Um Paradoxo de Sentimentos.
15 O Noivado.
Notas iniciais
(Uma semana depois do incêndio...)
Regina estava sentada na cama, apoiando as costas num travesseiro, lendo o livro “Os Inocentes” de Henry James.
A loira estava no banheiro, terminando de se vestir para ir deitar ao lado de sua amada.
Quando Emma entra no quarto, Regina levanta a vista e não consegue controlar o riso ao ver o traje que sua namorada está vestindo.
Emma usa um camisão folgado, na cor amarela, com a imagem de Bart Simpson mostrando a bunda e dizendo seu famoso slogan:-Coma meus shorts!
Para completar a vestimenta, a loira também está calçando umas meias felpudas e coloridas.
–Amor, você sempre vai vim para a cama vestida desta forma sedutora?– indaga a morena, com a voz ainda mais rouca, devido a uma gripe que contraiu nos últimos dias, enquanto sorrir.
–Qual o problema com meu pijama, sra. Mills? Esses seus conjuntos de seda também não são muitos sensuais.– rebate, arqueando uma sobrancelha e entrando embaixo das cobertas.
–Pelo menos estou vestida como uma adulta, enquanto você parece uma menina de 12 anos, ainda usando camisolão com imagem de Bart Simpson.- diz, depositando um terno beijo nos lábios de sua amada.
–Sabe do que me lembrei agora? – indaga a loira, mudando de assunto.- Do dia em que nos conhecemos e fiquei fascinada com o seu conhecimento sobre filmes.- conclui, acariciando o rosto da morena.
R: –Foi à única característica minha que chamou sua atenção naquela noite?- questiona, zombeteira.
E: -Você sabe que não! Mas adorei aquele nosso joguinho de referências a frases de personagens do cinema e adoraria brincar novamente com você.- diz, roçando o nariz na bochecha de Regina.
R: Hum, pode ser! Mas que tal deixarmos a brincadeira mais interessante?
E: Como assim?
R: Cada uma poderia escolher cinco ou até mais frases famosas de personagens e dizer para a outra adivinhar quem é o autor! Então, no fim, quem tiver acertado mais, poderá fazer com o corpo da perdedora o que desejar na noite de núpcias.– termina, sorrindo de forma maliciosa.
Emma arregala os olhos:- Ainda nem estamos noivas e você já está pensando na noite de núpcias, sra. Mills?
R: Estou te dando uma indireta, srta. Swan! Quero que me peça em casamento o quanto antes, pois não vejo a hora de ser sua mulher e que você seja minha também, em todos os sentidos.
Emma ficou comovida. Tinha sonhado tanto, durante quase 4 anos com esse momento, que agora custava a crer que Regina e ela finalmente pertenciam uma a outra.
E: Está bem, majestade! Quando você menos esperar, colocarei um lindo anel de noivado no seu dedo, para que todos saibam que Regina Mills pertence à Emma Swan.- falou e beijou o dedo anelar de sua futura esposa.
Regina colocou as mãos no rosto da loira, atraindo-a para si e beijando-a suavemente.
Depois, desceu mordiscando e chupando o pescoço da sua amada, que suspirava de prazer com aquelas carícias.
A morena aproveitou para cravar os dentes na jugular de Emma, que soltou um sonoro grito por causa da dor, olhando assustada para sua mulher.- Pronto, agora todas saberão que Emma Swan é propriedade de Regina Mills.–disse a morena sorridente, enquanto a loira massageava a região dolorida.
E: Gata Selvagem!- falou, zombeteira.
R: Posso começar com a brincadeira sobre as frases?- a loira concorda com um gesto de cabeça. –Certa vez, um recenseador tentou me pôr a prova. Comi o fígado dele com fava e um bom vinho.
E: Essa é fácil, amor: Hannibal Lecter em “O Silêncio dos Inocentes”.- respondeu Emma, já cantando vitória.– Francamente, querida, eu não ligo a mínima!- prosseguiu com o jogo.
R: Emma, já assisti “E o vento levou” umas 20 vezes e sei que essa frase é de Rhett Butler.- respondeu.- Velhice... É a única doença, Sr. Thompson, da qual não se espera ser curado.
Emma ficou olhando incrédula para Regina durante minutos e, por fim, desistiu: Não sei!- Suspirou, frustrada. — É de qual personagem?-Perguntou, curiosa.
R: Bernstein de “Cidadão Kane”.- respondeu.- Prossiga!- disse, sorrindo, enquanto olhava para a loira que já estava amuada.
E: Não zombe da masturbação. É sexo com alguém que eu amo.
R: Amor, você está facilitando a minha vida: Alvy Singer em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”.- a morena sorria de orelha a orelha, ao mesmo tempo em que Emma ficava cada vez mais irritada, pois detesta perder.
Depois de mais algumas frases, Regina venceu a brincadeira e fez a dança da vitória em cima da loira, avisando que ela não sabia o que a esperava na noite de núpcias, enquanto pulava em cima da cama alegremente.
Emma a derrubou sobre o colchão macio e deitou em cima dela.
R: Eu me esqueci de te dizer que durante alguns anos, enquanto estava na Universidade de Austin, trabalhei numa vídeo-locadora, por isso conheço tantos filmes.- falou, rindo da cara da loira.
E: Isso é trapaça, sra. Mills, e você vai pagar muito caro por sua má conduta.- disse, indignada, começando a fazer cócegas na morena.
Elas ficaram brincando por algum tempo e, na sequência, começaram a se beijar e trocar carícias de maneira intensa, até Regina ficar cansada, por causa da gripe que ainda a acometia, e a loira ir buscar um chá para ela.
Enquanto a morena tomava o chá, olhava para sua namorada que estava escolhendo um filme para as duas assistirem.
E: Amor, você gostaria de trabalhar comigo na empresa?– perguntou, olhando para sua mulher.
Regina, pega de surpresa, não soube o que responder.- Você é formada em Administração e sei que trabalhou alguns anos num hotel, ou seja, já tem experiência e adoraria tê-la ao meu lado no comando da corporação.– acrescentou, sorridente.
A morena estava sensibilizada com a oferta da loira, Robin jamais propôs nada parecido a ela, mesmo sabendo que Regina não gostava de ser apenas uma dona de casa e se realizava trabalhando.- Eu adoraria trabalhar com você, meu amor!– disse, por fim, ainda emocionada. –Porém, fique logo sabendo que eu adoro mandar!– concluiu, brincalhona.
Emma sorriu e voltou para a cama, deitando-se entre as pernas da morena, que permanecia sentada com as costas apoiadas no travesseiro, acariciando o cabelo dourado de sua amada.
Ainda era cedo, no entanto, elas só queriam ficar uma ao lado da outra, como se precisassem recuperar todo o tempo que passaram separadas nos últimos anos.
R: Qual filme você escolheu?– Perguntou.
E: Zeus e Roxanne, já viu?
R: Não! Como é?
E: É a história de um cachorro que se apaixona por um golfinho-fêmea. Acho lindo e romântico!– explicou.
R: Hum! Nunca imaginei que você fosse tão melosa, srta. Swan!- diz, sorrindo.
E: Fiquei meio brega depois que me apaixonei por você, sra. Mills!– retribuiu o sorriso.
Elas se beijavam, ao mesmo tempo em que os créditos iniciais apareciam na tela.
Enquanto as mulheres se perdiam em carícias e beijos, como se não houvesse amanhã, Regina nem desconfiava que seu anel de noivado já estava bem guardado e que, no dia seguinte, Emma iria pedir a mão dela em casamento de uma maneira muito romântica e melosa.
***
Regina desperta na manhã seguinte desorientada, olhando para a mesinha de cabeceira e constatando que são mais de 11hs.
Não se lembrava da última vez que havia dormido tanto.
Notou que Emma não estava ao seu lado, todavia, em cima da almofada da loira, jazia pedaços de pétalas de uma flor roxa, provavelmente lisianthus.
Parecia que várias flores haviam sido picotadas e os pedaços formavam uma espécie de trilha que ia desde a cama até a porta do quarto, que estava fechada.
A morena resolveu seguir aquela caminho roxo, saindo do quarto e descendo as escadarias que tinham fora da casa, contornando a grande construção, até chegar onde Emma estava.
A loira vestia uma túnica e uma calça branca e estava em pé, dentro de um coração formado também por pedaços de lisianthus, embaixo da macieira que Regina tanto amava, com as mãos por trás das costas.
A morena se aproximou sorrindo para a loira, que retribuía o gesto para ela, ainda usando seu pijama cinza que tinha vestido na noite anterior.
O vento espalhava os pedaços de pétalas ao redor delas, formando pequenos redemoinhos.
E: Pensei que você não acordaria mais, meu amor!- Falou. – Acho que coloquei muito sonífero no seu chá.- acrescentou, divertida.
R: Então você é a culpada por eu ter dormido até agora?- Perguntou, fingindo irritação.
E: Precisava que você dormisse bastante para poder preparar uma surpresa para ti.– explicou.
R: E qual a razão disso tudo?- indagou, sinalizando as pétalas picotadas no chão.
E: Bem, eu e alguns ajudantes, incluindo Ruby e Belle que vieram para a fazenda especialmente com o intuito de me auxiliar a preparar essa surpresa, passamos as últimas horas picotando e jogando as pétalas de lisianthus pela fazenda.- fez uma pausa.- Tem exatamente 1433 pedaços dessa flor espalhados desde o nosso quarto até aqui. Você sabe por que esse número exato?- questionou, sorridente.
R: Não! – disse a morena, cada vez mais intrigada.
E: Porque hoje faz exatamente 1433 dias que nos conhecemos no coreto da Mansão dos Nolan.– esclareceu, comovida.
Regina não conteve as lágrimas! Nunca imaginou que Emma pudesse ser tão atenciosa assim.
Cada dia que passava a loira conseguia surpreendê-la mais com atos e palavras de carinho que só servia para aumentar o amor que a morena sentia por sua mulher.
Emma tremia de emoção e, com mãos vacilantes, abriu uma pequena caixinha, com um cisne e uma coroa dourados, bordados no veludo vermelho, mostrando um anel de ouro branco com um diamante em formato de gota.
E: A vendedora pediu para que eu te descrevesse para ela, e eu disse que Regina Mills era uma mulher linda, de personalidade forte e muito elegante, então me assegurou que você iria adorar essa joia.- falou, com voz trêmula.
A morena estava fascinada com a beleza do acessório e com a preocupação de Emma em escolher o anel perfeito para ela.
E: Regina, sou uma mulher capaz de te amar de dentro para fora, de trás para frente, com meu coração arrancado do peito. E eu não sei te amar de outra maneira¹!- pausa.- Então, por favor, aceite se casar com esta loira desequilibrada, possessiva e ciumenta que, provavelmente, vai te trancar numa torre bem alta para que ninguém possa te roubar dela e me conceda o privilégio de sempre tentar fazer com que se apaixone por mim todos os dias pelo resto de nossas vidas.– conclui, enquanto desliza o anel pelo dedo da mão direita de sua futura esposa.
A morena está banhada em lágrimas e com um nó na garganta, pois uma mandala de sentimentos toma conta do corpo dela.
Ela não sabe o que dizer, apenas contempla o rosto sereno da mulher amada, pensando se é possível que mais alguém no mundo possa estar tão feliz quanto ela naquele instante.
Aproxima-se ainda mais de Emma, coloca uma mão na lateral esquerda do seu rosto, acariciando a tez branca de sua amada.
Os cabelos loiros e negros estão desalinhados por causa da ventania que passa por ali, enquanto os olhos chocolates se perdem na imensidão verde do olhar de Emma.
–Emma, o que mais desejo é ser sua mulher para sempre!- é a única frase que Regina consegue articular, ainda tomada pela emoção.
A loira sorri satisfeita e encosta sua testa na de sua noiva, fechando os olhos e tentando acalmar as batidas descontroladas do seu coração.
Pequenas gotas de chuva começam a molhar o gramado, porém, as duas mulheres não se incomodam, elas estão totalmente entregues a beleza daquele momento.
Trocam beijos molhados, que falam mais do que mil palavras, enquanto Eva Swan, Killian, Granny, Ruby e Belle saem dos lugares, onde estavam escondidos até então, para admirar aquela cena tão perfeita e encantadora.
Um instante mágico, cheio de amor, carinho e esperança de uma longa vida juntas.
Um momento que, há alguns anos atrás, nenhuma daquelas testemunhas, nem as protagonistas da cena, supunham que podia se tornar realidade.
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