Um Toque
12 Paradoxo
Notas iniciais
O som da ambulância ficava cada vez mais alto conforme se aproximava. Era a salvação. A única chance de Asheley. E vinha a tempo.
“Traga ela!” gritava o chefe de cozinha para os seus aprendizes. Ele aprendera há muito tempo que a desobediência é necessária quando seus instintos são mais fortes, e foi isso que o pôs onde ele está hoje. Um grande e renomado chefe de um restaurante indiano. Por isso não hesitou em chamar a ambulância quando viu uma mulher em apuros. E aparentemente, isso a salvou.
A ambulância chegou rápido e logo fez os primeiros preparativos e verificações para levar Asheley.
E mais um paradoxo surgiu para Domenick.
Se ele for com ela, terá que responder perguntas que não pode. Seu trabalho iria a baixo. Asheley teria que ir sozinha. Mas, provavelmente, o assassino já está esperando por ela. Sem ele, ela morre; Com ele, ele perde seu trabalho, sua vida; Sem o hospital, ela morre; Se for para o hospital, ela morre. De qualquer forma alguém morre. A vida é feita de sacrifícios.
Os paramédicos já a colocavam para dentro da ambulância e se preparavam para partir. Domenick pensou em pular dentro da ambulância e utilizar os equipamentos que havia nela. Seria inútil, ele sabia disso. Não havia medicamentos, instrumentos mais precisos e arriscaria a vida dela ainda mais. A única coisa que pôde fazer foi não fazer nada. Observar Asheley partindo em uma ambulância sem saber se a veria viva novamente. Ou se ela o veria vivo. O mundo gira, e ele poderia ser o próximo a ficar a beira da morte.
– Ela é sua mulher? – Perguntou o chefe de cozinha. Os cozinheiros tentavam arrumar a bagunça lá dentro.
Eu não sei, pensou por um segundo. Acho que ela é mais que isso.
Domenick não deu a resposta. O homem entendeu seu silêncio e se retirou devagar.
– Obrigado. – Enfim, disse Domenick.
O homem assentiu com a cabeça e o deixou sozinho.
Domenick não estava se lamentando ou se punindo por não poder salvá-la. Ele estava usando sua mente e procurando uma resposta.
Duas mil oitocentos e vinte sete mentes. Uma resposta.
Seus olhos estavam cintilantes e brilhavam como se neles houvesse uma série de supernovas mudando constantemente de cor e forma. A resposta. Era tudo que queria. A resposta de um paradoxo. Salvar Asheley sem que ela morra. Salvar seu trabalho sem que Asheley morra. Si salvar e salvá-la. Uma resposta que solucione todos esses problemas de uma só vez.
Em sua mente, ele escutava ela gritando seu nome: “Nick!” e isso o pressionava ainda mais. Encontre a resposta!, exigia a si mesmo.
Sua concentração foi suprimida por uma voz que já lhe era familiar. Uma voz que ouvira no seu celular alguns minutos atrás.
– Olá, Dom. Mudanças de planos, eu lhe encontrei. Agora você vem comigo.
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