Um Plano Irrecusável

10 Convite Estranho


Notas iniciais
Olá! Aqui está o décimo capítulo. Espero que gostem!

Era sábado e o sol estava quase se pondo quando Chat Noir bateu à porta do quarto de Marinette, encontrando-a sentada em sua cadeira giratória e desenhando em um caderno apoiado sobre a mesa do computador. Uma música baixa saía do celular dela, que também estava sobre a mesa. O loiro sorriu quando ela notou sua presença.

— Sério, você tem muito talento. — Disse ele olhando para o desenho que ela fazia. — Quando ficar rica e famosa lembra de mim, tá?

— Acho que famosa eu já sou. Só falam de mim na internet agora. — Os dois riram.
— Nem vem me culpar porque foi você que disse o "eu aceito". — Marinette fez uma careta e jogou uma almofada nele, atingindo seu ombro.
— Eu não disse "eu aceito", eu disse "tanto faz". — Chat Noir riu e tentou atirar nela a almofada que estava ao seu lado, mas errou.
Rapidamente, Marinette pegou um travesseiro que estava em sua cama e, logo, os dois começaram a jogar almofadas um no outro, rindo como nunca. Até que, sem querer, o loiro tropeçou em um dos travesseiros que tinham jogado no chão, fazendo Marinette rir ainda mais.
— Você vai pagar por isso. — Ele disse em um tom brincalhão e começou a jogar os travesseiros na menina, que corria pelo quarto, rindo.
Marinette subiu as escadas que levavam à sua cama para tentar fugir, mas Chat Noir a seguiu e continuava jogando as almofadas. Ela acabou caindo na cama, rindo tanto que estava quase sem fôlego. O loiro continuava em pé, rindo também.
Quando a azulada finalmente recuperou o ar, fingiu que se levantaria, estendendo a mão para que Chat Noir a ajudasse, mas, antes que ele fizesse isso, ela o puxou, fazendo com que ele caísse ao seu lado sobre a cama. Os dois continuaram rindo durante alguns instantes, olhando para o teto, até que Marinette o encarou, perdendo-se em seus pensamentos.
Quando foi que tinham ficado tão próximos? Será que, quando terminassem aquele namoro de mentira, ela ia continuar a receber as visitas dele? Por que estava se preocupando com isso?
Foi então que ela lembrou. Precisava falar antes que esquecesse de novo.
Mas Chat Noir interpretou aquele olhar de uma forma diferente. Marinette estava deitada de lado agora, apoiando-se em dos braços, e o loiro conseguia sentir a respiração ofegante da azulada em seu rosto. Os olhos dele voltaram-se para os lábios dela, que estavam muito próximos dos seus e ele não entendia porque desejava que aquela pequena distância sumisse. Sentiu sua mão involuntariamente sair da cama e levantar até o rosto dela, mas parou subitamente no meio do caminho.
Marinette sentou-se na cama, ainda tentando se recuperar das risadas e Chat Noir levantou, ficando ao lado dela.
"O que foi que aconteceu? Ou melhor, que quase aconteceu?", ele pensava ao olhar para menina, sem saber que ela também se perguntava o mesmo enquanto perdiam-se em seus olhares. Os pensamentos de ambos foram interrompidos pelo toque do celular dela.
— Ah, claro que eu não esqueci do shopping hoje, Alya. — Chat Noir riu, sabia que ela estava mentindo, e começou a pegar as almofadas do chão enquanto a menina terminava de falar ao telefone.
— Você esqueceu, não é? — Disse quando ela desligou. — Pode ir lá se arrumar que eu organizo tudo aqui.
— Obrigada. — Ela lhe deu um beijo na bochecha. Não sabia por que tinha feito isso. Apenas fez. Também não sabia por que seu coração parecia tão acelerado.

Poucos minutos depois, todos os trvesseiros e almofadas já estavam no lugar e Marinette também já estava pronta para encontrar Alya.

Após a azulada postar uma selfie deles nas redes sociais, Chat Noir se despediu, deixando Marinette perdida em seus pensamentos enquanto encarava a porta do quarto.

***

Apesar de estar com muito sono, Marinette ficou acordada até a madrugada, o horário mais seguro para conversar com os kwamis. Ela fechou todas as janelas e cortinas do quarto e certificou que a porta estava trancada. Desde que tinha se tornado a guardiã dos miraculous, todo cuidado era pouco. Se Hawk Moth a visse ali poderia não só descobrir sua identidade secreta, mas também roubar a caixa dos miraculous. A azulada se transformou em Ladybug e tirou a caixa de dentro do ioiô. Ela ainda achava que não era muito seguro fazer nada relacionado aos deveres como guardiã em sua própria casa, mas como não tinha pensado em nada melhor, precisava improvisar.
Marinette lia as anotações de Mestre Fu no livro já decifrado e experimentava combinações entre os kwamis. Agora que conhecia os poderes e particularidades de cada um deles, poderia ser mais fácil encontrar seus futuros portadores, embora soubesse que agora seria ainda mais difícil entregar as jóias a eles com Hawk Moth sabendo que ela era a guardiã dos miraculous. Ainda pensava sobre como faria isso. Se iria deixar os miraculous permanentemente com os novos portadores ou se deveria entregá-los disfarçada para não correr o risco de Hawk Moth a seguir, como ocorreu quando enfrentaram o casal Bourgeois.
Ela parou de ler o livro dos guardiões. Era muita responsabilidade, às vezes dava vontade de desistir de tudo. Mas Paris contava com ela, o mundo contava com ela. Não poderia deixar aquelas pessoas nas mãos de Hawk Moth, não poderia deixar que o futuro que viu quando enfrentou Chat Blanc se tornasse real. Ela suspirou. De novo aquela memória invadiu sua mente. A cidade totalmente destruída. O desespero que sentiu ao ver a si mesma destruída pelo cataclismo.
— Está tudo bem, Ladybug? — Wayzz perguntou e ela assentiu.
— O futuro que eu vi. — Ela se dirigiu a Fluff, o kwami de Bunnix — Ele pode se tornar real?
— É difícil dizer. Talvez. — Aquela resposta a atormentou.
— Mas… se eu apaguei o meu nome do presente do Adrien… — Os kwamis se entreolharam — Deixa pra lá.
— Talvez não aconteça exatamente daquela forma. Talvez nem aconteça, não dá para ter certeza. — Fluff falou novamente.
— Há muitas possibilidades. Viagem no tempo é meio complicada… — Sass, o kwami de Viperion, disse.
— É… acho melhor voltar ao livro, não é? — Ela bocejou.
— Você está cansada, amanhã podemos nos reunir de novo. — Wayzz disse e Marinette assentiu. Assim, ela tirou os miraculous que usava e todos os kwamis voltaram para a caixa.

***

Para o alívio do modelo, Marinette começou a sair com ele como Adrien algumas vezes e, embora não fosse a mesma coisa do que era com Chat Noir, já era um grande avanço. Já tinha ido ao cinema com ela e com seus amigos depois das aulas e foram a uma cafeteria perto do colégio antes da esgrima. Isso sem contar as poucas conversas que tinham na escola.
Vê-la se aproximar dele como Adrien o fazia se sentir aliviado. Sabia que aquele namoro falso deles acabaria logo e tinha medo de se afastar da menina novamente. Gostava tanto de estar com ela. Era… leve. Achava que, quando aquilo terminasse, voltaria a ser o modelo famoso e Marinette voltaria a não conversar com ele direito, como acontecia antes. Por isso tinha ficado tão feliz ao perceber que ela parecia um pouco mais confortável quando estavam juntos como Adrien e Marinette.
O loiro estava perdido em seus devaneios quando ouviu a campainha de sua casa tocar. Gabriel não estava e ele correu até Nathalie para saber quem era.
— É aquela sua amiga. — Disse a mulher e Adrien sorriu.
— Ela pode entrar para jogarmos videogame? Por favor… — Ela hesitou por alguns instantes.
— Só até seu pai chegar. — O garoto viu a porta se abrir e sorriu ao ver a azulada.
— Eu só vim entregar o livro que você esqueceu lá na escola. Tem teste amanhã, então…
— Quer ir lá em cima jogar Ultimate Mecha Strike III? — A garota olhou para Nathalie, como se pedisse permissão. — Vamos? — Marinette concordou com a cabeça. Não dava para resistir.
Ela também estava muito feliz por ter voltado a falar com Adrien, pelo menos continuariam a ser amigos.
Quando a azulada saiu da mansão, deu de cara com Gabriel Agreste e sentiu seu coração acelerar. Sabia que estava ali sem a permissão dele.
— E-eu vim entregar um livro que o Adrien esqueceu na escola. — O homem não disse nada e entrou na mansão, mas olhou para trás para encarar a menina.
— Aquela sua amiga que estava aqui… — Ele começou a falar para Adrien.
— Eu posso explicar…
— Ela é a namorada do Chat Noir, não é? — Gabriel falou e Adrien não sabia o que dizer. Estava planejando acabar com aquilo, mas também não sabia por que o pai estava perguntando sobre isso. E se desconfiasse que ele e Marinette estavam juntos? E se dissesse para se afastar dela?
— E-eu não sei, acho que sim. — Gabriel murmurou um "hum" e Adrien foi o para o quarto.

***

Naquela noite, Marinette foi surpreendida com uma mensagem de Adrien. Fazia bastante tempo que não trocavam mensagens.

Você está oficialmente convidada para jantar na minha casa amanhã.

Espera, o quê? Mas e seu pai?

Ele mesmo convidou.

Está brincando?

Ele te viu hoje, então me disse que, se é pra você vir aqui, é para ele ficar sabendo.

A azulada encarava o celular surpresa, mas não animada. Era estranho não estar se sentindo tão empolgada com aquela notícia.

Você vem?

Claro!

***

Na tarde seguinte, Marinette se arrumava para o jantar na casa de Adrien. Prendeu os cabelos em um coque e colocou um vestido. Sentindo que estava formal demais, trocou de roupa, colocando calça e blusa, mas sentiu que estava casual demais, então voltou ao vestido, mas colocou um mais simples dessa vez. Passou um batom vermelho e o tirou logo em seguida.
— Tikki, eu não faço a menor ideia de como ir para esse jantar!
— Relaxa, Marinette… — Falava a kwami.
— Acho que vou voltar para a calça e a blusa.

Ia se trocar quando ouviu sua mãe gritar do andar de baixo:
— Marinette, seu amigo já está aqui!

Ela desceu as escadas rapidamente, encontrando o loiro na porta. Logo, os dois caminharam até o lado de fora da casa, encontrando o conhecido carro cinza. Mais cedo, ela tinha dito que poderia ir sozinha, mas Adrien insistiu em levá-la.
Quando chegaram à mansão, Gabriel os esperava na sala.
— O-oi, senhor Agreste. Boa noite. — A azulada disse, nervosa. Nunca imaginou se encontrar com o pai de Adrien na casa dele para um jantar. Talvez só quando achava que ela e o garoto ficariam juntos para sempre, mas receber um convite para jantar assim era bem estranho, ainda mais se Adrien estivesse realmente namorando Kagami.
Não demorou muito para que estivessem na mesa de jantar e a azulada não podia estar mais nervosa.
— Acho melhor eu ir embora. — Disse para o modelo, não imaginando que Gabriel tinha escutado do outro lado da enorme mesa.
— Mas o jantar ainda nem foi servido… — O pai de Adrien parecia estar mais simpático que o normal e isso a tranquilizou por alguns instantes. O local estava silencioso até que ela foi surpreendida por Gabriel. — Então… você é a namorada do Chat Noir, não é?

Notas finais
Eita, e agora? kkkkkk Ah, sobre o Adrien e a Mari parecem mais próximos de repente: eles já eram amigos antes, então, nesse capítulo, eles estão basicamente se reaproximando depois do que aconteceu no fim da terceira temporada. Acredito que devo explicar isso melhor nos próximos capítulos, mas qualquer dúvida é só perguntar. O próximo capítulo será postado amanhã. Obrigada por ler.