Um amor improvável
1 Escola estranha com gente esquisita
Final do ensino fundamental, agora é escolher o que farei da minha vida. Por mim apenas um ensino médio comum seria o suficiente, pena que com a idade que tenho não tenho muito direito de fazer minhas escolhas. Meu nome é Valentina, tenho 16 anos e moro em uma pequena cidade com 300 mil habitantes. Até que não é tão ruim comparado a outras mais existentes em volta.
A briga de sempre com minha mãe, ela sempre querendo decidir o que eu devo fazer e dessa vez não foi diferente, me deu as opções que achava melhor e pronto, eu tinha duas escolhas, não era o que queria, nem passava perto, mas era o que eu poderia fazer e era o que eu faria. Iria então para uma escola só de meninas, só de meninas mais ou menos, até que tem meninos mas são poucos comparado ao número de meninas. Uma escola para formar professores, nunca me imaginei nessa situação.
- Mãe, tem certeza que tenho que ir para lá? — perguntei desanimada já imaginando qual seria sua resposta -
- Já te dei duas escolhas, você escolheu essa e agora não pode voltar atrás, sabe disso. Tem que tomar um rumo na sua vida, bom que vai estudar e parar de pensar besteira. — dizia ela quase implacável em sua decisão e em suas acusações -
Bufei, já sabendo que não teria escolhas mais, era aquilo que faria, perderia tempo na minha vida mas era isso ou nada.
Primeiro dia de aula, claro que não queria me misturar com ninguém, não valeria a pena, não acho que as pessoas possam ser boas por elas. Dia passou normal, as pessoas me olhavam como se eu fosse um extraterrestre na terra, eu me achava alguém comum porém não era isso que os outros achavam. Não que eu ligasse mas chegava a incomodar.
- Oi! — eu olhei para ver quem era a pessoa que finalmente resolvia vir falar comigo -
- Oi. — Respondi de volta sem a mesma empolgação, não queria prolongar a conversa -
- Você é lésbica? — me perguntou com a maior naturalidade possível. -
- Por que a perguntar? — não sabia o que dizer, era uma nova escola, novas pessoas, não queria arrumar confusão logo de cara -
- Por que eu sei que você é, queria que respondesse. — ela disse como se fosse algo tão óbvio e explicito em mim — Fora que a maioria das meninas aqui são, mesmo que elas finjam que não. — sentou ao meu lado -
- Não, eu não sou. — menti, não conhecia aquela menina, não queria falar da minha vida para ela -
Bateu o sinal e pude me livrar daquela conversa. Fui para a sala de aula e ela foi em seguida sentando perto de mim.
- A propósito — disse ela — me chamo Camila.
Nos viramos e começamos a prestar atenção na aula. Cada matéria que eu nunca esperava ter. Para que era necessário estudar sobre como a criança aprendia? Ela apenas aprende e pronto, fim.
Fim de aula, um dia inteiro dentro desse colégio e é apenas o início.
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