Um Romance NADA Romântico
11 Não Sou Como Todo Mundo
Anthonny Point of View...
― Ridículo do cacete! O Piers é um babaca, idiota e sem noção. ― Ralho irritado enquanto converso com o Alemão no refeitório que fica na mesma ala onde estamos fazendo as fotos e preparativos para a competição.
— Me conte uma novidade… — O Alemão resmungou revirando os olhos.
Ficamos bastante tempo trabalhando, vendo fotos das competições dos anos anteriores e esperando a droga do fotógrafo que estava atrasado e por estarmos desde às sete e meia naquele salão, liberaram a gente para termos uma hora de intervalo, já que depois desse tempo, ainda teríamos muita coisa para fazer.
― Como eu posso gostar de uma pessoa como ele? Queria voltar no tempo do ensino médio e então, eu mudaria tudo. Ele é tão irritante! Como é que alguém em sã consciência consegue suportar ele? Acho que nem os pais dele são capazes de fazer isso. ― Aleguei olhando com afinco para meu amigo.
― Thonny... ― O Alemão iniciou despreocupado.
― O que foi? ― Indago impaciente por ter minhas reclamações interrompida.
― Cala a boca. ― Ele sorriu divertido. ― Você disse que não deveria gostar do Piers e fica xingando-o, mas o nome dele não sai da sua boca e de seus pensamentos por um segundo. ― Protestou. ― Já estou entediado de tanto ouvir você falar desse cara. Por que você está feliz? ― Pediu com curiosidade.
― O que faz você pensar que eu estou feliz? Eu estou é puto. Se tem um coisa que eu estou, essa coisa é puto. Eu tô full putasso. Não consigo pensar em ninguém mais puto do que eu nesse momento. ― Reviro os olhos irritado.
Lucas me olha ceticamente, pegando sua mão para beliscar o meu rosto.
― Está claramente escrito no seu rosto cara, olha como você está feliz. Ele veio perguntar o seu nome, e a sua faculdade. Ele está visivelmente interessado em você. ― Alegou confiante.
― Eu... ― Não consigo dizer nada a respeito. ― Eu não estou feliz porcaria nenhuma. ― Tento soar o mais convincente o possível.
― Vai tomar no seu Astolfinho e para de tentar enganar a si mesmo Thonny. ― O Alemão me entrega um prato de comida. ― Coma, pois teremos uma foto em grupo logo. ― Pediu de maneira gentil.
― Alemão... ― Começo antes de levar um pouco de comida à boca. ― Ainda podemos nos juntar a atividades com amigos de outras faculdades, certo? ― Pergunto curioso, esperando sua resposta.
― Sim, mas não acho que sejam todas as atividades. Apenas algumas. ― Ele responde despreocupado. ― Apenas espere até a competição acabar e a gente poderá voltar às nossas atividades normais de faculdade. ― Completou.
Eu e Alemão viemos até a cafeteria em magníficas roupas, o que atrai muitas atenções para nós. Okay, não vou me elogiar, mas olhe para o Alemão... Ele é realmente adequado para ser o Astro do campus. Meu amigo não deveria escolher vir e comer aqui comigo, uma vez que ele se torna o alvo de muitas pessoas facilmente, como agora.
― Thonny, não é por nada não, mas quem são aqueles garotos fazendo cosplay de Super Junior ali atrás? Eles não param de olhar pra gente. ― Lucas indagou curioso, dando um sorriso simpático e um aceno de mãos para quem quer que fosse atrás da gente.
Seguindo a direção do seu olhar, eu viro meu rosto a fim de procurar os tais garotos que ele se referiu, arqueando a sobrancelha ao ver quem eram.
― Eles são a “Gangue dos Pôneis Coloridos que fazem alguma coisa no Arco-Íris.” ― Respondo vendo meu amigo dar risadas. — Ou algo do tipo.— Complemento
— É o quê? — Ele questionou dando risada.
― O que foi? Não fui eu quem escolheu esse nome. ― Revirei os olhos indiferente.
― É sério que tem uma gangue chamada Gangue dos Pôneis Coloridos que fazem alguma coisa no Arco-Íris no seu curso?. ― Perguntou incrédulo, sem conseguir conter o humor em seu questionamento.
— Ou algo do tipo. Sinceramente não lembro o nome correto e nem me dou ao trabalho de fazer isso. — Respondi indiferente.
― Não dou nem uma semana para você se tornar o Líder deles. ― Alegou confiante.
Pergunta do Capítulo: Por que eu fui abençoado com paciência e não com uma arma? Seria muito mais útil pra mim nesse momento.
― Em primeiro lugar, vai tomar no olho do seu cu. ― Praguejo irritado. ― E depois, foi graças a eles que eu sou o Astro da Enfermagem. Se não fosse eles me enchendo o saco e me elegendo como candidato ao posto, eu não teria sido escolhido. ― Expliquei suspirando.
― Deus abençoe os Pôneis. ― O Alemão glorificou sorrindo.
― Pôneis malditos, isso sim. ― Reviro os olhos emburrado.
Ficamos um tempo em silêncio enquanto terminamos de comer, até que finalmente acabamos. Eu estava me espreguiçando por conta da preguiça pós refeição, quando o Alemão iniciou novamente.
― O Piers disse que ficaria de olho em você. ― Comentou sorrindo sugestivamente.
― E daí? ― Franzo o cenho sem cerimônia alguma.
― Então não importa se você vai se sair bem ou não na competição, pois ele vai continuar olhando para você. Ele vai te acompanhar de perto e só você. Isso é perfeito ― Meu amigo comemorou com visível empolgação.
Sem ter o que dizer, eu apenas fico em silêncio, olhando pra ele como se fosse algo absurdo, e realmente era.
― Vocês parecem tão fofos juntos. Eu juro que quando ele começou a implicar com você e disse que você não era capacitado para o concurso, eu me segurei o máximo que pode pra não me levantar e dar um murro naquela cara de panaca dele. Ninguém fala assim com o meu melhor amigo. ― Reclamou com uma expressão séria. ― Mas depois que eu assisti tudo, eu até cheguei a maliciar a conversa de vocês dois... Será que eu vou pro inferno por conta disso? ― Ele me explicava seu ponto com entusiasmo, fazendo uma expressão de dúvida com sua última questão.
Suspiro irritado.
― Fofo é a cabeça da minha rola Alemão. ― Eu o repreendi com mal humor. ― E sua vaga no inferno está reservada desde que sua mãe descobriu que estava grávida de você. ― Completei com ironia.
— Credo Thonny… — Ele falou com uma falsa expressão de ofensa.
― Vou comprar um suco, quer alguma coisa? ― Pedi com educação.
― Uma Coca, por favor. ― Sorriu com seu humor característico.
― Está bem. ― Anuo a cabeça positivamente.
Eu me levanto e vou comprar as bebidas na lanchonete que está um pouco mais a frente. Eu me sinto loucamente envergonhado, uma vez que eu estou nessa competição e estou excessivamente vestido, enquanto todos estão apenas de pijama e parece que acabaram de acordar.
Eu, em definitivo, não estava preparado para a súbita coincidência que está acontecendo agora. Piers apenas se afasta de seu grupo de amigos para comprar uma bebida também. Ele parou ao meu lado, porém não me olhou. Acho que ele nem percebeu que era eu ao seu lado.
Apenas em saber que ele está almoçando aqui, e eu não consigo agir naturalmente. Divindade da cafeteria muito obrigado, mas me avise com antecedência quando você for agir, pois eu preciso me preparar psicologicamente para isso.
Agradeço pela atenção.
― Eu quero um copo de chá gelado de pêssego, por favor. ― Piers pediu com tranquilidade.
Eu levanto a cabeça para olhar o rosto de Piers. Eu vivo reclamando quando ele me chama de tampinha e nanico, mas eu realmente sou um perto dele, mesmo tendo um metro e oitenta e cinco de altura e ser relativamente alto comparado às outras pessoas.
Reparando em seu pedido, quem é que bebe chá gelado? Depois ele fala do meu suco de Romeu e Julieta.
― Você também bebe uma bebida de mulherzinha. ― Digo sarcasticamente.
Piers olhou diretamente para mim irritado só então percebendo que era eu ao seu lado. Seus olhos faiscaram e sua expressão se fechou antes de dirigir sua palavra para mim.
― Você está me provocando? ― Ralhou num tom ameaçador.
― Eu não estou. ― Dei com os ombros indiferente. ― Apenas fiz um comentário. Você é tão inseguro que algo do gênero é capaz de ferir seus sentimentos? ― Zombei com um sorriso convencido.
Nota mental: Eu tenho que calar a boca e parar de provocar ele, porque dessa maneira eu nunca vou conseguir me aproximar e talvez ganhe um olho roxo de brinde.
― E também um copo de Romeu e Julieta, por favor. ― Piers não me dá a atenção, mas sim ao vendedor da lanchonete.
― Viu... Você também bebe Romeu e Julieta. ― Não vou aceitar ser chamado de mulherzinha sozinho!
― É seu, não meu idiota. Você quer ou não? ― Ele me entrega o Romeu e Julieta, e depois bebeu sua própria bebida enquanto voltava para se sentar com seu grupo de amigos.
Não diga nenhuma palavra Thonny. Apenas cale a porra da sua boca e aceite a porra do suco. E para de falar com você mesmo na terceira pessoa, por favor.
Nunca pensei que o Piers fosse esse tipo de pessoa. Ele é um idiota e estranho, mas há algo que me faz pensar que também tem uma pessoa boa e gentil dentro de toda aquela casca de arrogância e prepotência.
― Ainda não se apressou? Se você chegar atrasado para a sessão de fotos, você será expulso da competição com certeza. ― Piers se vira para falar comigo.
Sua voz era tão suave. Completamente diferente de todas as vezes que ele falou comigo.
― Eu não vou ser eliminado. ― Digo com convicção.
― Eu espero que seja verdade. Não ouse deixar isso acontecer. ― Advertiu de maneira séria, voltando para seu caminho na sequência.
Eu falei sobre querer voltar no tempo para quando eu estava no colegial e mudar o passado para que eu não goste do Piers, certo? Será que eu posso alterar minha declaração? Não importa o que, eu não quero mudar absolutamente nada, talvez todo o sofrimento do passado, mas isso não vem ao caso.
Eu nunca me senti tão feliz por gostar do Piers!
— Ô Thonny, foi fabricar a minha coca pessoalmente? — O Alemão gritou sem pudor alguém, chamando a atenção de todos no local, me deixando envergonhado, afinal o Piers também olhou…
Eu vou matar o Alemão!
# # # # # #
Já se passavam do meio dia e tanto o Alemão e eu quanto os outros candidatos a Astros e Estrelas estávamos reunidos no enorme salão, esperando o início da sessão de fotografias para postarem na página da Universidade.
Realmente é uma tortura quando você está ciente de algo, mas finge que não está. No meu caso isso se aplica a olhar para Piers disfarçadamente, como eu sempre fiz por toda a minha vida. Todo esse tempo, enquanto espero que o conjunto da sessão de fotos esteja pronto, finjo ser indiferente a esse belo bastardo loiro que usa a mesa como uma substituição de uma cadeira para se sentar de forma tranquila e irradia sua aura brilhante por toda a sala.
Não importa onde ele esteja, Piers sempre é o centro das atenções, embora ser o Astro da Universidade do ano passado ajude bastante.
― O que carambolas há de errado com você, Thonny? ― Esta já era por hoje a oitava vez que eu me escondia atrás do Alemão e olhava para o Piers secretamente.
Meu amigo já estava irritado com essa minha ação, sua voz demonstrando tédio e insatisfação assim como seu olhar repreendedor.
― Estou me aproveitando um pouco da sua altura para me camuflar atrás de você. Ser mais baixo e mais magro do que você tem suas vantagens, pelo menos nesse quesito. ― Dou um sorriso sem graça depois de responder e ele revira os olhos.
― Se você quiser olhar pra ele então apenas olhe, garoto esquisito. Todos também estão olhando descaradamente, todas as Estrelas estão até gritando para o seu loirão com cara de panaca e ele não está nem aí pra isso. ― Ele falou entediado, provavelmente achando todo o conjunto de situações presente a coisa mais ridícula possível.
― Ele nunca foi assim tão sexy no Ensino Médio. ― Comento admirado, não conseguindo desgrudar meus olhos dele.
Mesmo Piers estando sentado em cima de uma mesa completamente relaxado, ele está impecável. Sua aura irradia toda a sala, sua maneira despreocupada e descontraída de ignorar tudo e todos à sua volta o deixa ainda bonito e sexy.
― Todos nós fomos apenas adolescentes naquela época. Nada mais do que meninos crescidos. Seria estranho se a gente não mudasse fisicamente. ― Lucas deu com os ombros indiferente. ― Além disso, mesmo que você não concorde, ele é um humano como qualquer outro. Algum dia no passado ele até pareceu mais feio. ― Continuou despreocupado.
― Ele nunca foi mais feio do que eu. ― Digo de maneira séria.
É inconcebível dizer uma afirmação tão tola. Piers Nivans é o cúmulo da beleza. Ele nunca foi feio em toda a sua vida, muito menos mais feio do que eu. Naquela época eu era tão magro com grandes óculos redondos no meu rosto e muitas espinhas. Meus cabelos eram enormes, eu andava todo desengonçado e era muito encabulado. É compreensível que Piers nunca tenha me notado.
― É bom que você saiba. ― O idiota Alemão concordou com um sorriso provocador.
Sua alpaca albina hidratada com Monange, eu sei disso muito bem e meu comentário foi retórico. Não precisa ficar concordando comigo. Será que pelo menos agora você poderia me ajuda a me sentir melhor? Muito obrigado.
― Ei meninos, bebam. Pegue um copo. ― Diferentes cores de bebidas são trazidas para dentro pela equipe responsável pelo concurso. ― Eles são um presente do Astro da Universidade do ano passado, o Piers. Ele não só é bonito como também é generoso e gentil. ― Uma garota, pelo menos um acho que isso é uma garota, falou com uma voz suave e admirada.
Eu e Alemão tomamos as bebidas que não são diferentes da lanchonete de hoje à tarde. Olhando ao redor da sala, vejo que quase todos têm o mesmo copo que eu e Alemão estamos segurando. Além disso, algumas Estrelas ainda possuem o mesmo Romeu e Julieta como eu.
Um sentimento de mágoa e tristeza tomou conta de cada célula de meu corpo, meus olhos foram para o copo de Romeu e Julieta em minhas mãos e uma força que eu não consegui controlar o apertou com força.
Instantaneamente, eu posso sentir que o meu mundo cor-de-rosa se tornou um cinza de melancolia misturado com um vermelho que representa a raiva.
Eu até consigo ouvir a abertura de Maria do Bairro tocando por conta da maneira que eu me sinto…
Y a mucha honra
María la del barrio soy…
Na verdade é meu celular tocando com o novo toque que o Alemão escolheu, mas tudo bem… Se encaixou perfeitamente.
Bastardo filho de uma mãe. Você é um imbecil infiel Piers Nivans. Mesmo que pra vocês não faça muito sentido o que eu pensei, faz muito sentido pra mim. Ele me trata mal e implica comigo, mas depois age de uma maneira completamente diferente e me compra um copo do meu suco favorito, mesmo eu tendo devolvido a provocação.
Talvez eu apenas seja um idiota iludido, que viu sinais onde não haviam e que agora está sofrendo em frustrações.
― Thonny, para de apertar o copo. Vai derramar tudo e você vai se sujar. ― O Alemão apanhou o copo da minha mão e sussurrou ao pé do meu ouvido para que o pessoal não o escutasse. ― Se acalme. Não fique bravo ainda. ― Pediu em seguida, já sabendo o que se passava em minha cabeça, afinal ele me conhece já que é o meu melhor amigo e me entende mais do que talvez eu mesmo.
― Na cafeteria, o Piers apenas me comprou uma bebida porque eu sou apenas um calouro para ele, certo? Nada mais nada menos do que isso, certo? ― Perguntei com a voz baixa, num tom chateado, sem conseguir olhar nos olhos do meu amigo.
― Hey Thonny, Piers também comprou pra você uma bebida hoje à tarde? ― A Estrela da minha faculdade, Katherina, perguntou com empolgação quando me viu. Não sei se ela deduziu isso por conta do meu copo ou se ela realmente chegou a ouvir o que eu disse. Ela estava entre as outras estrelas de diferentes faculdades que realmente são muito lindas. ― Piers também comprou para toda a nossa mesa, tinha quase dez pessoas. Ele é tão gentil e generoso. ― Comentou com entusiasmo.
Caralho Beto... Só me arremessa pra bem longe daqui.
― Thonny, qual o problema? Por que você está fazendo essa cara? ― A pessoa que eu ainda não tenho plena certeza se é ou não uma garota me perguntou confusa.
Ai que vontade de matar ele. Piers é um conquistador barato e destruidor de corações! Ele... Ele... É um bastardo filho da mãe. Pra que fazer isso, mesmo que intencionalmente? Preferia mil vezes que ele tivesse continuado sendo rude comigo, pelo menos eu sei que eu sou o único no qual ele trata dessa maneira.
― Droga, Thonny. Onde você está indo? ― Alemão, a pessoa que me conhece melhor, me pergunta quando me vê saindo.
― Eu volto depois. ― Forço o meu melhor sorriso para disfarçar a situação, mas não sei se foi ou não eficaz.
Estou tão loucamente chateado. Irritado com uma certa pessoa que acabei de passar ao lado e que está brincando com o celular na mão sem se importar com nada ao seu redor.
Por que eu sou tão idiota e sensível? Por que eu estou me sentindo tão horrível por causa de uma coisa tão boba? Por que eu sou tão iludido? Ele apenas me pagou a droga de um Romeu e Julieta, eu não deveria ter interpretado isso de maneira tão empolgada e me sentir especial.
― PORRAAAAA! ― Grito muito alto depois de sair do estúdio de fotos.
Não posso ir a nenhum lugar muito distante porque eu ainda não tirei a droga da minha foto, então, se eu for longe e não voltar na hora eu vou estar encrencado. Sendo bem sincero, eu nem tenho animo algum pra voltar, porém eu nunca fui um homem que desonra seus compromissos e não vai ser agora que isso irá acontecer. Meu único “refúgio” foi vir ao terraço. O prédio no qual estamos possui seis andares, então acho que o terraço é a melhor solução pra mim que quero ficar sozinho.
― Qual o problema? ― A Astro do ano passado da faculdade de Engenharia me pergunta.
Ele é o veterano do Alemão, está usando uma camisa com a insígnia de engenharia. Eu não me lembro do nome dele, mas ainda me lembro do rosto dele já que o mesmo estava ajudando meu melhor amigo agora pouco. Não tinha visto ninguém aqui, então eu decidi gritar bem alto apenas para extravasar tudo o que eu estava sentindo. Merda!
Esse veterano parece extremamente selvagem com suas tatuagens e piercings, bem como um cabelo penteado para o lado de maneira rebelde. Seu corpo é alto, seus músculos desenvolvido, cabelos negros e lisos, fortes traços asiáticos presente, aparentemente coreano.
Tossi de imediato por conta do forte cheiro presente. Ele estava fumando. Eu tenho severa aversão à fumaça de cigarro.
― Merda. ― Ele praguejou rapidamente apagando o cigarro. ― Desculpe, eu nunca pensei que um calouro viesse gritar aqui. ― Deu um discreto sorriso de canto, se aproximando de mim.
― É minha culpa. Você pode continuar fumando, eu estou saindo agora. ― Respondo sem graça, me virando de costas e fazendo o retorno.
― Espera. ― Me chamou com sua voz num tom gentil. ― Você pode ficar aqui, eu vou. ― Pediu dando de ombros.
― Você quem estava aqui primeiro. Eu não queria te atrapalhar. ― Me desculpo com um sentimento de vergonha, afinal não é todo dia que uma pessoa está tranquila fumando um cigarro e de repente um doido chega e grita “porra” em voz alta do topo de um prédio.
― Bem, parece que você quer ficar sozinho. Se acalme primeiro, depois você volta, está bem? ― Sorriu despreocupado.
Como ele pode saber o que isso era realmente o que eu preciso? Ele é tão legal. Começo a sentir inveja de Alemão agora, afinal ele tem um mentor legal e gentil. E quanto ao meu mentor... Ele é uma espécie de grande rainha que em vez de dar atenção para seus calouros ele nunca concorda em se separar dos grupos dos antigos Astros.
― Obrigado. ― Agradeço reparando com cautela e suas belas feições selvagens e máscula, não condizente nenhum pouco com a gentileza que ele me trata.
― Seu nome é Thonny, não é? ― Perguntou com um sorriso simpático.
― Sim, como sabe? ― Indago surpreso afinal, com exceção do dono dos meus tormentos e do meu próprio veterano, eu não havia me apresentado para nenhum outro Astro do ano anterior.
― Seu amigo Lucas não cala a boca um minuto sequer e as únicas coisas que ele fala é do melhor amigo e de garotas. ― Respondeu com diversão em sua voz.
Ai socorro. Porra Alemão, espero que você não esteja me difamando por aí.
O Astro de Engenharia do ano anterior começou a caminhar em direção a porta para voltar ao salão com as outras pessoas, quando parou abruptamente e se virou pra mim outra vez.
― Ah! Meu nome é Jace. ― Se apresentou de maneira amistosa.
Uma pessoa tão feroz e corajosa como ele deveria merecer um nome incrível e de forte personalidade, mas o nome dele é Jace? Bom... Quem sou eu pra julgar né? Meu nome é Anthonny Alexander Juanito Ecos Von Der Holstein Murray.
― Por que você está fazendo essa cara? ― Perguntou curioso se aproximando de mim.
― Nada, eu só pensei que o seu nome fosse diferente. ― Expliquei de modo automático, me arrependendo em seguida.
Eu e minha mania de falar asneira sem pensar. Parabéns Anthonny! Você está merecendo um Applause na cara.
― Você pode me chamar de Choi JongIn também, se você não concordar com meu apelido. ― Ele arqueou a sobrancelha, com um sorriso que eu não consigo descrever nos lábios.
― Eu prefiro Jace mesmo. Não é um apelido ruim, muito pelo contrário. ― Respondo com sinceridade e rapidamente. ― Eu só achei “diferente” devido sua aparência. ― Expliquei a tempo de vê-lo sorrir pelo canto de sua boca, satisfeito e feliz com o que eu disse. — Mas seu nome também é muito bonito. — Continuo sendo sincero.
— Obrigado. — Ele respondeu contente, sorrindo de maneira extrovertida.
Porra. Além de bonito e gostoso, ele é muito legal e simpático. Agora, mais do que nunca, eu invejo o Alemão por ter ele como veterano.
― Hey Jace. ― O idiota que é a razão pela qual eu vim para o terraço apareceu.
Fiquei um pouco surpreso porque eu não esperava que ele estivesse aqui, e eu ainda estava com raiva dele, o que me fez ficar quieto e simplesmente desviar o olhar para a vista do terraço. Com raiva? Sim! Mesmo sendo capaz de compreender e admitir que meus motivos são tolos, eu ainda estou com raiva dele.
Não há necessidade de vir aqui e ser amigável Piers Nivans, você é um idiota. Pena que eu tenha que ficar em silêncio e guardar tudo pra mim, já que você nem sabe o que eu penso de você.
― Ei Jace, você está flertando com esse tampinha atrevido? Eu aconselho você a repensar. ― Piers falou com um tom de desdém olhando para mim novamente. ― Sempre pensei que você tivesse bom gosto para escolher suas paqueras, mas aparentemente eu estava enganado. Que decepção. ― Alfinetou ao Jace, cruzando os braços, bancando uma pose de superioridade.
Oh deus, por que me abençoou com paciência e não com uma bazuca? Ela seria muito mais útil pra mim nesse momento...
― Não estou flertando, ele apenas está chateado e por isso estou aqui com ele para lhe fazer companhia. ― Jace respondeu despreocupado, sem se importar com implicância alheia.
Eu realmente o admirava agora, mais do que nunca. Ele não parece o tipo de pessoa que paquera, na verdade eu nem sei se ele realmente é gay ou se o Piers disse isso apenas por conta da intimidade que ele tem com o Jace.
O oriental é gentil, me entende, me defende e é uma ótima pessoa e olha que ele só conversou comigo por menos de cinco minutos. Ao contrário deste estúpido projeto de médico do segundo ano, que continua incomodando as pessoas sem saber o que ele fez.
Piers provavelmente ficou espalhando seu charme ao comprar os sucos para todas as Estrelas. Droga! Quantos rivais meus aumentaram hoje por conta disso? Isto é, como se eu realmente fosse um candidato a ficar com ele. Pensar nisso só me deixa ainda mais chateado e irritado.
― Eu recomendo que você pule do prédio, tenho certeza de que você não irá mais se sentir chateado. Eu posso até dar um empurrãozinho se você quiser. ― Piers falou pra mim, e então apontou para o parapeito do prédio, com um sorriso sarcástico nos lábios.
Ai que vontade de cometer um homicídio hoje...
― Ei Piers, não provoque o garoto desse jeito e deixe de ser um idiota. ― Jace bateu no ombro do loiro em repreensão.
Já passou... Mano esse Jace é foda pra caralho. Eu já disse que eu tô com inveja do Alemão?
― Enfim, a gente está pensando em sair para beber esta noite, você quer ir? ― O Astro do campus do ano passado perguntou despreocupado, mudando o assunto e desviando seu olhar de mim para olhar para o amigo.
― Claro, eu não vou perder isso por nada. Traga o Liam e o Trevor com você, eles precisam de um tempo livre dos estudos também. ― O oriental respondeu com empolgação.
― Foram eles que convidaram. ― Piers deu de ombros despreocupado.
― Eu realmente gosto de beber com você e a sua Gangue dos Quase Médicos Ilegais. ― Jace admitiu sorrindo.
Puta que me pariu, será que não tem nenhuma gangue neste Instituto com um nome decente? Bom... Pelo menos Gangue dos Quase Médicos Ilegais soa muito melhor do que Gangue dos Pôneis Malditos, ou seja lá o verdadeiro nome dessa porra.
Nota mental: Preciso pensar num nome bacana de uma gangue pra mim e pro Alemão.
― Espera até ver o que a gente faz com um bisturi depois de tomar o terceiro copo. ― Piers brincou com um sorriso divertido.
Qual é o problema desse povo? Isso lá é uma conversa de gente normal? Bem, quem sou eu pra falar alguma coisa né? Eu falo com o meu gato e ele ainda responde. Fora que minhas conversas com o Alemão são muito piores.
Essa é uma conversa na qual eu não participo, mas pelo menos há algo de bom nisso, porque eu descobri que Piers vai sair com os seus amigos esta noite, ou seja, ele vai encher a cara. Quem sabe eu não chame o Alemão para fazer o mesmo... Eu nunca bebi antes, ao menos não o suficiente para ficar bêbado e se o Astro do ano passado pode, por que eu também não posso?
― Qual é o problema desta vez? ― Piers estava parado na minha frente.
Mas que porra é essa? Que horas ele chegou perto de mim que eu não vi? Ainda me sinto um pouco triste. Ele ainda é a única razão pela qual eu me sinto triste, mesmo que ele nem saiba disso ou o porquê.
― Não é da sua conta. ― Respondo de maneira cética.
— WOW, eu poderia dormir sem essa Piers. — Jace alfinetou me fazendo segurar o riso.
O veterano do Alemão é demais!
― Seus pais pararam de lhe dar dinheiro? Ou seu namorado que é a Astro da Faculdade de Engenharia está traindo você? ― Um sorriso debochado brinca em seus lábios enquanto ele me pergunta.
― Como é que é? ― Indago exasperado, meu tom de voz mais alto do que o necessário ecoou junto com minha indignação.
― Aquele loiro que não desgruda de você não é seu namorado? ― Pediu confuso enquanto me encarava.
― Puta que me pariu, para de dizer asneira. O Alemão é o meu melhor amigo. Deixa de ser idiota. ― Reviro os olhos sem muita paciência.
Outro que pensa merda. Eu não mereço isso certo? Certo!
― Então, o que você está fazendo aqui? Procurando atenção? A sessão de fotos em grupo já vai começar. ― Piers cruzou os braços indiferente.
Vejo que Jace ainda está presente, escutando nossa conversa com curiosidade. Acho que ele também está surpreso com a maneira que eu trato o Piers, afinal não é todo dia que um calouro bate de frente com um veterano, ainda mais o que foi o Astro do Campus no ano anterior.
― Idiota! ― Murmuro com a real vontade de matá-lo.
Eu retiro minha carteira do bolso da minha calça e estendo uma nota de vinte para Piers que fica parado olhando para a mesma com cara de imbecil.
― O que é isso. ― Perguntou sem entender.
― Uma nota de vinte, está cego? ― Devolvo com sarcasmo.
― Isso eu sei, quero saber por que você está me dando ela. ― Explica ainda sem pegar a nota.
― Isso é pelo Romeu e Julieta de hoje mais cedo. ― Dou com os ombros.
― Não precisa me pagar. ― Piers continua olhando para o dinheiro na minha mão, mas não aceita.
― Pega logo a merda do dinheiro cacete. ― Peço irritado.
― Qual o problema? Não gosta de coisas grátis? ― Falou ele com a voz debochada.
― Não é isso. ― Fingi indiferença.
― Então, o que você não gosta? ― Perguntou curioso.
― Eu não gosto de ficar devendo nada a ninguém. Além de que não temos nenhum tipo de amizade ou intimidade para que eu aceite alguma coisa vinda de você. ― Respondo tentando soar o mais convincente possível, mas se deu certo a história é outra.
― Apenas beba o suco, todo mundo também bebeu. Não se preocupe com isso. ― Piers deu com os ombros.
― Eu não sou como todo mundo e nem quero ser. ― Ô desgraça! Por que demônios eu disse isso em voz alta?
Puta que pariu.
Piers olhou para mim com um olhar vazio, provavelmente tentando processar o que eu disse e entender. Espero que ele não consiga pelo amor de Caine.
― Você é a pessoa mais estranha que eu já vi. ― Ele fala depois de um tempo em silêncio. — E olha que eu já vi muita gente estranha. — Completou em seguida.
Nem perco meu tempo respondendo, afinal a gente só acabaria brigando novamente. Não estou nem um pouco feliz com tudo isso, mas ficar em silêncio é a melhor solução. Se eu cagar ainda mais, a situação pode ficar irreversível.
― Volte logo. Não deixe outras pessoas esperando por você. Você tem que levar o concurso a sério se quiser manter a sua palavra de não ser desclassificado. ― Piers disse enquanto me dava as costas.
― Pegue o seu dinheiro primeiro. ― Insisto me aproximando dele novamente e esticando a nota em sua direção outra vez.
― Fique com ele para comprar um sorvete. ― Ele sorri, porém não tinha uma expressão humorada em seu rosto. ― Considere isso como um tratamento especial que mais ninguém tem, está satisfeito agora? Senhor que quer ser mais especial que os outros... ― O filho da puta está sendo irônico eu sei, mas mano do céu...
Eu não sei o que dizer, só sei o que sentir.
Fiquei espantado com a atitude desse idiota, mas não vou fingir que não gostei. Ao ver que eu não o provoquei ou lhe dei resposta alguma, Piers sacudiu a cabeça levemente e se afastou acenando pra mim. Por que eu fiquei tão feliz quando ele falou desse jeito?
Deve ser porque eu sou trouxa, é, só pode ser isso.
― Você é estranho, sabia?. ― Jace diz para mim com um sorriso descrente. O pior é que ele tem razão... ― Gatinho pra caralho, mas estranho. ― Continuou em seguida voltando para o salão, porém não antes de me dar um aceno de despedida e um belo sorriso.
Meu querido eu já fui chamado de coisa pior, acredite ser chamado de estranho é lucro. Mas sou capaz de admitir que eu sou estranho, embora o Alemão seja mais.
E por falar em Alemão…
Y a mucha honra
María la del barrio soy
— Já to voltando Alemão… — Atendi já respondendo o mesmo, prevendo o que ele me diria.
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