Um amor inesperado
46 Confissão
Giane atendeu a cliente. Fabinho continuou molhando as flores. Assim que a cliente foi embora, Giane disse, enquanto colocava flores nos vasos:
— Fabinho. Pega aquele vaso ali e bota no lugar daquele que a cliente levou. Só por causa dos absurdos que você me disse, hoje vai carregar pedra.
— Entendi. Agora que virou modelo, tem medo de quebrar a unha, né? — Fabinho zombou, enquanto espirrava água nas flores.
O rapaz viu que Giane fechou a cara e estava indo pegar o vaso.
— Não, não. Pode deixar. Eu pego. — disse Fabinho.
Pegou o vaso do chão e colocou-o na prateleira. O vaso era pesado.
— Caramba! — disse o rapaz.
A garota olhou para a cicatriz em sua mão.
— Fabinho... — disse Giane, pegando na mão dele e olhando bem para cicatriz. — Essa cicatriz aqui...
Giane sabia que Fabinho tinha uma cicatriz na mão. Mas até então não havia reparado nela. Nos últimos dias, em que esteve cuidando de Fabinho em sua casa, andou com a cabeça cheia. Além dos compromissos de trabalho, andou preocupada com Fabinho. Seu foco estava em cuidar dele. Nem olhou direito a cicatriz, para ver se era ou não compatível com a marca do ancinho. Nem passou pela sua cabeça investigar quem teria destruído a estufa do Bento. Mas agora, olhando bem, a cicatriz só podia ser resultado da marca do ancinho. Isso confirmava o que ela sempre suspeitou: era ele aquele vândalo mascarado que invadiu a estufa naquela noite. Foi ela que tinha machucado a mão dele.
O rapaz puxou a mão.
— O que tem? — perguntou Fabinho.
— Foi você mesmo aquele dia, né? Fala, Fabinho!
Queria que ele confessasse. Até porque quem se arrepende, confessa o que fez. Lembrar das coisas que Fabinho foi capaz de fazer, a pessoa terrível que ele era, a deixava triste. Ela queria entender melhor o que o levou a agir daquela maneira. E esperava que ele se arrependesse de verdade. Que reconhecesse todo o mal que fez. Fabinho ficou quieto por um momento, depois disse:
— Giane, você vai voltar com toda aquela história, agora?
— Fabinho, eu não vou voltar com nada. Eu só quero entender. Fala! Foi você, né?
O que ela queria era tentar entender as motivações dele, não julgá-lo.
Irene entrou na loja neste momento.
— Fabinho!
Ele virou-se.
— Que bom! Então é verdade. Você já tá de pé e trabalhando?
— Que bom que você chegou que eu vou vazar. — disse Giane, e deu um tapa nas costas de Fabinho. — Cuida de tudo aí, hein?
Giane tinha de ir a uma reunião na Crash Mídia.
— Posso ajudar? — perguntou Irene.
— Pode carregar vaso, você aguenta? — perguntou Fabinho. Pelo visto, Fabinho continuava sendo estúpido e grosseiro.
— Como eu disse, não mudou nada. — disse Giane, antes de sair.
Foi até a Crash Mídia, para a reunião com Nelson Ramos. Na reunião, além de Nelson, estavam presentes Jonas, Maurício, Sílvia e Vinny. Érico não estava, pois havia sofrido um acidente de carro. Sofreu traumatismo craniano, havia sido operado e continuava no hospital, se recuperando.
— Olha, eu gosto. — disse Nelson, olhando para o panfleto da campanha. — É simples, é direto. É natural como o produto. You, o seu iogurte orgânico. Muito mais saúde, muito mais sabor pra você. Aprovado.
Todos comemoraram, inclusive Giane, que deu um tapa na mão de Sílvia.
— Giane, voa pro estúdio pra fazer as fotos, querida. Vai lá. — disse Sílvia.
— Tá bom. — disse Giane. — É, Vinny, você me leva lá?
Vinny assentiu. Giane dirigiu-se a Jonas.
— Jonas, me faz um favor? Liga lá pra Acácia Amarela e diz pro Fabinho que eu vou demorar um pouquinho.
— Tá. — disse Jonas.
— Beijo, gente. — disse Giane, indo embora.
— Tchau, amada. — disse Sílvia.
— Tchau, Giane. — disse Maurício.
Vinny levou Giane até à Para Sempre, para tirar as fotos no estúdio do Caio.
— E aí, Caio? — cumprimentou Giane, assim que o viu.
— Oi. — disse Caio, que estava ao lado de Vanessa, a recepcionista.
— Ó, a Sílvia mandou dizer que o Nelson Ramos adorou a campanha. — disse Giane, e cumprimentou Vanessa. — Tudo bom?
— Tudo bem. — disse Vanessa.
— E aí, tá ficando bom? — perguntou Giane, referindo-se às fotos.
— Tá. — respondeu Caio.
— Deixa eu ver. — disse Giane, aproximando-se e olhando a câmera. Deu uma olhada nas fotos e achou-as lindas.
Caio continuou mostrando para Vanessa as fotos que havia tirado dela. Vinny também deu uma olhada.
— Você podia ser modelo, sabia? — disse Camilinha a Vinny. — Você tem uma beleza e um porte pra isso. Hum? — colocou as mãos sobre os ombros dele.
— É, só falta desenvoltura e vontade. — disse Vinny. — Eu não nasci pra isso, não. Essa história de ser modelo a gente deixa pra Giane e pra Vanessa. Aliás, Vanessa, você mandou muito bem, viu?
— Ah, obrigada. — disse Vanessa.
— Caio, vamos lá trabalhar? — disse Giane.
Ela queria fazer as fotos o quanto antes. Precisava voltar à loja. Não queria deixar Fabinho lá sozinho, por muito tempo. Irene ficou fazendo companhia a ele, mas ela também devia ter mais o que fazer. Giane não sabia se Fabinho conseguiria dar conta de tudo sem ajuda.
Giane foi até o estúdio, sendo seguida por Caio.
— Você tá bem-disposta, hein? — comentou Caio.
— É que eu tenho que correr pra loja. — disse Giane.
— Tudo isso aí é saudade lá do Fabinho? — perguntou Caio, enciumado.
A garota estava sem paciência para as crises de ciúmes do Caio. Caio costumava ser um cara legal, agora ficou chato. Estava insuportável. Parecia ter virado outra pessoa desde que terminaram o namoro. Ele concordou em terminar. Não era ele quem dissera que não podia ficar num relacionamento desigual? Por que agora insistia em voltar para ela? E por que esta implicância com Fabinho? Ela e Caio não estavam mais juntos, portanto, ela podia andar com quem quisesse. Se tivesse que rolar alguma coisa entre ela e Fabinho, não seria Caio quem iria impedir.
— Não começa! Não começa! Já não me basta o que você aprontou...
— Eu fiz porque eu te amo! — disse Caio.
Esse amor do Caio já estava incomodando-a, sufocando-a. Ela não queria esse amor ciumento e possessivo. Eram apenas amigos. O Caio tinha que enfiar isso na cabeça. Não tinha mais volta. Desse jeito não dava para continuar.
— Então para de me amar, cara! — disse Giane, sem paciência. — Se tem uma coisa que eu não suporto é homem grudento!
Giane viu que Caio ficou chateado. Ela não teve a intenção de magoá-lo. Não quis ser indelicada. Havia falando de cabeça quente, sem pensar.
— Desculpa. — disse Giane.
— Tá tudo bem. Como você disse, vamos trabalhar. — disse Caio, mal-humorado.
Após a sessão de fotos, Giane voltou para a Acácia Amarela. Fabinho já havia fechado a loja, mas ele e Irene estavam em frente ao estabelecimento quando ela chegou.
— Pra você, é muito difícil ser grato, né, meu filho? — disse Irene.
— Não, filho não. Filho é o Bento. — disse Fabinho.
— Hum. Delicadeza em forma de menino, né? — disse Giane, apontando para ele.
Giane achava que Fabinho devia ter sido um pouco mais delicado com Irene. Irene podia não ser mãe dele, mas o amava como um filho. Ainda não conseguiu se desligar dele. Era natural, pois Irene passou a vida inteira achando que Fabinho era filho dela. O problema era que Fabinho falava o que vinha à cabeça e não media as consequências. Aliás, Giane tinha de reconhecer que tinha o mesmo defeito. Às vezes falava sem pensar.
— Porque você passou na fila da delicadeza umas três vezes, né? — disse Fabinho.
— Bom, eu vou indo. Mas olha, foi um dia realmente delicioso! Tchau pra vocês! — disse Irene, indo embora.
— Tchau. — disse Fabinho.
Ele e Giane ficaram a sós. Fabinho perguntou:
— Demorou tanto por quê, hein? Onde é que estava?
— Resolveu tirar satisfação, agora? — perguntou Giane.
— Não, Giane. Eu não tô nem aí pra sua vida. É que antes de sair, você me fez uma pergunta e a resposta é sim. Fui eu sim!
— Foi você o quê, Fabinho? — perguntou Giane.
— Eu entrei na estufa do Bento e quebrei tudo. — disse Fabinho.
Giane se lembrou de que havia perguntado para Fabinho se tinha sido ele quem destruiu a estufa.
— Fabinho, por que você fez isso, hein? Por quê? Por que detonar a estufa do Bento? — perguntou Giane, chateada. Ela se perguntava se ele havia se dado conta de que havia prejudicado não só o Bento, mas todos os cooperados.
— Porque a gente brigou, a gente caiu na porrada, eu tava nervoso e queria descontar. Não sei, não sei, é isso. — disse Fabinho. — Você queria saber. Essa é a resposta. Está satisfeita?
Giane passou a vida toda com dificuldade em entender a raiva que Fabinho tinha de Bento. Bento nunca fez mal nenhum a ele, até tentou ficar amigo dele na infância. Será que Fabinho havia entendido que Bento ser como era não era uma afronta a ele? Que as pessoas tentaram ajudar, na medida do possível, e que se erraram, não foi por maldade? Ele ainda tinha raiva, inveja do Bento? Continuava revoltado com o mundo, com ódio das pessoas? Ela se perguntava se Fabinho havia parado para refletir, se analisar, entender a razão pela qual ele sentia tanta raiva do ser humano. Ela esperava que ele deixasse o rancor de lado, fizesse as pazes com o passado, aprendesse a perdoar e se perdoar também.
— Só quero entender. Você ainda sente essa raiva das pessoas?
— Eu não sei mais o que eu sinto. — disse Fabinho.
— Fabinho, você pelo menos se arrepende, cara? — perguntou Giane.
Ela não iria denunciá-lo, até porque ele já estava com um monte de processos nas costas. Fabinho sofreu demais pelos erros que cometeu, já foi muito punido pela vida. Todos viraram as costas para ele, ele passou meses na rua da amargura e não estava sendo nada fácil para ele recomeçar. Além do mais, já fazia muito tempo que ele havia destruído a estufa. A confissão dele não bastaria para condená-lo. Seria preciso outras provas, e ela não tinha visto o rosto dele. Nem a cicatriz era prova suficiente, pois o ferimento podia ter sido causado por qualquer outro objeto que não o ancinho. Ele não poderia pagar o prejuízo, pois não tinha dinheiro. Mas ela achava que Fabinho devia ao menos pedir desculpas.
Fabinho virou a cara, evitando olhar para ela. Deu para ver que ele se sentia desconfortável. Ele não disse nada.
— Responde! — insistiu Giane.
— Não sei, não sei o quê que você quer saber! Se eu faria de novo? Não, eu não faria de novo! — Fabinho descontrolou-se.
— Fabinho! Você é muito... — disse Giane.
— Você vai me dar sermão? Você vai me dar sermão?
— Fabinho, abaixa o tom. Você tem que aprender a pedir desculpas, cara. — disse Giane. — Fabinho, pede desculpas. Anda!
Giane achava que ele tinha de deixar o orgulho de lado e pedir desculpas. Mas pelo visto, era pedir demais. Fabinho afastou-se e saiu andando, furioso.
— Fabinho? Fabinho! — chamou Giane, porém, Fabinho nem deu ouvidos. — Que saco!
Fabinho continuou andando pelas ruas. Giane pegou a van e foi atrás dele. Assim que o viu, estacionou a van na frente dele.
— Ei, entra aí! — disse a garota.
Fabinho olhou para ela com a cara amarrada. Entrou na van. Partiram. À noite, dona Margot veio jantar na casa de Giane e Silvério. Conversaram a respeito da mudança. Margot já havia se mudado para a casa que era da Charlene, e Fabinho também passaria a morar lá. Só que a casa ainda não estava completa. Faltavam vários móveis.
— Os móveis devem chegar amanhã. — disse Margot.
— Ah, pode deixar, Margot, eu vou ajudar você a descarregar, tá? — disse Silvério.
— Eu posso te ajudar também. — Giane ofereceu-se.
— Eu tenho que passar no fórum amanhã, por causa do processo, mas quando acabar, eu volto e ajudo. — disse Fabinho.
Ele estava respondendo a vários processos por roubo, suborno, destruição de patrimônio e tentativa de homicídio.
— Meu Deus, como eu fico feliz de te ver tão bem. — disse Margot.
— Hum, vai começar! — disse Fabinho, sem jeito.
— Gente, obrigada por terem ajudado o Fabinho a mudar pra melhor. — disse Margot.
— Ela sempre cai na pieguice, estou falando sério! — disse Fabinho, olhando para Giane.
— Para! — disse Giane.
Neste momento, ouviram o som de um carro se aproximando.
— Quem será que está chegando? — perguntou Giane, levantando-se da mesa. — Deixa eu ver, peraí.
Giane foi olhar na janela e viu que havia um táxi parado na frente.
— Ué? — disse Giane.
Ela viu Bento e Amora descerem do táxi.
— O Bento e a Amora não iam chegar só semana que vem? — perguntou Giane.
Giane não queria nem pensar na reação de Bento ao entrar em casa.
— Ué, você está preocupada com alguma coisa? — perguntou Fabinho.
— Com o Bento! Mas seja o que Deus quiser. — disse Giane.
Foi para fora. Observou Bento e Amora entrarem dentro de casa. Ela resolveu ligar para Malu, para avisar que Bento e Amora chegaram de viagem.
— Malu? Adivinha quem acabou de chegar na Casa Verde?
— Mas já? Seja o que Deus quiser então, né, Giane? — disse Malu. — Qualquer coisa me liga, tá? Beijo!
Um pouco mais tarde, Giane foi até o quintal da casa de Bento, e ficou ouvindo a briga entre Bento e Amora. Era óbvio que Bento estava furioso por descobrir que Amora o fez de trouxa mais uma vez. E pelo visto, Amora deixou cair a máscara. A Amora dizia:
— Você tem noção do que você podia fazer com essa fortuna? Você podia fazer o seu projeto da sua fundação, você podia ajudar na cooperativa.
— Cooperativa, fundação, uma casa um pouco maior pra gente, tá bom no Jardim Europa pra você? Se você quiser... — disse Bento.
— Você foi criado de forma humilde. Mas isso não quer dizer que você tem que continuar assim pro resto da sua vida! — disse Amora.
Giane ficou satisfeita. Bento agora sabia que Amora não havia mudado nada, que aquela conversa de que ela tinha virado uma pessoa simples, que não ligava mais para dinheiro, era tudo da boca para fora. Amora deixou bem claro que estava era de olho na grana do Plínio. Agora era torcer para Bento se separar da Amora. Giane não estava mais apaixonada por Bento. Bento se separando ou não de Amora, não mudaria nada. Bento não a interessava mais, não como homem. Mas continuava querendo o bem do amigo, e achava que ele seria mais feliz com outra pessoa. Bento era um cara bacana e merecia coisa melhor que a cobra da Amora.
— Coisa feia, hein? — disse Fabinho, atrás de Giane. A garota assustou-se.
— Shiu. Feia tá a coisa aí dentro. — disse Giane.
— Com a sua ajuda, aposto, né? — disse Fabinho.
— Cedo ou tarde, a coisa ia feder mesmo. Eu e a Malu só demos uma ajudinha pra ferrar com a entojada. — disse Giane.
— Vem cá, tem nada que ficar aqui, né? Vambora! — disse Fabinho. — Vambora, vamos pra tua casa, vambora!
Como viu que Giane não saía do lugar, Fabinho puxou-a pelos ombros.
— Ai! — protestou Giane, dando uns tapas nele.
— Vambora, garota! — disse Fabinho.
Deram uma passada na casa dela. Depois foram para a casa que era da Charlene, onde Margot estava morando e onde Fabinho passaria a morar. A casa ainda estava uma bagunça. Muitas coisas ainda estavam nas caixas. Estava tudo desarrumado.
— Aqui, olha, o antibiótico que você esqueceu. — disse Giane, entregando a cartela com o remédio a ele. — Tem que tomar de oito em oito horas, Fabinho. Não pode esquecer. Você tomou o de hoje?
— Como? Não tava aqui. — disse Fabinho.
— Fabinho, isso é coisa séria! Não pode esquecer! — disse Giane.
— Se você fosse minha amiga mesmo, tinha lembrado pra mim. — disse Fabinho, carente.
Giane sorriu. Adorava o jeito dele, de menino carente. Parecia uma criança pedindo colo. Isso o tornava irresistível aos olhos dela.
— Mas você só quer saber do Bento. — disse Fabinho.
— Ah, para de falar besteira. — disse Giane, sorridente.
— Besteira? Estava na porta da casa do cara agora ouvindo briga dele com a mulher. Isso é papel que se faça, Giane? Tá doida. — disse Fabinho.
Giane havia se levantado da mesa de centro, onde estava sentada. Ficou furiosa. Será que ele não entendia que ela só queria abrir os olhos do Bento? Ela não era de deixar os amigos na mão. Além do mais, Fabinho não podia criticá-la. Ele fez muita coisa errada.
— Eu só queria ver a justiça sendo feita. — disse Giane, irritada. — E você? Não pode falar nada de mim, não, garoto! Tu não lembra, não? Invadiu a estufa do Bento só pra quebrar tudo. Hã, vem falar de mim...
— Você vai jogar isso na minha cara? — disse Fabinho, chateado.
— Olha só, Fabinho, você tem que procurar o Bento e pedir desculpas. — disse Giane. Na opinião dela, ele precisava aprender a pedir desculpas.
— Ah, ótimo! Aí, ele chama a polícia e me bota na cadeia. — disse Fabinho. — Você esqueceu que ele acha que eu taquei fogo na Toca?
Giane se perguntava se não era ele quem dissera que não fugiria de mais ninguém. De qualquer maneira, Bento continuava sendo enganado, feito de trouxa e ele precisava saber que Amora não valia nada, e que a mudança dela não era verdadeira, era só mais uma armação. Aliás, Bento já estava descobrindo quem era a mulher com quem ele se casou. Mas na opinião de Giane, Bento precisava saber que Amora era perigosa, que até colocou em risco a vida dele.
— Mais um motivo para eu ouvir aquela conversa. — disse Giane. — O Bento tem que saber a boa bisca com quem ele casou.
— Isso é problema dele, Giane. — disse Fabinho.
— Não, Fabinho. Não é assim, não. — disse Giane. — Quando a gente gosta de uma pessoa e ela tá com problema, a gente tem o dever de aler-tar. Mas você não sabe, né? Porque você nunca gostou de ninguém. Você nunca amou ninguém, você não se importa com ninguém. Como é que você ia saber, né? Ah, fica me criticando! Palhaçada!
— Você vai sair daqui assim falando comigo? Vai falar assim comigo? — disse Fabinho.
Margot entrou na sala neste momento.
— Ô Giane! — disse Fabinho, porém, Giane não deu ouvidos. Saiu batendo a porta. Foi embora.
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