O som grave das caixas vibrava sob os pés como um coração enfurecido, pulsando alto demais pra se ignorar. A multidão fervilhava diante do palco, braços erguidos, gritos em uníssono pedindo por eles. Luzes cortavam o céu noturno como lâminas em movimento, e ainda assim, mesmo cercados de aplausos, a banda No Saints estava à beira do colapso.

Florence pisou no palco primeiro, envolta numa jaqueta de couro escura, os cabelos ondulados soltos e pesando sobre os ombros como se cada fio carregasse uma decisão maldita. A voz dela ainda não tinha sido ouvida, mas seus olhos já gritavam. Procurou, sem muito disfarce, os dois que viriam atrás. Mateo, o baterista — caos vivo com os braços tatuados e olhar em chamas. Louis, o baixista — silêncio letal, um veneno lento nos olhos. Estavam ali. Mas não estavam com ela.

Havia algo na forma como Louis afinava seu baixo: metódico demais, sem trocar olhares. E Mateo, quando passou por Florence para ir até a bateria, não a tocou. Nem um roçar de ombro, nem um olhar. Nada. Como se ela fosse o ar que atravessava.

Ela engoliu em seco, mas não demonstrou. O microfone em sua mão era sua única âncora. Quando a música começou, era pra ser "Devour Me", um dos hinos da banda — sujo, intenso, sexual. Mas algo saiu errado. O tempo da bateria estava ligeiramente adiantado, o baixo demorava uma batida a mais pra entrar nos refrões. Florence sentia a estrutura se desfazer por dentro, como se estivessem tocando uma lembrança e não uma música viva.

Tentou compensar com a voz. Ela sabia fazer aquilo: incendiar multidões. Mas a cada verso que soltava, mais sentia o olhar cortante de Louis no canto da visão. E quando, na terceira música, Mateo quebrou uma das viradas de forma seca e truncada, Florence virou o rosto, encarando-o por um segundo a mais do que devia. E ele não desviou.

A plateia notou. Talvez não o erro exato, mas a energia quebrada. Era como sexo mal sincronizado: ainda tinha suor e barulho, mas não prazer.

Na quarta música, Florence perdeu o fôlego. Não por esforço, mas por descompasso interno. Deu um passo pra trás, puxou o ar, mas sentiu o peso de mil olhos. E então, o microfone falhou.

Silêncio. Só a bateria e o baixo ecoando num ritmo que já não fazia sentido.

Ela ergueu a mão, pedindo pausa. Disse algo rápido ao técnico de som, mas o estrago já estava feito. O show foi encerrado com desculpas esfarrapadas. A multidão chiou, desapontada. Algumas vaias cortaram o ar.

No camarim, a tensão veio como uma onda que não hesita em quebrar.

Mateo entrou primeiro, atirando as baquetas no chão como se aquilo fosse suficiente pra esvaziá-lo. Florence veio atrás, com o peito apertado. Louis fechou a porta com força. O barulho foi seco. Ela se sentou em frente ao espelho iluminado. A maquiagem borrada. Os olhos, vermelhos. O silêncio entre eles tinha peso de vidro trincando.

— Vocês arruinaram o show — disse, firme, tentando esconder o tremor.

Mateo a encarou, os ombros arquejando, os olhos brilhando de alguma coisa que não era só raiva.

— A gente arruinou o show? — A risada saiu sem vida. — Você nos apunhala pelas costas e vem cobrar?

— Não se faz de sonsa, Florence — Louis falou do fundo, encostado na parede, os braços cruzados. — Você some de madrugada. Faz encontros secretos. Acha que a gente não ia perceber?

Ela virou o rosto devagar. O ar ali parecia espesso. Sujo. Um sopro e tudo desabaria.

— Vocês sabotaram a gente — a voz dela saiu baixa, mas firme, carregada. — Era o nosso momento. E vocês quebraram tudo. Por orgulho? Por medo?

— Fala logo o que tá escondendo — Mateo deu um passo à frente, a respiração acelerada. — Quer seguir solo? É isso?

Ela ficou de pé. Deixou o lenço cair sobre a bancada com a lentidão de quem estava largando muito mais que tecido. Os olhos fincaram nos dois.

— Vocês já sabiam?

Silêncio. A cidade ainda cantava do lado de fora. Mas ali dentro, tudo parava. Só se ouvia as respirações descompassadas. As mágoas empilhadas.

— Era pra ser uma surpresa. — A voz dela vacilou, finalmente. Os olhos, marejados. — Eu me encontrei com o dono da gravadora da Aurora Line... pra fechar um contrato. Pra gente. Pro No Saints.

O ar se fez gelo.

Mateo riu. Mas era um riso morto. Um riso que sangrava.

— E achou que esconder isso da gente era um bom plano?

— Vocês podiam ter confiado em mim — ela rebateu, o corpo tenso, cada músculo implorando pra não quebrar.

— Confiado? — O olhar de Louis era lâmina. — Você confiou quando saiu pelas costas? Quando fez a gente parecer meros figurantes?

— Vocês me foderam no palco — ela explodiu, por fim. — Fizeram isso na frente de milhares. Por um medo idiota. Vocês sabiam que minha vida é essa banda. Vocês dois sabem. Então me digam... por que eu sairia?

A voz dela embargou no fim. E aquele tremor sutil nos lábios dizia tudo que ela ainda tentava esconder. Ela estava ferida. Mas pior: ela ainda os amava.

O silêncio voltou a devorar o camarim, agora com uma fome mais cruel. Não havia mais som de palmas, nem eco distante do palco — só o barulho dos próprios corações batendo em gargantas fechadas.

Florence permaneceu de pé, como se seus ossos sustentassem mais do que o corpo: um orgulho ferido, uma mágoa rasgando sob a pele. O delineador escorria lento, como se até ele desistisse de fingir firmeza. Louis desviou o olhar por um segundo, mas Mateo... Mateo ficou. Fixo. Os olhos dele queimavam os dela.

— A gente só... — a voz dele quebrou, e ele limpou a garganta, o maxilar travado. — A gente só ficou com medo. Não sabíamos. Só imaginávamos o pior.

— E mesmo assim preferiram destruir tudo? — ela sussurrou, com um cansaço doído na voz. — Isso era medo? Porque, pra mim, pareceu raiva. Desprezo. Covardia.

Louis virou de costas, murmurando um palavrão baixinho, o punho cerrado contra a parede. Mateo ainda não se moveu. Parecia inteiro travado entre um impulso e um arrependimento.

— Eu vi você sumir no meio da noite — ele começou, mais baixo agora, mas ainda tenso. — Vi você entrando num carro preto, sozinha. O Louis seguiu você um dia. Achamos que... que tava tentando fugir. Fazer algo só pra ti.

— Então vocês não perguntaram. Vocês deduziram. E sabotaram. — Florence passou a mão pelo rosto, raivosa. — Por que caralhos eu faria algo só por mim, se a única coisa que me mantém em pé... são vocês?

Essa última frase pareceu acertar Mateo em cheio.

Ele deu um passo hesitante. Depois outro. O rosto ainda endurecido, mas havia rachaduras. Um tremor quase imperceptível nos olhos. E então ele falou, com a voz mais baixa, mais grave e mais real do que em qualquer música que já escreveram juntos:

— A gente sabe que a sua vida é a banda, Florence.

Uma pausa. Um suspiro que quase parecia doer no peito dele.

— Mas a nossa... é estar com você.

E então ele foi até ela.

Sem a pressa de quem quer se livrar do peso. Sem o orgulho de quem quer vencer a discussão. Foi como se cada passo fosse um pedido de desculpa. Quando finalmente a alcançou, só a abraçou. Com força. Com urgência. Com uma dor silenciosa que agora suplicava perdão.

Florence resistiu por um segundo — por orgulho, por medo, por tudo — mas depois se entregou. O rosto afundado no pescoço dele, os braços trêmulos ao redor daquele corpo quente que ela conhecia bem demais. Chorou em silêncio, enquanto Louis ainda estava de costas, o punho finalmente relaxando.

O abraço de Mateo não era suave. Era um aperto possessivo, de quem não sabia se queria proteger ou implodir com ela ali dentro. O cheiro dele era familiar — suor, fumaça, perfume barato e um resto de saudade.

Florence ainda tremia quando ele afastou o rosto só o suficiente pra encará-la. Os olhos dele estavam vermelhos, não de choro, mas de tudo que ele segurava dentro — mágoa, medo, desejo, culpa.

— A gente ficou puto, sim — ele murmurou, a voz rouca, a respiração quente batendo contra o rosto dela. — Mas não era com você. Era com essa porra desse mundo que vive tentando arrancar você da gente.

Ela arquejou, como se aquilo tivesse aberto um corte invisível. Mateo continuou, a testa encostando na dela, as mãos ainda firmes em sua cintura.

— Louis nunca fala nada, mas ele te ouve até dormindo. E eu... — ele mordeu o lábio inferior, tentando conter. — Eu sonho contigo todo dia. Até nos pesadelos, tu tá lá. Então quando te vi sumindo... eu surtei. Como se já fosse tarde demais.

O silêncio voltou, mas era outro agora — denso, elétrico. Os rostos tão próximos que qualquer suspiro era um convite. E então Mateo a beijou.

Nada contido. Nada tímido.

Foi um beijo que invadiu. Que pediu desculpas sem palavras. Que rasgou o espaço entre a raiva e o querer. As mãos dele subiram pelas costas dela como quem precisava provar que ela ainda estava ali, que ainda era dele de alguma forma.

Florence respondeu com fome.

Um som escapou da garganta dela, entre o beijo e o impulso de puxá-lo pra mais perto. O corpo dela cedeu com o dele, os dedos agarrando a camisa suada como se quisessem rasgar a distância de antes. Mas quando o beijo parou, os olhos dela estavam úmidos de novo — e não era só tesão. Era coisa antiga. Dolorosa. Profunda.

Mateo encostou a testa na dela, arfando.

— A gente é só amigo — ela sussurrou, como se quisesse acreditar nisso, como se ainda tentasse manter de pé a muralha que já estava em ruínas. — Isso…isso pode acabar com tudo

Louis já estava pertos dos dois amigos, silencioso como sempre, sentindo a tensão e o desejo atravessar o corpo inteiro. Pra ele, era delicioso e inquietante ver os dois amigos ali, entregues um para o outro.

Florence se arrepia quando sente os cabelos sendo mexidos por Louis, o toque gélido em seu rosto que limpava a maquiagem borrada.

Louis deslizou silencioso por trás de Florence, quase uma sombra que se encaixava naquele espaço apertado entre os três. Seus dedos frios e firmes tocaram uma mecha solta de cabelo, afastando-a delicadamente da nuca dela. O gesto foi quase reverente, como se guardasse um segredo antigo, escondido nas curvas do pescoço dela.

A pele exposta parecia chamá-lo, e ele não hesitou: inclinou-se para depositar um beijo suave, quase possessivo, naquela pele vulnerável. O arrepio instantâneo que percorreu o corpo de Florence a deixou presa entre o desejo e o medo, como se cada toque abrisse uma ferida antiga e nova ao mesmo tempo.

Antes que um gemido pudesse escapar de seus lábios, antes que a confissão silenciosa tomasse forma, Mateo a interrompeu — seus lábios invadindo novamente o espaço entre eles, mais urgente, mais impetuoso. O beijo de Mateo era como um fogo que queimava e curava ao mesmo tempo, puxando Florence para um lugar onde a razão se dissolvia.

Louis ficou ali, firme, como uma promessa não dita, um risco silencioso que pairava no ar.

— Isso só pode dar errado se você continuar se enganando sobre nós — sua voz baixinha e intensa cortou o silêncio. — Nunca foi segredo o quanto nós dois te queríamos, Florence. Acho que você nunca percebeu.

Florence sentiu o peso daquela frase, sentiu o olhar deles atravessando cada camada que ela tentava esconder. O coração dela acelerava, dividida entre a lealdade ao que sempre conheceu e a sedução perigosa do que poderia ser.

O ar no camarim estava carregado demais para que algo pudesse ser dito em voz alta — tudo se resumia a toques, olhares, desejos guardados à força.

Mateo afastou os olhos por um instante, e numa movimentação quase automática começou a tirar a jaqueta, a camisa em seguida, revelando a pele quente e marcada, o suor da noite ainda brilhando em cada linha do corpo. Florence sentiu o ar ficar pesado, carregado — como se a atmosfera fosse líquida e os dois, fluindo para dentro dela, tocando cada canto do seu corpo e da sua alma.

Louis não perdeu tempo. Com uma calma quase cruel, deslizou as mãos pela cintura de Florence, firme e seguro, enquanto começava a puxar a jaqueta dela para baixo, tirando a peça com um gesto brusco, que dizia mais do que palavras poderiam. Depois, a própria camiseta foi arrancada, deixando-o exposto, vulnerável e ainda mais provocante, enquanto ele permanecia apenas de calça, o corpo quente e sedento ali, pronto para continuar aquela dança sem fim. Os corpos deles se aproximaram em sincronia — Mateo atrás, envolvendo as costas dela, Louis pela frente, a palma da mão dele passando pela curva dos seios, fazendo-a arrepiar. Florence sentiu a pele aquecer, os dois nus colados nela, a respiração de cada um batendo contra a pele, o desejo crescendo, uma tensão que queimava no silêncio.

Os beijos de Louis desciam pela mandíbula dela, dentes roçando a pele macia, um sussurro áspero escapando dos lábios dele:

— Porra, Florence… tu é minha, sabia?

Mateo, atrás dela, respondeu num murmúrio rouco, a voz carregada de posse e fome:

— Calma, Louis. Tem que aprender a dividir.

Florence gemeu baixo, perdida entre as mãos que a seguravam — uma firmando a cintura, a outra deslizando pelo ventre, provocando arrepios. Eles se mexiam em uníssono, as peles nuas buscando contato, as bocas se revezando em beijos, mordidas e carícias que incendiavam o corpo dela.

Os dois dedos de Louis desceram pela linha da barriga dela, agarrando a cintura firme, enquanto a mão de Mateo subiu pelas costas de Florence, puxando o zíper do vestido com delicadeza precisa. Com um movimento lento e quase reverente, ele retirou o vestido, deixando-a ainda mais exposta. Eles estavam juntos — um por trás, outro pela frente — tocando, dominando, oferecendo ao mesmo tempo.

Florence arfava, os olhos entreabertos, o corpo vibrando numa sintonia que transcendia o toque físico — era algo mais antigo, mais urgente, mais vivo.

Eles pararam por um instante, se olhando. O ar ainda fervia em volta dos três, feito uma tempestade prestes a romper. A respiração pesada preenchia o espaço como um sussurro contínuo, quase litúrgico.

Florence sorriu — um sorriso torto, meio de quem sabe que está se perdendo, mas quer se perder mesmo assim.

Mas então ela se moveu.

Devagar, como se carregasse o tempo nas mãos, ela se desvencilhou deles — um passo atrás, a respiração ainda em brasa. Os olhos dela queimavam. Não havia dúvida neles, nem hesitação. Só vontade crua.

Com um gesto firme, ela levou as mãos até as costas e desabotoou o sutiã, deixando-o cair no chão sem pressa. A calcinha veio em seguida, escorregando pelas pernas até repousar aos pés. Estava completamente nua, exposta, poderosa.

Andou até o sofá, com os cabelos ainda bagunçados e o corpo marcado pelas mãos deles. Sentou-se no centro, com as pernas afastadas, o olhar cravado nos dois como lâmina.

E então disse. A voz dela não era grito — era decreto. Grave, certa. Um comando.

— Tirem essa porra toda — ela disse, a voz rouca, suja, cheia de ritmo e fogo.

E ali não era mais Florence no sofá.

Era a porra de uma batida grave vibrando no centro da sala, e os dois sabiam que não estavam mais no controle.

Mateo largou o cinto com pressa, a calça vindo junto. Louis seguiu, os olhos grudados nela como se obedecer fosse a única opção.

Florence olhou para os dois, a boca entreaberta, os mamilos rijos, o corpo inteiro em provocação.

— Mostrem se sabem marcar o tempo… ou se vão gozar fora do ritmo.

Louis foi o primeiro a se mover — mas não com pressa. Ele se aproximou devagar, com a calma de quem conhece cada silêncio antes da explosão. Sentou-se ao lado dela como quem afina um instrumento raro, os olhos escuros analisando cada detalhe do corpo à mostra. Sua mão alcançou a nuca de Florence com firmeza, puxando os fios com uma precisão quase cruel. A cabeça dela tombou levemente para trás, e o gemido que escapou veio abafado, sujo, como um verso engolido de prazer.

Os lábios dele colaram nos dela com intensidade contida, como se cada segundo fosse ensaio para algo maior — mas os dedos no cabelo diziam outra coisa. Louis podia ser calado, mas suas mãos sabiam gritar.

Enquanto isso, Mateo se abaixava entre as pernas dela, o joelho batendo no carpete com a urgência de quem se ajoelha por fé — ou vício. Seus dedos correram pela parte interna das coxas de Florence, abrindo-a mais, até que sua boca tocou onde ela pulsava mais quente. Um beijo primeiro, como quem cumprimenta o altar. Depois, a língua — ritmada, firme, voraz.

Ela gemeu contra a boca de Louis, que sorriu de canto, ainda a segurando pelos cabelos, mantendo-a onde queria. Florence sentiu o corpo reagir como se estivesse sendo tocado por duas linhas diferentes da mesma música — uma lenta e intensa no alto, outra crua e acelerada entre as pernas.

Os quadris dela se moveram no sofá, buscando mais, pedindo sem dizer, e Mateo respondeu com uma sucção que a fez arfar, a cabeça batendo contra o encosto.

Louis desceu os beijos para a mandíbula, depois para o pescoço, deixando um rastro molhado e quente. As mãos dele alcançaram os seios de Florence, os massageando com firmeza, dedos ávidos, enquanto a boca abocanhava um dos mamilos com fome contida. Sugou devagar, depois com mais força, como se aquele som úmido e obsceno fosse parte do refrão.

Florence arqueou o corpo, afundando os dedos nos cabelos de Mateo, guiando a língua dele para onde mais precisava. A outra mão desceu, cega de desejo, até alcançar o membro rígido de Louis, envolvê-lo com os dedos e apertar — uma provocação descarada.

Ele gemeu contra o peito dela, os quadris se movendo levemente sob o toque. As respirações se confundiam, os sons se misturavam — o estalo úmido da boca de Mateo, a sucção intensa de Louis, os gemidos dela quebrando o ar.

Florence já sentia o orgasmo se formando, subindo como uma onda quente entre as pernas, tomando o ventre, queimando a espinha.

Mas então… tudo parou.

Mateo afastou a boca com os lábios brilhando, os olhos escuros e atentos. Louis soltou o mamilo dela com um estalo, as mãos ainda em seus seios, mas paradas.

— Porra… — ela arfou, confusa, prestes a explodir. — Por quê?

Louis sorriu, lento, cruel, a voz baixa e suja:

— Porque ninguém mandou tu gozar ainda. Sobe.

O tom era comando. Era lei.

Florence mordeu o lábio, o corpo inteiro tremendo com a urgência cortada. Obedeceu.

Se colocou de joelhos, as pernas trêmulas, e subiu no colo de Louis, que já se recostava mais fundo no sofá, esperando por ela.

Mateo se afastou até a mochila no canto da sala. Remexeu rápido, pegou duas camisinhas. Voltou andando com aquela segurança de quem sabe exatamente onde vai entrar. Jogou uma embalagem para Louis.

— Coloca pra mim — disse, seco.

Florence pegou o preservativo com os dedos ainda trêmulos e o rasgou com os dentes. Encarou Louis, que a observava como se estivesse prestes a devorá-la viva. Segurou o membro dele e desenrolou com cuidado, provocando de leve com a ponta do dedo, como quem desafia com um sussurro.

Louis gemeu baixo, apertando a coxa dela com força.

Mateo já estava pronto, camisinha no lugar, parado ao lado dos dois, sentado, só esperando. Observava tudo com os olhos carregados de fome.

— Monta nele — murmurou. — Quero ver tua cara quando ele entrar.

Florence se posicionou, guiando o corpo para baixo, sentindo cada centímetro preenchê-la com intensidade. Gemeu alto, os olhos se fechando, o corpo arqueando sobre Louis.

E então Mateo se aproximou por trás, passando a mão pelas costas dela até a nuca, puxando seus cabelos com firmeza, a boca indo direto para a dela.

Enquanto as bocas se devoravam, Mateo levou a mão à bunda dela, estalando tapas cheios, ritmados, fazendo o corpo de Florence rebolar mais fundo sobre Louis, que gemeu rouco, os olhos fixos na dança dos dois sobre ele.

— Porra… isso. Vai — murmurou entre os dentes, o maxilar travado de prazer.

Cada investida dele a fazia oscilar para frente, as pernas tremendo, o ventre apertado num calor que queimava.

Mateo manteve a mão firme na nuca dela, guiando o beijo até o último segundo — e quando se afastou, a boca de Florence estava vermelha, molhada, a respiração em frangalhos.

Louis a encarou por um momento.

E então veio o estalo. Um tapa seco, direto no rosto dela, dado com a palma aberta e precisão.

O som rasgou o ar e ela arfou, o corpo tremendo com a onda de adrenalina. Mas os olhos... os olhos brilharam. Mais viva do que nunca. Mais entregue do que jamais estivera.

Mateo riu baixo, a voz arrastada:

— A porra da tua cara quando gosta disso…

Florence gemeu, sem vergonha, sem defesa. A cabeça jogada pra trás, os quadris ainda cavalgando sobre Louis.

— Enfia logo — ela ordenou, voz falha, mas cheia de fúria.

Mateo se posicionou atrás dela, uma das mãos guiando a própria entrada. O corpo dela ainda tremia da estocada anterior, e quando sentiu a pressão do segundo entrando, soltou um gemido rasgado.

Dois corpos dentro dela. Dois ritmos. Dois prazeres que se chocavam num caos perfeito.

Louis mordeu o lábio, os olhos se fechando por um segundo enquanto era apertado por dentro.

— Caralho… — ele arfou. — Que boceta infernal…

Mateo foi fundo, enterrando-se até o fim, a mão descendo outra vez pra segurar a cintura dela. Começou a se mover em contracanto ao Louis, criando uma dança insana — quando um entrava, o outro recuava. Revezos cronometrados, estocadas milimétricas.

Florence perdeu a fala. Só gemia, arfava, balbuciava nomes quebrados no ar. A cada nova estocada, sentia-se puxada para um centro de gravidade que não era mais dela — era deles. Dos dois. Que a usavam como se moldassem o próprio vício com o corpo dela.

Louis afundava nela com força, puxando os quadris para si, sentindo o calor, a umidade, o aperto. E quando Mateo se enterrava atrás, mais fundo, mais bruto, era como se o corpo dela se esticasse além da carne.

— Isso... isso… caralho, Florence… — Mateo arfava contra as costas dela, a voz rouca, os dentes roçando a pele. — Te sinto apertando os dois… como se implorasse pra gente gozar dentro.

Ela choramingou em resposta, sem força pra falar. Só movia os quadris, suada, cambaleante, um ritmo insano entre dois corpos.

Louis a puxou de novo pelos cabelos, trazendo o rosto dela pra perto. A boca dele encontrou a dela num beijo animalesco, faminto, como se estivesse se alimentando dos gemidos dela. As línguas se enrolaram, deslizando com selvageria e sede. Ele mordeu o lábio inferior dela e riu contra sua boca:

— Tá toda entregue, princesa… ver tua cara assim, toda perdida...

Ela arranhou o abdômen dele com força, as unhas cravando, deixando linhas vermelhas pelo caminho. Louis gemeu, os olhos quase fechando:

— Faz de novo… me arranha, porra…

E ela fez. As duas mãos apertando o corpo dele, marcando como se precisasse deixar a prova do caos em carne viva.

Mateo deu um tapa forte na bunda dela, fazendo-a rebolar ainda mais sobre o colo de Louis. O som ecoou pela sala abafada, misturando-se ao estalar dos corpos se chocando.

— Isso, Florence — ele murmurou, a boca agora perto da nuca dela. — Tá tão molhada que deslizo sem esforço… quer que a gente goze dentro de ti?

Ela assentiu, mas a resposta veio arrastada:

— Eu quero… quero tudo. Só continua me fodendo…

Louis sorriu de canto, a mão livre descendo pelo ventre dela até o centro, o polegar girando no ponto mais sensível com crueldade.

— Quer gozar de novo, vadia?

— Sim… sim, sim…

— Vai ter que pedir bonito — sussurrou ele, lambendo o suor que escorria pelo pescoço dela.

Mateo aumentou o ritmo, estocando mais forte, fazendo os corpos dos três balançarem em sincronia suada. Florence gritava, a garganta falhando, a respiração entrecortada, e mesmo assim, gemeu:

— Por favor… me faz gozar. Por favor, não para...

Louis a penetrou com mais força, sentindo o clímax chegar como uma onda negra. A mão dele veio firme e, sem aviso, estalou no rosto dela mais uma vez. Os olhos de Florence se reviraram, a boca se abrindo num gemido surdo, rasgado, como se o orgasmo não fosse só físico — fosse uma ruptura. Uma quebra.

Ela gozou com o corpo inteiro. Pernas tremendo, ventre pulsando, a pele em brasa. O prazer explodiu por dentro como uma onda selvagem, e a cada nova estocada, o êxtase se prolongava como um eco infinito.

Louis gemeu alto, a cabeça tombando para trás, os dedos cravados nos quadris dela. Goza dentro, o corpo arqueando como se fosse sugar tudo o que ela era por dentro.

— Porra, Florence… — ele arfou, tenso, trêmulo, os olhos fechados com força.

Mateo veio logo depois, enterrando-se mais uma vez antes de sair, a respiração acelerada, os músculos contraídos. Gozou com um rosnado rouco, caindo ao lado deles, no sofá, a testa suada e os lábios entreabertos, como se ainda processasse o que tinha acabado de sentir.

Florence desabou no peito de Louis, o coração disparado, tentando puxar ar pelos lábios entreabertos. O rosto colado à pele quente dele, sentindo o pulsar do peito, o ritmo ainda descompassado de quem também havia se perdido.

Ele a envolveu com os braços, os dedos ainda trêmulos acariciando os cabelos grudados de suor. Ficaram assim por um instante — os três respirando como se tivessem saído de uma guerra.

Aos poucos, ela se moveu, ainda trêmula, sem sair do colo de Louis. Apenas se ajeitou ali, encaixando-se de novo, sentindo-o ainda dentro, ainda quente. E ali, naquele espaço pequeno entre dois corpos suados, encontrou fôlego pra mais.

Se virou devagar, o olhar procurando Mateo ao lado, os olhos dele vidrados nela — misto de fascínio e exaustão. Ela se inclinou, puxando-o pela nuca, e o beijo foi diferente dessa vez. Lento. Molhado. Com gosto de fim.

Mateo segurou o rosto dela com as duas mãos, puxando mais, como se quisesse memorizar aquele toque na língua.

Depois, ela se virou de novo, os braços escorregando pelo pescoço de Louis, e o beijou também. Um beijo profundo, grato, íntimo. Ele gemeu baixo contra sua boca, as mãos acariciando suas costas, subindo e descendo num carinho que não combinava com o caos de minutos atrás.

Florence encostou a testa na dele, os olhos meio abertos, sorriso torto escapando dos lábios.

— Isso… foi pecado demais pra três pessoas.

Mateo soltou uma risada rouca, tombado no sofá com os olhos ainda fechados.

— Aqui não tem nenhum santo, Florence — murmurou, sem pressa, com aquele tom preguiçoso de quem acabou de ver Deus de perto. — Só gente fodida o bastante pra gostar disso... e pedir mais.

Ela riu. Louis também.

E os três ficaram em silêncio por um momento — até que, do lado de fora do camarim, vindos da multidão que lotava o festival, vieram os sons abafados. Palmas. Muitas. E gritos.

Florence ergueu uma sobrancelha, ainda com o corpo colado ao de Louis, que sorriu como se o som lá fora fosse só trilha sonora de um clímax bem orquestrado.

— Acha que estão aplaudindo a banda lá fora... ou a gente? — ela provocou, sem sair do colo dele.

— Se alguém tivesse visto isso aqui — Mateo respondeu, abrindo um olho preguiçoso — aplaudia de pé. E de joelhos também.

Ela riu, a mão deslizando pela barriga suada de Louis, arranhando levemente só pra ver o arrepio subir. Ele segurou o pulso dela e a puxou de volta pra um beijo rápido, quente, ainda faminto. Depois sussurrou contra seus lábios:

— Se tu rebolar mais um centímetro, Florence — Louis sussurrou, a voz rouca e grave, quase um aviso — eu não respondo mais por nada.

Ela sorriu, mordendo o lábio, a respiração ainda entrecortada, e virou-se para beijar Mateo, rebolando propositalmente no colo de Louis, que logo pousou as mãos em sua bunda, apertando-a enquanto ela se movia.

Parecia que aquela noite não teria fim, como se o tempo ali dentro do camarim tivesse se curvado à intensidade dos corpos ainda queimando de desejo. E, ao que tudo indicava, queimariam por um bom tempo — a chama não dava sinal de querer se apagar.

Florence deslizou os dedos pela pele quente de Louis, provocando um arrepio que fazia o ar ao redor vibrar. Mateo acompanhava, olhos fixos nela, cada toque, cada gesto — um convite silencioso para continuar, para não deixar a chama morrer.

Eles se perderam naquela dança lenta, entre toques e sussurros, tapas que se misturavam aos gemidos e risos abafados. O mundo lá fora podia até aplaudir, gritar, mas ali, naquele espaço confinado, só existia aquele fogo — incandescente, voraz, imortal.

E eles sendo deles.