O ronco dos motores engolia tudo — menos os meus pensamento.

Luzes piscando, cheiro de borracha queimada, o som grave vindo dos falantes que alguém amarrou na mala de um carro velho. Mas aqui dentro, no meu carro, o barulho virava outra coisa. Virava ritmo. Bateria. Um compasso que batia no mesmo tempo do sangue nas veias. Como se o carro respirasse comigo. Como se fosse parte de mim.

Meus dedos tamborilavam no volante. Não por nervosismo — era ritual. Costume antigo. Como quem fecha os olhos antes de atirar. Como quem respira fundo antes de pular do prédio.

Do lado, vi o carro dele parar.

Artur.

O único babaca que eu realmente queria ver no retrovisor comendo poeira. O único que fazia essa porra de corrida valer alguma coisa. Ele tinha aquele sorriso insolente que irritava, provocava e, pra piorar, funcionava. Jaqueta jeans largada no banco do passageiro, cabelo bagunçado pelo vento da última volta, e aquele colar maldito — sempre o mesmo — pendurado no pescoço como se fosse algum tipo de troféu.

Ele virou o rosto devagar, me encarou por dentro do vidro escuro. Sorriso de canto. Olhar de quem vai bater e quer ver a marca depois. A mão dele no volante apertava mais do que precisava. Fingindo calma. Mas eu sabia ler aquela tensão — ele tava pilhado. Pronto pra me arrancar da pista ou morrer tentando.

Ótimo. Porque eu também tava.

“Vai,” murmurei, sem saber se falava pro carro, pra mim ou pra ele. “Dessa vez, tu vai engolir fumaça.”

A garota do sinal levantou a bandeira. Mas não tinha torcida. Não tinha plateia. Não tinha multidão. Só a rua vazia, o eco das máquinas roncando e os dois idiotas que se recusavam a recuar.

Contagem mental. Três. Dois...

Os dois carros rasgaram o asfalto ao mesmo tempo. Pneu gritando, fumaça cobrindo a pista, e o ronco dos motores subindo junto como uma ameaça de trovão prestes a cair. Era só ele e eu. Dois demônios correndo lado a lado numa reta sem fim.

Primeira curva à esquerda. Ele tenta me fechar. Respondo jogando o carro na tangente e quase roçando na lataria dele. Quase. Um milímetro e já teria batido. Mas ele ri. Eu vi. O filho da puta sorriu. Como se fosse um jogo. Como se não tivesse nada em risco.

Segunda curva. Ele acelera demais, derrapa, e eu passo por dentro. Tiro a vantagem. Só que ele volta, colando no meu para-choque como uma maldição. O barulho das engrenagens, o rugido do motor, a tensão do volante vibrando nas mãos. É tudo ele. Presença constante, imprudente, quase íntima demais.

Reta final. A rua se abre. O túnel tá perto. Solto o nitro e sinto o empurrão me colar no banco. O carro grita. Eu também. Grito com ele. É como voar com os nervos à flor da pele.

Mas ele também solta.

Merda.

Ele tá ao meu lado. Exatamente ao meu lado.

O túnel engole a gente, faróis refletindo nas paredes, som rebatendo como trovão dentro de caixa de metal. A gente sai juntos. Farol com farol. Ponta com ponta.

No último segundo, puxo o volante e ganho por uma roda de vantagem.

Freio. A respiração ainda não voltou. Motor fumegando, coração idem. Silêncio por dois segundos. Depois, o carro dele encosta ao lado. Ele desce.

Desce rindo.

Encosta a porta com calma, como se não tivesse acabado de quase bater a cem por hora. Vem até a frente do meu carro e para ali, mãos nos bolsos, olhando direto pra mim.

— Uma volta só? — ele pergunta. — Nem aqueceu direito.

Reviro os olhos, mas saio também. Ficar no carro parece covardia. Ele me encara, mais sério agora. Ainda com aquele brilho provocativo no olhar, mas com algo diferente por trás. Algo mais escuro.

— Quero revanche — solta, sem rodeio.

Dou um passo na direção dele.

— Você já perdeu, Artur.

— Eu sei. E agora quero revanche.

A gente volta pros carros. Silêncio entre nós. Motores ligados. Olhares pesando no ar.

Voltamos à linha de largada. Um do lado do outro.

Antes do sinal erguer de novo, ele baixa o vidro do carro e vira pra mim. A boca dele ainda tem aquele maldito sorrisinho, mas o tom agora não é de brincadeira.

— Desvia o caminho e me encontra na fábrica abandonada, lá atrás do viaduto.

Solta a embreagem devagar, me observando de canto. Eu fico parado por um segundo. O motor ronca. O sangue também. Não sei se ele quer continuar a corrida… ou começar outra briga naquela fábrica.

Mas eu vou.

Claro que vou. Minha curiosidade sempre fala mais alto.

O caminho até a fábrica parece mais longo do que devia. As luzes dos postes passam rápido demais, mas minha cabeça não acompanha. As imagens ainda tão grudadas na retina — o farol alto dele piscando, o jeito que me olhou antes de sumir na curva, a forma como as palavras dele cortaram o ar como se não fosse nada. Desvia o caminho. Como se eu obedecesse fácil assim. Como se eu fosse o tipo que segue ordens de alguém feito ele.

Mas fui.

Claro que fui.

Não tinha nem dado dez segundos e eu já tava virando o volante na direção da tal fábrica. A curiosidade sempre me mordeu o calcanhar, mas com o Artur... é diferente. Tem um tipo de veneno por trás, uma coisa que ferve e puxa e te joga no meio da confusão só pra depois fingir que não teve culpa nenhuma. E eu sou um merda por cair de novo.

O lugar aparece depois do último poste, meio escondido no escuro, com o portão velho entreaberto e a fachada suja de pichações que ninguém tentou cobrir. Piso o freio com força, o carro range, e o silêncio cai seco — só o barulho do motor diminuindo e o meu coração batendo alto demais.

Quando meus olhos ajustam, vejo os faróis dele virando a esquina. Ele chega pouco depois, estaciona de lado, com aquele estilo de sempre — dramático até pra parar. A porta se abre devagar. Ele sai como se estivesse num palco, não numa fábrica abandonada no meio do nada. Casaco pendurado no ombro, colar balançando no pescoço, olhar colado em mim.

Eu saio também. Não vou ficar dentro do carro enquanto ele desfila. A lataria parece pequena demais agora. O ar lá dentro já tava quente demais, carregado demais. Eu precisava ver. Precisava estar frente a frente pra entender se era raiva... ou outra coisa.

A gente para a poucos passos de distância, olhando direto um pro outro. E por alguns segundos ninguém fala nada. O clima pesa de um jeito estranho, como se o ar entre a gente tivesse eletricidade estática esperando um fio solto pra explodir tudo.

Artur ri primeiro. Aquele riso curto, irônico, como quem sabe exatamente o que tá fazendo.

— E aí, campeão... como é ganhar de mim pela primeira, e última, vez?

— Veio falar merda, é isso? — retruco, sem me mexer. A vontade de avançar é real, mas não por briga. Não só por briga.

Ele dá mais um passo, ainda com aquele olhar sacana, mas agora mais estreito, mais afiado.

— Relaxa, Noah. Não vim brigar. Vim conversar. Ou... sei lá. Testar limites.

— Meus?

— Nossos.

Minha mandíbula trava. Ele percebe. Sempre percebe. O olhar dele desce pro meu peito, pro meu pescoço, e volta pro meu rosto como se tivesse calculando alguma coisa. O filho da puta adora provocar. Sempre adorou. Mas agora tem algo mais ali. Uma tensão diferente, mais... carregada.

— Não sabia que precisava me convidar pra uma ruína só pra jogar conversa fora — digo, com o corpo já tenso, os punhos fechando devagar.

Ele sorri. Quase debochado.

— A gente sempre teve gosto por lugares fodidos, não é? — diz. — E eu queria ver até onde tu ia. Se ainda me segue no escuro como antes.

Eu rio, seco, sem humor.

— Tu não sabe nada do que eu faço.

— Mas adoraria saber. — ele me lança um sorriso sacana, me tirando do sério.

Esse silêncio que veio depois foi pior que qualquer grito. Eu podia sentir a porra da tensão vibrando entre nós, cada palavra não dita empurrando a outra garganta abaixo. E ainda assim, ninguém recuava. Nem um passo.

A verdade era que eu já tinha pensado nele. Em como seria. Em como talvez eu quisesse mais do que aquela rixa suja e aquelas provocações vazias. Já tinha me pego duro de madrugada por culpa dele, com a cara enfiada no travesseiro e o nome dele entalado na garganta. Mas nunca falei. Nunca mostrei. Porque Artur... Artur era caos. Era desejo vestido de desdém. E eu odiava não conseguir controlar isso.

— Vai ficar só me olhando ou vai falar o que tu quer? — solto, com a voz mais baixa, mas mais pesada.

Ele se aproxima mais um passo, agora perto o suficiente pra eu sentir o cheiro da gasolina misturado com a porra do perfume barato que ele usa. A mão dele quase toca meu ombro, mas ele recua no último segundo.

— Talvez eu queira te testar — murmura. — Ver até onde tu aguenta.

— Eu aguento mais do que tu pensa, Artur.

O olhar dele brilha.

E a faísca que sempre ficou presa entre nós finalmente acende o rastilho.

Ele avança. Rápido. Sem aviso.

E eu deixo.

As costas batem contra a lataria do meu carro com um estrondo abafado, e antes que eu possa respirar, ele já tá ali — perto demais, quente demais, os olhos queimando em cima dos meus. A mão dele segura meu maxilar com força, firme, quase como se quisesse me obrigar a olhar só pra ele. Não dói, mas também não é leve. É exato. No ponto.

— Sabia — ele sussurra, voz baixa, áspera — que tinha alguma coisa entre a gente. Sempre soube.

— Vai se foder — solto, mas não tem mais ódio na minha voz. Só raiva contida. Desejo entalado na garganta.

Ele ri, baixo, e a boca dele encosta na minha sem chegar a beijar. Só provoca. O ar dele bate quente contra meus lábios. Meu corpo inteiro tá pulsando, e o sangue corre tão rápido que chega a zunir nos ouvidos. A mão que tava no meu rosto desce, pega minha camiseta e puxa pra frente com força, como se quisesse rasgar, como se o que tivesse entre a gente fosse coisa de pele e dente e carne viva.

— Fique a vontade pra fazer isso, Noah — ele rosna. — Faz alguma coisa. Me bate. Me beija. Me cala.

Eu não penso.

Só agarro.

A mão vai direto na nuca dele, puxando com força. A boca bate na dele sem delicadeza nenhuma. Não tem espaço pra carinho. Não agora. A gente se beija como dois idiotas brigando por território, como se um tivesse que dominar o outro de qualquer jeito. Ele morde. Eu mordo de volta. A língua dele invade minha boca e eu não recuo nem por um segundo. Prendo, aperto, revido.

O beijo tem gosto de raiva. Tem gosto de noite quente, de gasolina, de semanas acumuladas em silêncio e olhares que diziam tudo que a boca nunca teve coragem de soltar.

As mãos dele sobem pela minha barriga por baixo da camiseta, e eu estremeço com o toque. Frio e quente ao mesmo tempo. Ele aperta meu corpo como se quisesse ter certeza que é real. Que sou eu ali, de verdade, encostado nele, finalmente. E eu seguro a cintura dele com as duas mãos e empurro contra mim, prendendo ele na minha frente, esmagando qualquer dúvida que ainda pudesse sobrar entre a gente.

A respiração dele falha contra minha boca. Ele geme, baixo, rouco. Não tem mais sarcasmo agora. Só um desejo urgente e pesado como um soco no estômago. Eu quebro o beijo, ofegante, e seguro o rosto dele entre as mãos, encarando de perto.

— Isso que tu queria, então? — pergunto, com a voz falha, engasgada.

Ele sorri. Um sorriso pequeno, sujo, satisfeito.

— Sei que faz melhor.

Ele me beija de novo. Mais forte. Mais faminto. E eu deixo. Mas dessa vez não só deixo. Eu conduzo.

Minhas mãos descem pelo peito dele até a barra da camiseta. Puxo pra cima de uma vez, e ele levanta os braços, obediente. A camisa cai no chão, esquecida. O corpo dele treme levemente com a diferença de temperatura. Tá quente, mas o toque dos meus dedos é outra coisa. Um choque elétrico. Um aviso.

— Ajoelha — falo, baixo, rouco, sem pedir. Só ordeno.

Ele não hesita.

Artur desce, devagar, com aquele olhar de desafio ainda aceso. Um olhar que diz que ele faria de novo. E de novo. Só pra ver até onde eu iria. E ele vai longe. Porra, ele vai.

A boca dele encontra meu jeans e eu encosto a cabeça no carro, olhos fechados, respirando fundo. Não demora pro zíper abrir, nem pra minha mão ir até os cabelos dele, guiando, segurando, apertando. Os sons que ele faz ali, entre os dentes, me tiram qualquer resto de controle.

Mas antes que chegue no limite, eu seguro a nuca dele e o puxo de volta pra cima com força.

— Ainda não.

O beijo que dou nele agora é quase animal. Puro instinto. Gosto de mim na boca dele e da raiva que ainda pulsa no meio do peito.

Viro ele contra o carro, empurro com o corpo, encaixando a gente num espaço apertado de tensão e promessa. As mãos vão direto pra cintura dele, e ele deixa. Se apoia com as palmas no capô quente, as costas arqueando levemente. O jeito que ele fica ali, meio empinado, me faz perder o ar.

Me abaixo e deixo um beijo úmido na nuca dele. Um só. Depois outro. E mais um, perto da espinha, quase um aviso. Ele solta um gemido rouco e joga a cabeça pro lado. Tá entregue. Porra, ele tá todo meu.

A mão dele vai ao bolso, e quando vira de leve, me mostra o que traz.

Uma camisinha.

Eu rio pelo nariz, surpreso e excitado de um jeito cruel.

— Planejando isso há quanto tempo?

— Tempo demais — ele devolve, jogando o pacote no capô, abrindo as pernas só o suficiente pra eu saber que não tá mais pra joguinho.

Me abaixo, abro a calça dele, lentamente, sentindo cada músculo tenso sob meus dedos. E antes de ir mais fundo, deslizo a mão por trás, provocando, explorando, sem pressa, mas com intenção.

Ele estremece. E eu sorrio, cruel.

— Relaxa — murmuro. — Eu cuido de ti.

Quando sinto que ele tá pronto, pego a camisinha, rasgo com os dentes, deslizo ela com precisão.

Sinto o corpo de Artur se tensionar quando finalmente entro nele, devagar no início, mas com uma urgência que não podia ser contida. Cada movimento era uma mistura de dor e prazer, uma dança de corpos suados e respirações ofegantes.

As mãos de Artur se agarram ao capô do carro, os nós dos dedos brancos de tão apertados. Seguro seus quadris com força, puxando-o para mim a cada impulso, sentindo cada gemido e suspiro que escapava dos seus lábios.

O calor entre nós era quase insuportável, um fogo que queimava sem piedade. Eu podia sentir o suor escorrendo pelas minhas costas, a umidade da pele de Artur sob as minhas mãos. Cada movimento era mais intenso que o anterior, uma espiral de sensações que nos levava cada vez mais perto do limite.

Artur jogou a cabeça para trás, os cabelos colados no rosto suado, e eu pude ver o reflexo da lua nos seus olhos semicerrados.

Eu não conseguia pensar, não conseguia me conter. Era como se todo o desejo, toda a raiva e frustração acumulada entre nós estivesse explodindo naquele momento. Eu senti o corpo de Artur se tensionar ainda mais, os músculos se contraindo ao meu redor, e soube que ele estava perto. Muito perto. Eu aumentei o ritmo, cada impulso mais forte e profundo que o anterior, até que finalmente senti Artur se desmanchar em meus braços, um gemido longo e rouco escapando dos seus lábios.

Eu não consegui me segurar por muito mais tempo. Cada segundo era uma provocação, uma pressão crescente até que, num último impulso, o prazer me consumiu por completo — uma onda quente que atravessou meu corpo inteiro, me deixando tremendo, sem ar, pesado no peso daquilo que acabara de acontecer.

Me inclinei sobre Artur, a testa encostando nas suas costas suadas, tentando puxar fôlego enquanto o silêncio da noite nos abraçava, quebrado só pelo som das nossas respirações, ásperas, e o eco distante da cidade que não dormia.

Me afastei devagar, sentindo o corpo dele se estremecer com o mínimo movimento. Me livrei da camisinha, joguei no chão como se não existisse nada além daquele momento, daquela confusão de sensações que ainda queimava no peito. Ele se virou, encostando-se no carro, e o brilho nos olhos dele me atravessou — não era só satisfação, era algo mais pesado, mais perigoso. Aquela mistura de conquista, de desafio vencido, mas também de reconhecimento mudo de que a gente tinha cruzado uma linha invisível, que não dava mais pra voltar atrás.

Ficamos ali, imóveis, trocando silêncio, encarando um ao outro sem a necessidade de palavras. A raiva que existia antes tinha evaporado, junto com os rancores e provocações — sobrava só o que restava quando a gente tirava tudo isso de cena: dois corpos marcados pelo que quiseram negar, dois sujeitos presos no que já não dava pra evitar. Uma coisa enorme, densa, pronta pra explodir ou se transformar, não sabia ao certo.

Foi Artur quem quebrou primeiro o silêncio, a voz dele saiu meio rouca, quase arranhada, como se ainda tentasse processar tudo o que tinha acontecido.

— Isso foi... foda — ele falou, soltando as palavras como se fosse difícil admitir, mas não conseguia esconder o tremor por trás. — Porra, não tava esperando que a gente fosse chegar tão longe assim. Nem que você fosse me foder assim.

Eu soltei um sorriso cansado, sentindo o calor subir de novo, um fogo que não apagava. A tensão voltou a se formar, como se aquela pausa fosse só pra preparar o próximo round.

— Tá longe de acabar — respondi, sem tirar os olhos dele, puxando ele pra perto de novo, sentindo o corpo dele responder ao meu toque, sem defesa.

Ele levantou uma sobrancelha, o sorriso dele foi crescendo, lento, quase de quem sabe que ainda tem jogo pra jogar. A voz veio carregada de provocação, do jeito que só ele sabe.

— Ainda tem mais, é? — perguntou, mas a pergunta era só um pretexto pra chegar mais perto. — Então fiz bem em trazer mais camisinhas

Eu balancei a cabeça, a boca já colada na dele, o toque quente do nosso corpo contra o frio da noite fazendo tudo ficar mais intenso.

— Muito mais — garanti, deixando claro que a noite era nossa, que a gente ainda tinha chão pra pisar, que o jogo tinha mudado de regras.

E ali, naquele instante, não havia mais nada entre a gente que pudesse segurar o que já tinha escapado.