Notas iniciais
Tory Cullen, sua maluca que eu amo profundamente. Muito obrigado pela recomendação maravilhosa... espero que goste do capítulo que escrevi especialmente para você.

POV Isabella

Depois da visita de Edward, eu dormi, o remédio que Alice me deu fez efeito, somente acordei a noite quando elas saiam para mais uma noite de “trabalho”. James estava ali também, vistoriando o galpão, caso ele encontrasse algum celular ou livros, alguém sofreria. Felizmente ele não encontrou nada e saiu antes das meninas.

Me sentei com dificuldade, levantei a blusa e vi que o corte na minha barriga estava sangrando, era fundo demais e precisava de pontos, mas não havia agulhas ali e eu não tenho direito a um médico, só me resta esperar para não morrer.

Fiquei ali acordada até todas voltarem, Alice veio logo até mim e refez o curativo, me deu um novo remédio e me ajudou a comer, hoje era uma sopa de feijão com carne. Nem sei como eles conseguem fazer sopa com isso, mas comi sem reclamar, logo o efeito do remédio fez efeito e eu dormi novamente. Na manhã seguinte quando acordei, vi que não tinha mais ninguém no galpão, olhei para o pequeno relógio e já se passava das duas da tarde.

Me sentei e segurei minha barriga, ainda saia bastante sangue, logo eu morreria. Fiquei rezando baixinho para que Edward viesse logo me tirar daqui. As seis da tarde, as meninas voltaram, foram para o banho e estavam se arrumando. Não sei bem o que aconteceu, mas ouvi tiros no andar de cima e todas paralisamos, eu sorri, sabia que era Edward, sabia que estamos salvas. As meninas começaram a chorar e alguns tentaram se esconder, Alice estava apavorada olhando para todos os lados, mas eu sabia que aquilo era a nossa salvação, ouvi gritos lá em cima, xingamentos e passos pesados, mas tiros foram disparados me fazendo pular de susto. Ouvi a voz de Aron praguejando sobre perder a mercadoria e todo o resto, seu prestigio e sua vida, ouvi James dizer para atear fogo onde nós estávamos e tremi, mas logo silencio e barulhos como de algemas se fechando.

Logo a portinha foi aberta e vários homens com coletes, do FBI e armas entraram e nos acalmaram, vi muitas meninas chorarem e vários agradecimentos. Alice veio me ajudar a levantar e eu me segurei nela.

– Você está muito pálida Bella.

– Só vamos sair daqui Alice, estamos livres. – Sorri.

– Sim, estamos.

Alice até tentou me ajudar a subir, mas eu não conseguia, um dos agentes, um cara puro musculo, me pegou no colo e subiu, minha visão estava ficando turva, mas consegui distinguir os seguranças sendo algemados, as mulheres sendo levadas e James olhando com ódio para um dos agentes.

– Agente Cullen, precisamos de uma ambulância.

Vi Edward virar para trás e seus olhos se arregalarem ao me ver. Seus passos apressados e logo seus braços a minha volta.

– O que aconteceu McCarty?

– Ela já estava assim.

– Vou leva-la até a ambulância de apoio. Prenda esses desgraçados.

Edward saiu da boate me carregando e pela primeira vez em meses eu vi o céu, as estrelas e a lua. Era lindo, uma das coisas mais lindas que já vi, sorri e senti minhas pálpebras pesarem, logo fui colocada em um colchão e murmurinhos ao meu lado, exclamações de surpresa, um beijo na minha testa e logo a escuridão. Se fosse a morte, eu estava preparada.

POV Edward

A invasão a boate foi um sucesso. Prendemos todos, mas os que mais me interessavam eram Aron, James e Felix, que foram uns dos primeiros a serem presos, todos eles me olharam com raiva enquanto eu falava seus direitos. Mandei alguns homens ao resgate das meninas, mas assim que vi Emmet voltar com Isabella totalmente pálida e com a blusa manchada de sangue, senti medo. A peguei nos braços e a levei para fora, vi seu sorriso ao olhar para o céu, fiquei feliz por cumprir minha promessa, mas o medo que ela morresse me controlava.

– Uma maca para ela. – Exigi dos socorristas.

– A coloque aqui. – Uma enfermeira pediu.

Vi quando ela rasgou a blusa de Isabella e um corte profundo abaixo da barriga, de onde o sangue estava saindo, arfei e a enfermeira já disse que precisaria leva-la para o hospital. Eu não podia ir, precisava terminar o que comecei, mas tinha certeza de que ela ficaria bem.

Voltei para dentro da boate e vi que as meninas já estavam sendo levadas para a delegacia, elas prestariam depoimentos e depois voltariam para casa, para suas vidas, suas famílias. Logico que elas teriam ajuda psicológica, já que elas ficarão com enormes traumas.

– Agente Cullen, já prendemos todos. – Rosalie disse.

– Ótimo. Mande recolher todos os documentos, computadores, cadernos, tudo. Eu estou indo ao hospital.

– Sim. – Ela saiu e eu fui para o meu carro.

Sai bem a tempo de ver James sendo colocado no camburão, seu olhar era de puro ódio e eu sabia que ele faria de tudo para ser livre novamente, mas ele não conseguiria isso tão cedo. Entrei no carro e dirigi até o hospital. Quando entrei, fui até a recepção.

– Uma mulher deu entrada aqui agora a pouco com um corte.

– Sim. Ela está em cirurgia.

– Cirurgia?

– Entre ali, os médicos poderão informar melhor.

Segui até uma porta e lá várias pessoas esperavam notícias de seus parentes. Logo um médico apareceu e eu fui até ele, ser policial teria que servir para alguma coisa.

– Sou Edward Cullen, uma moça foi trazida para cá, eu sou policial, ela foi ferida em minha missão.

– Claro, ela já foi para o quarto, fizemos uma pequena cirurgia para fechar o corte, tivemos que fazer um transplante de sangue, mas ela já está bem.

– Posso vê-la?

– Claro. Quarto 352.

Segui até lá sem olhar para os lados, assim que abri a porta, vi Isabella deitada na maca, com os olhos fechados e rosto sereno, ela ainda estava pálida, mas não tanto, os roxos de seu corpo estavam mais evidentes. Havia soro ao seu lado e uma agulha em seu braço. Fiquei ao seu lado e beijei sua testa, suas pálpebras, seu nariz, suas bochechas e por fim seus lábios.

– Está tudo bem agora, eu vou cuidar de você.

Segundos depois, o médico entrou e mediu sua temperatura, ajustou o soro e depois me encarou.

– Qual o nome dela?

– Isabella.

– Sobrenome?

– Não sei. Ela é vítima de tráfico de pessoas, acabei de fechar a boate.

– Minha nossa, então é por isso que os exames indicaram abuso sexual e traumas internos.

– Infelizmente sim.

– Meus parabéns. É ótimo saber que temos policiais honestos hoje.

– Muito obrigado. – O médico saiu e eu me sentei na poltrona ao lado dela.

Eu ficaria ali até que Isabella acordasse. O dia amanheceu e eu apenas cochilava, eu queria estar acordado caso ela acordasse. Já era por volta das nove da manhã quando ela se remexeu e resmungou de dor. Fiquei em pé ao lado dela e sorri assim que ela abriu os olhos e se focou em mim.

– Edward? – Ela perguntou fraca.

– Estou aqui. Como se sente?

– Fraca e dolorida. Onde estou? – Ela olhou para os lados.

– Em um hospital. Por que não me disse sobre o corte? Você poderia ter morrido.

– Não tinha importância. – Ela resmungou.

– Eu não posso mais ficar sem você ok? Vou cuidar de você.

Ela nada disse, apenas olhou para o braço, logo começou a chorar, afaguei seus cabelos e ela segurou minha mão.

– Obrigado. – Ela murmurou em meio as lágrimas.

– Você também ajudou bastante. – beijei sua testa.

Ficamos alguns minutos em silencio até que a ouvi arfar, olhei para suas mãos que pareciam sentir algo, era o sol, que entrava pela janela e iluminava seu braço, ela o olhava com admiração.

– A quanto tempo que eu não sinto isso.

– Desculpe demorar.

Isabella ficou com as mãos no sol por um bom tempo, eu fiquei em silencio ao seu lado e a observei, ela parecia uma criança sorrindo para um brinquedo e eu me perguntei novamente sobre sua idade.

– Quantos anos tem Isabella?

– Pode me chamar de Bella. – Ele sorriu. – Tenho 17.

– E seus pais?

– Meu pai morreu quando eu tinha dez anos, minha mãe se casou de novo e depois me vendeu.

– Sinto muito.

– Eu vou ficar bem. – Ela parou por um momento e depois pareceu lembrar-se de algo. – Onde está Alice?

– Durante a noite, um dos agentes ligou para dizer que ela queria te ver, eu disse para traze-la aqui a noite.

– Obrigado.

– Descanse um pouco.

– Estou com fome.

– Vou pedir para trazerem comida para você. Volto já.

Procurei uma enfermeira e pedi que levasse algo para Isabella comer, assim que voltei para o quarto Bella estava sentada na cama, olhando seus braços e mãos.

– O que foi?

– Eu devo estar horrível.

– Continua linda, apenas precisa de cuidados.

– Obrigado.

– Agora deite-se, logo sua comida vai chegar.

A ajudei a deitar e me sentei ao pé de sua cama, ela me olhou por longos instantes antes de perguntar.

– Quantos anos tem?

– 28.

– Aquela história de que só ia a boate para conversar e que tinha uma namorada que ama muito era mentira?

– Sim. Eu precisava de alguma desculpa.

– Onde mora?

– Em Nova York.

– Eu morava em Forks.

– Qual seu sobrenome?

– Meu nome completo é Isabella Marie Swan.

– Bonito nome.

A enfermeira entrou no quarto e entregou uma bandeja para Isabella, com uma sopinha rala e um copo de suco de laranja, uma maçã ao lado. Bella comeu com gosto e eu sorri. Depois a enfermeira aplicou um remédio para dor e ela rapidamente se deitou.

– Como vai ser quando eu sair daqui? Não tenho para onde ir. – Ela murmurou sonolenta.

– Você vai ficar comigo, vou pedir sua tutela ao estado. Como você ainda tem 17 anos provavelmente iria para um orfanato, mas vai para casa comigo.

– Não quero atrapalhar. – Ela fechou os olhos.

– Não vai.

– Obrigado. – Ela sorriu e logo adormeceu.

Isabella iria comigo para onde eu fosse. Eu tenho uma dívida com ela e vou pagar cuidando dela. Só a deixarei ir no dia em que ela quiser. No dia em que ela não precisar mais de mim eu a deixarei ir.

Notas finais
Então... gostou? Obrigado mais uma vez pela recomendação...