Notas iniciais
Olá! Aqui está o capítulo quinze, espero que gostem!

Marinette sentiu que tinha perdido o controle de seus sentidos repentinamente. Por um momento, não conseguia mais ouvir o burburinho dos alunos nos corredores e sentiu sua visão escurecer. Achou que ia desmaiar. Precisava reagir antes que confirmasse o que a amiga tinha dito.
— O quê? Eu? A Ladybug? Claro que não! Nada a ver! De onde tirou isso? Alguém postou na internet? Isso não está na internet, está? — Falou rápido, nervosa, e Alix riu.
— Não, ninguém postou nada. — Marinette soltou um suspiro de alívio.
— Ainda bem… — A amiga a encarou, sorrindo satisfeita pela confirmação. Quando a azulada notou, tentou se corrigir. — Ainda bem que ninguém postou nada. Já pensou se começassem a dizer que sou a Ladybug? O que, com certeza, não é verdade, e não faz o menor sentido? Aí ela ia ter o trabalho de aparecer ao meu lado para provar isso… — Percebeu que não tinha sido muito convincente e Alix ainda a encarava com um olhar de admiração, rindo do nervosismo da amiga.
— Comecei a desconfiar desde aquele dia que você inventou uma desculpa, dizendo que estava namorando o Chat Noir. Mas aí as fotos de verdade saíram e, por um momento, até cheguei a acreditar naquela história.
— Mas… eu não sou ela, tá? Nem tenho tempo para ser super-heroína porque… tem a padaria e… — Alix a abraçou.
— Não podia pensar em ninguém melhor para ser minha super-heroína favorita. — Marinette sorriu, retribuindo o abraço. — E pode ficar tranquila, porque o seu segredo está seguro comigo. Afinal, se eu vou virar mesmo uma viajante do tempo no futuro, eu tenho que saber guardar segredos. — As duas sorriram.

***

Naquela mesma tarde, a azulada viu Adrien sair do vestiário, já com o uniforme de esgrima. Era comum ter alguma aula experimental do esporte durante o ano e foi em uma dessas que Marinette estava agora, mesmo que já tivesse tentado antes. Mas ela com certeza não recusaria um convite de Adrien.
— Você veio! — Disse ele ao vê-la também uniformizada.
— Não ia perder a oportunidade de te derrotar em mais alguma coisa. — Ele riu e começaram a praticar.
— Só pra você saber… — Disse o loiro enquanto lutavam — Pode me tocar quantas vezes quiser. — Adrien falou e, embora o rosto dela tivesse coberto por causa da roupa de esgrima, sabia que ela tinha corado. E ouvir aquela gargalhada de Marinette era maravilhoso.
Depois da aula, o loiro sabia que Gorila já o esperava na porta do colégio. Queria que não fosse assim. Gostaria de ficar mais tempo com a azulada.
— Ok, definitivamente, esgrima não é pra mim. — Ela disse, ofegante, e Adrien riu. — Sério, acho que vou dormir por três dias seguidos pra me recuperar…
Antes de sair da escola, e depois de se certificar que não havia ninguém conhecido por perto, Adrien selou seus lábios com os da azulada em um beijo rápido. Não lembrava de ter, alguma vez, se sentido tão bem assim. Marinette era ainda mais incrível do que ele imaginava.

***

— A Alix descobriu que você é a Ladybug? — A kwami quase gritou.
— Eu não consegui desmentir, ela já sabia. — Tikki se aproximou de Marinette, que costurava um novo vestido. — Desculpa, eu devia ter inventado alguma coisa…
— Se bem que, da última vez que você inventou uma desculpa para esconder seu segredo, você falou que estava namorando o Chat Noir, então… — As duas riram.
— Minhas desculpas tinham acabado. — Ela suspirou — Mas tudo bem. Eu confio na Alix.
— Você sabe que o problema não é ela guardar segredo, não sabe?
— É… o problema é se ela for akumatizada e falar para o Hawk Moth. Mas eu nunca disse que era a Ladybug com todas as palavras, só não desmenti a teoria dela.
— Não muda muita coisa… — Marinette riu sem humor. — Mas você é Ladybug mais inteligente que já conheci. Com certeza vai dar um jeito se o pior acontecer. — A azulada sorriu e ouviu seu celular a notificar de uma postagem de Adrien nas redes sociais. Era uma foto que haviam tirado juntos na praça quando tomaram sorvete.
— Tikki, eu estou sonhando, não estou? — A azulada falou enquanto olhava para a foto. — Eu e o Adrien… eu já tinha até perdido as esperanças — Riu sozinha.
— Estou muito feliz por vocês, Marinette. Sabia que iam ficar juntos um dia. — Antes que falassem mais alguma coisa, o alerta de akumas no celular da azulada tocou.
— Tikki, transformar!

***

— Zerou! — Ladybug e Chat Noir fizeram seu conhecido cumprimento com as mãos após derrotarem mais uma vítima de Hawk Moth.
O herói foi falar com a garota que havia sido akumatizada enquanto Ladybug o observava. Ele estava um pouco diferente na batalha. Na verdade, já fazia um tempo que não a chamava pelos apelidos, mas ele parecia distante, não aproveitando nenhuma oportunidade de se aproximar ou de jogar charme. "Será que ele ainda está mal pelo que eu falei naquela entrevista?", pensou, lembrando do dia que havia falado sobre o namoro de Chat Noir e Marinette.
Depois que a garota que tinha sido akumatizada saiu, a azulada se aproximou do parceiro.
— Olha, desculpa por aquele dia da entrevista… eu estava meio estressada e exausta daquelas perguntas, sabe? Não gosto que nos tratem como estrelas. — Ele pareceu pensar durante alguns segundos.
— Tudo bem, não foi nada demais. E… você está certa, eu não devia ter usado minha identidade de super-herói para falar com a Marinette. — Ele ouviu um apito do anel — Até mais, Ladybug!
Ela sorriu, embora ainda fosse estranho não ouvir o "my lady" no final da frase.

***

Já estava escuro quando Marinette terminava a peça que estava costurando, torcendo para que não fosse interrompida novamente. Quando terminou, olhou satisfeita para seu trabalho.
Estava guardando os pedaços de tecido e as agulhas quando seu celular tocou.
— Olha da janela. — Ela sorriu ao ouvir a voz de Adrien e, ao invés de olhar pela janela, já desceu as escadas para abrir a porta. — Eu disse que queria repetir o dia do cinema. — Marinette se surpreendeu ao ver que o conhecido carro cinza estava lá.
— Pediu permissão dessa vez?
— Como você sabe que naquele dia… — Ela colocou o indicador sobre os lábios do loiro, pedindo silêncio, enquanto olhava para o motorista.
— Ele pode não falar muito, mas ouvir ele ouve. — Sussurrou para Adrien e os dois entraram no carro. — Para onde vamos? — Ela continuou falando baixo.
— É surpresa. — Ele respondeu no mesmo tom.
— É aquele parque, não é? — Adrien a encarou com um olhar incrédulo.
— Surpresa estragada com sucesso. — Marinette riu e lhe deu um beijo na bochecha.

***

— Não acredito que perdi pra você no tiro ao alvo! — A azulada anunciou enquanto comia um algodão doce.
— Já estava na hora de ser derrotada em alguma coisa, não é? — Ele falou com um sorriso nos lábios que a lembrou de Chat Noir.
— Você fala como se nunca tivesse ganhado nada…
— E o que eu ganhei? — Ela se aproximou.
— Eu. — A azulada iniciou um beijo apaixonado, e, ao separarem-se, bagunçou o cabelo do garoto.
— Ei, sou eu quem diz essas coisas! Eu sou o charmoso da relação! — Adrien disse enquanto arrumava os cabelos, fazendo Marinette rir. Esse comportamento dele a lembrava de Chat Noir. Foi então que ela notou que não tinha sido apenas nesse momento que Adrien pareceu o herói. Ele sempre fazia piadinhas e cantadas típicas de Chat Noir ultimamente. — O que foi? — Perguntou ele, comendo um pedaço de algodão doce. Por um momento, ela pareceu distante.
— Nada, estou pensando qual o próximo jogo que vamos para que eu possa te derrotar. — A azulada provocou e o loiro colocou a mão sobre o peito, fazendo uma expressão de ofendido. "Até nisso ele parece com o Chat Noir…", ela pensava e, de repente, isso a preocupou.
Porque ele sempre a lembrava do super-herói? Estava gostando de Adrien agora porque ele lembrava o parceiro? Será que aquele tempo que tinha passado com o Chat Noir a fez pensar nele de um modo diferente? Porque ela mesma tinha dito para o gato que não pensava mais em Adrien da mesma forma que antes, e que nem esperava mais que ficassem juntos algum dia. E, na última batalha, tinha se incomodado mais do que o normal com a ausência dos apelidos e piadas do parceiro. Por que nunca havia pensado nisso? Será que foram as semelhanças com o Chat Noir que a fez se aproximar de Adrien de novo?
O celular do modelo tocou, despertando a azulada do transe.
— O Gorila volta em quinze minutos. — Ele falou, um pouco decepcionado. Ainda estava cedo, não queria voltar para a mansão naquele momento. A azulada parecia compreendê-lo e tocou a sua mão. Aquele sorriso o fez esquecer seus pensamentos sobre as paredes sem cor daquela casa que chamava de lar.

***

Na tarde seguinte, Marinette ficou surpresa quando Adrien a chamou para estudar na mansão para um teste. Mas se preocupou ao pensar no pai do garoto. Da última vez que o encontrou, ela recebeu algumas perguntas sobre seu namoro com Chat Noir que, por sorte, conseguiu evitar de responder. "E agora? Será que ele vai estar em casa? E se ele me perguntar sobre o que eu tenho com o Adrien? Será que o Adrien vai responder? O que eu digo? O que eu tenho com o Adrien?", pensava enquanto escolhia o que iria vestir. Optou por um vestido simples, deixou os cabelos soltos e passou um gloss vermelho que gostava.
Ela desceu as escadas e ficou aguardando Adrien na sala. Sorriu. "Uma das poucas vezes que estou adiantada", pensou enquanto comia um croissant.
Não demorou muito para que a campainha tocasse e ela fosse correndo atender. Sorriu novamente ao ver Adrien na porta.
Quando chegaram à mansão Agreste, ela conseguiu ficar um pouco mais tranquila. O pai de Adrien a cumprimentou, mas deixou os dois jovens sozinhos na sala, indo para seu escritório. Ela quase soltou um suspiro de alívio, achou que receberia perguntas como na outra vez, mas, pelo visto, só iria iria estudar — e talvez trocar alguns beijos — com Adrien.
Os dois foram para o quarto do loiro e separaram o material de estudo. Mas ela percebeu que um livro estava faltando, lembrando-se que tinha aberto a mochila quando estavam na sala.
— Acho que deixei meu livro lá embaixo. Vou buscar e já volto. — Disse e o loiro assentiu, já organizando a mesa.
Marinette desceu as escadas rapidamente e encontrou o livro no sofá. Pegou-o e estava voltando para o quarto quando ouviu vozes. Ela estranhou. Adrien disse que Nathalie tinha saído e somente Gabriel estava em casa. "Ele deve estar falando com alguém ao telefone", pensou, começando a subir as escadas. Mas ouviu uma voz diferente da de Gabriel. Não conseguiu resistir à curiosidade e caminhou lentamente até o escritório do pai de Adrien.
— O que foi, Marinette? — Tikki sussurrou, mas a azulada não respondeu, continuando a andar silenciosamente até a porta do escritório.
— Acha que ela pode lhe dar alguma pista sobre a identidade do Chat Noir, mestre? Mas o senhor não tinha lido na internet que eles não estavam mais juntos? — Nooroo falou, deixando a azulada em choque.
"Um kwami! Como o Gabriel tem um miraculous?", pensava, lutando contra aquela possibilidade que pensava ter jogado fora há alguns meses. Sentiu seu coração acelerar.
— Nooroo? — Tikki sussurrou, incrédula.
— Talvez se ela for akumatizada, eu possa conseguir alguma informação sobre a identidade dele. Mas essa garota é uma das poucas pessoas que ainda não akumatizei. Preciso de um plano. Ela parece ser muito ligada ao meu filho, talvez isso possa me ajudar a criar as emoções negativas de que preciso. — Gabriel falou em um tom sombrio e com um sorriso macabro nos lábios, confirmando os pensamentos de Marinette e Tikki.
— O pai do Adrien é o… — A kwami falou, em choque.
— Hawk Moth. — A azulada completou, sentindo tudo ao seu redor escurecer.

Notas finais
(Momento surto da autora mais uma vez): AAAAAAAAAAAAAAA ELA DESCOBRIU AAAAAAAAA E AGORA? AAAAAAAAAAAA kkkkkkkk Aposto que, pelo título, vocês acharam que era a revelação da Marinette e do Adrien, né? Hahah! Enfim, o próximo capítulo será postado amanhã por volta desse mesmo horário. Obrigada por ler!