Um agente em minha vida.
6 Nova York.
Notas iniciais
POV Edward
Quinze dias havia se passado desde que Isabella veio para o hospital e desde o dia em que ela tentou se matar. Naquele dia, eu chorei por ela. A culpa é totalmente minha, eu nunca deveria ter permitido aquele plano, não deveria ter aceitado aquilo. Eu como policial, coloquei em risco a vida de um cidadão, descumpri com o meu dever de proteger as pessoas.
Naquela noite, fiquei com ela por um longo tempo, segurei suas mãos pálidas e frias, vi as inúmeras marcas pelo seu pulso e braços, me martirizei por não ter cuidado dela. A deixei na cama e fui comer alguma coisa, já passava das oito da manhã. Quando voltei, ela ainda dormia, me sentei ao seu lado e tomei o café que comprei.
Hoje ela iria sair daqui, eu já tinha mandado recuperar os documentos dela e mandei fazerem um passaporte para ela e comprei nossas passagens. Eu já deveria ter voltado para casa, mas decidi ficar aqui com ela até o dia em que a levaria para casa.
Assim que cheguei ao hospital, fui para o quarto dela. Eu tinha deixado uma muda de roupas para ela aqui ontem e assim que entrei, ela já estava pronta. Eu não sei escolher roupas então comprei uma calça e um casaco moletom e uma regata. Comprei uma sapatilha e deixei ali também.
– Bella, está pronta?
– Sim. Podemos ir?
– Claro.
Saímos do hospital e fomos para meu carro, o dia estava gélido e Isabella parecia ainda mais encantada. Olhava para tudo e todos, eu posso entender, passou tanto tempo trancada, deve estar com saudades do mundo e suas belezas.
– Precisamos comprar roupas para você. Por isso vamos passar em um shopping e vamos para um hotel. Nosso voo só sai amanhã de madrugada.
– Tudo bem.
Dirigi até o shopping mais próximo e fui andando com Isabella ao meu lado, eu tinha tanto medo de perde-la. Quando entramos na primeira loja de roupas femininas, eu pedi que ela escolhesse algumas peças e depois provasse.
Eu ficava sempre perto dela, observei que ela pegava calças, camisetas, casacos e roupas intimas. Era tudo quase das mesmas cores, preto e cinza. Resolvi escolher algumas coisas para ela também. Peguei um vestido azul marinho, um pouco curto, outro de um azul mais claro e uma blusa com estampas. Isabella me olhava de vez em quando mas não falou nada.
Depois de comprar aquelas roupas, fomos para uma loja de sapatos. Isabella pegou um par de all stars pretos e uma sandália. Não discuti já que não entendo de sapatos. Paguei e fomos embora.
O hotel que iriamos nos hospedar era onde eu já estava e assim que chegamos, alguns repórteres estavam ali. Protegi Bella e entramos.
– Está bem? – Perguntei.
– Sim.
– Você quer um quarto só para você ou quer dormir no meu? Tem uma cama de solteiro lá.
– Prefiro ficar com você.
– Então vamos subir.
Bella estava mais quieta desde o dia em que a impedi de se matar, eu puxava assunto mas ela só respondia o básico e isso me matava. Eu aposto que ela também me culpa pelo que aconteceu. E também não poderia ser diferente, se eu mesmo sei que tenho uma parcela de culpa.
Quando entramos no meu quarto, coloquei as sacolas no chão. Bella olhava tudo ao redor e suspirou ao ver a vista que a janela dava. Ela andou naquela direção e eu retesei. O pensamento de que ela poderia tentar se matar novamente voltou e eu me obriguei a segui-la. Paramos lado a lado e ela sorria.
– É lindo aqui.
– Sim. A noite é ainda mais.
– Edward, eu sei que você se sente culpado pelo que aconteceu, mas saiba, não foi sua culpa, eu não te culpo e você também não deveria. – Ela me olhou.
– Falhei em proteger a todos. Não protegi você.
– Eu estou livre. Valeu a pena.
– Desculpe-me. – Pedi novamente.
– Não há o que desculpar. Obrigado Edward. – Bella me abraçou e eu afundei meu rosto na curva de seu pescoço.
Me sentia melhor assim, com ela ao meu lado. Nós dois juntos somos melhores. Bella é uma ótima amiga e além disso, uma bela mulher, a qual quero amar e cuidar, mas por enquanto, vou apenas cuidar, ela precisa de tempo e eu preciso aprender a lidar com seus traumas.
– Como vai ser agora? – Ela perguntou ainda abraçada a mim
– Vamos para NY amanhã. Você está sob minha tutela até completar 18 anos. Depois disso, você vai ser dona de si mesma.
– E o que eu vou fazer? Eu deveria ir para a faculdade, mas perdi o último ano do ensino médio.
– Assim que chegarmos, vou contratar um professor para você. Você fara o último ano em casa e ano que vem, você vai para a faculdade. – Sussurrei.
– Você não tem que gastar dinheiro comigo.
– Eu não vou. Esse dinheiro está sendo enviado pelo governo, como uma indenização pelo que aconteceu.
– Eu vou precisar de um emprego. – Ela se afastou.
– Não se preocupe com isso. Você tem muito tempo, agora está precisando se divertir.
Ela sorriu um pouco e me abraçou novamente. Construímos uma amizade no meio de tantas coisas ruins e agora iremos viver juntos, por opção minha. Eu quero protege-la e mima-la, dar o amor que ela não teve dos pais.
– O que quer para o jantar? – Perguntei.
– Pode ser pizza? – Ela perguntou envergonhada.
– Claro que sim. Eu quero de calabresa.
– Quatro queijos.
– Tudo bem. Fique à vontade, se quiser tomar banho, é naquela porta ali. – Apontei.
– É uma ótima ideia. Estou com cheiro de hospital.
Beijei sua testa e logo ela foi até as sacolas de roupas que compramos, pegou alguma coisa e seguiu para o banheiro. Ouvi o barulho da agua e fui pedir a pizza. Não costumo comer muito, mas vou fazer isso por ela.
– Edward, onde tem toalhas? – Ela gritou do banheiro.
– Dentro desse pequeno armário.
– Obrigado.
Me sentei no sofá e liguei a TV. Estava passando um filme que eu já me lembrava de ter assistido. Fiquei ali até sentir o sofá afundar ao meu lado e o cheiro de sabonete invadir minhas narinas. Isabella estava com os cabelos úmidos e uma das camisas que comprou, uma calça moletom e meias. Parecia uma garotinha. De repente a campainha tocou e eu me levantei, era o entregador. O paguei e voltei para o sofá.
– O cheiro está bom. – Ela murmurou.
Abri a bandeja e logo começamos a comer. Isabella comia a pizza com vontade, como se a meses não sentisse aquele gosto, o que é verdade. Eu comi cinco pedaços e Isabella seis. A pizza era da extra grande, com 12 pedaços.
– Nossa, eu comi muito. – Ela sorriu.
– Passou de mim. – Fingi estar bravo.
– Por um pedaço só.
Isabella se encolheu no sofá e focou na televisão. Logo percebi que ela dormia, o tempo tinha esfriado e o aquecedor estava desligado, ela tremia de frio. A peguei no colo com cuidado e fui para um dos quartos, a coloquei na cama e cobri. Dei um beijo em sua testa e sussurrei um boa noite. Liguei o aquecedor do quarto e fechei a porta.
Desliguei tudo ali e lavei alguns copos que estavam sujos, logo depois, tomei um banho e vesti meu moletom. Me deitei e apaguei. Acordei por volta das quatro da manhã com um grito e um som de baque. Meu nome foi chamado e eu reconheci a voz de Isabella. Peguei minha arma na gaveta e corri para o quarto ao lado. Assim que entrei pela porta, vi um homem encapuzado e armado. Isabella estava encolhida na cama e seus olhos assustados.
– Largue a arma. – Mandei.
– Vaza cara. Eu tenho que leva-la.
– Vou dar três segundos para você colocar a arma no chão e deitar com as mãos atrás do corpo.
O homem jogou a arma e deitou no chão, fazendo o que eu mandei. Fui para perto dele e segurei suas mãos. O puxei para cima e o puxei para fora do quarto.
– Não saia daí Bella. Eu já volto, está tudo bem. – Ela apenas concordou e se encolheu.
Fui para a sala e peguei uma algema que estava na gaveta e o prendi nas grades de lareira. O revistei e não encontrei nada.
– O queria aqui?
– Já disse. Tinha que pegar a garota e sair.
– Iria leva-la para quem? – Ele negou e eu coloquei a arma em sua cabeça.
– Para Aron.
– Ele está preso.
– Sim. Mas quando ele saísse, Isabella já estaria com ele.
– O que ele quer com ela?
– Ele não disse. – Engatilhei o gatilho e eu tentou se afastar. – Ela tem algo importante dele. Só isso que eu sei.
Sai de perto dele e disquei o número da polícia local. Logo eles chegaram e o levaram. Prestei queixa ali mesmo já que logo mais eu tenho um voo para entrar. Quando os policias saíram, eu fui direto para o quarto de Isabella, ela ainda estava encolhida, mas não chorava. A abracei e ela fungou.
– Ele fez alguma coisa?
– Não.
– Ele disse que você tem alguma de Aron. O que é?
Isabella se separou de mim e puxou a blusa. Em sua barriga, uma serie de nomes e datas estavam tatuados com tinta vermelha. Vi nomes importantes ali, de deputados, prefeitos e alguns homens do governo. Olhei para Isabella e ela me virou as costas. Lá tinha uma marca. Algo como um símbolo e logo abaixo, o nome de Aron. Era como uma marca que se faz no gado para saber a quem pertencem.
– Bella...
– A das costas foram feitas no dia em que cheguei lá. Essa outra, foi feita um mês depois. Eu usava uma maquiagem para não deixar aparecer.
– O que é a das costas?
– É uma maneira de Aron mostrar a todos quem tirou a virgindade das meninas, todas tem uma.
– E o que é a da barriga?
– Ele disse que eu carregaria isso por toda minha vida. Uma maneira de guardar os nomes daqueles que me usavam. Você percebeu que tem nomes importantes aqui, ele corre risco se isso for para a justiça. Os clientes o matariam.
– Esses homens são os que...
– Eu fiquei apenas no primeiro mês. – A abracei e ela logo começou a chorar.
– Vamos para um médico. Tem maneiras de apagar tatuagens.
Ficamos ali abraçados até que ela se acalmou. Depois disso, fiz minhas malas e peguei as roupas dela. Fomos direto para o aeroporto e embarcamos no nosso voo. Ela parecia triste e cansada, os olhos com olheiras e o sorriso de ontem já tinha desaparecido.
– Eu já liguei para um médico amigo meu. Ele disse que podemos fazer esse procedimento de apagar tatuagens assim que chegarmos.
– Seria ótimo.
– Teremos que tirar fotos disso. É uma prova a mais contra Aron. – Ela concordou e fechou os olhos.
Em poucas horas estávamos desembarcando em Nova York. Estava mais quente do que Las Vegas, mas ainda precisávamos de casacos. Um carro particular já estava ali. Entrei com Bella e seguimos para a clínica onde faríamos o procedimento. Assim que chegamos, nos sentamos para esperar.
– Vai doer? – Ela perguntou.
– Eu não sei. Mas creio que não muito.
– Você vai comigo?
– Sim. Estarei sempre com você. – beijei sua mão e logo o nome dela foi chamado.
Assim que entramos na sala, o médico, um senhor de meia idade nos atendeu. Foi muito educado e quando Isabella tirou a blusa para mostrar as tatuagens, ele ficou chocado.
– Essa tinta é rara de se encontrar. Além de cara, é tóxica. Você sente alguma coisa?
– Não. – Bella respondeu.
– Podemos começar? – Ela apenas maneou a cabeça em sinal positivo.
Eu tirei as fotos e logo o médico deu uma pequena anestesia. O processo parecia ser doloroso, mas Isabella não esboçava qualquer reação o que me deixou aliviado. Eu segurei o tempo todo sua mão e ela sorria para mim.
Foi quase uma hora com aquilo, mas quando terminou, não havia mais sinal de marcas pelo corpo dela, apenas a pele um pouco vermelha. O médico passou uma pomada para qualquer incomodo e aconselhou que não saísse no sol sem blusa, coisa que eu duvido muito que ela faça.
No caminho para meu apartamento, Isabella sorria radiante e assim que paramos em frente a sorveteria, ela disse que queria um. O tempo estava frio, mas eu não podia negar isso a ela. Então comprei uma casquinha com três bolas. Todas de morango. Ela comeu e se lambuzou, me fazendo rir e ela se fingir de brava.
Quando chegamos no meu apartamento, já passava das cinco da tarde. O sol estava se pondo e o horizonte estava lindo.
– Bem vinda ao seu novo lar. Espero que goste. – Disse assim que entramos.
– Obrigado. Aqui é maravilhoso.
– Tem um quarto vago, mas vamos precisar limpar já que nunca usei. – Dei de ombros.
– Tudo bem.
– Venha vou te mostrar o lugar.
A puxei para a cozinha e mostrei onde estava as coisas. Depois mostrei o quarto dela, o banheiro que ficava no corredor, depois subimos para o segundo andar onde ficava apenas uma biblioteca e meu escritório. Isabella ficou encantada com tudo aquilo e assim que mostrei a enorme janela que ficava quase em frente ao Central Park ela sorriu ainda mais.
– Isso aqui é lindo.
– Sim é. Bem vinda a Nova York. – A abracei pela cintura e ela encostou a cabeça em meu ombro.
Ficamos ali, naquela posição, apenas disfrutando do silencio e da presença do outro.
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