Você fala pra caramba. Fala pelos dois. — brincou Fabinho.
Giane riu. Ela reconhecia que também não era muito faladeira.
— Garoto, tu é muito mala, hein? Tudo bem, eu não falo. É melhor, que aí não fala besteira. — disse Giane, pegando umas flores.
— Exatamente. Vamos curtir o silêncio. — disse Fabinho, e foi mexer em outras flores, porém, acabou esbarrando com a perna machucada em um móvel. — Ai! Ai! — sentou-se no banco.
— O quê que foi? Se machucou? — perguntou Giane, deixando as flores sobre o balcão.
— Minha perna machucada. Ai, minha perna. — gemeu Fabinho.
— Ah, mas além de chato é desastrado, hein? — disse Giane, aproxi-mando-se e abaixando-se para dar uma olhada na perna dele. — Deixa eu ver isso.
— Não, tá calmo aí. — disse Fabinho.
Ouviram batidas na vitrine. Olharam e viram que era o Caio.
— Ih, caramba! Seu namoradinho. Vai lá. Tá tranquilo aqui. — disse Fabinho.
— Giane. — disse Caio, nervoso, entrando na loja. Não havia gostado nada de ver Giane e Fabinho no maior clima.
Caio já estava sabendo que Fabinho estava trabalhando com Giane na loja. Foram os vizinhos que contaram. A notícia já havia se espalhado. Por isso ele foi falar com Giane. Precisava abrir os olhos dela. Giane estava fazendo uma loucura. Primeiro ela abriga o marginal, depois o coloca para trabalhar na loja. Caio achava que tinha de dar um jeito de afastar Giane de Fabinho, de uma vez por todas. Fabinho era perigoso.
Caio resolveu tentar, mais uma vez, voltar com Giane. Não apenas por ainda gostar dela, mas também seria um modo de afastá-la de Fabinho. Ele não deixaria Fabinho chegar perto dela. Mostraria para Fabinho que ele, Caio, estaria sempre por perto e atento. Como namorado, estaria sempre de olho. Giane não estava entendendo a reação de Caio.
— O que é isso, Caio? — perguntou Giane.
— Eu não quero mais você perto desse cara! — disse Caio.
Giane pensou que Caio só podia estar ficando maluco. O que deu no Caio? Desde quando ele mandava nela? Caio não tinha querer. Não eram namorados. Não era a primeira vez que discutiam por causa do Fabinho, mas desta vez Caio estava extrapolando.
— Caio, eu já falei que você não pode falar comigo desse jeito. — disse Giane. — Ei, eu não sou mais sua namorada!
— Quem disse que não? — disse Caio, antes de agarrá-la e beijá-la. Giane empurrou-o, mas ele não a largou. — A partir de agora, a gente tá junto de novo, Giane. E não adianta você espernear, que eu não vou te largar mais.
Giane ficou furiosa. Era até natural que Caio se preocupasse, mas ele estava passando do ponto. Ele não devia tê-la agarrado daquele jeito. Estava ficando muito abusado. E a decisão de voltar a namorar não cabia só a ele. Ela também tinha de querer. E ela não queria. Será que ele não era capaz de entender que agora eram só amigos? Que ela não queria nada com ele? Caio tinha de aceitar o fim do namoro e respeitar a decisão dela. Era melhor ele parar, do contrário, ela não olharia mais para a cara dele. Sua paciência já havia se esgotado. Caio andava tendo umas reações diferentes ultimamente. Onde estava aquele garoto meigo e gentil? Ela nunca pensou que Caio pudesse ser tão intolerante, tão mandão, e tão atrevido. Ela não conhecia esse lado dele. Não estava gostando.
— Caio! — disse Giane, irritada, fazendo com que ele a soltasse. — Por que você fez isso, cara? Você tá maluco? Sai daqui! — empurrou-o.
A garota estava chocada. Nunca pensou que Caio fosse agarrá-la. Desta vez passava, mas da próxima, ele iria apanhar.
— Giane! Oi! — disse Lucindo, entrando na loja, batendo as mãos. — Coração, eu quero duas dúzias de rosa bem vermelha, tá? Porque, hoje, eu quero a minha Mangaba bem docinha.
Lucindo estava saindo com a mulher Mangaba.
— Ô, Lucindo, fala ali com o Fabinho, que ele vai te ajudar. Tô meio ocupada aqui. — disse Giane, olhando com raiva para Caio.
— Com esse zóião aí, não tem conversa, não. Falou, Giane. — disse Lucindo, antes de ir embora.
No ponto de vista de Caio, Giane só podia estar maluca por ter colo-cado Fabinho para trabalhar na loja com ela. Ele estava espantando os clientes.
— Ô Giane, você tá vendo, por quê que você não manda esse Fabinho embora daqui? — disse Caio.
Giane ficou com mais raiva ainda. Era só o que faltava, o Caio querer dizer o que ela devia fazer ou não. A loja era dela. Ele não tinha nada que se meter. Caio precisava parar com isso, de tentar afastá-la de Fabinho. Ele estava cansado de saber que ela e Fabinho se conheciam desde a infância. Ela sabia o que estava fazendo. Caio devia confiar mais nela.
— Caio, sai daqui! — disse Giane, irritada.
— Não! — disse Caio. Estava apavorado, não queria deixar Giane sozinha na loja com o pilantra. Será que ela não entendia que ele só queria protegê-la?
— Chega! Eu cansei dessa enrolação! Eu gosto de você, Giane. Por quê que a gente não fica junto? — insistiu Caio.
Caio queria voltar com ela. Não era a primeira vez que ele pedia para reatarem. Achava que, como namorado, estaria protegendo-a e afastando-a de Fabinho. Ao lado dele, Caio, Giane estaria bem segura. Além do mais, ele não aceitava perder Giane para alguém como Fabinho. Ele não deixaria Fabinho ficar com Giane, de jeito nenhum.
Giane não conseguia entender a insistência de Caio. Ele estava cansado de saber por que não estavam juntos. Ela não era apaixonada por ele. De nada adiantaria o Caio implorar, ela não voltaria com ele.
— Porque eu não quero, cara! Eu não tô a fim! — disse Giane. Esperava que Caio entendesse de uma vez por todas. Ela foi bem clara.
Caio ficou chateado por ter levado o fora. Não era possível que Giane estivesse a fim do Fabinho. Ela não podia trocá-lo por alguém como Fabinho.
— É dele que você gosta? — perguntou Caio, referindo-se a Fabinho.
Giane estava sem paciência. Caio não tinha nada que ficar questionando-a sobre seus sentimentos. Não era hora para isso. Se ela gostava ou não de Fabinho, o Caio não tinha nada com isso. E ela tinha mais o que fazer, não tinha tempo para ficar discutindo a relação. Aliás, ela estava cansada de discutir com Caio sobre esse assunto.
— Claro que não, Caio. O Fabinho é o último cara que eu me interes-saria.
Ela sabia que não estava sendo sincera, mas também relutava em admitir que estava sentindo alguma coisa por Fabinho.
— Então, de quem que você gosta? — insistiu Caio.
— Olha só, Caio... — disse Giane, colocando a mão sobre o ombro dele.
Ela queria consolá-lo. Estava morrendo depena dele. Caio ainda estava sofrendo pelo término do namoro.
Caio afastou o ombro. Não queria a pena dela.
— Você já sabe o que eu sinto, tá? Agora, tá na tua mão. — disse Caio. Olhou para Fabinho. — Fica esperta com esse cara aí.
Giane não achava que precisava ficar esperta. Fabinho não era alguém que ela havia acabado de conhecer. Ela o conhecia desde sempre, desde que nasceu. Desde bebê ela convivia com as crianças do lar. Gilson e Salma sempre ajudaram a cuidar dela, porque Silvério tinha de trabalhar. Ela sabia perfeitamente o que estava fazendo e com quem estava lidando. Ao contrário do que Caio pensava, Fabinho não oferecia perigo. Ele nem seria idiota de aprontar alguma coisa. Ele estava respondendo a processos. Além disso, ela acreditava que Fabinho estava mudando.
Caio foi embora.
— Abraço, querido. — disse Fabinho, e espirrou água atrás de Caio.
Fabinho aproximou-se de Giane, que estava no balcão.
— Giane, eu vou te falar uma coisa, na boa. — disse Fabinho. — Eu acho que esse cara tá certo, sabia? O cara é rico, bonito, você quer mais o quê?
— Quero alguém que não me dê ordens. — disse Giane.
— Vem cá, me fala uma coisa. Você mandou o cara embora por minha causa? Não, né? — disse Fabinho.
— Ah... — resmungou Giane.
— Você fez isso porque, no fundo, você ainda tem esperança de se entender com o Bento. — disse Fabinho.
Giane não podia deixar de pensar como Fabinho estava enganado. Bento continuava sendo importante para ela. Ele era e iria continuar sendo seu melhor amigo. Mas ela não era mais apaixonada por ele. Já havia desencanado. Agora, outra pessoa ocupava seus pensamentos. E a pessoa estava na frente dela. Por incrível que pudesse parecer, ela estava sentindo algo diferente por Fabinho. Porque ela estava achando-o diferente. Ele parecia outro. Não tinha mais aquele brilho de raiva nos olhos. Toda aquela revolta parecia estar indo embora. Ele não era mais aquele moleque imaturo, egoísta, nem tinha mais aquela energia pesada. Fabinho agora parecia uma pessoa mais leve, e mais madura também. Ela estava percebendo que Fabinho era uma pessoa cheia de camadas, nuances. Era uma pessoa complexa. Fabinho a surpreendia cada vez mais.
— Claro que não. Tá legal? Já disse que não. — disse Giane.
Fabinho pareceu não acreditar no que ela dizia. Insistia em dizer que ela era a fim do Bento.
— O que você tá dizendo aí, garoto?
— Eu acho que você tem que esquecer o Bento.
— Ai... — resmungou Giane, enquanto cuidava do arranjo de uma flor.
— O cara tá casado, Giane. Não pega nem bem. — disse Fabinho.
— Meu Deus! Mas eu não tô mais a fim do Bento! Que coisa! Para de falar besteira! — disse Giane, impaciente.
— Então você trata de aproveitar, porque tá cheio de príncipe encantado por aí. — brincou Fabinho, e riu.
— O quê que você tem a ver com isso, hein? — disse Giane, atirando o material nele, brincalhona. Tinha de admitir que ele tinha senso de humor. E ela estava adorando isso.
— Tá vendo só? Isso é coisa de gente que não sabe conversar. — brincou Fabinho.
— Vou enfiar isso aqui no meio do seu olho! — disse Giane, pegando a tesoura de poda. Fabinho pegou os borrifadores e ameaçou espirrar água nela.
— Ei! Com licença! — disse Pulquéria, que acabou de entrar na loja. — Eu queria um vaso bem bonito pra colocar na garagem. Assim, do lado da samambaia de metro.
— Claro. Eu vou te mostrar uma aqui. — disse Giane, indo buscar o vaso de planta.
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