Um Príncipe em Cinquenta Tons
12 Capítulo 12
Notas iniciais
A atmosfera havia mudado drasticamente. Era palpável a tensão em todos, obviamente ninguém esperava por isso.
Os membros da família real estavam nervosos e surpresos mediante a revelação de que uma simples criada, possivelmente, passaria a ter o titulo de princesa e brevemente o de rainha, mas no momento estava intitulada como fugitiva.
Na biblioteca todos se reuniram. Alguns soldados procuraram pelo palácio por ela, mas não encontraram nada.
— Ela fugiu! – exclamou o rei raivoso fitando diretamente seu primogênito. — Isso é culpa tua, Christian! Por que a acobertou?
— Pai, Ana estava com medo e eu prometi que tiraria aquele troço do dedo dela. – explica enquanto passa as mãos pelos cabelos em um gesto nervoso, estava preocupado com a plebeia.
— Eu nem sei mais o que dizer. – disse a rainha andando de um lado para o outro. — O que todos vão dizer? A Corte? O conselho real? Uma criada como nora.
— É verdade rainha Grace, os Greys serão motivos de chacota e zombaria. – disse Leila se abanando com o leque. — Imaginem essa criada comendo conosco na mesa? Melhor um desastre!
— Leila! – dizem as princesas Mia e Kate em conjunto. — Ela revira os olhos e sorriu debochadamente.
— Desculpem-me, apenas estou pensando na reputação do reino.
— Leila, já chega! – disse o príncipe Elliot. — O que temos que pensar nesse momento é em como encontraremos a Ana. – disse ele calmamente. — Christian tem alguma ideia de onde ela pode estar? – os olhares se voltam para ele, menos o de Suria que estava em pé olhando pela janela. Seu olhar estava distante como se pensasse em algo.
— Não... Não sei.
— Talvez ela possa ter ido para a casa dos pais.
— Creio que não, ela está com medo de que a acusem de roubo e com certeza não está lá para poupar eles dessa confusão. – disse o príncipe e suspirou ruidosamente.
— Maldição! – exclamou o rei Carrick dando um soco na mesa assustando todos. — Que fique bem claro aqui que não permitirei a união dos dois. – disse e Suria o olha estreitando os olhos.
— Você está certo em proibir meu rei. – disse Leila sorrindo. — Aquela selvagem só traria vergonha para o vosso reino.
— Oh, inferno! Já chega! – explode o príncipe Christian. — Cale a boca, isso é uma conversa entre a família. – disse dando ênfase em família. — Agora saia, Leila. – ordena irritado e ela arregala os olhos ao ver que ninguém interfere.
— Rainha Grace? – chamou por ela com a voz mansa. A rainha lhe acaricia o rosto com ternura.
— É melhor você ir, querida. Todos nós estamos nervosos. – disse e ela assente.
— Eu só queria ajudar.
— Nós sabemos. Agora vá e descanse. – Suria acompanha com os olhos a saída de Leila. O falatório sobre Ana e o anel continua e ela ouve tudo atentamente e resolve se pronunciar:
— Não adianta lutar contra o destino que já está escrito. – disse ela calmamente e todos se calam.
— Suria, não tem outra maneira de revertermos isso? – pergunta a rainha aflita.
— E se dermos o anel a ela e comprássemos outro para Christian dar a outra moça? – sugeri o rei e Suria mais uma vez estreita os olhos em sua direção. -Isso ficaria em segredo, apenas a família saberia.
— Tio, isso não é justo! – exclama Mia indignada. — Vais voltar atrás no teu decreto?
— Mia, estamos desesperados! – disse a rainha. O príncipe Christian permanecia em silencio, Suria o encarou e ele desviou o olhar, ela era intimidante.
— Pode tentar o que for não se podem enganar o destino. Vocês são livres para escolher o destino do reino, mas estejam prontos para as consequências. – disse de forma serena, mas para eles sua voz saiu assustadoramente ameaçadora.
— Que consequências? – pergunta o rei.
— O tempo mostrará.
— Maldito anel! Maldito decreto! Dane-se não haverá casamento.
— Então, a sorte do teu reino começou a correr. – e mais uma vez sua voz saiu em tom de ameaça assustando todos. — Pelo jeito minha missão por aqui não acabou, ficarei mais um tempo na cidade. – disse caminhando em direção a porta com as mãos para traz. Antes de sair ela virou e encarou todos naquela sala. — Não julgue as pessoas por sua aparência ou classe sócia, majestade. Espero que o quanto antes possa enxergar que isso é um erro, mas até lá... Boa sorte! – disse e saiu.
(...)
Seu instinto naquele momento foi fugir como o diabo foge da cruz. Ao se ver diante daquela situação onde a acusariam de roubo, não suportou e correu. Parecia que Anastásia carregava todo o peso do mundo em seus ombros. Como uma avalanche todos os acontecimentos recaíram sobre ela com força total, sufocando-a. Realmente, isso era um carma!
Se embrenhando pela floresta a dentro, Anastásia corria sem rumo com algumas lágrimas escapando de seus olhos enquanto sua mente a leva de volta para aquele dia trágico. Ela fecha os olhos com força.
— Aron, precisamos correr ou eles nos pegaram! – disse ela e imediatamente eles fugiram se infiltrando na floresta. Era possível ouvir os trotes de cavalos. A confusão havia se instalado no pequeno vilarejo, algumas casas pegavam fogo e pessoas gritavam correndo de um lado para o outro. Aron segurava sua mão enquanto corria ele havia prometido que a protegeria.
Suas lembranças foram interrompidas com o seu próprio baque. Correndo com os olhos fechados Ana não viu uma pedra que estava em seu caminho e tropeçou indo de encontro ao chão. Um soluço escapou de seus lábios e logo em seguida um grito de dor.
—_AHHHH.... – era um grito que estava preso em sua garganta à tempos, se enrolou em posição fetal e chorou desesperadamente.
(...)
Em torno de 30 soldados juntamente com o general Taylor estavam reunidos no pátio do palácio enquanto o rei Carrick e seus filhos ditavam ordens. Tinham que encontrar Anastásia o mais rápido possível estava prestes a anoitecer e isso dificultaria nas buscas.
As mulheres estavam reunidas na sala tomando um chá de camomila servido por Hannah.
— Onde será que Ana está? – perguntou a princesa Katherine mais para si mesma.
— Tomara que bem longe daqui. – disse Leila com desdém. — Qual é o seu problema com ela? – pergunta a princesa.
— Você ainda não percebeu, Kate? – perguntou Mia encarando Leila. — Se a Ana é a escolhida para se casar com meu primo, Leila não tem chances com ele. – disse Mia e recebe um olhar mortal de Leila, ela havia tocado em seu ponto fraco.
— Ah, agora eu entendi. – disse Kate bebericando seu chá, ela estava se sentindo um pouco desconfortável.
— Ela não irá se casar com ele! – exclamou Leila. A rainha Grace estava em silêncio, apenas ouvia. Mia sorri irônica na direção de Leila e volta a tomar seu chá mais é interrompido quando ouve passos apressados descendo as escadas. Era o príncipe Ethan.
Ele estava recluso em seus aposentos e não sabia o que tinha acontecido após sua saída. Quando descobriu que Ana poderia se casar com Christian sentiu seu coração falhar. Estava na sacada e viu a movimentação dos soldados e logo se preocupou.
— Kate? – chamou a irmã.
— Ethan, o que houve? – perguntou se levantando rapidamente e o movimento a deixou um pouco tonta, mas ninguém percebeu.
— Eu vi alguns soldados saírem com pressa pelos portões e fiquei preocupado. O que aconteceu?
— Anastásia fugiu, Ethan. – disse sua irmã e o príncipe arregala os olhos.
— O quê? – nesse momento o rei Carrick, o príncipe Elliot e o príncipe Christian rompem pelas portas duplas.
— Onde está Anastásia? – perguntou Ethan se dirigindo a Christian.
— Não sabemos. – respondeu secamente.
— Por que não me chamaram? Eu iria procura-la! – disse Ethan com raiva o encarando e Christian faz o mesmo. Elliot resolve interferir antes que os dois partam para a briga.
— Calma, cunhado nosso soldados irão encontra-la. – disse e ele toca no ombro dele que o olha.
— Também vou procura-la.
— Não, Ethan! Pode ser perigoso. – disse a princesa Mia nervosa.
— Eu não me importo! A Ana pode está em perigo. – disse e Mia permanece o olhando. Christian se tensiona incomodado pela preocupação dele para com Ana.
— Se você for eu vou junto, ela é minha responsabilidade! – disse Christian firmemente.
—Não, você não vai! – proibi o rei Carrick. — Você também não, Ethan. Nossos soldados a acharam acalmem-se. – disse e seguiu em direção as escadas para seus aposentos.
— Calma, Ethan, logo ela estará aqui. – disse Kate alisando seu rosto.
— Assim espero. – disse e subiu as escadas.
— Hm, vejo que o príncipe Ethan está caidinho por aquela criada. – disse Leila com desdém. — Não sei o que viu nela.
— Por que não aceitas que o príncipe Ethan negocie a divida que Ana tem com o reino, filho? – pergunta a rainha Grace. — Talvez, eles se casem e assim não teremos problema com o anel.
— Não, mãe! Já disse que a divida de Anastásia não é negociável! – disse rudemente.
— Mas... – ele a interrompe.
— Basta! – exclamou. — Já chega dessa conversa! – disse e também subiu para seus aposentos, sua atitude deixou todos confusos, principalmente ele.
(...)
Da janela da cozinha, Gail fitava a noite com preocupação. Seu instinto maternal tinha aflorado com o sumiço de Anastásia.
— Você está bem mamãe? – perguntou Hannah ao adentrar na cozinha trazendo com si a bandeja com as xicaras e o bule.
— Sim, filha. Só estou preocupada.
—_Com a Ana, não é? – ela assente. — Também estou. A Ana é como se fosse uma irmã para mim. – disse melancolicamente e Gail abraça a filha.
— Oh, minha filha, sinto muito por não ter te dado irmãos, mas meu relacionamento com seu pai era complicado e estávamos em épocas difíceis. – disse Gail se lembrando das muitas brigas com seu falecido esposo – Steve Montéz – por ele não querer mais filhos. Na época vários reinos se encontravam em pé de guerra e muitas famílias eram desfavorecidas com isso e um filho traria problemas para eles que mal se mantinham imagine com uma criança. Hannah nasceu de um descuido e que Gail não se arrepende.
— A senhora não tem culpa mamãe, eu entendo. Só falei isso porque não quero que nada de mal aconteça com a Ana.
— Nada vai acontecer com ela, querida. – disse e as duas continuaram abraçadas.
(...)
Anastásia já tinha perdido a noção de quanto tempo que estava caminhando sem rumo. Depois do seu “ataque” de desespero ela voltou a caminhar seus pés já estavam feridos pelas pedras, estava em uma estrada de barro havia saído de dentro da floresta e seguia esse caminho. Suas forças aos poucos estavam indo embora, com fome e sede. Por sorte, encontrou um pequeno rio onde pôde saciar sua sede. Com as mãos juntas encheu de agua e tomou, pegou um pouco e molhou ao rosto e a nuca. O movimento fez com que ela olhasse para o anel. Eu não posso voltar vão me acusar de roubo, eu não quero ir para o calabouço. Maldito anel! Maldito príncipe! – pensou olhando para a joia com a pedrinha vermelha em seu dedo.
A noite estava fria, o vento soprava fortemente fazendo as folhas das arvores balançarem ao longe pôde ouviu passos e se assustou, teve medo de que fosse alguém do castelo que veio para busca-la. Apressou os passos e teve a sensação de esta sendo seguida, olhou para traz e não viu ninguém. Tudo estava escuro, seu coração batia fortemente no peito dando mais alguns passos ela para e ao longe ela avista uma cabana com a luz acesa, sorri aliviada, pediria ajuda. Novamente ela ouve passos e olha para traz e sufoca um grito. Mesmo sendo a noite ela o reconheceria, saberia que era ele. Mesmo com suas vestes negras que confundiria qualquer um, menos ela. Ela tampa sua boca com as mãos ao ver parado em frente uma arvore o homem mascarado que a atacou no riacho.
(...)
Na casa dos Steele’s, Carla preparava o jantar para seu esposo e seu sobrinho que conversavam animadamente por terem faturado um bom dinheiro com a venda dos tapetes.
Ela está na cozinha pegando a louça para pôr na mesa quando sente um aperto em seu peito a fazendo arfar por falta de ar e soltar a louça que cai no chão se espatifando. Ouvindo o barulho Ray e José se assustam e vão ao encontro de Carla que está escorada no armaria e com uma mão massageando o peito.
— Carla, você está bem? – pergunta Ray preocupado e a conduz para se sentar na cadeira.
— Não sei, estou com um pressentimento ruim. – José pega um copo e enche com agua da torneira e dá a ela.
— Beba tia, se sentirá melhor. – ela pega o copo tremendo.
— Calma querida. – disse Ray e lembranças de Anastásia surgem na mente de Carla deixando-a preocupada com a filha.
— Eu sinto que há algo errado com a nossa filha, Ray. – disse com a voz embargada.
— Como assim?
— Não sei, apenas sinto.
— Deve ser saudades, amor. Eu também sinto e muito, faz dias que ela não vem nos visitar a pobrezinha deve estar acumulada de tanto trabalho naquele castelo. – disse tristemente.
— Tudo culpa daquele príncipe. – disse José com a voz áspera.
— Meu bebê deveria estar aqui. – disse Carla chorando e Ray a abraça.
Faz quase duas semanas que Anastásia não visitava seus pais que ficavam com saudades de sua menina, mas o que Carla sentia naquele momento não era bom.
(...)
A caçada havia começado. O caçador perseguia sua presa enquanto ela tentava fugir para longe de suas garras. Como um animal assustado, Anastásia corria do mascarado que assim que ela pôs os olhos nele correu para pega-la. Ela corria em direção a cabana, seus pés protestavam por causa dos machucados mais não se importava, ela sabia que seria muito pior se ele a alcançasse. Olhou para traz e o viu chegar perto.
— SOCORRO! – gritou em plenos pulmões numa tentativa de que alguém a ouvisse. Nesse momento desejou que o príncipe Christian estivesse ido atrás dela para resgata-la. — SOCORRO! – gritou mais uma vez ouvindo os passos dele chegar mais perto, tentou correr mais rápido, mas seu corpo já estava dolorido.
Sentiu ser puxada brutalmente para dentro do bosque ao mesmo tempo que uma mão com uma luva preta de couro tampou sua boca a impossibilitando de gritar. Um frio percorreu sua espinha, seu instinto dizia que o mal estava por vim e teve a certeza disso quando virou seu rosto e encarou os olhos negros daquele ser tenebroso. Desviou o olhar dele rapidamente, pois tinha medo ela começa a se lembrar do ocorrido no riacho e se debate em seus braços e o aperto em sua boca se torna mais forte ao ponto de sufoca-la.
Ao se ver longe o suficiente da cabana o homem a solta com violência e por estar fraca Ana cambaleia para traz e cai.
— O príncipe Christian virá atrás de mim. – disse com a voz trêmula e com seus olhos arregalados.
— Cale-se! Não mandei você falar! – disse o homem irritado ao ouvi-la pronunciar o nome do príncipe e lhe agride acertando uma bofetada no rosto dela deixando o local vermelho. Lágrimas escapam dos olhos dela pela ardência do forte tapa, com a visão turva Ana tenta se levantar para fugir, mas o homem a agarra pela cintura, ela esperneia e tenta se desvencilhar de seus braços mais é em vão. — És como uma égua, selvagem, mas não se preocupe, eu irei doma-la. Se os outros conseguiram eu também consigo. Sua rameira, sei que se engraçou com o príncipe Ethan. – disse asquerosamente.
— Não! Isso é uma calunia seu porco nojento. Porque me persegues? O que eu te fiz? – gritou.
— Eu quero você, teu corpo. Quero te possuir, sentir teu gosto, teu cheiro. – o mascarado enterra seu nariz no pescoço da jovem e depois passa língua lascivamente, Anastásia se enoja entre as lágrimas.
— Pode possuir o meu corpo, mas nunca possuirá minha alma, meu coração. Nunca me deixaras satisfeita. – Em um ato de bravura ela diz firme entre as lágrimas ascendendo a ira do homem que a joga no chão com ódio e sobe em cima dela puxando a carreira de botões de seu vestido os arrebentando-os. Olhou com luxuria para os seios dela que ficaram a mostra.
— Hey, vamos, grite enquanto te possuo. Deixa-me mais excitado. O que me deixa com raiva é que não serei o primeiro. – O homem o vestido de Ana que continua imóvel feito uma estatua, apenas chora pedindo a Deus ajuda. O tempo parecia ter parado seria inútil lutar contra o que estava prestes a vir.
Como um milagre eles escutam barulhos de trotes de cavalos e o homem para imediatamente com suas ações de despir a moça.
— Tire suas mãos dela seu maldito! – gritou o general Taylor em cima de seu cavalo acompanhado de alguns soldados. Eles estavam seguindo ao sul em direção ao rio que levaria a ponte quando ouviu um grito e Taylor deu sinal para segui-lo.
O homem que a pouco estava em cima dela se põe de pé e corre se embrenhando na escuridão, o covarde fugia feito um rato. Sawyer e Andrew montados em seus cavalos perseguiram o miserável. Anastásia parecia estar em estado de choque. Seus grandes olhos azuis estavam arregalados com as lagrimas fluindo sem parar. Prontamente, Taylor desce de seu cavalo tira sua capa e enrola a moça e a pega no colo. Ela nada diz.
(...)
Silêncio. Não havia nenhum som, nenhuma conversa até mesmo as respirações pareciam suspensas.
Na mesa de jantar a família real estava reunida mais ninguém comia e nem bebia nada. Cada um perdido em seu próprio pensamento. Todos já haviam tomando banho e descansado o que foi uma tarefa difícil já que o estresse estava em alto nível. Um burburinho se escuta na cozinha e logo pelo corredor era possível ver Taylor romper pelas portas duplas da cozinha apressado seguido por Gail e Hannah que choram. Anastásia está nos seus braços pálida tremendo seus olhos estão arregalados mal pestanejava.
— Céus! – exclamou a rinha se levantando ao avista-los. Todos olham na mesma direção que ela e se assustam. O príncipe Christian e o príncipe Ethan correm ao encontro do general.
— Alteza, o mascarado atacou de novo, por sorte chegamos a tempo ou uma tragédia teria acontecido. – fúria consome Christian que esmorra a mesa.
— Miserável!
— Como assim atacou de novo? – pergunta Ethan nervoso fitando a jovem que nem ao menos pisca os olhos. É possível ver marcas arroxeadas em seu belo rosto.
— Oh, meu Deus, tentaram abusar dela? – pergunta Kate nervosa e Elliot a ampara pelo seu estado de gravidez não pode sofrer fortes emoções.
— Christian, explique-nos o que está acontecendo! – exige o rei Carrick. Imediatamente o príncipe Christian a pega no colo para a surpresa de todos e segue para as escadas. — Christian, aonde vai com ela? – pergunta o rei mas é ignorado pelo filho. -Viu Grace? Seu filho me ignorou!
— Calma querido! Jovens são assim. – O príncipe Ethan ainda chocado passa as mãos pelos cabelos e vai atrás de Christian.
— Ethan, aonde vai? – pergunta sua irmã e assim como o rei é ignorada.
— Ele vai atrás de Christian. – disse Elliot e os seguiu preocupado de que eles discutissem. E logo todos os outros foram atrás dele menos o rei que exigiu explicações ao general Taylor e seguiram para a biblioteca.
Christian deposita Anastásia em sua cama cuidadosamente. Estava nervoso e tenso temeu que o pior tivesse acontecido com ela, ele sentiu seu peito doer ao cogitar essa possibilidade.
— Sinto muito, Ana. Eu deveria ter ido atrás de ti. – lamentou e Anastásia demonstrou uma reação. Seus olhos azuis assustados o olha e uma lágrima escapa. Aquilo machucou Christian.
— Como ela está? – pergunta Ethan ao adentrar no quarto dele feito um furacão.
— O que está fazendo aqui?
— Vim ver como ela esta!
— Eu quero que saia do meu quarto! – ordena Christian firmemente o encarando e ele faz o mesmo.
— Não sairei até ter certeza de que ela está bem. – Logo Elliot aparece junto da família.
— Vocês dois mantenham a calma. Isso não é o momento de provar quem é o macho alpha.
— É melhor chamarmos um médico. – disse a rainha ao se sentar ao lado de Ana e colocar a mão em sua testa. — Ela está muito gelada.
— Isso já aconteceu outras vezes? – mesmo sentindo raiva de Anastásia por se “intrometer” em seu caminho, Leila sentiu pena da jovem. Ninguém merecia ser abusada desse jeito.
— Essa é a segunda vez. – disse Christian passando as mãos pelos cabelos nervosos. — A primeira vez que isso aconteceu Elliot e eu a encontramos perto do riacho desacordada.
— Céus, pobre Ana! – disse a princesa Mia angustiada.
— E quando foi isso? Por que ainda não pegaram o desgraçado? – pergunta Ethan com raiva. Se ele visse esse maldito ele o mataria.
— Coloquei soldados a procura dele, mas até hoje nunca conseguimos uma pista. – disse ele e logo Gail adentrou no quarto junto de Hannah com uma vasilha com agua morna e um pano.
— Majestade, viemos cuidar dela. – disse Gail e era possível ver seus olhos vermelhos inchados assim como o de Hannah pelo choro. E assim fazem. Cuidam dela, todos saem dos aposentos do príncipe dando privacidade as mulheres. A rainha permaneceu ao lado delas estava preocupada com a jovem. Os outros ficaram do lado de fora no corredor esperando noticias. Christian não quis chamar um médico para não expô-la, mas não hesitaria se algo pior estivesse acontecido.
No quarto, Gail enchia a banheira de mármore cinza com agua com a ajuda de Hannah enquanto a rainha despia a jovem, elas ficaram surpresa com a atitude dela. Tristeza e revolta consumia a rainha Grace pelo mal que fizeram a ela, por um momento se colocou no lugar da mãe da jovem. Ana estava sentada em uma cadeira com seu olhar perdido.
— Ele me bateu – disse de repente. -, ele queria me possuir. – murmurou em choque e ao ouvir essas palavras em um impulso a rainha a abraça.
Após o banho na menina, Hannah penteava os cabelos dela e Gail arrumava a cama do príncipe que ordenou que ela dormisse em seus aposentos. A rainha saiu e deixou que elas terminassem de ajuda-la. Ela se deita na cama e Gail lhe acaricia os cabelos enquanto conta uma história para ela dormir que adormece sonhando estar em um campo cheio de flores.
(...)
No dia seguinte os raios de sol se infiltrando pela janela. Ana acordou com os pássaros cantando e mais disposta, estava sozinha no quarto do príncipe. Christian não dormiu ao seu lado como da outra vez por vários motivos e para evitar o alvoroço na família foi para um quarto de hospedes qualquer.
Meio confusa, Ana se senta na cama e logo as lembranças da noite anterior vem a sua mente. Mas, diferente da primeira vez ela não se permite chorar, pois é isso que ele quer que ela sinta medo dele porque se houver outra chance para ele ataca-la ela deverá se sentir amedrontada com sua presença e é por isso que ela não se permite chorar, descarregar toda a energia negativa que se apossou de seu corpo.
— Ana? – a voz de Gail escoa pelo quarto, trazia com si uma bandeja com o café da manhã.
— Oi, Gail. – forçou um sorriso.
— Como está se sentindo menina? – ela pergunta ao depositar a bandeja em seu colo e se sentar ao seu lado.
— Melhor. – Gail acaricia o rosto dela com ternura e percebe as marcas arroxeadas em seu rosto.
— Precisamos passar uma pomada no seu rosto.
— Não precisa.
— Como não? Está ficando roxo!
— Quero deixa-las evidentes, Gail. Isso será a prova do que fizeram comigo por achar que sou uma pessoa indefesa, pra mostrar o quanto a maldade de certas pessoas não tem limites ao ponto de machucar os outros. – Ao ouvir as palavras da plebeia, Gail se compadece, sentiu em cada palavra o gosto da tristeza.
(...)
Basta algo ruim acontecer que você passa a existir para as pessoas que te acham insignificante. Quando Ana se recompôs ela saiu dos aposentos do príncipe Christian e foi praticamente paparicada, parecia até ser um membro importante da família, todos perguntavam como ela estava se queria algo. Era inacreditável como algumas pessoas mudam o comportamento só porque uma pobre moça indefesa quase foi abusada por um maníaco, mas quando esse dia passasse ela voltaria a ser o que sempre foi uma criada imunda como Leila sempre a chama. Por isso, voltou a sua costumeira rotina naquele palácio mesmo sobre os protestos do príncipe Christian.
— Ana é melhor tirar o dia de folga, precisas de repouso.
— Não é necessário, alteza, eu estou bem. Se o senhor me der licença tenho muito a fazer. – disse e foi para a cozinha.
(...)
Ana passou o dia fazendo o que sempre fazia todos os dias no palácio. De vez em quando as lembranças insistiam em tomar sua mente sem permissão por isso focava em seus afazeres.
Em cima de uma laranjeira no pomar, ela apanhava algumas laranjas para fazer um suco para a princesa Katherine que novamente amanheceu indisposta. Anastásia estava com os pés enfaixados por causa dos ferimentos e com cuidado havia subido na arvore. Uma voz a chamou a fazendo olhar para baixo e sorrir. Era o príncipe Ethan com uma caixa de papelão na mão.
— Ana, como está?
— Melhor.
— Sinto muito pelo o que aconteceu contigo. – disse tristemente e Ana pode ver sinceridade em seus olhos verdes.
— Está tudo bem, Ethan. – disse para tranquiliza-lo, ele sorriu.
— Por que não desce para conversarmos melhor? – pergunta e ela pensa um pouco.
— Está bem, mas não tente gracinhas. – Ana desce com cuidado, desconfiada caminha até ele.
— Ana, não precisa ficar com medo de mim, jamais te machucaria.
— Eu sei, Ethan é só que... – como ela iria dizer que não queria ficar perto dele para não fazer a Mia sofrer? — Nada, esquece é bobagem minha.
— Certo, comprei isso pra você. – ele diz estendendo a caixa.
— Desculpe, mas não posso aceitar.
—_Eu insisto é para se sentir melhor e sei que vai gostar. – sorriu. — Pelo menos abra. – ele entregou a caixa para ela e ao pega-la Ana sentiu algo se mexer, curiosa ela abre. E lá viu um dos seres mais lindos da natureza, um lindo pássaro de plumas brancas graciosas.
— É lindo... – sussurrou encantada com a beleza do animal ela o pega com um sorriso bobo no rosto como uma criança que acaba de ganhar um presente de natal.
— Comprei hoje bem cedo na feira do comercio, sei que gosta de cantarolar e lembrei de ti quando vi esse lindo pássaro fazer o mesmo. É uma calopsita.
— Ethan é lindo mas eu não posso aceitar.
— Ana, por favor, eu insisto ela pode ser uma companhia para ti.
—_Ela?
— Sim, é uma fêmea, assim disse-me o vendedor. Vamos dê um nome para ela. – Ana pensou um pouco e logo seus olhos brilharam.
— Hope. – disse fazendo um cafuné no pássaro. Hope significava esperança e Anastásia tinha esperanças de que sua vida mudaria.
— É um lindo nome.
Ficaram mais um tempo conversando e depois Ana resolveu levar as laranjas para a cozinha, colocou Hope no seu ombro, ela era tão calminha e pelo visto adorou sua dona.
Ao adentrar na cozinha Hannah lavava a louça mais parou ao ver Ana com um pássaro no ombro.
— Onde encontrou esse pássaro?
—_Eu não encontrei, eu ganhei. – disse colocando a cesta na mesa e se sentando na cadeira.
— De quem?
— Do príncipe Ethan e o nome dela é Hope. – sorriu e acariciou a sua mais nova companheira.
— Muita bondade do príncipe Ethan.
— Sim, e ele disse que ela seria minha companhia. – Hannah se aproximou e começou a fazer carinho em Hope. Gail entrou na cozinha chamando por Ana.
— Aconteceu alguma coisa, Gail? – perguntou Anastásia.
— O rei Carrick solicitou sua presença na biblioteca. Ele e os membros da família junto com o general Taylor estão lá esperando para conversarem com ti. – disse e Anastásia sabia exatamente o motivo, pois o mesmo estava grudado em seu dedo.
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