Um agente em minha vida.
29 Mudança de ares.
Notas iniciais
POV Isabella
Abri meus olhos com certa dificuldade por conta da claridade e do peso que parecia ter sobre minhas pálpebras, mas assim que foquei minha visão soube que estava em um hospital, olhei ao redor procurando por Edward, mas ele não estava, o medo tomou conta de mim e eu ofeguei e me sentei rapidamente na cama sentindo meu corpo protestar e gemi de dor. Olhei para meus braços e vi que meus pulsos estavam enfaixados e algumas marcas roxas estavam perto dos meus ombros. Aos poucos as lembranças de algumas horas atrás retornaram a minha mente me fazendo estremecer. Eu atirei nele, será que o matei? Ficaria muito feliz se tivesse. Por que Edward não está aqui comigo? Será que ele está com nojo de mim? Meus olhos inundaram por lágrimas somente por pensar nisso.
Segundos depois a porta se abriu e vi Edward entrar, não pude conter o sorriso de alivio por vê-lo ali. Ele deu um pequeno sorriso e se sentou ao meu lado beijando minha testa.
– Como está se sentindo? – Perguntou.
– Dolorida e minha cabeça está doendo. O que houve?
– Quando cheguei em casa, achei tudo muito estranho, a escuridão, o silencio. Quando cheguei no quarto e te vi desmaiada e com minha arma nas mãos, eu pensei que...
– Que eu tivesse tentado me matar. – Terminei a frase por ele.
– Quando vi James caído no chão ensanguentado e você semi nua na cama eu entendi tudo. Chequei seus sinais vitais e quando vi que você estava bem, liguei para a polícia e para a ambulância, depois fui ver James. – Ele terminou com desgosto.
– Eu o matei? – Perguntei.
– Ele estava vivo quando chequei. O trouxeram para esse hospital também.
– Ele está aqui? – Perguntei assustada. – Eu quero ir embora, ele pode... ele pode...
– Ei, calma, vai ficar tudo bem. – Garantiu me abraçando e eu gelei.
Meu corpo não queria o toque, não o queria. Meu coração implorava por aquilo, mas minha mente insistia que não era seguro. Edward percebeu e se afastou alarmado, vi nos seus olhos a dor e raiva. Só não sabia se essa raiva era para mim.
– Bella...
– Eu... eu não quis... me desculpe. – Pedi.
– Está tudo bem.
– Não, não está. – Gritei. – Me abrace.
– Não precisa fazer isso anjo.
– Por favor. – Pedi já sentindo meu rosto úmido pelas lágrimas.
Edward pareceu meio inserto, mas fez o que pedi, me abraçou com cuidado e eu me obriguei a me entregar a aquele gesto, mas meu corpo retesou e seu senti o tão conhecido ataque de pânico tomando conta de mim, Edward também percebeu e tentou se afastar, mas me agarrei a ele, desistindo de tentar se separar ele começou a sussurrar palavras de carinho para mim, não sei quanto tempo ficamos assim, mas meu corpo começou a se acalmar e a consciência de que Edward não me faria mal retornou.
– Obrigado. – Sussurrei.
– Não precisa se preocupar anjo, estou aqui pra você. – Senti o carinho de suas mãos em meus cabelos e me aninhei a ele.
– Minha cabeça dói.
– Vou chamar a enfermeira. Você teve uma concussão, devia estar descansando.
– Eu não quero dormir. James, ele...
– Ele está morto Bella. – O fitei incrédula.
– Mas você disse que ele estava vivo.
– E estava, quando cheguei no apartamento ele ainda estava vivo, mas o médico me chamou agora a pouco para dizer que ele morreu.
– Eu o matei?! – Murmurei apavorada. – E agora?
– Nada vai acontecer com você anjo, foi legitima defesa. Eu fui punido no FBI com 30 dias de suspensão e sem salário por ter deixado a arma ao acesso de uma adolescente.
– Me desculpa, eu não queria prejudicar você, mas eu não consegui pensar em mais nada. Eu estava com medo de que ele me matasse.
– Está tudo bem amor. – Ele sorriu docemente para mim. – Fico melhor sabendo que fez isso para se proteger.
– Eu pensei que fosse morrer. Ele me amarrou e tirou minha roupa, foi horrível.
– Não precisa me contar ok? Depois falamos se quiser. – Ele disse me beijando calidamente.
– Como ele conseguiu entrar? Eu tenho certeza que tranquei a porta.
– Os policiais estão analisando as imagens, mas parece que ele entrou com ajuda de uma funcionária. – Suspirei contendo as lágrimas e Edward beijou minha testa.
– Estou cansada disso.
– Já acabou amor. – Concordei. – Vou chamar a enfermeira.
Me deitei e ele sorriu para mim, mas uma dúvida apareceu em minha mente me fazendo soluçar por medo.
– Você... você ainda me ama? – Perguntei baixinho.
– A cada dia mais anjo. Te amo mais que minha própria vida. – Sorri.
– Também te amo muito. – Com um beijo calmo e firme ele me deixou ali para chamar a enfermeira.
*****
Fiquei apenas por mais algumas horas no hospital, apenas o tempo de fazer alguns exames e constatar que eu estava apta a ir para casa. Edward ficou comigo o temo todo e depois de receber alta, ele me disse que teríamos que ir para a delegacia prestar depoimento no caso da morte de James. Uma advogada que trabalhou para Edward a alguns anos nos acompanhou e devo pontuar que não gostei nada dela. Muito bonita e sorridente para uma advogada, eu preferia que fosse uma senhora com seus 60 anos, casada, com filhos e netos.
Depois de um depoimento de meia hora, eu fui liberada e consegui finalmente descansar minha mente de tudo isso. Edward me disse que ele precisou avisar ao seu superior no FBI sobre o acidente por que eu fui testemunha no caso da boate e ainda sou testemunha protegida pelo governo, nesse caso, o FBI, contou também sobre a morte de James, que foi causada graças aos ferimentos de bala, um no pescoço, um no braço e um nas costas que acertou um pulmão, e ainda brincou dizendo que não sabia que sou boa de mira mesmo a pouca distância. Eu não posso dizer que fiquei abalada por saber que matei, me senti livre e anestesiada como ainda estou agora.
Já em casa, eu tomei um banho frio enquanto Edward mandava limpar a casa, já que tinha sangue e estava um pouco revirada graças a inspeção da polícia. Quando sai do banho já estava tudo limpo, a cama estava com outros forros, mas eu não queria dormir ali, não queria me deitar ali novamente.
– O que foi amor? – Edward perguntou ficando ao meu lado.
– Será que podemos dormir em outro lugar?
– Por que? – Perguntou confuso.
– A cama, é muito...
– Ei, tudo bem. Vamos tirar a cama daqui então. Pode ser? – Assenti.
Edward beijou minha testa e depois fui até a cama a arrastado e depois virando de lado. Fui até lá e o ajudei, passamos a cama pela porta e a colocamos no meu antigo quarto.
– Tenho um colchão inflável no armário, vou lá pegar.
Voltei para o quarto e o esperei, logo Edward voltou com um colchão, assim que o enchemos e colocamos um lençol e nossos travesseiros, peguei o edredom e também coloquei ali.
– Vamos comer primeiro, depois, cama. – Sorri.
Saímos de mãos dadas até a cozinha onde uma grande pizza quatro queijos nos esperava. Edward sabe como me alegrar. Comemos em meio a brincadeiras que me fizeram esquecer momentaneamente do acontecido. Mais tarde fomos para cama, Edward me abraçou e eu deitei minha cabeça em seu peito, suas mãos faziam carinho em minha cintura enquanto a minha traçava caminhos invisíveis em seu peito nu.
– O que acha de irmos para a casa dos meus pais? – Ele perguntou depois de um tempo.
– Seria legal, estou com saudades deles. – Disse sincera.
– Então vamos aproveitar a minha suspensão e seu atestado para ir viajar.
– Vai ser ótimo.
Em poucos minutos já me senti mole e sonolenta, seria boa essa mudança de ares, eu conseguiria colocar minha cabeça em ordem e seguir em frente sem esse monstro rondando meus dias. Segundos depois adormeci sentindo o meu perfume preferido, o cheiro de Edward.
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