Um Príncipe em Cinquenta Tons
27 Capítulo 27
Notas iniciais
LEIAM NOTAS FINAIS!
O quarto estava com o ar mais quente, as respirações alteradas e os corações acelerados dos dois amantes deitados na cama. Nus e saciados.
– Cada vez que isso acontece parece ainda muito mais gostoso. – murmurou o príncipe, fintando o dossel da cama. A princesa ao seu lado, deitada sobre seu peito molhado de suor. – Muito gostoso. – Eu te amo. – diz ele de repente. Ela o olhou. – Eu te amo mais. Agora pode me dizer o que aconteceu?– Porque você acha que aconteceu alguma coisa?– Por vários motivos; Elliot veio te chamar para algo sério, percebi pela expressão dele e você pareceu aflito e cansado quando veio até mim, e sem falar que fizemos amor de novo.– Minha princesa e futura rainha, eu não preciso de motivos para te levar a minha cama. – ele sorriu maliciosamente. – Estou falando sério, Christian. – ele suspirou. – Meu pai passou mal. – O que? – Ana se sentou na cama e o príncipe seguiu os movimentos dela, sentando-se também. – Está tudo bem. Foi só uma queda de pressão. – Mas o que aconteceu? – o príncipe a olhou hesitante. Anastásia percebeu em seu olhar medo e apreensão. Isso a fez estremecer. – Conte-me. Por favor. – Não quero preocupa-la. – Não confia em mim?– Não é questão de confiança, amor. Confio a minha vida a você se for necessário. Mas é um assunto perigoso e não a quero envolvida. Meu coração não suportaria se algo acontecesse a você. – ele acariciou o rosto dela. Sua voz repleta de afeto e amor, Ana entendia isso, ela se sentia do mesmo jeito com relação a ele. Ela tinha medo de que algum mal acontecesse a ele. As lembranças de quando ele foi atingido por uma flecha percorrem sua mente a fazendo estremecer em pânico. – E se algo acontecer a você? – sua voz era o sussurro pavoroso. – Sinto que morreria se algo te acontecesse. Você é meu coração, Christian. – Ah, meu amor. – ele abraçou apertado. A princesa sentiu as lágrimas rolarem por seu rosto. – Não chore, querida. Está tudo bem. Vai ficar tudo bem. – Você me promete? – ela pediu, soluçando.– Sim, amor. Eu te prometo. Nada vai acontecer, eu não irei deixar. – E sob essas palavras, Anastásia relaxou nos braços dele. Em frente ao espelho, a princesa Anastásia fitava o próprio reflexo. Christian estava no banho, pela primeira vez Ana se recusou a tomar banho com ele. Fizeram amor mais algumas vezes com tanto amor e paixão que não cabiam em si. A princesa resolveu que estava mais do que na hora de contar a seu amado de uma vez por todas sobre seu medo de engravidar tão cedo, de toda a pressão que estava sobre ela com essa questão. Ela tinha medo, medo do que poderia acontecer depois dessa conversa. O príncipe ficava radiante sempre que mencionavam sobre o assunto, confiante de que ela já pudesse estar grávida. Olhou para si mesma no espelho, sentiu uma onda de náuseas um medo crescente em seu peito com a possibilidade de Christian ficar magoado. Ela não queria isso, mas não podia mais esconder seus medos. Agora eram marido e mulher e tinham que partilhar juntos todos os momentos e sentimentos, sem segredos. Ela o sentiu cansado, como se estivesse chegando ao seu limite com os problemas da família. Foi um choque para Ana quando soube que o rei Carrick tinha passado mal, o mais espantoso para ela foi perceber que se importava tanto com ele. Seu coração era puro, não guardava ressentimentos, mesmo depois das humilhações que sofreu ante todos da família real, que por ironia do destino, agora era sua também. – Esse banho poderia ter sido melhor se você estivesse comigo, amor. – o príncipe interrompeu os pensamentos dela. Ela estava enrolado em um roupão felpudo e com uma toalha na mão enxugando seu cabelo. – Precisamos conversar. – diz ela, virou-se para encara-lo, a expressão séria. Christian a fitou confuso pela mudança repentina do humor dela. – Você vem me dizendo isso desde hoje cedo... Será que agora conversaremos sobre seja lá o que for que queira me dizer? – perguntou ele secamente. Sua cabeça latejava e ele sentia a tensão no ar. – Bem, eu espero que sim. Não quero e não posso mais adiar essa conversa. — ele balançou a cabeça em concordância. Estava de costas para ela, vestindo suas roupas. Eles ficaram em silencio durante um tempo, ela com medo e escolhendo cautelosamente as palavras certas e ele em expectativa para o que ela iria dizer. Quando ela o chamou para conversar mais cedo, acreditou fielmente de que ela suspeitaria que estivesse grávida. Mas ela parecia aterrorizada, nervosa, que essa ideia ficou fora de cogitação. Para ele, se fosse isso que ela quisesse contar, deveria estar feliz, radiante. Qual mulher não ficaria ao saber que esperava um filho? O príncipe sentia que tinha algo de errado com ela. – Não fique magoado comigo. – ela sussurrou e isso o fez respirar fundo e virar-se bruscamente na direção dela, que arregalou os olhos.– Conte de uma vez. – sibilou com a respiração pesada. Como, depois de terem feito amor, estariam ali, tão tensos, por algum assunto que ele desconhecia, mas sentia que não era bom? Ela fechou os olhos e sem que percebesse, seus lábios soltaram o que tanto ela estava guardando:
– Na nossa lua de mel eu me preveni para não engravidar. – ela abriu os olhos às orbes cinza dele estavam arregaladas e ele engoliu em seco. – Sinto muito.(...) O lugar era escuro e fedido. Medíocre. Todo aquele ambiente o fazia ter náuseas. Em pensar que seu futuro poderia ter sido diferente. – Tens que se acalmar! – a mulher o alertou pela milionésima vez. – Cale a boca! Quem pensa que és para mandar em mim? – rosnou raivoso. Às vozes em sua cabeça estava enlouquecendo-o. E ela só colaborava para isso. – Sou aquela que te pôs no mundo e não estou disposta a deixar você colocar tudo a perder! – ele andava de um lado para o outro. Seu corpo arrepiado de forma assustadora. Estava cada vez mais frustrado, querendo que tudo isso acabasse logo de uma vez por todas. Pegar tudo o que o pertencia e destruir aqueles que só o fizeram mal. – Grande coisa. – zombou com desdém – Odeio você tanto quanto odeio eles a única diferença é que estamos juntos nisso. Se não fosse, já teria te matado. – ele disse friamente para a mulher a sua frente, sem nenhuma emoção. Ela o encarava da mesma forma. Ele era a sua cópia masculina, frio e calculista. Compartilhavam o mesmo sangue e a mesma personalidade. O mesmo sentimento: ódio e desprezo. Por causa dele a sua vida tinha se tornado um inferno e por causa dela a vida dele tinha se tornado um inferno. – Faça das suas as minhas palavras, querido filho. Estamos juntos nessa e não vou permitir que a sua cabeça doente estrague nossos planos. – ele a olhou raivoso. Odiava quando ela dizia que ele era doente. – Eu ainda não sei o que você veio fazer aqui. – resmungou ferozmente. Ele parecia um bicho selvagem pronto para atacar. – Eu disse que não precisava aparecer até que eu finalizasse o plano! E mais uma vez me desobedeceu! – a mulher de meia idade e bem conservada, continuou olhando-o com os olhos negros sem emoção. – Você é destrutivo. Não sabe se controlar! Quantas foram às tentativas, e todas elas falhas? Sua postura não condis em nada com o soldado que foi treinado! Foram anos te preparando para isso. – E você acha que eu não sei?! – ele gritou com ódio. Em um ato inesperado, derrubou a mesa que estava no centro daquela cabana, que por muito tempo era seu esconderijo, perto das colinas. Ninguém nunca encontrou aquele local. Havia mais esconderijos, apenas para despistar quem estivesse no seu caminho. Ele estava beirando a loucura. – Aquele desgraçado sempre escapa! Ele não pode ser melhor do que eu nisso! Nunca! – Cale-se! É disso que estou falando. – diferente dele, a mulher se mantinha impassível. Como se nada a abalasse. – Você deixa suas emoções falarem mais alto do que você! Eu já te ensinei várias e várias vezes que se deve permanecer no controle. Como espera ganhar essa guerra se não sabe se controlar? Se não sabe pensar melhor que os teus inimigos? Um soldado como você precisar estar sempre a um passo a frente, você tem essa vantagem. – Ela aprendeu a exterminar suas emoções, em suas correntes sanguíneas não existia sangue, ela não tinha um coração no corpo como uma pessoa normal. Tudo o que estava dentro dela era oco. – Está na toca dos nossos inimigos, vigiando seus passos, tendo livre acesso ao caminho do coração deles. — ela sussurrou. Foi até a janela e olhou para fora. Havia muita neblina cobrindo as árvores altas, o lugar era sombrio. Assim como eles. Há muito tempo ela sonha com essa vingança. Ele era só uma peça nesse jogo, uma peça importante mesmo que desprezível para ela. Ele se tornou de grande uso ao longo dos anos em sua vida, viu que mesmo com o temperamento explosivo que ele tinha e da mente perturbada, sabia guerrear valentemente. Mas as coisas pareciam fugir do seu controle, ela sabia lidar com isso, ele, por outro lado, ficava descontrolado. Isso não era um bom sinal. – Se as vozes não tivesse me impedido, eu o teria matado faz tempo. – ele se lembrou do dia em que sua flecha estava sobre o coração do príncipe Christian. – Ele estava com ela, em sua cama depois que eu a ataquei. – Mais um ato imprudente seu. – ela se virou para olha-lo. Aproximou-se dele e murmurou: – Você é um fraco, um tolo! Deveria ter matado a garota! – pela primeira vez, sua voz estava carregada de raiva. Inesperadamente, ele empunhou sua espada e a mirou na garganta dela. Ao contrario de qualquer outra pessoa, ela nem ao menos se mexeu, não exibiu qualquer reação. Era como se esperasse essa atitude dele. Ninguém melhor do que ela conhecia-o tão bem. – Sua porca nojenta, cale-se ou cortarei sua garganta! – sua mão tremia com a espada. Não permitiria que ela tocasse no nome da sua amada, da mulher que o príncipe Christian o tomou, Anastásia. – Como ousa falar assim dela na minha presença?– Você não percebe? Ela não pertence a você! – ela o provocou. – Desgraçada! – em um ímpeto, ele retirou a espada da garganta ela para atingi-la. Prevendo isso, ela o chutou no abdômen o deixando sem fôlego por um instante e nesse momento ela retirou a espada da mão dele após outro chute no mesmo loca. Era o ponto fraco dele. De maneira rápida e ágil, como uma cobra que deu o bote. Ele tentou dar-lhe uma rasteira, ela moveu o corpo para à frente dele e o acertou novamente no abdômen com cotovelo. Seus golpes eram duros e secos, ela acertava em pontos estratégicos assim como lhe fora ensinado. O corpo do homem curvou para frente e ela moveu-se para trás dele acertando-lhe um chute na perna. Ele rosnou de dor. Ajoelhado no chão, ele viu quando pegou a sua espada e apontou para ele. Ele a encarava de forma mortal. Os olhos dela tão idêntico como os seus. Negros e gélidos, duas esferas sombrias. Odiava quando ela o vencia. Nem mesmo nos treinamentos ele permitia que sua mãe o vencesse. E mesmo velha, ela estava em boa forma. – Escute bem, querido filho. – disse ela. – Se continuares com essa obsessão, colocará tudo a perder. E eu não estou desposta a deixar que anos de planejamento para acabar com aquela maldita família vá por agua a baixo por sua culpa. Arranco seu coração fora sem dó nem piedade assim como foi instituído a mim, antes que você estrague tudo. – Já disse que não irei colocar tudo a perder! Eu também quero acabar com todos eles, mas ela é minha. E eu decido se ela morre ou não! – ele rosnou e se ergueu. – E se eu decidir, eu mesmo a matarei! – Assim eu espero. – ela o entregou a espada. Ele aceitou. – Já chegamos até aqui, Jack. Falta pouco para tudo isso acabar e ter o que é nosso por direito. – ela sorriu de maneira fria. – Ela Já foi capturada e está bem escondida. Leila seria de grande uso se quase não tivesse colocado tudo a perder. Achei que estava fazendo a coisa certa quando a fiz ir até aquele palácio e se tornar dama de honra da rainha, mas vejo que foi um erro. – ela virou as costas para ele indo em direção a porta.– E você não admite erros. – ele disse irônico. Ela parou e por cima do ombro o olhou com a expressão indecifrável. – Não, não admito. O problema é que Leila veio com erro de fabrica não puxou nem um pouco a mim e nem a você. Ela não está de acordo com os nossos planos. –Tudo o que ela quer é ele e isso não está nos nossos planos, ninguém daquela família pode sobreviver.– A mataremos quando tudo acabar. Sua irmã se tornou um fardo para nós. Mas isso não depende apenas de mim. Ela foi uma boa distração para eles enquanto o nosso grupo agia. Agora ela é descartável e quando tudo isso acabar... – ela deixou a frase pairada no ar. – Ela é uma garota boba, mas tenho que admitir que ela é muito esperta. Se os objetivos dela não fosse tão tolos ela seria de grande uso para nós. – ela deu de ombros sem importância. – Quando começaremos a agir? – Você disse que a sua princesinha conversaria com o príncipe hoje, não é? – ele anuiu com a cabeça. Fora arriscado o que fez. Quando todos estavam dando atenção ao rei, ele se esgueirou para o palácio e conseguiu ouvir a conversa que tanto o deixou furioso. – Aquele garoto é explosivo assim como você. Estamos empurrando ele para a beira do precipício e mais cedo ou mais tarde a única opção que ele vai ter é a de pular. E quando não tiver mais saída, vai ser aí que vamos agir. Só precisamos ser cuidadosos, não irei admitir mais erros. – ela o olhou de maneira incisiva. – Estaremos na cidade, continue mantendo as posições e sem cometer mais nenhum deslize. Não será poupado da próxima. – e ela se virou para ir embora e ele a chamou novamente e disse: – Eu sei que você a estava vigiando. Espero que você não faça nada contra ela. – ela virou-se de lado para encara-lo. – Ou eu arrancarei seu coração sem dó nem piedade assim como foi instituído a mim. – ela soltou uma risada sinistra.
– Eu adoraria vê-lo tentar. – disse ela e se foi. (...)– O que você disse? – Eu sinto muito, meu amor. Perdoe-me. Não fique com raiva de mim. – ela pediu desesperada. Suas lágrimas rolando por seu rosto. Ele estava estático, pálido, os olhos tão arregalados como ela jamais viu. Parecia que a qualquer momento ele desabaria. – Christian... – ela o chamou, sua voz falha.– Você está brincando, não é? – ele deu um sorriso apático. – Se você acha que isso tem graça pode parar, Anastásia, porque não tem. – a princesa balançou a cabeça em negativa. – Diga que está brincando! – exigiu. Ela começou a chorar copiosamente e ele se aproximou dela com passos firmes. Ana recuou, sentiu medo do que ele poderia fazer. Seu rosto que antes estava apático e pálido, agora estava consumido pela raiva, descrença e magoa. Suas mãos seguraram com força os braços dela e a chacoalhou. – Diga. Agora! – Christian... – ela soluçou. Seu rosto estava vermelho pelas lagrimas que não paravam de escorrer por suas bochechas. Uma onda de náuseas a atingiu novamente, suas pernas estavam bambas. Seu coração estava tão acelerado que ela mal conseguia respirar. – Christian, por favor. – suplicou novamente, pedindo que ele se acalmasse, mas foi em vão. Ele a soltou bruscamente quando ela tentou toca-lo a face. Aquilo doeu em Ana. Ele recusou seu toque. – Não faz isso. – ela pediu, sentindo um gosto amargo em sua boca ao ver que ele tinha se esquivado de seu toque. Aquilo doeu mais do que qualquer coisa. Era a dor da rejeição. – Você não quer ter um filho meu?– Não é isso, pelo amor de Deus! Eu ate amo, é claro que quero ter um filho seu. Nada me faria mais feliz. Mas eu tenho medo, Christian. Sua família, você estão me pressionando tanto sobre esse assunto. Nós mal nos casamos e pouco aproveitamos nosso tempo juntos, nossos momento a dois e agora me vejo sendo pressionada por todos para engravidar. – ela desabafou entre os soluços. Ele permanecia parado na frente dela com seus olhos fixos nela, em cada movimento que ela fazia. Ouvindo tudo e sentindo uma dor em seu peito esperando que aquilo não passasse de uma brincadeira. Até que ele percebeu que o que ela falava era verdade, ela não estava mentindo. A dor, o desespero no olhar dela para com a sua reação. Lembrou-se de todas às vezes que ela ficava nervosa quando seus pais tocavam no assunto. Será que era uma forma dela o punir por todo o mal que ele já fez a ela? Como não percebeu isso? – Você está me punindo é isso? Está fazendo disso uma punição depois de tudo o que aconteceu? Porque está me castigando dessa maneira, Ana? – sua voz saiu tremula. Ele não queria acreditar que esse fosse o motivo. Que ela estava se negando a ter um fruto do seu amor, do amor deles.– Como podes pensar isto de mim? Eu jamais faria isso com você! Não suportaria fazê-lo sofrer. – ele a interrompeu bruscamente, com a voz alterada e afetada de dor.– Mas está me fazendo! – a princesa soluçou. Colocou as mãos no rosto sem conseguir se conter. Tamanha era a dor de vê-lo daquele jeito. Tamanha era a sua dor por imaginar que não conseguiriam achar um caminho. Ela queria exorcizar os medos que a assombravam, mas precisava dele, da compreensão dele. Mas ele parecia tão distante. – Porque, Ana? Por que isso? Logo agora? Você sabia que se casando comigo assumiria certas responsabilidades. E um filho meu além de fortalecer os nossos laços, era importante para o futuro do trono.– Eu sei disso, Christian. – com esforço ela tentou acalmar seus soluços. – Mas eu tenho tanto medo do que estar por vir. Eu sinto, sinto que tem algo errado. E se eu não conseguir engravidar? Vocês ficaram tão frustrados, decepcionados e eu só serei esmagada por vocês! – É assim que pensa? Que minhas obrigações com o reino é maior do que o amor que sinto por você? – ela balançou a cabeça em negativa. – Entenda-me, por favor, eu só estou com medo. – ela se aproximou dele, tentando buscar um contato físico que a acalmasse, só ele era capaz de trazer conforto para seu coração. – Não! – a voz branda dele parou no lugar. Ele, mais uma vez, a estava rejeitando. Aquele ‘não’ pareceu ter vindo com farpas, ela sentiu seu coração sangrar. – Christian... – o sussurro carregado de dor, fez com que o príncipe soltasse um soluço estrangulado. Ele se sentiu em seu limite. Tantos problemas estavam caindo sobre si, ele se sentiu perdido sem saber o que fazer. Amava aquela mulher com toda a sua vida, mas a revelação dela o pegou de surpresa e tudo o que conseguiu pensar era que ela o estava o punindo. Ele virou-se de costa para ela e seguiu até a porta, deixando-a no quarto, desamparada depois de ouvir seu grito. O príncipe desceu as escadas, transtornado, nem se deu conta de que sua família estava reunida na sala. Todos pararam a conversa quando viu o estado dele. Seu irmão, o príncipe Elliot, o chamou, assim como seus pais. Ele não parou, apenas seguiu para fora do palácio, foi até o estabulo e pegou seu cavalo. Precisava fugir de tudo aquilo, extravasar de alguma forma todos aqueles sentimentos que o estava sufocando. (...)– Meu Deus, Anastásia! – a princesa Katherine correu até Ana, que estava deitada no chão em posição fetal, chorando copiosamente. O rosto vermelho e inchado por seu pranto. – O que aconteceu, Ana? – Eu contei... Kate... Eu contei... Ele me rejeitou. – ela se agarrou a Katherine em busca de conforto. Sua alma estava dilacerada, não imaginou que doesse tanto o fato dele não querer seu toque. – Ah, Ana, eu sinto muito. Não imaginei que meu cunhado reagisse dessa forma. Ele saiu daqui transtornado, ninguém entendeu nada. – Dói tanto isso, Kate. Não quero perde-lo. – Meu cunhado tem um gênio forte, Ana, mas ele vai te entender. Ele só precisa assimilar tudo. – ela tentou apaziguar o sofrimento dela. – Onde será que ele está? – perguntou mais para si do que para ela, soluçando, buscando um consolo que seu amado não deu. Buscando um jeito de tudo isso acabar bem.(...) Ele seguiu sem rumo pelas ruas da cidade. Tudo estava iluminado pelas atrações dos circos e dos ciganos que chegaram ao local. Mas nada daquilo o interessava. Continuou montado em seu cavalo, sentindo o vento frio batendo em seu rosto, as lágrimas escorrendo. Repassou a conversa que teve com Anastásia e não conseguiu entender o porquê de tanto medo. Ele sempre esteve com ela, jamais a deixaria desamparada. Não havia o que temer. Estava desnorteado, não sabia onde estava, parou o cavalo e o amarrou em qualquer lugar, que ele nem ao menos soube identificar. Sua visão estava nublada. Andou de um lado para o outro, vendo e ouvindo a voz dela, dizendo que não estava grávida. Que tinha evitado. Passou a mão com força no rosto para limpar as lágrimas. “Porque, Ana? Porque não quer um filho meu?” — ele pensou. Ela disse que queria, mas tinha medo... Mas quando seu medo iria passar para que pudessem ter um bebê? Ele balançou a cabeça, querendo esquecer, querendo entender. Olhou ao redor tentando buscar a solução. Mas não encontrou. Andou mais alguns metros sem prestar a atenção em nada. Até que uma barulheira o despertou, um barulho familiar. Um cheiro familiar. Vozes altas, gritos, musica alta... Ele conhecia aquela mistura. Olhou para frente e nem acreditou que seus pés o levaram para aquele lugar. Um lugar que já não fazia mais parte da sua vida e ainda assim se sentiu confortável quando se deparou com ele. O Harém.
Notas finais
Bem, gente, peço desculpas pela demora, mas minha vida está uma montanha russa de acontecimentos. Venho passando por problemas familiares que me fizeram da uma pequena parada na escrita dos capítulos dessa e da minha outra estória. Alguns aqui sabem que eu tenho uma irmã especial que está usando uma sonda para poder se alimentar. E a atenção sobre ela é dobrada. Amanhã ela vai ser internada. Então, só conseguir terminar esse capítulo agora a pouco, confesso que me deu muito trabalho e não sei se ficou ao gosto de vcs. Não sei se era isso que vcs estavam esperando. Espero que sim, por isso, comentem para que eu possa saber. Peço desculpas pelos erros que encontrarem aí.
Quem será esses da conversa na cabana? Sinistro, não? Leila, Leila é irmã de quem? Do mascarado? Nossa! Surpresas vindo aí. E essa mulher? Querendo matar os próprios filhos? Me arrepiei! Fiquem ligados, a estória está entrando em reta final.
Tenho uma notícia. Essa estória e A Troca agora são escritas a penas por mim. Há algumas semanas atrás a Lily desistiu de escreve-las. Mas ela ainda continua postando Jeito do Mato, para quem acompanha a estória dela. Também categoria cinquenta tons.
Beijos e abraços!
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