Notas iniciais
Aqui está. O último capítulo pronto. Agora estamos numa das partes mais tensas da história. Anne está lutando, e Vanessa também, junto com Dave. Ambos lutam com seus "demônios interiores". Preparem-se. Acho (sim, acho) que o pior dessa parte já acabou. E o que vocês acharam do nome do pai da Vanessa?

Anne passou a noite entre a vida e a morte. Vanessa sonhou com a morte dele. Dave sonhou com a vingança. E com Anne sobrevivendo aqueles tempos difíceis. Sua inconsciência passando. Mas, só depois de ele ter morrido. Tudo o que aqueles dois cérebros pensavam no meio da noite era em vingança. Destruição. Vida. Sobreviver. Abandonar o passado. Mas nada escondia aquele brilho de vingança refletido em ambos os olhares. O dia raiou belo, como sempre. Vanessa não poderia sair do hospital até que conseguisse realizar movimentos mais bruscos sem quase romper os pontos. Dave iria para casa, e depois para a aula. Normalmente. Mas sem sua melhor amiga. Sua irmã. Enquanto isso, Anne delirava, com febres altas. Mesmo ainda inconsciente, ela via aquele homem, que um dia tivera a capacidade de amar. Que um dia, ela amara. Mas que destruira tudo. Seu casamento. Seu amor. Sua vida. Sua filha. E ele lhe atormentava. A cada dia durante aqueles dois anos. A possibilidade de ele voltar estava ali, presente. E ele voltara. Ela via seu rosto a cada noite. Vanessa nunca soube, mas ele já lhe agredira. Nada continuou o mesmo. Quando ele mudou? Como? Ela não tinha as respostas para tais perguntas. O que mudara tanto seu ex-marido? A ponto de estuprar sua própria filha? Anne despertava levemente, mas logo caía na inconsciência novamente. Ela estava literalmente entre a vida e a morte.
O dia continuava, e Anne continuava do mesmo modo... Vanessa lutava impiedosamente contra o tédio. Ficar o dia todo num quarto de hospital não estavam nos seus planos. Até umas cinco aulas de química seguidas seriam mais interessantes. Quando ela percebeu isso, chamou a enfermeira usando aquele botãozinho.

– Olá queridinha. Dormiu bem?

– O tédio está me matando. Até aulas de química eu prefiro...

– Então a situação é crítica mesmo. O que você quer que eu faça?

– Tem um telefone que eu possa usar? Se for necessário, você pode me levar até ele?

– Tem sim... vou pegar a cadeira de rodas.

– Ok. Valeu. — A enfermeira então se afastou com um leve sorriso em seus lábios, pensando “Que menina guerreira! Passou por tudo o que passou e ainda vive normalmente....” Pobre moça. Não sabia um pingo da verdade, do que se passava dia após dia no íntimo de Vanessa. Ela lutava cada dia com seu passado, com sua vida, suas memórias e sua dor. Já Anne lutava, com as horas de inconsciência, de dor, entre a vida e a morte. Quando ela ficava mais lúcida, imaginava o rosto daquele que quase a matara, tirara a vontade de viver de sua filha, de si mesma. Um dia, aproximadamente dois anos antes, Anne entrou no banheiro depois de Vanessa ter tomado banho, e viu algumas gotas de sangue brilhando por sobre a luz cálida que o sol mandava através de uma janela no alto da parede. Anne então soube o que sua filha fizera. Mas nada falara, por que sabia que ela fizera isso tentando não sentir. Pouco tempo depois, a enfermeira, uma jovem moça de cabelos castanhos e de nome Marcie, voltou com a cadeira.

– Aqui está meu bem. Vamos lá. — Passaram por uma série de corredores brancos, cadeiras, portas, salas de cirurgia e todo tipo de coisas que se existe num hospital. Ao passarem em frente de uma máquina de bebidas e uma de guloseimas, Vanessa pediu para parar.

– Você tem alguma moeda aí? — Disse com um leve sorriso no rosto. Fazia tempo que não comia.

– Acho que sim... aqui! — Disse entregando a Vanessa uma moeda de 25 cents.

– Obrigada...

– Marcie. — A enfermeira que ela ainda não sabia o nome respondeu. Vanessa pegou um salgadinho de sabor de churrasco e uma coca-cola.

– Quer um Marcie?

– Vou querer um sim...

Elas então se locomoveram em direção ao telefone, onde Vanessa fez uma ligação (n.a.: não, mandou mensagem e depois jogou pou...)

***

Já passava da uma da tarde quando Dave chegou.

– Oi Anjinha... — Ele chegou com três mochilas e uma mala.

– Oi... e aí, o que você trouxe? — O tédio dela era tanto, que pediu para que Dave trouxesse até os livros de química e toda a sorte de matérias terríveis e chatas.

– Bem, pelo nível de tédio na sua voz, eu trouxe várias coisas. Aqui uma lista. — Ele se “contorceu” para conseguir pegar a lista... — “ Celular, notebook, livros da escola, A Culpa É Das Estrelas, Cidades de Papel, DVD’s de Bones, Castle, Once Upon a Time, Criminal Minds, e Friends, tablet, mais um monte de livros que eu nem me dei o trabalho de ler o título, estojo, caderno, caderno de textos e redações, rascunhos, um maço de folhas que estava com o nome ‘Meu Projeto’, agenda, diário e mais coisas que eu fiquei com preguiça de escrever...” Tcharam!

– Ah, seu fidiégua! Você leu o “Meu Projeto”? Se a resposta for sim num tô nem aí pra esses pontos! Seu canalha, bastar... — Ela foi interrompida por Dave, que começou a gritar...

– Calma! Eu não li, por mais que eu tenha ficado curioso, ainda mais depois da sua reação! Calma muié! — Dave estava com medo, tipo muito medo. Mesmo ela estando do jeito que estava, ele ainda sabia do que ela era capaz. Sim, ele leu o projeto dela. Um guia detalhado de como assassinar alguém sem deixar provas. Um adulto. Um tal de "Marcel". Claro que ele já sabia o nome do pai de Vanessa. “Mamãe! Não, mamãe não... Ela nem gosta de mim... Vô! me dá uma mãozinha aqui!”

– Bom mesmo! Mas, se você quiser ler...

– Pera aí, isso é sério? De verdade?

– Tão verdadeiro quanto esses pontos na minha barriga. Mas eu quero você lendo na minha frente, nada de levar para outros lugares fora da minha vista, ou então... já sabe!

– Ok. Ok.... Calma aí muié! E não, eu nunca li esse... "Projeto"... Mas eu quero. Quer o notebook?

– E você ainda pergunta? Anta!

– EI! Eu que fui pegar... tudo isso para você! Um pouco de gentileza!

– Não! Dave...

– Que foi Vanessa?

– Acho que tô com cólica...

– Oh-oh... E o que você vai fazer? Com esses pontos?

– Simples... Chame a enfermeira. E não se atreva a tocar no "Projeto"!

***

Anne estava mal. Os médicos a monitoraram dia e noite, mas não apresentou nenhuma mudança. Ela continuava do mesmo modo. Entre a vida e a morte. Ela não se sentia viva. Não se sentia bem. Não sentia nada. Apenas ouvia alguns sons ao seu redor, mas não tinha consciência deles. Eles passaram a fazer parte de seus sonhos. Ela sonhou com uma vez que foi hospitalizada, quando Vanessa ia nascer. Seu esposo ainda era o mesmo. Gentil, bom, justo, carinhoso, alegre e uma boa pessoa. Sua menininha nasceu abaixo do peso, e alguns dias antes do previsto, precisando assim ficar uns dois ou três dias no hospital. Para eles foi terrível ficar long de sua filhinha. O novo ser da família. Apenas uma menininha que não tinha consciência de nada.

Anne ainda se lembrava da voz de sua filha ao dizer as primeiras palavras, na ligação de socorro, a voz de quando se reencontraram, a voz de derrota e medo, a voz de alegria e a voz de dor. Quantas vezes não acordou no meio da noite com sua filha gritando no meio de mais um de tantos pesadelos, para acorda-la? E agora? Como ela faria? As lembranças passavam em sua mente como um filme sem fim. A última cena era de um rosto que a feriu, feriu sua filha e destruiu para sempre ambas. Depois, tudo o que tinha eram borrões desconexos. Dor. Tristeza. Saudade. E vontade de ver sua filhinha. "O que ele fez com ela? Meu bebê..." Nada mudaria isso. O passado. A dor. E as lembranças. Ela se mudou quando se separam imaginando que sua filha estaria melhor com o pai do que com ela. Uma mulher que quis se separar pelo que aconteceu antes da separação. Ela simplesmente não sabia sobre quando ele mudou. Mais algo a dizia que Vanessa sabia. Sua consciência vinha e ia. Borrões e palavras desconexas faziam parte de seu tempo. Pareciam dias. Mas foram horas.

***

– Olá querida... — Vanessa já estava enjoando do cumprimento daquela enfermeira. — Qual o problema?

– Bem, digamos que eu estou com cólica e eu estou começando a sentir uma certa viscosidade...

– Hum... quer que eu te leve no banheiro e faça o necessário?

– Só me levar no banheiro mesmo. O Dave vai comigo.

– Como assim? Ele é homem...

– Na verdade ele é gay.

– Oh.

– Eu me sinto mais segura com ele do que com muita gente.

– Ok então. — A enfermeira foi pegar a cadeira de rodas para Vanessa ir ao banheiro.

– Dave, você pegou os absorventes?

– Claro. Eu já imaginava que viria nessa época. Sabe, não é muito inteligente deixar na porta do seu closet um calendário com as datas da sua menstruação Anjinha. — Vanessa corou.

– Ok, queridinhos, aqui está a cadeira. Precisam de ajuda?

– Na verdade sim. Você poderia me ajudar a por a Vanessa na cadeira de rodas?

– Sim, é claro.

Vanessa estava envergonhada. Primeiro, ela menstruou na cama do hospital. Segundo, Dave viu o controle de menstruações dela. Terceiro, ela precisaria de ajuda para ir até a cadeira de rodas. Ela queria gritar que não precisava, mas para Dave seria como falar grego. Ela tinha plena e total consciência disso. "Fazer o quê!"

***

Anne ainda dormia, e ninguém imaginava quando ou se ela acordaria. Era possível que ela passasse anos ou dias em coma. Ela parecia estar simplesmente dormindo, mas sua mente trabalhava com uma fúria indomável. Ela a cada dia queimava menos em febre, mas ainda ficava inconsciente por horas ou dias. Mas naquele dia, ela teve um lampejo de onde Marcel poderia estar. Um lampejo de memória, lembrança. Ela sabia que se sua menininha estivesse viva, acharia a pista para descobrir onde ele estava. Mas se não estivesse, ela tentaria com todas as suas forças acordar daquele coma. Anne sempre fora uma mulher forte. Mas agora não o aparentava. Conectada a várias coisas, pélida e de aspecto morto. Mas ela não estava. Ainda. Em outro lampejo de memória, ela se lembrou da última vez em que viu um brilho de vida e alegria nos olhos de sua menininha. Para ela, não importava a idade que ela tivesse, Vanessa sempre seria sua menininha. Sua garotinha. Seu bebê. A inconsciência logo tornou a se apoderar dela, levando também suas memórias. Sua lucidez.

Notas finais
Não se preocupem, eu e a Uma SerialKiller Estranha já estamos preparando os próximos capítulos. Cada uma está fazendo sua versão e depois condensamos ambas, formando um único capítulo. Não, não fazemos ideia de quando vamos publicar o próximo. Ou de quando ele vai ficar pronto... Anyway, queremos reviews, hein? Ah, quem comentar nesse ganha um bônus tipo flashback. Do passado de um dos personagens, que eu não vou dizer quem é.. ~sendo má~ ~só que não~