Notas iniciais
Muito obrigado por quem já está comentando, espero que continuem, até o próximo capítulo.

POV Edward

Hoje eu colocaria a plano em pratica, no básico eu seria um cliente assíduo e muito rico, disposto a pagar exorbitantes quantias por uma noite regada a sexo. Julius já me deu quantias que dará para pagar até as calças deles.

Viajei hoje cedo para Las Vegas hoje pela manhã e as dez da noite, sai do hotel em que estou hospedado e fui até a boate The Blue. Só pela aparência do lugar, já dava para perceber que era algo de luxo. Vários homens estavam entrando, a maioria de terno e gravata, seguranças ao seu lado. Pessoas de realmente muita importância.

Sai do carro e entrei na boate. Peguei uma nota apenas para não enfrentar fila. Assim que entrei, olhei ao redor e vi várias mulheres ali, com roupas minúsculas e olhares sofridos mas forçando uma felicidade. Me sentei perto do bar e pedi uma tequila, eu não iria beber, mas precisava disfarçar. A música agitada começou a tocar e vi homens agarrando algumas daquelas mulheres e a levando para o andar de cima, mas antes eles passavam por um cara loiro e forte, ele anotava algo e sorria.

Vi duas meninas em um canto sussurrando entre si. As duas não deviam ter mais de 18 anos. Pareciam assustadas e amedrontadas. Logo vi o homem loiro se aproximar delas e sussurrar algo para as duas. Não sei o que foi, mas isso fez com que elas começassem a andar e a que tinha o cabelo mais curto, logo foi abordada por um homem de meia idade. Já a outra se sentou ao meu lado no bar e pediu uma tequila.

– Olá? – Disse.

– É comigo? – Ela perguntou.

– Sim. Qual seu nome?

– Isabella. – Ela não me olhou.

– Quantos anos tem? – Ela olhou para o loiro que nos observava e engoliu em seco.

Pela primeira vez ela me olhou. Me avaliou de cima a baixo e depois arregalou os olhos. Segurou minha mão e me puxou até o cara loiro. Isabella se prostrou a minha frente e o olhou.

– James, vamos para um quarto.

– São quinhentos a hora. – O loiro informou.

– Pago duas horas. – Respondi.

Ele apenas maneou a cabeça para o andar de cima e Isabella me puxou. Ela entrou no primeiro quarto e me empurrou para dentro trancando a porta logo em seguida.

– Você é maluco? – Ela sussurrou.

– O que?

– Distintivo. – Ela apontou para minha cintura.

Droga! Estou tão acostumado com o distintivo que ao menos percebi. Isso poderia ter me custado a missão e a minha vida também. Tirei o distintivo e coloquei no bolso da jaqueta. Olhei para Isabella que me encarava incrédula e pensativa.

– Quem é você? – Ela perguntou.

– Edward Cullen.

– É policial?

– Não. É falso. – Respondi. – Trabalho cobrando dinheiro, com um distintivo fica mais fácil arrancar dinheiro de mafiosos.

Ela me olhou decepcionada e se sentou na cama, colocou a mão no rosto e suspirou. Não queria mentir, mas isso poderia colocar tudo em risco. Não posso confiar em ninguém, até minha sombra é suspeita. Me sentei ao seu lado.

– Não me disse sua idade.

– 25. – Respondeu.

– Parece muito mais jovem. – Disse. Eu sabia que estava mentindo.

– Você não está aqui para perguntar nada. Apenas vamos acabar logo com isso.

– Eu quero conversar. – Ela me olhou inquisidora. – Tenho namorada e a amo. – Menti. – Só venho aqui para espairecer, conversar.

– Sinto muito por te fazer pagar. Eu só achei...achei que... – Ela hesitou e olhou para as unhas pintadas de vermelho.

– O que?

– O que você faria se odiasse sua vida. Acha que a morte é um bom caminho?

– Não. Eu tentaria resolver. Pedir ajuda.

– Não funciona assim na vida real. Ninguém é confiável.

– Às vezes não achamos a pessoa certa.

Percebi que se ela tivesse a oportunidade, ela diria o que acontece aqui. Diria o que sofre. Mas eu não posso fazer isso na primeira vez. Preciso conhecer o lugar, saber o tempo que tudo aqui funciona, o número de garotas, o tamanho do lugar. Portas de fuga e para isso, eu precisaria de tempo. Essa garota, querendo ou não, teria que esperar.

Eu e Isabella conversamos por duas horas, consegui descobrir quantas garotas “trabalham” aqui, mas nada mais que isso. Ela me olhou com certa esperança quando nos despedimos, aquele olhar me quebrou por dentro, quase desisti de tudo e a tirei dali. Mas tinha mais gente além dela que precisava de mim.

Fiquei mais um bom tempo naquela boate, tempo suficiente para ver Isabella subir e descer mais duas vezes com um cara diferente. Seu rosto era uma máscara de dor e nojo, mas ela continuava, sob o olhar de ameaça do loiro. Quando fui embora, olhei para Isabella, que fingia sorrir para um homem jovem de terno. Senti nojo de tudo isso. E assim que sai daquela boate, eu tive a certeza que eu tiraria Isabella e aquelas outras meninas dali.

POV Isabella

Eu dormi com quatro homens diferentes hoje. Mesmo dolorida pelo abuso, me obriguei a fingir que estava sentindo prazer. Nenhum deles podia reclamar para James, caso fizessem isso, eu estaria sendo castigada a essa hora. Tudo poderia ter sido pior, seriam seis e Edward não tivesse pegado por dois.

Edward...por um momento quando vi o distintivo, tive a esperança de que ele realmente fosse um policial, mas ele é apenas mais um daqueles homens que vem aqui. Apesar de só termos conversado, aquele papo de que é apaixonado pela namorada não cola. Amor não existe.

As cinco da manhã fomos mandadas para o alojamento, tomei banho e coloquei uma calça de moletom e uma camisa, era quase um kit que todas nós tínhamos. O jantar foi servido. Uma macarronada sem sal e nenhuma outra mistura. Comi aquilo e tomei água, escovei meus dentes e me deitei em um colchão. Logo Alice se deitou ao meu lado.

– Como foi hoje? – Perguntou.

– Como sempre. Odeio isso.

– Como será que é estar lá fora? Passear, tomar sorvete, caminhar na calçada? – Ela suspirou e logo as lágrimas caíram.

– Amanhã eu vou tentar de novo. Se eu conseguir, eu prometo que tiro você daqui.

– Se você fizer isso vão te matar Bella.

– Não me importo. – Dei de ombros. – É melhor morrer por tentar do que viver o resto dos meus dias assim.

– Tome cuidado ok? – Concordei e fechei meus olhos. Precisava dormir.

Eu infelizmente não consegui dizer nada a ninguém naquela semana, todos os meus clientes já eram conhecidos e todos não eram confiáveis. Vi Edward todos os dias e em dois deles ele comprou uma hora comigo, ficamos apenas conversando, era por um lado bom. Uma vez pedi para que ele me dissesse como é o mar, já que eu nunca tive a oportunidade de conhecer, enquanto ele descrevia, eu tive a sensação de paz e calma, chorei alguns minutos de saudade do mundo.

Nada vai tirar minha vontade de viver e sei que logo eu vou sair daqui, tenho a sensação de que dias melhores virão.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim.