Notas iniciais
Aqui está o capítulo novo. Espero que gostem e por favor, não deixem de comentar, pois é o que me incentiva :/

Anthonny Point of View...

Ao decorrer da vida, várias perguntas surgem na cabeça dos seres humanos. Alguns perguntam qual o seu propósito, outros se questionam sobre a origem da vida e tem aqueles que possuem uma enorme variedade de dúvidas que nem sabem o que perguntar...

Aí vocês podem estar se indagando sobre as minhas perguntas, certo? Bem... Eu tenho muitas, é fato, porém a principal que está martelando a minha cabeça nesse momento é:

ONDE É QUE EU FUI AMARRAR O MEU ALEMÃO, OU SEJA, MEU JEGUE?

Nesse exato momento, eu estou sentado numa cadeira de barbearia, aqui mesmo no shopping em que eu e o Alemão estávamos comendo, de frente para um espelho enquanto aguardo ansioso o cabeleireiro mostrar um catálogo de cortes para meu melhor amigo, pois é ele quem está escolhendo o meu corte, o que não faz sentido algum, já que a droga do cabelo é meu e eu nem cortar ele quero.

DETALHE: Por algum motivo que eu não entendo e sinceramente não quero entender, ele está dançando em frente ao espelho e fazendo diversas caras e bocas ao mesmo tempo que olha o catálogo…

Pergunta do capítulo: O que essa desgraça que eu chamo de melhor amigo tem na cabeça? Pão de batata?

Mas enfim, voltando ao meu cabelo, pois é o que realmente o que importa...

Eu demorei anos para conseguir deixar o meu lindo cabelo crescer e cuido dele com o maior carinho. Ele já passou a altura dos meus ombros, num estilo surfista hippie, mas ainda assim eu gosto dele do jeito que é.

— Eu vou querer este aqui. — Consigo ver o Alemão apontando para a revista com um sorriso satisfeito nos lábios.

Ele está tentando levantar a perna na cabeça como uma bailarina? Socorro!

— Excelente escolha. Seu namorado ficará muito bonito com esse corte de cabelo. — O rapaz que vai fazer o corte anuiu a cabeça, mesmo sem entender o que diabos aquele projeto de aborto estava fazendo.

Mas vamos ao foco do assunto:

Eu não sei qual é o problema do Alemão... Todas as vezes que alguém diz que somos namorados, esse filho de uma quenga apenas da risada, porém não desfaz o mal-entendido. Sempre sobra pra mim essa tarefa, já que esse corno não se incomoda nem nada do tipo.

Como agora...

— Não somos namorados. — Suspiro por ter que explicar isso, já que o Lucas não se dá ao trabalho. — E eu posso ver qual foi o corte? — Peço curioso, porém esse loiro imbecil negou com a cabeça.

— Não. É uma surpresa, mas pode confiar em mim que você ficará show. — Respondeu empolgado.

Lembram que no capítulo passado eu disse que confiava a minha vida nas mãos desse corno? Posso tirar o cabelo do pacote? Talvez até ganhe um desconto com isso.

— Tomei no cú! — Suspiro me sentindo cansado.

— Relaxa o Astolfinho Thonny. Tá comigo é tá com Deus. — Se gabou sorrindo.

— Só que não. — Reviro os olhos.

Eu confio no Alemão e os motivos foram explicados no fim do capítulo anterior, mas isso não significa que eu não tema por suas ações e escolhas, pois como eu também disse, ele não fará nada que me chateie ou machuque propositalmente, mas se eu for depender do gosto dele para escolher o meu corte de cabelo... Eu estou fodido.

Vamos tentar pensar positivo… O cabelo dele é bonito, então talvez isso dê certo, né? Né? NÉ?

Né não...

— Pode desfazer essa cara Thonny, você concordou. — Ele comenta ao ver a minha expressão de descontentamento, porém não consigo controlar o meu rosto. É mais forte do que eu.

— Concordei mesmo ou fui obrigado a concordar por causa de chantagem emocional barata? — Replico olhando-o pelo espelho, onde o mesmo está dando com os ombros para o que eu disse.

— Agora não tem mais volta, de qualquer maneira. Então relaxa o Astolfinho e aproveita. — Respondeu empolgado.

— Vai dar tudo certo. O seu NÃO namorado escolheu um corte legal. — O cabeleireiro falou sorrindo.

— Antes de vocês começarem, eu preciso colocar uma música que representa esse momento. — Lucas avisou mexendo em seu celular, procurando a tal música.

Eu não preciso dizer que lá vem merda, né? Né!

A música que essa decepção de clitóris escolheu foi Love by Grace, a mesma que tocou naquela novela em que a Carolina Dieckmann raspou o cabelo e ficou careca, o que me deixa ainda mais nervoso.

— Alemão, eu estou confiando em você, por favor... — Eu inicio com desespero, porém antes que eu terminasse a frase, ele me interrompe com um sorriso reconfortante.

— Thonny, se acalma. Confia em mim. — O pior é que esse filho da puta consegue me tranquilizar, pelo menos um pouco. — E outra coisa, me dê os seus óculos e feche os olhos. — Pediu estendendo sua mão para que eu lhe entregasse a armação em meu rosto.

— E pra que eu tenho que fazer isso? — Indaguei um pouco confuso.

— Os óculos porque irão atrapalhar o trabalho do moço, e os olhos é para manter a surpresa. — Respondeu sorrindo.

Ai meu cú. Alemão, eu juro que se eu abrir os olhos e estiver careca o meu objetivo de vida vai se transformar em tornar a SUA vida num inferno!

Mesmo não querendo, fiz o que ele me pediu. Entreguei meus óculos para ele e depois fechei meus olhos. Os únicos sons que eu escutei depois disso foram o da música de fundo e a tesoura cortando o meu lindo cabelinho. A droga da canção estava no Repeat e eu até perdi as contas de quantas vezes seguidas ela foi reproduzida. Num determinado período, um barulho fez meu coração saltar uma batida errada... O cabeleireiro iria usar uma máquina para cortar o meu cabelo.

Eu só sei que eu estou rindo de nervoso, pra não chorar de desespero.

A vontade de abrir os olhos é grande, mas o Alemão pediu para que os mantivesse fechados. Esse corno me conhece bem o suficiente para saber o que eu estava prestes a fazer.

Eu não sei dizer quantos minutos eu fiquei de olhos fechados escutando a merda da música e o barulho da maquininha. Eu já estou sentindo o sono chegar e se apossar do meu corpinho e isso definitivamente não seria nada legal.

Mais um tempo se passou e o rapaz desligou a maquininha. Eu senti a cadeira girando, provavelmente o cabeleireiro está me virando de frente pra ele. Não demorou muito, eu senti um creme gelado no meu rosto, o que me deixa assustado, obviamente, porém eu consigo entender do que se trata... Ele está fazendo a minha barba, se é que eu posso chamar esses projetos de “pelos de bunda” de barba.

— Já terminei. — O cabeleireiro avisou, onde eu senti a cadeira se virando novamente.

— Já posso abrir os olhos? — Pedi inseguro.

— Espera um momento. Eu tenho que colocar uma música antes. — Lucas explicou. Eu consigo sentir a diversão em sua voz, o que me deixa muito puto já que ele está se divertindo às minhas custas.

Filho da puta.

Não demorou muito para que a música que esse puto escolheu preenchesse o ambiente, e acreditem... Ô musiquinha desnecessária.

Quero te dar, quero te dar

Quero te...

Quero te...

Quero te dar, quero te dar

Quero te dar

Dá dá dá dá dá dá dá dá dá dá

Porra Alemão, assim não tem como te chamar de hétero cacete, apesar de que nunca teve mesmo, então nada novo sob o sol...

— Desliga essa merda de música seu idiota. — Falo sentindo meu rosto ferver.

— Abre logo os olhos Thonny. — Escutei o tom divertido em sua voz enquanto ele pedia.

A imagem que eu vi no reflexo do espelho me surpreendeu. Nunca na minha vida eu diria que o que eu estou vendo é o meu reflexo. Meu cabelo está curto nas laterais, porém em cima ele permanece com um tamanho considerável, porém ainda muito menor do que estava antes. Minha barba não foi completamente retirada, apenas “desenhada” deixando meu rosto com uma aparência mais séria e até mais velha.

Eu tenho que admitir... Ficou bom.

— O que achou? — O cabeleireiro pergunta orgulhoso do seu trabalho, porém não sei o que dizer. Eu ainda estou chocado.

— Ficou lindo. Eu pegaria. — O Alemão respondeu compartilhando o mesmo sentimento de orgulho que o rapaz ao meu lado.

— Cala a boca Lucas. — Digo sem graça.

— Eu disse que você ficaria bem, agora seja sincero: O que você achou? — Ele me perguntou curioso.

Eu dou novamente uma encarada no espelho, analisando a minha imagem e não consigo deixar de esboçar um sorriso satisfeito.

— Eu gostei. — Respondo convicto, aumentando ainda mais o seu sorriso. — Obrigado. — Complemento em seguida.

— Tudo bem, agora vamos que ainda temos que mudar as suas roupas e fazer uma depilação nesse seu Astolfo. — O Alemão comemora, me puxando da cadeira para que eu fique em pé.

— Não abusa. — Reviro os olhos.

— Qual é o abuso? As roupas ou o Astolfo peludo? — Perguntou de maneira divertida.

Mano? Qual é o problema desse garoto? O cabeleireiro está rindo da minha cara por conta das merdas que esse idiota está falando.

— Vai tomar no cú Alemão. — Saio do local, esperado do lado de fora da porta, enquanto o idiota está pagando o cabeleireiro.

# # # # # #

Novamente eu me pergunto onde é que eu fui amarrar o meu burrinho, pois não é exagero quando eu digo que estou a mais de três horas provando várias peças de roupas diferente.

O Alemão disse que iria reformar todo o meu guarda-roupas. Eu estou praticamente provando toda as roupas da sessão masculina do estabelecimento e tem duas vendedoras encarregadas da tarefa de me vestir decentemente. Coitadas, o Alemão está fazendo elas correrem igual baratas tontas de tanto vai com roupa e volta com roupa. Pelo menos elas receberão uma excelente comissão com a venda.

Pra melhorar o meu dia, acrescentando uma carga extrema de ironia, as roupas que o Alemão está escolhendo são minúsculas. Eu preciso passar manteiga no meu corpo para que as peças caibam.

— Deixa de ser fresco Thonny, é pra realçar esse seu corpinho. — Foi o que ele disse quando eu reclamei.

Eu vou realçar um murro na cara desse arrombado.

Em nenhum momento o Alemão me viu enquanto eu provava as roupas. Eram sempre as duas vendedoras que checavam e aprovaram. Foi eu quem estabeleci isso, já que se dependesse do Lucas, eu andaria como uma vadia igual a ele e antes que me perguntem eu não tenho nada contra, apenas não faz o meu estilo.

Depois de mais uma hora ter passado comigo trocando de roupas igual a um condenado, onde já havia sido separado dois carrinhos lotados de roupa, eu finalmente provei a última peça, peça essa que seria a que eu iria vestido pra casa, já que o Alemão se recusava que eu saísse sem o meu novo visual.

E até faz sentido já que eu me recuso a voltar pra casa com a camisa que ele rasgou na praça de alimentação.

Eu não vou mentir e dizer que essa experiência está sendo desagradável, afinal compras no Shopping são sempre animadoras, porém está tudo exagerado demais, mas o que esperar de alguém como Lucas Hadley, vulgo Alemão.

— Está pronto pra sair Thonny? Ainda temos que passar no Sexy Shop. — O filho da puta gritou do lado de fora da cabine.

A vendedora está nesse momento olhando pra minha cara e segurando pra não dar risada.

— Seu namorado é espontâneo né? — Ela comenta sorrindo.

— Ele não é meu namorado. — Respondi sem graça. — É um corno filho da puta. — Continuei.

— Eu estou ouvindo Anthonny. — Lucas gritou de fora da cabine, sendo possível identificar o humor em seu tom de voz.

— O que caralhos a gente vai fazer no Sexy Shop? — Pergunto confuso.

— Comprar vibradores. — Respondeu com ironia. Filho de uma puta, de novo. — Vamos comprar cuecas, pois as que você usa parecem as do meu avô de tão velhas que são. — Explicou.

Mano... Ele tinha que falar alto dessa forma?

— Idiota. — Suspiro frustrado.

Eu sei que eu já deveria estar acostumado com as vergonhas que o Alemão me faz passar, porém ele sempre me surpreende com algo novo, ou melhor, uma vergonha nova.

Eu tenho que mudar minha fala quando o Alemão me chama pra sair e em vez de perguntar “onde a gente vai” eu vou começar a perguntar “que lugar você vai me fazer passar vergonha hoje”.

— Vai sair ou não Thonny? — Insistiu.

— La vá. — Concordo ansioso.

Um... Dois... Três...

Comecei a caminhar lentamente para fora do cubículo, com o olhar atento do Lucas sobre mim. Ele está com os olhos arregalados, mandíbula caída e sem piscar enquanto fica me encarando de cima a baixo.

— Eu estou tão estranho assim? — Pergunto sem graça, desviando meu olhar para o chão.

— Caralho Thonny, como tu tá gostoso! — O loiro gritou eufórico.

— Lucas, menos por favor. Que exagero. — Suspiro com um sorriso envergonhado, olhando para o enorme espelho do meu lado.

— É sério Thonny, eu não estou brincando. Eu te pegaria. Meu pau até tá duro olha. — Explicou apontando para a sua calça, e por incrível que pareça tanto eu quanto as vendedoras olharam para conferir.

Merda. estava duro mesmo.

— Alemão... Heterossexual, lembra? Gostar de mulheres? Sou homem... Preciso explicar como funciona? — Suspiro segurando para não rir.

É como eu disse antes: Predominantemente Heterossexual, embora Homossexual com frequência… E bota frequência nisso!

Por incrível que pareça, não tinha espelho no provador em que eu estava. O Alemão pediu para que o mesmo fosse retirado para que eu não ficasse me olhando, pois assim começaria a colocar defeito nas roupas, já que as mesmas não eram como as que eu estava acostumado a utilizar. Por isso ao olhar para o espelho ao meu lado, eu fiquei surpreso com o que vi...

Eu estou bonito. Estou me sentindo bonito. Embora essas roupas sejam minúsculas, elas até que se ajustaram bem ao corpo que, no caso, eu nem sabia que era tão bonito assim e o corte de cabelo ajuda para que o pacote seja completo.

— Você consegue ver esse cara bonito, gostoso, inteligente e simpático? — Lucas chegou atrás de mim, e apontou para o reflexo no espelho. — Sou eu atrás de você. — Brincou fazendo com que eu revirasse os olhos. — Estou brincando Thonny, você está maravilhoso.

— Obrigado. — Agradeço com sinceridade, olhando-o e sorrindo.

# # # # # #

Estamos novamente andando pelo shopping, com o diferencial de que agora o Alemão e eu estamos carregando oitenta e quatro sacolas com todas as roupas que ele comprou pra mim. O Alemão está olhando para todas as lojas com curiosidade, e eu tenho até medo de perguntar o que ele está procurando.

— Por que a gente não vai pra casa? Estamos andando um tempão e o meu braço já está doendo de tanto ficar carregando peso. — Pergunto soltando um suspiro cansado, porém ele nem se deu ao trabalho de olhar em minha direção pra me responder.

— Estamos caçando um sexy shop. Eu tenho quase certeza de que tem algum por aqui. — Explicou pensativo. — Você acredita que eu nunca fui num sexy shop? Sempre tive curiosidade de saber como é. — Comentou empolgado.

Socorro Sem Or, me ajude a passar por esse mico e ainda me sobrar ao menos um pouco de dignidade.

— E o que demônios a gente vai fazer no sexy shop seu cabaço? — Reviro os olhos sem muita paciência.

— Eu já te disse que a gente vai comprar umas cuecas novas pra você, porque essas que você usa, meu caro amigo, não tem condições. — respondeu finalmente olhando pra mim.

— E tem que ser num sexy shop? Tem diversas lojas que vendem cuecas nesse lugar. — Questiono confuso.

— Como eu também disse, eu nunca fui num sexy shop. Assim a gente mata duas pombas com um único tiro. — Deu com os ombros indiferente.

Que horror! Coitada da pomba.

— Isso lá é expressão que se use Alemão? Pelo amor de Caine. — Repreendo sério.

— Qual é Thonny, ninguém gosta de pombo mesmo. — Falou revirando os olhos. — Ele é uma espécie de rato que voa. Só serve pra cagar e trazer doença. — Implicou com ênfase.

— Que seja. — Suspiro, afinal esse diálogo não é o auge do meu dia.

Continuamos caminhando mais alguns minutos em silêncio, onde meus braços imploraram por descanso. Estava prestes a fazer outra reclamação com o Alemão, quando meu celular tocou, me fazendo querer reclamar ainda mais com ele.

Diga aonde você vai

Que eu vou varrendo

Diga aonde você vai

Que eu vou varrendo

Vou varrendo, vou varrendo

Vou varrendo, vou varrendo

— Onde caralhos você encontra esse tipo de música pra por como o meu toque de celular? — Indago indignado.

— Sei lá. — Respondeu rindo da minha cara. — Mas admita, é um clássico! — Se vangloriou pelo seu feito.

Olhando para o visor, vejo que é meu pai Rubens quem está me ligando. Ele provavelmente deve estar preocupado porque eu estou há horas fora de casa.

— Oi pai. — Saudei sorrindo.

— E aí filhote! Está tudo bem? — Indagou num tom de voz alegre.

— Tudo numa boa. — Respondo dando com os ombros, mesmo sabendo que ele não veria.

— Oi "Tio Pai do Thonny". — O Alemão gritou do meu lado de maneira espontânea e eu até escuto meu pai rir.

E sim, é dessa maneira que o Alemão chama tanto meus pais quanto minhas mães, que no caso é “Tia Mãe do Thonny”.

Sabendo que meu pai provavelmente responderia, eu já coloquei a ligação no viva voz, afinal era muito mais fácil do que eu ficar falando o que um disse para o outro.

— E aí Lulu, o que você e meu filhote estão aprontando? — Perguntou entusiasmado.

— É uma surpresa "Tio Pai do Thonny", mas eu prometo que vocês vão adorar. — O loiro respondeu convicto.

— Mal posso esperar então. Enfim... Filho, eu te liguei para avisar que eu e o restante da família estamos muito orgulhosos de você. Eu sabia que você passaria. — Meu pai falou me deixando confuso, afinal eu não havia contado sobre a faculdade ainda.

— E como é que o senhor ficou sabendo? Eu queria fazer surpresa hoje no jantar. — Indaguei curioso, porém logo percebi meu melhor amigo segurando a risada do meu lado.

Típico. Só podia ser culpa desse aloprado.

— Eu li no Twitter do Lulu. — Respondeu simplesmente.

— Tinha que ser. — Suspiro já conformado. — E por que você segue o Alemão no Twitter? — Questiono com curiosidade.

— Ele posta coisas divertidas e ele já tem milhares de seguidores. Não vi problema em seguir também. — Meu pai respondeu empolgado.

— Pai eu preciso... — Antes que eu pudesse dar continuidade em minha frase, o Alemão atropelou minhas palavras se pronunciando.

— "Tio Pai do Thonny", ele vai ter que desligar agora porque a gente tá indo no Sexy Shop. A gente se vê mais tarde.

— Mas o que vocês... — Antes que meu pai perguntasse o que provavelmente seria "o que vocês vão fazer num sexy shop", o Alemão desligou a ligação e guardou meu celular em seu bolso.

Antes que eu pudesse ter a chance de protestar, o Alemão segura no meu braço, da maneira que ele conseguiu já que tanto eu quanto ele estamos carregando oitenta e quatro sacolas, e começa a me puxar em direção à loja auto intitulada "Ninfa Sexy Shop".

O letreiro em néon azul com cor de rosa brilhava sobre o lugar deixando-o bem chamativo. Não tinham muitos clientes circulando pelo local, que era enorme com diversos corredores com suas categorias.

— Olha o tamanho daquilo ali. — O Alemão gritou, nenhum pouco discreto, apontando para algum lugar aleatório que eu não vi qual é, afinal eu estava ocupado demais tentando cavar um buraco para enterrar a minha cabeça. — É sério Thonny, se alguém enfiar aquilo no Astolfo, a pessoa não anda nunca mais.

— Do que é que você está falando seu demente? — Eu olho em volta tentando entender do que se trata.

— Daquele Passarinho de brinquedo gigante que está ali na parede. — Respondeu num tom óbvio, apontando para o item em questão.

Meus olhos, nesse momento, seguiram a direção que o dedo do Alemão apontava para tentar entender o que estava acontecendo. Ao finalmente encontrar o item em questão, eu sinto meu rosto esquentar pela vergonha e para piorar eu constato que o povo, que pela graça dos deuses não eram muitos, que estavam próximos à gente e que assistiam ao escândalo do meu melhor amigo estavam rindo de toda essa situação.

Puta que me pariu. Custava eu passar por essa provação divina sem passar por nenhum tipo de vergonha ou constrangimento? O que eu fiz pra merecer isso? Coloquei chiclete na tábua dos dez mandamentos? Fiz Pole Dance na cruz? Vomitei na santa ceia? Seja o que for, eu imploro perdão!

— Ô seu animal... — Repreendo lhe dando um tapa em sua nuca, fazendo-o me encarar assustado enquanto tentava esfregar o local da pancada, sem sucesso já que a quantidade de sacolas atrapalharam a ação. — Aquilo é um extintor de incêndio, decepção de clitóris! — Continuei antes de seguir meu caminho pra dentro da loja, com ele no meu encalço.

— Precisava agredir? — Pediu de maneira manhosa.

— Porra Alemão, não estamos nem há um minuto no lugar e tu já e faz passar vergonha? — Exasperei emburrado.

— Qual é Thonny, foi um errinho bobo. Qualquer um pode cometer esse engano… — Ele respondeu manhoso conseguindo fazer malabarismo com as sacolas para acariciar a cabeça.

É sério isso produção? Tipo… Sério mesmo?

— Eu não vou falar nada. Vê aí o que você vai comprar que eu já volto. — Respondo conformado, dando as costas para ele.

— Onde você vai? — Indagou curioso ao mesmo tempo que confuso.

— Além de fingir que não te conheço e ficar o mais longe o possível de você? — Reviro os olhos sem humor.

— É sério Thonny, eu preciso que você esteja ao menos próximo de mim para aprovar as cuecas. — O Alemão pediu num tom óbvio.

— Eu vou estar perto. Tá vendo aquele cantinho ali? Só finja que eu não estou lá e que eu não te conheço que está tudo certo. Ainda estamos pertos um do outro e você não me faz passar vergonha. — Digo apontando para o local em questão.

— Qual é Thonny… — Ele insiste fazendo uma cara de chateado.

Puta que pariu, mais que merda de chantagem emocional…

— Vou só ligar para o Kyle e pedir pra ele trazer o carro e me ajudar a guardar essas sacolas. — Explico ao que ele assente agora mais feliz.

Deixo o Alemão no Sexy Shop enquanto ligo para o Kyle, um dos funcionários da minha família, pedindo para que ele venha me buscar no Shopping. Não demorou muito para que ele chegasse e me ajudasse a guardar todas as trocentas sacolas no porta malas do carro, ao mesmo tempo que comentava o quanto eu estava diferente e que ele não tinha me reconhecido de primeira.

Pelo jeito eu vou ter que me acostumar a ouvir isso, mas ao menos me parece ser algo legal de se acostumar, diferente de se acostumar a passar vergonha com o Alemão. Estou no lucro afinal.

Depois de guardar todas as sacolas que estavam comigo e pegar as que estavam com o Alemão, eu pedi para que Kyle aguardasse no estacionamento do Shopping, pois conhecendo o Alemão sei que ele ainda vai comprar mais uma caralhada de coisas e eu não estou afim de ficar carregando mais sacolas pra cima e pra baixo.

Podem me chamar de Burguês Safado, eu deixo. Mas lembre-se que é tudo ideia do Alemão e que o dinheiro está saindo do bolso dele…

Não sei quanto tempo eu demorei guardando as coisas no carro com o Kyle, mas tenho quase certeza que não demorou nem quinze minutos o que me deixa ainda mais perplexo, pois quando eu voltei para o Sexy Shop encontrar o Alemão, o mesmo estava com dois carrinhos completamente cheio de mercadorias e um terceiro pela metade enquanto ele continuava jogando coisas dentro dele para encher ainda mais ao mesmo tempo que dois atendentes estavam ao seu lado lhe dando dicas de qual é o melhor produto da categoria.

— Hey Thonny, que bom que você voltou. — O loiro comemorou empolgado. — Você não vai acreditar nas coisas que eu comprei pra você. — Continuou em seguida.

Como assim gente? A gente não veio comprar só cuecas? Por que tem três carrinhos cheios? Tá certo isso produção?

— Seu namorado tem muito bom gosto. Tenho certeza que você vai adorar os presentes dele. Vão levar a relação de vocês à outro nível. — Uma das atendentes que estava com meu amigo falou com um sorriso cordial, o que me deixou ainda mais confuso.

— Oi? — É a única coisa que eu consigo dizer, tentando criar coragem para olhar o que esse cabaço colocou na merda dos carrinhos.

Vamos lá… E seja o que Odin quiser.

Tem cuecas ali, isso é bom… Tudo bem, aquilo são Jockstraps… Inusitado, mas é bom pra quem quer bronzear só a bunda, certo? Certo… Posso conviver com isso. Tudo bem, aquilo ali é um kit lubrificante, mas vamos fingir que é pra fazer massagem… Quem não gosta de massagem com lubrificante de pimenta?

Eu não gosto.

Tudo bem, continuando… Aquilo são aproximadamente trinta DVDs pornôs. Esse cara nunca ouviu falar em XVideos? E por que tem uma coleira de cachorro nessa merda? Sinceramente… Prefiro não saber.

Vamos para o segundo carrinho, quem sabe melhora né?

Tem uma sunga de elefantinho e eu prefiro nem perguntar pra que diabos ele comprou isso, então vamos pro próximo. Tá bom, por que tem uma algema no carrinho? Aquilo alí é um boneco inflável? Por que demônios tem uma fantasia de couro de diabo nesse carrinho? E o que aquele consolo com formato de punho está fazendo alí?

Tomara que seja um peso de papel… É, é isso.

Ai minha nossa senhora das bicicletas cor-de-rosa com cestinha! É sério que ele comprou o extintor de incêndio? E por que tem cordas e chicotes junto?

Chega! Eu não quero nem ver o que tem no terceiro carrinho.

Tudo bem Odin, já que tu não mandou benção e proteção, pode me mandar um raio direto na cabeça. Obrigado.

— Moça, isso deve ser algum engano. — Respondi com um sorriso amarelo, tentando manter a compostura. — Eu entrei na loja errada. — Abaixei a cabeça e saí de fininho.

— O que foi Thonny, não gostou? — O Projeto de aborto perguntou confuso.

É sério Alemão? Tipo… Sério mesmo?

— Thonny? O Senhor deve estar me confundindo. Meu nome é Vladislau! — Respondi sem nem encará-lo.

Antes que me perguntem, eu não faço ideia do porquê eu ter escolhido esse nome...

Meu suposto melhor amigo ficou me chamando, mas eu fingi demência e fiz a Egípcia. Eu não volto naquela loja nunca mais. Na verdade eu estou pensando seriamente em nunca mais voltar nesse Shopping. Se bobear eu nunca mais volto nesse Estado.

Isso mesmo, vou mudar de identidade e vou embora do Acre, pois é só nesse lugar que essas coisas acontecem.