Um Paradoxo de Sentimentos.
8 O significado do Lisianthus.
Notas iniciais
{Regina}
Regina despertou no dia seguinte tateando a cama a procura de Emma. No entanto, a loira não estava mais ali. Ficou desapontada e confusa. Quando olhou para a almofada ao lado, percebeu que havia um Lisianthus roxo em cima dela.
A morena sabia que um dos significados daquela flor era “a entrega amorosa”, a pessoa que a envia tem o desejo de se envolver profundamente com quem a recebe.
Esta espécie é muito comum nas regiões mais desérticas dos Estados Unidos, como o Texas, estado onde Regina nasceu e morou até sua idade adulta.
Pegou a flor e sorriu, enquanto aspirava o seu perfume. Só Emma poderia ter deixado aquela surpresa ali no seu leito e ficou se perguntando se a loira conhecia o significado do Lisianthus.
Levantou-se da cama, sentindo-se revigorada, uma vez que não se lembrava da última vez que tinha dormido tão bem, sem acordar no meio da noite assustada, devido aos pesadelos que tinha com Daniel ou com o acidente que sofreu e, mais recentemente, por causa do mau sonho que teve com Emma.
Até mesmo na noite que dormiu com a cunhada no chalé, havia tido um sono um pouco intranquilo, sonhando com faróis altos de um carro que vinham em sua direção.
Foi para o banheiro. Colocou o Lisianthus num copo com água em cima da bancada da pia e, depois de escovar os dentes, tomar banho e vestir sua calça preta de couro, botas pretas e camisa roxa, desceu as escadas e foi tomar café.
Apenas Killian e a vovó Swan estavam sentados na mesa.
Onde Emma tinha se metido? Era a pergunta que não saia da mente de Regina, enquanto ela se alimentava.
A sra. Swan e o neto estavam conversando sobre a última viagem dele e o rapaz já estava falando em embarcar num cruzeiro pelas Bahamas, enquanto a idosa demonstrava todo seu pesar com essa possibilidade, uma vez que o neto mal havia retornado a Swanfarm.
–Você gostaria de ir comigo, Regi?- Perguntava o rapaz a sua distraída cunhada. –Regina?- prosseguiu quando não obteve resposta.
A morena foi tirada dos seus devaneios pelas indagações do cunhado. –O quê?
Ele riu e disse: –Pelo visto você já está viajando, hein, cunhada?
–Desculpe, Kilian, eu estava pensando em uns assuntos que estão pendentes.– Foi à única desculpa que lhe ocorreu.
–Espero que não seja nada muito grave, querida! Falou vovó Swan, acariciando a mão da viúva de seu neto.
–Não senhora! Eu estava lembrando que preciso ir aquele hospital em Portland, onde fiquei internada depois do acidente. Costumava visitar alguns pacientes, principalmente os que estão internados na ala infantil, e há meses não apareço por lá.– pelo menos isso não é de todo uma mentira, pensou a morena.
A senhora pareceu acreditar na desculpa de Regina, já Killian a olhava de uma maneira estranha, como se estivesse querendo descobrir algo.
Ele sempre percebeu uma “atmosfera” diferente entre sua cunhada e sua irmã e, ontem, ficou com a impressão que Emma não tinha gostado nada de ver a morena em seus braços.
Depois que terminou de tomar café, Regina foi para os estábulos. Selou Rocinante e resolveu ir cavalgar pela propriedade.
Não parava de pensar em Emma! Na forma como ela entrou no seu quarto e depois cantou uma de suas canções preferidas para que ela dormisse e, por último, o gesto de deixar a flor para que a morena encontrasse quando acordasse.
Nestes últimos dias, a loira não parava de surpreendê-la. Nunca pensou que Emma Swan pudesse ser tão romântica!
Só teve contato com o lado mais doce dela, quando se conheceram no coreto da Mansão dos Nolan, no entanto, desde então, a cunhada sempre a tratou com frieza, crueldade e arrogância.
Regina estava ficando cada vez mais fascinada e apaixonada por esse outro lado da loira e estava disposta a se entregar de corpo e alma a essa mulher envolvente que a arrebatava com sua personalidade tão forte e ao mesmo tempo tão afetuosa.
Quando estava voltando para os estábulos, percebeu que pongo, o dálmata de Emma, saia em disparada do local, perseguindo um coelho.
Ao vê-la se aproximando com Rocinante, o cão começou a fazer festa ao redor do equino, abanando o rabo e ficando apenas nas patas traseiras.
Regina desceu do cavalo sorrindo, enquanto era “vítima” da alegria do cachorro que a lambia e corria ao redor dela mendigando afagos.
–Hei, cadê a sua dona?- Perguntou ao animal, enquanto acariciava a cabeça dele.
Pongo pareceu entender a pergunta da bela morena e saiu em disparada na direção da vinícola que ficava a alguns metros de distância do estábulo.
Depois que deixou Rocinante na baia, a morena se encaminhou para a vinícola.
Ao se aproximar do local escutou quando uma voz feminina dizia: –Senti tanto a sua falta, meu amor! Pensei que você não voltava mais!
Ao olhar pela porta pode ver Ariel abraçada a Emma, que estava de costas para a ruiva. A loira se virou e Ariel beijou-a na boca com paixão e desespero, como se quisesse matar toda a saudade que tinha sentido da namorada naquele gesto.
Os olhos de Regina assumiram um tom mais escuro, ela apertou a mandíbula, enquanto suas unhas se enterraram na pele das mãos.
Não acreditava no que estava vendo! Como pode ter sido tão idiota? É obvio que Emma ainda mantinha um relacionamento com a ruiva e pelo visto a morena era apenas mais uma conquista para a cunhada.
Talvez tudo não tenha passado de uma vingança de Emma contra ela.
É, ela esperou durante 4 anos para me fazer de imbecil e eu cai igual um patinho!- Pensava a morena enquanto voltava a passos largos para a casa da fazenda.
O que tinha acabado de presenciar colocou por terra todos os planos de Regina.
Emma Swan e ela jamais poderiam ter um final feliz juntas, uma vez que isso não tinha passado de um sonho adolescente que a morena havia alimentado, enquanto pensava que Emma a amava tanto quanto ela ama a maldita loira.
Entrou na casa bufando de ódio e resmungando entredentes com deboche- Loira vagabunda e peixe piranha, um casal perfeito!
Granny que limpava a cristaleira da sala, não entendeu porque a Sra. Mills-Swan parecia tão transtornada, mas deu de ombros e voltou a fazer seu trabalho.
Regina entrou no seu quarto, bateu a porta e tomou uma decisão: iria a Portland naquele dia! Precisava se afastar de Emma Swan, antes que fizesse alguma besteira.
Tomou outro banho para esfriar a cabeça e o corpo, já que seu sangue corria quente pelas veias e vestiu um suéter preto de gola alta e uma calça marrom, saindo rapidamente da casa, pois não queria correr o risco de encontrar a cunhada.
Quando estava se aproximando do Mercedes, ouviu a voz de August, uma espécie de faz tudo da fazenda, chamando-lhe –Sra. Mills, a srta. Swan está te procurando!–falava o rapaz.
Regina teve vontade de dizer a ele que mandasse a srta. Swan ir para o inferno, todavia controlou-se e falou: -August, eu estou com pressa, não tenho tempo para as bobagens da srta. Swan! -falou essas duas últimas palavras com desprezo.
Quando já tinha entrado no carro, ainda o ouviu indagar: –Mas e se ela perguntar para onde a senhora foi, o que eu digo?
Os olhos da morena brilharam com a ideia que passou pela sua cabeça e respondeu: –Diga-lhe que fui visitar um amigo em Portland e que não tenho hora para voltar. –Sorriu perversamente, acenou para o rapaz e pisou fundo no acelerador.
{Emma}
Emma abriu os olhos lentamente naquela manhã e a primeira coisa que viu fez um lindo sorriso aparecer no seu rosto. A mulher mais linda do mundo repousava serenamente sobre o seu corpo!
A loira poderia ficar ali a vida inteira, velando o sono e apreciando os belos traços da sua deusa latina. Não podia mais negar o óbvio: amava perdidamente Regina Mills!
E, naquele momento, tomou uma decisão: estava disposta a esquecer o passado e o fato que a morena tinha se casado com seu irmão por interesse.
Estava decidida a confiar em Regina a partir de agora, pois, como bem disse Ruby, a verdadeira face de sua amada podia muito bem ser aquela que Emma conheceu há 4 anos atrás, e não a da mulher aparentemente interesseira que se casou com seu irmão.
A loira devia dar o benefício da dúvida a morena e ter com ela uma conversa definitiva sobre os reais motivos que a levaram a se casar com Robin.
Cheirou o cabelo da cunhada, enquanto acariciava suas costas. Sentiu que Regina se aferrou ainda mais ao seu corpo e decidiu que era hora de se levantar, pois se continuasse ali não controlaria seus impulsos e acabaria por acordar a morena para fazer amor com ela e, naquele momento, Regina dormia tão tranquilamente, como se estivesse desejando esse descanso há tantos anos, que Emma não queria roubar a expressão de paz que via estampada em seu rosto.
Levantou-se lentamente, tomando o maior cuidado para não despertar sua amada e colocou travesseiros por baixo do seu corpo para que ela pensasse que ainda estava abraçada a loira.
Foi em direção ao quarto de sua avó, pois sabia que a matriarca da família tinha um pequeno jardim particular no terraço do seu quarto.
Chegando lá, viu azaleias, lírios do campo, entre outros tipos de flores.
Emma conhecia algumas espécies, porque sua ex-namorada, Mulan, adorava flores e havia explicado a loira o significado de muitas delas.
Quando seu olhar caiu sobre um jarro que estava na borda da sacada, Emma sorriu! Tinha encontrado a flor perfeita para dar a Regina.
Estava admirada que sua avó tivesse um exemplar daquela espécie ali, no Maine, uma vez que a Lisianthus só era mais comum nas áreas desérticas do sul dos Estados Unidos.
Certamente a velha Swan havia encomendado aquele espécime recentemente ao dono da pequena floricultura que tinha em Storybrooke.
Sorriu de forma travessa e tirou delicadamente uma flor do jarro, antes que sua avó chegasse e batesse nela por está danificando seu precioso jardim.
Voltou para o quarto de Regina e depositou o solitário exemplar do Lisianthus numa almofada ao lado dela, torcendo para que a morena entendesse o seu recado, uma vez que ela era texana, e provavelmente saberia o que aquela flor significava.
Foi para o seu quarto, vestiu uma regata preta, o jeans azul-marinho, e suas botas marrons e saiu da casa depois de tomar café sozinha.
No meio do caminho encontrou August e pediu para que ele avisasse a Regina, assim que a visse, que ela estava esperando a cunhada na vinícola.
Emma passou algum tempo checando os equipamentos que Ariel havia escolhido e que seriam utilizados na produção das sidras de maças que ambas pretendiam começar a produzir em parceria.
Segundo a ruiva, o avô de Emma havia tido insucesso na produção de vinhos, porque aquela região do Maine não possuía as condições climáticas adequadas para a plantação de uvas, no entanto, a maça era uma fruta que germinava fertilmente naquela área.
Vez ou outra, Emma via Pongo entrando e saindo do local, como se estivesse perseguindo alguma coisa.
Ela brincou um pouco com ele, pois não o via há dias, e quando estava próxima a Enchedora Isobarométrica¹, sentiu alguém a abraçando por trás. Sorriu, pensando que era Regina.
Ao escutar a voz de sua namorada, ficou sem reação. Só conseguiu virar de frente para a ruiva e, em seguida, Ariel a beijou apaixonadamente com uma ânsia desmedida.
Emma retribuiu o beijo, sentindo-se culpada pelo que tinha feito e pelo que iria dizer a jovem depois que seus lábios se separassem.
Quando o beijo terminou, Ariel falou:- Eu já avisei ao meu pai que você irá sábado jantar conosco e que iremos formalizar nossa relação!– concluiu.
Merda!- Pensou Emma. Havia esquecido completamente que no dia anterior a viagem de Regina ela havia passado a noite com Ariel e tinha dado a entender que tencionava pedir a mão da ruiva ao seu pai, Tritão, só era preciso que a namorada marcasse a data.
Mas, naquela época, ela não tinha nenhuma esperança de ter um relacionamento com Regina e, em grande parte, pretendia ficar noiva da ruiva para provocar a morena, fazendo com que sua cunhada fosse obrigada a conviver com sua futura esposa em Swanfarm.
–O que foi, bebê? Você está tão pensativa!– falou a ruiva, percebendo que Emma estava muito calada.
Emma respirou fundo, encheu-se de bravura e disse: –Ariel, precisamos conversar!
A ruiva franziu o cenho e ficou com o olhar preocupado. –O que aconteceu, Emma?- Perguntou já com voz embargada.
A loira ficou ainda mais tensa do que já estava.
Não era muito conhecida pelo seu tato e vendo o olhar desapontado da ruiva só fazia com que o sentimento de culpa transbordasse por todos os seus poros.
Decidiu ser absolutamente sincera: –Eu estou apaixonada por outra pessoa!- Falou de um só fôlego, antes que perdesse a coragem.
No rosto de Ariel via-se várias reações refletidas: choque, tristeza, decepção e, por fim, entendimento.
–Então é verdade?- Perguntou, enquanto lágrimas caiam copiosamente pelo seu rosto.
Emma não compreendeu a pergunta e indagou: – O quê?
–Você está apaixonada por sua cunhada, não é?- Inquiriu, enojada.
A loira ficou boquiaberta. Era tão evidente assim? –Por que você está dizendo isso?– tentou disfarçar.
–Porque algumas pessoas em Storybrooke comentam que você foi embora daqui por causa dela. Porque estava apaixonada pela mulher do seu irmão!– a voz da ruiva permanecia triste.
–Quê?- Emma estava chocada, como assim algumas pessoas sabiam sobre os seus sentimentos por Regina? –Onde você ouviu falar sobre isso?- Perguntou, por fim.
– No Rabbit Hole! Um dia estava lá e escutei quando o Leroy estava comentando com outra pessoa. Na hora não dei muita importância, porque, além de alcoólatra, ele é muito maledicente também, mas pelo visto é verdade, não é?- Questionou, choramingando.
Claro, só podia ser o fofoqueiro-mor da cidade que estava espalhando boatos sobre sua vida por aí! Pensava Emma, enraivecida, com ganas de socar muito a cara do anão linguarudo.
Percebeu que a sua namorada ainda esperava uma resposta e resolveu ser franca: –Sim, é por ela que eu estou apaixonada! Tentei esquecê-la, queria que a nossa relação tivesse dado certo, porém não adianta lutar contra o impossível, Ariel. Agora eu sei que jamais vou deixar de amá-la, por mais que eu lute contra esse sentimento!
–Eu te odeio, Emma Swan!- Disse a ruiva esbravejando. –E espero que ela te faça muito infeliz, sua...sua vagabunda!– Dito isso, saiu correndo, deixando a loira entristecida para trás.
Não queria ter magoado Ariel, pois sabia que a jovem era apaixonada por ela há muitos anos e a revolta da ruiva era mais do que compreensível, já que, de certa forma, a usou para esquecer e provocar Regina.
Depois de um tempo, recuperada da conversa que havia tido com a sua, agora, ex-namorada, Emma saiu da vinícola e quase se choca com August que vinha andando apressadamente em sua direção.
–Calma, August! Parece que vai tirar o pai da forca. –Falou a loira, rindo.
–Desculpe, Srta. Swan, é porque uma das éguas está doente e eu estou levando a injeção para o veterinário aplicar.– explicou o rapaz.
–Tudo bem, August! E eu já te disse que você pode me chamar de Emma.– disse sorrindo e acrescentou: –Ah, você viu a Regina?
–Sim! Mas ela disse que não podia vir te encontrar porque estava com pressa para ir visitar um amigo em Portland.– falou o rapaz, ocultando o fato de Regina ter dito que não tinha tempo para as bobagens da Srta. Swan.
–Quê? Que amigo?- Perguntou Emma, já enfurecida.
–Ela não falou o nome, só disse que não tinha hora para voltar.– explicou o rapaz, totalmente alheio a raiva que já consumia todo o corpo de Emma.
–Tudo bem, August! Pode ir!- falou e se dirigiu para a casa, com cara de poucos amigos, enquanto a imagem de Regina se encontrando com um homem misterioso não saia da sua cabeça.
{Regina}
A morena decidiu ir visitar o hospital onde ficou internada durante 4 meses de sua vida, tendo passado 108 dias inconsciente e o restante em recuperação por causa dos ferimentos que sofreu quando se acidentou com Robin.
Regina fazia questão de contribuir financeiramente com aquela instituição de saúde e, sempre que possível, visitava os pacientes que estavam internados ali, principalmente as crianças enfermas, uma vez que sentia necessidade de levar esperança para aqueles pequenos seres que já passavam por tantas provações, mesmo tendo poucos anos de vida.
Depois que conversou com um garotinho de 10 anos que tinha leucemia e já estava esperando um doador há quase 1 ano, enquanto fazia o tratamento para combater o avanço da doença naquele hospital, Regina resolveu ir embora, sentindo-se impotente porque não podia ajudá-lo mais.
Pelo menos, o tempo que passou no hospital serviu para esquecer um pouco Emma Swan e sua namorada.
Quando estava passando em frente a um cinema de bairro, viu que estavam exibindo uma maratona de filmes com Vivien Leigh. Adorava aquela atriz, desde que tinha visto pela primeira vez “E o vento levou...”.
Notou que ainda era cedo e podia assistir, pelo menos, um filme e depois ainda teria tempo para pegar a estrada de volta para Swanfarm e chegar lá antes do anoitecer.
Viu que a sessão para “Um Bonde Chamado Desejo” começaria em menos de 15 minutos, comprou o ingresso e entrou na sala do cinema, segurando um sanduíche natural numa mão e um copo de suco de maçã na outra.
Ficou, mais uma vez, maravilhada com as intensas interpretações de Marlon Brando e Vivien Leigh e, quando a exibição do filme terminou, foi embora do local, seguindo rumo a Storybrooke.
Não queria pensar que, daqui a pouco, estaria novamente perto de Emma. Tentaria evitá-la a todo custo, porque sabia que não resistiria aos encantos da loira, caso ela resolvesse continuar com aquele jogo de provocação com ela.
Quando faltava cerca de 30km para chegar na cidade, o motor do Mercedes começou a falhar. A morena praguejou, desceu do carro, abriu o capô e ficou olhando para aquelas engrenagens desejando que com um passe de mágica o veículo voltasse a funcionar.
Como desgraça pouca é bobagem, além de não passar ninguém no ponto da estrada onde ela estava, a quem pudesse pedir ajuda, começou a chover torrencialmente e teve que entrar no carro para não tomar um banho e pegar um resfriado.
Já havia anoitecido e a chuva não cessava. Além disso, seu celular não tinha sinal. Já era mais de 21hs e provavelmente todos estariam preocupados com ela em Swanfarm.
Agora percebia como tinha sido imprudente ao sair daquele jeito de casa, sem dar satisfação a ninguém e tendo dito apenas a August que ia visitar um amigo.
Mas tudo isso era culpa de Emma Swan!- Pensava enquanto estapeava o volante do seu carro.
A cunhada era a culpada por fazê-la se comportar assim, como uma adolescente apaixonada, ciumenta e inconsequente.
Não podia mais negar: amava aquela maldita loira!
Provavelmente se apaixonou por ela no dia que a conheceu, mas não soube identificar o sentimento porque ainda acreditava que Daniel tinha sido seu único e verdadeiro amor e, além do mais, já estava comprometida com Robin e não queria decepcioná-lo, uma vez que ele sempre se mostrou tão bondoso com ela.
Quando a chuva finalmente cessou, Regina saiu do carro, segurando uma lanterna, pedindo a todas as entidades divinas que passasse um carro por ali e que o motorista não fosse nenhum psicopata.
Inesperadamente, viu os faróis de uma camioneta se aproximar de onde ela estava. O carro parou e um senhor idoso, com aparência bastante simpática, perguntou se ela queria carona.
A morena titubeou, mas o homem parecia indefeso e bondoso, sem falar que ela não queria passar a noite ali, cercada de mato por todos os lados, tendo apenas o Mercedes para se abrigar, enquanto escutava o pio das corujas. Definitivamente, isso parecia mais com o cenário de um filme de terror!
Ao entrar no carro, entabulou uma conversa com o homem que falava pelos cotovelos. Descobriu que ele tinha trabalhado durante anos em Swanfarm e que tinha sido amigo de infância de Leopold Swan, o patriarca da família.
Ao chegar na cidade, Regina disse que ele não precisava se preocupar, que ela pegaria um táxi até a fazenda. Todavia, o atencioso homem afirmou que não seria trabalho nenhum deixá-la em Swanfarm.
A morena aceitou de bom grado a oferta, uma vez que certamente seria complicado encontrar um táxi naquela hora, só não queria abusar ainda mais da gentileza do homem.
Quando o carro se aproximou do portão de entrada da fazenda, ela olhou o celular e viu que já era quase 23hs.
Droga!- Pensou.
Será que tinha alguém esperando por ela acordado? Talvez Granny ou a própria Sra. Swan! Despediu-se do amável homem e andou apressadamente até a casa.
Quando estava terminando de subir os degraus da entrada, de cabeça baixa, ouviu quando a porta abriu num rompante:
–Pode-se saber onde diabos você estava?
Reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo! Pertencia à mulher mais insuportável que Regina conhecia! A mulher que ela amava! Sua cunhada, Emma Swan!
Fale com o autor