Um Príncipe em Cinquenta Tons
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Gotas de suor escorriam por seu rosto misturando-se com as lágrimas grossas que caiam de seus olhos à medida que o tempo parecia ter congelado e seu espirito entrado em estado letárgico diante daquela cena. Com suas mãos ainda unidas na de Aron, Anastásia assistia horrorizada seu amigo cair de joelhos no chão com uma flecha no peito e a camisa branca ganhar cor a um vermelho vivo: seu sangue. O semblante dele era de surpresa, medo e... dor! E ao ver aquele sentimento em seu rosto sofrido foi o mesmo em que ter sido atingida por uma flechada também.
– Anastásia – o sussurro sôfrego de Aron pareceu despertá-la de seu torpor e desesperadamente caiu de joelhos a sua frente para ampará-lo.
– Por favor, não fala nada – pediu em meu ao choro – você vai ficar bem, por favor, fique bem.
– Ah Ana, eu te amo tanto...
– Shh... por favor Aron... Por favor Deus, me ajude! – estava sendo cada vez mais difícil para ele respirar a dor parecia dilacerar sua alma e tudo o que podia fazer era olhar para aquele anjo de olhos azuis, os olhos da sua amada e esperar pela morte, ele sabia que ela iria vim e por isso pediu, pediu pela ultima vez aquilo que mais almejava.
– Beije-me... Dê-me um pouco do seu amor... – o sussurro falho veio acompanhado de lágrimas e sem pensar duas vezes Anastásia colou seus lábios nos dele transmitindo seu gosto para ele, com dificuldade Aron retribuiu o beijo terno e calmo misturado com o salgado das lágrimas que não foram capazes de apagar a doçura dos lábios de ambos. Aquele beijo era o ultimo e precisava ser verdadeiro, Ana derramou todo o seu amor, o amor de irmão, de amigo, sabia que para Aron era diferente, ele a amava como mulher, mas ainda assim era amor um amor puro e inocente. Ana o sentiu travar e foi o seu maior medo e desejou nunca ter aberto seus olhos e ter visto o que viu.
(...)
Era a mesma sensação de pânico, ela sentia como se tivesse sido transportada para o passado. Sentiu seu coração perder as batidas.
– Christian, por favor, abre os olhos! – Ao seu redor as pessoas gritavam e corriam desesperadas ao longe ouviu o som dos trotes de cavalos, a cavalaria real se aproximava. O rei Carrick desce de seu cavalo desesperado ao fitar a esposa desmaiada e seu filho praticamente morto e totalmente ensanguentado nos braços da jovem Anastásia. Seu mundo caiu!
– Vamos, precisamos leva-lo! Ele está perdendo muito sangue! – grita Dr. Flyn analisando Christian. Os soldados Sawyer e Ryan ajuda o Doutor a coloca-lo na carruagem com cuidado. O príncipe Christian era pesado e a flecha tinha atingido seu peito, perto do coração. Anastásia permanecia ajoelhada chorando o rei a olhou com compaixão e logo tomou a esposas dos braços de José para leva-la ao castelo, ele estava perdido. Aos prantos Ana se levanta para acompanhar o príncipe Christian, mas José a impede segurando seu braço fortemente.
– ME SOLTA JOSÉ! – grita ela se debatendo contra ele que agarra sua cintura. A carruagem sai apressada e Ana desejou correr atrás dela.
– Você não vai Ana! Vamos embora!
– Não, não! Me solta! Me Solta! – suplicou aos prantos e aos poucos suas forças se esvaziaram e então ela se rendeu ao turbilhão de sensações que se faziam presentes em seu interior.
José vendo o estado de sua prima a leva de volta para a barraca dos tios. As pessoas continuavam agitadas os soldados apressadamente galopavam em seus cavalos junto cm o general Taylor a procura do criminoso. Ao vê-los Carla e Ray corre em direção deles aflitos ao verem o estado de Anastásia, ela pareia estar em choque.
– Jesus! O que aconteceu? – pergunta Carla com os olhos arregalados ao fitar o vestido manchado de sangue da filha.
– Ele está morrendo mamãe. – soa a voz tremula de Anastásia que corre em direção a Carla que de imediato a acolhe em seus braços.
– Podia ter sido você Ana!
– Como assim, podia ter sido minha filha José? – pergunta Ray ainda confuso e assustado.
– Oh meu Deus! Me expliquem logo o que e passou?
– Ora tia, o príncipe Christian sofreu um atentado e Ana estava se agarrando com ele. – acusa José.
– Ana...
– Chega José! Não aguento mais te ouvir! – gritou Ana raivosa assustando todos. Ela estava cansada disso de todos dizendo o que ela devia ou não fazer e de acusações.
– Filha fique calma.
– Depois quero saber dessa história Anastásia. – diz Ray com cara de poucos amigos.
– Isso não importa agora pai, eu não quero que ele morra.
– Calma querida, é o que você precisa ter agora.
(...)
O palácio parecia uma zona de guerra, às pressas Sawyer, Ryan e Dr. Flyn tiram o príncipe da carruagem cuidadosamente. Dois enfermeiros e uma enfermeira logo aparecem com uma maca para coloca-lo. O rei Carrick seguia para dentro do castelo com sua amada esposa desacordada em seus braços, os outros membros da família permaneciam dentro do castelo a mando dele que ordenou seu filho Elliot leva-los em segurança quando a notícia de que seu primogênito chegou aos seus ouvidos.
– Mamãe! – gritou o príncipe Elliot ao ver a mãe desacordada nos braços do pai.
– Filho, ajude seu irmão! – os olhos de todos presentes naquela sala pararam em Christian desacordado e foi impossível controlar as emoções.
Com dificuldade os homens levaram o príncipe para seu quarto, após depositar a rainha Grace em sua cama com um beijo na testa o rei Carrick deixou seu quarto ordenando a príncipe Kate e Mia para cuidarem dela. Hannah e Gail iriam ajudar Dr. Flyn e os enfermeiros, a prioridade era Christian. O rei estava tentando se manter forte por sua família e acreditava fielmente que seu filho ficaria bem. Mas, não conseguia evitar que as lágrimas escorressem por seu rosto só de imaginar que mais uma tragédia atingiu sua família, se sentia culpado por isso. Será isso um castigo? – pensou ele angustiado e logo um grito de desespero foi ouvido. Leila subia as escadas rapidamente, quando soube que o príncipe fora ferido correu apressadamente para o palácio.
– Cadê ele? Quero vê-lo!
– Não agora, Dr. Flyn está cuidando dele, mantenha a calma e vá ficar com Grace.
– Mas...
– Por favor, Leila. – diz o rei e vai ao quarto do filho no final do corredor. Ele o encontra acordado se contorcendo de dor, esta pálido com os lábios arroxeados e seus olhos sem aquele brilho natural acinzentado e logo a lembrança de seu outro filho veio à mente.
Flash Back On:
– Papai, papai – grita o garotinho de olhos castanhos correndo em sua direção.
– Oi filho — o pegou no colo assim que ele parou em sua frente.
– O Christian disse que um dia vai ser rei, é verdade?
– Sim filho, um dia seu irmão comandará tudo isso. – diz ele enquanto começa a caminhar com ele pelo jardim.
– Sério papai? – pergunta Aron com seus olhos brilhando e o rei identificou aquela emoção como orgulho. Aron era uma criança doce e ingênua e por isso era muito querido por todos, pela sua forma meiga e educada com as pessoas, encantava a todos e por isso era o xodó dos irmãos. Ele adorava ouvir as histórias que os irmãos contavam, por ser o mais novo Christian e Elliot sentiam-se protetores dele, nunca o deixava sozinho por medo de que ele se perdesse ou se machucasse. Unidos como carne e unha. Para o rei Carrick, saber do amor incondicional de sua família e que seus pequenos guerreiros mesmo com tão pouca idade eram capazes de tudo para proteger um ao outro e isso era seu maior orgulho.
– Sim querido, e você e Elliot serão soldados como ele. Vencerão as guerras e o mais importante protegeram e amaram nossa família acima de tudo. – ele diz ao parar em um banco e sentar com seu filho no colo.
– Mas, eu já os amo muito papai, eles me protegem para o bicho papão não me pegar a noite – o rei riu do comentário do filho – o Lelliot disse que eu sou um medroso, mas o Christian disse que todo mundo tem medo e que devemos enfrenta-lo.
– O medo nos torna reféns filho e é por isso que existe a coragem, só ela é capaz de vencê-lo.
– E onde está a minha coragem papai?
– Aqui — ele põe a mão no peito do filho exatamente onde se localiza o coração – sua coragem está aqui meu filho.
– Eu não a vejo! – murmurou ele confuso olhando a mão do pai, foi impossível não ri de seu garotinho, sempre tão ingênuo.
– Porque ela não se vê filho, ela se sente.
– Ah sim, entendi, eu te amo papai! – ele sorri e abraça o filho, essa declaração não podia ser comprada por nenhum ouro existente no mundo.
Flash Back Off
Coragem, ele devia ter coragem e vencer seu medo e ter fé, confiar que seu filho vai ficar bem. Assim como ensinou a eles! Um urro de dor tirou o rei Carrick de seus pensamentos, Christian se contorcia na cama por causa do álcool que fora derramado em sua ferida, o rei olhava aquilo tristemente.
– Precisamos remover a flecha, preciso de um alicate! – Gail o entrega um – Príncipe Elliot, por favor, segure seu irmão isso será doloroso.
– Faça o que tiver que ser feito John, apenas salve meu filho!
– Eu farei senhor. – diz ele e volta sua atenção para Christian – Christian, você consegue me ouvir? Christian?
– Onde... Onde... Ela está? – perguntou fracamente seus olhos cinzas tentavam focalizar em algo.
– Quem?
– Anastásia... – seu sussurro foi baixo, mas alto o suficiente para que todos naquele cômodo ouvissem. O rei Carrick fecha os olhos sentindo as lágrimas descerem e a culpa atingi-lo com força total – Onde... Onde...
– Ele está delirando, — diz um dos enfermeiros – está começando a ficar febrento.
– Ana... – soluçou o príncipe.
– Temos que retirar isso logo! – diz Flyn ao cortar o cabo da flecha. Após remover a roupa do príncipe Christian com a ajuda de uma tesoura, Flyn coloca um pano na boca do príncipe Christian para abafar seus gritos. O príncipe Elliot segurava as pernas do irmão enquanto ele se contorcia e urrava de dor à medida que Flyn puxava a flecha de seu peito, ele já havia participado de muitas batalhas onde muitos soldados morreram e outros se feriam e nunca hesitou ou sentiu medo pela violência usada num campo de batalha, mas ao ver o irmão naquele estado foi demais para ele, desviou o olhar e continuou o segurando e orando mentalmente para ele ficar bem. Aquela cena foi muito forte para Gail e Hannah que logo se retiraram do quarto e foram para os aposentos da rainha. Todos de alguma forma tentava ajudar, o príncipe Christian era muito forte e foi preciso Ethan segurar seu torso para ele não se mover, ele precisava ficar imobilizado, um movimento em falso poderia ser fatal, John suava enquanto tirava a flecha que está perto do coração do jovem. Se não fosse pelo pano na boca do príncipe certamente a cidade inteira ouviria seus gritos e choro sofrido quando um dos enfermeiros pressionava a perfuração de sua pele quando o sangue insistia em sair. Parecia que o destino contribuía para sua dor, seria mais fácil se o Dr. John Flyn aplicasse uma dose de morfina nele, mas o estoque de remédios faltava no hospital da cidade por conta dessa crise que o reino estava passando, foram encomendados alimentos e remédios e o carregamento chegaria no dia seguinte. Tudo parecia estar contra.
Aqueles gritos e choro desesperado foi o estopim para o rei Carrick sair do quarto se desmanchando em lágrimas. Sua família, seus filhos sempre foram seu “ponto fraco” ele havia perdido um filho, seu precioso menino, tão sonhador e corajoso e agora sentia que seu mundo novamente estava desabando quando presenciou seu filho mais velho perto da morte. A sensação foi indescritível e desejou que nunca mais passar por isso.
Sem forças, o grande rei Carrick Grey escorou na parede e escorregou até o chão chorando violentamente pela morte de Aron, por culpa de não tê-lo protegido e por culpa de ter falhado mais uma vez com um filho seu. Ele chorou como nunca havia chorado antes.
(...)
– Conseguimos remover a flecha e parar o sangramento, ele acabou desmaiando por causa da dor e agora está inconsciente o que facilita para aplicar os pontos e fechar a ferida no peito. Pedi para que Sheila fosse até o hospital e procurasse por algum remédio para abaixar a febre dele, mesmo inconsciente ele continua delirando. – comunicou Flyn à família que agora se encontra na sala. Havia se passado duas horas desde o ocorrido, o general Taylor e os outros soldados ainda não tinha voltado nenhum sinal do criminoso.
– Meu filho vai ficar bem? – perguntou a rainha Grace chorosa, seu rosto inchado pelas lágrimas.
– Sim senhora, não ficou nem uma farpa no peito dele que pudesse ferir o coração, agora vocês precisam tomar alguns cuidados com a recuperação dele, essa flecha chegou muito perto de ma... – Flyn deixa sua frase no ar incapaz de termina-la ao ver os rostos horrorizados da família.
– Cuidaremos dele, Dr. – diz o príncipe Elliot com a voz embargada sendo abraçado pela esposa.
– Tudo bem, — ele volta sua atenção para o rei – majestade eu guardei isso para o caso de ser importante – Flyn desenrola o pedaço de pano que trazia em suas mãos revelando a flecha que quase matou o filho do rei.
– Obrigado John – agradeceu o rei pegando a flecha e John assente.
– Quero ver meu filho! – diz a rainha Grace.
– Tem certeza querida?
– É o meu filho Cary, eu... eu... – chora ela novamente.
– Tudo bem, amor.
– Só poderão vê-lo um por um. – avisa o doutor.
Seu filho parece tão pequeno e frágil deitado naquela cama. Sua aparência carregada de dor, sua pele pálida, o peito enfaixado ainda dava para ver o sangue marcando a atadura. A rainha Grace sentiu o peito se comprimir de tristeza, novamente um de seus filhos sofria e ela não podia fazer nada.
– Ah meu filho me dói tanto vê-lo assim. – com cuidado sentou ao lado dele em seu leito segurando a mão dele que estava quente, febril – Lembra quando seu pai cismou que você devia aprender a montar cavalo? Oh meu filho, eu fiquei louca com isso você tão pequenininho, tão indefeso e montar aquele animal me fez sentir um medo enorme e quando você caiu e se machucou, eu me desespere me senti tão culpada ver você tão vulnerável em meus braços chorando, foi como se eu tivesse morrido mil mortes. E agora, me sinto assim, a mesma sensação quebrando-me, sufocando-me até o âmbito. Não aceito isso filho, quero ver teu sorriso de menino, quero ver o brilho de seus olhos. – os soluços da rainha ficam cada vez mais difíceis de controlar – Eu demorei pra entender querido, me perdoe. – ela se aproxima do rosto dele – Escuta a mamãe: Amamos muito você e você precisa voltar! – diz ela e afaga os cabelos dele e o beija na testa. Relutantemente ela sai do quarto, ela queria ficar e cuidar do seu filho como fazia quando ele era criança, mas Dr. Flyn não permitiu. O caso dele era delicado e ele estava sujeito a infecções e precisava ser acompanhado de perto por profissionais e além disso, os outros membros da família queria vê-lo.
Logo todos, um por um, entraram no quarto para ver o príncipe e foi uma explosão de sentimentos, Leila também o fez e chorou muito ao vê-lo daquele jeito e pediu para que ele acordasse logo, pois iriam se casar em breve.
(...)
Carla consolou a filha e aos poucos ela foi se calmando. A família voltou para a casa, não tinham como prosseguir na comemoração. Chegando a casa ela preparou um chá para a filha. Anastásia tomou um banho e se deitou, mas não conseguiu pregar os olhos, preocupada com o estado do príncipe Christian. A noite cairá e ainda rolando de um lado para outro Ana acabou pegando no sono, um sono perturbador. Sem conseguir mais conter tanta angustia a jovem se levantou se arrumou e vestiu sua capa verde, ela iria até o palácio. Tentando fazer o mínimo barulho possível Anastásia sai de seu quarto, mas para abruptamente ao dar de cara com seu pai na cozinha tomando um copo d’água que a encarou com a testa franzida. Enquanto ela dormia José havia contado tudo o que presenciou na festa.
– Onde pensa que vai?
– Papai, eu preciso ir... – sabendo o que ela iria dizer Ray a interrompeu.
– Não, não vai! Já chega dessa história! Não quero ter que ouvir teu nome na boca dos vizinhos.
– Desculpe papai, mas esta ordem tua não acatarei. – diz Ana decidida e tenta dar um passo e Ray para na frente dela impedindo sua passagem.
– Não mesmo! Eu a proíbo! – Ao ouvir a voz alterada de Ray, Carla despertou e foi até a cozinha ver o que estava acontecendo.
– Parem de brigar! Ana aonde vai a essa hora?
– Eu tenho que vê-lo mamãe! – Carla pensa um pouco ao ver a aflição de sua filha, não tinha jeito à única solução seria ceder.
– Está bem, você vai! Mas, seu primo irá com você!
– Carla, você não pode me desautorizar! – protestou Ray.
– Calma Ray, eu sei o que estou fazendo. – ela diz serenamente e foi acordar José que levantou resmungando:
– Porque tem que ser eu? Porque ela quer ir atrás daquele tirano?
– José! – Carla o repreendeu pela maneira que o sobrinho se referiu ao príncipe e ainda mais em um momento delicado como esse.
(...)
– Preciso te contar uma coisa. – diz a rainha Grace para seu marido ao deitar ao lado dele, os ânimos estavam à flor da pele com a situação do príncipe Christian. Já era noite e todos já haviam se recolhido. O general Taylor havia voltado com os soldados e tudo que encontrou foram pegadas que sumiram em direção ao rio e uma capa preta deixada para trás e Taylor logo reconheceu de quem se tratava o criminoso, suas suspeitas estavam mais claras do que nunca. O príncipe Christian sido atingindo pelo mascarado, o assassino de seu irmão e o homem que está obcecado por Anastásia e se mostrou capaz de qualquer coisa para tirar qualquer um de seu caminho. Ousado e inescrupuloso atacou a luz do dia em meio a multidão de gente, um profissional nato. E isso só aumentava as suspeitas de Taylor. Quando o rei Carrick o interceptou ele omitiu informações o máximo possível considerando o pedido do príncipe Christian quando confidenciou sobre suas suspeitas. Aquele dia não estava sendo bom para ninguém, Taylor havia discutido com o soldado Jack por ele ter dado uma desculpa esfarrapada de que ia visitar sua mãe doente o quando fazia a costumeira ronda pelo reino.
– O que querida?
– Quando nosso filho foi ferido eu o vi com a Ana e Christian estava discutindo com um rapaz que disse ser primo dela, discutiam porque eles tinham se beijado. – diz ela e o rei a olha e suspira.
– Não sei o que dizer. Acho que estou fazendo tudo errado e cada vez mais me convenço de que sou culpado de tudo que está acontecendo. – diz ele tristemente.
– Do que está falando?
– Não percebe Grace? – pergunta ele e se levanta da cama passando as mãos pelos cabelos andando de um lado para o outro – Suria disse que eu estava assinando a sentença de morte do meu reino, você não vê? Tempestades, pragas, a fauna e flora morrendo, assim como as pessoas, os nossos filhos Grace! Quase perdemos nosso primeiro netinho! – murmura angustiado – Isso tudo pelo meu preconceito entre as classes sociais, tudo isso por nada!
– Calma Cary, nada disso é culpa sua.
– É claro que é Grace, fui avisado várias vezes das consequências. O anel está lá no dedo da Ana uma prova de que ela é a escolhida pra casar com nosso filho. – diz e sentou-se na cama seus ombros caíram como se o peso do mundo estivessem neles – Eu perdi um filho e não quero perder outro.
– Para Cary, nós não vamos perder ninguém – chora Grace – precisamos consertar as coisas meu bem, para o bem de todos.
– Amanhã procurarei por Suria, ela irá nos orientar.
(...)
POV Príncipe Christian
Uma dor dilacera meu peito, queimando minha pele por dentro e por fora. Eu sentia, a cada respiração, doía como brasa. Eu sabia, sabia que tinha sido atingido por uma flecha e que alguém deseja a minha morte por algum motivo desconhecido por mim ou talvez não. Seria por causa dela? Anastásia... Onde será que ela está? Ela estava comigo naquele momento me amparando e eu me senti no paraíso, seus braços pareciam à calmaria em meio à tempestade. Desejei nunca mais sair de seu aperto. E de repente não consigo mais senti-la e nem ouvir a sua voz de anjo. O que está acontecendo comigo? Porque me sinto tão dependente dela? Eu não sabia explicar apenas sentia, sentia que precisava dela de qualquer maneira.
A escuridão tomou conta de mim por completo, não consigo abrir os olhos ou eu já estou de olhos abertos e simplesmente não consigo saber onde eu estou porque está tudo escuro? Maldição concentre-se Christian! Sinto um arrepio estranho em minha espinha fazendo os pelos de minha pele enrijecerem quando vejo uma pequena fresta de luz vindo ao longe quando uma porta se abriu. Aquela pequena luz iluminou um pouco o lugar que parece um corredor sombrio, não sei ao certo, apenas consigo enxergar aquela pequena luz vindo daquela porta branca, talvez eu encontre a Anastásia e ela, com certeza, vai me ajudar. Caminho lentamente na direção daquela luz, não estou com minha espada eu poderia usa-la para me defender e se por trás daquela porta o maldito que tentou me matar esteja lá apenas me esperando para me atacar e dessa vez me matar? Pois eu sei que estou vivo, se eu estivesse morto estaria no céu o mais provável é no inferno e isso aqui não se parece em nada com o inferno... Ou... Ou parece?
Paro em frente à porta branca onde sai à luz e lentamente a abro e um forte clarão me atinge e sou obrigado a por os braços nos olhos para me proteger. Alguns minutos se passam e aos poucos vou tirando os braços que me protegeram contra esse clarão. Abro meus olhos e não acredito no que vejo! Um jardim? Olho para trás e não vejo mais a porta em que eu entrei apenas um campo cheio de flores, flores de todos os tipos, mas o que....? O jardim se parece muito com o do palácio, mas este está bem mais cuidado, flores e árvores por todos os lados dando uma límpida visão do lugar o gramado bem verdinho, agora olhando para minhas vestes percebo que estou vestido de branco. Oh meu Deus, será... Será...
– Você não está morto se é isso que está pensando. – essa voz, eu a conheço... É dele! Viro-me rapidamente e quase tenho um enfarte ao vê-lo. Ele sorri e caminha até mim, estou petrificado no meu lugar com os olhos arregalados sem conseguir acreditar no que os meus olhos veem, será isso um sonho? Ao parar em minha frente ele me abraça apertando e novamente o sinto, eu posso abraça-lo expressar todo o meu amor, Aron está aqui! Um turbilhão de sentimentos explodem dentro de mim e não consigo conter o choro ao saber que a providencia divina está me dando essa chance de vê-lo, falar e toca-lo novamente . O abraço com toda intensidade do meu amor por meu irmão e me deixo chorar, chorar de alegria. – Também senti sua falta irmão.
– Aron... Como... Oh meu Deus! – encontro minha voz e murmuro desconexo.
– Te explicarei tudo irmão. – ele me solta de seu abraço, ele parece tão mais jovem. – Que tal caminharmos um pouco? – assinto ainda me sentindo fora da órbita.
Começamos a caminhar pelo jardim em silêncio, apenas nós dois naquele lugar majestoso, talvez aqui seja o céu e Aron tenha virado um anjo, ele está igual a mim com vestes brancas e parece tão iluminado. Ainda não consigo acreditar que estou aqui com ele.
– Eu tenho observado você Christian. – diz Aron quebrando o silêncio.
–Me observado? Como assim?
– Mesmo na morte meu espirito permanece vivo e eu posso vagar pela terra, eu já fiz minha passagem e aceitei ao fato de estar morto. Meu passa tempo é ficar observando você, a nossa família, – um sorriso surge em seus lábios – a Anastásia. Você tem sido muito cruel com ela. – seu tom é de reprovação.
– Eu sei – suspiro cansado – me arrependo muito por isso, eu estava tão cego de ódio que não enxergava um palmo a minha frente, só queria encontrar teu assassino a todo custo.
– Mas não foi ela quem me matou. — Afirma ele e isso é como uma facada no meu coração provando o quão maldito eu fui com Ana. – E também não sei quem foi e mesmo se soubesse não poderia te dizer.
– Porque não?
– Eu já morri Christian, do que adianta eu ficar remoendo isso se é irreversível, do que adianta guardar ódio no coração? Por vingança? Eu não tenho mais nada haver com isso eu já aceitei ao fato de que estou morto, foi difícil para mim quando cheguei aqui, eu não queria de maneira alguma, eu queria voltar, voltar para a Anastásia – diz ele e sinto algo em meio peito, como assim voltar pra Anastásia? – aos poucos fui aceitando, amadureci e compreendi que essa é a vida, em um momento inesperado as coisas acontecem, não é preciso ser nem um gênio para descobrir.
–Então, aqui é o céu? Você é um anjo? – ele ri.
–Não exatamente. – diz ele e eu me perco em pensamentos, estou tão confuso. Não entendo como vim parar aqui e o porquê de meu irmão também está aqui, talvez eu esteja delirando por causa do meu ferimento. Espera... Eu não estou sentindo dor! Olho para meu peito e ponho a mão, não sinto nada, é como se ela nunca tivesse existido. Mas, como? – Eu consigo ver as engrenagens em sua cabeça Christian Grey! – diz Aron interrompendo meus pensamentos, olho para ele e percebo que paramos de andar, nem isso eu havia notado isso está cada vez mais estranho.
– Não consigo entender, porque estamos nesse lugar?
–Ora irmão, eu pensei que fosse mais esperto. – diz ele em tom de brincadeira, mas permaneci sério – Certo. Aqui Christian é um lugar de paz, não existe dor ou preocupações. Você sofreu um atentado e nesse momento você deveria estar morto – arregalo meus olhos – mas, por algum motivo não está e não me pergunte qual, porque eu não sei isso só Deus sabe e eu estou aqui para te ajudar, ajuda-lo a entender seus sentimentos e a clarear sua mente e aconselha-lo e até mesmo repreende-lo das atitudes que tomou após a minha morte. E quero dizer-te, não culpe a si mesmo por algo que não cometeu você não é culpado!
–Mas... – ele me interrompe.
–Sem “mas” irmão, entenda, eu estou bem. – ele sorri – Eu sei que nossa despedida não foi uma das melhores e você não tem culpa por isso nós não sabíamos que eu iria morrer justamente àquela noite. – começo a chorar lembrando-me de nossa discursão e o quanto fui frio com ele – E agora temos a oportunidade de fazer direito de dizer adeus sem ressentimentos. – ele ri e continuo chorando –Você parece um bebê chorão. – não consigo conter a risada passo as mãos no meu rosto para limpar as lágrimas.
–Ah Aron... Isso é muito surreal! Em um momento eu estou nos braços de Anastásia sendo amparado por ela e em outro estou aqui contigo.
–Também falaremos sobre seus sentimentos por ela. – diz ele de repente e eu franzi o cenho – O que você sente por ela é o mesmo já senti e ainda sinto.
–Não entendo o que está falando.
–Você está apaixonado pela Anastásia, Christian. – arregalei meus olhos. O que? –Suas emoções estão em conflito, é difícil entender cada uma delas, mas acho que já percebeu que necessita dela. E isso é um grande passo. Como eu disse: Eu andei observando você! Vi como você ficou quando ela foi cuidar do Ray.
–Me sentia sufocado sem ela por perto, não parava de pensar nela era como se eu não tivesse mais controle sobre mim mesmo, tudo em mim, todos os meus sentidos diziam para eu ir procura-la e ama-la... – meu irmão sorri para mim e eu ofego com essa constatação – Eu fui um mostro com ela, certamente ela me odeia por isso. – digo desesperado passando as mãos pelos cabelos, ela jamais vai me querer. Espera... O que eu disse?
–Nem tudo está perdido Christian. – diz Aron e abraça meus ombros e começamos a andar em direção a um banco de cor branca entre duas árvores com os ganhos cheios de folhas bem verdes, o vento sopra e elas balançam fazendo um barulho, o barulho da natureza. – Eu sei que se arrependeu e quer consertar as coisas, mas para isso terá que ganhar a confiança dela. A Ana é uma pessoa maravilhosa, generosa e com um bom coração, por isso me apaixonei perdidamente por ela, mas ela só me via como amigo, um irmão que nunca teve. – diz ele e nos sentamos no banco. Eu ouvida tudo atentamente. –Você é tão cabeça dura que tenho certeza de que ainda tem duvidas de que a ama.
–Acho que você está equivocado. – murmuro ainda desacreditado, talvez meu irmão tenha ficado louco e queria me enlouquecer também. Afinal nada disso é real, não é? Ele balança a cabeça lentamente olhando-me sério.
–Se a Anastásia fosse embora, sumisse de sua vida para sempre ou até mesmo se casasse com outro homem o que você faria?
–Eu iria atrás dela e a traria para mim e não deixaria nenhum outro homem chegar perto dela porque eu a am... – paro de falar ao tomar ciência do que disse e ia dizer. Aron está com sorriso de vitória nos lábios. – Oh maldição! Eu a amo! – Você é um burro Christian Grey! Acabou com a única chance de ser feliz!
–Sim você à ama! Você sente? Sente como é boa essa sensação? Poder admitir a si mesmo de seus sentimentos? – mesmo assustado sorriu involuntariamente ao lembrar do rosto dela, tão linda. Mas, meu sorriso morre ao lembrar das vezes que a humilhei e a maltratei injustamente, ela jamais vai querer meu amor... Oh Deus, eu a amo! Estou amando pela primeira vez na minha vida e me sinto em êxtase por me render a esse sentimento e sinto medo, medo dela me rejeitar e achar que não sou bom o suficiente para ela, que o meu amor para ela não valerá nada.
– Ela não vai me querer Aron... E você ainda a ama. – digo com medo.
– Calma irmão nós não estamos aqui para falar de mim e sim de você, então não seja um marica. – riu e olhou pra mim – Fico feliz que tenha percebido isso e espero que reveja suas atitudes para poder ser feliz, você e a Ana são almas gêmeas viveram vidas passadas durante séculos a procura um do outro e agora não será diferente, então por favor não seja mais um babaca com ela se não quiser a perder de vez. – diz e sinto meu coração doer ao imaginar perde-la, sorrindo Aron se levanta sigo seu movimento – Está quase na hora.
– Hora? Pra que?
– De você ir. – diz ele e sinto perder uma batida de meu coração com a ideia de que essa é a ultima vez que o vejo, pareceu ser tão pouco o tempo. – Não fique assim, mesmo que não veja, eu sempre estou com você. – ele põe a mão no meu ombro olhando pra mim com seu sorriso de garoto, assinto meio relutante. – Vamos andar mais um pouco antes de você ir.
Liberdade, eu sentia isso, essa sensação de estar livre a muito tempo me sentia preso e caminhando sem rumo e agora sinto que a vida está sorrindo para mim. Eu estava cego, cego com sentimentos medíocres, sem valores que só me fazia me distanciar do meu amor, o meu único e grande amor Anastásia. Sorriu ao lembrar dela.
– Sinto muita falta da nossa família. Estou muito feliz pelo Lelliot e a Kate. – diz Aron.
– Em breve nosso sobrinho nascerá. Será uma alegria para nossos pais. – digo e percebo Aron parar no caminho, estamos ao redor das flores, Aron sempre amou a natureza a primavera é a sua estação favorita por causa do nascimento das flores, dos frutos. Ele sempre adorou ver essa magia. Olho para ele que está olhando para o céu e suspirando fundo faço o mesmo já sabendo o que vai acontecer, chegou a hora de dizer adeus.
– Está na hora não é? – pergunto e sinto lágrimas em meus olhos quando ele assente – Perdoe-me... Eu devia ter te protegido.
– Ei, ei, não, por favor, sem choro – me abraça apertado – você não tem culpa de nada irmão, eu te amo e sempre vou te amar. É normal irmãos brigarem em diversas situações, mas não significa que os sentimentos vão mudar ou que você é culpado de algo que o destino reservou, sei que é difícil um dia todo mundo vai morrer a única diferença é quando isso vai acontecer e a minha hora já tinha chegado. – choro como se um peso foi tirado de minhas costas, sinto minha alma liberta de toda a dor e culpa que eu sentia. – você só tem que me prometer que vai fazer de tudo para ser feliz que vai cuidar da nossa família Chris, você sempre foi o meu herói. – diz ele com a voz embargada e meus soluços são tão altos.
– Eu te amo tanto irmão. Obrigado por ser o meu anjo da guarda. – ele ri. Saindo de seu abraço olho para o lado e vejo um clarão, como se fosse uma passagem, um portal.
– Diga a todos que os amo. – o abraço mais uma vez demoradamente, saio de seu abraço e caminho até a passagem olho para trás e ele ainda está lá me olhando com um sorriso no rosto sorriu também e volto a seguir o meu caminho sem mais ressentimentos.
(...)
A carroça para em frente ao grande portão de ferro do castelo. José desce da carroça e ajuda sua prima a descer. O soldado Andrew abre o portão ao reconhecer a jovem e permite a entrado do primo dela. Ana caminha apressadamente com José em seu enlaço para os fundos do castelo, onde se localiza a cozinha. Chegando lá ela encontra Gail e Hannah, ambas com a expressão triste e cansada.
– Onde ele está? – pergunta ela subitamente assustando as mulheres.
– Ana! – exclama Gail.
– Onde ele está Gail, preciso vê-lo.
– Calma querida, ele está bem, agora está dormindo. – diz Gail e elas se abraçam enquanto Hannah e José se encaram.
– Quem é você? – perguntou ela.
– Sou o primo da Ana.
– Oh, me desculpem! Gail, Hannah, este é José, meu primo veio me acompanhar.
– Contra a minha vontade. – resmungou José e Anastásia ignorou.
– Gail, leve-me até ele. – suplicou Ana – Estou muito angustiada, não vou conseguir dormir se não o vê-lo. – diz e a senhora assente.
– Vou ficar aqui Anastásia, não tenho o porquê de ir ver o seu príncipe. – diz José puxando uma cadeira e se sentado ao lado de Hannah na mesa e Ana revira os olhos e segue Gail até a sala. Elas sobem as escadas e vão para o corredor, a cada passo Ana sentia as batidas de seu coração acelerar em aflição. O castelo estava silencioso todos já havia se recolhido em seus aposentos. Gail seguia ao lado dela e via as emoções saltando dos olhos de Anastásia. Gail é uma mulher sábia e vivida e sabia como se chamava aquilo que ela sentia pelo príncipe, aliás, o que ambos sentiam, mas não enxergavam. Parando a ultima porta do corredor Gail a abre, de primeira elas são privilegias com a sacada do quarto que dá a uma visão ampla do jardim do palácio, outrora magnifico, e agora está praticamente morto.
– O que você está fazendo aqui? – uma voz com um misto de irritação soa pelo ambiente, ao olhar para a direção dela, Anastásia e Gail se deparam com Leila ao lado de Christian. No momento o que Ana sente é raiva ao vê-la perto dele e tristeza pela aparência do príncipe Christian – Está surda? Eu perguntei o que você veio fazer aqui! – diz Leila mais alto e Ana permanece calada apenas encarando Christian. Seus olhos estavam presos naquele homem na cama.
– Senhorita, por favor, não grite.
– Cale a boca Gail, meu assunto não é com você, é com essa criada imunda que se atreveu a entrar no quarto do meu príncipe.
– Ele não é seu príncipe. – rosna Anastásia. – E pare de gritar! – diz Anastásia firme com raiva dela está falando alto, Christian precisa de tranquilidade e aquela víbora não o esta dando, sabe se lá o que estava fazendo ali sozinha com ele e pensar nisso faz Ana sentir raiva dela.
– E quem é você para mandar em mim? – grita ela se aproximando de Ana, rapidamente Gail sai do quarto para buscar ajuda antes que elas se atracassem ali.
– Eu não vou perder meu tempo discutindo com você Leila, não vim aqui para isso. – diz Anastásia e faz menção de se aproximar de Christian. Leila prevendo suas intenções pega seu braço com força a impedindo de se aproximar.
– Não chegue perto dele! Ele é meu!
– Solte-me Leila!
– NÃO! SAIA AGORA DAQUI! – grita ela fora de si e logo o rei e a rainha aparecem junto de Gail no quarto, Ana puxa seu braço com força e as duas se encaram raivosamente.
– Por Deus, o que está acontecendo? – pergunta a rainha Grace.
– Essa criada está importunando o sono do príncipe rainha.
– O que há com vocês duas? – pergunta o rei Carrick – Não percebem que meu filho precisa de descanso e não de duas feras raivosas em seu quarto. Isso aqui não é um campo de batalha para vocês ficarem discutindo! – diz o rei severo.
– Desculpe majestade, eu só queria vê-lo. – diz Ana e o rei e rainha se compadecem com a sinceridade da jovem.
– Mas, você não vai!
– Leila! – repreende a rainha assustando todas e até mesmo sua dama de honra que não entende sua reação, ela sempre esteve ao lado dela. Carrick e Grace se entreolham e assentem.
– Fique a vontade Anastásia, iremos te dar privacidade. – diz o rei e todos ficam boquiabertos com sua atitude, principalmente Leila que esperou que ele a expulsasse por tamanho atrevimento.
– Mas... – a rainha Grace a interrompe.
– Vamos Leila! – ainda incrédula com a atitude Leila permanece no lugar – Agora! – Leila direciona um olhar raivoso para Ana que se mantem de cabeça erguida e sai pisando duro. O rei, a rainha e Gail saem do quarto deixando-a sozinha com ele.
Anastásia se aproxima da cama a passos lentos com o coração apertado. Nunca o tinha visto daquele jeito, tão indefeso. Lembrou-se das vezes em que ele exibia seus dotes e sorriu ao lembrar das brigas que já tiveram e mesmo que sempre saísse ferida por suas palavras tudo aquilo fazia ela se sentir viva. Sentando-se na cama ela pega a mão dele, era um contato intimo como os beijos que trocaram, ela morde os lábios ainda sentindo gosto dos lábios dele no seu e sem querer uma lágrima escorre de seus olhos.
– Oi Christian. – o nome dele fez sua língua dançar em sua boca como uma caricia – Eu não sei se você pode me ouvir, mas eu quero que saiba que te perdoo por tudo o que aconteceu, só não quero que você morra, por favor, abre os olhos. Não sei te explicar, mas me dói tanto imaginar que você pode partir para sempre, isso é loucura não é? Eu devia te odiar por tudo o que me fez passar mesmo eu sendo inocente. Mas, eu não consigo, simplesmente não consigo desejar teu mal. – diz ela e seu olhar para no anel em seu dedo e involuntariamente abre um sorriso triste – Talvez seja coisa do destino. – por impulso Ana se deita ao lado dele, precisava senti mais contato do seu corpo, com cuidado ela se deita e o observa, continua lindo, mesmo pálido e com os lábios arroxeados. Ana passa uma de suas mãos levemente pelo rosto dele em uma caricia inocente. Seu coração bate mais forte no peito enquanto contorna cada linha do rosto dele, ela aproxima seu rosto e o beija na bochecha, sua respiração bate no rosto dele assim como a dele que está tão serena aos poucos seus lábios tocam o dele em um selinho terno e demorado, foi o suficiente para o sangue em suas veias bombear fortemente. Ela permanece assim, apenas tocando os lábios deles com os seus ate sentir um toque em seu cabelo e rapidamente abre os olhos e se depara com duas esferas cinzas a olhando.
– Anastásia
– Christian – murmura ela e começa a chorar – Oh meu Deus, você acordou! – ela sorri em meio às lágrimas e ele retribui o sorriso fracamente ao sentir que a mulher que ama está feliz por vê-lo vivo.
– Ana eu... – ele tenta dizer mais ela põe o dedo nos lábios dele para não falar, ele ainda está fraco e não pode fazer esforço.
–Shh, fica quietinho, eu vou cuidar de você. – diz ela e acaricia seu rosto e o príncipe fecha os olhos se deliciando com a caricia de sua amada. – Eu tive tanto medo. – confessa sem nem ao menos registrar o que diz. Ele a olha intensamente e ela vê várias emoções nos olhos cinzas, emoções que ela não consegue identificar, ele tinha um olhar puro e de ternura sobre ela.
– Fica comigo? – perguntou ele – Fica? – ela apenas assentiu incapaz de negar seu pedido e encosta a cabeça no travesseiro ao lado dele e os dois ficam se encarando e mentalmente Christian pronuncia à todo momento o quanto a ama.
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