Notas iniciais
Oi minhas queridas leitoras, um pequeno aviso. Se preparem para esse capítulo, até eu fiquei emocionada quando revisei. Um beijo e boa leitura.

POV Edward

Há quase duas semanas estou investigando aquela boate, a cada coisa que descubro fica pior ainda. Consegui reunir algumas boas informações que resultará em anos de prisão. O nome do homem que comanda tudo aquilo é conhecido mundialmente, ele é um renomado advogado, ganhou diversas causas no início de carreira, mas parece que abandonou tudo quando a esposa morreu a dez anos. Aron Masen é seu nome. Ele paga mais de 50 pessoas ali, dentre eles, James Wilson e Felix Mayer, esses dois já tem passagem por tráfico de droga e estupro. Não sei o que fizeram para tira-los da prisão.

Todas as vezes que ia para a boate, eu ficava observando Isabella. Eu não queria me aproximar dela, desde o dia em que conversei pela primeira vez com aquela menina, senti algo estranho. Uma sensação de paz e calma. Eu dormi aquela noite pensando nela, somente naqueles olhos chocolates que carregavam tanta tristeza e dor, por isso evitei a proximidade, essa sensação poderia crescer.

Mas em duas vezes, deixei isso de lado e paguei por uma hora com ela. Como na primeira vez, somente conversamos. Mas ali, eu tive a certeza de que protegeria ela com todas as minhas forças, que eu a tiraria dali, nem que fosse arrastada. Por ela, eu colocaria toda a missão em risco.

Hoje, eu iria recolher mais provas. Sai de casa por volta das onze da noite. Assim que cheguei em frente ao The Blue, os seguranças que já me conheciam me deram passagem, e assim que passei pela porta meus ouvidos foram invadidos pelo som da música alta e erótica. Olhei para o palco e vi que algumas garotas dançavam, entre elas estava Isabella. Devo confessar que ela era a mais linda ali. Fui para o bar e fiquei observando a dança, logo as garotas começaram a se despir. Olhei para Isabella que estava ruborizada e os olhos cheios d’água, vi quando ela olhou para James e ele mostrou a arma que ele carregava na cintura. Ela hesitou mas logo começou o stripper, lentamente ela tirou o espartilho vermelho, seus seios rosados ficaram a mostra e depois ela começou a rebolar e tirar lentamente a saia, uma calcinha minúscula ficou a mostra e eu senti meu membro animado dentro da calça. Mas quando ela tirou a calcinha e começou a rebolar pelada, eu definitivamente fui a loucura, eu queria aquela mulher.

Fui até James e vi que ela a observava com adoração e desejo, chamei sua atenção e ele me olhou alegre.

– Quero que mande Isabella para o quarto 10. Estarei esperando lá. Pago 10 mil.

– Claro. Pode ir, logo ela estará.

Não devia ter feito isso, não devia, mas agora já fiz. Assim que tranquei a porta do quarto, outra se abriu e Isabella entrou, como o quarto estava escuro, eu fui até ela, a segurei pela cintura e vi que ainda estava nua, gemi e a puxei para um beijo.

Eu estava sedento por ela, a queria agora. Infiltrei minha língua em sua boca e gemi com o contato quente. Senti as pequenas mãos segurarem meu pescoço e nosso beijo ficar mais intenso. A empurrei com cuidado até a cama, foi só quando senti seu corpo abaixo do meu que eu voltei a realidade, eu não podia fazer aquilo.

Me separei dela rapidamente e sentei na cama, um pouco longe. Respirei fundo antes de falar.

– Desculpe. – Pedi. – Eu não devia ter feito isso.

– Você pagou por isso. – Senti o tom de acusação em sua voz.

– É que...você estava dançando...nua e eu... – Abaixei a cabeça e olhei para minhas mãos. – Eu não posso fazer isso.

– Mas é o que você quer.

– Sim. Mas não posso.

– Por que? – A olhei.

Isabella se sentou e pegou um roupão que estava ao lado da cama, assim que ela se vestiu, liguei a luz do quarto e vi que ela chorava. Afaguei seu rosto e beijei sua testa demoradamente.

– Eu sou do FBI, estou aqui em missão. – Seus olhos se arregalaram.

– FBI? O distintivo, era verdadeiro então? – Concordei. – Ah meu Deus! Por favor, me tire daqui, eu imploro! – Ela se ajoelhou na cama e segurou meus ombros.

– Se acalme, por favor. Eu vou fazer isso, mas agora que te contei, eu preciso que não diga para mais ninguém, caso contrário, tudo vai por água a baixo.

– Eu prometo, não conto a ninguém. Só me diz quando.

– Eu ainda preciso saber de algumas coisas...

– Que coisas? – Ela me interrompeu.

– Portas de fuga, todas. E nome de quem está envolvido nisso tudo.

– Tem nove portas de fuga. Na sala do Aron, é acionada por uma senha, e outras duas no palco, três no galpão embaixo da boate onde ficamos e outras três nos banheiros masculinos. – Ela disse me surpreendendo. – Os seguranças, James, Felix, Aron e aquelas três mulheres que circulam por aqui.

– Como sabe de tudo isso?

– Cheguei aqui, a três meses. Tentei fugir mais de 20 vezes, todas elas por essas portas. Quando eu era castigada, na sala do Aron, eu vi ao lado de sua sala a planta da boate, as portas de fuga estão de vermelho. Quando tentei me matar, aquelas mulheres me socorreram.

– Eu preciso de nomes. – Suspirei.

Tudo o que ela disse, ajuda muito, mas eu ainda preciso dos nomes de quem está envolvido, sei que muitos poderosos estão no meio de tudo isso. Isabella pensou um pouco e depois suspirou.

– Você vai dizer ao James que eu tentei fugir. Diga que eu contei uma história falsa. Eu vou ser levada para a sala do Aron, quando eles se cansarem de... – Ela engoliu em seco mas continuou. – Vão me deixar lá. Vou pegar o que precisa.

– Eu não vou fazer isso. – Neguei. – Você pode morrer.

– Eu já estou morta. – Ela riu sem humor. – faça isso, eu vou ficar bem.

– Você está viva sim. – Disse firme. – Eu vou tirar você daqui Isabella.

– Então me entregue, volte amanhã e peça para me ver. Provavelmente vão te levar para o galpão, eles vão confiar em você.

Eu a abracei e rocei nossos lábios, eu sentia medo, mas faria isso. Essa podia ser a única chance.

– Aperte aquele botão e segure meus cabelos. Diga que eu te contei como vim para cá e como nos tratam. – Ela sorriu frágil. – Convença-o de que é confiável.

– Tudo bem.

Fiz o que ela pediu, segurei ela pelos cabelos e apertei o botão, em menos de segundos James e Felix estavam ali, Isabella se debateu, fingindo dor já que eu não puxava seus cabelos.

– O que aconteceu? – James perguntou.

– Isabella me disse que a venderam e que é obrigada a trabalhar aqui. Deveriam domar melhor a mercadoria. – Me senti sujo falando aquilo.

– Ora Isabella, você não aprende. Já não foi ruim o suficiente da última vez? Eu, Aron e Felix dentro de você ao mesmo tempo? Um em cada buraquinho apertado seu?

– James não... – Ela choramingou.

Eu ainda estava perplexo com o que ele disse. E me arrependi de ter aceitado a proposta dela, eles podiam fazer novamente ou até mesmo coisa pior.

– Vamos logo, Aron vai adorar te ver. – Ele a puxou de mim a jogando no chão e log depois a puxando pelos cabelos.

Isabella esperneou e vi as lágrimas caírem, mas seu olhar me dizia que tudo ficaria bem, mesmo que eu duvidasse disso. Felix estava ao meu lado com um sorriso satisfeito.

– Ela já tentou isso tantas vezes, mas parece que não vai desistir.

– Amanhã eu gostaria de vê-la, tenho contas a acertar. – Fingi sorrir.

– Chegue aqui pelas dez da manhã, ela vai estar no galpão, eu te levo até lá.

– Quero vê-la sozinho.

– Sim, as outras vão estar limpando a boate, mas duvido que ela consiga ao menos se sentar amanhã. – Ele riu. – Bom, eu tenho coisas a tratar.

Ele saiu de lá, me deixando sozinho, tranquei a porta e fui para o banheiro, vomitei tudo o que tinha dentro do meu estomago, esses homens me dão nojo e me fazem sentir nojo de mim por ter deixado que eles a levassem.

Sai daquele quarto imundo e fui para a pista de dança, olhei ao redor e vi as tais mulheres que Isabella falou, uma ruiva, uma loira e uma morena. Me sentei naquele bar e esperei até que James e Felix voltassem, o que demorou mais de três horas, logo vi um outro homem descer, Aron Masen, os três com sorrisos satisfeitos. Meu estomago revirou novamente e eu fui embora dali.

Na manhã seguinte, eu já estava acordado, não preguei o olho durante a noite, estava preocupado demais com Isabella, nem me importei com os papeis, eu só queria saber como ela estava, por minha culpa ela se machucou, isso nunca teria perdão, me sinto sujo e um monstro como eles.

As dez eu já estava na porta daquele lugar. Me forcei a colocar um sorriso no rosto e entrei, logo vi as meninas limpando o lugar, três seguranças cuidavam para que nenhuma fugisse, Felix veio até mim e parou a minha frente.

– Pontual.

– Sempre. Tenho compromissos depois daqui.

– Venha comigo.

Enquanto ele me guiava por alguns corredores, não pude deixar de pensar em quão burro ele é, me levando para o alojamento das garotas somente por que denunciei uma ontem. Ele abriu uma portinha no chão e me disse para descer, tinha uma escada, no fundo, estava tudo escuro. Desci e ele ficou ali.

Quando cheguei ao fim, olhei ao redor, ali tinha banheiro, um enorme guarda roupa e vários colchões no chão. Em um deles tinha um corpo encolhido, com cabelos úmidos e parecia querer sumir, me aproximei e me ajoelhei ao seu lado. Era Isabella.

– Isabella?

Ela se virou com cuidado e eu vi sua bochecha esquerda com um hematoma roxo, ela sorriu frágil e tentou se sentar, mas sua expressão era de dor, seus braços estavam ralados e roxos, os pulsos com cortes superficiais e o antebraço com sinais de queimadura de cigarro.

– Me perdoa. – Pedi.

– Estou bem, logo vai melhorar, além do mais, Alice cuidou de mim.

– O que fizeram com você?

– Isso não importa, já passou. – Ela segurou minha mão. – Consegui o que quer.

Ela me entregou um papel com vários nomes, datas e quantias pagas e recebidas, estava um pouco manchada de sangue. Olhei para ela que tinha um sorriso meigo.

– Você podia ter morrido.

– Pelo menos tiraria Alice daqui.

– Antes do que você pensa eu tirarei todas vocês daqui.

– Vá agora, pelo menos hoje eu não vou...

– Fique bem. – Beijei seus lábios.

– Eu vou ficar.

Guardei o papel no bolso falso da jaqueta e sai dali, olhei para Isabella pela última vez e sai dali. Agradeci ao Felix por permitir que eu falasse com ela e fui embora. Assim que cheguei ao meu apartamento, reuni tudo o que descobri de Aron e liguei para Julius.

Ligação on:

– Pode mandar uma equipe de 100 agentes. Tenho tudo o que precisamos.

– Mas já?

– Eu faço as coisas rápidas. Mandado de prisão para Aron Masen, Felix Mayer e James Wilson.

– Hoje pela noite todos os agentes estarão ai. Amanhã à noite você invade essa boate e prende esses desgraçados.

– Até amanhã Julius.

– Até Cullen e parabéns.

Ligação off.

Amanhã eu tirarei Isabella de lá, ela será a primeira a sair daquele lugar, eu cuidarei dela como uma irmã, como uma amiga, como um anjo. Eu darei minha vida pela promessa que fiz. Eu tirarei aquela pequena mulher de lá.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Até o próximo capítulo. Não deixem de comentar.