Um agente em minha vida.
7 Um passeio.
Notas iniciais
POV Isabella
A primeira noite na casa de Edward foi ótima. Ele foi muito atencioso e eu me senti em casa. A casa que a muito tempo eu não tenho. Depois que ele pediu um jantar na recepção, eu fui arrumar o quarto que eu irei ficar, Edward insistiu para ajudar e eu cedi. Ri muito quando ele tropeçou nos cobertores e caiu de cara na cama, com ele é bom sorrir. Dormi tranquilamente depois de tomar um banho. Ver meu corpo livre daquelas marcas que Aron fez foi gratificante. Eu ainda tenho algumas marcas, mas são mais nas pernas e na região intima. Alguns roxos ainda estão desaparecendo, mas a maioria são quase imperceptíveis.
Minha cama era maravilhosa, dormi bem e sem sonhos. Na verdade, parei de sonhar assim que fui jogada naquele lugar. Agora ou tenho pesadelos ou não sonho com absolutamente nada.
Acordei de súbito e me sentei na cama. A janela estava fechada, mas não havia sinal de sol. Ainda tinha estrelas e a lua estava no alto. Não devia ser mais do que uma da manhã. Me sentei e resolvi ir ver a cidade pela janela da sala, lá tem uma vista linda.
Andei com cuidado pelo apartamento para não acordar o Edward, que devia estar dormindo a uma hora dessas. Abri totalmente a janela e o vento frio me fez estremecer. Fiquei perto da sacada e segurei no parapeito. Era ainda mais lindo a essa hora. Mesmo tarde, muitos carros ainda circulavam pelas ruas e ainda haviam pessoas andando.
O parque estava lindo, com iluminação colorida e as arvores balançavam conforme o vento. Me sentei no chão gélido e fiquei observando aquelas pequenas coisas que tornavam o mundo tão belo. Eu sentia meu cabelo voar contra o vento, podia me sentir livre e viva. Me deitei com as costas no chão e fiquei observando o céu estrelado. Não sei quando, mas acabei adormecendo.
Acordei com algo fofo ao redor do meu corpo. Girei para o lado e abri os olhos. Estava no quarto. Quando será que vim para cá? Me levantei e peguei algumas roupas. Uma das regatas que Edward escolheu para mim, ficava um pouco decotada, mas eu não tenho medo de Edward. Coloquei uma calça jeans e o all star. Escovei os dentes e fui para a cozinha. Edward provavelmente estava dormindo e eu morrendo de fome.
Procurei algo na geladeira e achei suco e geleia. Peguei e depois procurei por pães. Comi tudo com satisfação e pensei no que fazer agora. Eu não iria mexer nas coisas dele, ainda moro aqui de favor, mas também não posso ficar sem fazer nada, isso cansa. Lembrei então da biblioteca e segui para lá, em passos silenciosos para não acordar ao Edward.
Assim que entrei, me senti encantada novamente com o lugar, passei meus dedos pelos livros e sorri ao ver aquelas letras. Fazia tanto tempo que eu não pego um livro para ler. Escolhi um livro de capa dura e muito bem conservado. Morro dos ventos uivantes, uma linda história, mas nunca li, não tive a oportunidade. Me sentei perto a janela e comecei a ler aquela intrigante história.
– Bella?! – Ouvi meu nome sendo chamado no andar de baixo.
Antes que pudesse responder, ouvi os passos dele mais perto e a porta se abriu. Logo seu olhar me encontrou e ele suspirou. Edward estava com os cabelos despenteados e com apenas uma calça moletom, ele sorriu e veio se sentar ao meu lado, mas antes beijou minha testa e eu sorri.
– Fiquei preocupado.
– Desculpe. Mas quando acordei vim para cá.
– Está com fome? – Perguntou.
– Não. Eu comi algumas coisas se não se importa. – Senti meu rosto corar.
– Claro que não. Esse apartamento também é seu.
– Como eu voltei para cama?
– Acordei por volta das duas da manhã e vi você deitada ali. A peguei e levei para o quarto, estava muito frio.
– Acabei adormecendo. O céu estava tão lindo. – Sorri. – Obrigado.
– Eu vou comer alguma coisa e trocar de roupa. Vou levar você para um passeio. – Ele sorriu misterioso me deixando curiosa.
Minutos depois, Edward voltou, como uma camisa polo verde e calças jeans, all star preto e os cabelos bagunçados, muito bonito.
– Vamos? – Perguntou.
– Só se me disser para onde. – Brinquei.
– Surpresa.
Sai com ele do apartamento, o qual eu percebi tinha muita segurança. Tanto nas portas quanto nos cômodos da casa. Me sentia bem assim, mais segura e protegida.
Andamos por alguns minutos até o parque que é a vista da enorme janela do apartamento. Sorri encantada para ele que me encarava incentivador. Olhei tudo ao redor, era lindo, a grama verdinha e as arvores repletas de folhas. Crianças corriam e brincavam com cachorros e os pais. Era simplesmente perfeito.
– Isso é lindo. – Murmurei. – Nova York é linda. Sempre sonhei em vir para cá.
– Então aproveite.
Edward se sentou embaixo de uma arvore e eu comecei a andar, sentia o olhar dele sobre mim o tempo todo, me protegendo e por isso, apenas aproveitei. Brinquei com algumas crianças e seus animais e sorri como a muito tempo não fazia. Joguei bola com alguns garotinhos que não deviam ter mais que sete anos, fui derrubada algumas vezes e acabei rasgando o joelho da minha calça. Mas quem liga? Eu estou feliz, isso é o que importa.
Não sei por quanto tempo fiquei ali brincando, mas quando voltei para a arvore onde Edward estava e me joguei ao seu lado, deitando na grama ofegante. Olhei para o céu por alguns minutos até voltar minha atenção para Edward.
– Obrigado. – Murmurei.
– Não precisa mais me agradecer. Somos amigos agora.
– Amigos. – Sorri.
– Que tal um sorvete?
– Morango para mim. – Ele riu e se levantou.
Quando Edward voltou, comemos o sorvete em silêncio, algo bom e agradável. Já estava entardecendo quando tivemos que voltar. Caminhamos lado a lado pela rua e eu fazia questão de guardar todos os detalhes daquele lugar. Eu preciso viver, ser feliz, mesmo que esteja morta por dentro, ainda gosto de ter essas pequenas sensações de prazer.
– O que quer comer hoje? – Edward perguntou.
– Que tal eu fazer a comida?
– E você sabe cozinhar? – Perguntou surpreso.
– Algumas coisas. Aprendi com a empregada da minha casa, depois da morte do meu pai, passei bastante tempo sem interesse em alguma coisa. Cozinhar me deu paz.
– Então, eu quero comer algo que você irá preparar. – Edward sorriu.
– Vou tomar um banho primeiro se não se importa. – Senti meu rosto corar.
– Tudo bem.
Fui para o meu quarto e peguei um dos vestidos que ele escolheu para mim. Era fresco e confortável. Longo e de alcinhas, peguei roupas intimas e fui para o corredor, onde o banheiro estava. Tomei um banho frio e usei alguns produtos que estavam ali. Masculinos, mas era melhor que nada. Me sequei e vesti minhas roupas, fiquei descalça e fui para cozinha. Amarrei meus cabelos no alto e fui procurar algo que pudesse cozinhar.
Resolvi fazer um macarrão com creme branco e salada de cenoura e alface. Fiz um suco de laranja e coloquei a mesa. Edward não estava em lugar algum e eu resolvi subir para chama-lo.
– Edward? – Chamei.
– Na biblioteca. – Fui até lá e abri a porta com cuidado.
Ele estava sentado à mesa com inúmeros papeis a sua volta, parecia concentrado e já estava de banho tomado. Sorri minimamente e ele retribuiu.
– O jantar está pronto. – Informei.
– Ótimo, estou com muita fome.
Saímos de lá e fomos para a mesa. Comemos em silencio e Edward elogiou minha comida várias vezes, me fazendo corar e um sentimento de satisfação crescer em meu peito.
Tiramos a mesa e eu lavei a louça. Assistimos um pouco de TV e ele disse que tinha inúmeros papeis para ler e que eu deveria dormir. Desejamos boa noite e eu o observei subir, deitei-me no sofá e fiquei assistindo aos canais que queria. A quanto tempo eu não tinha isso? Um lar de verdade. Não sei exatamente o momento que adormeci, mas sonhei com um par de olhos verdes penetrantes e um sorriso amistoso e sedutor.
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