Um amor improvável

2 Ai sim, as cores nuances e tons, surgiram no meu pensamento


Os dias se passaram, Camila se tornou uma confidente naquele lugar, eu podia contar com ela. Aprontávamos muito juntas, era quase impossível passar um dia sem que nos chamassem para a O.E. Não era por mal que fazíamos as coisas apenas tínhamos uma forma diferente de pensar dos demais, queríamos as coisas do nosso jeito, não, não, não bem do nosso jeito, queríamos apenas as coisas de uma forma mais justa.

– Cérebro, o que faremos hoje? — disse ela rindo, antes de entrarmos para o colégio -

– A mesma coisa que fazemos todos os dias, tentar dominar o mundo. — imitei uma daquelas risadas malignas que vemos em desenhos e caímos na gargalha — Na verdade não sei o que faremos, não estava nem um pouco a fim de assistir aula — disse com uma cara de desanimo -

– O que houve? — ela perguntou percebendo o clima — Sua mãe de novo?

– Pra variar né. Sempre com as implicâncias, sempre falando o quão ruim eu sou.

– Ela me abraçou de lado. — Ei, fica assim não. Sabe que as coisas não são assim. Não vamos falar sobre isso e vamos para a aula sim. — Ela sorriu.

– Sorri de volta continuando abraçada a ela — Vamos então senhorita nerd — Caímos na gargalhada novamente -

– Quem ouve isso até pensa.

Entramos para a escola, logo que entramos estávamos rindo e conversando bem destraidas quando demos de cara com uma professora nova, esbarrei nela sem querer e acabei fazendo com que ela me olhasse com uma cara um pouco desanimada como se já esperasse que algo assim fosse acontecer.

– Me desculpa. — Disse por fim olhando para ela.

– Ela me olhou de volta e apenas fez um manejo com a cabeça. Me afastei mas antes olhei para ela mais uma vez, que mulher linda, aquelas cabelos pretos, aquele olhar penetrante, a feição tão séria, nossa, meu coração estava acelerado. Não sabia dizer se era o nervosismo por ter esbarrado nela ou se era aquela beleza estonteante. Camila começou a estalar os dedos na frente do meu rosto

– Ei, acorda. O que aconteceu que está viajando ?

Olhei para ela, não tinha percebido que fiquei tão aérea a esse ponto.

– Não nada. — pensei melhor no que responder. — Estava apenas curiosa em saber quem era aquela mulher, nunca a vi por aqui.

– Camila me olhou com um ar de desconfiança — Ah, deve ser apenas alguma professora nova. Ta interessada é? — começou a rir.

– Dei um tapa de leve em seu ombro — Você só fala besteira né ? Vamos subir para a aula que é o melhor que a gente faz.

Subimos para a sala e aquela mulher não saia da minha cabeça. Coisa estranha, eu precisava saber o nome dela, precisava saber quem era ela. Não achava que isso fosse demorar muito porém não imaginava que seria tão rápido. Assim que entramos na sala fomos para nossos respectivos lugares e em poucos minutos ela entrou pela porta com um ar de superioridade incrível. Pude ver aqueles olhos novamente, agora mais compenetrados, menos distantes e mais focados. Entrou e foi logo para o quadro escrever seu nome. Alice. Um nome lindo e combinava perfeitamente com ela, era tão lindo quanto. Senti minhas bochechas quentes e imaginei o quão vermelha devo ter ficado quando ela se virou para a turma e nossos olhos se encontraram.

– Boa tarde. Esse é meu nome que escrevi no quadro, Alice e eu sou a nova professora de Matemática de vocês. Com certeza devem ter sido avisadas de que a professora Paula teve que se afastar por motivos médicos e agora eu vou acompanhar vocês até o final do ano.

Houve alguns cochichos baixos, eu e Camila nos olhamos, não sabíamos de nada que havia acontecido com nossa professora. Não que estivesse achado ruim a Alice ser nossa professora agora, na verdade tinha gostado bastante da ideia até porque tinha ficado bastante intrigada com aquela mulher.

A aula começou e pude notar que mesmo em seu primeiro dia em nossa turma ela não tolerava brincadeiras e não estava dando muita abertura aos alunos. Poderia ser uma forma de impor limites logo no inicio porém achava que ainda tínhamos muito o que descobrir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.