Um Romance NADA Romântico
5 O Início da Nova Jornada
Anthonny Point of View...
Faltam apenas duas semanas para o início das aulas na universidade. Eu sou o mais novo aluno da Marchendon University, agora um estudante do curso de Enfermagem. Já o Lucas é um estudante do curso de Engenharia.
Ambos estamos para iniciar o primeiro ano, embora o Alemão, que nasceu com a lua dentro do cú em vez de ter nascido com o cú virado pra lua, entrou no curso por uma espécie de admissão direta, enquanto eu só consegui entrar pelo sistema de admissão regular, ou seja, houve praticamente um banho de sangue para que eu conseguisse entrar nesse lugar, já que a competição era muito acirrada e as vagas eram poucas.
Eu tentei prestar para o curso de Medicina, porém não consegui, mas o curso de Enfermagem é o bastante pra mim por hora, afinal no futuro eu posso tentar novamente e eliminar as matérias.
O cara que tanto eu quanto o Lucas já conversamos anteriormente, o meu crush ultimate, é um estudante de Medicina, isso mesmo, embora não seja o motivo de eu ter tentado esse curso como a minha primeira opção, eu juro, mas estaria mentindo se eu dissesse que esse fato não ajudou a influenciar ao menos um pouco a minha escolha.
Quer saber de uma coisa? Sejamos sinceros e verdade seja dita: Eu estou entusiasmado para um SENHOR CARALHO para poder reencontrar ele novamente, mesmo sabendo que, como o Alemão havia dito anteriormente, ele não sabe que eu existo e muito menos o meu nome.
Bem… Teoricamente ele sabe que eu existo, afinal eu já entreguei uma garrafa de água pra ele, embora eu estivesse com um visual completamente diferente, estava encarando o chão como se fosse a coisa mais interessante do mundo e isso tenha sido a dois anos atrás… Mas ele sabe que eu existo, mesmo que ele não se lembre disso. Ponto pra mim!
Eu gosto desse cara há muito tempo. Tempo pra caralho, pois como um homem que sou não vejo problema algum em confessar isso, embora seja apenas em pensamentos.
Desde que eu estava no primeiro ano do ensino médio e ele no segundo, já que é um ano mais velho do que eu, eu já tinha um precipício por ele, pois o que eu sinto não pode nem de perto ser caracterizado como uma quedinha. Será que eu sou o único que pensa assim? O diferentão? O barroco? O xodozinho do Cupido? Enfim... A única vez que a gente “conversou” foi quando ele me perguntou se a água que eu estava segurando era pra ele e eu não conseguir responder nada. Se eu não me engano, depois ele perguntou se estava tudo bem comigo já que eu estava parado igual a um idiota olhando para o chão, mas novamente eu não consegui responder uma única palavra sequer. Foi uma conversa meio estranha e unilateral da parte dele, mas que a gente conversou… Ninguém pode negar!
O que eu posso dizer a respeito disso? Ele não tinha nenhuma qualidade que me faria, em sã conciência, dar um bom motivo para eu começar a gostar dele, além do fato de ele ser o cara mais bonito do colégio.
Ele era um valentão, um cara meio antissocial que só vivia no próprio grupinho, se achando o máximo, uma espécie ridícula de badboy. Realmente não muito agradável, mas eu não consigo explicar a maneira que ele conseguia atrair não só a mim como praticamente o restante de toda a escola. Talvez macumba seja uma explicação, mas não podemos acusar sem provas.
Porém por incrível que pareça, ele não incomodava ninguém ou praticava bullying com outros alunos. Ele simplesmente não obedecia às regras, fazia o que queria e se achava a pessoa mais superior em relação aos outros. Não conversava com ninguém que não fosse do seu círculo de amizades, onde a única coisa que fazia era ignorar os demais.
E quem diria que o cretino era um cara inteligente o suficiente para passar em primeiro lugar no curso de medicina em uma das melhores faculdades do país?
Mesmo ele não sendo um cara muito agradável, eu, assim como oitenta por cento das alunas e até alguns alunos do nosso antigo colégio, tínhamos uma “quedinha” por ele. No meu caso foi desde a primeira vez que eu o vi jogando vôlei na aula de educação física. Naquele dia eu estava na quadra por estar com uma aula vaga, quando a gritaria de um grupo de meninas me chamou a atenção. Elas estavam olhando para ele, fazendo uma espécie de torcida organizada enquanto ele se preparava para fazer um saque.
Pode e vai soar o mais clichê possível, mas infelizmente sim, foi amor à primeira vista. Eu nem sei se realmente era é amor, paixão, atração ou o caralho da denominação... Eu só sei que assim que eu coloquei meus olhos nele foi instantâneo.
Agora, nos dias atuais, eu serei um calouro e ele é o veterano, embora não façamos parte do mesmo curso. Eu fui, ou ao menos eu me considerava, o seu maior admirador secreto. Eu sempre o olhava discretamente, não importava onde ele estivesse.
Eu sei que isso pode parecer um pouco sombrio e até mesmo doentio, mas eu nunca fiz nada que passasse dos limites, e me orgulho disso. Pode não parecer, mas eu tenho orgulho e dignidade. Eu apenas o olhava secretamente e, principalmente, discretamente, o contrário de todas as outras garotas se que atiravam neles sem nenhum pudor ou vergonha. Ao menos eu respeitava seu espaço pessoal e o admirava de longe, como um bom nerd, gay e virgem que tem um crush no popularzinho do colégio.
Poderiam fazer uma fanfic disso, se eu mesmo não tivesse feito. Não me julguem, pois ao menos lá ele ficava comigo no final.
Nesse um ano que eu fiquei sem ver ele, eu fiquei um pouco chateado. Foi um período doloroso e embora eu tivesse esperanças que todo esse tempo longe dele me faria esquece-lo nada disso aconteceu de fato. Eu me sinto ridículo, pois eu sou um homem quase barbado de dezoito anos que não conseguiu tirar uma paixonite da cabeça.
Agora que estaremos estudando juntos na mesma universidade, eu vou poder continuar vendo-o, mesmo que seja de longe e sem trocar nenhuma palavra, assim como antes. Novamente ele nem vai saber que eu existo e muito menos meu nome, mas eu não me importo muito. O fato é que eu estou muito animado com isso.
Eu sei o quanto isso soa deprimente, mas eu me contentaria com apenas isso até realmente encontrar meu príncipe encantado, pois eu tenho fé no pai que um dia ele vai aparecer, já que eu tenho certeza absoluta que esse príncipe não ele.
Quem sabe eu não encontre outra pessoa e inicie um relacionamento, finalmente conseguindo tirar o meu crush supremo da minha cabeça? Isso poderia acontecer a final.
Eu sei que eu disse que eu estava animado alguns parágrafos acima, porém o fato é que eu também estou muito nervoso ao mesmo tempo. Eu estou um pouco instável na verdade, já que hoje é um passo enorme que eu dei na minha vida.
Eu saí da casa da minha família, onde eu me mudei para um dos apartamentos do campus. Deu um trabalho do caralho convencer a minha mãe Michelle me deixar sair de casa. Se dependesse dela, eu nem faculdade faria e ficaria morando junto com todos eles até a morte, mas não é isso que eu quero para a minha vida. Eu quero construir a minha história, estudar, trabalhar e todo o resto do pacote, não apenas ser bancado, embora eu tenha que confessar que ser bancado é maravilhoso.
Eu ainda não vi o dito cujo, e provavelmente só o verei quando as aulas, de fato, se inicie. Já que eu nem sei onde ele mora e mesmo que eu soubesse eu nunca iria até lá, pois seria doentio e eu não sou desses e espero me manter assim.
Eu posso ouvir um Amém?
Eu não lembro se eu cheguei a comentar, mas em todo o caso o nome do meu crush supremo é Piers. Piers Nivans. Eu sei o que você está pensando, é o mesmo nome do personagem da franquia Resident Evil, mas não sou responsável por isso. Chamem de coincidência ou culpem o autor.
― Onde eu posso deixar essas coisas senhor? ― Kyle me perguntou retirando as minhas malas e uma caixa com meus pertences pessoais do porta malas.
Sim, minha família é burguesa safada, e fez questão de mandar o Kyle para me ajudar. E como eu não fujo da regra, óbvio que eu não recusei, afinal eu nunca peguei um busão na minha vida.
White Gay Problems é complicado, mas fazer o que? Me processem!
― Está tudo bem Kyle, eu as posso levar sozinho. ― Eu respondo sorrindo para o mesmo que acena positivamente.
Eu nem trouxe muitas coisas comigo, já que eu quero conquistar meus próprios pertences com meu esforço e trabalho. As únicas coisas que eu trouxe foram as roupas novas que o Alemão comprou, materiais de estudo, meus livros, alguns álbuns de minhas bandas e cantores favoritos e principalmente meu notebook e o Théo, afinal eu não consigo viver sem eles. O restante da mobília foi trazido com um caminhão de mudança.
PS: Eu deixei todas as tralhas do Sexy Shop que o Alemão me comprou no sótão de casa e espero nunca mais ver aquelas merdas na minha frente… Caso elas reapareçam faço um ritual cerimonial do fogo nelas e no Alemão.
― Senhor Murray, se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa, não hesite em me ligar que eu estarei a sua disposição. ― Kyle me avisou antes de se despedir.
― Tudo bem Kyle. Não se preocupe que se eu precisar eu te chamo de imediato. ― Eu dei um sorriso brincalhão em resposta, onde ele repetiu o gesto.
― Pode ligar apenas para conversar também, não precisa ser apenas para pedir favores. ― Ele alfinetou brincalhão.
― Pode deixar. ― Eu concordei abraçando-o, afinal ele trabalha na casa do meu pai muito antes de eu nascer. Realmente iria sentir falta dele.
― Venha nos visitar Senhor. Sentiremos sua falta. ― Ele se despediu entrando no carro e dando a partida.
Meus pais são muito rigorosos e sérios, ou quase isso, por esse motivo todos os seus empregados são muito dedicados na tarefa de cuidar de mim. Nós cinco, meus pais, minhas mães e eu, nunca nos separamos, onde vivemos juntos a minha vida toda, ao menos até o presente momento. Embora eles não “se suportem” pelo fato do meu pai Rubens ter engravidado minha mãe Marcia — principalmente minha mãe Michelle e meu pai Wesley que são os que mais tem ciúmes por conta disso -, eles são unidos quando o assunto sou eu. Esse é um dos motivos por toda essa superproteção. Eles podem se odiar, não aguentar ficar em baixo do mesmo cômodo por mais de um minuto e até se ameaçarem, porém por mim eles superam qualquer diferença.
Agora era definitivo. Finalmente eu estava começando a minha mais nova vida.
Eu deixei a minha bagagem no local em que ela estava por alguns segundos, na entrada do prédio, e corri até o Hall do mesmo para pegar aqueles carrinhos onde se colocam as malas e caixas para levar as minhas coisas até o meu novo quarto. Como não sou louco, ou pelo menos eu acho que não, eu carreguei o Théo comigo, afinal eu não tenho coragem de deixá-lo sozinho nesse lugar, mesmo ele estando na gaiolinha, embora isso não significasse muita coisa já que ele consegue abrir ela a qualquer momento.
E sejamos sinceros, minha maior preocupação é com as outras pessoas, pois a ameaça verdadeira é o próprio Théo.
Meu gato é muito mais inteligente que o Alemão, embora não precise de muito esforço para isso, além do fato de que só eu consigo entender o que se passa na cabeça dele, literalmente.
Depois de colocar as malas, eu quase deixo a caixa cair ao chão com a visão que eu tenho. Piers Nivans está caminhando lentamente para fora do elevador e com uma garrafa de água em mãos vindo em direção ao bebedouro. Seu caminhar, embora lento, era imponente e seu olhar era afiado e despreocupado.
Não para não, vem cá… Me dá a tua mão
Quero que sinta toda essa emoção
Cavalo Manco agora eu vou te ensinar
Isso e muito mais você só vai encontrar:
Em Belém do Paráááááááá
Caralho Beto me arremessa, pra Marte de preferência. Não tinha hora melhor pro Lucas me ligar não? Porra. Eu tenho que lembrar de trocar a merda desse toque do meu celular e principalmente… Como ele troca os meus toques sem que eu nem ao menos perceba?
Nota mental: Devo começar a andar com o celular no modo vibratório de agora em diante.
— Miaaau miaau miau! (Aquela coisa que você chama de melhor amigo é muito idiota por colocar essa música!) — Théo miou, onde ele estava visivelmente se divertindo com a minha situação.
— Eu sei e cala a boca. — Reviro os olhos desligando a chamada rapidamente.
Capitão óbvio, você por aqui?
Eu não estou acreditando nisso. É surreal. Piers Nivans está ao vivo e a cores a alguns metros de mim. Puta que me pariu, isso é real. Ele é real. Ai minha nossa senhora das bicicletas cor de rosas com cestinha, eu não estou sonhando. Eu espero que não, caso contrário eu vou ficar muito pistola por isso.
Eu não consigo acreditar que a “missão” de ver ele novamente já foi concluída logo no primeiro dia da minha nova vida. Eu não estou no meu normal. Eu estive esperando por isso tem um ano.
Ele está ainda mais bonito do que antes. Ele perdeu as feições adolescentes que ele tinha antes, parecendo mais maduro e mais sério. Seu cabelo loiro está num corte diferente e muito melhor do que o estilo rebelde do colegial. O filho da puta também está muito mais alto do que antes também, e olha que ele já era consideravelmente alto quando estávamos no colegial. Ele parece muito mais másculo com aquela quantidade exagerada de músculos espalhados por todo o corpo de maneira uniforme e proporcional. Sua pele está mais bronzeada também, o que o deixa ainda mais perfeito, se é que isso é possível.
— Miaau miau… (Está escorrendo baba da sua boca…) — Théo provoca me olhando com deboche.
— Quer virar churrasco chinês? — Ameaço em voz baixa.
Eu estou chocado. Eu não esperava reencontrar ele tão cedo. Eu não estava preparado pra isso. Ai caralho, agora que eu fui me tocar que ele está no mesmo prédio que eu. Nem que eu quisesse eu conseguiria planejar algo assim. Por favor destino, para de brincar comigo que eu vou ter uma síncope. E por favor Anthonny, pare de agir como uma virgem apaixonada. Não é por que você está apaixonado e é virgem, que você precise agir dessa maneira. E pra piorar eu estou pensando em mim mesmo na terceira pessoa do singular. Adeus sanidade.
― Olha só... Um pirralho tão mimado que precisou da ajuda de mordomos para lhe socorrer. ― Piers falou com sua voz zombeteira carregada de sarcasmo enquanto estava de costas pra mim, enchendo sua garrafa no filtro da recepção.
Ele fingia estar falando consigo mesmo ou com o vento, porém eu sabia que ele estava falando de mim. Eu disse que ele era um idiota, mas mesmo assim... É um idiota muito bonito. Um idiota bonito para um senhor caralho.
Eu comecei a caminhar em sua direção com um pouco de receio, afinal eu não queria deixar na cara que eu estava surpreso em lhe ver e muito menos que eu soubesse quem ele era.
Não para não, vem cá… Me dá a tua mão
Quero que sinta toda essa emoção
Cavalo Manco agora…
Antes que a música continuasse tocando, eu desliguei o mais rápido que consegui, quase derrubando o celular por conta do desespero.
Tudo bem, faz a egípcia e finge demência...
― Está falando comigo? ― Perguntei de maneira cética, ignorando novamente o toque do meu celular. Pra piorar, o Piers parecia um pouco confuso em relação ao que acabou de acontecer, mas voltou a sua atenção ao bebedouro enquanto enchia a sua garrafinha.
Mas voltando ao que ele me disse antes do meu celular tocar, eu sabia que era de mim que ele estava falando, mas foi a única frase que veio em minha mente, embora eu realmente devesse ter perguntado algo melhor. E passar por essa vergonha quando o seu celular toca Banda Calypso não ajuda.
― Eu? Imagina! Eu estou falando daquela cacatua. ― Ele revirou os olhos com ironia apontando para o pássaro no balcão da recepção. ― O que você acha? ― Continuou em seguida com a voz debochada.
Nesse momento, ele virou seu rosto bonito em minha direção novamente. Caralho, eu pensei que eu fosse alto, já que eu tenho um metro e oitenta e cinco de altura, mas o Piers é muito mais alto do que eu. Talvez uns vinte centímetros. Ele provavelmente passa dos dois metros de altura sem nenhum esforço.
― Apenas colocando meus olhos em você eu pude perceber que você é um garoto mimado que veio de uma família rica. Digamos que eu esteja me sentindo caridoso e queira lhe dar um conselho útil. Se quer ser alguém na vida, pare de depender da sua família e comece a fazer você mesmo as coisas e principalmente trabalhar para consegui-las. ― Ele falou sério, dando de ombros em seguida e voltando a encher a sua garrafa de costas pra mim.
E o que eu acha que eu vim fazer aqui, palhaço? Orgias, bebidas e descobrir o que Bhaskara vai mudar em minha vida?
Qual o problema desse cara? Está certo que ele é bonito pra caralho e é o meu crush supremo, mas o que lhe dá o direito de pensar que pode me dizer essas coisas? Até onde eu me lembro, no ensino médio ele que era o filhinho de papai rebelde que só quebrava as regras do colégio e passava a maior parte do tempo na quadra praticando esportes.
Eu não consigo deixar de dar um sorriso sem humor, embalando minha voz no sarcasmo antes de me pronunciar.
― E o que isso tem haver com você? Até onde eu sei, minha vida não é da sua conta. ― Eu retruco com o máximo de confiança possível, ao que Piers se vira bruscamente com a sobrancelha arqueada e um olhar entediado.
― O que foi que você disse? ― Ele perguntou cruzando seus braços diante de seu enorme peitoral, onde eu não consegui deixar de revirar os olhos com essa pose ridícula de macho dominante, embora não consigo deixar de admitir que é sexy, mas só em pensamentos, é claro.
― Além de intrometido, você também é surdo? Eu perguntei o que isso tem haver com você? Minha vida não é da sua conta. ― Repito de maneira firme.
Eu disse que ele é idiota, mas dois podem jogar esse jogo. Se está em Roma, aja como os romanos... Não é?
― Qual é nanico, eu sou o seu veterano e estou te dando um valioso conselho. Você deveria se sentir honrado por isso. Qual o seu curso? Acho que terei que visitar o seu campus para alertar os seus professores e colegas sobre esse seu mau comportamento. ― Ele me respondeu indignado. Como ele sabe que eu sou um calouro e que estudamos na mesma universidade?
Ele parece sério e embora eu o tenha admirado secretamente por dois anos, eu não sei se ele é capaz ou não de realmente fazer isso. Na verdade, eu nem sei se isso faz algum sentido.
Eu só sei que eu estou muito feliz em poder ver ele novamente depois de um ano. Mas é claro que eu nunca iria dizer isso pra ele, afinal ele nem deve saber que a gente estudou juntos. Ele nem se lembra de mim. Como o Lucas disse antes, ele não sabia o meu nome e muito menos que eu existia, ao menos até agora e... Espera aí? Ele me chamou do quê?
― Nanico? Você me chamou de nanico? Qual é o seu problema? Eu tenho um metro e oitenta e cinco. Nanico é o seu pinto. ― Eu ralhei revoltado. Quem ele pensa que é pra me chamar de nanico? Qual é o problema dele?
— Miaaau… Miaau miau? ( É sério... Você só conseguiu pensar nessa resposta?) — Théo se pronunciou e com o canto dos olhos eu pude ver indignação no seu rosto.
Agora não Théo, eu estou ocupado passando vergonha.
― Você ainda é mais baixo do que eu e eu tenho dois metros e sete de altura. ― Ele respondeu com um sorriso debochado. ― E quanto ao meu pinto, ele pode não ser gigante, mas ele se garante. ― Eu deu de ombros.
― Ca-gay. Mesmo você sendo mais alto que eu, eu tenho certeza absoluta que ainda vai doer se eu te der um soco na cara. ― Puta que me pariu, por que eu fui dizer isso? Eu e a minha maldita mania de falar sem pensar. Cacete!
― Como é que é? ― Piers perguntou com um sorriso divertido, me olhando sem me dar muita credibilidade.
Filho da puta. Bonito, mas filho da puta.
― Venha então... Tente me dar um soco. Eu até deixo você dar o primeiro golpe. ― Ele apontou para sua face, esticando a mesma em minha direção.
Ai caralho. O que está acontecendo com a minha vida? Como é que eu vim parar nessa situação mesmo?
Quem é que se atreveria em sã consciência dar um murro nesse rosto maravilhoso? O pior é que o filho da puta aproximou ainda mais seu rosto de mim, mas pode ter certeza que dar um murro nele foi a última coisa que eu pensei com essa proximidade.
Eu vou acabar ficando louco dessa maneira. Isso só fez com que meu coração batesse mais rápido, consequentemente me fazendo suar pelo corpo todo, incluindo lugares que eu nem sabia que isso era possível. Eu não quero e nem posso dar um soco nesse idiota, embora ele realmente mereça. Minhas mãos estão um pouco instáveis e eu diria até que elas estão tremendo um pouco.
Eu gosto desse imbecil e isso definitivamente não é um bom começo para um futuro relacionamento entre nós dois, se é que isso realmente fosse acontecer algum dia… Pareço um fugitivo iludido de Wonderland... Me deixem sonhar, já que é de graça.
Eu, como sempre, caguei nas oportunidades me dada pelo destino, embora dessa vez eu tivesse motivo já que quem começou a treta foi ele. Pra piorar, essa mula ainda está me olhando com o mesmo sorriso debochado e expressão desafiadora, esperando eu fazer alguma coisa, me deixando ainda mais aborrecido.
― Mano... Qual é o seu problema? Vai embora! Eu não vou te dar um soco. Foi um comentário retórico. ― Eu pedi tentando não me irritar.
― Vai amarelar? ― Ele perguntou com escárnio.
Sem pensar duas vezes, eu lhe dei as costas, pegando minha bagagem e indo em direção ao elevador, porém não antes de esbarrar nele propositalmente.
— Miaau! (Esqueceu de mim desgraça!) — Ouço Théo miar indignado, voltando correndo para pegar sua gaiola como se nada tivesse acontecido e depois disso volto para o elevador.
― Qual é o problema dele? ― Eu o escutei murmurar atrás de mim, porém eu nem me atrevi a encará-lo ou então a respondê-lo.
Não demorou muito para que eu chegasse no meu quarto. Eu apenas coloquei minha bagagem para dentro do mesmo e tranquei a porta, correndo em direção a minha cama e me jogando em cima dela com um enorme sorriso no rosto.
Pela primeira vez eu conversei com Piers Nivans, pelo menos uma que eu tenha conseguido falar. Está certo que foi a pior conversa possível, mas ainda assim eu conversei com ele. Ele finalmente sabe que eu existo.
Puta que me pariu – desculpa mamãe – eu tenho que contar isso pro Alemão.
— Miaau miaaau miau? (Então esse é o Piers Nivans que você tanto falava?) — Théo indagou com certo deboche.
— Eu sei que ele foi um idiota, mas eu gosto dele. — Respondo olhando para o bichano, abrindo sua gaiola.
— Miauu! (Quanta falta de amor próprio!) — Devolveu desacreditado.
— Cala a boca. Eu tenho amor próprio. Está parecendo o Alemão. — Reviro os olhos.
Gato atrevido.
— Miaaau miau… Miaau miaaau miau miaaau. (Primeiro não me compara com aquela coisa que você chama de melhor amigo… E depois não é minha culpa se você é trouxa o suficiente para ser apaixonado por aquele babaca.) — Ele miou entediado.
— Repete isso se você tiver coragem. Pra eu te deixar uma semana sem Whiskas Sachê é daqui pra ali. — Ameacei-o com um sorriso malvado. — Onde já se viu meu gato me chamar de trouxa…
— Miaaau? Miaau miaau miaaaau? (Qual é cara? Você sabe que eu te amo não é mesmo?) — Consigo sentir o desespero no tom do miado.
— Acho bom. — Dou um sorriso vitorioso.
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