Um Projeto de Suicida
1 Um dia inacreditável
Notas iniciais
É minha primeira fanfic solo, então, me desculpem por qualquer erro por inexperiência. Espero que gostem! Boa leitura...
O dia não estava sorrindo pra mim. Meu chefe me pressiona cada vez mais, ganho pouco e trabalho muito, perdi minha namorada, minha mãe retomou o seu vício por jogos e minha casa em breve será hipotecada. Minha vida está um tormento e para variar estou tendo que ir pra casa a pé depois que meu carro quebrou. A falta de dinheiro não me permitiu arrumá-lo e sequer tenho como pagar a passagem de trem, então, o que me restou foi caminhar.
Andei por meia hora até que me deparei com um grupo de pessoas que estava observando alguma coisa em um dos andares do banco. A polícia, o serviço de ambulâncias e dois carros do corpo de bombeiros também estavam. Pelo jeito algo muito grave aconteceu ali. Caminhei mais um pouco e descobri o real motivo de tanto alarde. Um homem, que provavelmente é um riquinho sem nada na cabeça, estava ameaçando se atirar do sétimo andar da central financeira do Banco Continental. Este estava usando um terno e segurava uma pasta com uma de suas mãos. A outra estava sendo usada para se segurar numa barra de ferro moldada em formato de O que formava o nome do banco. Seus pés estavam apoiados sobre a letra C que, por sinal, não representava firmeza. O homem cada vez mais cambaleava para se segurar, pois a estrutura parecia não aguentar o seu peso.
— Que louco! — uma senhora comentou com outra.
— Dizem que ele é um dos donos desse banco. Podre de rico e ainda fica fazendo essa presepada. — um homem que parecia estar voltando do seu trabalho comentou.
Não tenho nada para fazer em casa, então, ficar aqui para ver se ele se joga ou não me parece um bom entretenimento. Por várias vezes pensei em iniciar um bolão de apostas para tentar descolar alguma graninha, mas refleti e vi que não era uma coisa muito ética para se fazer. Fiquei imaginando que esse rapaz bem que poderia ser o meu chefe e adoraria que no final ele se jogasse. Projetei a imagem da minha ex pulando, do meu vizinho, do policial que me multou, do mecânico que tentou arrancar os meus olhos para fazer o conserto.
— Eu vou me jogar! — o projeto de suicida gritou.
— Pare com isso e desça já daí. — uma senhora muito bem vestida gritou. — Você já passou dos limites, Midorima!
— Eu quero morrer, mãe. Vou me jogar! — ele vacilou, mas no final continuou se segurando.
— Filho, deixe de bobagem e desça logo daí. Não me faça subir. — ela permaneceu com seus gritos.
— Se aparecer alguém aqui eu me jogo! Juro que me jogo daqui em cima de vocês.
A gritaria continuou até que a mesma senhora parou de falar com ele e veio andando em minha direção.
— Esses policiais idiotas não fazem nada. Quanto você quer para subir lá e tirar o meu filho? — ela se posicionou a minha frente e abriu a carteira.
— Se alguém subir ele vai se jogar, senhora. — respondi.
— Conheço o Midorima, ele não fará nada. — insistiu. — Quanto você quer?
—A única coisa que eu salvei foi um gato em cima do muro e mesmo assim saí todo machucado. Não sei se consigo. Nunca tentei algo do tipo.
— Qual é o seu nome?
— Kazunari Takao, por que pergunta?
— Kazunari, suba lá e tire o meu filho. Faça isso e não precisará trabalhar por um bom tempo. Ele não me ouve, talvez se você tentar, tudo isso acabe bem. — insistiu ignorando a pergunta.
— E se ele se jogar? — essa dona é louca. Não posso arriscar desse jeito. Se o louco se jogar vou ficar me sentindo culpado pelo resto da vida.
— Ele sempre foi um menino mimado, nunca fez nada que pudesse se machucar.
— Os policiais me deixarão subir? — esse fator também é importante.
— Se aceitar eu falarei com eles. Para todo caso você é o irmão mais novo que se importa com a vida de seu maninho mais velho.
— Vou tentar, se ele morrer não será minha culpa. Não venha depois me chamar de assassino ou algo do tipo— me preveni e saí andando atrás dela.
— Fique tranquilo. —falou enquanto andava. — Kazunari Takao, irmão mais novo, irá subir e conversar com ele. — ordenou, mas o guarda hesitou.
— Ninguém poderá subir, o próprio proibiu isso. — um homem com um bigode imenso que parecia ter uns quarenta anos de idade alertou.
— Ele irá subir e pronto. — eu apenas sorri e a segui para dentro do banco. Subimos pelo elevador e andamos até uma das salas cuja janela se aproxima dos letreiros do nome do banco. — É aqui. Se enfie pela janela e converse, talvez ele te escute por ser um estranho.
— Oi. — abri a janela e me debrucei nela. — Pare com essa loucura. Não vê que sua mãe está desesperada?
— Eu não mandei ninguém subir! Você é surdo?! — gritou olhando pra mim e ignorando minha pergunta.
— Sua brincadeira já foi longe demais. Se o que você deseja é polêmica, já conseguiu. Desça daí e vamos conversar um pouco lá em baixo.
— Eu nem te conheço, por que iria conversar contigo?
— Me chamo Kazunari Takao, só que sou mais conhecido por meu sobrenome. Desça daí em vamos conversar. Minha vida também está uma merda e nem por isso vou me pendurar em um letreiro.
— Não como a minha. — ele riu de nervoso. —Sou uma marionete que não tem vontade própria. Pra quê viver se não posso fazer o que eu quero.
— Não tenho um centésimo do que você tem. Sou um vira-lata para o meu patrão. Vai por mim, eu te entendo. — ele realmente parecia desesperado. Um riquinho desse porte, acionista de um banco, não iria fazer tal coisa à toa.
— Estou enjoado, tenho medo de altura. — falou colocando uma de suas mãos na boca para evitar o vômito.
— Então, mais um motivo para descer daí. Venha, me dá sua mão e eu te ajudo. Um homem como você não pode passar a vergonha de vomitar em público.
— Eu serei internado se descer, eles pensam que sou maluco. Prefiro morrer a passar o resto da minha vida preso dentro de um sanatório.
— Ninguém vai internar você. Desistir dessa besteira vai provar que não é nenhum louco, ao contrário, prova que ainda possui algum juízo.
— Me deixa morrer e pronto. Isso não vai mudar nada em sua vida. Eu vivo ou morto não sirvo pra nada mesmo.
— Se não sair daí eu me jogo também. — tomara que isso dê certo. — Além de ser um inútil também será um assassino.
— Não, fique aí. Prefiro morrer sozinho.
— Vai sair daí ou preciso me agarrar em uma dessas letras? Nossa morte será incrível, vamos sujar o chão todo de vermelho. O mundo inteiro irá assistir a nossa queda.
— Fique aí, nem mais um movimento ou eu solto esse ferro. — seu nervosismo mostrava que realmente faria aquilo se eu me aproximasse.
— Pare com essa loucura, meu filho! Não faça isso com sua mãe. — a senhora gritou da janela da sala ao lado. — Aceita a ajuda desse homem e saia daí, por favor.
Fiquei o observando por algum tempo e ele pareceu cogitar a hipótese de desistir dessa bobagem. O garoto não era tão inútil assim, me lembro de tê-lo visto uma ou duas vezes no jornal. Apesar de trajar um terno, segurava algo que parecia ser um jaleco sobre sua pasta.
— Pense Midorima, isso não vale à pena. Venha, pegue minha mão. — estiquei o braço, mas rejeitou. Por ironia e azar um pombo acabou pousando em sua cabeça e ele se assustou. Debateu-se freneticamente e, por consequência, perdeu o equilíbrio e caiu.
— Meu Deus! Ah! — foram as duas coisas mais gritadas enquanto ele caía lá de cima.
— Droga! — o maluquinho gritou após perceber que havia caído em cima de uma estrutura inflável que os bombeiros montaram enquanto conversávamos. Acabou se distraindo com a nossa conversa e sequer percebeu que ela estava sendo construída lá embaixo.
— Isso! — a mãe dele gritou enquanto sinalizava com a mão para mim. — Obrigada. — falou e saiu correndo para se encontrar com o filho que já estava sendo agarrado por um paramédico.
Deixei a janela. Corri para o elevador e desci os setes andares. Quando a porta se abriu, fui recebido por um turbilhão de aplausos e elogios me chamando de herói. Driblei todo aquele pessoal e corri para me encontrar com o Midorima.
— Não faça mais isso, projetinho de suicida. — falei esboçando um sorriso. Sua mãe sorriu de volta, mas ele sequer se atreveu a mostrar alguma reação.
—Baixinho intrometido! — gritou comigo. — Eu teria conseguido me matar se não fosse você.
— Se não fosse o pombo. — o corrigi sorrindo.
— Cale a boca, Midorima. Já fez escândalo demais por hoje. Vamos para casa, lá conversamos com mais tranquilidade. — a senhora falou, mas foi interrompida por um policial.
— Não agora, o rapaz antes precisa ir ao hospital. — o Midorima arregalou os dois olhos, pois já sabia o que aconteceria.
— Eu não vou a lugar nenhum, não sou louco. — gritou se debatendo enquanto os paramédicos e bombeiros o agarravam.
— Vai ficar tudo bem, meu filho. Só vão examinar você. — a dona tentou acalmá-lo, mas a cada minuto ele se debatia mais. Essa agitação só foi encerrada quando o mesmo caiu no sono após receber um remédio aplicado em sua veia. Os homens o levaram desacordado para dentro de uma ambulância e saíram com a sirene ligada. — Meu Deus! O que vai acontecer com o meu filho. — chorou.
— Ele vai ficar bem, senhora. Irão examiná-lo e logo levarão o Midorima para casa. — tentei ajudar, mas ela não parou com o choro.
— Para ele, ficar preso é a morte. Você me acompanha até o hospital? Ele já te escutou uma vez, talvez, possa fazer isso de novo.
— Desculpe, mas não posso. Deixei minha mãe muito tempo sozinha, daqui a pouco ela vai surtar se eu não chegar logo em casa. — expliquei e ela pareceu compreender.
— Me dê seu endereço para eu mandar o cheque. Não tenho nenhum talão em minha bolsa agora.
— Não é necessário me pagar.
— Eu insisto, prometi e vou cumprir. — insistiu, mas acenei com a mão e me despedi a ignorando.
— Muito obrigado! Boa sorte com o seu filho. — gritei e corri para retomar a minha caminhada. Ela ficou me observando por algum tempo e depois entrou em um carro preto e seguiu seu caminho.
Fiquei muito pensativo depois disso tudo. Poderia ter aceitado o dinheiro e não teria mais nenhuma preocupação na vida, mas não o fiz. Alguma coisa além dele me motivou a subir lá para tentar ajudar. Depois de quarenta e cinco minutos finalmente cheguei à casa de minha mãe. Ela abriu a porta com um grande sorriso e correu para me abraçar.
— Te vi na televisão. — depositou um suave beijo em minha face. — Você é o meu herói. Seu pai iria se encher de felicidade se estivesse vivo. — algumas lágrimas desceram de seus olhos.
— Não fiz nada além da minha obrigação, mãe. — por coincidência, pura coincidência mesmo, algumas lágrimas também insistiram em sair dos meus olhos.
—Depois de ver tudo, prometo nunca mais entrar em uma casa de jogos. — esboçou um leve sorriso de confiança. — Meu filho é um herói e eu sou uma rata de jogo do bicho. Vou me esforçar para ser a melhor mãe do mundo para você.
— A senhora já é. Fico feliz por sua decisão. — sorri e a abracei.
— Fiz uma sopa bem quentinha para você. Deve estar faminto após tudo isso. — me abraçou com um de seus braços e me levou até onde estava a tigela com a sopa. — Vamos comer.
— Está uma delícia. A senhora voltou a cozinhar, que beleza. — desde a morte do meu pai, mamãe se afundou nos jogos e acabou se esquecendo de seus dons.
— Coma tudo e vá descansar. Hoje o dia deve ter sido muito difícil para você. — fiz o que ela mandou. Terminei de comer, lavei o meu prato e subi para tomar um banho quente. Os nossos dias naquela casa estavam acabando, pois o prazo de vencimento da hipoteca estava chegando ao fim, então, desejei aproveitar ao máximo aquele banho.
Pensei o tempo todo no maluquinho do banco. A imagem dele lá em cima não saiu da minha cabeça. Nem consegui apreciar a sensação gostosa de um banho quente devido a estes pensamentos. Não sei se fiz certo em me recusar a ir com aquela senhora ao hospital. Deu-me um sentimento de culpa. E se ele percebesse que o colchão estava sendo montado e pulasse antes de hora? Saí do banheiro e deitei em minha cama. O dia amanhã será longo e preciso recuperar as minhas forças para começar tudo outra vez.
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