Notas iniciais
ATÉ QUE FIM, CHEGUEI!!!!! NÃO ME MATEM! ESSE CAPÍTULO DEDICO A TODAS VOCES QUE ACOMPANHAM A ESTÓRIA! ABRAÇOS A DEBORA E A TODAS AS MENINAS DO GREYLANDIA. ♥ AGRADEÇO A TRÊS MENINAS, QUE SÓ AGORA QUE EU VI, QUE TINHAM RECOMENDADO A FIC. ;X "LUA, VANIA MALLERK E ROSI MARQUES'' OBRIGADO MINHAS LINDAS. VIRAM A CAPA NOVA? :O PERFEITA, OBRIGADA LYSSA. ♥

Capítulo 28

O lugar estava do mesmo jeito que há ultima vez que esteve nele. O mesmo cheiro de bebida, suor e àquela energia carregada no ar ainda continuava ali. Mas, apesar de conhecer aquele lugar tão bem, sua alma não se sentiu à vontade no local. Era uma reprimenda. Ele não devia estar ali.

O príncipe Christian foi até o bar do Harém e pediu uma dose de uísque. Algumas pessoas ali, clientes e às mulheres da casa estranharam sua presença. O Harém não era o lugar em que ele queria estar, estava em seu limite e não sabia o que fazer. O garçom colocou o copo de bebida a sua frente e em menos de dois seguros ele ingeriu, repetiu o gesto umas cinco vezes e por ter tolerância ao álcool não se sentiu tonto. Tudo o que ele queria era entender porque as coisas estavam indo por esse caminho. A profecia dizia que quando ele encontrasse sua amada, viveria em paz. Estar com Anastásia era a melhor coisa do mundo, passava as vinte e quatro horas do dia pensando nela, querendo-a, amando-a,. Então, porque tudo está entrando em erupção como um vulcão que acordou pronto para devastar tudo o que visse pela frente? Onde está aquela paz que tanto se falou quando os dois se negaram a concretizar os seus destinos?

O coração do príncipe tinha sido amansado pela bela jovem de olhos azuis e ele estava dolorido por causa da mesma que não queria ter um filho seu. Ela disse que estava com medo! Medo de quê? Você saberia se não tivesse a deixado! — repreendeu sua consciência. Eu não a deixei! — rebateu ele. Sentindo o gosto amargo em sua boca causado por aquela repreensão. Ele jamais a deixaria, era o amor da sua vida, a luz que o iluminava todas as manhãs. Cansado, ele bebeu mais dois copos de uísques. Algumas meretrizes tinham se aproximado dele.

— Príncipe Christian, quanto tempo não nos vemos! – a voz melosa daquela mulher tinha o deixado enjoado. Olhou para ela e percebeu que era Suzan, já havia se deitado com ela. – Achei que não nos voltaríamos a nos ver, alteza. Casas-te e esquecer-te dos prazeres da casa. – ela sorriu sensualmente e tudo o que o príncipe via em à sua frente era uma mulher sem escrúpulos. – Então, o que veio fazer aqui, relembrar os velhos tempos? A vida de casado está te entediando? – ela se aproximou dele e tocou seu peito no mesmo instante o príncipe se enrijeceu. Aquele toque pareceu brasa, o queimou e doeu. Não era o toque da sua amada, era o toque de uma mulher suja e a sujeira havia o contaminado. Ele agarrou o pulso dela fortemente, assustando-a.

— Não me toques! – rosnou feroz. O sangue latejando em suas veias e a culpa por estar ali só crescia. Brigou com sua amada, deixo-a sozinha, desconsolada e de todos os lugares que ele poderia ter ido, seus pés o levaram para o pior de todos.

— Aí, continua um selvagem! – ela riu lascivamente após o susto. – Qual irmos lá pra cima e nos enrolar na cama e lembra-lo dos velhos tempos, hein? Aposto que o faria gozar com a minha boca... – ela tentou tocá-lo com a mão livre, mas o príncipe a impediu. – Se estar aqui significa que a sua princesinha não está dando conta de ti, alteza. Magricela daquele jeito não aguenta nada que um homem como você tem à oferecer. Tão másculo! – ela soltou uma risada e a pressão no pulso dela aumentou e um gemido de dor escapou dos seus lábios estupidamente vermelhos.

— Olhe só para ti, mulher! Como ousa falar da minha esposa? Dá mulher mais pura e bondosa que existe no mundo. Ela não é como você, com a alma impura, infame. – o príncipe rosnava com ela, Suzan estava com seus olhos arregalados. A música do local havia parado e todos olhavam a cena. – Escute bem o que eu vou te dizer: nunca mais toques em mim e que muito menos fale da minha esposa e se eu souber que fez isso, acabo contigo! Ouviu bem?

— Sim, alteza, perdoe-me, não queria ofendê-la. – Suzan sussurrou com a voz tremula. Seus olhos estavam vermelhos, lágrimas acumuladas pelo medo. Maldita hora que abriu sua boca. Ele a soltou, Suzan se encolheu contra o balcão mantendo uma distancia dela, abraçou o próprio corpo. O príncipe percebeu que as pessoas o olhavam e algo semelhante à vergonha o atingiu. Todas ali sabiam que ele era. Estavam confusos pela maneira em que ele agiu, se estava ali era porque queria uma noite de prazer com um ou mais meninas da casa, mas não era isso que ele tinha demonstrando ao ameaçar àquela jovem.

Ele passou as mãos nos cabelos, nervosamente. E saiu dali, para longe daqueles olhares, para longe daquele lugar que havia o deixado com uma sensação ruim. Ele precisava voltar para a sua amada. Percebeu que tinha sido duro demais com ela e com as inseguranças dela ao invés de compreendê-la, de ajuda-la. Foi um tolo, um insensível, percebeu isso e a culpa por ter ido naquele lugar mesmo inconscientemente quase o sufocava. Ana não merecia isso. Ele quebrou a confiança que ela tinha depositado nele, apesar de não ter sido infiel carnalmente. Aquele lugar não fazia mais parte da vida dela, apenas ela, e ele a deixou em casa chorando, implorando com olhos que ele ficasse e a compreendesse. Lembrou-se da imagem dela e sentiu dor.

Montou em seu cavalo e bateu retirada. Queria chegar o mais rápido possível ao castelo, queria se banhar e tirar o gosto e o cheiro de bebida, a sujeira que tinha se infiltrado em seu suor. Ele estava com medo, não mentiria para ela, contaria onde esteve e temia o que poderia acontecer.

(...)

Pov. Princesa Anastásia

Abri meus olhos ao sentir uma claridade queimar minha pele. Franzi o cenho. Onde eu estava? Ao meu redor, eu via um campo com grama verdinha e diversas flores, algumas delas altas. Eu estava deitada no chão daquele lugar, vestida de banco com os cabelos soltos e descalça. Olhei para meu corpo afim de encontrar algo que denunciasse o que estava acontecendo, nada tinha. Olhei ao redor e percebi que provavelmente estava no meio do nada. Não tinha caminhos ali, era como um labirinto de flores. O céu aberto acima, tão azul quanto meus olhos, sem nenhuma nuvem. Que lugar é esse?

Levantei-me. Meu corpo estranhamente relaxado. Dei alguns passos hesitantes à frente.

— Olá? – Chamei por alguém ao nada. Meu coração martelava no peito e eu me perguntava onde estavam todos, onde Christian estava. As lembranças da nossa discursão em minha mente me dizia que talvez eu estivesse sonhando. Lembro-me de Kate me consolando, de ter rolado na cama varias e varias vezes esperando por ele e de ter chorando um bocado a mais até dormir. Suspirei, cansada, confusa e preocupada sem saber o sentido para isso.

Era estranho, mas estranho ainda era o fato de eu me sentir confortável naquele lugar. Ele exalava uma paz, uma calmaria que todos os meus medos se dissipavam, não por completo, eram questões que não se esqueciam facilmente, mas não me perturbavam como quando eu contará a Christian sobre os meus medos ou até mesmo antes. Eu me sentia bem, de verdade. Só que mesmo que esse lugar magnifico, com flores de caules grandes espalhados por todo aquele espaço, peônias, tulipas, rosas brancas e vermelhas, girassóis, orquídeas, copo de leite e tantas outras mais, lindas e perfumadas, não supriam a falta que o meu Christian fazia. Ele era o meu porto seguro e sem ele me sinto perdida e eu me sentia perdida ali. Sem saber para onde ir. De repente ouvi um barulho, alguém se aproximava de mim.

Foi isso que me fez acelerar os passos.

Olhei para trás e vi um movimento estranho entre as flores, mas não vi ninguém. Corri, corri o mais rápido que pude, sentindo meu coração falhar uma batida ao imaginar que alguém me seguia. Pensei naquele mascarado desgraçado. Não. Não, meu Deus, que não seja ele! Àquele homem já me perturbou o bastante, não faça que seja ele, por favor. Mas ainda que eu implorasse, no fundo de mim, não acreditava que fosse ele, àquele lugar não era sombrio como a alma dele. Mesmo assim, corri, olhei para trás e não tinha ninguém. Ainda ouvi passos se aproximarem. Eu não estava louca! Havia alguém aqui!

Uma trilha de rosas vermelhas como se fosse um mar vermelho surgiu na minha frente. Estanquei no lugar, com a respiração ofegante, os cabelos grudando em meu rosto. Admirada com o que via em minha frente. E por incrível que pareça, eu não sentia medo. Eu fugia, mas não queria fugir. A verdade é que eu não sabia o que fazer, não havia nenhum sentindo par aquilo, nada. Eu imaginava que estivesse sonhando e que fosse isso, mas, qual o sentido para esse sonho? Para quê tudo isso? Olhei para o céu e pedi a Deus que me ajudasse a entender o que estava acontecendo. Abri caminhos entre as rosas, com cuidado por causa dos espinhos, andei rápido, seguindo o caminho aberto entre elas. Não pude deixar de notar o cheiro dela, eram lindas, delicadas com suas pétalas perfumadas e hostis com seus espinhos. Belíssimas.

Continuei a andar e mais e mais. Já estava me sentindo cansada. Com a respiração pesada, com sede. Parei, novamente, tentando buscar folego para conseguir. Eu não tinha noção do tempo, não sei há quanto tempo andei. Só sei que continuava naquele mar de rosas. Esfreguei as mãos no rosto, meu ouvido zunia. Se isso realmente fosse um sonho, fora o mais louco e cansativo que tive. Desejei que aquele som de passos se aproximando retornasse porque eu não correria para longe, correria em sua direção. E foi aí que eu o ouvi. E segui na direção dele. Eu podia ouvir o som seco das folhas caídas no chão sendo pisoteadas. Esse som estava perto, corri em sua direção, na mesmo direção que eu seguia, outras rosas desapontaram no caminho, sorri com aquilo. Era um sinal. Eu estava no caminho certo. Meus olhos atentos enxergavam a frente a saída, e cada vez que me aproximava parecia que a luz do dia ficava cada vez mais clara. Franzi o cenho por causa da claridade, não pude mais enxergar direito a luz se tornava cada vez mais forte. Coloquei o braço na frente e corri até alcançar aquele lugar e tudo o que vi foi a luz se intensificar.

(...)

O sol parecia mais forte. Os raios solares eram mais acalentadores. Quando a luz me envolveu, apenas tapei meu rosto com o braço e ele permanecia posicionado no mesmo lugar. Respirei fundo e o tirei. Abri meus olhos e eu não estava preparada para o que vi. Senti o coração falhar, meus olhos se arregalaram e meu queixo foi até o chão em espanto. Meu corpo todo tremeu e imaginei que eu estivesse completamente louca. Naquele instante meu cérebro havia se transformado em uma massa. Definitivamente, eu não estava preparada para isso.

— Não vai me dar um abraço? – lágrimas caíram dos meus olhos quando o vi abrir os braços e sorrir para mim. Como senti falta daquele sorriso! Sem pensar em mais nada, soltei um soluço que demonstrava todo meu espanto e saudade, corri para os seus braços ainda assustada. Ele me apertou contra seu peito enquanto eu chorava. Como isso era possível?

Aron está vivo!

— Aron... como...

— Shhh, Ana, apenas chore, derrame todas as lágrimas que precisar. Eu estou aqui. – sua voz suave era como música aos meus ouvidos. Ele ainda tinha aquele abraço que me confortava, aquele abraço amigo. Seu cheiro continuava o mesmo. Como eu senti a falta dele, meu Deus!

— Senti tanto, tanto a tua falta! – murmurei com a voz rouca do choro. Ainda soluçava, desconsolada.

— Eu sei. Também senti a tua. Demais.

— Aí, meu Deus, diz-me que isto é real. Diz-me que eu não estou sonhando! – apertei-o em meus braços. Ele riu e cheirou meu cabelo. Tentou se afastar, mas não deixei.

— Eu não vou embora. – riu de novo. Balancei a cabeça em negativa, não queria me soltar de seus braços. – Esta tudo bem, Anastásia. – beijou meu cabelo. – Nós dois precisamos conversar e muito.

— Podemos conversar abraçados. – sugeri com a respiração ainda trêmula. Ele riu.

— Vem aqui. – seus braços ainda estavam em mim. Abraçou-me pela cintura com um único braço para me conduzir há algum lugar que eu não tinha ideia qual era, pois continuava de olhos fechados com medo de que tudo isso fosse fruto da minha imaginação. Minhas pernas pareciam gelatina e meu corpo todo estava tremulo, tive medo de desmaiar ali. E como se lesse meus pensamentos, Aron me abraçou mais forte.

Deduzi que estava sentada em um banco. Ainda não tinha coragem de abrir meus olhos.

— Abre os olhos. – balancei a cabeça em negativa. – Abre, medrosa. Eu estou aqui. Não tenhas medo. Deixe-me ver seus olhos azuis que tanto senti saudades. – seu tom de voz tão suave e calorosa, acalmou o turbilhão de emoções dentro de mim. Respirei fundo e os abri.

Nunca em um milhão de anos me esqueceria dele. Olhar para ele fazia-me lembrar de tempos muito bons, fazia-me lembrar de uma Anastásia que eu não queria esquecer, que eu não queria que se ofuscasse com o brilho dessa vida que agora levara. Ah, meu Deus, que saudade senti dele! Continuava o mesmo. Tão jovem e tão lindo. Era tão inexplicável estar diante de alguém que já não existia entre os vivos e que parecia estar vivo. Levantei a mão trêmula para tocar seu rosto tão querido e quando senti sua pele nas pontas dos meus dedos, um soluço me escapou. Porque nos deixastes, Aron? Sofremos tanto! Seus cabelos castanhos estavam os mesmo, os olhos verdes calorosos... Não conseguia controlar as lagrimas, era demais para mim. Ele fecha os olhos saboreando minha caricia por seu rosto.

— Sei que está assustada, mas precisa manter a calma, Ana.

— Eu não consigo acreditar...

— Pois acredite. Estas num lugar mágico e lindo. – diz ele e pega a minha mão que está em seu rosto e a beija. – Continuas linda. – eu sorri.

— E tu continuas o mesmo, como isso é possível, Aron? Ainda custa-me a acreditar que estas diante de mim, em carne e osso.

— Existe tantas coisas que não sabes, Ana. O mundo é cheio de mistérios e há mais mistério na morte do que tu poderias imaginar. Não está no alcance de nos dois entender isso. Temos apenas que aceitar, pois foi o caminho escolhido por Deus. Ele quem trilha nossos passos quando escolhemos o lado certo.

— Porque estas aqui?

— Parece que tenho que socorrer um casal cabeça dura que não consegui caminhar com as próprias pernas. – seu tom era de reprimenda. Entendi. – O que tu e meu irmão pensam que estão fazendo?

— Não sei o que quer dizer. – murmurei.

— Vocês dois estão juntos e me pergunto se isso não é o suficiente para serem felizes.

— Eu sou feliz com seu irmão, como não poderia? Eu o amo. Mas as coisas não são tão simples. Haverá momentos que não estaremos de acordo um com o outro, iremos discutir... – dei de ombros como se isso não me importasse, mas era o contrário. – O que eu posso fazer? Não mudamos de uma hora para outra.

— Casamento significa mudança, pelo menos é o que acontece quando duas pessoas se unem. Quando duas pessoas decidem viver a vida junto com a vida da pessoa amada. Casamento é confiança, compartilhamento. Claro que não haverá mudanças se ambas às partes não se permitirem. – suspirei cansada. Porque isso tudo? — Eu vi tudo o que aconteceu, Ana. Eu estou perto de vocês o tempo inteiro. – olhei para ele espantada. Ele não se abalou, parecia acostumado com minha reação. Aron estava sério como nunca o vi na vida. – Entendo as duas partes da história. Teus medos, tuas inseguranças e entendo meu irmão por ter chegado ao limite dele.

— Eu nunca quis magoa-lo, Aron. Só queria que ele me entendesse. Eu quero muito ter um filho dele, quero muito ser mãe, mas é como se eu estivesse em terreno desconhecido. Estou vivendo uma vida que minhas obrigações são muito mais do que eu poderia imaginar. Eu não tenho sangue nobre, sou apenas uma simples plebeia que casou com um príncipe que se tornará em breve e eu a sua rainha.

— Porque isso te aflige tanto?

— Tenho medo de falhar. – respondi cabisbaixa.

— O medo é sempre nosso inimigo, uma vez disse meu pai. Mas, se ele existe, é porque tu estas dando brechas para ele. Se você não dá fim a isso não vai consegui evoluir, Ana.

— Eu sei. E tudo o que eu queria era poder dar ao Christian um filho, mas tenho aquela sensação de que algo ruim pode acontecer. – senti minhas lágrimas caírem, Aron segurou minhas mãos. Era tão bom senti-lo. – Estou tão triste, pensei que ele me entenderia. Sabia que não seria fácil, mas nunca imaginei que me deixaria sozinha. – chorei, ele me puxou pelos ombros.

— Ele também está passando por problemas. Acredito que meu irmão ainda tenha muito que aprender. – ele suspirou. – Às vezes nem tudo vai ser um mar de rosas, haverá dias em que os espinhos causaram dor. – lembrei-me do mar de rosas vermelhas e seus espinhos em que eu estava. – Só terás que aprender a lidar com sabedoria. Eu sinto muito que os dois tenham que passar por isso, é a consequências de suas escolhas. Observei os dois a cada segundo esperando que tudo se resolvesse e que vocês conseguissem superar isso. Mas são tão imaturos! Tão ingênuos! Ao mesmo tempo em que parecem saber das coisas, na verdade, não sabem de nada.

— E tu estás me parecendo cheio de sabedoria. – ele riu suavemente.

— Eu evoluí muito, Anastásia. Meu espirito passou por estágios em que tive que compreender qual era o meu proposito na vida das pessoas e o que isso implicaria. Qual o sentindo. Todos os porquês das decisões que foram tomadas para mim e não por mim. Foi difícil para eu ter que aceitar que nada do que eu pensei que seria real. Todos nós estamos de passagem na Terra e a minha estádia lá foi curta, pois tenho outro proposito a cumprir. E ao passo que aprendi sobre os mistérios que me cercavam, compreendi e aceitei meu destino. Até porque era irreversível. – ele disse como se divagasse em lembranças. Olhei para cima e o vi olhar sob as flores a nossa frente. Estávamos sentados em um banco em baixo da sombra de uma enorme árvore.

— E que proposito é esse? – eu estava curiosa para saber.

— Bem, no momento, o meu proposito é tentar ajuda-la enquanto temos tempo. – ele respondeu e senti que havia muito mais por trás disso. – Tu iras acordar e o meu tempo irá acabar. – levantei a cabeça para olhá-lo melhor.

— Então, eu realmente estou sonhando?

— Sim, está. Não havia outra maneira para eu aparecer para ti. Os sonhos são o caminho. Foi difícil chegar à você, estava muito agitada. – continuava a achar tudo aquilo muito surreal.

— Era você que estava me seguindo?

— Sim, era eu. Estava tentando ir ao teu encontro, mas você fugiu. Pensou que fosse àquele homem. – arregalei meus olhos, espantada. Ele sabia!— Sim, eu sei. – respondeu como se lesse meus pensamentos. – Estou o tempo todo perto, como te disse. Seria impossível não saber. – seus olhos me encaravam atentamente. – Ele é a causa dos seus medos e inseguranças, Ana. É a sombra desse homem que está impedindo que as coisas entre tu e meu irmão fiquem em paz. – senti meu corpo todo tremer e meu coração perder uma batida. – E será assim enquanto ele existir. O coração dele não é como o de qualquer pessoa normal, nele há muito sentimentos ruins. Dolorosos. Há muito rancor e ódio. Ele foi induzido há um caminho que se ele continuar jamais encontrará a luz.

— Porque está me dizendo isso? – minha voz saiu trêmula e eu sentia muito frio.

— Porque nosso tempo está acabando. – diz ele e senti uma rajada de vento forte em nossa direção. – E quero e preciso que você enfrente o seu medo. Tu e meu irmão. Christian também tem medo, muito medo. Mas vocês precisam enfrentar isso, juntos.

— Ele está... – ele me cortou.

— Não está mais. Eu conheço meu irmão. A mágoa dele já se foi, tenho certeza que agora o que ele sente é arrependimento por ter sido fraco. – eu acreditava nas palavras de Aron, ele nunca mentiu para mim. O vento continuava forte e algumas folhas caídas nos chão voavam junto ao vento. – Tu és a minha única chance de voltar. – diz ele sorrindo e eu franzi o cenho sem entender.

— Do que falas?

— Enfrente seu medo, Ana. Seja corajosa.

— Aron, eu não estou entendendo. – perguntei espantada pelo rumo que a conversa tomou, não consegui entender do que ele falava. Sua mão foi para o meu ventre.

— Apenas deixe o destino se cumprir. – ele diz e eu ouvi sua voz se transformar em eco repetindo a frase várias vezes. A minha visão estava ficando embaraçada. O vento soprou ainda mais forte, olhei para o lado e vi como se aquele lugar estremecesse. O que estava acontecendo? Voltei meu olhar para Aron e me assustei, ele já não estava mais aqui. Busquei-o com os olhos ao redor e não vi nada. Levantei-me e dei alguns passos a frente imaginando de estivesse entre às flores, mas o vento era tão forte que me impedia de continuar a andar.

— Aron? – gritei por ele, o vento se intensificando. Os meus cabelos cobrindo meu rosto. – Aron, cadê você? – gritei por ele novamente. Assustei-me ao senti-lo atrás de mim, virei-me para olhá-lo aliviado por ainda está ali, mas sua expressão estava diferente. Foi quando senti suas duas mãos em meus ombros. Pensei que me abraçaria, mas me empurrou fortemente e gritei assustada ao sentir que caía em um buraco negro. Eu caía cada vez mais fundo e a imagem que tive foi de tudo se fechando.

Acordei assustada e ofegante e com frio. Olhei ao redor e me vi sozinha, deitada na cama em meus aposentos, no castelo. Nenhum sinal de Christian. O sonho ainda em minha mente, tão nítido. Eu estive com Aron em algum lugar. Era real. Coloquei a mão no meu peito tentando acalmar as batidas fortes do meu coração. Um calafrio percorreu minha espinha quando me lembrei de suas palavras. E o momento em que me empurrou naquele buraco. Qual o sentindo disso tudo? Apertei meu robe contra o meu corpo e vi a janela da sacada aberta. Lembro-me de tê-la fechado antes de dormir. Será que Christian esta aqui? Só a ideia me deixava feliz, sorri ao imaginar que ele estaria aqui, talvez pudéssemos resolver tudo de uma vez.

Levantei-me da cama e segui para a sacada. Não havia ninguém, apenas a noite fria e sombria. A decepção e preocupação me engolfaram. Onde tu estás, meu amor? Esfreguei minhas mãos para conter o frio do corpo e, talvez, da alma. A luz da lua iluminando meu quarto. Dei mais alguns passos e olhei ao redor. Senti uma sensação esquisita, como se estivesse sendo observada, novamente senti um calafrio e, involuntariamente, olhei para baixo. Meus olhos bateram em algo, fiquei petrificada. Minha respiração falhou e senti as pernas bambearem. Na sombra de uma árvore vi a silhueta de alguém, a silhueta de alguém que me assombrava. O mascarado estava lá. Ele me observava. E mesmo naquela distancia, percebi os olhos negros deles tão assustadores fixados em mim. Dei uns passos para trás arregalando meus olhos quando o vi caminhar. Corri para dentro do meu quarto e fechei a janela. Queria chamar ajuda, queria gritar por socorro, mas minha voz não saia e isso só aumentava meu desespero. Eu estava apavorada! Ele estava no castelo, como havia entrado e ninguém percebido? Será que ele... Não! Não, Anastásia! Estão todos bem. Repeti isso para mim inúmeras vezes.

Alguns minutos e ouvi o som de um estalo. Pulei de susto e andei para trás, quando o fiz, esbarrei em um corpo e soltei um grito ao sentir uma mão pesada tapando meu rosto.

— Pensou que eu esqueceria de ti? – aquela voz fez com que minhas entranhas se revirassem. Debati-me para que me soltasse e tudo o que eu ouvi foi sua risada malévola. – Eu voltarei para pegá-la. – eu continuava me debater, mas sentia minhas forças indo embora. Ele ria estrondosamente fazendo com que seu riso pavoroso ecoasse pelo quarto. Agarrou-me tão forte e sua mão em minha boca apertou meu pescoço e senti o ar me faltar. Gritei e chorei, mas suas garras pareciam aço ao meu redor. O pavor me engolfou e tudo o que vi foi à escuridão me tomando.

(...)

Pov. Da Autora.

— AHHHHHHH – o príncipe Christian saía do banheiro quando ouviu Anastásia soltar um grito que o arrepiou por inteiro. Correu para vê-la e a mesma se debatia na cama, completamente agitada. Nervoso, foi até ela e sacudiu-a pelos ombros para que acordasse.

— Ana, acorda! Ana, meu amor, acorda! – em algum lugar das profundezas de seus sonhos. A princesa Anastásia ouviu a voz dele e abriu os olhos. Seus olhos tão azuis e ingênuos estavam selvagens, repletos de medos. Sentindo as lágrimas descerem, ela o abraçou fortemente. Christian sentiu seu peito apertar pela dor de sua amada. Não devia tê-la deixado sozinha. – Shhhi, está tudo bem. Estou aqui contigo.

— Eu... eu... eu... – os soluços eram cada vez mais altos e ela se agarrava a ele como se sua vida dependesse disso.

— Não, não fale nada, amor. – ele apertou seus braços envolta dela. – Perdoe-me por ter sido tão insensível com teus sentimentos e por não ter estado ao teu lado quando precisava de mim. Quebrei a promessa que te fiz de sempre esta ao teu lado quando precisasse. – sua voz saiu trêmula. – Perdoe-me, amor. Sou um tolo, um imaturo capaz de magoar a mulher amada porque as coisas não seriam do jeito que eu queria. – eles continuaram abraçados por um tempo, um tentando acalmar o outro. Sentindo que precisavam disso. Precisavam estar presença um do outro para tentar curar as feridas que eles causaram em si mesmo. Precisaram da cumplicidade.

— Estou muito triste com você. – a voz dela saiu rouca e falha. Como resposta, o príncipe a apertou em seus braços. – Mas eu te amo tanto, tanto que chega a doer dentro de mim. Eu também quero pedir-lhe perdão por não ter esclarecidos tudo contigo antes, mas fiquei com tanto medo de te magoar e acabei de te magoando.

— Não pensa nisso, querida. Eu entendo sim, tu não tens que me pedir perdão por nada, eu que errei contigo, falhei com ti.

— Nós dois falhamos. – ele suspirou. Ela olhou para ele, os cabelos dele estavam molhados, estava com uma toalha na cintura. Recém-saído do banho. Ele a beijou com saudades e arrependimentos. Beijou cada vez mais forte, sentindo a textura macia dos lábios dela por causa do choro. Tudo foi se esquentando até que ela quebrou o beijo, sem fôlego.

O príncipe Christian sentia que precisava dizer a ela onde estava. Não podia esconder dela. Sabia que ela não iria gostar e até ficaria magoada, mas não podia esconder.

— Preciso te dizer uma coisa. – ela franziu o cenho. – Mas, primeiro, quero que saiba que não houve nada. E jamais poderia. Só tu existe em minha vida, só tu ocupas o meu coração. Sou um tolo por ter sido tão fraco.

— Está me assustando. – diz a princesa. Ela se ajeitou no colo dela para olhá-lo melhor. – O que aconteceu? – o príncipe a olhava com os olhos suplicantes.

— Eu fui ao Harém. — a princesa arregalou os olhos e se afastou dele. Ele se desesperou. – Juro, não aconteceu nada. Eu juro! Eu bebi e só, meu amor. – a princesa estava petrificada do lugar, olhando para ele com um misto de dor, raiva e decepção. No fundo, acreditava nas palavras dele e sabia que ele não a trairia carnalmente, mas ainda assim, traiu sentimentalmente, magoa-a indo naquele lugar tão sórdido.

— Foi para aquele antro? Deixou-me aqui, sozinha e precisando de ti para ir para aquele lugar sujo? – as lágrimas delas não paravam de cair. O rosto estava pálido e o corpo tremendo. O príncipe Christian estava do mesmo jeito. Ela se levantou da cama, atordoada. Ele explicou rapidamente.

— Eu não tive a intenção de ir lá, quando dei por mim, já estava. Juro que não fiz nada, querida. No primeiro instante que coloquei meus pés naquele lugar, senti-me mal, eu não pertenço mais àquilo. Eu pertenço à você. – ela estava de costas para ele, chorando. Mal ouvia as palavras que saiam da boca dele. Aquilo foi demais. Tinha passado a noite toda chorando, sentindo a falta dele, se culpando por tê-lo magoado e agora, ele disse, que estava no único lugar que ela jamais pensou que ele iria. Num lugar onde um homem como ele jamais deveria frequentar. – Ana? – ele se levantou. Hesitante, foi até ela. Seu corpo se enrijeceu ao sentir a mão dele em seu ombro. O príncipe Christian sentiu isso e foi como receber um soco no ombro. Ela se afastou dele e virou de frente para olhá-lo. – Perdoa-me, por favor, perdoa-me. – suplicou ele. Os olhos de Ana estavam pálidos e vermelhos. Tudo o que ela fez foi virar-se e ir ao banheiro, se trancando lá. O príncipe acompanhou-a com o olhar sentindo seu coração afundar.