Notas iniciais
A todas que estão comentando, muito obrigado de coração. A fanfic está sendo muito bem comentada e pelos comentários vejam que estão gostando. Resolvi postar mais um capítulo ainda hoje pois recebi muitos comentários no capítulo anterior. Boa leitura.

POV Isabella
Eu ficarei 15 dias nesse lugar. Não vejo a hora de sair daqui e poder andar na rua, ver pessoas, comer em restaurantes e lanchonetes, tomar banho de chuva, ver a neve. Tudo o que eu mais sinto falta. Edward já me prometeu que cuidará de mim até que eu complete dezoito anos, o que vai demorar, já que meu aniversário foi a um mês atrás, antes de eu conhecer meu salvador.
Ontem a noite como prometido, Alice veio me ver, choramos muito por finalmente estarmos fora daquele lugar e fiquei muito feliz em saber que Alice voltara a viver com os pais, que achavam que a filha estava morta. Alice, diferente de mim, foi sequestrada enquanto ai para a escola.
Fiquei muito feliz por ela e prometemos manter contato. Assim que ela foi embora, outra bandeja de comida chegou. Era suco de melancia e novamente sopa. O médico disse que a sopa será só hoje, já que eu fiz uma mini cirurgia na barriga por causa do corte. Edward ficou todo o momento perto de mim, mas uma enfermeira pediu que ele saísse para que eu tomasse banho e posso dizer que aquele foi o melhor banho de anos. Depois me vesti novamente com aquela roupa de hospital e eu pude escovar meus dentes. A enfermeira me ajudou a deitar na cama e logo Edward apareceu. Ele me desejou boa noite e disse que voltaria logo.
Dormi logo depois que ele saiu. Uma noite sem sonhos e confortável, eu ainda estava dolorida da surra que levei de Aron e os capangas dele. Nem gosto de lembrar do que fizeram comigo, não contei nada a Edward, mas foi mil vezes pior do que a outra vez, provavelmente nunca chegarei perto intimamente de um homem.

Acordei na manhã seguinte e olhei ao redor, Edward ainda não estava lá. Me sentei com cuidado na cama e tirei o lençol de cima de mim, tinha sangue na cama, me desesperei. Procurei o botão que a enfermeira me instruiu a usar e apertei freneticamente, logo ela apareceu.
– Eu estou sangrando. Mostrei a cama.
– Está sentindo alguma dor?
– Um pouco na pélvis. Ela me olhou alarmada e logo pegou a cadeira de rodas.
Ela me ajudou a sentar e me levou para fora do quarto. A dor ficou mais forte, fazendo minha visão ficar turva. Logo vi uma sala branca e alguns aparelhos, mais alguns enfermeiros e o médico que tinha me atendido.
– O que aconteceu?
– Sangramento e dores na região pélvica.
– A coloquem na maca. O médico pediu.
Logo eu estava na maca, o médico me examinou e depois injetou alguma coisa na minha veia e eu apaguei.

Quando acordei, senti algo me espetando no braço esquerdo e algo quente segurando minha mão direita. Abri os olhos com um pouco de dificuldade por causa da luz e voltei a fecha-los, sentia minhas pálpebras pesadas. Tentei abrir os olhos novamente e foquei meu olhar no quarto.
– Bella? Ouvi uma voz conhecida e olhei em sua direção.
– Edward? Minha voz saiu fina. O que aconteceu?
– Você teve um sangramento se lembra? Maneei minha cabeça em concordância.
– É grave?
– Um pouco. O médico vai explicar melhor.
Edward beijou minha testa e afagou meus cabelos, eu estava sonolenta, mas não tinha mais sono. Fiquei quieta e Edward também. Eu tinha a sensação de que seria algo ruim, mas não queria pensar nisso, eu queria estar bem e que eu pudesse sair logo daqui.
Demorou quase meia hora quando o médico chegou com uma outra mulher, ela não estava vestida como uma enfermeira, ao contrário, ela estava com um terninho feminino, uma pasta em uma das mãos e com óculos de grau nos olhos negros, os cabelos castanhos estavam presos em um coque alto, ela me parecia aterrorizante.
– Isabella, essa é Doutora Carla Rodriguez.
– Olá Isabella. Ela cumprimentou.
Não respondi, apenas olhei para Edward que sorriu confiante para mim. Com essa mulher aqui, eu só sentia que tudo na minha vida estava prestes a desmoronar ainda mais.
– O que aconteceu comigo? Perguntei.
– O sangramento foi causado por um ferimento no útero causado por algum objeto usado no abuso. O médico começou e eu estremeci e senti Edward tenso ao meu lado. Fizemos uma cauterização e estancamos o sangue, mas você ficara com sequelas.
– Que tipo de sequelas? Edward perguntou.
– Caso queira ter filhos no futuro, será muito difícil segurar a gravidez.
Senti lágrimas molharem meu rosto, nem sei ao certo por que, mas somente saber que aqueles homens fizeram isso comigo, já me sinto ainda mais suja e incompetente. Nunca poderei esquecer, tanto pelos traumas físicos quanto os psicológicos.
– Bella... Edward começou.
– A Doutora Rodriguez é psicóloga, está aqui para conversar com você.
– Eu não quero. Respondi. Saiam daqui!
– Bella, vai ser bom para você.
– Eu não quero. Gritei. Saiam.
Logo ouvi passos e a porta se abrindo e depois fechando. Virei de lado e deixei que as lágrimas caíssem. Eu sempre quis ser mãe, quando criança brincava que as bonecas eram minhas filhas, depois que tudo mudou, que fui vendida e estuprada, eu não achei que fosse mais possível, mas depois que fui resgatada, eu pensei que daqui a muitos anos quando encontrasse um homem que realmente amasse, eu poderia construir minha família, ter filhos, mas até isso eles me tiraram. Eu poderia nunca ter filhos, nunca ter esse sonho realizado.
Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas as lágrimas em algum momento pararam de cair. Eu apenas fiquei olhando para a janela, em busca de algo que fizesse minha vida valer a pena, mas a visão dali era tão bela e cálida que eu não me sentia digna de fazer parte desse mundo. Me sentei na cama e depois me levantei com dificuldade. Segui até a janela segurando na parede e assim que cheguei até ela olhei para baixo.
A janela é grande, larga e alta. A abri totalmente e vi que lá embaixo inúmeros carros passavam, pessoas andavam uma do lado das outras, o sol ainda estava alto, devia ser quase uma hora da tarde. Eu poderia tentar mais uma vez, talvez desse certo. Tentei algumas vezes com vidro, outras com facas, em nenhuma deu certo, mas agora pode ser diferente. Ninguém poderia me privar dessa queda. Eu daria um fim em tudo isso.
No momento que eu me inclinei para frente senti mãos agarrarem minha cintura e me puxarem para trás e ouvi meu nome sendo sussurrado, era algo bom estar diante da morte, mas algo me prendeu aqui.
– Bella, olhe pra mim! Eu tinha a vaga sensação de conhecer aquela voz, mas eu queria estar em frente aquela janela novamente. Isabella Swan!
O grito me fez despertar. Vi Edward parado a minha frente com os olhos apavorados e tristes. Meu protetor, salvador. O abracei e sussurrei agradecimentos para ele. Não por hoje, mas por ter aparecido, por ter me tirado de lá, por ter dado a chance daquelas outras meninas terem a vida que merecem.
– O que você ia fazer Bella?
– Eu...morte. Sussurrei.
– Ah Bella, eu sinto tanto. É tudo culpa minha, eu falhei em minha missão. Não devia ter te colocado em risco.
Chorei mais ainda e me apertei a ele. Ele me içou para cima e prendeu minhas pernas em sua cintura e me levou de volta a maca, se deitou e me colocou em cima de si. Fez carinho em minhas costas e murmurou mais desculpas, eu queria dizer que não foi culpa dele, mas minha voz não queria sair. Ficamos o resto do dia com ele me acalmando, não quis comer e acabei dormindo por volta das seis da noite.

Notas finais
Choraram? Gostaram? Favoritem ok?