Notas iniciais
Olá! Aqui está o capitulo onze, espero que gostem!

A azulada se engasgou com a pergunta repentina.
— Pai! — Adrien disse e Marinette se recuperou, mas ainda estava com lágrimas no canto dos olhos por causa da tosse.
— Somos… — Ela pigarreou — amigos. Eu e o Chat Noir.
— Eu também dizia isso quando estava começando a namorar minha esposa. — Gabriel falou, rindo.
— Pai! — Adrien disse de novo, envergonhado com a situação. Ficaram em silêncio novamente até terminarem o jantar.
— Mas então… não é estranho namorar um super-herói? Quer dizer, vai saber quem está por trás da máscara, não é? — Gabriel falou, tentando tirar algum proveito da situação. Queria saber o quanto a menina conhecia Chat Noir.
— Ah não! — Adrien disse baixinho, enquanto colocava a mão sobre o rosto.
Para a felicidade dos dois jovens, Nathalie apareceu com o celular nas mãos.
— Ligação para o senhor. É urgente.
— Com licença. — Gabriel saiu e Adrien notou um suspiro de alívio em Marinette.
— Desculpa por isso. — O loiro falou.
— Está tudo bem.
— Então… vamos lá pra cima jogar videogame antes que ele volte com mais perguntas. — A azulada riu e ele fez o mesmo.
Depois de algumas horas — que pareceram apenas minutos para os dois jovens — conversando e jogando seu jogo de videogame favorito, Marinette disse que já estava tarde e que precisava ir. Por ela, até ficaria mais tempo, mas ainda estava um pouco desconfortável com as perguntas do pai de Adrien no jantar. Por que ele queria saber sobre Chat?
Quando disse que precisava ir embora, o modelo falou que Gorila a levava e os dois foram juntos para o carro. Ela se despediu formalmente de Gabriel Agreste antes de sair, agradecendo pelo jantar, e estava morrendo de medo de ele resolver perguntar mais alguma coisa sobre seu "relacionamento" com Chat Noir, mas, para a felicidade dela, o homem não o fez.
— Vamos? — Adrien disse, lhe estendendo a mão e ela sorriu.
Há algumas semanas a azulada teria simplesmente surtado com aquilo. Jantou na casa de Adrien, jogou videogame com ele, conversaram por horas e agora ainda estava sentada ao lado dele no carro. Mas agora nada disso parecia algo tão grandioso ao ponto de ela chegar em casa e contar tudo pra Alya por mensagens em Caps Lock. Ela e Adrien eram amigos agora. Sempre seriam. Era assim que ele a via e era assim que ela deveria vê-lo também. Bons amigos. Apenas isso. "Ele está com Kagami e eu… bem…", a azulada pensava quando o motorista parou em frente à padaria.
— Obrigada por me trazer aqui. — Se dirigiu a Gorila, que apenas balançou a cabeça — E, Adrien… — O loiro a encarou — Obrigada por hoje, foi incrível. — Ela percebeu que soou muito… "Marinette-de-algumas-semanas-atrás-que-surtava-por-qualquer-coisinha", então tentou se corrigir — É muito bom ter um amigo que nem você.

"Nossa, isso foi péssimo", ela se repreendeu mentalmente.

— Obrigada você, super Marinette. — A menina sorriu e hesitou um pouco antes de lhe dar um abraço de despedida, porém, para sua supresa, o garoto teve a mesma ideia e isso fez com que metade de seus lábios se tocassem.
Completamente sem jeito, ela murmurou um "desculpa" e saiu do carro ao ver o semblante impaciente de Gorila. Nem conseguiu dar "tchau" para Adrien, de tão atônita que estava. E se segurou para não mandar um monte de mensagens para Alya, conseguia até imaginar a sequência:


"ALYA DKHDMBDJSKW
O ADRIEN
ME CHAMOU
PRA JANTAR NA CASA DELE JJSOEBSHJEBDU
AÍ A GENTE
SE BEIJOU VSYEHEJWIWJSH"

Ela riu, sabia que era exagero, seus lábios mal haviam se tocado. Foi só um acidente. "Bons amigos, Marinette, bons amigos", repetia para si. Ele e Kagami pareciam felizes juntos e Marinette estava bem em não se preocupar em fazer um macarron ou um presente novo pra ele toda semana. "Ainda não acredito que eu fazia isso, que vergonha!", pensou e, rindo, entrou na padaria.

***

Kagami caminhava sozinha em um pequeno parque, observando as árvores exibirem uma coloração rosa, que constratava com o azul vivído do céu praticamente sem nuvens.
Tinha decidido sair naquela tarde sozinha para conhecer a pequena cidade que sua tia-avó morava, no interior do Japão, já que raramente saía da casa e, quando isso acontecia, estava acompanhada de alguém da família. Prometeu à mãe que voltaria rápido, então não deu tempo de ver muita coisa.
Agora ela estava sentada sozinha em um dos bancos daquele pequeno parque, sentindo o aroma das flores através da brisa que tocava seu rosto. Observou alguns jovens conversando e iria se levantar para falar com eles quando olhou o relógio no celular. Sua mãe certamente iria reclamar se ela se atrasasse.
Olhou novamente para os jovens e lembrou do dia que fugiu da festa do casal Bourgeois com Adrien e Marinette. Tinha escutado um belo sermão quando voltou para casa, mas aquela aventura tinha valido a pena.
Guardou o celular e se aproximou daqueles adolescentes que observava, torcendo para que tudo o que tinha aprendido sobre amizades em Paris fosse o suficiente para conversar com aquelas pessoas.

***

— Espera um segundo, o Adrien te convidou pra jantar na casa dele? — Alya falou depois de escutar a azulada e o loiro conversando sobre o tal jantar. Assim que o modelo saiu, Alya lançou um olhar surpreso para Marinette. — E você tipo… não surtou? Como assim eu só fiquei sabendo disso agora? Por quanto tempo eu dormi? — A azulada riu.
— Bom… sim, ele me chamou pra jantar na casa dele e eu fui. E não, eu não surtei com isso. Não te contei porque não foi nada de mais, somos amigos agora. Acho que você dormiu por algumas semanas, amiga. Esqueci alguma pergunta?
— Acho que não. Caramba! Estou amando essa nova Marinette, mais madura e segura de si, mas confesso que sinto falta dos seus surtos. — As duas riram — É sério, o Adrien espirrava perto de você e você ficava tipo: "socorro! Nunca mais vou lavar esse casaco! Aqui tem os germes do Adrien! Se ele espirrou perto de mim então eu tenho alguma chance de ficar com ele!" — Elas riram novamente — O que foi que fez isso com você? Porque olha, foi uma transformação e tanto. — Marinette sorriu.
— Na verdade, eu estava pensando sobre isso há um tempo já. Eu era um pouco exagerada quando se tratava do Adrien.
— Um pouco? — A azulada deu um tapa leve no braço da amiga. — E então, como estão você e o Chat Noir? Pelo visto estão bem né, pra você não ter surtado por causa do Adrien… — Marinette não sabia muito bem como responder. Fazia uns três dias que o gato não a visitava e nem mandava mensagens. Mas, de qualquer forma, já tinha passado da hora de terminarem aquele namoro de mentira. Não tinha funcionado mesmo…
— Estamos… bem.
— Só isso? Você tem noção de que namora um super-herói? Ou quase namora, sei lá. E de que eu sou sua melhor amiga e a maior Marichat shipper dessa cidade? — Marinette riu, mas não respondeu. O sinal logo tocou e as duas meninas foram para a sala, conversando sobre outros assuntos.

***

Alya não foi a única que perguntou sobre Chat Noir para Marinette. Parece que todas as suas amigas — e até pessoas que ela nem falava direito — tinham resolvido perguntar sobre o seu "relacionamento" naquele dia.
Marinette já estava sem paciência para aquelas perguntas. Tinha umas completamente sem noção! Então namorar um famoso era assim?
A azulada desviava das perguntas inconvenientes e tentava mudar de assunto, mas sempre acabava voltando para o gato preto. "Mas ele vai à sua casa todas as noites?"; "Você não faz nem ideia de quem ele seja por trás da máscara?"; "Como vocês namoram se você nem sabe quem ele é? Pode ser qualquer pessoa!"; "Qual foi o momento mais romântico de vocês?"; "E a Ladybug, ele não gostava dela antes? Você não se importa com isso?"; "Seus pais não têm problemas com ele te visitando todas as noites no seu quarto não?". Sobre essa última pergunta ela até lembrou do ocorrido na manhã passada. Marinette sempre disse aos pais que ela e Chat Noir eram só amigos. Não queria contar aquela mentira pra eles também, mas é claro que Tom e Sabine tinham redes sociais e ficaram sabendo da pior maneira possível. Marinette não sabia direito o que fazer, como explicar aquela história toda para os pais? Então ela contou. Explicou que era uma brincadeira com Chat Noir, iam fingir que estavam juntos pra ver se ele conseguia fazer ciúmes em Ladybug e se ela teria alguma chance com Adrien. Óbvio que os pais a aconselharam a terminar aquela mentira o quanto antes e ela também explicou que estava precisando fazer isso mesmo, já que não tinha dado certo para nenhum dos dois. Ela também não aguentava mais mentir e nem as perguntas sem noção que as pessoas faziam. Perguntas essas que a estavam irritando ainda mais naquela tarde de aulas.
Assim que chegou à sua casa, o que ela mais queria era tomar um banho e se jogar debaixo do edredom para assistir sua série favorita ou ler algum livro, mas seus planos foram por água abaixo com o alerta akuma. Correu para o quarto e resistiu ao chamado da cama quentinha, se transformando e saindo pela janela.
Um repórter louco por notícias tinha sido akumatizado e já estava lutando contra Chat Noir. O novo vilão mencionava o nome de Marinette o tempo todo, dizendo que precisava ir atrás dela e confirmar de uma vez por todas aquele namoro com o super-herói. Por sorte, os heróis conseguiram derrotá-lo antes que ele tentasse ir atrás de Marinette — que não estaria em casa de qualquer forma, é claro.

Após a batalha cansativa para a garota que já estava exausta por causa da escola, diversos repórteres apareceram para encher Chat Noir de perguntas sobre Marinette. "Pelo visto não sou a única a ser bombardeada de perguntas", pensou. Mas a transformação do parceiro estava prestes a acabar e ele teve que sair. "Sortudo! Foi salvo pelo gongo! Eu tive que aguentar isso a manhã e a tarde toda na escola!", pensava, já irritada com aquela situação e decidida a falar com ele como Marinette, o quanto antes.
Ela estava prestes a sair quando um repórter a chamou. Imaginando ser algo importante, a azulada voltou-se para ele.
— Ladybug, pode nos dar sua opinião sobre o namoro de Chat Noir? Ele não era apaixonado por você? Vocês chegaram a ficar juntos? — "Só podem estar brincando comigo, não é possível!", ela pensava, sentindo o sangue queimar suas veias. Suspirou impaciente.
— Olha, eu já disse que eu e o Chat Noir somos super-heróis, e não estrelas, e que somos uma dupla, e não um casal. Não me importo com quem ele namora ou deixa de namorar, isso é problema dele, não meu! Se ele resolveu ficar com a tal Marinette usando sua fantasia de super-herói ele que tem que responder essas perguntas. — Ela iria continuar falando quando seu brinco apitou e só então percebeu os olhares surpresos de todos os presentes. Sentiu o coração acelerar. Não devia ter falado nada daquilo. Faltando quase um minuto para se transformar de volta, a joaninha saiu sem dar mais uma palavra para os jornalistas desesperados.

***

— Caramba, eu fiz uma besteira das grandes! — Marinette falou para Tikki, trancada numa cabine do banheiro da escola. Assim que chegou ao colégio naquela manhã, percebeu que praticamente todos os alunos falavam da mesma coisa: as palavras de Ladybug no dia anterior. — E não estou falando só de ontem! Aceitei essa mentira toda mesmo sabendo que ia dar errado. Fala aí o "eu te avisei". — Tikki deu uma risadinha leve e ia começar a falar quando ouviram passos. Alguém tinha entrado no banheiro e com certeza ia estranhar ouvir Marinette conversando com alguém dentro da cabine.
A opinião de Ladybug continuou sendo discutida pelos alunos por bastante tempo, fazendo a azulada se sentir ainda pior do que já estava. Nem conseguia imaginar como Chat Noir deveria estar se sentindo. A garota que ele era apaixonado — e um dos motivos para ele ter inventado aquele plano maluco — tinha dito que não estava nem aí para o namoro dele, sem um pingo de ciúmes. Se ela tivesse dito apenas para ele seria uma coisa, mas agora a cidade toda sabia e comentava sobre isso.
Naquela noite, Marinette estava prestes a mandar uma mensagem para Chat Noir quando ouviu batidas na janela.
— Você sumiu! Assim não dá pra manter o relacionamento! — Ela brincou, não queria magoá-lo mais. Para o alívio dela, o loiro soltou uma risada.
— Sobre isso… — "Ele vai falar, ufa!", pensava Marinette. — Bom… você já deve ter visto aquele vídeo da Ladybug, né?
— É…
— Como você falou, e como os filmes mostraram, o namoro falso realmente não deu certo.
— Então agora eu posso finalmente falar o "eu te avisei"? — Os dois riram.
— Acho que, no fundo, eu sabia que não ia dar certo. Quer dizer, eu já tinha tentado essa técnica de dizer que estava namorando antes e ela nem ligou, mas agora eu achei que, sei lá… com as fotos e tudo mais… não sei. — Marinette se aproximou dele. — Ela gosta de outra pessoa, eu devia ter aceitado isso há meses e tê-la esquecido, que nem você.
— E quem disse que eu esqueci? — Aqueles olhos verdes, que agora pareciam bem menos brilhantes que o habitual, se voltaram para ela — Meu amor por ele não sumiu de repente. Talvez tenha amadurecido, sei lá. Só sei que não é como antes, que eu me sentia mal e insegura pensando que ele poderia estar, nesse momento, feliz com outra pessoa. Antes eu não queria que ele estivesse com alguém que não fosse eu. Agora eu me sinto bem por ele estar feliz e por continuarmos sendo amigos. — O loiro deu-lhe um sorriso sincero.
— Tem razão.
— Apesar de tudo, gostei muito de estar com você durante essas… o quê? Três semanas? — Os dois riram — Que namoro mais curto!
— Foi incrível mesmo.
— Sabe… antes de você chegar, eu estava te mandando mensagem.
— Sério? Sobre o quê? Lançou filme novo de relacionamento de mentira? — A azulada riu.
— Não. Ia falar pra gente acabar com o nosso relacionamento de mentira.
— Espera, você ia terminar comigo por mensagem? Que absurdo! — Riram novamente, mas ela percebeu que o loiro tinha perdido um pouco do brilho no olhar. Já imaginava isso, mas não sabia que ia sentir aquele aperto no peito.
— Sinto muito, Chat. — Disse, sincera. Sentia que aquilo era sua culpa. Afinal, sempre soube que um namoro falso nunca funcionaria para fazer ciúmes nela mesma e aceitou apenas porque achava que teria alguma chance com Adrien e, é claro, porque tinha inventado a desculpa na escola.
— Tudo bem, não é sua culpa. — "É sim", ela queria dizer. Mas logo Chat sorriu e levantou a cabeça — Aliás, acho que já encontrei outra pretendente.
Aquela resposta a surpreendeu, ainda mais com aquele olhar que o loiro lhe lançava.
— Espera, não sou eu, não é? — Chat Noir se aproximou e ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo.
— Isso seria muito clichê. — O loiro se afastou dela e os dois riram.
Eles ficaram mais alguns minutos conversando na varanda, mas assim que uma chuva fina começou a cair, o loiro disse que precisava ir.
— Gatos não gostam muito de chuva, sabe como é… — Ele falou antes de se despedir, rindo levemente, e Marinette ficou observando Chat Noir sumir nos telhados da cidade, pensativa.
Sabia que tinha tomado a decisão certa ao acabar com aquela mentira, mas então por que sentia aquele aperto no peito, como se já estivesse sentido saudades daqueles momentos em que era apenas ela e Chat em sua varanda?

Notas finais
Acho que por essa vocês não esperavam, né? kkkkkk Não me abandonem, ainda tem muitos capítulos pela frente e muita coisa pode acontecer hahah! É isso, o próximo capítulo será publicado amanhã. Obrigada por ler!