Um Toque, Uma História.
5 Sempre Por Perto
Cheguei em casa exausta, joguei a mochila no canto e tirei a calça apertada, sentindo o alívio da pele ficando livre do tecido. O ar morno do apartamento parecia pesar em mim, mas eu precisava de um momento só meu, para escapar daquela rotina sufocante. No banheiro, deixei a água quente cair pelo corpo, sentindo cada gota lavar a tensão acumulada — o calor amolecia os músculos e a mente, tornando tudo um pouco mais leve. Saí enrolada na toalha, o tecido macio enrolado em meu corpo enquanto eu me sentava à escrivaninha.
Abri o notebook e procurei o vídeo que sempre me servia como refúgio. O vídeo começou a tocar. A música baixa, o som da voz dele, as imagens em câmera lenta – movimentos suaves, quase hipnóticos. Eu me ajeitei na cadeira, ajeitando a toalha que ameaçava cair do corpo. As mãos deslizaram devagar pela pele, com vontade. O calor subiu rápido, uma chama que se espalhava do peito para o ventre, para a pele que formigava ao menor contato. A toalha caiu finalmente, deixando meus seios a mostra.
A trilha do vídeo preenchia o quarto. O som do suspiro dele, o sussurro da voz feminina no fundo... tudo parecia fazer parte daquele momento só meu, íntimo. Eu me deixei levar, os dedos explorando com uma precisão que só eu conhecia, a pele arrepiando, o corpo pedindo mais.
Era uma dança antiga: eu, o toque, o som, a imagem. Um ciclo que me envolvia e me deixava tonta.
Foi quando uma aba nova abriu no navegador. A tela mudou. Apareceu uma mensagem, simples, quase tímida:
“Quer uma ajudinha com isso, Ellie?”
O coração disparou, e uma corrente estranha correu pela minha espinha. Respondi sem pensar, puxada pela mistura de medo e curiosidade:
“Quem é você?”
Veio a resposta, meio tímida, quase um sussurro em palavras escritas:
“Alguém que pode te ajudar.”
Olhei para a tela, para o vídeo que ainda rodava, mas não era mais o que eu queria ver. A mão parou, mas a pulsação no corpo continuou — algo invisível me puxava para aquela conversa, para aquela presença distante e próxima ao mesmo tempo.
“Vai devagar... sinta a pele... deixa o corpo falar.”
Eu obedeci curiosa, as mãos explorando devagar, com uma mistura de pressa e cuidado, sentindo as ondas de prazer crescerem, como um mar que subia lento e forte. A respiração ficou ofegante, os dedos encontraram os pontos certos, e eu me deixei levar, o som do vídeo se misturando com o próprio som do meu corpo.
Ele não dizia muito, ou melhor, escrevia muito, mas cada frase dele era um convite, um pedido contido.
“Gosta quando toca assim... fala, me deixa ouvir... não precisa esconder.”
As palavras dele se tornaram um sussurro que preenchia o silêncio, e eu me senti estranhamente segura — uma conexão que não fazia sentido, porque eu nem sabia quem ele era. O vídeo já não importava; era só ele, as palavras dele, e o calor que subia da pele até o peito.
“Pode gemer, eu escuto...”
Eu soltei um gemido baixo, tímido, que me surpreendeu mais do que a presença dele ali, invisível, me ouvindo. A vergonha misturava-se à excitação, e meu corpo tremia entre o medo e o desejo.
Outra anotação aparece na tela, meu desejo cresce pela sua presença.
“Isso, sei que você gosta assim… quero te escutar mais.”
E mais outra.
“Mais devagar... deixa o prazer crescer... não tenha pressa.”
E eu deixei. Cada onda subindo, rolando, até que quase não conseguia controlar a respiração, a pele arrepiada e o calor dentro do peito. Senti as mãos trêmulas, o corpo tenso, e ele ainda ali — uma presença que me fazia querer descobrir quem estava ali, atrás da tela, me vendo tão nua, tão entregue.
Quando finalmente o ápice veio, veio lento, intenso, como uma explosão que preencheu cada centímetro do meu corpo, eu me afundei na cadeira, tentando recuperar o fôlego, sentindo o calor da minha própria pele e as palavras dele ecoando, baixas, quase um segredo entre nós.
“Respira... fica comigo.”
Ainda tremendo, eu mal podia acreditar no que acabara de acontecer — não só o prazer, mas aquele fio invisível que se formara entre nós. O vídeo estava parado, a tela brilhando com a luz azul, mas meus olhos só conseguiam olhar para a aba do chat, para as palavras dele.
Não sabia quem era. Não sabia se tinha medo ou desejo por ele.
Ele escreveu de novo:
“Você foi incrível. Como sempre. Quer que eu vá até aí?”
O coração bateu seco, e algo se retorceu dentro de mim. Como sempre? A frase pesava mais do que deveria. Me vigiava? Ou me conhecia de antes? Era um stalker? Um hacker? Eu devia me afastar — mas minha boca se abre procurando o que responder, os dedos ainda trêmulos de prazer e de uma fome que se recusava a desaparecer.
— Você quer vir, certo?
A pergunta saiu mais macia do que deveria, como se minha voz sussurrasse por baixo da pele, sedenta e perdida.
“Se você pedir, sim.”
A mensagem parecia querer uma súplica minha, de continuar aonde parei, e ele sabia que estava certo. Meu corpo pede para continuar, meu tesão aumenta com a ideia de ter algo com alguém que nunca vi.
— Eu quero, por favor — meu corpo se arrepia com a própria resposta
A campainha tocou como se soubesse que eu ainda ardia.
Tremi. Nem levantei de imediato — só fiquei ali, sentindo o resquício do orgasmo morno ainda pulsando entre as pernas, enquanto a mente tentava processar. Mas o coração já sabia. O corpo, mais ainda. Me levantei devagar, puxando a toalha caída no chão e me enrolando nela outra vez, como se fingir decência bastasse diante de algo que já tinha passado de qualquer limite.
Abri a porta.
E ele estava ali.
Roupa preta dos pés à cabeça. Máscara escura, cobrindo todo o rosto. Luvas nas mãos. Uma sombra sólida no batente da porta, como um fragmento da noite que se materializou no meu corredor.
— É... você?
Ele apenas assentiu. Um movimento mínimo com a cabeça. Silencioso. A presença dele tomava todo o espaço — e ainda assim, ele parecia conter o corpo, como se fosse grande demais pra si mesmo, como se se contivesse o tempo inteiro.
— Fala comigo — pedi, sem esconder a urgência que escorregava da minha voz.
Ele negou com a cabeça. Silêncio de novo.
Eu não sabia se era timidez, jogo ou... medo. Mas alguma coisa nele pedia distância, mesmo que o corpo gritasse o contrário. Um bicho preso que nunca aprendeu a sair da gaiola. E, ainda assim, ele estava ali. Por mim.
Dei um passo pra trás, abrindo caminho. Ele entrou.
As botas tocaram o chão com um som abafado. O ar entre nós ficou mais denso. Ele fechou a porta devagar, depois se virou pra mim, tirando algo do bolso do casaco. Quando vi o que era, meu coração se apertou.
Uma venda de cetim preta.
Ele ergueu com delicadeza. Não chegou perto — só mostrou, como se pedisse permissão até no gesto.
A voz veio grave, baixa, finalmente.
— Você quer isso? — ele parecia querer ter cuidado, mas ainda sim parecia sedento — Eu não vou te forçar a nada, mas se eu começar, só paro quando você estiver satisfeita por completa.
Meus lábios se entreabriram, e o coração tropeçou. Eu deveria dizer “não”, correr, gritar, ligar pra polícia. Engoli em seco. A pergunta rodou na minha cabeça. Eu podia ver ele ali, inteiro, tentar entender o que se escondia atrás da máscara — mas alguma parte em mim sabia que não era hora. Ainda não. Tinha algo sagrado nesse mistério. Tinha uma tensão que merecia ser guardada mais um pouco.
— Eu... — minha voz saiu pequena, como se também usasse uma máscara, uma camada de medo e desejo que se confundiam — eu quero, sim.
Ele não disse nada. Só se aproximou, pela primeira vez. A mão enluvada roçou de leve meu rosto. Quente, mesmo com o tecido. A venda foi colocada com uma delicadeza brutal, como se a cada nó ele desenhasse um caminho do qual eu não poderia mais voltar. A escuridão não me assustou — me acendeu.
Antes que eu pudesse dizer algo, senti as mãos dele — agora sem as luvas. Eram quentes, realmente quentes. Me fez arrepiar, e ansiar mais pelo seu toque. Sem questionar, ou pedir, ele retira o tecido que cobria meu corpo, me deixando exposta. Me deixando completamente nua. Sem poder ver, tudo se tornava mais intenso. Mais vivo.
Os dedos dele deslizaram pelas minhas costelas, subindo até o contorno dos seios como se lessem minha pele. Um toque sem pressa, mas carregado de tensão — como se ele estivesse marcando um território que já era dele há muito tempo, mesmo que eu só estivesse percebendo agora.
Senti seu corpo se aproximar. O calor dele me cercou antes mesmo de seus lábios encontrarem os meus. Um beijo fundo, firme, carregado de urgência e adoração. Ele me beijava como se soubesse o gosto da minha boca de cor, como se cada parte minha tivesse sido memorizada por ele em silêncio, nos bastidores do tempo.
De repente, me senti flutuar. Seus braços fortes me ergueram com facilidade, me pegando no colo como se eu fosse leve, frágil — e ainda assim, inteira na palma das mãos dele. A pele dele encostava na minha, quente, viva, quase queimando.
— Posso continuar? — ele sussurrou, rouco, a voz tremendo no meu ouvido.
Assenti com a cabeça, sem conseguir dizer nada. O corpo respondeu por mim antes da mente. Meu coração pulsava alto demais para que eu organizasse qualquer palavra.
Senti ele andar, passos firmes e decididos, como se soubesse exatamente para onde me levar — e talvez soubesse mesmo. Meus braços se enroscaram ao redor do pescoço dele, mais por instinto do que por necessidade, porque ele me segurava como se eu fosse preciosa demais pra cair, leve demais pra pesar, íntima demais pra escapar.
Enquanto caminhava comigo no colo, ele parou por um instante. Senti os dedos dele se ajeitando sob minhas coxas, me segurando com mais firmeza, antes que sua boca encontrasse a minha de novo — e dessa vez o beijo não teve freio.
Veio carregado de tudo o que a gente não disse. A língua dele invadiu minha boca com fome, com sede, com raiva talvez — uma raiva doce, quente, desesperada. Ele me beijava como se quisesse me engolir por dentro, me desfazer da dúvida, me reconstruir do zero.
Minhas unhas apertaram as costas dele, arranhando leve, pedindo mais, me ancorando no calor do toque. Ele gemeu baixo, um som abafado entre os nossos lábios, e então continuou a andar, sem romper o beijo, tropeçando levemente no próprio desejo.
A cada passo, minha pele roçava na dele. O tecido de sua camisa arranhava de leve os meus seios, o quadril dele firme me sustentava, e eu sentia — sentia ele inteiro, sentia o quanto me queria.
O beijo foi ficando mais lento à medida que o chão mudou sob os pés dele — madeira agora, os rangidos suaves do quarto denunciando a chegada. Ele se afastou só o suficiente pra respirar contra meus lábios, a testa dele encostada na minha.
— Você não faz ideia do que tá fazendo comigo… — sussurrou, baixo, rouco, como se a própria voz doesse de tanto conter.
E então parou.
Ele me deitou com cuidado na cama, os lençóis frios contrastando com o calor que emanava dele. Um arrepio correu por toda minha espinha. Antes que eu pudesse me acostumar com a sensação, senti sua boca em mim novamente — nos lábios, no pescoço, no colo, nos seios.
Sua língua era um incêndio lento. Cada lambida ao redor dos mamilos fazia meu corpo arquear, a respiração entrecortada, os quadris procurando atrito, qualquer coisa que aliviasse a urgência crescendo dentro de mim.
Soltei um som abafado, entre o prazer e o desespero. Ele desceu as mãos, devagar, com uma precisão quase cruel. Passou os dedos entre minhas pernas, me abrindo com calma, me explorando como se aquilo fosse uma promessa antiga finalmente cumprida.
Seu toque era firme, mas paciente. Ele me acariciava com os dedos enquanto mantinha os lábios no meu peito, a respiração quente, os gemidos dele escapando entre um beijo e outro. E então ele começou a me masturbar — com movimentos calculados, exatos, quase como se tivesse ensaiado cada toque.
Me contorcia sob ele. A venda fazia tudo parecer mais intenso. Cada suspiro, cada mudança de posição, era uma surpresa que me deixava tensa e molhada.
Mas ele não me deixou chegar ao fim.
Toda vez que o calor se aproximava demais, ele parava. Descia a boca até minha barriga, ou subia de novo para morder meu ombro.
— Ainda não. Você vai me implorar um pouco mais.
A forma como ele dizia isso — baixa, rouca, quase rindo da minha angústia — me fazia querer gritar. Ou chorar. Ou beijá-lo até não sobrar ar.
O silêncio foi rasgado por sons que fizeram meu ventre se apertar: o som do cinto sendo aberto com pressa, zíper descendo, roupas caindo ao chão. O calor dele se afastou por um segundo e, logo em seguida, o som distinto de um plástico sendo rasgado preencheu o quarto. Preciso. Direto. Quente.
Minha respiração ficou presa no peito.
O colchão afundou do meu lado.
Senti o peso dele de novo, o corpo nu colando no meu, e mesmo sem enxergar, enxerguei tudo. O cheiro, o calor, o desejo escorrendo dos nossos poros.
— Me diz se quiser parar. Agora. — a voz dele veio densa, firme, mas trêmula de contenção.
— Não quero. — sussurrei, e era verdade. Eu nunca quis tanto algo na vida.
Então ele me tomou.
Sem mais demora, sem mais promessas.
Os quadris dele roçaram nos meus, se encaixando devagar, me instigando com os dedos antes de entrar. Um gemido escapou da minha garganta quando ele finalmente me penetrou — quente, grosso, fundo.
A princípio, ele se moveu com lentidão. Como se quisesse sentir cada centímetro do que agora era dele.
O deslizar era úmido, quente, preciso — e mesmo assim, suave como pecado sussurrado ao pé do ouvido.
Senti os dedos dele cravarem em minha cintura, puxando-me contra os quadris num movimento que dizia mais do que palavras: tá aqui. É toda minha.
E eu estava. Eu era dele.
A cada estocada lenta, ele me preenchia com um cuidado feroz, com um desejo que roçava o sagrado e o sujo numa mesma batida.
Ele saiu quase por completo, só para entrar de novo com mais força, mais fundo — um gemido escapando dos lábios dele, abafado contra minha clavícula. A boca encontrou minha pele como se tivesse sede, e talvez tivesse mesmo. Me chupou, lambeu, mordeu leve, deixando rastros quentes enquanto se movia em mim, com ritmo cada vez mais desgovernado.
Eu arqueava o corpo, oferecida.
As pernas se abriram mais, instintivas, buscando o encaixe mais profundo possível. Meus dedos se perderam entre os lençóis e as costas dele, arranhando, pedindo, clamando.
— Assim… — ele murmurou, entre dentes. — Desse jeito… tá me deixando louco.
A mão dele desceu pelo meu corpo vendado, parando entre as pernas. Os dedos encontraram meu clitóris com uma precisão de quem já sabia onde me quebrar — e me quebrou.
Começou a me tocar no mesmo ritmo das estocadas, fazendo meu corpo estremecer.
O prazer vinha em ondas, se chocando uma contra a outra, me empurrando cada vez mais pra perto do abismo.
Ele sabia.
Sabia o que fazia comigo.
— Fala pra mim — sussurrou, com os lábios colados ao meu ouvido. — Fala que é minha.
E eu não consegui resistir.
— Eu…eu sou tua — a vontade era de gritar, mesmo que não pudesse — Ah…toda sua
As investidas ficaram mais rápidas, mais cruas, e eu gemia sem vergonha agora, sem medida. O som dos nossos corpos se chocando preenchia o quarto abafado, o cheiro de suor, pele e luxúria era quase sólido, denso, entranhado no ar.
As mãos dele subiram até meus pulsos, me prendendo acima da cabeça.
Fui toda dele.
Submissa e faminta, cega e viva.
— Goza pra mim — ordenou, e eu obedeci.
Meu corpo se arqueou sob o dele como uma corda tensa finalmente rompida.
O orgasmo me atravessou com uma força animalesca, fazendo minha visão — já vendada — se apagar ainda mais. Gemi alto, gritei talvez, e ele não parou.
Continuou dentro de mim, fodendo meu corpo mole com um vigor desesperado, até que a respiração dele falhou, os quadris estremeceram, e ele enterrou-se até o fim — um último gemido rouco, contido, rasgando a garganta dele enquanto gozava.
Ficou ali por um momento, ainda dentro de mim, os corpos colados, os corações em guerra, os pulmões implorando por ar.
Ele me beijou.
Dessa vez, devagar. Um selo quente e molhado, cheio de ternura pós tempestade.
— Caralho… — sussurrou, quase sem voz.
E eu, ainda tonta, só consegui sorrir.
O silêncio se instalou de novo, denso e úmido. Senti ele sair de dentro de mim — quente, lento, arrastado — e um arrepio subiu pela minha espinha, me deixando vulnerável.
Logo depois, outro som: o rasgo de um novo pacote, nítido demais no quarto abafado. Meu corpo reagiu antes da mente entender o que aquilo queria dizer.
Ele falou baixo, perto da minha orelha, como se o mundo lá fora não pudesse ouvir:
— Já tá satisfeita?
Não respondi com palavras.
Só sorri. Um sorriso preguiçoso, saciado… mas faminto outra vez.
Ele me pegou no colo outra vez, os braços fortes me envolvendo com um cuidado bruto. Minha cabeça caiu no ombro dele, o peito colado ao seu, as pernas bambas pendendo no ar. Senti o calor da pele suada contra a minha, o cheiro salgado da entrega ainda pairando entre nós.
Ele se sentou comigo na cama, me ajeitando com calma em seu colo — como se eu fosse algo precioso, moldável, moldada. Meu corpo, ainda vendado, escorou no dele, e os dedos percorreram minhas coxas, minha cintura, meus seios, com a propriedade de quem já conhecia os caminhos e queria explorá-los outra vez, de um novo ângulo, em uma nova dança.
O silêncio carregava tensão, expectativa e um desejo ainda aceso demais para se dar por satisfeito.
Me sentei devagar sobre ele, ainda vendada, ainda quente. Os joelhos cravados de cada lado das pernas dele, o toque da minha pele contra a dele — úmida, arrepiada, latejante.
Ele respirou fundo quando minhas mãos exploraram o peito dele, descendo pelas costelas, contornando a cintura como se eu tivesse todo o tempo do mundo.
— Assim? — murmurei, escorregando os dedos até a base do membro dele, sentindo o quanto ele estava duro, pulsando, vivo.
Ele não respondeu. Só segurou minha cintura com força.
Os dedos se cravaram como ganchos. Me puxou de leve pra frente, e o movimento fez meu sexo roçar no dele — quente, liso, úmido.
Soltei um gemido baixo, entre os dentes. E ele riu. Riu curto, baixo, com o ego inflado e os olhos — eu sentia — fixos no meu rosto vendado.
— Rebola pra mim, Ellie. Devagar.
E eu obedeci.
Comecei a me mover com o quadril, circulando, subindo e descendo só o suficiente pra atiçar, pra provocar, pra mostrar que o controle era meu… mesmo quando ele ainda segurava minha cintura, guiando os movimentos com mãos possessivas.
— Tá querendo me enlouquecer, é isso? — a voz veio grave, presa no fundo da garganta.
— Achei que você gostasse de perder o controle — provoquei, os lábios entreabertos, o corpo em brasa.
Ele respondeu com um estalo seco na minha bunda. A dor e o tesão se confundiram num gemido solto que escapou antes que eu pudesse engolir.
— Cuidado com o que deseja, princesa.
E então ele me ergueu com brutalidade contida — uma força que parecia vir do instinto, do fundo do desejo. As mãos agarraram minha cintura com mais firmeza, e num movimento rápido, bruto, ele me baixou sobre o membro dele, enfiando tudo de uma vez, com um estalo molhado que ecoou no quarto abafado.
Soltei um gemido alto, os joelhos fraquejando, a cabeça tombando pra trás enquanto o corpo inteiro reagia. Fui invadida por inteiro, fundo, quente, o encaixe tão repentino e intenso que me fez tremular no colo dele.
— Porra… — sussurrei, arfando, tentando recuperar o fôlego.
Comecei a cavalgar devagar, rebolando, sentindo o atrito, o calor, o deslize. Os dedos dele apertavam minha cintura a cada descida, como se ele quisesse deixar marcas ali, me tatuar de dentro pra fora.
— Mais rápido — ele pediu, rouco.
Ele segurava minha cintura com as duas mãos agora, me erguendo e me abaixando com uma fome quase selvagem.
Cada vez que eu descia, nossos corpos batiam forte, molhados, suados, sujos.
— Isso... isso, porra... — ele arfava, e eu sentia o gozo se aproximando outra vez, latejando entre as pernas, invadindo o ventre. — Caralho, Ellie…
Os gemidos se misturavam ao som dos corpos colidindo, à cama rangendo, ao ar sendo rasgado entre dentes, aos tapas sendo desferidos na minha bunda. Eu gemia sem pudor, arfava, xingava, me perdia.
— Tu é minha — ele rosnou, puxando meu corpo pra ele, fazendo com que eu caísse no peito dele e sentisse seu coração batendo como um tambor.
— Fui tua desde a primeira mensagem — sussurrei, e então me desfiz. Gozando outra vez, intensa, molhada, sentindo o corpo estremecer contra o dele.
Ele veio logo depois.
Um gemido grave, contido, dentes cravados no meu ombro enquanto gozava de novo, me segurando como se fosse cair, como se eu fosse a âncora, o chão, o abismo e o céu.
E então o silêncio.
O silêncio mais honesto do mundo.
Me deixei afundar no corpo dele. Cansada. Mole. Transbordando.
O calor, o cheiro, os toques ainda vivos na pele. O sexo ainda vibrando em mim como um eco distante. O silêncio veio logo depois, espesso, abafado, quase sagrado.
Ele me deitou com cuidado. Suave demais pra um homem que acabara de me foder como se quisesse me marcar por dentro. Meu corpo ainda doía do jeito certo — um cansaço bom, suado, vivido.
A venda ainda cobria meus olhos, mas eu já não sentia medo. Havia algo ali, nos gestos dele, na forma como ajeitou meus cabelos, nos beijos miúdos que depositou na minha clavícula, que me deixava entregue. Uma rendição mansa, perigosa, mas inevitável.
Senti a cama ao nosso redor afundar com o peso da respiração mútua. O corpo dele ainda estava ali, rente ao meu, mas sem invadir. As mãos já não me prendiam. Só me tocavam como quem confirma que algo existe.
Fui afundando, devagar.
Exausta, saciada, entregue.
Adormeci.
⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘⫘
Acordei devagar, como se emergisse de um sonho espesso demais pra soltar fácil.
O corpo afundado no colchão ainda morno, o cheiro dele espalhado pelos lençóis, impregnado na minha pele. Levei alguns segundos pra entender onde estava. O tempo parecia parado, como se o mundo lá fora tivesse desacelerado pra não me tirar daquele instante.
Minhas mãos seguravam a venda. Devia ter tirado enquanto dormia, no torpor que veio depois. O tecido macio estava amassado entre os dedos, úmido de suor, de pele, de tudo o que tinha sido a noite.
As cobertas me envolviam até os ombros, ajeitadas com cuidado. Era como se ele tivesse me deixado embalada ali, escondida do mundo, guardada em silêncio. Minhas coxas ainda se roçavam sensíveis uma na outra — marcadas, vivas, pulsantes. Os músculos ardiam em lugares íntimos, e o coração batia lento, mas cheio. Quase melancólico.
Virei a cabeça pro lado, procurando por ele.
Mas o quarto estava vazio.
Tudo o que restava era o calor no colchão, um leve afundar onde antes havia um corpo colado ao meu.
Me sentei com esforço. O lençol escorregou pelos seios, expondo a pele nua, a clavícula mordida. Me cobri de novo por instinto, sentindo o frio do mundo real se infiltrar pela ausência dele.
Foi então que vi o notebook.
Aberto na escrivaninha. A tela iluminando um canto do quarto.
Me levantei. Cada passo era um lembrete do que havíamos feito — o prazer, a entrega, a ausência.
Na tela, um e-mail.
Sem remetente. Sem assunto. Apenas uma imagem.
Uma foto minha, dormindo.
A boca levemente entreaberta, o lençol bagunçado no quadril, o rosto virado pro travesseiro, serena. Quase vulnerável.
E abaixo, a frase:
“Você estava linda. Se quiser me ver de novo, é só pedir. Eu sempre estarei por perto.”
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