Um Príncipe em Cinquenta Tons
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 26
— Vai me contar agora? – perguntou o príncipe assim que abotoou sua camisa. Já era noite. A princesa Anastásia estava perto da sacada, observando o jardim do palácio com os pensamentos longe. O príncipe a abraçou por trás. – O que tanto te aflige? Conte para mim, amor. – pediu ele suavemente. A princesa respirou fundo, não sabia como contar sem magoa-lo. Ela saiu do abraço dele e caminhou pelo quarto, sentindo os olhos de Christian em suas costas. Ela respirou fundo três vezes e virou-se de frente para ele. Ele estava de braços cruzados com o cenho franzido.
— Eu nem sei como te contar isso. – murmurou ela forçando um sorriso.
— Que tal começar pelo o inicio? Eu estou começando a ficar preocupado e sem paciência, Anastásia. — o tom de voz dele era autoritário. As mãos da princesa começavam a suor em nervosismo, ela estava com medo da reação dele.
— É difícil para mim te dizer isso sem te magoar. — o príncipe iria falar algo, mas a princesa ergueu a mão. – Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida, passamos tanta coisa para chegarmos até aqui... Estamos casados... E vamos formar uma família... — ela engoliu em seco. – Eu sei que você quer muito um filho, e eu também quero, muito. É só que... eu... eu não... – Anastásia não conseguiu completar a frase.
—Sim, eu quero ter um filho com você, o mais rápido possível. Nada me faria tão feliz. – ainda confuso pelas palavras dela, o príncipe Christian se aproximou de sua amada. Parando em sua frente, perto o suficiente para tocá-la, ele acariciou o rosto dela. O calor do seu toque trouxe a ela a calmaria que necessitava seu coração acompanhando de uma corrente elétrica, que sempre esteve presente com eles. Mas palavras dele foram como uma facada no coração da princesa. Como ela poderia dizer a ele que não queria um filho agora? Que queria mais tempo ao lado dele, sem ter a responsabilidade de criar uma criança? Como ela diria que estava com medo de ser mãe? – Qual é o problema, meu bem?
Milagre ou sorte, alguém bateu na porta do quarto, interrompendo-os:
— Entre! – ordenou o príncipe Christian, ainda encarando a princesa, à espera de alguma resposta. O príncipe Elliot abre a porta e entra. Estava nervoso.
— Ah, Ana, não sabia que estava aqui. – murmurou com a voz tensa. O príncipe Christian lançou um olhar inquisitivo na direção dele. A princesa franziu o cenho.
— Está tudo bem, Elliot?
— Sim, Ana, está. Desculpe interrompe-los, mas é urgente. Irmão, papai está te esperando na biblioteca. – avisou e pelo olhar que o príncipe Elliot o deu, percebeu do que se tratava. Ele acenou com a cabeça e voltou sua atenção para Anastásia, que estava com a feição intrigada.
— Querida, depois continuamos com a nossa conversa. – ele beijou sua testa e saiu do quarto junto com o irmão.
Assim que eles saíram de suas vistas, a princesa soltou um suspiro estrangulado.
(...)
Na biblioteca, o rei Carrick estava reunido com o general Taylor e seus filhos. Todos estavam tensos.
— Como isso chegou aqui? – perguntou o príncipe Christian para o pai, examinando o papel velho em suas mãos.
— O mensageiro do rei o trouxe alteza – respondeu o general –, um garoto de rua o entregou.
— Você procurou saber a origem disso aqui? Interrogou o garoto?
— Sim, alteza. Vosso pai pediu que eu o fizesse, fui atrás desse garoto e tudo o que ele sabia era que um homem todo encapuzado o abordou e pagou para que ele entregasse ao mensageiro do rei, nada mais. – o rosto do príncipe Christian se contraiu. Seu coração estava batendo forte no peito. Uma mistura de fúria, medo e nervosismo corriam por suas veias fazendo sua respiração oscilar.
— Tem alguma chance de ter sido o maldito mascarado?
— Ele é o único que poderia ter mandado isso filho... Esse bilhete expressa completamente todo o ódio que ele sente por ti, é um homem perturbado. — se pronunciou o rei Carrick.
— A ameaça está clara, mano. – diz o príncipe Elliot. – Ele exclama uma ameaça contra nós.
— Aquele desgraçado! Ele tentou violentar a minha Anastásia, atentou contra mim e agora está me ameaçando. Maldito! – o príncipe Christian começou a esmurrar a mesa, assustando todos.
— Christian, se acalme.
— Como você quer que eu fique calmo Elliot? Esse desgraçado está brincando conosco, a minha família, e ameaçando a mim e eu nem ao menos sei quem ele é.
O príncipe lembrou-se que ele era a sua única e veemente suspeita e certeza de que ele o assassino do príncipe Aron. Ele respirou fundo com dificuldade, seu pai e irmão não sabiam disso e resolveu compartilhar. Ele olhou mais uma vez para o bilhete com letras de papel coladas, um bilhete confuso e perturbador de um assassino louco, cruel e maquiavélico, que formavam o seguinte recado:
“A MORTE DE TODOSVOCÊS ESTÁ MAIS PRÓXIMA DO QUE IMAGINAM.
PRINCIPALMENTE DAQUELE QUE ME NEGLIGENCIOU A VIDA INTEIRA.
EU TENHO SEDE DE VINGANÇA, TENHO SEDE DE SANGUE.
A CULPA É TODA SUA, PRÍNCIPE CHRISTIAN!
VOCÊ ROUBOU TUDO DE MIM! TUDO! DEIXANDO-ME NA MISÉRIA.
E EU TOMAREI DE VOLTA, TUDO AQUILO QUE ME PERTECEU,
EXATAMENTE TUDO.
A GUERRA ESTÁ SÓ COMEÇANDO E VOCÊ NÃO SAIRÁ VIVO DESSA”.
Mais do que nunca o príncipe estava determinado a pegar esse criminoso e proteger sua família a todo custo.
— Pai, Elliot, vocês precisam saber de uma coisa.
(...)
— Você contou para ele? – a princesa Katherine perguntou à Anastásia. Ela estava nos aposentos da princesa Katherine, que estava por trás do biombo junto com Hannah, que agora era a sua dama de honra, ajudando-a a se vestir.
— Não consegui. – ela suspirou. – Não é fácil contar uma coisa dessas para a pessoa que você ama e que está depositando expectativa em relação a esse assunto.
— Ainda assim, você precisa contar o mais rápido possível. – a princesa saiu do biombo ao lado de Hannah. Elegantemente vestida, Katherine optou por um lindo vestido verde agua rodado que marcava sua linda barriga de quase quatro meses. – Obrigado Hannah, você pode ir. – Hannah sorriu e saiu.
— Está linda. – elogiou Ana.
— Obrigada. – ela se sentou perto da amiga. – Ana, me escuta quanto antes contar a ele, vai ser melhor, em breve teremos a festa de coroação dele e esse assunto precisa estar resolvido entre vocês antes disso.
— Eu sei, eu sei. Eu estava disposta a contar, mesmo estando tão nervosa, mas sempre que eu olhava para ele, meu coração se apertava ao imagina-lo magoado comigo. Isso nunca Kate. – os olhos da princesa Anastásia lacrimejaram. – Você viu o que eu e Christian passamos até chegarmos aqui e tudo o que eu menos quero é problema. Eu me sinto tão pressionada por ele e seus pais.
— Ah, querida. Eu passei pelo mesmo, a única diferença é que não estava passando por um conflito interno como você.
— E por uma pressão que você nunca passou Kate. Christian é o herdeiro do trono, ele ocupara o lugar de Carrick, precisa de um herdeiro.
— Isso é tão simples Ana, porque tem que complicar?
— Não estou complicando, só estou com medo. – a princesa Anastásia suspirou e se levantou passando as mãos no rosto. – Medo de tudo isso. Quando fui visitar meus pais, eles me disseram que tinham medo de eu ficar deslumbrando com todo esse luxo, Kate, eu jamais me imaginei sendo princesa muito menos sendo a mãe do herdeiro do trono.
— Então, esse é o seu problema? A riqueza?
— Não é medo, é receio, não quero perder minha essência. – ela diz. – Eu amo o Christian loucamente, e darei a ele quantos filhos ele quiser, mas eu não queria que tivesse que ser assim, nessa pressão constante. Sinto-me como um bicho encurralado, não é bom se sentir assim. Imagina a decepção de todos se eu chegar a falhar a ter um filho. – ela murmurou nervosa.
— Eles não poderiam culpar você Ana, antes de tudo você é humana.
— Eu sei disso, eles sabem disso. Mas quem ousa dizer isso para a família real? – diz ela e volta a se sentar.
— Eu entendo você – começou Kate –, também não me imaginava casada com Elliot e a espera de um filho dele. Morria de medo. De tudo! Como esposa, nós assumimos essa responsabilidade e tantas outras que pensamos não dar conta de tudo.
—Eu sempre fui uma garota simples e nunca fui infeliz diante de todas as dificuldades que eu passei. Tudo isso que eu estou vivendo é muito novo. – a princesa já havia sentindo essa sensação, a alguns meses atrás quando era uma simples serviçal que quase sofreu abuso por um louco que continuava a solta por aí.
— Por isso tem que conversar com meu cunhado. Se continuar a esconder isso dele, as coisas só vão piorar. – aconselhou a princesa.
— Eu sei. – ela suspirou. – De hoje não passa.
(...)
O rei Carrick e o príncipe Elliot estavam atônitos, pálidos. Preocupado, Christian colocou um pouco de agua para seu pai, que estava tremendo.
— Beba isso pai, vai se sentir mais disposto.
— Christian, você tem certeza do que disse? – perguntou o príncipe Elliot. O príncipe Christian tinha acabado de contar tudo sobre o que descobriu da morte de seu irmão, o príncipe Aron. Desde suas suspeitas para com Anastásia, até o momento que descobriu que o mesmo homem que a atacou, era provavelmente o assassino e o autor da ameaça anônima, tendo como prova a flecha que matou seu irmão, que era igual a que ele tinha deixando cair na mata quando os soldados o caçaram.
— Sim, Taylor esteve comigo nas investigações. Apuramos tudo o que era suspeito, até chegarmos nessa conclusão. O assassino de Aron é o mascarado. – afirmou o príncipe. – Não tem como não ser ele. Ele até tentou me matar.
— Por que não me contou isso antes?
— Não quis te envolver Elliot, era perigoso e você tinha sua esposa e filho para cuidar. – o príncipe se levantou de súbito.
— Droga, Christian! – diz ele, revoltado. – Aron era meu irmão, você não podia ter escondido isso de mim!
— Eu não podia arriscar. Elliot, isso estava se tornando cada vez mais perigoso. – revidou Christian, alterado. – Eu culpei a Ana de ter sido a assassina do meu irmão, tem ideia de como eu fiquei quando descobri a verdade? Imagina se vocês soubessem disso, o meu ódio por ela não me fez enxergar o que estava a um palmo a minha frente, mas por outro lado a salvou de viver na masmorra ou até mesmo a morte por enforcamento. – Christian estremeceu com o pensamento, jamais se perdoaria. – Eu queria me vingar e por isso a trouxe para cá e a fiz trabalhar como uma condenada, essa foi a minha forma de vingança, privá-la de viver com sua família e realizar qualquer sonho que uma moça na idade dela tem. Humilhei-a e todas as formas possíveis. Fiz tudo errado, mas graças a Deus e à Taylor que me fizeram abrir os olhos. – ele confessou, consternado.
— Quando o príncipe Christian me pôs a par de tudo, alteza – começou Taylor a falar. –, eu nunca acreditei que a princesa Anastásia fosse realmente culpada. E quando vi a flecha, minhas suspeitas foram confirmadas. Esse homem nutre uma obsessão por ela.
— Ah meu Deus! – sussurrou com sofreguidão o rei Carrick, que até então tinha permanecido calado, estatelado diante das revelações.
— Pai, o senhor está bem? – perguntou o príncipe Christian, indo ao encontro dele, quando o rei começou a suar e desabotoar a sua camisa. Ele estava suando. – Pai? – o príncipe estava desesperado. – Elliot chame o doutor Flyn e peça para que ele venha imediatamente. – Elliot já o chamava pelo telefone.
Christian e o general o apoiaram nos ombros e o levou para se deitar no sofá que ficava na biblioteca.
— Pai fique calmo. – pediu Christian e o rei ainda respirava pesadamente.
Poucos minutos depois, a porta se abre em um rompante, Doutor Flyn junto com a rainha Grace entram, ela se desesperou ao ver o marido passando mal.
— Cary, meu Deus, o que houve? – ela correu na direção dele e segurou suas mãos.
— Mãe, fique calma, o doutor Flyn está aqui para ajuda-lo.
— O que aconteceu com ele, Christian?
— Mãe, por favor, deixe o doutor examiná-lo. – Doutor Flyn se aproximou, retirou o estetoscópio de sua maleta para examiná-lo. Dr. Flyn fez todos os procedimentos necessários sob os olhos atentos dos filhos e da esposa do rei.
— Então, Flyn, o que ele tem? – a rainha voltou a se aproximar do marido, segurou sua mãe, o rei permaneceu calado com o olhar distante.
— Ele está bem, majestade. Só precisa de repouso, fui uma queda de pressão brusca, mas já está estabilizada. – todos respiraram aliviados. – Deixarei algumas medicações prescritas com os horários que ele precisará tomar isso pode ocorrer outras vezes e os remédios vão ajudar a controlar. – diz ele e o príncipe Christian assente, prestando a atenção em tudo o que o médico diz.
Após a saída do doutor, os filhos ajudaram o rei a ir até seu quarto para repousar.
— Precisa de alguma coisa, pai? – ele apenas negou com a cabeça, ainda muito abalando com as revelações. Só estavam no quarto seus dois filhos, a rainha saiu para ir pedir a Gail que preparasse um chá para ele. – Sinto muito pai, não queria que isso acontecesse. Nada disso. Espero que entenda, omitir tudo para protege-lo.
— Eu te entendo filho. – a voz do rei saiu embargada. –Eu me sinto muito orgulhoso de vocês dois, sei que são capazes de tudo para proteger aquilo que ama, mas... tudo o que você falou... eu... eu falhei com seu irmão. Se eu tivesse feito as coisas diferentes, apoiado ele em suas decisões, nada disso estaria acontecendo e hoje ele estaria conosco. – o rei murmurou aos prontos.
— Pai, não fica assim. – pediu o príncipe Elliot, segurando suas lágrimas. – Não tinha como você saber, e todos nós falhamos com ele.
— Mas eu sou o pai, Elliot. E acabei errando com Christian. Impondo minhas vontades sobre ele sem se importar com a opinião dele. – ele olhou para Christian. – Perdão meu filho, eu estou pagando pelos meus pecados do passado.
— Não pai, não diz isso. – o príncipe o abraçou. O príncipe Elliot se juntou a eles tentando acalmar o pai. O rei estava se sentindo vulnerável e com o coração cheio de culpa por ter falhado com seu filho mais novo, por ter falhado por tudo. Talvez, fosse a sua penitencia, pagar por tudo que errou quando mais jovem e por ter continuado a errar.
(...)
— Como está o seu pai? – perguntou a princesa Anastásia assim que Christian entrou no quarto. Sem falar nada, ele se aproximou dela e a abraçou forte. Ele estava precisando disso, do conforto do abraço dela para se acalmar. Quando sentiu o calor do corpo dela, tudo o que fez foi apertá-la em seu abraço e colar seus lábios no dela, com ardor e paixão. Desesperado para sentir o sabor dela.
— Eu preciso de você, como nunca precisei em toda a minha vida. – sussurrou ofegante entre o beijo, começando a caminhar com ela pelo quarto em direção a cama. Ana não disse nada, apenas enlaçou os braços no pescoço dele completamente entregue a paixão avassaladora que sentia um pelo outro.
A conversa ficaria para depois.
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