Um Romance NADA Romântico
2 No Shopping com o Alemão
Notas iniciais
Anthonny Point of View...
Atualmente… Janeiro de 2020
Nesse momento eu estou na casa dos pais do Alemão, meu melhor amigo. Está um calor desgraçado de quente e o ar condicionado do quarto dele, para piorar, está quebrado.
White Gay Problems!
A única coisa que ele tem aqui que me ajuda nesse momento é um ventilador de teto barulhento que não faz o que deveria ser a sua principal função: Ventilar!
O Alemão, vulgo Lucas, está no banheiro e eu estou a mais de uma hora esperando aquele arrombado terminar o banho pra gente poder sair. Nós combinamos de ir ao shopping comer alguma besteira enquanto conversamos futilidades, coisas de sempre, e ele me pediu um “só vamos em casa primeiro, pra eu tomar um banho rapidinho e aí a gente vai” e cá estou eu a quase duas horas fazendo um monte de nada enquanto aquele maldito toma banho.
— Ô desgraça, será que dá pra demorar mais? — Gritei batendo repetidamente na porta, porém o filho da puta não me ouviu ou então fingiu que não.
Corno do caralho.
Eu consigo ouvir daqui a música que ele está ouvindo... Bad Romance da Lady Gaga. E o cretino está cantando ainda por cima, ou tentando já que não está dando muito certo. Socorro!
Se eu não o conhecesse, eu nunca acreditaria que ele é hétero. Na verdade, mesmo conhecendo ele desde os cinco anos de idade eu me pergunto se ele realmente é... Enfim, eu até inventei um termo pra isso: Predominantemente Héterossexual, embora Homossexual com frequência… E bota frequência nisso.
Um pouco mais de vinte minuto se passou e ele finalmente abriu a porta. Uma enorme nuvem de vapor saiu do banheiro e ele junto, com um sorriso no rosto e rebolando ao som de Like a Virgin. Esse filho da puta está PE-LA-DO! Ai minha nossa Zaynhora.
— Cobre essa desgraça de pinto Alemão. — Eu fecho os olhos e viro de costas sentindo meu rosto queimar de vergonha, o que eu já deveria estar acostumado, pois essa não é a primeira e provavelmente não será a última vez que ele faz isso.
— Qual é Thonny, não é nada que você já não tenha visto nesses longos anos de amizade que a gente tem. — O puto comenta tranquilamente. — Fora que é um privilégio me ver nu. Várias garotas matariam por isso. — Ele continua em seguida. — E garotos também. — Adicionou com um sorriso sínico.
— Sinceramente não sei quem são esses doidos, mas não sou um deles, amém! — Respondo óbvio fazendo. — Coloca a porra de uma toalha no corpo ou veste logo a merda de uma cueca e para de cantar pelo amor do vale. — Pedi começando a me sentir irritado.
Maldito. Lá vem a primeira pergunta do dia, que eu pergunto quase todos os dias: Por que eu sou amigo do Alemão mesmo?
― Você tem que comprar uma pilha nova para o seu vibrador ou então arrumar um macho com o passarinho grande de uma vez amigo, pois só assim para você deixar de ser esse chato estraga prazeres. ― Lucas soltou com ironia, onde eu não consegui deixar de revirar os olhos.
— E o que o fato de você cantar mal tem haver com a minha falta de rola? Na verdade, eu nem posso chamar o que você tenta fazer de cantar já que parece que tem uma gralha agonizando na sua garganta e toda vez que você abre a boca, ela implora por socorro. E para de ser desaforado, que eu não estou precisando de macho. — Respondi dando de ombros.
— Sei… — Consigo sentir a ironia em sua voz e, mesmo estando de costas pra ele, o conheço o suficiente para saber que ele revirou os olhos.
— Por que você demora tanto no banho? Ninguém fica duas horas se masturbando cara. Você precisa ir com urgência num médico e depois num psiquiatra. Tenho um ótimo pra te indicar. — Me viro de frente pra ele novamente, depois de constatar que ele estava com uma toalha enrolada na cintura e que suas partes íntimas estavam cobertas.
― Em primeiro lugar, vai tomar no seu Astolfo Thonny porque eu canto bem sim. Em segundo lugar, eu estava treinando meu pirocóptero. — Ele deu de ombros. — Aquela menina que eu estou saindo disse que sabe fazer anal giratório, então eu tenho que estar preparado. — Explicou.
— É o quê? — Questionei confuso, mas sinceramente… Acho que prefiro nem saber. — Esquece, deixa pra lá. — Pedi desistindo de entender.
Por favor, não joguem isso no Google, vai por mim...
— E em terceiro, Eu preciso fazer todo o meu ritual e ele não pode ser quebrado. ― Esse vadio está me olhando com desdém.
Alguém me segura que eu vou meter a minha mão na cara dele.
— Ritual? Do que você está falando Alemão? — Como assim gente, tem ritual pra descabelar o palhaço?
― Eu tenho que tomar banho e enquanto a música Barbie Girl toca, a da Kelly Key só para deixar claro, onde eu deixo e shampoo e o sabonete marinar no meu corpinho lindo. Depois disso, a música Rehab da Amy Winehouse começa a tocar que é quando eu me enxaguo para tirar toda a espuma. Em seguida eu tenho que me secar ao som de Bad Romance da Lady Gaga e tenho que passar o meu Monange em TUUUUUUUUDO isso enquanto está tocando Im Too Sexy For My Love e deixar marinar mais um pouquinho. ― Enquanto ele falava, ele gesticulava deslizando suas mãos pele seu abdómen até sua pélvis ao dizer “Tudo isso”, me deixando ainda mais envergonhado. Vergonha alheia, só pra deixar claro.
Pelo menos o ritual não é de masturbação, embora eu sei que ele passa Monange até no pau dele.
― Isso não é muito... ― Fui interrompido pelo bastardo que continuou.
― Eu ainda não terminei. ― Ele ralhou sério. ― Depois eu tenho que tirar o excesso de hidratante e me pentear ouvindo Like a Virgin para finalmente terminar a primeira parte do processo. No final eu visto minha roupa ao som de Satisfaction e depois de pronto, eu simplesmente saio desfilando ao som de Crazy in Love da Queen Bey. ― O idiota sorriu ao explicar.
Eu imagino o quão absurdo deve vir a conta de água nessa casa… Coitado do meio ambiente gente.
— Você tem certeza de que você é hétero? — Reviro os olhos com ironia. ― Eu tenho certeza absoluta de que nada disso é necessário. ― Continuei.
― Eu preciso de tudo isso para ficar maravilhosamente lindo meu amigo. ― Ele deu de ombros. — E eu não preciso te explicar que vaidade não tem nada a ver com sexualidade. — Continuou em seguida.
― Eu fico apenas com o ‘bonito’, se você demorar metade do tempo e principalmente parar de cantar. ― Suspiro cansado.
— Você me acha bonito Thonny? — Ele brincou já sabendo a resposta.
— Você sabe que eu te acho bonito seu imbecil. Pra que perguntar o óbvio? — Respondo lhe mostrando o dedo médio.
— Apenas pra inflar o meu ego. — Piscou pra mim com um sorriso satisfeito.
— Vai tomar no cú Alemão. Eu estou morrendo de fome então para logo de enrolar pra gente ir. — Peço com pressa.
— Espera que eu ainda tenho que colocar Satisfaction para poder me trocar. — Lucas concordou mexendo em seu celular para selecionar a música.
— Ai, socorro. Eu vou te esperar lá em baixo. Se você demorar muito eu vou pro shopping sem você. — Aviso saindo do quarto.
Eu escuto o Alemão murmurar alguma coisa, porém a música não deixa que eu entenda o que foi dito. Pouco menos de dez minutos se passaram e a porta do quarto dele é aberta, onde ele vem em minha direção ao som de Crazy Love. Esse garoto precisa ser internado urgentemente.
— Vamos? — Ele me chama empolgado.
— Até que enfim! — Respondo impaciente.
# # # # # #
Estamos num Fast Food qualquer, já que eu não sou pago para fazer nenhuma propaganda, esperando a garçonete anotar o nosso pedido, mas ela está tem um dois minutos olhando para a cara do Alemão com o papel e caneta na mãos com uma expressão de idiota. Sinceramente eu odeio isso.
Já impaciente, mas do que eu já estive durante todo o capítulo, eu levanto e coloco minhas mãos no ombro da garota e a viro em minha direção, fazendo-a me olhar nos olhos.
— Será que eu posso fazer o meu pedido ou tá difícil? — Peço de maneira rude, sei que não devia, mas a situação é ridícula demais para que eu me segure.
— Desculpe, o que vão querer? — A moça respondeu sem graça.
— Eu quero quatro desse combo, com batata suprema e empanados de frango. Me vê também o especial do dia e um desse que vem com o brinquedinho porque eu achei ele bem fofinho. — Comento vendo a pelúcia que vem de brinde. — Outra coisa, no lugar dos refrigerantes, eu quero quatro sucos de Romeu e Julieta. — Digo apontando para o item em questão no cardápio. — Traz também uma saladinha por que eu estou de regime. — Concluo por fim.
A moça anotou rapidamente no papel e saiu andando de costas, ainda olhando para o Alemão com cara de idiota.
— Espera moça. — O loiro a chamou, fazendo com que ela quase tropeçou ao correr para a nossa mesa, mais especificamente para o lado do Alemão.
— Pois não? — Ela pergunta com os olhos brilhando em direção a ele.
— O que ele pediu é só pra ele. Eu ainda não fiz o meu pedido. — O idiota deu um sorriso simpático pra ela... Se os meus lanches vierem todos babados, eu vou dar um chute no saco dessa marmota.
— Nossa. — Ela disse surpresa.Essa abusada está insinuando que eu como demais? Vou me lembrar disso na hora de dar a gorjeta.
— Eu vou querer um especial do dia com batata grande e um refrigerante médio. — Pediu apontando para os itens no cardápio.
Ela terminou de anotar o pedido do Alemão e foi em direção ao balcão, porém não antes de dar um sorrisinho insinuante e uma piscadinha para meu amigo.
Oferecida nível hard.
Enquanto eu e o Alemão esperávamos nossos pedidos, ele ficou mexendo em seu celular, enquanto eu conectava meu notebook ao WI-FI do local. Eu estava um pouco ansioso, afinal eu estava esperando um E-Mail que provavelmente mudaria o rumo da minha vida.
E ele chegou.
― Caralho Beto, me arremessa! ― Eu não consegui deixar de gritar quando eu vi o conteúdo do E-Mail na tela do meu notebook.
― Quem é Beto? ― Lucas me perguntou confuso.
― Idiota, eu passei no vestibular. Eu fui aceito. Puta que me pariu, eu não acredito que eu consegui. Ai caralho, como eu sou foda, porra! ― Eu comemoro pulando igual à um retardado, do jeito que eu consigo já que eu estou sentado e praticamente quicando na cadeira, enquanto não consigo conter algumas lágrimas de felicidade que desciam por meu rosto e consequentemente meu pescoço.
Num ato impulsivo, eu acabo agarrando o pescoço do Alemão numa espécie de abraço lateral, tendo um pouco de dificuldade, já que o cretino é mais alto que eu, e olha que eu tenho um metro e oitenta e cinco centímetros.
― Ai meu pescoço, Thonny. Me solta viado. ― Ele começou a rir, tentando se desvencilhar do meu braço que apertava sua cervical com mais força do que o necessário.
― Que a universidade me aguarde meu amor, pois eu estou chegando nessa porra e eu vou causar, porque sim, eu sou dessas! ― Proclamei com mais entusiasmo do que eu deveria, ou nem tanto, enquanto meu melhor amigo ainda me olhava como se eu fosse lesado das ideias, o que eu não julgo, pois digamos que eu não sou uma pessoa muito normal.
― Deixa eu te contar uma novidade Thonny: faculdade não é igual American Pie não meu querido. Tu deveria estar desesperado e não empolgado. ― Esse loiro arrombado está tirando onda com a minha cara, eu sei, mas nem esse pessimismo dele irá derrubar a minha felicidade.
― Por que em vez de ficar tentando estragar a minha felicidade, você não vai fazer algo mais útil, como tomar no cu, por exemplo. ― Eu mandei um sorriso sarcástico pra ele e como resposta ele me deu o dedo médio.
― Boboca. ― Falou ainda com a droga o dedo levantado.
― Agora, senhor engenheiro, você vai me ter ao seu lado. Eu vou estudar junto com você. Não está feliz que vamos continuar juntos? Deveria, afinal somos melhores amigos desde os cinco anos de idade e eu sei que você não vive sem mim. Você está olhando para o mais novo enfermeiro da família Juanito Ecos Von Der Holstein Murray! — Sim, esse é meu sobrenome.
O que aconteceu é que meus pais queriam que eu me chamasse Anthonny Von Der Holstein Murray e minhas mães queria que eu me chamasse Alexander Juanito Ecos. No final eu virei Anthonny Alexander Juanito Ecos Von Der Holstein Murray... E novamente sim, eu tenho dois pais e duas mães. Gays e Lésbicas para ser mais específico.
Acontece que Meus pais queriam um filho assim como minhas mães então eles fizeram um bolo louco e minha mãe Márcia engravidou do meu pai Rubens e cá estou eu.
― Você será o único enfermeiro da sua família, e outra, me engana que eu gosto Thonny... Como se esse fosse o único motivo para essa sua felicidade. ― Lucas comentou revirando os olhos, e me encarando como se tivesse desvendando meus pensamentos.
Eu não tinha o que responder. Realmente esse loiro idiota que eu tenho a pachorra de chamar de melhor amigo me conhece melhor do que eu mesmo.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, onde ele apenas ficava me olhando e eu pensando em algo para dizer. Quando finalmente penso em algo que mudasse o rumo da conversa, o nosso pedido chegou e a garçonete ficou na mesa olhando para o Alemão com cara de bunda.
— Muito obrigado, já pode ir. Se precisarmos de alguma coisa eu te chamo. — Eu sei que eu praticamente toquei ela da mesa e que isso possa ser rude da minha parte, porém ninguém entende o que eu passo todos os dias quando estou com o Alemão.
E não, isso não é ciumes do meu melhor amigo, deus me free. O problema é que chega a ser constrangedor num grau que me deixa desconfortável.
― Faz quanto tempo que você não vê ele? ― Lucas me pergunta, voltando ao assunto antes de sermos interrompido, com uma entonação diferente em sua voz. Parecia algo mais brando e cauteloso, como se esse fosse um assunto delicado e, de certa forma, realmente era.
Droga. Achei que ele tinha esquecido disso.
― Desde que ele se formou no ensino médio. ― Confesso um pouco chateado, nem conseguindo encarar ele nos olhos.
― Já tem mais de um ano... Mas pense positivo, você o verá em breve. ― Meu melhor amigo deu de ombros, tomando um gole do MEU suco.
Abusado. Esse idiota está querendo me provocar?
— Se você queria esse suco, por que não pediu um pra você? — Indaguei tomando o mesmo da mão dele.
— Deixa de ser mão de vaca Thonny. Você tem quatro. — Bufou pegando o suco da minha mão de novo. — E não muda de assunto não. — Continuou em seguida.
― Não é como se eu tivesse escolhido essa universidade só por causa dele. ― Eu finjo ser algo irrelevante, muito mal por sinal, já que o loiro dá uma risada debochada.
― Qual é Thonny, sou eu aqui lembra? Não tem porque você tentar mentir pra mim. Você está feliz, certo? ― Ele perguntou num tom desdenhoso.
― Estou. ― Acabei cedendo e confessei, embora tenha respondido mais para mim mesmo do que para ele.
― Fala alto cacete. ― Ele brinca me dando um tapa na cabeça.
― Estou feliz, desgraça! Satisfeito? ― Eu gritei sonoramente, me arrependendo em seguida, afinal estávamos num local público e praticamente todo mundo estava olhando pra gente depois disso.
― Finalmente viado. ― Esse parido de meretriz deu dois tapinhas na minhas costas, bebendo outro gole do meu suco. — Mas você está feliz por causa de ter entrado na faculdade e que vai estudar comigo ou por que ele vai estar lá? — Indagou curioso.
― Qual é Alemão, é lógico que eu estou feliz. Mesmo eu não sendo um poço de inteligência, embora eu seja muito mais inteligente do que você — o que não é preciso muito esforço — eu consegui entrar numa das melhores universidades do país e de bônus, o meu crush supremo vai estar lá também, assim como o meu melhor amigo. ― Eu não consigo deixar de sorrir, imaginando o momento que eu finalmente vou poder ver ele.
― Duas coisas... Primeira, vai catar coquinho, porque você não é mais inteligente do que eu. Segunda, aquele idiota com cara de panaca que você chama de Crush nunca te notou e nem sabe o seu nome. ― Ele alfinetou murchando completamente a minha bola.
Pra que eu preciso de inimigos se eu tenho você, não é Alemão?
Eu nem tinha o que responder. Infelizmente ele estava certo, pelo menos nesse assunto. Mesmo sem querer, meu ânimo acabou reduzindo drasticamente meu olhar foi parar em minhas próprias mãos que estavam cruzadas entre minhas pernas.
― Eu estou brincando Thonny. ― Lucas falou sem graça ao ver que eu fiquei chateado. ― O seu loiro com cara de idiota é realmente um cara de sorte, afinal você prestou vestibular apenas para estudar na mesma universidade que ele e ficar perto dele.
― Idiota, não foi só por isso. Sim, eu estou feliz por ter passado nessa universidade e poder ver ele de novo, mas também porque eu vou estar perto do meu melhor amigo. ― Eu tento soar o mais convicto possível, porém não fui muito eficaz nessa tarefa, já que o Lucas deu outro sorriso debochado.
― Qual é Thonny, me poupe, se poupe e nos poupe. Você é apaixonado por aquele babaca desde que conheceu ele no ensino médio. Mesmo ficando um ano e pouco sem ver ele, você não conseguiu tirar ele da sua cabeça. Eu já tive sete namoradas desde a primeira vez que você viu ele até a data de hoje e você não se relacionou com ninguém além da sua mão, se é que você me entende. ― Ele utilizou sua mão direita para fazer um gesto de masturbação, enquanto sorria vitorioso.
― Em primeiro lugar, você ser um mulherengo é um problema exclusivamente seu e não meu e em segundo, você é que é o punheteiro da relação, então vai tomar no cu. ― Eu digo sem graça, sentindo as minhas bochechas queimarem de vergonha.
— Teoria da Branca de Neve: Por que só ter uma se eu posso ter sete? — Ele deu um sorriso convencido. — E eu não preciso me masturbar, meu amigo, pois eu faço sexo. — Explicou em seguida.
— Se eu tivesse essa sua autoestima Alemão, eu seria presidente. — Comentei pensativo enquanto comia um pedaço de um dos meus lanches.
― Quer saber de uma coisa? ― Ele inicia empolgado.
― O quê? ― Eu perguntei confuso, embora visivelmente curioso.
― Vai ser bom eu estar lá. Desta vez eu vou ajudar você a conquistar o seu macho com cara de imbecil. ― O loiro cruzou os braços diante do peito, com um sorriso confiante.
― Sério? Por que agora? ― Não consegui deixar de desconfiar dessa atitude, afinal no ensino médio ele nunca se intrometeu nesse assunto.
― Por que você ficou insuportável nesse ano longe dele, não parando de falar nele um momento sequer. ― Ele respondeu fazendo uma careta de desgosto. ― Se eu te ajudar a ficar com ele, pelo menos não vou ficar escutando suas lamentações e nem suas reclamações.
― Vai se foder Alemão. ― Eu vociferei lhe mostrando a língua, nem um pouco infantil.
― Falando sério agora Thonny, eu vou te ajudar porque eu não aguento mais ver você chateado e sofrendo por causa daquele babaca com cara de panaca. Que comece o Projeto Mozão 2020! ― Ele levantou o braço com empolgação, olhando para mim de maneira imponente.
― Que merda em? Não tinha um nome mais gay não? ― Alfinetei apenas para não perder o costume.
Acho engraçado o fato do Alemão não chamar o Piers pelo nome… É sempre babaca, idiota, panaca, imbecil ou outras coisas, fora o fato de ele sempre dizer que tem cara de alguma coisa.
― Olha quem fala. Não fui eu quem fiquei três anos chorando por causa de macho idiota. Enquanto você estava na bad por causa daquele otário, eu estava pegando altas novinhas. ― Ele deu de ombros tranquilo.
― Por que você é uma vadia sem coração. ― Eu dei de ombros, fingindo não ligar.
― Seu Astolfo! Eu tive só sete namoradas nesses três anos. E a Kate durou oito meses. ― Falou convencido, já que a Kate fora sua última.
― Ca-gay. Mas de qualquer modo você sabe que eu ia me declarar pra ele, só que... — Eu não completei a frase... Ainda consigo me lembrar da conversa que eu escutei há dois anos atrás.
— Você não pode se culpar por ele ser um babaca. — Lucas advertiu sério.
— É até compreensível, sabe? Mesmo que ele fosse gay, o que não é o caso, o que ele iria querer com um cara esquisito e feio como eu? — Lamentei chateado.
E de graça, eu acabo de levar um pescotapa aleatório do Alemão.
— Pode parar com essa auto piedade seu corno. Tira essa expressão de desânimo da cara antes que eu arranque ela na bicuda pra te lembrar que você é uma máquina de vencer. Seu nome não é azulejo para ficar se jogando no chão pra ser pisado seu banana. O que sua mãe carregou na barriga por nove meses não foi um verme e sim um vencedor vitorioso, filho de uma rameira. Desânimo e baixa autoestima aqui não seu profissional do sexo com o Astolfo alargado. Levanta essa cabeça e mostra que você é capaz! Jumento celestino. — Lucas praticamente berrou, enquanto eu queria bancar o avestruz.
Fora o fato de ele não usar palavrão nenhum momento em seu discurso, sempre os trocando por sinônimos bizarros.
— Lucas... — Eu tento argumentar, completamente sem graça, porém ele me interrompe.
— Não vem me estressar não Thonny. Você é um cara bonito, inteligente, engraçado e uma excelente companhia. Até eu pegava você, e olha que eu não curto linguiça. Se você soubesse a raiva que eu fico quando você fica se auto depreciando, você não falaria essas coisas perto de mim, pois a vontade que eu tenho é de dar uma voadora na sua cabeça, pra ver se esse seu cérebro começa a funcionar decentemente. Você só precisa ter mais confiança, amor próprio e com certeza de um guarda-roupas novo. — Ele disse apontando para as minhas roupas.
— Em primeiro lugar, vai se foder que eu tenho amor próprio. E em segundo, o que tem de errado com o que eu visto? — Perguntei confuso conferindo minhas vestes.
— Você quis dizer o que NÃO tem de errado com as roupas que você veste né Thonny? Além de ser muito brega, cabem dois de você dentro delas. Pra que comprar roupas tão largas? — Esse corno está tentando me irritar? Porque ele tá conseguindo.
— Você quer mesmo que eu responda? Não sei se você sabe, mas eu não tenho um corpo igual ao seu pra ficar usando essas roupas de criança. — Respondo com obviedade.
Depois de responder, eu estava tão concentrado bebendo o meu suco de Romeu e Julieta que nem previ o forte tapa que o Alemão deu na minha nuca. O susto foi tão grande que eu engasguei, começando a tossir freneticamente para tentar recuperar o fôlego. No final, eu sei que saiu suco até pelo meu nariz e novamente está todo mundo da praça de alimentação do shopping olhando pra nossa mesa.
Eu sinceramente não sei se eu mato o Lucas por me fazer passar por isso ou se eu me mato por ter passado por isso.
— Toda vez que você soltar um comentário auto depreciativo, eu vou bater em você. — Ele falou com a voz séria e um olhar nada amigável.
— Seu corno filho de uma puta. Desse jeito não vai precisar mesmo, já que eu vou acabar morrendo. — Brigo irritado, tentando devolver o golpe, porém ele foi mais rápido em se esquivar.
— Você ficou um ano malhando comigo, está com um corpo incrivelmente sexy e fica falando essas merdas? Está merecendo apanhar mesmo. — O Alemão realmente tem demência pra dizer uma coisa dessas, só pode.
— Aham Claudia, senta lá. — Reviro os olhos com desdém.
— Quer ver só? — Ele pergunta com um sorriso maligno brotando em seu rosto.
Ai minha nossa senhora dos viados virgens, socorro.
— Ver o que Lucas? — Pergunto com receio. Lá vem merda.
— Moça? — Ele chamou a garçonete que veio praticamente correndo e tropeçando no processo.
Que isso moça? Isso tudo é vontade de fornicar com meu melhor amigo?
— Em que eu posso ajudar? — Perguntou sorridente.
Nesse momento o Alemão ficou em pé e puxou meu braço para que eu seguisse o seu movimento, e antes que eu pudesse protestar ou fazer alguma coisa, ele, num único movimento, rasgou a minha linda camiseta de maneira brusca.
Puta que me pariu, com força.
— Você acha o meu amigo gostoso? — Esse loiro filho de uma arrombada perguntou de maneira sacana para a moça, que ficou encarando o meu corpo.
Eu tento inutilmente cobrir meu corpo ao mesmo tempo que sinto meu rosto queimar por conta da vergonha, porém não consigo já que o Lucas está praticamente segurando minhas mãos para que eu não faça isso.
A garçonete continua fitando a parte desnuda do meu tronco por um tempo, para depois então olhar para o meu “melhor amigo” e responder sem graça.
— Eu acho. — Outra com demência, era só o que me faltava.
— Eu não disse? — Lucas sorriu vitorioso me olhando com uma expressão de obviedade.
— Você tem demência? Você rasgou a minha única camiseta. Como eu vou andar no Shopping desse jeito seu imbecil? — Eu ralhei furioso.
— Vai por mim, está muito melhor do que antes. — Ele deu de ombros. — Fora que faz parte do meu plano. — Concluiu em seguida.
— Qual é o seu plano? Me matar de vergonha? Parabéns, concluiu com perfeição. — Suspirei indignado. — Já pode ir moça. — Pedi para a garçonete que ainda estava olhando pra gente.
— Meu plano é fazer uma espécie de esquadrão da moda com você. Vamos renovar o seu guarda roupas e principalmente o seu visual.
— Você está ligado que o esquadrão da moda não tem um pingo de senso de moda né? — Bufei me sentando novamente.
— Meu filho, no seu caso qualquer mudança é um progresso milagroso, vai por mim. — Ele deu de ombros.
— Você me paga Alemão. — Ameaço voltando a comer os meus lanches.
— Crédito ou débito? — Brincou sem me levar a sério.
— Filho da puta. — Xinguei ignorando ele, o que não durou mais de quinze segundos.
— Mas então Thonny, voltando ao assunto, eu realmente quero fazer uma mudança no seu visual. — Lucas tocou novamente no assunto.
Por estar mastigando o meu segundo lanche, eu não pude responder o cretino, mas creio que o olhar que eu lhe dei foi o suficiente para expressar minha resposta.
— Nem vem me olhando com essa cara. — Era visível o tédio em seu rosto, porém um sorriso que eu classifico como demoníaco brotou em seus lábios. — Eu estou vendo que não vai ter jeito... — Continuou.
— Você não ousaria. — Meus olhos estavam tão arregalados que eu pensei que saltariam para fora do meu rosto.
Ele realmente tem coragem de fazer uma coisa dessas, mas na praça de alimentação de um Shopping é sentença de King Kong, já que mico não seria suficiente para descrever a situação.
— Você não me deixou escolha. — Ele deu de ombros.
— Por favor Alemão, eu aceito o que você quiser. — Tento amenizar o problema, porém seu rosto não demonstra qualquer resquício de que ele irá ceder.
— Agora é tarde... — Respondeu ainda sorrindo.
Eu sei que eu sou
Bonita e gostosa
E sei que você
Me olha e me quer
O bastardo começou a cantar. Seu tom de voz era alto e ele sorria de maneira divertia enquanto esperava a minha deixa. Eu poderia muito bem não entrar no seu jogo, porém eu não tenho escolha. A gente fez uma promessa de que em qualquer situação de briga, discussão, aversão, estresse ou simplesmente para passar o tempo, nós cantaríamos essa música juntos. Não havia escapatória. Indiferente do lugar ou da ocasião, temos que cantar sempre que um inicia o verso.
Embora isso seja legal e sempre nos deixa unidos, um enorme constrangimento se apossa de mim nessas situações, afinal ele escolhe os piores lugares para começar a cantar. Lembro quando eu fui no velório de um primo meu no qual eu tinha um enorme apreço por ele, e o Lucas resolveu cantar quando ele estava prestes a ser enterrado. Todo mundo ficou olhando com raiva pra gente, pensando que a gente estava comemorando a morte do rapaz.
— Eu estou esperando Anthonny Alexander. — Pediu de maneira séria.
Nesse momento muitos estavam olhando para a nossa mesa, já que o Lucas iniciou a cantoria de maneira alta, chamando a atenção dos presentes.
Eu vou torturar tanto esse demente e depois nunca mais virei nesse shopping novamente. Eu não acredito que eu vou ter que passar por isso de novo, mas lá vai...
Eu sou uma fera
De pele macia
Cuidado garoto
Eu sou perigosa
Por incrível que pareça, eu cantei tão alto quanto ele, até consigo ver a surpresa em seu rosto por eu ter cedido. É o ditado... Se está no inferno, abrace o capeta, também conhecido como Alemão ou meu melhor amigo.
Eu tenho veneno
No doce da boca
Eu tenho um demônio
Guardado no peito
Eu tenho uma faca
No brilho dos olhos
Eu tenho uma louca
Dentro de mim...
Cantamos juntos essa parte. Eu tenho que confessar, embora eu viva reclamando dele por fazer isso, eu adoro quando a gente canta essa música.
Sinceramente, não tenho o que dizer sobre o que se passa na cabeça do meu melhor amigo, mas nesse momento ele está colocando os nossos lanches e bebidas no canto inferior da mesa e acreditem ou não, ele está subindo nela. Desse jeito seremos expulsos desse lugar.
Eu posso te dar
Um pouco de fogo
Eu posso prender
Você meu escravo
Eu faço você
Feliz e sem medo
Enquanto o Alemão canta, seu corpo começa a rebolar lentamente. Esse filho da puta está sorrindo para todo mundo e está conseguindo arrancar suspiros das garotas e até alguns garotos da praça de alimentação. Muitos estão rindo e se divertindo com a cena.
HeterError 404# Not Found — Se é que você me entende...
Eu vou fazer
Você ficar louco
Muito louco
Muito louco
Dentro de mim
Muito louco, louco
Dentro de mim
Muito louco, louco
Dentro de mim
Muito louco, louco
Dentro de mim
Por incrível que pareça, eu subi em cima da mesa junto com ele para terminar a música. Já podem me internar, eu deixo.
Assim que terminamos de cantar, a maioria do pessoal começou a bater palmas e a assoviar pra gente. Vocês conseguem imaginar a cena? Dois marmanjos barbados, ou quase, em cima de uma mesa, dançando e cantando Perigosa de As Frenéticas, onde um deles está com a camiseta estraçalhada e o outro, que na teoria deveria ser Hétero, foi o responsável por iniciar tudo isso.
— Obrigado por me fazer passar essa vergonha Alemão. — Sussurro enquanto desço da mesa.
Ele repetiu a minha ação, colocando os nossos lanches e bebidas na mesa novamente. Creio que agora eu posso terminar meu lanche em paz e sem passar mais vergonha.
— De nada, pra quer serve os melhores amigos? — Respondeu com um sorriso divertido.
Esse filho da puta passa oitenta por cento do tempo sorrindo, e o porquê eu não faço ideia. Devo estar com maquiagem de palhaço, só pode.
Não demorou muito para que a gente terminasse de comer, e dessa vez sem interrupções ou então o Alemão me enchendo o saco, o que é estranho, já que ele raramente fica calado.
Estou sentindo que lá vem merda.
— Enquanto você paga a conta, eu vou no banheiro e já volto pra gente poder começar com a sua mudança. — Ele avisou se levantando.
— E por que é que sou eu quem vai pagar a conta? — Pergunto me sentindo um pouco indignado, porém não muito surpreso.
— Porque você é a rica da relação. E eu já vou gastar com o seu novo visual, então o mínimo que você pode fazer é pagar o meu lanche. — Respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Filho de um jegue.
— Eu não sou rico, meus pais é quem são. — Tentei argumentar, porém ele já tinha me dado as costas e comentado algo semelhante a “problema é seu”.
# # # # # #
— Não faz essa cara Thonny. — Lucas pediu de forma debochada.
Eu estou com a expressão mais emburrada possível e quero que ele saiba disso. Não estou gostando nenhum pouco dessa ideia de querer mudar meu visual. Eu gosto de me vestir dessa maneira, gosto do meu cabelo exageradamente grande, enfim, eu gosto de como eu sou. Talvez não muito, mas digamos que eu já me acostumei comigo mesmo dessa forma.
— Qual é Thonny, você não confia em mim? — Ele perguntou de forma brincalhona.
Ele está de brincadeira com a minha cara?
— É claro que não. — Respondo num tom óbvio, com certo deboche na entonação.
Não sei como aconteceu ou o porquê de ter acontecido, mas o Alemão entrou na minha frente impedindo que eu andasse e colocou suas mãos em meus ombros, me olhando nos olhos com uma expressão suave e reconfortante.
— Anthonny, olhe nos meus olhos e me responda... Você confia em mim? — Sua voz era amena e sensível, porém ao mesmo tempo era séria.
— Sim Lucas, eu confio em você. — Confesso sem graça.
Não tenho como mentir em relação a isso. Embora ele seja o responsável pelas maiores vergonhas que eu já passei em toda a minha vida, eu confio a minha vida nas mãos desse bastardo. Sei que ele nunca faria algo que me machucasse, não propositalmente pelo menos, e também sei que ele sempre quer o meu bem. Ele não é apenas o meu melhor amigo... É meu irmão. Ele me ama e se preocupa comigo, embora tenha as piores formas possíveis para demonstrar esse afeto. Mesmo não gostando muito da sua proposta por conta de eu ser inseguro e não querer sair da minha zona de conforto, eu sei que o que ele está propondo fará bem pra mim.
— Então vamos dar inicio no projeto “Thonny 2.0”. — Comemorou visivelmente feliz.
— E que Caine me ajude. — Suspiro com um pouco de medo. Se ele se empolgar, eu estou fodido.
— Quem é Caine? — O idiota pediu confuso.
— Deixa pra lá. — Dou de ombros.
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