Um Príncipe em Cinquenta Tons
29 Capítulo 29
Notas iniciais
“É impossível dividir assim a história de nós dois
A solidão entre nós dois este silêncio em meu interior
Essa tranquilidade de ver passar assim a vida sem teu amor
Por isso espera-me porque isto não pode suceder
É impossível dividir assim a história de nós dois
A solidão...”
(Laura Pausini)
Não era um bom dia para a princesa Anastásia. O dia raiou e Ana pensou que a cama era o único lugar que ela queria estar o dia inteiro. Havia acordado indisposta. Após a conversa que teve com Christian noite passada, se trancou no banheiro e desatou a chorar. Ele passou a noite toda batendo na porta pedindo que abrisse, que o escutasse, que o perdoasse. A dor e a mágoa eram mais fortes que ela. Não houve gritarias e nem xingamentos, apenas saiu, deitou na sua cama e fechou os olhos numa tentativa de que talvez assim o dia amanhecesse logo. E que esse novo dia fosse melhor. Ledo engano!
Assim que abriu os olhos e respirou o ar fresco. Uma onda de náuseas lhe atingiu e tudo o que fez foi se levantar as pressas e ir ao banheiro pôr tudo o que seu estomago recusava para fora. Estava ajoelhada em frente ao vaso sanitário e o príncipe Christian ao seu lado com o semblante preocupado e assustado. Ele acariciava suas costas e Ana pôde sentir naquele toque todo o seu amor e arrependimento e apesar de ainda estar magoada sentia-se fraca demais para pedir que ele se afastasse. Estava se sentindo carente e queria carinho. O carinho dele.
— Ana, o que está sentindo? – ele perguntou assim que ela parou de vomitar e encostou a testa da borda do vaso. Tentando acalmar o ritmo de sua respiração. Suava sem parar. – Ana? – seu timbre de voz estava assustado.
— Hmm... Eu estou bem. – sua voz saiu rouca.
Levantou e foi até a pia fazer sua higiene matinal. O príncipe continuava ao seu lado, seu olhar era cauteloso. Tinha medo do que poderia acontecer. Seus olhos cobertos por olheiras denunciava que não conseguiu dormir. Ficou acordado a noite toda velando o sono agitado de sua amada, venerando-a e se culpando por não ter estado ao lado dela quando precisou. Tentou dormir, sem enroscar seu corpo no dela, foi inútil a tentativa.
— Acho melhor chamarmos o Dr. Flyn – murmurou ele, nervoso. – Está pálida e tremendo, amor. – ele se aproximou dela que após ter enxugado o rosto estava com as mãos apoiada na bancada da pia e de olhos fechados. Ela abriu os olhos e o encarou. Ele estava lindo, o seu amado, estava tão perto sentia seu cheiro e queria desesperadamente se perder nele, mas algo a bloqueava.
— Não precisa, por favor, não insista mais. Eu estou bem. – sussurrou com os fixos nos dele. O príncipe abriu a boca e fechou várias vezes mas percebeu que era melhor não contraria-la dado a situação atual dos dois.
— Tudo bem, mas se passar mal de novo, eu mesmo irei chama-lo. – ela concordou. Os dois permaneceram se encarando. Tantas coisas ditas pelo olhar. Ele levantou a mão e a colocou no ombro dela, Ana fechou os olhos. – Ana, eu preciso...
— Por favor, não. – interrompeu ela, seus lábios tremiam. – Não, Christian. Eu só...
— Me perdoe. – suplicou. – Me perdoe por ter sido fraco. Não posso viver sem você, não posso olhar em teus olhos e ver a dor que eu causei. Meu perdoe por ter magoado teu coração, meu amor. – ele não conseguiu reprimir suas lágrimas. Sem se conter, Ana virou e o abraçou. Ah, o cheiro dele era como um balsamo para ela. Os braços ao seu redor apertando-a com força demonstravam o quanto ele sentia a falta dela também. Seus soluços e lágrimas se misturando com as dele, sua dor estava sob a pele dele. Como duas almas em um único corpo.
— Porque... porque sempre... nos ... magoamos desse... jeito? – murmurou ela entre os soluços. Ele a aperta em seus braços.
— Eu não sei... – ao mesmo tempo em que murmurou as palavras o príncipe balançou sua cabeça. – Somos tão complicados. Mas eu te amo, nunca duvides de meu amor por você, e é por isso que suplico teu perdão. – ele se afastou dela para olhá-la nos olhos. Ainda existia dor e tristeza neles refletindo como ele também se sentia.
— Eu não tenho que te perdoar de nada. – sussurrou ela e ele a olhou confuso. – Tu não fizestes nada que comprometesse nosso casamento...
— Ainda assim... – ela levantou a mão para que ele a deixasse terminar.
— Tudo o que eu preciso agora é de um tempo para digerir tudo o que aconteceu ontem. – ele arregalou os olhos. – Não vou embora se é isto que está pensando. – disse ela como se lesse os pensamentos dele. – Jamais poderia deixa-lo, meu amor por você não me permite fazer algo assim. Ficar sem você é como se eu estivesse me condenando à uma prisão sombria onde eu não poderia ver o sol nascer e alegrar as minhas manhãs, como você faz quando sorrir para mim. – ela esfregou seu rosto de repente se sentindo muito cansada não só fisicamente, mas emocionalmente também. – Não vou te julgar de nada, só quero que respeito meu espaço pelo menos até que este assunto não esteja tão fresco na minha mente.
— Não sei se consigo ficar longe de você. Sem poder te tocar, sem te beijar... Não posso, Ana. – murmurou rouco, sua garganta travada com o nó que se formou.
— Acha que é fácil para mim? – ela suspirou e saiu do banheiro. Ele a seguiu.
— Então vamos resolver tudo isto, meu amor. – ele puxou seu braço e a trouxe para seu peito. Seu coração estava descontrolado no peito, sua respiração entrecortada só em imaginar a ideia de ter que se afastar dela. Ele entendia, mas não queria.
— Vamos resolver isso quando eu não me senti como me sinto agora. – ela se afastou dele para olhá-lo nos olhos. – Saber que foi justamente para àquele lugar que você procurava para se satisfazer, que um dia você me ameaçou a jogar-me lá. – ela soluçou e o príncipe fechou os olhos, lembrando-se da ameaça que fez quando achava que ela era uma assassina:
“– Alteza, eu suplico, me deixe ir, eu juro por tudo que é mais sagrado, pela vida de minha mãe, eu não matei o príncipe Aron.
— Não jure em vão mulher astuta, não caio em seus jogos de sedução como meu irmão caiu, se continuar a implorar te mandarei para o harém e sabe muito bem para quê ou te mando para a chibata.
– O harém? Não, por favor!
— Então, cale-se e cumpra sua pena, esfregue com mais força.
Ele chutou o balde com água fazendo a mesma derramar pelo chão e saiu do quarto”.
Por pouco quase não a jogou no harém para viver como as outras moças. Tinha tanto ódio no coração que suas ações não eram medidas.
— Isso está me corroendo. – ele baixou a cabeça, ouviu o suspiro dela. Ana sentia seu estomago dá voltas e suas pernas bambas. Sentou na cama. Ele estava parado a sua frente, cabeça baixa e os ombros caídos como se o peso do mundo estivesse neles.
— Nós vamos ficar bem, eu sei. – ele a olhou. As palavras dela eram firmes mesmo com seu tom choroso. Christian sabia que sua esposa era uma mulher forte mas ver a força que ela demonstrava o surpreendia. – Só não quero enfrentar esses problemas agora. – ele assentiu vendo que nada do que dissesse a faria mudar de ideia. Ela estava certa. Devia estar tão confusa e triste quanto ele. Se encararam por alguns minutos, ela desviou o olhar e deitou na cama de novo. O coração do príncipe doía pela falta que o carinho dela lhe fazia. – Vou ficar mais algum tempo na cama. – disse ela sem olhá-lo, ele apenas assentiu.
(...)
A princesa Katherine foi até o quarto de Anastásia saber como ela estava. Já era hora do almoço e ela não a tinha visto. Estava preocupada. Bateu na porta e escutou um ‘entre’.
Anastásia estava com um roupão, sentada em uma poltrona perto da sacada.
— Ana. – Katherine a chamou ao se aproximar. Notou sua aparência abatida: olhos vermelhos inchados, lábios e o rosto pálido. Seu semblante era de alguém que passou a noite mal dormida.
— Oi, Kate. – ela tentou sorrir mas não conseguiu. – Aconteceu alguma coisa? – perguntou e de soslaio olhou para a porta, achou que tinha mais alguém no quarto.
— Não, Ana, eu estava preocupada com você, por isso vim te ver. Não te vi a manhã toda. – ela sentou ao lado dela. – Eu vi o quanto Christian está abatido. – sussurrou e Ana voltou seu olhar para o jardim, suspirou fundo. – Quer conversar? – Kate segurou sua mão.
— Eu tive um sonho com Aron. – revelou.
— O quê? – não era isso que Kate esperava ouvir.
— Nunca imaginei passar por tal experiência. E... – ela suspirou chorosa. – foi tão bom vê-lo de novo.
— Ana, eu não estou entendendo nada. – murmurou Kate. Ana contou tudo para ela. Desde o sonho até o momento em que acordou e conversou com Christian àquela manhã. Como estava se sentindo diante da decisão que tomou.
A princesa Katherine estava abismada.
— Deus! Não imaginava que ele tivesse ido naquele antro. Ele me pareceu tão abatido hoje de manhã quando o vi, todos perceberam.
— Dói muito saber que ele está assim, mas é mais forte que eu. Tudo o que queria era apenas passar uma borracha no que aconteceu como se nunca tivesse existido, mas não posso. A dor é intensa.
— No inicio de meu casamento, Elliot e eu também passamos por coisas assim. Entendo toda a dor que está passando. Não é fácil viver uma vida a dois principalmente quando estes parecem ser tão diferentes um do outro.
— Aron disse que nosso amor deveria ser o suficiente. – Ana a olhou. – O problema não é este, acredito eu. Amo ele loucamente e sei que ele me ama também. Se não me amasse, não teria feito o que fez para ficarmos juntos e eu enxergaria a mentira nos olhos dele a cada ‘eu te amo’ que ele me dissesse. – a princesa franziu o cenho. – Isto parece louco, não é? Eu sonhar com uma pessoa que já não está entre nós e ela me dá tantos conselhos. – ela estava com os olhos azuis arregalados e Kate soltou uma risada nervosa Ana a acompanhou, foi o seu primeiro sorriso naquele dia.
— É bom ver você sorrir, Ana. E, sim, é louco saber que tu conversou com Aron mesmo em sonho. – suspirou ela e olhou para o longe.
— Mas veja pelo lado bom, ele está tentando ajudar.
— É bem intrigante tudo isso... Será que fui a única a sonhar com ele?
— Dá minha parte, eu nunca tive sonhos com Aron.
— Minha mãe me disse uma vez que pessoas boas mesmo depois de mortas permanecem vivas. Aron sempre fora uma boa pessoa – lágrimas vieram aos seus olhos ao lembra-se dele. –, ele não merecia o que aconteceu.
— Esta é a vida Ana, nada é do jeito que a gente quer ou acha que deveria ser. – Ana fez uma careta contrariada. – O que você vai fazer com relação ao Christian? Acha mesmo uma boa ideia permanecerem assim, afastados? Todos vão perceber e faram perguntas. Olha, quanto mais cedo vocês conversarem, mais cedo tudo se resolve. Adiar isso só vai acumular mais e mais dor de cabeças para os dois. Sei que está difícil para você, para os dois. Não pense apenas na sua dor, Ana. Pense na dele também. – aconselhou Kate, amigavelmente. Ela foi uma das primeiras pessoas que conseguiu enxergar que Christian e Anastásia tinham se apaixonado e não percebiam. Sentia-se triste pelos dois. Sabiam que estavam errados por não tratarem dos assuntos pendentes de uma vez por todas para não restarem mais duvidas entre eles. Mas o que podia fazer além de aconselhar?
— Acho que não penso? – Anastásia se levantou e foi para o quarto. Os raios solares começaram a ficar mais intensos e ela resolveu entrar. Sentiu uma leve pontada no ventre ao fazer tal ato mas prosseguiu seu caminho até a cama, suspirando fundo, imaginando que começara a ficar com fome. Não havia se alimentado até àquela hora e provavelmente não se alimentaria durante todo dia. Sua garganta parecia estar travada e nem água passava por ela. Sabia que deveria se alimentar direito principalmente depois de ter quase desfalecido ao ter aquele enjoo. Mas seu corpo e sua mente não pensavam em nada, não queriam nada. – Eu vivo por ele. Meu coração bate no meu peito por ele. Sempre foi assim mesmo quando não nós aceitávamos. Até mesmo quando aquele véu de ódio lhe cegavam os olhos, nós dois, vivíamos um pelo outro, Kate. E achas que a dor dele não me importa?
— Não foi isto que eu disse, Ana.
— Mas é o que eu estou te dizendo. Isso não é apenas pelo o que eu estou sentindo, é por ele também. Nós dois precisamos colocar os pensamentos em ordem sem que quando formos conversar os ânimos se alterem e resulte em uma briga... Kate, eu não sei o que acontece com ele. Sei que está cheio de problemas, mas ele não se abre comigo... Vejo seu rosto coberto por preocupações e me sinto mal por não fazer nada para ajudar. A explosão dele quando lhe contei sobre a questão de termos filhos foi pior do que pensei...
— Pelo pouco que consegui extrair de Elliot, o reino anda com problemas. – ela contraiu os lábios. – Só foi isto que ele me disse e mais nada. Não me quer ver preocupada por causa do bebê.
— E ontem parecia que as coisas não estavam bem... Vi a sua expressão, a do Elliot quando chegara aqui nos nossos aposentos para falar com ele. Não estou tentando colocar a culpa nele para justificar a minha dor, mas não quero que os problemas que ele tem sejam descontados em mim. – ela suspirou fundo sentindo uma nova onda de náuseas a atingir e o nó de sua garganta se apertar como se a enforcasse, os olhos lacrimejaram e estava difícil manter o controle de suas emoções. – Sei que errei em não contar para ele sobre meu medo de ser mãe e sobre a pressão que estava sobre mim, mas sinto-me leve como se um peso tivesse saído de minhas costas... Eu não fiz nada de errado.
— Claro que não fez e – Kate fez um olhar cúmplice e se inclinou até ela como se fosse contar-lhe um segredo. – que o rei e a rainha não me escutem, mas acho isso da tradição uma bobagem. Christian já quebrou praticamente todos os protocolos.
— Deixou o irmão casar antes dele, você vai dá um neto à eles antes do primogênito. Também não entendo toda essa pressa. – a princesa passou a mão no rosto. Kate se preocupou. – Só sei que, no momento, quero um tempo para poder processar tudo o que aconteceu e dá espaço para ele fazer o mesmo.
(...)
O príncipe Christian estava montado em seu cavalo, sozinho. Precisava espairecer e pegou seu cavalo no estabulo e foi dá uma volta pelos arredores do reino. Sua mente vagava em tudo o que ele já tinha passado com Anastásia. Como a conheceu, como a obrigou a morar em seu castelo por ódio e como com o tempo percebeu que a queria por perto porque não imaginava sua vida sem ela, tudo o que aconteceu, tudo o que o destino fez para uni-los, porque estava escrito que suas almas pertenciam um ao outro. Até mesmo seu falecido irmão, Aron, dissera isto. Que eram almas gêmeas.
O príncipe se lembrava nitidamente do sonho que tivera com ele. De suas palavras, do brilho do seu olhar... Era impossível esquecer alguém que amava tanto. Mas não era isso que o preocupava, que o fazia franzir o rosto. Era o fato de suas atitudes sempre acabar machucando alguém que ele ama. Com o fato de nunca entender o lado oposto, de deixar suas emoções falar mais alto que a razão. Toda a sua vida foi assim, não dava as devidas importância com as pessoas que machucava até ver o quanto elas tinha se ferido com suas duras palavras ou suas atitudes inconsequentes. Os resultados sempre eram os mesmo: corações feridos por ele. Quantas mulheres já desiludiu? Quantas vezes já feriu sua família? Quantas vezes feriu sua amada? Ele sabia dos erros, todos eles, que já cometeu e dos que ainda iria cometer. Era humano e errava como qualquer outro, mas no fundo Christian sabia que na maioria das vezes era puro capricho. Tal como o caso que tivera com a Duquesa Elena, mulher do amigo de seu pai e o homem a qual salvou sua vida na ultima batalha por terras. Parecia que o peso que não tivera ao cometer tal façanha resolveu pesar agora. Isso era um segredo que ele levaria para o tumulo, e a Duquesa Elena jamais revelaria sua identidade. Sabia bem das consequências. Da ultima vez que a viu, ela tinha sido sincera ao contar que não havia mais motivos de continuarem com aquele caso. Foi sincera com seu marido e agora estavam felizes. E apesar de tudo ter acabado, não significava que quando lembrasse sua consciência não pesaria.
Ao pensar em Elena, Christian pensou em Leila, quantas vezes a tratou mal quando estavam juntos e sabia que mesmo com aquele jeito torto dela ela o amava. Era unilateral, porém suas atitudes eram em nome desse amor que ela sentia por ele. Estranhamente, Christian sentia-o, mas não se importava com os seus sentimentos. E, ontem, outra mulher de seu passado ousou cruzar seu caminho e também saiu ferida: Suzan. A mulher do Harém. Todas elas passaram por sua vida, por sua cama. Mas nenhuma delas havia ganhado seu coração, amor, respeito e admiração, porém ele tinha as machucado por algum motivo e muitas vezes por capricho. E o que mais doía em Christian era saber que a mulher que tinha sua vida nas mãos, que era dona de seu corpo e alma, fora magoada por ele também. Não apenas uma única vez. E mesmo quando prometeu diante de Deus fazê-la feliz, tinha ferido o coração dela. Anastásia foi à mulher que mais tinha se ferido por sua culpa. Ele sabia disso. Odiava saber disso.
Em seu cavalo a galopar, Christian o golpeou e o fez ir mais rápido a diante na direção do rio. O vento soprou forte em seu rosto. Os seus pensamentos voltados para ela e na sua expressão desolada. O pior foi ter visto-a doente naquela amanhã, não ter sido acordado com os seus beijos e caricias, não ter tido a chance de fazer amor durante a noite e quando acordaram. Era horrível a sensação de não tê-las em seus braços, o calor de seu corpo e sem o sabor dos seus lábios. Todo o seu corpo clamava pelo dela. Àquela distancia que ela impôs para eles seria capaz de enlouquecê-lo, mas o príncipe queria fazer as coisas diferentes, seguir o que ela queria, respeitar as decisões dela para não criar mais conflitos. E por mais que fosse difícil entendia que o fato de não ter ouvido e apoiado ela e ter colocado seus pés naquele lugar foi o que a fez tomar esta decisão. Mas assim como ela, ele também estava magoado. Era um direito dele estar, por ela ter escondido que não queria filhos agora enquanto ele criava expectativas, todos criavam. A única diferença foi que ela soube enfrentar isso, ele não. Não quis ouvir. E fugiu consternado por ter chegado ao limite por tantos problemas.
Chegou ao rio. Desceu de seu cavalo e o amarrou no tronco da arvore para não ir embora. Fez carinho nele que relinchou. O príncipe olhou em volta daquele lugar que ele sabia que sua amada costumava ir porque a acalmava. Por isso estava li, para se acalmar. Sentou-se em uma pedra e pegou algumas no chão e começou a tirá-las para o rio. Lembrou-se de uma vez que a viu se banhando aqui. Ainda cego de ódio não pôde deixar de notar tamanha a sua beleza. Estava andando e segurando seu cavalo, qual não foi a sua surpresa ao vê-la, ali, nua na água como uma sereia? De inicio, ficou irritado por ter saído do castelo, mas a irritação deu lugar à admiração e ao desejo, ficou escondido e observando-a. Sentindo cada célula do seu corpo ascendida. No fim, foi embora, sem querer continuar a observá-la, negando que sentia por ela alguma coisa além do ódio. O príncipe estava ali sentando revivendo esses momentos.
— Ah, Ana, Ana, Ana... – suspirou fechando os olhos. Queria estar com ela nesse momento. – Como eu te amo. – disse sincero e abriu os olhos. Pegou outra pedra e atirou em direção ao rio.
(...)
Ele estava de volta ao palácio. Era hora do almoço. Todos já tinham percebido seu abatimento e ele tinha se esquivado das perguntas. Esperava não ter que lidar com elas novamente. O príncipe saia do hall de entrada quando parou de repente no caminho ao olhar para a escada e ver Anastásia descendo. Ela estava linda em um vestido cor vinho justo no busto sem mangas e rodado em baixo com alguns babados brancos. A expressão ainda era abatida apesar da maquiagem que usava. Os cabelos achocolatados longos encaracolados nas pontas soltos davam-lhe um brilho.
Anastásia percebeu a presença dele e parou a alguns degraus. Seus olhos azuis refletiam os mesmo sentimentos que os olhos cinza tempestade dele. O príncipe foi até ela embevecido com a visão. Estendeu a mão, Ana aceitou sem quebrar o contato visual. Ela desceu as escadas até estar a frente dele.
— Você está linda. – murmurou ele.
— Obrigada, Christian. – com a outra mão ele acariciou o rosto dela.
— Está melhor? – ela assentiu fechando os olhos.
— Sim, tomei um chá que a Gail fez. Onde estava?
— Fui montar. Arejar um pouco a mente. – o príncipe queria beija-la, mas tinha medo dela rejeitar seu beijo. Seu coração estava disparado, desesperado por esse beijo. O toque na pele dela não era o suficiente para acalmá-lo. O momento foi interrompido por Kate.
— Ana! Ainda bem que desceu. – ela parou ao perceber que os dois estavam conversando. – Desculpe, não quis interromper. – Anastásia se afastou de Christian, sentiu lagrimas nos olhos e as reprimiu.
— Não se preocupe Kate, tu não atrapalhou nada. – Christian permanecia no mesmo lugar, encarando fixamente. Ana saiu do hall sentindo seus olhos sobre ela.
— Parece que cheguei num mau momento. – murmurou a princesa Katherine e deu de ombros. Christian lhe sorriu triste.
— Está tudo bem. – ele ainda sentia a textura da pele dela sobre seus dedos. – Vou tomar banho e daqui a pouco desço para o almoço. – e assim ele seguiu.
Gail e Hannah haviam caprichado naquele almoço: costelas de porco e gado assadas. Quiche lorraine, saladas. Pães, bolos, batatas assadas. Entre outras gostosuras para a família real. Uma mesa farta para todos eles.
Anastásia comia calada ao lado do príncipe. Não sentiu fome a manhã toda, mas diante da mesa, estranhamente, sentiu seu estomago roncar alto. Estava comendo pela segunda vez.
— É nisso que dá não comer durante a manhã. – disse Elliot apontando para ela. Ela riu.
— Não achei que estivesse com tanta fome.
— Tá parecendo a Kate que anda comendo demais. – ele disse e no mesmo instante se arrependeu.
— O que você disse, Elliot?
— Calma, amor, não disse por mal. – tentou se explicar e sua expressão assustada arrancou risadas de todos na mesa.
— Eu não sei se tu lembras, mas eu estou grávida. E, sim, estou comendo demais porque parece que o nosso filho tem um estomago oco. – disse ela emburrada e voltou a comer sua carne.
— Isso é normal nas grávidas, minha querida. – disse a rainha. – Quando estive grávida dos meus meninos comia como se o dia fosse acabar.
— Do jeito que a Ana tá comendo é capaz de já está gravida. – murmurou Mia alegre. Anastásia e Christian se engasgaram ao mesmo tempo. O assunto pivô de sua discussão passada de novo sendo abordado. A ideia de já estar grávida assustou Ana e até mesmo o príncipe. Não era um susto ruim, pois ambos queriam independente dos medos, da pressão sendo exercida sobre eles. Mas parecia irreal pensar que já estivesse com um fruto do seu amor em seu ventre depois do que aconteceu.
A princesa Anastásia estava ofegante assim como o príncipe ao se recuperar.
— Vocês estão bem? – perguntou o rei. Eles assentiram.
— Está tudo bem, pai. Só não esperava que falassem nisso.
— E porque não? Já está mais do que na hora de Anastásia ter um filho teu. Aliás, passou da hora. – e pela primeira vez o príncipe percebeu a insegurança de Ana. Olhou para a mesa e todos olhavam para eles, Anastásia matinha a cabeça abaixada com vergonha. Kate do outro lado da mesa se remexia desconfortável na cadeira, pois sabia do que acontecia com o casal. O príncipe viu que sua amada estava sofrendo e com medo de decepcionar e cansada de ser cobrada. Ele lembrou que praticamente todos os dias e todas às vezes em que se reuniam tocavam no assunto e cobravam de Anastásia para que ela engravidassem logo. Se antes se sentia mal, agora, o príncipe, sentia-se pior.
— Pai, minha esposa e eu estamos curtindo nosso início de casamento. Quando a hora certa chegar teremos mais do que um filho. – sua resposta surpreendeu a todos. Anastásia levantou a cabeça para olhá-lo, os olhos dele estava nos dela. – Não é, meu amor? – lá estava o apoio que ela queria dele. Abriu um mínimo sorriso.
— Mas isso não está certo, meu filho! – exclamou a rainha. – Precisas de um herdeiro!
— E quem disse que eu não terei um ou mais? Mãe, entenda, tudo no seu tempo. – ela abriu a boca para falar mas ele a interrompeu. – Não vamos mais falar sobre isso, por favor. – a rainha assentiu ainda surpresa e todos voltaram a comer sem tocar mais no assunto. O rei estava com o rosto franzido em confusão e pensou que havia algo acontecendo com o filho e resolveu conversar com ele depois. Kate sorriu surpresa para Ana que estava do mesmo jeito.
O príncipe Christian decidiu que este seria o primeiro passo para mostrar a Ana que estava arrependido e que a entendia.
Lutaria por ela com todo o seu amor.
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