Um Príncipe em Cinquenta Tons
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Um cavaleiro negro, talvez vindo do inferno, está parado à sua frente. Uma visão assustadora vinda das sombras, como se tivesse nascido da escuridão. Parecia irreal. A aura negra envolta daquele cavalo tão negro e de aparência assustadoramente infernal, relinchando, bufando, incomodado com sua presença, pronto para atacar, esperando a ordem com impaciência. E o homem montado nele parecia um soldado vindo das trevas coberto de uma força negativa e pesada que deixara o ar carregado. Algo em sua presença transmitia essa sensação de ar rareando, de sufocamento. Um homem cuja treva trazia em si e emanava dela não trazia em suas ações e emoções nada de bom. As sensações seriam as piores que existiam. Ainda assim, a imagem a sua frente continuava sendo irreal. Não irreal porque não estava ali, mas porque ele não queria que estivesse ali. Não estava preparado para um confronto depois de tudo o que lhe foi dito.
Por um momento o príncipe pensou em algo que jamais fosse possível, recuar. Recuar para longe daquela escuridão. Para longe daquela negatividade. Para longe daquele assassino. Seu suposto irmão. Fosse como fosse, ele sentia medo. E odiou isso. Mas era impossível não sentir quando tudo era visto de uma nova perspectiva, era mais fácil odiar o estranho homem criminoso como se ele fosse apenas um rato querendo ser comido pelo gato ao desafiar aquilo que não pode deter. Afinal, são os ratos caçados pelos gatos e não o contrário. Mas o príncipe não se sentia o gato pronto para atacar, ele se sentia o rato pronto para recuar. E não era uma sensação comum para um guerreiro como ele. Era evidente que o demônio a sua frente não mediria esforços para massacrá-lo, seria impiedoso. Estava claro quanto à luz do dia que ele não estava ali para ter uma conversa amigável. Não haveria palavras, apenas a violência nua e crua. Ele conhecia a violência, já lidou com ela diversas vezes em campos de batalhas em busca da vitória e de sua sobrevivência. A guerra não era algo bonito de se ver, qualquer guerreiro sabia bem disso. A escuridão envolta dela despedaçava totalmente a alma de qualquer homem que se deparasse com a forma bruta em que teria que lutar porque nela havia homens sem coração capazes de qualquer coisa. Como àquele a sua frente. Não era algo com o qual não estivesse acostumado a lidar, porém não deixava de ser sombrio.
Seus olhos estavam fixos naquela figura. Por um momento terrível pensou estar encarando a morte, a sua morte. Um arrepio percorreu sua espinha fazendo todos os seus pelos se arrepiarem, estremeceu. O medo que lhe atravessou pareceu como uma faca, cortando-o em pedacinhos. Ele percebeu o cavalo se aproximar dele, seu cavalo se agitou com a proximidade, sentindo o quão negativo era. De súbito, o cavalo negro relinchou erguendo suas patas no momento em que um raio rasgou o céu. O susto veio tão inesperado que o príncipe Christian sentiu seu coração disparado, a bile subiu a sua garganta e sentiu vontade de vomitar. Quando as patas do cavalo atingiram o chão, Christian continuava estático, esperando o momento que ele o atacaria, mas ele apenas o encarou, seus olhos eram negros e nenhuma pele de seu corpo ou rosto estava à mostra. Era como se ele estivesse se fundido com aquela roupa negra, a escuridão não estava apenas dentro dele.
Quando outro raio cortou o céu, iluminando-os por um instante com a claridade pálida, deixando-o ainda mais assustador do que o normal, seguido por um trovão forte que foi capaz de ecoar por toda a floresta fazendo as aves voarem assustadas das árvores gritando por socorro como se soubessem o que se passava ali, seu cavalo correu em disparada floresta à dentro. A adrenalina no corpo do príncipe começou a se agitar e logo seguiu atrás do mascarado. Ele não poderia deixa-lo fugir.
Fosse como fosse, ele acertaria suas contas com ele.
(...)
A princesa Anastásia percebeu que havia algo de errado com seu amado quando ele apareceu na sacada do quarto. Ele passara o dia todo no escritório do rei com seu irmão. Tinha algo acontecendo naquele palácio, as vibrações daquele lugar diziam que não era nada bom. E ela teve a confirmação disso quando percebeu que o príncipe Christian não estava em nenhum lugar do palácio.
— Aonde será que ele foi? – quis saber a rainha Grace, torcendo as mãos.
— Deve ter ido só dar uma volta, mãe, não fique nervosa. – pediu o príncipe Elliot. Ele também estava preocupado com o irmão, a notícia que recebeu, todas aquelas revelações ainda pairavam sobre sua mente.
Eles estavam reunidos na sala do trono, o tempo lá fora mudou rapidamente, anunciando uma tempestade das grandes, raios e trovões soavam lá fora. Anastásia olhava o mal tempo pela grande janela, preocupada porque seu amado havia saído quando ela sentia que havia algo de errado com ele, naquele momento, ao olhar para o rei e a rainha que, vez ou outra, trocavam olhares aflitos, Ana teve a certeza que algo tinha acontecido. E não era bom. E sua intuição dizia que o pior estava por vim.
Ah meu Deus, traga-me de volta o meu amor. Seja lá o que tenha acontecido, traga meu Christian sã e salvo. – pediu ela ao fechar os olhos.
Um burburinho chamou a atenção de todos quando os portões da sala no trono foram abertos e o soldado Welch entrou apressado:
— O que houve, soldado? – quis saber o rei.
— Trago más noticias, majestade.
Àquela frase trouxe provocou arrepios.
(...)
Uma névoa os encobria ao redor da floresta, o príncipe Christian nem percebeu a direção que seguiam. Percorriam cada vez mais longe, para dentro do lugar mais sombrio da floresta onde ninguém ousava ir. Seu cavalo galopava o mais rápido que podia para alcançar seu adversário. Raios e trovões cortavam o céu que antes azul, mudou para um cinza chumbo quase preto. A rapidez com que avançava, cortando caminho, pulando troncos que apareciam caídos, o zumbindo em seu ouvido como se o vento conversasse com ele, passava despercebido por Christian. Ele só enxergava uma direção à sua frente, àquela que o levaria ao demônio.
Em nenhum momento, o mascarado olhou para trás. Era como se soubesse que sua aparição faria com que o príncipe fosse atrás dele, numa caçada brusca que só Deus sabia o que mais aconteceria quando o alcançasse ou se não alcançasse.
Foi quando seu cavalo parou bruscamente, relinchando, assustado fazendo o príncipe Christian se dar conta de duas coisas: A) estava na Floresta Negra. B) não via o mascarado em lugar algum. Praguejou diversas maldições no ar. Não devia ter atravessado até àquele lugar. Era tenebroso demais e perigoso. E o pior de tudo, sem perceber, perdeu seu inimigo de vista.
A Floresta Negra era uma parte vazia e isolada de toda a floresta. Com árvores secas e sem vidas, com o cheiro de pobre que fez o estomago de Christian embrulhar. Era o cheiro de animais mortos. Não havia grama verde, não havia cor além do vazio. A adrenalina agitava o corpo de Christian, respirava ofegante, montado em seu cavalo analisou ao redor como um louco. Procurando uma saída, procurando por vestígios que o levassem direto até o mascarado. Mas tudo o que ele conseguia enxergar era o horrível cenário onde ele se encontrava. Então se dera conta, tarde demais, de que isso foi um plano. O objetivo do mascarado era leva-lo até a Floresta Negra e o fazer se perder num lugar onde provavelmente um homem como ele com a alma escura conhece muito bem, pois carregava dentro de si uma escuridão podre. A Floresta Negra ganhará esse nome porque era uma espécie de matadouro. Quando mais novo, o príncipe ouviu as mais barbaras histórias do que aconteciam ali. Massacres de homens bárbaros, sem lei. Era proibido ir pra lá, pois nunca mais àquela parte da floresta se recuperou da brutalidade que sofreu. Ela se fundiu ao medonho. Ao lado feio e cruel da vida.
O cavalo do príncipe permanecia agitado como o dono, talvez mais. Ao redor deles, nas árvores, inúmeros corvos pousavam sobre os galhos secos formando um círculo. Alguns sobrevoavam por cima de Christian, ele desceu de seu cavalo para tentar espantá-los. Amarrou seu agitado cavalo em um tronco que havia ali, podre e fedido, com marcas de sangue e manchas pretas ao redor dele, todavia, não tinha outra opção. Não correria o risco de seu cavalo se assustar ainda mais e correr, deixando-o sozinho. Foi quando percebeu o quanto estava perdido e assustado com os inúmeros pares de olhos negros o encarando. O pavor era tanto que o príncipe não tirava de sua cabeça a ideia de ter se deparado com o seu fim, não conseguia pensar em mais nada. Eram muitos corvos ao seu redor. O príncipe não entendia o porquê estarem ali o observando, esperando por algo. O pior de tudo foi se dá conta de que havia sido pego desprevenido, ele não estava armado como deveria estar. Irritado e confuso, esmurrou o tronco com todas as suas forças, sentiu a pele de seus dedos rasgarem e o sangue escorrer e depois ele gritou, seu grito foi alto o suficiente para espantar os corvos:
— Apareça, seu desgraçado! – olhou ao redor. – Sei que você está por aqui! Vamos acertar nossas contas, miserável!
Sua voz provocou ecos por todos os lados, mas o príncipe aguçou seus sentidos, estar atento a qualquer movimento, era o mais importante. Precisava que ele aparecesse, queria acabar logo com aquela loucura toda. Sua mão doía, mas a dor o mantinha lúcido. Aguçou seus ouvidos quando ouviu um farfalhar, estralo de gravetos se quebrando, eram passos, o príncipe sentiu o coração perder uma batida por imaginar quem era, todavia, queria pegá-lo de surpresa já que estava desarmado, esperou que ele chegasse perto para se virar e atacá-lo, mas quando isso aconteceu, tudo deu errado.
Foi tudo muito rápido.
Quando virou, recebeu um golpe no rosto que pareceu ter rachado seu crânio, ele caiu no chão inconsciente.
(...)
À noite fria e sombria daquele dia assustava os mais bravos soldados do reino Grey, era impossível não se assustar com tamanha força da natureza, com tamanha violência com que parecia o céu quase negro. Soldados estavam a postos, montando guarda em cada ponto do palácio, nas torres. Mas o clima tenso denunciava algo errado irradiando no ar.
O general Taylor junto com o príncipe Elliot e o rei Carrick e alguns dos soldados saíram em busca do príncipe Christian. As mulheres ficaram em casa sob proteção, ninguém saía ou entrava no castelo. Um dos olheiros do reino informou ao soldado Welch de ter visto o príncipe em seu cavalo à caminho da Floresta Negra numa perseguição contra o mascarado, a notícia espantou a todos, e imediatamente foram atrás de Christian.
Mas a falta de noticias deixava Ana cada vez mais aflita.
A princesa Anastásia estava em seu quarto, torcendo as mãos nervosamente e sentindo um suor frio lhe descer a espinha. Seu coração palpitava no peito como nunca antes um dia fez, a sensação de estar sob ameaça, de que as pessoas que amam estão ameaçadas, travava sua garganta. Uma vertigem a atingiu e Anastásia teve que sentar-se na cama, a visão turva e o frio na boca do estomago estavam cada vez mais frequentes, mas sua mente não conseguia processar nada, apenas a imagem do rosto de Christian atormentava seus pensamentos. De repente, a imagem horrível daquele homem veio em sua mente então ela o amaldiçoou.
Alguém bateu a porta:
— Ana? – era Hannah. Ela não respondeu apenas a olhou e indicou que entrasse, estava com a sensação de que se abrisse a boca, vomitaria. Hannah se aproximou. – Está tudo bem? Vim ver como estava, os ânimos estão alterados por aqui...
A princesa respirou fundo.
— Estou bem, Hannah, só muito preocupada e angustiada com a falta de noticias. Há horas que saíram e ainda não voltaram. Onde estão todas, ainda lá embaixo?
— Acabei de vir do quarto da princesa Katherine, ela foi descansar. A rainha Grace está com minha mãe em seu quarto e a princesa Mia foi para a biblioteca.
— Estão tentando se ocupar com algo para não pensarem demais e acabar enlouquecendo assim como eu quase estou. – ela se levantou bruscamente e isso a fez sentar-se de novo, novamente a vertigem, novamente a sensação de mal-estar. Hannah arregalou os olhos e ajudou, pondo a mão em sua testa para ver se estava com febre, a palidez no rosto de Anastásia denunciava que algo tinha de errado, talvez doente, mas tudo o que Hannah sentiu foram as gotículas de suor frio que escorriam por seu rosto.
— Você não está bem, Ana. Está fria. – ela foi até a escrivaninha onde têm uma jarra de água e um copo e pôs um pouco para ela. – Tome, beba isso. – Anastásia aceitou sem reclamar.
— Há dias sinto esse mal-estar – murmurou ela. –, mas não deve ser nada.
— Há quanto tempo mais ou menos? – pergunta Hannah com a testa franzida. Ana pensou um pouco antes de responder.
— Há algumas semanas, não sei exatamente.
— E o que mais?
— Como assim “e o que mais”? – aos poucos Anastásia controlava a respiração.
— Ah, você não sentiu mais nada? – Hannah perguntava sentindo que havia algo mais por ali. Estava desconfiada, sabia bem o porquê. Esses sintomas que Anastásia está tendo ela já tinha visto antes e notará que Ana estava tendo vertigens com frequência. Quando ela ia perguntar mais, ambas ouviram um estrondo e em seguida, instalou-se um breu total.
Escuridão.
Gritos.
Estrondos.
— Mas o que está acontecendo? – assustada, Ana se levantou em meio àquela escuridão, e deu alguns passos e se arrependeu de ter feito isso ao bater seu pé na escrivaninha. Hannah estava ao seu lado, pedindo para que ficasse calma. Não sabia o que houve e nem porque ouvia gritos e estrondos lá fora. Não havia luz alguma, até mesmo a luz da lua não existia naquele momento. Tudo era escuro.
— Fique calma, Ana. – pediu Hannah segurando em seu braço. – Irei buscar um candelabro.
— Como irá fazer isso se não consegue enxergar? – quis saber ela quase histérica. Estar naquela escuridão a fazia se sentir pequena, vulnerável a qualquer perigo que pudesse surgir. Um vento forte e frio soprou pela janela, arrepiando-as. – Não vá, Hannah, fique aqui comigo. – suplicou a princesa.
— Não se preocupe comigo – diz Hannah, apesar do leve tremor em sua voz ela passava confiança. Parecia mais preocupada com o bem-estar da princesa do que do seu próprio. – Apenas fique onde está e eu vou dar um jeito. Confie em mim, por favor. – a mão que segurava seu braço sumiu, ela escutou os passos indecisos e vacilantes de Hannah na escuridão. Não havia uma única fresta de luz para que a princesa pudesse enxergar, não havia nada. O corpo tremia, sentia-se a ponto de vacilar e desmaiar com a sensação de sufocamento por estar em uma imensidão negra. Era como se o escuro tivesse apagado não só a luz que há por fora, mas a sua luz interior. Fazendo assim, o medo lhe atravessar como se não houvesse uma saída. Como se ela estivesse caindo em um poço fundo e escuro sem fim.
A transpiração tinha se tornado pior, ela sentia o suor escorrer por vários lugares de seu corpo, a respiração curta tinha piorado também. O medo era a pior sensação que existia. Fechou os olhos com força tentando manter a calma, tentando conter os arrepios. De repente, ela ouve outro barulho. Um baque seco. Como se algo tivesse caído. Estremeceu e quase gritou de susto.
— Hannah? – Chamou ela. Sua voz tremeu. Instantaneamente, lágrimas vieram aos seus olhos. Sentiu-se fraquejar, paralisada de medo. O que diabos está acontecendo?! – berrou sua mente em pânico. – Hannah? Têm alguém aí? – gritou ela, desesperada. Mas não obteve nenhuma resposta. Nada. Ana se encontrava em total silêncio e escuridão. Por fim, respirou fundo buscando a coragem e valentia que sempre teve até nos momentos em que estava fragilizada. Já passou por situações difíceis e todas elas lhe trouxeram marcas e um aprendizado: coragem para enfrentar qualquer coisa. Ela mais do ninguém sabia se defender mesmo quando implorou para que o príncipe Christian lhe ensinasse golpes de lutas e o mesmo se negou, Ana sabia se defender.
Erguendo as mãos trêmulas, ela saiu tateando pelo escuro a procura de algo que pudesse ajudá-la a se apoiar, seguindo na direção que sabia que era a da saída de seus aposentos. Com alguns tropeços, sentiu a palma da mão tocar a parede e chegar à porta, tateou a procura da maçaneta. Abriu a porta e saiu para o corredor tão escuro quanto seu quarto. Às vezes, Anastásia fechava os olhos com força. Não poder enxergar era um incomodo maior do que ela imaginava. Deu alguns passos pelo corredor e chamou por Hannah algumas vezes, ninguém respondeu de volta. Anastásia estava preocupada, aflita e tudo só piorou quando no corredor ela tropeçou em algo que estava em seu caminho. Apavorada, ela se deu conta de que era um corpo.
Alguém estava caído no chão.
— Aí meu Deus, Hannah, é você? – com as mãos Anastásia tocava a pessoa desacordada. Era uma mulher e ela tinha quase certeza de que era Hannah. – Pelo amor de Deus! Acorde, Hannah! – pediu ela, chorando. Temeu que ela estivesse morta. A ideia de também estar morta lhe passou pela cabeça, talvez aquilo tudo fosse o processo de morte e ela não se deu conta, mas o pensamento foi tão absurdo que Ana se pôs a chorar desesperadamente com Hannah em seus braços. O desespero não deixou que Anastásia percebesse que Hannah ainda respirava. Está viva! Quando Anastásia estava se recuperando dos soluços, decidiu buscar ajuda, gritar em plenos pulmões para que a ouvissem e fossem ajuda-la. Pensou nas outras mulheres e temeu que estivessem correndo perigo, perigo esse que ela não imaginava qual fosse...
Em um movimento para se levantar, ela esbarrou em algo. Era um objeto que logo identificou ser um candelabro. Ela só precisava acender, rezou para que encontrasse uma caixa de fosforo perto de Hannah. Mas a sorte não estava ao seu favor. Ouviu que passos se aproximavam e uma pequena claridade aparecia. Alguém chegava perto da princesa e Ana sentiu que iria desmaiar de pavor a qualquer momento, não se virou para ver quem era, havia a sombra de alguém em suas costas, havia alguém atrás dela e provavelmente não era quem ela esperava que fosse.
Tremendo de medo, ainda ajoelhada no chão ela não teve outra opção a não ser se virar e descobrir quem estava por trás disso. Arregalou os olhos ao reconhecer quem era.
Não pode ser...
— Leila.
(...)
Ele foi o primeiro a abrir os olhos. A dor em sua cabeça era terrível. Sentiu o sangue escorrer e fazer uma linha desde a testa até a sua boca. Aos poucos, sua visão turva foi voltando ao normal e então viu os seus caídos no chão, machucados tanto ou mais que ele. As lembranças voltaram aos poucos e o príncipe Elliot se deu conta de que caíram em uma emboscada e o pior armada por alguém que ele jamais pensou: Welch.
Quando chegaram ao local em que o soldado Welch informou que o olheiro dissera ter visto o príncipe Christian, numa distancia longa demais até seu reino, homens encapuzados cercaram o grupo, armados até os dentes. Não reconhecerá nenhum deles, todavia, acreditava serem os rebeldes e o pior fora descobrir que um dos seus estava envolvido nisso. Tentaram lutar, todavia, fora inútil. Estavam em desvantagens.
— Acabou pra vocês!
A voz de Welch reverberou por sua cabeça causando um eco que a fez doer ainda mais. Desgraçado! Como não se dera conta disso antes? Ou melhor: o que diabos ele pretendia com tudo isso?
Ainda deitado no chão, sentindo que seu corpo havia sido esmagado, ele percebeu entre os corpos caídos dos soldados o de seu pai não se encontrava em lugar algum. O rei não estava ali. Assustado, com o coração saltando em seu peito, tentou se erguer, gemeu de dor ao sentir sua perna machucada. Havia sido pego de jeito, e na traição. Nunca tinha ganhado uma batalha na traição, ele era um guerreio e não um covarde. Ele conseguiu se pôr de pé e mancando foi até seus companheiros. O general Taylor também estava machucado na cabeça assim como Luke, o soldado Andrew tinha uma flecha em seu peito, e com pesar o príncipe Elliot percebeu que ele estava morto.
Fechou os olhos com força, tristeza atingiu seu coração. Era um bom homem, um bom amigo e um bom soldado.
Nesse momento, ele ouviu um gemido e olhou para trás vendo que o general Taylor sentava-se no chão com a mão na cabeça.
— Como está, general?
— Mas o que aconteceu...? – ele estava confuso, olhando para os lados. Nenhum sinal de seus cavalos.
— Fomos atacados. Aramaram uma emboscada para nós. – suspirou o príncipe. – Levaram meu pai e nossos cavalos. E perdemos um soldado.
— Cristo! – choramingou o general quando as lembranças voltavam aos poucos, causando-lhe um arrepio e um desgosto no fundo da alma. – Welch... Como não percebemos? Por que ele fez isso?
— Muita coisa ainda não se encaixa. – então ele franziu o cenho e mirou os olhos castanhos do general, seu semblante era tenso. – Welch trabalha para o mascarado, ele é o cumplice daquele desgraçado.
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