Anthonny Point of View...

Eu nem sei quanto tempo eu fiquei esperando o Alemão sair do Sexy Shop, mas não demorou muito para que ele saísse lotado de sacolas do local, me parecendo até que ele comprou ainda mais coisas dos que as que já estavam nos carrinhos.

— Poxa Thonny, eu não acredito que você teve coragem de me deixar lá sozinho e ainda por cima carregar tudo essas coisas. Eu comprei pra você sabia? Deveria ter um pouco mais de consideração... — Comentou chateado se aproximando de mim e me entregando metade das sacolas que carregava.

Sério Alemão?

— E eu não acredito que você teve coragem de comprar todas aquelas tralhas. A mulher acha que somos um casal e mais uma vez você não desmentiu,e o pior... Ela ainda disse que você vai usar as coisas que você comprou pra apimentar a nossa relação. — Respondo indignado enquanto ele dá com os ombros indiferente. — Sinceramente a única coisa que vai ficar apimentada são os seus olhos, depois que eu esfregar aquele lubrificante de pimenta na sua cara. — Concluo por fim.

— Credo Thonny, quanta ingratidão... Eu pensei que você fosse gostar. — Ele disse com uma expressão de coitado.

— Sabe o que eu gostaria? De ir pra casa. — Suspiro tentando desconectar o assunto.

— Ainda não terminamos. Temos que passar em várias lojas para que eu possa concluir o meu projeto com você. — Sua expressão muda drasticamente de um filhote abandonado para um que acaba de ser adotado por uma nova família.

Garoto bipolar.

— Sério Alemão? Já mudamos o meu visual, compramos roupa e eu já passei diferentes tipos de vergonha ao seu lado. O que mais está faltando? — Questiono com receio.

Adivinha o que vem por aí? Isso mesmo, muita merda e mais vergonha.

— Ainda temos que comprar novos acessórios para combinar com sua nova roupa e visual, temos que comprar lentes de contato para os seus olhos, pois você não pode continuar utilizando esses óculos ou pelo menos comprar um óculos com uma armação mais bonita. Fora que ainda não depilamos o seu Astolfo e... — Antes que o mesmo pudesse continuar com sua frase, eu o corto abruptamente.

— Já chega. — Suspirei andando com ele ao meu encalço.

Por que é que eu fui perguntar?

# # # # # #

Depois de tantas horas no Shopping entrando em tudo quanto é tipo de loja, comprando várias coisas diferentes, onde umas eu nem sabia que existiam ou pra que serviam, e principalmente passando muita vergonha ao lado do meu melhor amigo a gente finalmente chegou em minha casa.

Eu estou com o braço lotado de sacolas de compras, assim como o Alemão que veio me ajudando a trazer o máximo que conseguia-mos, o que não era nem perto da metade pois ainda tem um carro lotado de sacolas lá no estacionamento e um Kyle desesperado chamando a ajuda do máximo de empregados que ele encontrar pela frente para levar tudo em direção ao meu quarto.

Eu cortei o cabelo, comprei roupas, cuecas, sapatos, alguns acessórios, encomendei lentes de contato para substituir os meus óculos, depilei o meu corpo — onde devo admitir que foi uma das coisas mais dolorosas que eu já fiz em toda a minha vida e principalmente não entendo como deixei o Alemão a me “convencer” a fazer isso — e muitas outras coisas, o que não seria possível eu trazer tudo sozinho.

O único inconveniente é que mesmo eu e o Alemão sendo amigos desde os cinco anos de idade, ele e uma das minhas mães não se dão bem... Logo vocês irão saber o motivo.

— O que a gente faz com tudo isso senhor? — Kyle perguntou carregando várias sacolas e atrás dele tinha mais cinco funcionários com várias outras em mãos.

— Coloca no meu quarto, por favor. — Peço com um sorriso amarelo, afinal isso não é uma obrigação deles.

Sem muita preocupação, tanto eu quanto o Alemão deixamos as sacolas que estavam com a gente num canto qualquer do cômodo em que estávamos e seguimos em direção à sala de estar, nos sentando no sofá e aproveitando para descansar sob o ar condicionado que trabalhava no ultimo para manter o local fresco.

— Eu estou morto... — Suspiro cansado enquanto me espreguiço.

— Mas admite, foi um dia de princesa pra você. — O Alemão devolve com um sorriso satisfeito em minha direção.

— Não vou nem falar nada e fique você sabendo... — Antes que eu pudesse concluir minha sentença, a voz da minha mãe Michelle soa distante.

— Anthonny? É você filho? — Escuto minha mãe gritar da cozinha.

— Oi mamãe. — Respondo empolgado. — Eu acabei de chegar.

O que será que ela vai achar do meu novo visual?

— Por quê você... — Minha mãe iniciou chegando à sala com um prato em sua mão direita e um pano em sua outra não, porém se interrompeu ao olhar pra mim.

Seus olhos estavam arregalados enquanto me encarava, e o prato que ela estava secando com um pano, foram ao chão.

Pensa em uma mulher que começou a gritar que nem louca, pegando uma vassoura que estava próxima a parede e vindo em nossa direção. Era minha mãe Michelle.

— Sua mãe está louca? — O Alemão perguntou tentando se esquivar das vassouradas.

Não duvido...

— O que você está fazendo mamãe? — Eu pergunto, deixando um gemido escapar ao levar uma vassourada no ombro.

— Anthonny? — Ela pergunta confusa olhando pra mim com certa curiosidade. Mesmo que eu esteja diferente, não creio que sua reação seja pra tanto.

Não está reconhecendo o próprio filho, mulher?

— Agora que você percebeu? — Indago com uma cara de sofrimento enquanto acaricio os locais que o cabo de vassoura me atingiu.

— O que aconteceu com você filho? — Sua voz era de indignação, enquanto suas mãos passavam em meu rosto, cabelo e corpo.

— Aparentemente, fui recebido pela minha mãe na base da vassourada. — Respondo óbvio. — Mas fora isso eu estava no Shopping com o Alemão e... — Antes que eu terminasse a frase, ela novamente me interrompeu, virando em direção ao meu melhor amigo que apenas assistia tudo com os olhos arregalados.

— Você! Isso está com cara de ser coisa sua. — Ela aponta com raiva o dedo na cara do Alemão que arregalou ainda mais os olhos, de um jeito que eu nem sabia que era possível.

— Eu não fiz nada “Tia mãe do Thonny”. — Ele rendeu as mãos, em sinal de defesa.

— Deixa ele em paz Michelle. — Meu pai Wesley disse descendo a escada com uma expressão divertida no rosto.

— Como não? Você está tentando converter o meu filho! Eu não admito isso. — Ela berrou irritada. — E você pare de defender ele Wesley. — Continuou irritada.

— Como assim me converter mamãe? — Pergunto confuso.

— Ele quer transformar você em heterossexual. Olha o jeito que você está se vestindo filho? Onde foi que eu errei? — Ela dramatiza olhado para o teto.

Nesse momento eu seguro para não dar risada em puro respeito à minha mãe enquanto meu pai Wesley não consegue se controlar e desata a rir. Já o Alemão... O mesmo não sabe nem o que está acontecendo.

— Seja menos mamãe. — Retruco a mais velha sem conseguir me controlar mais e deixando um risada escapar. — Olha pra mim... — Chamei sua atenção. — O que você achou? — Peço ansioso.

— Você é lindo de qualquer jeito meu menino. Não precisa ficar se vestindo assim. Já basta esse coiso que você chama de melhor amigo. — Ela dá de ombros apontando para o Lucas.

— Amor, eles são apenas crianças. Não é legal falar assim dele. — Minha Mãe Marcia entrou no local repreendendo minha outra mãe.

— Como não? Olha o que ele está tentando fazer com o meu bebê. — Ela continuou indignada.

— O que a senhora tem contra mim. É por que eu sou hétero? Isso não faz sentido. — Lucas balançou a cabeça sem entender.

Pior que não faz mesmo.

— Eu não tenho nada contra héteros. Tenho até amigos e familiares que são. Só não os quero influenciando a cabeça do meu filho com coisas de Hétero Top e outras palhaçadas. — Minha mãe responde indiferente. — Não criei filho meu pra gostar de mulher. — Completou em seguida.

Ai mereço.

— Já chega desse assunto mamãe. Eu já disse pra você respeitar o Alemão, porque ele nunca te faltou com o respeito. — Explico sério olhando pra ela que finge não escutar. — E outra, eu sou gay por que eu nasci assim, não por conta de criação.

— Que seja, eu vou assistir minha novela que eu ganho mais. — Avisou despreocupada.

— Aconteceu alguma coisa? — Para completar, meu pai Rubens acaba de chegar e pergunta ao ver toda a confusão.

— A Michelle dando pitaco por conta do novo visual do Thonny. — Minha mãe Marcia respondeu rindo. — Ela acha que o Lulu está tentando transformar ele em Heterossexual. — Continuou fazendo todos no ambiente rir.

— EU ESTOU ESCUTANDO VOCÊS DANDO RISADAS DA MINHA CARA E NÃO ESTOU GOSTANDO NENHUM POUCO. — Ela gritou do outro cômodo fazendo todos nós rimos de novo.

— O que ela tem contra os héteros? — O Alemão me perguntou confuso.

— Antigamente nada, mas depois que meu filhote nasceu de "maneiras convencionais" ela ficou cismada com isso. — Meu pai Rubens respondeu deixando todo mundo confuso.

— Maneira convencional? Como assim? — Meu melhor amigo indagou perdido.

— Sexo. — Respondeu minha mãe indiferente, deixando o meu amigo surpreso, eu envergonhado e meu Pai Wesley desconfortável.

— E tem outro jeito de nascer? — Sério Alemão?

— Vamos mudar de assunto? — Meu pai Wesley pediu visivelmente incomodado. — Você ficou um arraso filhote. Está lindo. — Me elogiou me deixando sem graça.

— Verdade. Fez um excelente trabalho Lulu. — Meu outro pai respondeu bagunçando meu novo cabelo.

— Pra mim não importa como seja o visual dele, ele sempre vai seu o meu príncipe maravilhoso e lindo. — Minha mãe Marcia falou toda sentimental me deixando ainda mais vermelho.

Eu amo todos os meus pais.

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— Por que será que a sua mãe não vai com a minha cara? — Já estávamos em meu quarto e eu estava deitado na minha cama enquanto o Alemão me perguntou.

O loiro estava dobrando as roupas e organizando tudo o que me comprou enquanto eu mexia no celular e olhava algumas fotos no Instagram de um certo alguém

— Ela não te odeia. Acho que no fundo ela não superou o fato de que eu e você não namoramos e que você gosta de mulher. — Comentei rindo da lembrança de o quão chocada minha mãe Michelle ficou ao saber sobre a Sexualidade do Lucas. — Fora que o fato de eu ter mudado o meu visual pode significar algum tipo de rebeldia ou sei lá... — Dou com os ombros despreocupado.

— Se ela está agindo assim apenas por você ter mudado o visual, imagina quando ela descobrir que você vai morar no campus da faculdade. — Lucas comentou chamando minha atenção novamente por conta do assunto.

— Nem me fala. — Concordo preocupado. — Mais eu já havia comentado isso com todo mundo meio que por cima. Fiquei de resolver isso depois. Mas qualquer coisa meus pais me ajudam. Meu pai Wesley disse que me dava todo o apoio do mundo enquanto Meu pai Rubens ficou um pouco receoso sobre o assunto, mas acho que ele entende que é o meu futuro em risco.— Dou com os ombros tranquilo. — Já minha mãe Marcia fez piada falando que eu não sei nem fritar um ovo. — Finalizo entediado.

E seja o que Caine quiser.

— Thonny... — Olho para o Lucas e seus olhos estão arregalados, como se o mesmo tivesse vendo uma assombração, o que me deixa confuso.

— O que foi? — Pergunto para o loiro, tentando olhar para a mesma direção que ele procurando o problema.

— O seu gato está me mostrando o dedo do meio. — Respondeu espantado.

— O Théo? Ele é um amor, para com isso. — Argumento pegando o mesmo no colo.

Theobaldo, mais conhecido como Théo ou Gato Satânico — segundo meu melhor amigo -, possui uma coloração preta, feições de tédio e raramente se dá bem com alguém que não seja eu. O mesmo começou a ronronar enquanto eu o acariciava, onde Lucas olhava perplexo pra mim.

— Eu ainda não entendo o porquê de você ter ficado com essa merda. — O Alemão comenta fazendo careta.

Miau! (Idiota!) — Théo responde com cara de poucos amigos.

— Eu sei, ele é um idiota. — Eu concordo com o felino.

— E você ainda fica "conversando" com ele. — Inclui indignado. — Eu sinceramente preciso de amigos normais. — Lamentou para si mesmo.

— O sujo falando do mal lavado não é mesmo? — Reviro os olhos deixando Théo ao meu lado e voltando a olhar para as fotos do Instagram.

— Só para eu ter certeza de que eu não estou ficando louco, o que o seu Gato Satânico está fazendo? — Meu amigo indagou apontando para o mesmo onde eu novamente tive que desviar os olhos do meu celular para encarar o Théo.

— Lixando a unha, ué? — Respondo num tom óbvio, enquanto o Alemão fazia uma careta estranha.

Miaaau miaau miau… (Eu juro que eu não consigo entender o motivo de você ser amigo dessa coisa…) — Théo mia revirando os olhos enquanto direciona seu olhar em minha direção.

— Não fala assim dele Théo. E para de ser idiota Alemão. — Suspiro cansado.

Eu só quero ver o abdômen sarado do cara que eu gosto no Instagram… Será que eu posso?

# # # # # #

— Lulu querido, você quer ficar para o jantar? — Ouço a voz da minha mãe Marcia soar relativamente baixa do andar inferior.

Eu e o Alemão ainda estávamos em meu quarto. Eu nesse momento estava lendo mais sobre a faculdade no meu notebook e o Alemão lia alguns gibis da Turma da Mônica que meu pai comprou pra mim quando eu era criança, onde o loiro não parava de rir de algumas tirinhas aleatórias.

Vai entender…

— Se não for incomodar, eu fico sim. — O mesmo respondeu com a voz empolgada, afinal ele adorava a comida aqui de casa.

Miaau miau? (Essa desgraça não tem casa não?) — Théo questiona fazendo com que eu o encarasse de modo repreensivo.

— Olha os modos Théo. Não foi assim que eu te criei. — Suspiro frustrado.

Miaau, miau miauu! (Ainda bem, pois se se eu fosse depender da sua criação eu estava fodido!) — O mesmo revirou os olhos.

— É o quê? Repete se você tem coragem? — O fulmino com o olhar onde o mesmo dá de ombros e volta a lamber o próprio pelo.

— Por que você está discutindo com o seu gato? — Lucas se pronuncia me olhando como se eu fosse um louco e sinceramente… Eu não o julgo por isso.

— O Théo está sendo malcriado. — Dou de ombros indiferente enquanto o Alemão faz uma careta.

Miaau miau? Miau! (Falar a verdade agora é ser malcriado? Eu não sou obrigado!) — Protestou indo em direção à sua tigela de comida, porém parou abruptamente me encarando confuso. — Miau miaaau? (Cadê o meu Whiskas Sachê?) — Questionou.

— Não sei se você sabe, mas o indicado pelos veterinários são uma porção por dia. Só hoje você comeu três, que eu contei, fora os escondidos quando eu não estava em casa. — Dou um sorriso vingativo em sua direção.

MIAAAAAU MIAAAU? (VOCÊ REALMENTE VAI TER CORAGEM DE ME DEIXAR SEM O MEU PRECIOSO ALIMENTO?) — O mesmo ralhou indignado.

— Gente o que está acontecendo? — O Alemão indagou cada vez mais confuso.

Miaaau miaau! Miaaau miaau miau. — (Cala boca seu animal! A conversa é entre o humano e eu.) — Théo respondeu direcionando um olhar ameaçador para o Alemão que começou a cutucar meu ombro.

— Thonny, o seu gato satânico está me olhando feio. — “Insinuou” com certo receio.

Miaaau, Miaau! (Ora ora, temos um Xerox Romes aqui!) — Théo revirou os olhos. — Miaaau miaau? Miaau miauu? (Você quer que eu morra de fome? Você não me ama, é isso?) — Dramatizou voltando sua atenção em minha direção.

— Deixa de Drama Théo, tem um monte de ração no seu potinho. — Suspiro já cansado do assunto.

Miaaau miaau! (Eu me recuso a colocar esse lixo na minha boca!) — Ralhou exasperado.

— Para de frescura que essa ração é uma das mais indicadas pelos veterinários. — Explico cruzando meus braços.

Miaau miau! (Enfia essa desgraça no cú do veterinário então!) Reclamou dando as costas para seu potinho.

Até onde essa palhaçada vai?

— Depois dizem que eu não bato bem das idéias. Eu não tenho discussões que duram mais de dez minutos com um gato. — O Alemão assistia a cena murmurando para si mesmo, porém consegui ouvir o que o mesmo disse.

— Quer saber de uma coisa? Eu vou descer pra jantar. Não sou obrigado a ficar escutando reclamações de um gato ingrato. — Digo me levantando e olhando para meu melhor amigo. — Você vem Alemão? — Questiono.

— Sem sombra de dúvidas. Eu é quem não vou ficar nesse quarto sozinho com esse gato possuído. — O mesmo respondeu em desespero, vindo logo atrás de mim.

Miaau miaau… Miaaau miaau, miaaau miaau miau. (Vai lá encher a sua pança de comida enquanto eu fico aqui definhando de fome… Se quando você voltar tiver uma surpresinha na sua cama, espero que você entenda o motivo.) — Consigo ouvir a ameaça felina antes de finalmente fechar a porta do quarto.

Senhor, que esse gato maluco não cague e mije em toda a minha cama. Amém!

Pergunta do capítulo: Que Universo é esse onde meu gato está dando bronca em mim por causa de Whiskas Sachê?

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Estávamos todos reunidos na mesa de jantar. Meus pais sentados de um lado da mesa, minhas mães do outro lado e eu e o Alemão em cada uma das extremidades como o de costume.

Um verdadeiro banquete em comemoração à eu ter passado no vestibular havia sido feito e todo mundo comia tranquilamente onde um agradável silêncio se fazia presente.

— Essa comida está Topzeira em “Tia mãe do Thonny”. — O Alemão Comenta com um sorriso cordial para minha mãe Marcia que agradece com um sorriso discreto.

Aquilo é um caroço de feijão no dente dele? Que nojo!

— Anthonny Alexander, se algum dia você aparecer com esse linguajar aqui em casa, eu deserdo você. Esteja avisado! — Minha mãe Michelle falou de maneira séria me encarando.

— Deixa o garoto em paz amor. — Minha mãe Marcia repreendeu. — Ele só estava elogiando minha comida. — Continuou em seguida.

— Só sendo hétero para fazer esse tipo de elogio. — Murmurou, porém foi audível para todos na mesa.

Coitado do Alemão, eu fico chateado quando minha mãe trata ele assim, pois sei que ele gosta dela e fica sentido com isso. E tudo porque ele é “hétero”.

— Então família… Pais, mães. — Chamo a atenção de todos que rapidamente direcionam seu olhar pra mim. — Como todos sabem, inclusive é o motivo desse jantar, eu fui aceito na universidade. — Continuei e todos assentiram.

— Você vai falar agora? Não tem como esperar eu ir embora não? — O Alemão me olhou de maneira suplicante.

— Oh meu deus. Não me diga que você engravidou alguma menina por aí. — Minha mãe Michelle arregalou os olhos. — Socorro, eu acho que vou desmaiar. — Continuou dramática.

— O quê? Pelo amor de Caine, não! Deus me free. Dessa água eu digo com orgulho que eu não “bebereis”. — Corrijo exasperado.

— O que foi filho? — Meu pai Wesley indagou mesmo já tendo uma noção da resposta.

— Vocês sabem que o Campus fica longe daqui e que eu não quero ter que ir de carro pra universidade todos os dias. Além de ser exaustivo, vai sair caro. Então eu decidi me mudar para os Dormitórios da Universidade. — Comunico sério esperando a reação de todos, mesmo que eles já tivessem isso em mente, afinal eu já havia comentado aleatoriamente sobre isso.

E pronto, minha mãe Michelle desmaiou de vez.

— Você tem certeza filho? Morar sozinho será uma responsabilidade muito grande e você sempre cresceu rodeado de pessoas. Fora que vai ser a primeira vez que você vai ficar longe da gente. — Meu pai Rubens perguntou de maneira séria.

— Gente, ninguém vai acudir a “Tia Mãe do Thonny” que está desmaiada alí no chão? — O Alemão perguntou confuso, e até mesmo preocupado, apontando para a minha mãe Michelle que estava realmente jogada de qualquer jeito no chão.

— Deixa ela ali, daqui a pouco ela levanta. — Minha mãe Marcia disse tomando um gole de vinho tranquilamente.

— Você sabe que tem o meu total apoio filhote. Você já é maior de idade e eu te dou o maior incentivo para trilhar o seu próprio caminho. — Meu pai Wesley sorriu pra mim me deixando ainda mais feliz.

— Eu não gosto nenhum pouco da idéia de você estar longe de casa meu bebê, mas entendo que isso é pelo seu futuro e tenho certeza que você vai se sair muito bem. Só não esqueça de nos visitar. — Minha mãe Marcia finalmente se pronunciou.

— Eu perdi alguma coisa? — Minha mãe Michelle finalmente se levanta um pouco zonza, olhando para todos na mesa.

— O nosso filho virou um homenzinho e agora vai morar sozinho. — Meu pai Rubens informou me deixando um pouco sem graça, porém ainda assim extremamente feliz.

— Mas nem fudendo. Nem por cima do meu cadáver. O Anthonny não vai sair dessa casa nunca! — Ela replica de maneira histérica, fazendo com que eu abaixasse a cabeça sem ter como encarar ela.

— Querida, ele já é um adulto e você sabe muito bem que uma hora ou outra isso iria acontecer. — Minha mãe Marcia explicou com a voz amena e calma.

— Ele não é adulto coisa nenhuma. Ele é o meu bebê! — Minha mãe disse com lágrimas nos olhos.

Sem conseguir me conter, eu me levanto da cadeira e vou em sua direção, lhe dando um forte abraço, sendo retribuído no mesmo instante.

— A senhora sabe que eu vou sempre visitar vocês e que eu vou continuar na cidade não é mesmo? — Falei também com a voz embargada.

— Você sabe que não precisa fazer nada disso filho. O dinheiro que você tem é o suficiente para que suas próximas gerações vivam tranquilas. — Minha mãe disse aos prantos.

— Eu sei disso mãe, mas quero conquistar o meu próprio dinheiro. Eu quero construir minha vida e fazer algo produtivo. — Explico com um sorriso para a mesma.

— Gente, sem querer interromper, mas já interrompendo… — O Alemão se pronuncia onde todos direcionam sua atenção pra ele.

Quer ver que lá vem merda?

— O que foi Lulu? — Meu pai Wesley pergunta com um sorriso curioso, afinal ele já conhece a peça.

— Podem ficar tranquilos que eu vou cuidar do Thonny. Eu dou minha palavra de que ele estará em excelentes mãos. — O loiro respondeu sorrindo.

Ô desgraça, era pra deixar eles tranquilos ou preocupados?

— Agora está decidido. O Anthonny não vai! — Minha mãe Michelle gritou em pânico, fazendo com que os presentes restantes dessem risada do seu desespero.

— Querida… — Minha mãe Marcia tentou argumentar, mas foi interrompida.

— Se depender desse aí, o Thonny volta pai de cinco filhos, cada um de uma mãe diferente, cantando e dançando funk, com bigodinho fininho, cabelinho na régua e usando aquelas camisas polo com cavalinho, corrente de ouro falsificado e principalmente com aqueles óculos espelhados que parecem olhos de mosca! — Falou apontando para o Alemão que arregalou os olhos. — E depois ele vai ficar passando vergonha dizendo que é rolezeiro e vai comprar uma moto pra tirar o escapamento e ficar empinando na avenida enquanto faz barulho. — Continuou em seguida fazendo com que meus pais e minha outra mãe gargalhar ainda mais.

Agradecimento do dia: Ainda bem que eu nasci da minha mãe Marcia e não da mãe Michelle… Imaginem se eu tivesse puxado os genes dela?

Mentira gente, eu amo todos igualmente, mas que ela é meia louca, isso não pode ser negado!

E seja o que os deuses quiserem!